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Full text of "Archivo dos Açores; publicação periodica destinada à vulgarisação dos elementos indispensaveis para todos os ramos da historia Açoriana"

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ARGHIVO  DOS  AÇORES 


IV 


Pt 


/O 


PUBLICAÇÃO  DESTINADA  A  VULGARISAÇÀO  DOS  ELEMENTOS  INDISPENSÁVEIS 
PARA  TODOS  OS  RAMOS  DA 


o/ir* 


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VOLUME  QUARTO 


1882  -    -í  -  / 

FONTA  DELGADA-ILHA  DE  S.  MIGUEL. 
Typ.  do  Archivo  dos  Açores 


519571 


Digitized  by  the  Internet  Archive 

in  2010  with  funding  from 

University  of  Toronto 


http://www.archive.org/details/archivodosaore04pont 


MEMORIA 

DO 

d;  JOÂO  TEIXEIRA  SOARES  DE  SOUSA 

Erudito  Jorgense,  Benemérito  Aço- 
riano, que  por  suas  virtudes, 
scieneia  e  caracter,  hon- 
rou o  nome  Portu- 
guez. 


Acabe  o  tempo  já  tão  triste  vida 
Qup  em  sua  morte  só  tem  seu  remédio. 
{Camões,  SexUna  IV.) 

Alma  gentil,  que  á  íirme  eternidade 
Subiste  clara  e  valerosamentc, 
Cá  durará  de  ti  perpetuamente 
A  fama,  a  gloria,  o  nome  e  a  saudade. 
(Camõps,  Soneto,  229.) 

Acabou  a  existência  o  Dr.  João  Teixeira  Soares,  no  dia  primeiro 
fie  Julho  de  1882,  pelas  6  horas  da  manhã,  n'esla  cidade  de  Ponta 
Delgada.  Graves  padecimentos  occasionados  por  uma  lesão  cardíaca. 
(|ue  se  revelou  pela  primeira  vez  em  Fevereiro  ultimo,  terminaram 
com  a  morte.  Comdemnado  irremissivelmente,  todos  os  momentos  de- 
corridos desde  então  foram  de  alílictivo  tormento  ! 

A  morte,  roubando-o  aos  carinhos  fraternos  e  à  aílectuosa  estima 
(los  amigos,  libertou  emfim  aquella  bellissima  alma,  do  misero  corpo 
a  que  nem  a  sciencia  nem  os  disvellos  podiam  restituir  a  saúde !  Mais 
de  quatro  mezes  de  constante  soíTiimento,  foram  martyrio  penosíssi- 
mo i^ara  elle  e  para  todos  que  o  amavam ! 

E,  porem,  irreparável  a  perda  que  os  Açores  acabam  de  solfrer  com 
a  prematura  morte  de  tão  conspícuo  cidadão.  Privou-nos  ella  dos  sa- 
zonados fructos  da  robusta  intelligencia,  do  Dr.  João  Teixeira  quando 
elle  começava  a  dar  forma  ás  elucubrações  de  largos  annos !  Tarde 
apparecerá  um  outro  obreiro  com  a  idoneidade  daquelle  (|ue  perde- 
mos I 

A  individualidade  do  illustre  Jorgense  foi  um  complexo  de  quali- 
dades de  subido  valor  e  d'aptidões  variadas.  Dotado  de  um  talento 
pouco  vulgar,  memoria  felicíssima,  de  muita  agudeza  de  comprehen- 
são,  os  seus  recursos  eram  excepcionaes  quando  se  propunha  resol- 
ver qualquer  pix)blema  histórico.  De  indofe  investigadora,  jamais  per- 
dia a  occasião  de  saciar  a  sua  innata  curiosidade,  tendo  aletu  disso,  a 
rara  faculdade  de  nunca  mais  esquecer  aquillo,  que  uma  vez  ouvira 
ou  lera,  por  mais  insignificante  que  parecesse. 

A  memoria  por  si  só  prejudica  as  outras  faculdades  humanas,  ina^ 
por  detraz  d'ellas.  communica-lhe  importante  realce  e  brilho  extraor- 
dinário. E"  coruo  um  espelho,  qtie  anteposto  aos  objectos  os  occulta, 
mas  que  por  detraz  d^elles  os  rellecte  e  illumina. 

Assim  na  organisação  do  Dr.  J(jão  Teixeira  Soares,  servia  esta  p;i- 
ra  realçar  as  outras  faculdades  mentaes. 

A  historia  Açoriana  merecia-llie  especial  attenção.  sem  todavi-i 
desprezar  o  que  podesse  servir-  |)ara  abrilhantar  o  nonif  porlugiif/. 


8  ARGHIVO  DOS  AÇOBES 

OU  illucidar  iim  qualquer  ponto  importante  da  historia  da  humanidade. 
Dos  Açores  conhecia  tudo;  o  passado  e  o  presente,  as  pessoas  e  loga- 
res,  os  factos  públicos  e  particulares,  datas  e  circumstancias  interes- 
santes. Era  uma  encyclopedia  viva,  que  a  toda  a  hora  se  podia  con- 
sultar sem  receio  de  encontrar  lacunas. 

Leitor  assiduo  das  chronicas  e  dos  clássicos,  de  todos  tinha  pro- 
fundo conhecimento.  De  taes  leituras  recebera  as  vividas  inspirações 
de  um  acrisolado  amor  pátrio,  que  não  lhe  deixava  tranquillo  o  espi- 
rito sempre  (jue  via  menoscabada  a  verdade.  Possuia  tão  perfeito  co- 
nhecimento das  extensas  Décadas  de  João  de  Barros  e  de  Diogo  do 
Couto,  que  quasi  se  podia  dizer:  as  conhecia  de  cór.  Abrangia,  porem, 
nas  suas  leituras,  as  obras  Francezas  e  Inglezas  de  maior  nomeada, 
colhendo  d"ellas  exacto  conhecimento  dos  progressos  modernos  das 
lettras,  sciencias  e  artes. 

Vivendo  isolado  na  ilha  de  S.  Jorge,  longe  do  bulicio  mundano  e 
de  quaesijuer  distracções,  entregava-se  exclusivamente  á  leitura  e  a 
profundas  cogitações  de  que  resultavam  idéas  originaes  e  consequên- 
cias maravilhosas  de  perspicácia.  Approximando  e  concatenando  factos 
imolados,  coftfdenandít  idéas  avulsas,  fazia  de  tudo  uma  synthese,  que 
espargia  luz  aonde  dantes  só  haviam  sombras. 

Fugindo  (la  roliiia  siigeitava  a  historia  á  critica  severa  dos  fados, 
para  de  tudo  deduzir  consequências  lógicas,  únicas  que  satisfaziam 
não  só  o  seu  amor  pela  verdade,  mas  igualmente  a  natural  rectidão 
do  seu  espirito. 

Newton,  interroga  de  como  tinha  descoberto  as  admiráveis  leis  da 
attracção  universal,  respondeu:  «en  y  pensant  tottjours.»  Tal  é  a  força 
da  inlelligencia  quando  se  concentra  em  profundas  meditações! 

O  meio  em  que  vivia  o  Dr.  João  Teixeira,  collocava-o  em  circums- 
tancias análogas,  leforçando  assim  as  faculdades  raras,  com  que  a 
natureza  o  dotara.  Dextrema  modéstia  e  timidez,  fugia  naturamente 
das  multidões. 

Em  Coimbra,  no  vigor  da  mocidade,  rodeado  de  centenares  d'es- 
tudantes.  revelava  já  a  natural  tendência  para  o  isolamento;  d'aqui  a 
resultante  necessidade  de  supprir  pela  leitura  a  falta  de  convivência 
social. 

De  tracto  ameníssimo,  com  uma  physionomia  sympathica,  a  seu 
pezar  aítrahia  os  circumstantes.  principalmente  quando  por  meio  d'u- 
ma  conversação  sempre  interessante,  melhor  lhe  deixava  perceber  os 
elevados  dotes  do  seu  caracter,  e  a  inexgotavel  mina  de  seus  conhe- 
cimentos. 

A  placidez,  filha  da  força  physica  e  moral,  o  espirito  justo  e  re- 
cto, manifestavam-se  n"a  expressão  bondosa  das  suas  feições  regula- 
res. Tinha  o  typo  dum  portuguez  antigo,  d"aquelles  cujos  nobres  sen- 
timentos e  acções,  tem  feito  extremecer  de  enthusiasmo  as  gerações 
passadas  e  presentes. 


ARCHIVO   DOS  AÇORES  9 

O  pensamento  inicial  da  publicação  do  Archivo  dos  Açores,  nasceu 
das  conversações  que  com  o  nosso  prestante  amigo  tivemos  em  Julho 
de  1876,  no  Valle  das  Furnas,  e  das  idéas  que  então  trocámos  a  tal 
respeito. 

Appareceo  pois  esta  publicação,  cujo  fira  occulto  foi  principalmen- 
te servir  de  estimulo  e  meio  de  vencer  a  inércia  do  Dr.  João  Teixei- 
ra em  escrever.  Infelizmente  não  lográmos,  apezar  de  todos  os  exfor- 
ços,  obter  senão  mui  pouco,  do  muito  que  elle  podia  dar.  Poucas  são 
as  paginas  por  elle  escriptas,  e  essas  mesmis,  pela  maior  parte,  ex- 
traliidas  de  outras  publicações. 

Graças,  porem,  á  illustração,  benevolência  e  amisade  do  Snr.  Dr. 
José  Teixeira  Soares  de  Sousa,  seu  irmão,  esperamos  respigar  nos 
seus  numerosos  papeis  alguns  apontamentos,  que  honrem  o  seu  no- 
me, demonstrando  quanto  sabia. 

Podemos  egualmente  dar  aos  estudiosos  a  grata  noticia  de  que  a 
Memoria  sobre  a  descoberta  da  Austrália  se  acha  posta  em  limpo,  se- 
gundo o  próprio  autor  nos  disse:  temos  portanto  bem  fundadas  espe- 
ranças de  que  em  breve  será  impressa. 

Nasceu  o  Dr.  João  Teixeira  Soares  de  Sousa  no  dia  2  de  Setem- 
bro de  1827  na  ilha  de  S.  Jorge.  Poi  baptisado  na  freguezia  de  Santa 
Barbara  do  concelho  da  Villa  das  Velas  aonde  então  passavam  o  ve- 
rão seus  pães. o  Sr.  Miguel  Teixeira  Soares  de  Sousa  e  D.Maria  An- 
gélica Soares  d'Albergaria.  Depois  de  alguns  estudos  feitos  na  ilha 
Terceira  e  duma  visita  a  S.  Miguel,  matriculou-se  na  Universidade  áe 
Coimbra  em  Outubro  de  1849  nas  Faculdades  de  Mathematica  e  Phi- 
losophia:  tomou  nesta  o  Grão  de  Bacharel  em  1853  e  fez  Foi-matura 
em  18o4.  Durante  o  seu  quarto  anno  de  1852-1853  frequentou  o  pri- 
meiro anno  de  Medicina,  mas  repugnando  à  sua  natural  sensibilida- 
de a  vista  dos  cadáveres,  abandonou  esta  sciencia  completamente. 

Conservou-se  sempre  solteiro,  apezar  de  ter  dotes  para  ser  ilm 
exemplar  pae  de  família. 

Até  ao  Domingo  25  de  Junho  nutrio  algumas  esperanças  de  po- 
der restabelecer-se  e  voltar  a  S.'  .lorge;  porem,  na  tarde  d'aquelle 
dia,  sendo  accomettido  de  um  violento  accesso  que  lhe  fez  perder  os 
sentidos,  voltando  a  si,  pedio  fossem  chamar  o  Dr.  José  Maria  Tava- 
res Ferreira,  seu  contemporâneo  em  Coimbra,  e  ás  8  horas  da  noite 
d'aquelle  dia  ditou  o  seu  testamento,  achando  se  de  cama,  no  seu  quar- 
to do  Hotel-Azorian  em  Ponta  Delgada.  Dispoz  do  seu  património  a 
favor  de  seus  sobrinhos,  filhos  do  Dr.  José  Teixeira  Soares,  que  o  a- 
companhou  na  sua  vinda  a  S.  Miguel  donde  o  enfermo  contava  vol- 
tar restabelecido,  mas  aonde  infelizmente  terminou  a  vida ! 

Dorme  em  paz  eternamente  !  Dorme  o  somno  dos  justos,  e  como 
tal  passe  o  teu  nome  á  posteridade ! 

N.°  19— Vol.  IV— 1882.  2 


40  ARCHIVO   DOS   AÇORES 

Como  tributo  de  verdadeira  amisade,  de  profunda  estima  e  de 
grata  recordação,  faremos  alguns  extractos  da  correspondência,  que 
desde  1874  trocámos  com  o  illustre  finado,  a  fim  de  que  nas  paginas 
do  Archko  fiquem  perpetuadas  algumas  phrases  e  pensamentos  do  e- 
rudito  Jorgense  e  o  publico  melhor  conheça  a  natureza  de  seus  estu- 
dos, a  actividade  do  seu  engenho,  e  generosos  planos  de  ser  utií. 

Chamámos,  porem,  a  atlenção  para  a  reserva  de  que  frequente- 
mente usava;  se  tiver  vida  e  saúde.  Parece  que  presentia  a  prematura 
morte,  apesar  da  sua  vigorosa  constituição  phisica ! 

Ernesto  do  Canto 


EXTRACTOS  DÂ  CORRESPONDÊNCIA  DO  D.'  JOÃO  TEIXEIRA 
SOAl^ES  DE  SOUSA. 

Carta  de  25  de  setembro  de  1874: 

Promettia  pôr  em  claro  um  Nobiliário  da  Ilha  de  S.  Jorge,  para 
o  que  tinha  colhido  muitos  apontamentos. 

Carta  de  26  d'oiitubro  de  1874: 

«Parece-me  conveniente  colligir  todos  os  brazões  açorianos  visto 
que  o  Arcfuvo  Heráldico  do  Visconde  de  Sanches  de  Baena,  abrange 
apenas  uma  pequena  parte  d'elles.  por  causa  da  perda  do  Archivo  da 
Nobresa,  por  occasião  do  terremoto  de  Lisboa.» 

Carta  de  25  d'agosto  de  1875: 

«Hecommendo  à  sua  atlenção  o  que  Theophilo  Braga  diz  {na  in- 
clusa carta)  sobre  a  venda  da  Collecção  de  Variedades  Açorianas  de 
José  de  Torres,  observando  todavia  que  o  seu  mérito  está  muito  á- 
quem  do  que  parece  derivar-se  do  numero  de  volumes,  e  dos  crédi- 
tos do  collector.  Fallo  com  conhecimento  de  causa.» 

Carta  de  26  de  novembro  de  1875: 

«Vi  nos  registos  originaes  (da  Torre  do  Tombo)  as  doações  {dos 
Açores)  de  D.  Affonso  V,  de  1439  e  1449,  copiei-as  religiosamente. 
São  irrefragaveis.  Hoje  se  voltasse  a  Lisboa  faria  extrahil-as  por  pro- 
cesso photographico  .  .  .  Estou  persuadido  não  haver  na  Torre  do 
Tombo  documento  algum,  relativo  aos  Açores,  pertencente  ao  século 
15,  que  eu  não  copiasse  na  integra  ou  não  extractasse  ...» 

«Tenho  desde  1865  ideada  uma  Memoria  sobre  os  Capitães  Dona- 
tários dos  Açores,  em  que  estes  e  muitos  outros  documentos  tem  de 
figurar.  Não  a  tenho  publicado  por  desejar  dar-lhe  maior  desenvolvi- 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  11 

mento,  com  o  fim  único  de  a  tornar  mais  grata  aos  leitores  .  .  .  .  e 
para  tudo  careço  ainda  estar  alguns  dias  em  Lisboa.  Eis  o  elencho: 

1.-''  PARTE — Descobrimento  e  colonisação  dos  Açores. 

2.*  PARTE— Altos  donatários  os  Infantes  D.  Henrique,  D.  Pedro  e 
D.  Fernando,  os  Duques  D.  Diogo  e  D.  Manuel:  Fernão  Telles  de  Me- 
nezes e  seus  successores  até  o  ultimo  Duque  dWveiro  (com  relação 
ás  ilhas  das  Flores  e  Corvo). 

S."^  PARTE— Capitães  Donatários  de  cada  uma  das  ilhas. 

APPENDICE  contendo  documentos,  annotaçijes  e  illustrações. 

«A  esta  devia  seguir-se  outra  sobre  Gaspar  Corte  Real,  que  repu- 
to de  grande  alcance  para  a  historia  das  nossas  navegações  e  desco- 
brimentos marítimos.» 

«Que  immenso  serviço  faria  a  pessoa  que  publicasse  a  obra  do 
Dr.  Fructuoso  respectiva  aos  Açores  !  .  .  .  » 

«...  A  Duqueza  de  Rorgonha  (D.  Isabel  filha  de  D.  João  I)  nunca  te- 
ve a  alta  donatária  de  qualquer  das  ilhas  dos  Açores.  Foi  Rehaim  que 
primeiro  disse  este  disparate.  Se  possuíssemos  hoje  a  Carta  de  doa- 
ção a  Jooz  Van  Huerter,  que  Jeronymo  Dutra  juntou  ao  processo  que 
teve  com  a  coroa  e  que  foi  decidido  depois  de  1580,  mais  por  favor 
ao  Marquez  de  Castello  Rodrigo,  do  que  por  justiça  que  lhe  assistisse, 
ficaria  toda  a  duvida  resolvida.  A  sentença  respectiva  refere-se  áquel- 
le  documento,  mas  elle  desappareceo,  com  a  Chancellaria  antiga  da  or- 
dem de  Chrísto  em  que  elle  devera  estar.  A  que  hoje  se  diz  antiga 
começa  apenas  com  o  reinado  de  D.  Sebastião  ...» 

«Tendo  Jacome  de  Rruges  vivido  no  Porto  por  espaço  de  :20  an- 
nos  (Sentença  publicada  a  pag.  28  do  Vol.  I,  do  Archivo)  e  certamen- 
te com  negocio  importante,  é  impossível  que  no  Archivo  da  Munici- 
palidade, não  se  encontre  alguma  cousa  relativa  a  elle.  Já  ha  annos 
tinha  feito  proceder  a  investigações,  mas  o  Dr.  Alexandre  Rraga  a 
quem  o  Dr.  Theophilo  Rraga  incumbio  d"este  negocio,  como  pessoa 
mais  competente  para  elle,  não  teve  saúde  nem  vida  para  isso  ...» 

«Gom  J.  de  Rruges  veio  do  Porto,  Affonso  Gonçalves  Raldaia, 
que  ali  era  cobrador  das  sizas  reaes  desde  1434,  por  mercê  de  D. 
Duarte,  a  pedido  do  Infante  D.  Henrique,  como  da  respectiva  carta  na 
Torre  do  Tombo.  Também  seria  bom  investigar  quando  acabou  elle 
ali,  aquelle  cargo.  (*)  Como  se  vè  na  Carta  d"e  Doação  do  Infante  D. 
Henrique  a  seu  sobrinho  o  Infante  D.  Fernando,  das  ilhas  de  Jesus 
Chrísto  e  Graciosa,  no  anno  de  1460  ainda  a  Terceira  estava  então 
deserta  e  sem  povoação!  A  Colonísação  dos  Açores  foi  mais  tardia  e 
demorada  do  que  geralmente  se  pensa.  O  atrazo  da  povoação  de  S. 
Miguel  foi  uma  das  principaes  causas  por  que  a  Infanta  D.  Rrites  con- 


(•)  Tentámos  algumas  investigações  por  via  do  Dr.  Adolplio  Soares  Car- 
dozo,  nosso  amigo  e  condiscípulo  em  Coimbra,  que  não  produziram  i-csullado 
algum. 


42  ARCHIVO    DOS    AÇORES 

firmou  a  compra  feita  por  Ruy  Gonçalves  da  capitania  delia  a  João 
Soares.  A  propósito:  disse-me  o  Marquez  da  Ribeira  Grande,  em  Maio 
de  1865,  em  viagem  para  S.  Miguel,  que  no  archivo  de  sua  casa  ain- 
da existia  o  traslado  da  escriptura  d'aquella  compra.  O  Marquez  inti- 
mou-me  então  para  ir  a  sua  casa  quando  voltasse  a  Lisboa,  franque- 
ando-me  o  seu  archivo  não  só  para  tudo  quanto  respeitasse  á  historia 
de  seus  ascendentes,  mas  ainda  d'essa  ilha.  (*)  Jà  em  Lisboa  me  ti- 
nha mandado  convidar  para  este  fim  pelo  Dr.  Henrique  de  Paula  Me- 
deiros a  propósito  de  certa  pergunta  que  lhe  mandei  fazer.  Mas  não 
acceitei  este  convite  por  que  não  o  conhecia  e  estava  muito  longe  de 
avaliar  a  affabilidade  e  extrema  bondade  do  caracter  do  Alferes  Mor- 
do Reino  ...» 

Carta  de  27  de  Novembro  de  1875: 

«. .  .Não  fui  bem  explicito  na  negativa  de  que  a  Duqueza  de  Borgo- 
nha tivesse  a  alta  donatária  das  ilhas  do  Fayal  e  Pico.  Behaim  dil-o  e 
marca  o  anno  de  I4G0  para  a  vinda  de  seu  sogro  para  ellas.  Mas  Je- 
ronymo  dUtra  recorrendo  mais  á  equidade  de  que  ao  direito,  e  alle- 
gando  os  serviços  de  seu  bisavô  Jooz  Van  Huerter,  dá  a  doação  feita 
pelo  Infante  D.  Fernando,  de  que  juntou  a  respectiva  Carta.  A  chrono- 
logia  de  Behaim  confirma  este  facto,  único  admissivel,  em  vista  da  doa- 
ção que  estava  no  processo  ao  lançar  da  sentença,  que  embora  não 
exista  em  forma  authentica  no  Corpo  das  Gavetas  da  Torre  do  Tom- 
bo, não  é  fundamento  plausivel  para  se  regeitar.  E'  documento  cu- 
rioso de  que  por  sua  extensão  só  fiz  extracto.  (**)  Pelo  documento 
que  remetto  n'esta  occasião,  se  conhece  ser  exacta  a  historia  da  colo- 
nisação  da  Praia,  sobre  a  origem  dos  mais  distinctos  colonos,  do  Dou- 
ro e  Minho.  Foi  com  eíTeito  dali  que  Bruges  trouxe  os  companheiros. 
Comtudo  os  modernos  viajantes  nos  Açores,  vêem  nas  feições  dos 
Terceirenses  indícios  de  origem  flamenga  ! !  Muito  podem  os  precon- 
ceitos ! » 

«Vou  publicar  o  pequeno  Tractado  das  Ilhas  Novas  de  Francisco 
de  Sousa,  madeirense;  e  que  é  julgado  perdido.  E'  do  maior  apreço 
a  noticia  que  dá  de  uma  colónia  açoriana  que  por  1520  e  tantos  se 
foi  estabelecer  no  Cabo  Bretão  fAmerica  do  Norte)  ...» 

Carta  de  27  de  Janeiro  de  1876: 
«Estimei  ver  a  Carta  ao  Congresso  dos  Americanistas  sobre  a  par- 


(•)  Pouco  depois  de  receber  este  alvitre  escrevi  ao  Conde  da  Ribeira,  por 
ser  já  fallecido  seu  pae,  pedindo-lhe  copia  da  escriptura,  mas  S.  Ex.*  em  car- 
ta de  1  de  Dezembro  de  1876,  respondeo-me,  que  apesar  de  dois  dias  de  bus- 
cas não  poderá  encontrar  a  escriptura  desejada. 

(••)  Foi  publicado  na  integra  no  Vol.  Ill  p.  408  do  Archivo. 


AHGHIVO  DOS  AÇOHES  13 

le  que  os  Portuguezes  tiveram  na  descoberta  da  America.  (*)  Mostra 
ella  que  este  geríero  de  estudo  começa  a  ser  apreciado  entre  nós, 
mas  que  tem  sido  bem  descurado  aké  agorn,  pois  que  o  verdadeiro 
estado  d'algumas  das  mais  importantes  questões  correlativas  é  ainda 
tristemente  ignorado !  Tenho  para  mim  que  o  eíTeito  d'aquella  Carta 
no  Congresso  internacional,  esteve  mui  longe  de  ser  o  que  seu  au- 
ctor  se  propoz  obter.» 

«Quaesquer  noticias  que  me  transmitta  sobre  o  resultado  das  suas 
investigações  históricas  são-me  sempre  gratas.» 

«...  Também  remetto  dois  números  do  Jorgense  em  que  pu- 
bliquei uma  carta  que  ha  annos  dirigi  ao  Latino  Coelho  e  que  elle  a- 
preciou  ligeiramente,  sobre  navegadores  portuguezes.  para  offerecer 
ao  Luciano  Cordeiro  se  assim  o  entender.» 

«Persi^^to  na  idéa  de  ahi  ir  no  próximo  estio.  E'  uma  necessidade 
imperiosa  para  o  meu  espirito  aproximal-o  do  amigo  pela  palavra  fal- 
lada.  Não  desista  de  me  escrever  por  que  n'este  ermo  e  apathia  em 
que  vivO;  as  suas  cartas  me  alentam  e  vivificam  (**). 

Carta  de  25  de  Maio  de  1876: 

«Estou  no  pensamento  de  sahir  para  essa  ilha  no  paquete  do  pró- 
ximo mez.» 

«Heide  levar  o  MS.  de  Francisco  de  Sousa  para  ser  ahi  publicado. 
Não  o  tenho  enviado  por  que  julgo  da  maior  necessidade  fazer-lhe 
algumas  annotações,  e  ainda  que  é  trabalho  de  poucas  horas,  não  as 
tenho  tido  com  a  disposição  com  que  são  necessárias.» 

«A  gloria  doesta  publicação  recahirá  sobre  essa  ilha,  o  que  é  de  ri- 
goroso direito.  Foi  José  de  Torres  quem  me  deu  as  indicações  para 
obter  este  opúsculo,  morrendo,  todavia,  sem  a  certeza  da  sua  existên- 
cia.» 

«Como  não  folguei  de  ver  a  carta  de  mestre  João  escripta  de  Ve- 
ra Cruz  em  1500!» 

«Para  a  vista  fica  a  resposta  ao  mais  que  n'as  suas  me  diz. 

Carta  de  26  d'Ag'osto  de  1876: 

«Estou  em  minha  casa.  Trouxe  feliz  viagem.  Fui  em  um  bello  dia 
ás  Sette  Cidades..  Não  sei  que  lhe  diga  de  sitio  tão  singular,  senão 
que  não  imaginava  que  em  S.  Miguel  houvesse  cousa  tão  linda. 

«Acho-me  com  boas  disposições  para  encetar  em  breve  os  traba- 
lhos, que  trago  projectados  sobre  historia  açoriana.  Do  que  fizer  lhe 
darei  conta.» 


(•)  Em  francez  pelo  Sr.  Luciano  Cordeiro. 

( .  • )    Honra  immerecida,   pois  que  era  eu  que  tinha  tudo  a  ganhar  com 
tão  interessantes  communicações. 


14  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

Carta  de  26  de  Setembro  de  1876: 

«Remetto  a  prefacção  e  notas  para  o  opúsculo  de  Francisco  de  Sou- 
sa. Parecia-me  bom  rectificar  o  titulo  d"este  pelo  que  traz  a  Bibliothe- 
ca  Lusitana. » 

«Desejo  muito  a  nota  sobre  u  livro  em  que  me  fallou,  que  trata  de 
moedas,  phenicias  creio  eu,  achadas  na  ilha  do  Corvo?» 

«Estou  a  contas  com  a  Memoria  histórica  sobre  os  Capitães  Dona- 
tários dos  Açores,  e  vem  a  pello  fallar  d'aquelle  facto.» 

«Também  preciso  saber  a  data  precisa  da  morte  de  Pedro  JoséCaa- 
pers  n'essa  ilha  por  1835,  por  que  tenho  de  tratar  delle,  a  propósito 
dos  Donatários  das  ilhas  das  Flores  e  Corvo.» 

«Estou  nas  melhores  [disposições  para  o  estudo  e  a  muito  me  o 
briga  o  desejo  de  ser  grato  aos  michaelenses,  que  se  interessam  pela 
historia  açoriana.» 

Carta  de  28  de  Novembro  de  1876: 

« .  .  .  .  Não  me  parecií  conveniente  a  publicação  de  toda  a  minha 
Carta  ao  Latino  Coelho,  mas  só  do  artigo  delia  relativo  a  João  AÍTon- 
so.» 

«Quanto  á  nota  sobre  o  Cabo  do  Britão,  insisto  na  publicação  d'el- 
la.» 

«A  data,  que  Agostinho  Pereira  dAgrella,  no  seu  MS.  dá  como  da 
sentença  a  favor  de  Bartholomeu  Perestrello,  contra  Pêro  Corrêa  é 
exactissimamente  a  da  carta  de  confirmação  da  Capitania  do  Porto 
Santo  a  favor  d'aquelle,  que  se  acha  originalmente  registada  na  Chan- 
cellaria  de  D.  AlTonso  V,  e  depois  no  L.*'  das  Ilhas,  á.^) 

«Também,  como  Mr.  dAvezac,  puz  todo  o  empenho  em  elucidar  a- 
quelle  facto,  não  só  para  a  chronologia  de  Pêro  Corrêa,  mas  mesmo 
para  a  de  Colombo.» 

«Quanto  á  origem  Terceirense  do  Conde  de  Bretiandos,  também 
me  parece  boa  a  sua  indicação,  em  nota,  como  meio  para  facilitar  e 
completar  o  estudo.» 

«...  N'um  dos  (ifoximos  paquetes  enviarei  o  que  me  foi  possível 
fazer  aqui,  privado  de  meios,  sobre  os  Donatários  da  Madeira  aíim  de 
que  o  remetta  ao  Agostinho  dOrnellas,  para  este  o  completar.» 

«Prometti  ao  Supico  enviar-lhe  para  a  Persuasão  uma  carta  .  .  . 
.sobre  a  descoberta  da  Austrália  em  epocha  muito  anterior  á  que  se 
lhe  marca.» 

Carta  de  27  de  Dezembro  de  1876: 

(Respondeo  que  não  queria  que  o  seu  nome  apparecesse  no  fim  da 
Introducção  do  Tractado  das  Ilhas  Novas  por  Francisco  de  Sousa,  ac- 
crescentando:)  «seria  cousa  sem  valor  e  só  daria  occasião  a  justos  e 


ARCHIVO  DOS    AÇORES  i5 

bem  cabidos  reparos.  Não  sou  vaidoso,  talvez  por  fraqueza!  mas  não 
o  sou.» 

«Pretendo  no  próximo  anno  dirigir  d'um  modo  particular  a  minha 
attenção  para  os  nossos  trabalhos  de  historia  insulana.  Sinto-me  velho 
e  queria  não  morrer  de  todo.» 

Carta  de  27  de  Fevereiro  de  1877: 

«...  O  ultimo  estudo  que  tenho  feito,  diz  respeito  á  descoberta 
da  Austrália.  Estou  á  espera  da  hora  de  espontaneidade  para  a  e^cri- 
pta,  para  começar  a  redacção  de  uma  serie  de  cartas  sobre  aquelle 
objecto,  que  pretendo  fazer  publicar  n  um  jornal  de  Lisboa.  Tenho 
muita  coisa  importante  a  dizer,  e  como  membro  da  Sociedade  de  Geo- 

graphia não  quero  deixar  de  mostrar  ....  áquella  que  não 

sou  servo  inútil. » 

Carta  de  25  de  Março  de  1877: 

«...  Deixe  estar  que  o  não  hei  de  fazer  esperar  muitos  mezes 
por  algum  trabalho  litterario  meu,  que  o  obrigue  a  pensar  sobre  as 
minhas  fracas  idéas.» 

Carta  de  27  d' Abril  de  1877: 

«A  minha  carta  ao  Sr.  Latino  Coelho,  sobre  alguns  navegadores 
portuguezes,  não  a  julgo  digna  de  reimpressão.  Tenciono  desenvolver 
mais  aquella  matéria  em  uma  breve  Memoria»  (Referia-se  á  revindi- 
cação  da  nacionalidade  portugueza  de  João  Aftbnso.  Saintongois,  Quei- 
rós á.^.» 

«O  projecto  de  cartas  sobre  a  descoberta  da  Austrália,  mudou-se 
para  uma  larga  Memoria,  em  que  destruo  tudo  quanto  a  tal  respeito 
se  tem  dito;  apresento  idéas  novas,  dando  o  seu  a  seu  dono  (á  Hes- 
panha).» 

Carta  de  31  de  Maio  de  1877: 

(Respondendo  ao  meu  convite  de  escrever  uma  Memoria  sobre  os  A- 
çores  para  o  concurso  aberto  pela  Sociedade  de  Geographia  de  Rru- 
xellas,  dizia:)  «Se  em  trabalhos  litterarios  não  correspondo  á  sua  ex- 
pectativa e  de  mais  alguém,  a  verdadeira  causa  está  na  minha  orga- 
nisação  preguiçosa  e  indolente.  Careço  de  grande  espontaneidade  no 
que  faço  e  esta  de  raro  se  casa  com  a  minha  Índole  impersistente  e 
aborrecida.  Tenho-me  em  pouca  conta,  mas  não  deixo  de  conhecer 
que  cometto  uma  grande  falta  em  não  expender  ao  publico,  ainda  que 
mal,  o  resultado  dos  meus  fracos  estudos  sobre  a  pátria  açoriana. 
Penso  muita  vez  n'isto,  mas  não  sei  dar-lhe  remédio.  Será  fatalidade 
em  mim?l» 


16  ARCHIVO    DOS   AÇORES 

«...  Sobre  os  estudos  recentes  do  Sr.  Major  relativos  á  Aus- 
trália, elles  em  nada  perturbam  o  meu  trabalho.  Heredia  não  foi  um 
embusteiro,  r,omo  elie  pretende  ...  Se  não  morrer  muito  cedo,  ain- 
da a  este  e  outros  respeitos  hei  de  discutir  as  suas  obras  e  do  seu 
patrício  Biddle.  A  questão  de  João  AíTonso  prende  muito  com  esta  e 
com  ella  será  largamente  tractada.» 

«Não  me  faltam  boas  armas;  se  não  as  souber  manobrar,  sempre 
hei  de  mostrar  aos  entendidos  a  sua  boa  tempera.» 

«...  Gozo  boa  sauile.  tenho  uma  vida  quasi  fradesca  e  só  a  pre- 
guiça me  não  deixa  trabalhar,  lembre-se  d'isto.» 

Carta  de  26  d'Outubro  de  1877: 

«...  Devolvíj  o  MS.  genealógico  do  meu  atrabiliário  patrício  Ma- 
theus  Machado  Fagundes  d'Azevedo;  .  .  .  tencionava  fazel-o  accompa- 
nhar  de  um  pequeno  esboço  biographico  critico  sobre  o  autor,  mas 
não  está  ainda  completo,  irá  noutra  occasião  ...» 

«...  A  idéa  de  escrever  uma  larga  Memoria  sobre  a  questão  da 
descoberta  da  Austrália,  está  bastante  robusta,  assim  podesse  eu  ter 
alguns  mezes  de  mediano.,  mas  perseverante  trabalho.  Juro  ao  meu 
amigo  que  se  não  estou  de  todo  parvo,  hei  de  fazer  obra  digna  da 
'sua  estima.  Esta,  e  a  .Memoria  sobre  Gaspar  Corte  Real,  executadas 
como  estão  pensadas,  derramarão  nova  luz  sobre  o  exórdio  e  epilogo 
da  nossa  Epopeia  marítima,  e  hão  de  dar  prazer  aos  meus  amigos. 
Manoel  Godinho  fleredia  íbi  um  porluguez  benemérito  e  muito,  mas 
infeliz.  Não  foi  um  falsario  embusteiro!  (*) .  .  .Biddle  atacou-nos,  mas 
com  subido  talento  e  erudição:  .Major  exalta-nos  com  uma  lógica  ab- 
surda, uma  rhetoi'ica  rasteira  e  uma  versatilidade  e  desfaçatez  mais 
própria  de  um  ...  do  que  de  homem  medianamente  serio  ...  Se  che- 
gar a  reduzir  a  forma  litteraria,  o  (jue  penso  sobre  a  (juestão,  verá  o 
meu  amigo,  a  grande  sapiência,  consciência  e  dignidade  d'este  ho- 
mem!» 

«Estimarei  ver  o  testamento  do  Infante  D.  Henrique,  o  que  eu 
queria  (jue  me  exhibissem  era  um  único  documento,  um  único,  ante- 
rior à  morte  de  D.  João  I  .  .  .  em  que  se  provasse  que  o  Infante  D. 
Henrique  tinha  tido  a  menor  idéa  de  viagens  e  de  descobrimentos  ma- 
rítimos! Parece  que  era  já  tempo  de  fazer  calar  a  lisonja,  e  apparecer 
a  historia  irrefragavel,  que  nos  diz:  que  a  actividade  marítima  dos 
portuguezes,  já  estava  desenvolvida  e  firmada  antes  delle  pelas  ex- 
plorações no  atlântico  sptentrional  e  descoberta  de  seus  archípelagos. 


(')  A  publicação  recente  da  obra  de  Heredia:  Malaca,  a  hxdia  Meridional  e 
o  Cathaijo,  Bruxclle^í  1882,  que  fez  Mr.  Leoii  Janssen,  demonstra  evidentemen- 
te, a  asserção:  igual  opinião  niaii;i'!'^i.i  M.  Ch.  Rueieas,  no  Prefacio  da  mes- 
ma obra. 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  47 

"Esle  príncipe  não  fez  mais  do  que  aproveitar  esta  actividade, 
dando-lhe  uma  nova  direcção,  mais  positiva,  e  menos  generosa,  que 
eile  soube  monopolizar  e  continuar  em  seu  proveito  e  da  ordem  de 
que  era  mestre  ! 

«Foi  um  empresário  egoista  n'esle  theatro  da  nossa  actividade,  na- 
da mais.  E  note  se  que  o  foi,  depois  da  morte  do  pae,  de  quem  nada 
obteve,  e  só  do  irmão,  cujo  filho  adoptou,  á.*''* 

«Para  este  campo,  único  verdadeiro,  não  vae  ninguém,  por  que  lhe 
falta  a  coragem  !  Hei  de  ir  eu,  se  tiver  vida  e  persistência  no  traba- 
lho, por  que  é  este  o  caminho  da  verdade  ...» 

Carta  de  25  d' Abril  de  1878: 

«...  Nunca  considerei  João  Alvares  Fagundes  senão  como  um 
simples  continuador  da  obra  dos  Cortes  Reaes  ...» 

«Não  hesite  o  meu  amigo  em  qualificar  de  falsa  a  carta  de  Doa- 
ção a  Jacome  de  Bruges,  pois  eu  por  mim  direi,  quando  fòr  tempo, 
que  ella  é  um  documento  rediculamente  falso.  As  razões  que  para  is- 
so tenho,  são  tantas  e  de  tal  pezo,  que  uma  vez  apontadas,  jamais  tal 
documento  se  poderá  rehabilitar.  Creio  mesmo  que  nunca  Bruges 
teve  titulo  algum  escripto  da  Capitania,  como  Alvai'o  Martins,  o  não 
teve  jamais  da  Capitania  dWngra,  nem  Gonçalo  Velho  dessa  ilha  (S. 
Miguel I  e  da  de  Santa  Maria.» 

«...  Apesar  de  não  ter  escripto  uma  única  pagina  sobre  histo- 
ria, creia  que  não  lenho  perdido  o  tempo  em  relação  aos  nossos  es- 
tudos favoritos  !  Tenho  feito  um  grande  trabalho  de  coordenação,  pen- 
sado e  adiantado  muito.  Estou  habilitado  para  redigir  de  prompto 
três  trabalhos,  que  julgo  importantíssimos  e  que  publicados  me  da- 
riam certo  nome.  São  elles:  A  Memoria  sobre  os  Corte  Reaes;  outra 
sobre  a  descoberta  da  Austrália,  e  um  estudo  sobre  a  Chroníca  de 
Guiné  e  sobVe  o  L."  I."  da  Década  1.*  de  João  de  Barros,  em  que  di- 
go e  mostro  coisas  terríveis:  para  a  memoria  d'estes  escriptores,  so- 
bre a  do  Infante  D.  Henrique,  e  para  a  redícula  seita  dos  Infantistas! 
O  Infante  D.  Henrique  vale  pouco  na  historia  dos  nossos  descobrimen- 
tos. E'  penoso  o  mister  que  a  crítica  tem  de  exercer  sobre  este  mau 
príncipe,  mas  ha  de  exercel-o  um  dia  e  ha  de  ser  tanto  mais  inexo- 
rável, quanto  mais  tardio  vier.» 

«Oxalá  que  em  Major  se  feche  a  seita!» 

«Creia  o  amigo  que  estar  n'este  recanto,  tão  longe  da  imprensa, 
é  que  tem  obstado  a  levantar  um  grito  de  indignação  contra  o  servi- 
lismo com  que  em  Portugal  se  tem  curvado  ante  Major  ...» 

'«Espero  por  todo  este  anno,  pòi'  os  meus  negócios  em  estado  de 
me  poder  entregar  á  escripta  e  remessa  para  a  imprensa  dos  meus 
estudos  históricos.  Se  as  minhas  esperanças  se  realizarem  e  Deus  me 
não  faltar  com  vida  e  saúde,  conte  commigo,  que  hei  de  pagar  á  pá- 
tria e  aos  amigos  o  que  lhe  devo.» 

N.°  19— Vol.  IV— 1882  3 


18  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

Carta  de  25  de  Maio  de  1878: 

«...  Quando  lhe  escassear  matéria  para  o  Archko  dos  Açores, 
podendo,  eu  irei  em  seu  soccorro.  Penso  em  pôr  as  mãos  na  Memo- 
ria sobre  a  descoberta  da  Austrália  e  em  fazer  todo  o  exforco  para  a 
remetter  para  a  imprensa  nos  primeiros  mezes  do  anno  próximo.  Es- 
pero que  o  Theophilo  Braga  lhe  faça  um  prefacio  em  francez,  resu- 
mindo-a,  para  que  ella  possa  correr  mundo.  Se  agradar,  obterei  facil- 
mente editor  para  outros  trabalhos,  que  conto  redigir  facilmente.  As- 
sim não  passarei  como  servo  inútil.  Ponho  nesta  estreia  lodo  o  em- 
penho, por  que  d'ella  dependerá  tudo.» 

*(A  questão  da  pertensa  Carta  de  Bruges  é  assaz  complexa,  bem 
como  a  da  descoberta  das  ilhas  das  Flores  e  Corvo,  para  se  poderem 
tractar  resumidamente  em  poucas  folhas  de  papel.» 

«Em  questões  discutíveis  não  gosto  de  dogmatismo,  mas  não  po- 
dendo ser  explicito  n"esta  occasião,  sempre  direi  o  seguinte: — Reputo 
genuínos  os  portulanos  do  século  XIV  com  relação  aos  archipelagos 
da  Madeira  e  Açores.  O  attribuir  ao  Infante  a  descoberta  primitiva 
d'elles,  procedeu  de  lisonja  e  de  ignorância.  Azurara,  que  na  parte 
histórica  se  aproveitou  apenas  do  que  escreveo  Affonso  Cerveira,  foi 
mais  um  habilissimo  cortezão.  do  que  historiador  severo  e  imparcial. 
Barros,  que  o  seguio  cuidando  que  o  único  exemplar,  que  da  Chroni- 
ca  d'aquelle  conheceu,  acabaria  nas  suas  mãos,  foi  mais  do  que  um 
amplificador  rhetorico,  degenerou  num  insigne  falsario.  O  seu  extra- 
cto da  Chronica  impresso  em  frente  d"esta,  seria  sem  commentarios, 
a  sua  condemnação  irremissível.  Não  houve  em  Portugal  homem  pe- 
rante que  a  historia  se  tenha  tornado  mais  deturpada  e  falsaria  do 
que  o  Infante.» 

«Nada  teve  com  navegações,  descobrimentos  marítimos  e  colonisa- 
ção  da  Madeira,  senão  depois  da  morte  de  seu  pae,  que  parece  com- 
prehendeu  melhor  do  que  os  irmãos  o  péssimo  caracter  deste  filho. 
Comtudo  quanto  arredados  do  que  levo  dito  não  estão  os  que  tem  fei- 
to a  historia  deste  príncipe !  Os  doze  annos  de  exforços  para  passar 
o  cabo  Bojador,  foram  apenas  um  recurso  rhetorico  da  lisonja,  que 
um  descuido  do  próprio  Azurara  patenteou ! !  Pois  o  que  se  tem  dito 
da  Villa  de  Sagres?  !  Há  nada  mais  rediculo?» 

«A  verdadeira  Sagres  aonde  está?  Quando  e  para  que  fini  foi  fun- 
dada ?  Aquelle  príncipe  não  foi  mais  que  um  ambicioso  utilitário,  sem 
a  sciencia  nem  o  alcance  geographico  que  lhe  attribuem.  Aproveitou 
a  sciencia  e  actividade  marítima  dos  portuguezes,  já  assaz  firmada, 
para  o  simples  reconhecimento  da  continuação  d 'um  bocado  da  costa 
africana,  desviando  assim  o  génio  marítimo  da  nação  para  um  campo 
mais  utilitário,  estabelecendo  a  escravidão  africana  e  convertendo  tu- 
do em  monopólio  próprio.  Na  Madeira  só  continuou  a  colonisação  fun- 
dada pelo  pae,  alterando  profundamente  o  syslema  benéfico  daquelle, 


ARCHIVO   DOS   AÇORES  19 

e  convertendo  Inrlo  em  sen  proveito  creanrlo  os  dízimos  A-.'*  âc.^.  Na 
•família  foi  um  Caim !  A  viiilidade  e  nobreza  de  espirito,  não  a  tinha 
por  ser  um  quasi  eunucho.  A  adopção  do  sobrinho,  por  filho,  que  in- 
fâmia! pelo  modo  porque  depois  falseou  esse  acto!  Publique  o  amigo 
os  documentos  d'este  acto,  que  faz  uMsso  um  bom  serviço.  A  entrega 
(jue  fez  do  irmão  em  Tanger,  depois  de  o  arrastar  ali,  não  se  com- 
menta  !  O  seu  comportamento  com  o  Infante  D.  Pedro  e  com  os  filhos, 
é  sem  igual.» 

(A'  primeira  vista  parecem  paradoxaes  algumas  d"estas  opiniões, 
mas  tem  um  fundo  de  verdade  irrecusável,  que  certamente  o  nosso 
chorado  amigo,  exprimiria  menos  acerbamente  se  escrevesse  para  o 
publico.) 

Carta  de  16  de  Novembro  de  1878: 

(Accusando  o  2.°  n.°  do  Archivo  dos  Açores,  repete:)  «...  tem  de 
certo  muito  cabedal  para  continuar  por  muito  tempo  esta  .  .  .  publi- 
cação. Quando  se  aborrecer,  permittindo-o  a  minha  saúde  e  circums- 
tancias  de  vida.  eu  a  continuarei  como  puder.» 

«Escrevi  ha  mezes  ao  Theophilo  Braga  .  .  .  expendendo-lhe  uma 
nova  opinião  sobre  as  chamadas:  Estancias  despresadas  ou  omittidas 
por  Camões  nos  Lusíadas,  sustentando,  principalmente  com  a  luz  da 
chronologia,  terem  sido  escriptas  depois  da  1.^  edição  d'aquelle  poe- 
ma, para  serem  nelle  incorporadas.  (*)...  » 

Carta  de  14  de  Junho  de  1879: 
«Estive  resolvido  a  ir  ahi  n"esta  viagem,  mas  approximada  a  hora 
da  partida,  falloa-me  a  coragem  pai'a  prescindir  das  commodidades  da 
estada  em  minha  casa.  e  ir  arrostar  com  baldões  certos  e  incertos  de 
uma  viagem.  Ficará  para  o  próximo  anno.» 

«No  vapor  passado  escrevi  uma  carta  ao  1.°  Secretario  da  Socie- 
dade de  Geographia  de  Lisboa,  chamando  a  sua  attenção  sobre  a  pas- 
sagem de  Garcia  da  Horta,  a  pag.  57  verso  dos  seus  CoUoquios  dos 
Simples,  pela  qual  se  prova  que  foi  um  padre  portuguez,  quem  annos 
antes  de  15G3,  fez  a  primeira  travessia  d'Africa,  desde  a  costa  fron- 
teira á  ilha  de  S.  Thomé  até  Sofalla  e  Moçambique,  isto  em  correcção 
á  aífirmativa  do  explorador  Serpa  Pinto  e  da  Imprensa  Portugueza. 
Não  me  respondeu.  Só  sabemos  arguir  preferencias  contra  os  estran- 
geiros ! !  A(]uelle  facto  é  assaz  honroso  para  a  nação,  e  dos  nossos 
modernos  escriptores  sobre  o  assumpto,  nenhum  o  accusou  ainda.» 

«...  exija  o  que  vir  que  lhe  posso  fazer,  por  que  tenho  a  mi- 
nha vida  inclinada  ao  estudo,  salvo  os  accidentes  ordinários  delia  e 
os  próprios  da  velhice,  que  já  me  tem  os  pés  de  portas  a  dentro.» . 


(.)    Este   artigo  foi  publicado  no  n.°  6  do  Velense,  de  23  de  Fevereiro  de 
1880. 


20  ARCHrVO  DOS    AÇORES 

Carta  de  16  de  Novembro  de  1879: 

«. .  .Quanto  ao  assiiinptu  sobre  ijiie  M.  Harrisse  pede  esclarecimen- 
tos e  o  amigo  me  consulta,  que  lhe  poderei  eu  dizer !  meltido  n'este 
recanto,  e  quando  só  depois  da  minha  estada  em  Lisboa,  em  1865, 
soube  que  Colombo  casara  em  Portugal?!  Comtudo  por  mostrar  meu 
reconhecimento  notei  alguma  coisa,  que  vae  dentro  do  seu  escripto.» 

(Depois  de  tratar  de  alguns  pontos  relativos  á  familia  de  D.  Fi- 
lippa  Moniz  mulher  de  Christovam  Colombo,  diz:)  «...  em  quanto  a 
Pêro  Corroa,  conforme  um  antigo  MS.  da  Graciosa,  veio  áquella  ilha 
com  a  familia  em  1485,  retirando-se  poucos  annos  depois  para  Por- 
tugal, onde  morreu,  por  1498  ou  99,  e  foi  sepultado  na  capella  de  S. 
João  da  egreja  de  N.*  S.^  do  Carmo  de  Lisboa,  para  onde  foram  de- 
pois levados  os  ossos  da  mulher.  Na  Torre  do  Tombo  só  ha  a  seu 
respeito  um  único  registo,  o  de  1458  no  L.°  das  Ilhas,  acerca  da  ca- 
pitania da  ilha  do  Porto  Santo.  Nada  mais.  Apesar  de  expulso  da 
Capitania  do  Porto  Santo  em  li73  e  de  ter  sido  favorecido  pelo  In- 
fante D.  Henrique  elle  não  obteve  a  Capitania  da  Graciosa,  de  seus 
successores  e  descendentes  adoptivos,  mas  sim  de  D.  João  II,  quando 
por  morte  do  Duque  D.  Diogo,  as  dadas  da  coroa  e  especialmente  a 
Graciosa  e  Terceira  reverteram  a  esta;  isto  n'aquelle  supra  referido 
anno  de  1485  em  que  veio  para  a  ilha,  ou  no  anterior,  em  que  o  Du- 
que foi  morto.  D.  João  II  por  Carta  especial  de  1  de  junho  de  1489 
fez  doação  destas  duas  ilhas  a  seu  primo  D.  Manoel  ...» 

«Vou  mudar  de  theorde  vida,  dedicar-me  quasi  exclusivamente 
ao  trabalho  de  escrever  e  verei  se  em  junho  próximo  lhe  levo  cousa 
que  captive  a  sua  attenção  por  alguns  dias.» 

Carta  de  17  de  Novembro  de  1879 : 

«Desejo,  sendo  possível,  saber,  se  na  Hist.  Genealógica  da  Casa 
Real  de  D.  António  Caetano  de  Sousa,  se  acha  a  data  em  que  D.  Af- 
fonso  V,  creou  o  Condado  d'Atliouguia  na  pessoa  de  Álvaro  Gonçalves 
dAthayde.  E"  este  um  esclarecimento  que  desejo  obter  ...» 

«Agradeço  a  oíTerta  da  Carta  do  Dr.  Monetário,  que  ha  muito  de- 
sejava ver.  A  sua  data,  porem,  combinada  com  a  chronologia  Colom- 
biana tira-lhe  muito  o  mérito.  Lá  se  avenha  o  Dr.  Monetário  com  os 
críticos. » 

Carta  de  14  de  Junho  de  1880: 

«...  Estive  n'a  resolução  de  sahir  para  ahi  n'este  vapor,  mas, 
mau  fado  meu,  deixo  de  o  fazer.  Careço  sahir  daqui.  Estou,  porem, 
velho,  pesado  e  com  accessos  de  hypocondria  que  me  encommodam 
e  impossibilitam,  por  vezes  de  sahir  até  de  casa.  E"  o  que  me  acon- 
tece ha  duas  semanas.  Por  mais  projectos  que  faça,  ao  approximar- 
se  a  occasião,  só  sei  pensar  em  encommodos  e  perigos ! » 


AKCHIVO  DOS  AÇOKES  21 

«Espero,  porem,  em  Deus  que  ainda  uma  vez  e  a  ultima,  ahi  irei.» 

«...  Quando  carecerá  da  minha  cooperação  no  Archivo  dos  Aço- 
res ?  » 

«Sobre  o  Vulcão  de  1580  n"esta  ilíia,  o  texto  de  Monte  Alverne 
carece  de  grande  correcção  quanto  á  topographia  .  .  .  Queria  visitar 
a  principal  localidade  da  manifestação  do  phenomeno.  que  vi  ha  mui- 
tos annos,  e  que  fica  quasi  sobranceira  a  esta  minha  residência,  mas 
falt.i-me  a  coragem.  Parece-me  que  não  será  ainda  para  o  N.°  7  do 
Archivo,  que  isto  será  necessário.» 

«A  idéa  do  Centenário  de  Camões,  (de  que  o  Dr.  Theophilo  Bra- 
ga ha  já  4  annos  me  fallou)  vingou  de  um  modo  estrondoso,  e  supe- 
rior decerto,  á  expectativa  d'elle  próprio.» 

Carta  de  14  de  Julho  de  1880: 

«...  Do  vulcão  de  1580  n"esta  ilha  remetto  a  narrativa  em  la- 
tim e  uns  versos.»  (*) 

«Do  desabamento  que  aqui  houve  ultimamente  na  ponta  do  Topo, 
remetterei  relação  que  já  pedi  ha  tempo.  (**)  A  ponta  oriental  da 
Ilha  é  muito  sugeita  a  isto.  Por  occasião  do  terremoto  de  1757,  hou- 
ve n"este  sentido  cousas  ainda  mais  espantosas.» 

«Sobre  a  passagem  de  Camões  pelos  Açores  no  seu  regresso,  di- 
rei, que  por  mais  de  uma  vez  tive  pensamento  egual  ao  seu.  Apezar 
do  facto  geral  de  tocarem  nos  Açores  as  náos  vindas  da  índia,  não 
me  parece  que  a  náo  S.'*  Clara.  n'aquella  viagem  tocasse,  Couto  enca- 
rece a  brevidade  da  viagem  desde  Moçambique,  mencionando  a  de- 
mora em  S.*^  Helena.  Se  tivesse  tocado  em  outro  qualquer  ponto  não 
deixaria  de  o  dizer.  Demais:  um  dos  fins  da  vinda  pelos  Açores  não 
era  só  o  auxilio  das  correntes  marítimas,  era  também  o  amparo  que 
achavam  na  Armada  das  Ilhas,  que  as  vinha  aqui  esperar.  Mas  o  tem- 
po da  vinda  d"ella  era  mais  tarde  e  não  em  principio  d'abril.  Assim 
não  tinha  a  S.'^  Clara  rasão  de  vir  n"aquelle  tempo  pelos  Açores.» 

«...  Agora  mesmo  proponho  ao  amigo  Dr.  Theophilo  Braga  a 
offerta  da  Memoria  sobre  a  descoberta  da  Austrália  pelos  hespanhoes 
em  1545.  E'  um  trabalho  consciencioso,  e  que  contém  importantes  fa- 
dos novos  sobre  o  alcance  das  grandes  navegações  dos  Hespanhoes 
no  Pacifico,  navegações  que  foram  iniciadas  pelo  nosso  Fernão  de  Ma- 
galhães e  sustentadas  ainda  por  outros  portuguezes.» 

«Fazendo  justiça  á  Hespanha,  sustento  era  boa  parte  a  nossa  glo- 
ria.» 

«A  questão  da  descoberta  da  Austrália,  uma  das  mais  importan- 


(•)   Impressos  no  Vol.  II,  p.  192  e  193  d'este  Archivo. 
(••)  Infelizmente  nunca  se  efFectuou  a  remessa. 


22  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

les  na  historia  das  viagens  e  descobrimentos  do  século  XVI,  toma  u- 
ma  face  nova,  e,  a  meu  ver,  solida.  Apezar  de  escripta  com  rapidez 
e  em  forma  de  apontamentos,  segundo  a  sua  indicação,  vae  dar  um 
volume  de  200  a  2o0  paginas.» 

«Se  o  Dr.  Tlieophilo  acceitar  a  offerta,  em  breve  começarei  a  fa- 
zer-llíe  remessas  para  a  imprensa.» 

«Desejo  que  elle  a  faça  proceder  de  um  prologo  em  francez,  para 
maior  divulgação.  Se  este  meu  trabalho  tiver  boa  acceitação,  seguir- 
se-lhe-ha  logo  a  Memoria  sobre  Gaspar  Corte  Real,  e  outra  contendo 
vinte  e  tantos  capítulos  de  observações  criticas  á  Chronica  de  Guiné 
de  Azurara;  é  este  um  trabalho  audacioso  e  novo.» 

«Remetto  o  summario  da  Memoria  sobre  a  Austrália,  por  que  só 
por  elle,  me  poderá  fazer  algumas  indicações  sobre  o  assumpto. » 

(O  summario  é  tal  como  se  segue:) 

Descoberta  da  Austrália  pelos  Hespanhoes  em  1545. 

I 

«Alcance  das  navegações  e  descobrimentos  marítimos  dos  portu- 
guezes  e  hespanhoes  em  ll9i. — O  Tractado  de  Tordesilhas.—  A  gran- 
de difflculdade,  no  sentido  puramente  marítimo,  do  reconhecimento 
do  Oriente  pelos  Portuguezes  consistio  em  chegar  até  Moçambique. 
— D'ali  em  diante,  até  ás  Molucas,  caminharam  guiados  pela  navega- 
ção dos  Árabes. — Vasco  da  Gama  attinge  Calecut  na  costa  occidental 
do  Indostão  em  Ii98.— Diogo  Lopes  de  Sequeira  reconhece  iMalaca 
em  1509— Albuquenjue  conquista  Malaca  e  manda  reconhecer  as  Mo- 
lucas por  António  dAbi-eu  e  Francisco  Serrão  em  I5II.— Descripção 
d'aquellas  ilhas.— Demora-se  Serrão  nas  Molucas  até  sua  morte  em 
I32I.— Sua  amisade  e  correspondência  com  Fernão  de  Magalhães. — 
Sua  errada  apreciação  da  longitude  das  Molucas,  supposta  situação 
d'ellas  nas  demarcações  de  llespanha. —  Magalhães  passa-se  ao  servi- 
ço de  Hespanha.— Audaciosa  empresa  deste  navegador,  e  viagem  de 
circumnavegação  da  não  Victoria.— Conflicto  que  d^ella  resulta  entre  as 
Cortes  de  Portugal  e  da  Hespanha  sobre  o  domínio  das  Molucas.  — 
Expedição  de  Loaisa  pela  via  de  Magalhães. — Expedição  enviada  da 
Nova  Hespanha  e  costa  do  Pacifico  em  seu  soccorro,  sob  o  commando 
de  Alonso  de  Saavedra.  —Capitulação  de  Saragoça  sobre  o  negocio 
das  Molucas,  1529.» 

II 

«Novas  expedições  áquellas  regiões,  partidas  da  Nova  Hespanha, 
Grijalva  e  Alvaredo  em  1537:  Ruy  Lopes  de  Villa  Lobos,  em  1542. 

«Ruy  Lopes  envia  a  pedir  soccorro  á  Nova  Hespanha,  Bernardo 
de  la  Torre,  pelo  hemispherio  do  Norte,    que  arriba  depois  de  um 


ARCHIVO  DOS  AÇOHES  23 

longo  percurso. — Torna  a  enviar  ao  mesmo  fim  pelo  hemispherio  do 
Sul  a  D.  Imgo  Ortiz,  Alferes  mór  da  armada,  no  Galleão,  S.  Joani- 
Iho,  que  sahe  de  Tidor  em  ?  de  Maio  de  1545.— D.  Inigo  Ortiz,  de- 
pois de  descobrir  a  costa  oriental  da  Nova  Guiné  levado  pela  corren- 
te equatorial  do  Pacifico,  descobre  e  reconhece  a  costa  oriental  da 
Austrália  até  aos  "10  grãos  austraes.— Outros  pilotos  Hespanhoes,  ain- 
da no  mesmo  século  estendem  o  seu  reconhecimento  mais  ao  sul  e 
descobrem  também  o  Estreito  que  hoje  se  denomina  de  Torres.» 

III 

«Continuação  das  grandes  viagens  dos  Hespanhoes  no  Pacifico. — 
Qoelano  descobre  uma  das  Ilhas  de  Sandwich.  154á.—  Cabrillo  des- 
cobre a  Nova  Califórnia,  1342. — Miguei  Lopes  de  Legaspi  inicia  a  co- 
lonisação  hespanhola  nas  Filippinas,  1564. — Aboim  Mendanha  de  Nei- 
va descobre  as  ilhas  de  Salomão,  15G8.— João  Fernandes  (portuguez) 
descobre  a  Nova  Zelândia.— Francisco  Gali,  outra  vez  Mendanha  e  Pe- 
dro Fernandes  de  Queiroz  (portuguez).— Idéa  de  um  continente  aus- 
tral. João  Rodrigues  Coutinho  (portuguez.  irmão  do  nosso  ameníssi- 
mo Chronista  Fr.  Luiz  de  Sousa)  morre  em  uma  expedição  ás  Ilhas 
de  Cambale.» 

IV 

«A  Ilha  de  Java,  a  Java  maior  e  a  Lucach  de  Marco  Polo.  A  0- 
phir-biblica.  —  As  ilhas  do  ouro  conforme  as  tradições  dimanadas  e 
recolhidas  no  sul  da  ilha  de  Sumatra.  —  Tentativas  do  seu  reconheci- 
mento official  nos  reinados  de  D.  Manoel  e  D.  João  III. — Reminiscên- 
cias d'ellas  nos  passageiros  da  náo  S.  Paulo  em  1561.  —  Recrudes- 
cência d"esla  legenda  nos  fins  do  século  XVI.— Manoel  Godinho  Here- 
dia;  defeza  do  seu  caracter  contra  as  injustas  agressões  do  Sr.  H.  Ma- 
jor.» 

V 

«Os  Mappas  francezes  de  .  .  (?)  e  outros.  —  Expedições  france- 
zas  para  o  Oriente  na  primeira  metade  do  século  XVI. — Systema  se- 
guido pelos  portuguezes,  hespanhoes  e  francezes  no  descobrimento 
de  novas  terras.  Nenhum  valor  positivo,  mas  apenas  systematico,  d'a- 
quelles  mappas.  -João  Affonso  navegador  portuguez  ao  serviço  da 
França;  e  a  sua  Hydrographia.y 

Carta  de  14  d' Agosto  de  1880: 

«...  A  resposta  que  dei  na  minha  ultima  sobre  a  passagem  de 
de  Camões  pelos  Açores,  foi  ditada  pelo  que  na  occasião  me  occor- 
reu.  Depois  pensei,  reflecti  e  mudei  d'opinião.  As  manhãs  dos  dias  21 


24  ARCHIVO   DOS    AÇORES 

O  22  de  Julho,  empregnei-as  em  escrever  uma  breve  memoria  sobre 
o  assumpto,  sentlo  o  que  mais  me  custou  o  precisar  as  citações.  Não 
a  remetto  agora  ao  meu  amigo,  a  quem  é  destinada,  por  que  me  não 
foi  possível  fazel-a  pôr  em  limpo.  Os  argumentos  em  que  me  fundo 
equivalem  a  uma  declaração  positiva  de  Couto,  de  que  elle  na  não 
S.''"*  Clara  e  depois  o  resto  da  armada  passaram  pelos  Açores.  Mas 
Camões  veio  de  Moçambique  e  passou  pelos  Açores  na  S.^^  Clara 
ou  na  Fé?  Sigo  esta  ultima  opinião.» 

«Porque  não  mencionaria  o  Dr.  Theophilo  Braga  na  sua  Bibliogra- 
phia  Camoiwana  o  Soneto  de  Fructuoso  em  louvor  de  Camões,  que 
vem  a  p.  430  do  Vol.  I.  do  Archivo  dos  Açores?» 

«A  propósito  direi  que  muito  folgaria  ver  publicado  no  Archivo  lo- 
do  o  Livro  V,  das  Smdfides  de  Fructuoso,  que  é  breve,  precedido  de 
um  estudo  por  aquelle  escriptor,  em  que  apreciasse  Fructuoso  como 
poeta,  rotnancista  e  muito  notável  discípulo  de  Bernardim  Hibeiro  e 
de  Christovam  Falcão.» 

«Talvez  que  d'aquella  historia  dos  dois  amigos  se  podesse  fazer 
brotar  luz  sobre  a  vida  do  Heródoto  açoriano.  Alma  de  poeta,  e  de 
poeta  namorado,  teve  elle  de  certo.  Tenho  para  mim  que  o  nome  de 
Saudades  que  deu  á  sua  obra  é  imitação  e  respeito  pelo  mestre.  Quan- 
do ha  annos  vi  aquelles  capítulos  sobre  a  Verdade  e  Fama  com  que 
elle  começa,  publicados  na  obra  de  Álvaro  Rodrigues  de  .\zevedo,  lo- 
go o  tive  por  discípulo  de  Bei'nardim,  mas  o  índice  d"aquelle  L.°  V, 
publicado  no  Archiio  é  que  me  veio  confirmar  e  ampliar  grandemen- 
te esta  ídéa.»  (*) 

«Agradeço  a  nota  cartographica  sobre  Alonso  de  Santa  Cruz.  Pre- 
tendo approveital-n  convenientemente  debatida,  como  merece.  Tem 
graça  o  tal  cosmographo  hespanhol  !  Pedro  Niuies  mandando  forjar 
cartas  mentirosas  para  se  venderem  aos  marítimos  estrangeiros.  (**) 
Seria  Pedro  Nunes  algum  adulteiador ?  Seria  como  F.  que  forjou  fa- 
ctos e  documentos  com  a  mesma  facilidade  com  que  F.  fazia  tambore- 
tes. Não  o  depenei  por  dó .  .  .  Talvez  fizesse  mal  em  dei.xar  de  dizer 
a  verdade  inteira  que  em  taes  casos  é  de  bem  seja  conhecida.» 

«  .  .  .  E"  preciso  ractificar  o  erro  de  data  da  lisla  dos  estudantes 
dos  Collegíos  dos  Jesuítas,  na  pag.  17,  Vol.  II  do  Archivo.  E'  uma 
grande  heresia  na  nossa  historia  litteraría  e  religiosa.  Os  primeiros 
Jesuítas  em  numero  de  4,  um  dos  quaes  foi  S.  Francisco  Xavier,  só 
deram  entrada  em  Lisboa  era  30  de  maio  de  looO.  Appresse-se  o 
meu  amigo  em  oíferecer  uma  correcção  no  numero  seguinte.» 


(•)  liilelizmcnte  os  desejos  do  autor  da  carta,  não  poderam  ser  satisfeitos 
por  não  existir,  em  logar  conhecido,  copia  d'a(iuelle  Livro  V,  e  não  ser  accessi- 
vel  o  MS.  original ! 

(••)  Refere-se  ao  que  diz  Navarrete— 0/)msc?//o5  T.  II,  p.  84,  na  biographia  do 
dito  Alonso  de  Santa  Cruz  (vej.  p.  247  do  Vol.  II  do  Archivo  dos  Açores.) 


AHCHIVÕ    DOS    AÇORES  25 

«A  propósito  do  documento  (de  pag.  24  do  Vol.  11  do  Archim)  re- 
lativo a  Ambrósio  dAííiiiar  Coutinho,  indicarei  uma  engraçada  his- 
torieta, que  a  respeito  d'este  homem,  que  Couto  (lualifica  de  /idah/o  dr 
f/rmidi'  industria,  conta  elle:  na  sua  Década  9.  cap."  26.  pag.  mihi 
219,  a  respeito  de  uma  rifa  (jue  elle  fez  na  Índia,  a  prisão  que  ali  se 
fez,  para  por  este  meio  se  desfazer  facilmente  da  fazenda  que  levou, 
ijuando  em  1574  ali  foi  por  (Capitão  Mór  da  armada  d'aquelle  anno. » 

«No  próximo  mez  enviarei  umas  breves  notas  sobre  o  Vulcão  de 
1580  n'esta  ilha.  Não  me  esqueci  do  que  prometti  sobre  o  desaba- 
mento de  um  lanço  de  terra  no  Topo  ...» 

Carta  de  14  de  Setembro  de  1880: 

«...  No  próximo  paquete  remetterei  copia  do  termo  d  obilo  do 
Bispo  D.  António  Vieira  Leitão:  é  curioso.» 

«...  A  memoria  sobre  a  passagem  de  Camões  pelos  Açores  es- 
tá, como  disse,  escripta  e  irá  logo  que  seja  posta  em  limpo.  Accres- 
ce-lhe  uma  observação  curiosa  sobre  a  antiga  e  errada  pronuncia  do 
apellido  Camões,  em  Camoez:  d'ahi  vem  o  pêro  camoez  !» 

«A  pretensão  de  meu  quinto  e  sexto  avô.  o  Sargento  Mór  de  to- 
da esta  ilha,  Amaro  Soares,  versava  sobre  a  dada  de  certos  empre- 
gos de  justiça,  cuja  propriedade  lhe  foi  com  effeito  conferida  n'aquel- 
le  mesmo  anno  de  1626.»  (*) 

Carta  de  18  d'Outubro  de  1880: 

«  .-.  .  A  desgraça  (*«)  de  D.  Rodrigo  da  Camará,  ultimo  Conde 
de  Villa  Franca,  teve  causa  politica,  e  disto  ninguém  me  tira.  Havia 
estado  cinco  ou  seis  vezes  em  Castella  e  era  muito  acceito  a  Filippe 
III.  Na  acciamação  de  D.  João  IV  em  S.  Miguel,  teve  as  conhecidas 
reservas.  Senna  Freitas,  na  M-^moria  sobre  o  intentado  descobrimento 
de  uma  ilha  &^  diz  que  elle  para  vir  em  1648,  (se  bem  me  lembro) 
governar  essa  ilha,  teve  de  vencer  intrigas  palacianas.  Mais  de  20  ân- 
uos viveu  o  desgraçado  (^onde  encerrado;  primeiro  na  inquizição  e  de- 
pois no  Convento  de  S.  Vicente  do  Cabo,  no  Algarve,  onde  morreo 
em  abril  de  1572,  miseravelmente  ...» 


(•)Rofere-se  a  iiina  iiiinha  coininanicação  de  que  na  l)il)lioHiei-,;i  do  Muzeu 
Britânico,  de  Londres,  Bibl.  Ed.  :)23,  foi.  135  e  161;  e  324.  foi.  oS  e  100  existiam 
umas  cousultas  do  Couselho  d'Estado  sobre  umas  pretensões  do  dito  Amaro 
Soares,  Sargento  Mór  da  ilha  de  S.  Jorge. 

(••)  Ser  prezo  e  processado  pela  Inquizição  em  1651. 

N.»  19— Vol.  IV— !882  :{ 


26  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

Carta  de  13  de  Novembro  de  1880: 

«...  Agradeço  muito  o  exemplar  da  carta  de  Francisco  Caldeira 
de  Brito;  é  um  documento  curiosissimo  ...» 

«...  Não  envio  o  trabalho  que  fiz  sobre  a  passagem  de  Camões: 
por  que  o  rapaz  que  o  havia  pôr  em  limpo,  não  tem  podido  vir,  por 
doente.» 

«Ha  dias  escrevi  outro  estudo  critico  sobre  os  Doze  de  Inglateria, 
sustentando  a  veracidade  do  caso.  e  combatendo  a  authenticidade  do 
Catalogo  que  hoje  conhecemos  e  que  parece  fôra  forjado  pelo  2.°  Con- 
de da  Ericeira,  D.  Fernando  de  Menezes.  Aponto  ali,  alguns  casos  se- 
milhantes  entre  porluguezes  e  mouros,  assas  notáveis.» 

Carta  de  15  de  Março  de  1881: 

«...  Tinha  resolvido  não  escrever  ao  meu  amigo  sem  lhe  re- 
metter  a  Memoria  sobre  a  passngeju  de  Camões  pelos  Açores  jw  seu  re- 
gresso da  índia.  Posta  em  limpo,  remetli-a  o  mez  passado  ao  Dr.  Theo- 
philo,  com  mais  duas  monographias,  uma  sobre  os  Doze  de  Inglater- 
ra, e  a  outra  comprehendendo  o  Cancioneiro  maritimo  doesta  Ilha. 
para  que  a  lesse  e  a  remettesse  neste  vapor  ao  meu  amigo,  para 
quem  expressamente  a  tinha  feito.  Responde-me,  avisando  a  recepção 
de  tudo,  que  diz  elle,  vae  entregar  á  publicidade.  De  certo  não  atten- 
tou  bem  no  que  eu  lhe  disse  I  .  .  .  .  Conclui  ha  dias  a  iranscri- 
pção  de  lodos  os  extracto^  e  provas  necessárias  para  a  Memoria  so- 
bre a  deseoberto  da  Austrália,  pelos  hespanhoes.  no  estio  de  1545  no 
galleão  S.  Joanilho,  capitão  D.  Inigo  Ortiz.  Falta-me  agora  a  redacção, 
que  é  trabalho  que  facilmente  effectuarei,  logo  que  me  appareça  a  ex- 
pontaneidade  precisa.  O  Dr.  Theophilo  quer  publical-a  na  Era  Nova. 
mas  é  trabalho  que  dá  para  um  livro,  e  que  se  não  pode  abreviar. 
Tenho  entre  mãos  um  outro  trabalho  interrompido  ha  um  anno.  São 
uns  vinte  capítulos  de  Observações  sobre  o  Infante  D.  Henrique  e  A- 
zurara  a  propósito  da  leitura  da  chamada  Chronica  de  Guiné.» 

«Verei  se  no  próximo  vapor  lhe  remetlo  o  capitulo  relativo  a  pro- 
var que  esta  foi  retocada  depois,  e  muito,  da  morte  do  Infante  em 
1460.  Alem  dos  argumentos,  philologicos,  emprego  os  chronologicos, 
que  são  incontrastaveis.  Quero,  em  vista  d'elles,  ver  se  o  meu  amigo 
presiste  em  me  contrariar  ...»  (*) 

«O  trabalho  sobre  Bento  de  Góes  é  excellente  (no  N.°  9  do  Archi- 
vo  dos  Am^es).  Mas  noto  o  silencio  do  Dr.  Caetano  d'Andrade  a  res- 
peito de  Diogo  do  Couto,  que  nos  fins  da  Década  12,  tracta  doeste 
celebre  viajante  e  dos  paizes  que  percorreo,  opinando  todavia  pela 


(•)  Longe  de  mim  tal  pretensão  !  Unicamente  expuntia  duvidas,  com  o  in- 
tento, de  ouvir  o  mestre,  e  de  estimular  a  inércia  do  amigo. 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  27 

existência  do  Cathaio  independentemente  da  China.  São  capitnios  di- 
gnos de  transcripçJío  ou  peio  menos  de  honrosa  menção.  Foi  o  pri- 
meiro escriptor  portiiguez.  secular  que  fallou  de  Góes.  (1) 

'<  ...  Se  ao  meu  amigo  approuver  depois  de  concluido  o  Catalo- 
go dos  Bispos  d\\ngi"a.  far-lhe  liei  umn  Addcnda  et  Corri(jenâa,  e  pa- 
ra que  o  resto  d'est  i  folha  de  papel  não  vá  em  branco,  dir-lhe-hei  já 
sobre  dois  prelados  o  seguinte:»  (São  os  esclarecimentos  a  respeito  de 
D.  Manoel  Alvares  da  Costa  e  D.  Fr.  Lourenço  de  Castro  impressos 
no  Arcltivo.  Vol.  II,  pag.  372  e  Vol.  III,  pag.  G7j. 

«Hoje  fecho  por  aqui.  pedindo  ao  meu  amigo  me  envie  uma  lista 
dos  portuguezes  cujas  biographias  se  encontram  nos  Opúsculos  pos- 
thumos  de  D.  .Marlim  Fernandes  de  Navarrete.» 

Carta  de  15  de  Abril  de  1881: 

«Apreciei  muito  a  nota  sobre  a  Chronica  de  Guiné,  mas  quanto 
não  folgaria  saber  se  os  e.xemplares  da  Bibliotheca  de  Muuich  e  de 
Madrid  tem  o  retracto  do  de  Faiis?  ...» 

«Quanto  ao  que  se  diz  na  Clironica  do  Conde  D.  Pedro  sobre  Gon- 
çalo Velho,  lembro-me  de  me  dizer  José  de  Torres,  que  a  chronolo- 
gia  da  actividade  ali  referida  se  oppuLilia  ao  que  d"elle  se  diz  com  re- 
lação a  S.^*  Maria,  cl)  O  meu  amigo  deslindará  este  ponto.» 

«Eu  não  creio  na  actividade  marítima  do  Infante  (fora  do  que  diz 
lespeito  a  Ceuta i  em  todo  o  tempo  da  vida  de  seu  pae.» 

«E'  isto  objecto  de  um  ou  mais  capítulos,  das  minhas  Observa- 
ções.» (3>) 

«Remetto  ao  meu  amigo  seis  exemplares  do  ultimo  numero  do 
Velense  (xV."  SS)  em  que  vem  um  artigo  meu,  commemoraudo  a  accla- 
mação  de  D.  João  IV,  nesta  ilha.  ^4)  e  a  segunda  edição  do  Folhe- 
tim sobre  as  Estancias  omittidas  por  Camiões.  Em  um  dos  exempla- 
res vae  aquelle  artigo  emendado,  para  o  meu  amigo  usar  delle  co- 
mo quizer.» 

Carta  de  13  de  Maio  de  1881: 
«...  Para  me  não  privar  da  satisfação  de  receber  noticias  suas 


(1)  Não  cabe  ao  Dr.  Caetano  cfAiidraLle  a  responsabilidade  da  lacuna  apon- 
tada, mas  sim,  ao  Padre  Brucker,  autor  d'aquella  erudita  moriograpliia. 

(2)  José  de  Torres  de  certo  se  eí[uivocou,  por  (jue  na  dita  Clironica  nada 
se  encontra,  que  confirme  a  sua  opinião. 

(3)  Com  a  devida  vénia  tínhamos  citado  um  lacto  que  contrariava  esta  opi- 
nião: era  o  apontaJo  por  Diogo  Gjaus  de  Cintra  nas  Relações  de  Valentim 
Fernandes,  sobre  Gonçalo  Velho  ter  sido  enviado  em  1416,  pelo  Infante  D.  Hen- 
rique, observar  as  correntes  do  Cabo  Não. 

■    (4)  Reproduzido  no  Archico,  Vol.  III,  pag.  181. 


á8  ARCHIVO  DOS  AÇOKES 

no  próximo  mez,  lhe  escrevo  esla:  pois  que  me  escassea  assumpto 
para  ella.» 

«Voltarei  ao  que  disse  com  relação  á  opinião  de  José  de  Torres. 
Este  era  accêso  partidário  da  originalidade  da  navegação  portugueza 
no  atlântico  septentrional.  Queria  elle  ver  na  Carla  de  licença  para  a 
povoação  dos  Açores,  ao  Infante,  em  1439.  um  acto  immedialamente 
subsequente  á  descoberta  destas  ilhas:  e  era  para  destruir  o  que  se 
diz  do  descobrimento  de  S.'^  >]aria  em  143á.  que  elle  pretendia,  que 
n'este  anuo,  e  cerca  d  "elle,  Gonçalo  Velho,  segundo  o  testemunho  de 
Azurara,  se  achava  de  tal  modo  occupado  com  as  cousas  d  Africa,  que 
não  tinha  podido  vir  aos  Açores.  Parece-me  ter  expendido  o  pensa- 
mento de  Torres.» 

«Antes  e  muito  da  descoberta  de  Gonçalo  Vellio.  creio  eu  serem 
os  Açores  conhecidos  dos  navegadores,  portuguezes,  calalaens,  italia- 
nos Ã.^  Mas  originalmcníc  descobertos  e  em  tão  recente  data  (14''í:^ 
a  1439)  é  o  que  aguardo  ver  provado.» 

«Quanto  ao  (jue  |)enso  sobre  a  activiíJade  marítima  do  Infante,  em 
vida  do  pae.  é  porem  um  pouco  largo  e  que  expendeiei  conveniente- 
mente, se  tiver  vida  e  saúde.  A  historia  do  grande  utiUtario  de  Sa- 
gres, está  tão  prevertida,  como  a  do  próprio  Sagres!  Não  sei  qual 
d'ellas  mais  vergonhosamente  í» 

«Estimei  saber  o  que  me  diz  de  Pedro  Fernandes  de  Queiroz  (*) 
O  anno  passado  encetou  relações  comigo  um  Sr.  Z.  Consiglieri  Pedro- 
so, professor  do  Gurso  Superior  de  Lettras.  Insta-me  para  que  lhe 
recolha  aqui  contos  populares.  Estou  velho  para  isso.  Comtudo  quiz 
dar  começo  á  colheita  publicando-a  no  Vclmse.  para  ver  se  assim  ob- 
tinha, que  os  rapazes  que  ali  escrevem  continuem  o  trabalho.  No  nu- 
mero de  8  de  maio  coirente  sahiu  o  í."  conto,  e  continuar-se-hão.  0- 
portunamente  remetterei  uni  exemplar.  Diz-me  elle.  que  tem  ahi  u- 
ma  sobrinha,  e  alguns  contos  ahi  recolhidos  ...» 

«Para  satisfação  do  meu  amigo,  dir-lhe-hei  que  trabalho  quanto 
os  meus  annos  e  encommodos  o  i)ermittem.  Tenho  entre  mãos  um 
trabalho  mui  importante,  de  que  oportunamente  darei  conta  ao  meu 
amigo.  Não  tenciono  levantar  mão  delle,  apesar  da  preguiça  do  í"*- 
creventc.  Por  ora  só  lhe  digo  isto,  [)or  que  a  tanto  me  obi  iga  a  leal- 
dade que  lhe  devo.» 

«João  Rodrigues  Coutinho  figura  na  minha  Memoria  sobre  a  Aus- 
trália. Embargo  o  que  o  meu" amigo  diz  d  elle  (**)  sobre  o  anno  e 
morte  em  Angola,  offerecendo-lhe  o  que  a  seu  respeito  diz  o  Bispo 
de  Viseu,  Lobo.  na  Memmia  sobre  Fr.  Luiz  de  Sousa:  no  vol.  2.°  das 
suas  obras  p.  103  e  104.» 


(•)  Ter  inventado  e  uzado  da  distillação  da  agua  do  mar,  para  dar  de  bebiT 
á  tripulação  do  seu  navio,  durante  as  suas  largas  navegações  no  Pacifico. 
(••)  No  Archivo  dos  Açores  Vol.  II,  p.  326. 


ARCHIVO  nos   AÇOhKS  í2í) 

Carta  de  25  d'Agrosto  de  1881: 

«Da  minha  abslenção  das  cousas  politicas  é  o  meu  amigo  hôa  tes- 
Ipuiuiiha  ...» 

Carta  de  14  de  Setembro  de  1881: 

«...  Agradeço  o  seu  cuidado  ppla  minha  saúde,  (|ue.  gragas  a 
Deus,  tem  este  verão  sido  muito  mellior.  do  que  o  foi  no  frio  e  hú- 
mido inverno  passado  ...» 

«Remelto  os  Jorgenses,  em  (|ue  se  imprimiu  a  Memoria  do  P."  .Al- 
berto Pereira  Rei,  sinto  não  poder  agora  deparar  com  a  copia,  de 
«jue  me  servi,  (pie  não  ha  muito  tempo  \)\\i  de  mão,  com  notas,  ex- 
trahidas.  da  (>orographia  Poi  tugueza,  do  Mappa  de  Portugal  e  da  Or- 
denação, para  lhe  remetter.  Ouerendo-a  [)ublicar'  no  Archiin,  deve 
mandal-a  rectificar  pelo  exemplar  existente  na  Livraria  da  Academia 
das  Sciencias.  donde  foi  copiada,  por  que  a  copia  não  me  merece 
confiança,  pois  tenho  lembrança  de  ler  no  texto  o  que  não  apparece 
neste  .  .  .  No  entanto  farei  por  descobrir  as  notas  e  noticia  que  es- 
crevi sobre  o  auctor.  Vão  mais  alguns  números  do  Jorgense  e  do  Vt- 
leme  por  conterem  coisas  que  gostará  de  ler  ...» 

«No  Veleme  comecei  a  publicar  uma  serie  dartigos  que  espero  le- 
var até  30,  com  o  titulo  de  Coisas  Cnuioneanas,  leia-os  e  moslre-os  ao 
Sr.  José  do  Canto.  Haverá  nelles  vislumbre  de  novidade  e  plausibili- 
dade? ...» 

«Em  tendo  occasião  hei  de  redigir-lhe  um  artigo  sobie  a  Estatua 
Equestre  do  Corvo,  em  sustentação  de  Góes.  com  novos  e  importan- 
tes factos,  sobre  apontamentos  que  ha  mezes  coordenei." 

Carta  de  13  d'Outubro  de  1881: 

«O  P.*"  Albeito  Pereira  Rei,  não  é  nome  supposto  icomo  o  aucUrr 
do  Diccionario  Bibliograpliico  desconfiara.)  Ha  aqui  repetidos  docu- 
mentos da  sua  existência  e  vivenda,  por  largos  annos.  Como  não  ha 
pressa,  em  tempo  remetterei  uma  nota  a  seu  respeito,  A.*   ...» 

«Os  trez  primeiros  documentos  do  N.°  13  do  Archiro  são  impor- 
lanlissimos.  Convém  muito  fazer  explorar  este  veio  dos  Livros  de 
Thomar.» 

«Porque  não  ha  de  o  meu  amigo  tentar  adquirii'  do  Conde  da 
Praia  da  Vicloria  a  Fénix  Angrense  do  P.*"  Maldonado  ?  Isto  é  que  va- 
lia bem  a  pena  de  publicar.  O  quadro  que  elle  traça  da  sabida,  apóz  a 
capitulação  de  D.  Alonso  de  Viveiros,  da  Fortaleza  d  Angra,  é  um 
primor  !  Que  respeitável  e  sympathico  caracter-,  vencido  apenas  pela 
fome  !  Tudo  é  pequeno  e  lillipuliano  em  torno  delle !  A  publicação 
da  Fénix  seria  um  relevante  serviço  á  historia  açoriana.  E"  um  livro 
escripto  com  tanta  superioridade  e  tino  litterario.  que  talvez  seja  úni- 
co na  nossa  lilteratura.  sua  contemporânea.» 


30  ARCHIVO    DOS   AÇORES 

Carta  de  18  de  Novembro  de  1881: 

«...  Há  dias  que  faço  cama.  obrigado  por  um  defluxo  p  por  um 
frio  glacial.  Espero  no  próximo  paipiele  enviar  a  nota  sobre  o  P."  Al- 
berto, que  suspeito  natural  da  Urselina,  d'esta  ilha,  por  viver  ali  e 
nas  Velas  bastantes  annos  sem  emprego,  e  ter  ali  havido  no  ultimo 
quartel  do  século  XVH  utn  individuo  dos  seus  apellidos,  Domingos  Pe- 
reira Key,  se  me  não  lembro  mal.  Em  dois  ou  três  processos  de  to- 
madas de  contas  de  legados  perpétuos,  na  .\dministração  do  Conce- 
lho, ha  bastantes  quitações  de  missas  de  sua  mão  e  punho.  Em  tem- 
po pedi  uma.  que  remetti  ao  Innocencio  Francisco  da  Silva,  em  prova 
da  existência  real  do  tal  sugeito.» 

Carta  de  15  de  Dezembro  de  1881: 
«Desta  feita  vae  tudo  o  que  lhe  posso  dizer  sobre  o  P.®  .\lberto 
Pereira  Rei.  Elle  mesmo  vae  à  sua  presença  o  mais  pessoalmente 
que  hoje  o  pode  fazer,  com  a  sua  assignatura  !  qiiod  testetur  riscisse, 
como  (iisse  Plinio.  Vae  lambem  o  Sermão  pregado  no  Carmo  de  Lis- 
boa, nas  exéquias  de  D.  Fr.  Barlholomeu  do  Pilar,  por  Fr.  João  de 
Santiago.  Está  troncado.  faltando-lhe  o  epilogo.  Tem  merecimento  e  é 
opúsculo  raríssimo,  senão  único:  ao  menos  Innocencio  não  teve  conhe- 
cimento real  de  outro,  conforme  em  carta  md  disse.  Parece-me  por- 
tanto digno  de  ser  reproduzido  no  Archiro.  bem  como  as  censuras  e 
epigrammas.  ijU''  o  piocedem.  O  amigo  o  lerá  no  devido  recato  por 
que  não  é  meu,  e  mo  devolvera  (|uando  o  julgar  conveniente:  bem 
como  o  caderno  das  (juitações  de  missas,  que  vae  junlo  com  elle.» 

Carta  de  14  de  Janeiro  de  1882: 

«Verei  se  me  é  possível,  no  próximo  vapor  ou  uo  immediato  re- 
metter-lhe  mais  uma  ajuda  para  as  annotações  ao  opúsculo  do  P.®  Al- 
berto. Também  logo  que  possa  escreverei  a  promettida  nota  em  sus- 
tentação da  existência  histórica  da  Estatua  Equestre  da  Ilha  do  Cor- 
vo. Ha  factos  históricos  importantíssimos,  (jue  devem  ser  conhecidos 
e  apreciados,  para  que  a  estatua  equestre  tenha  nma  solução  racional 
e  justa.-» 

«Esta  Ilha  do  Corvo,  disse-me  em  certo  tempo  o  Drummond.  é  o 
pigmeu  sobre  as  muralhas  de  Tiro!  Parece-me  que  linho  razão.» 

Carta  de  15  de  Fevereiro  de  1882:  (Ultima  \) 
....  Para  as  annotações  do  P.''  Alberto,  não  me  he  possível  re- 
metter'o  que  desejava,  mas  só  um  peijueno  extracto  de  Heitor  Pinto 
em  confirmação  do  que  disse  com  respeito  ao  preceito  da  Ordenação 
sobre  bodos  públicos,  que  os  do  Espirito  Santo  eram  vulgares  em 
Portugal  no  século  XVI.» 


ARCIIIVO  DOS  AÇOKES  IM 

«ll;i  poucas  semanas  cuidei  em  escrever  a  pensada  Memoria  so- 
bre Gaspar  Corte  Real,  mas  desviou-me  disso  outro  trabalho.  O  meu 
estudo  versa  apenas  sobre  escriptura  e  não  sobre  cartographia,  por 
falta  primaria  d'esla.  O  í|ue  notei  de  mais  antigo,  mas  ua  verdade  de 
pouco  valor,  é  o  que  sobre  o  assumpto  diz  José  Silvestre  Ribeiro,  nas 
Resoluções  do  CunveJIio  d' Estado  Vol.  13  [).  '202  e  seguintes:  e  a  cu- 
riosíssima nota  de  Varnhagem  sobre  o  Altas  de  Fernão  Vaz  Dourado, 
impressa  no  T.  III  da  Geographia  de  Vrcidhi,  p.  494  e  seguintes : 

«Quanto  ao  Cabot  é  mui  importante  o  que  tenho  a  dizer,  princi- 
palmente em  refutação  ás  altrevidas  asserções  de  Biddle,  que  até  a- 
gora  tem,  com  grande  vergonha  nossa,  passado  como  texto  !  Nem  o 
espaço  nem  a  occasião.  são  oportunas  para  dizer  mais.  Tendo  saúde, 
espero  ter  em  poucos  mezes  occasião  de  redigir  a  memoria  referida, 
por  que  a  matéria  foi  em  tempo  estudada,  e  só  agora  careço  refres- 
car idéas  e  fazer  redação.  ElTectuando-a  pode  o  meu  amigo  mandar 
ahi  fazer  a  impjessão,  se  o  levar  em  gosto.  Recebi  do  Sr.  José  do 
Canto  a  mimosa  oííerta  de  uma  traducção  ingleza  do  \.°  Canto  dos 
Lusíadas  ...» 

«Não  tenho  continuado  a  fazer- lhe  a  remessa  das  Coisas  Camone- 
anas,  por  que  saem  muito  cheias  de  erros  lypographicos  que  as  de- 
turpam muito  e  as  tornam  indignas  de  oíTerta.  Em  vista  da  perfei- 
ção dos  trabalhos  lithographicos  n'essa  Ilha,  lembro  a  conveniência  de 
publicar  no  Arc/iiro,  a  Carta  que  desta  Ilha  levantou  em  1825,  o  Bri- 
gadeiro António  Homem  de  Noronha,  acompanhada  da  descripção  que 
desta  ilha  elle  publicou  na  Revista  dos  Açores  Vol.  I  p.  H3.  Tenho 
daquella  um  exemplar  pertencente  a  um  amigo  meu.» 


(Aqui  ficou  interrompida,   pela   doença,   esta  interessante  corres- 
pondência, que  a  morte  fatal  não  permitte  jamais  contínuar-se  !  ! ) 


q^^ 

^ 


COLI.ECGÂO  DE  DOCUMENTOS 


RELATIVOS   ÁS   ILHAS    DOS   AÇORES 

(  Fitrahidos  do  Arcbivo  da  Camará  Municipal  de  Ponta  Delgada  ; 


Capítulos  do  Regimento  de  26  de  Junho  de  1507  sobre 
a  exportação  do  trig-o  da  Ilha  de  S.  Miguel. 


...Por  outro  capitólio  nos  Jazeis  sal)er  (^ue  os  officiais  da  governança 
(las  camarás  das  villas  d'esla  ilha  tem  por  costume,  tanto  (pie  vem  o 
tempo  (la  ceifa,  terem  maneira  como  logno  vendem  seu  pam  que  co- 
lhem e  despois  em  camará  ordetjam  (pie  os  lavradores  nem  outra  ne- 
nhuma pessoa  vendam  mais  liiguo  a  mercadores  nem  outras  pessoas 
sob  grandes  penas  e  isto  por  (jue  os  [)ovres  lavradores  por  bem 
de  suas  provisões  tam  cedo  recolher  suas  novidades  e  despois  por  bem 
das  ditas  posturas  não  no  podem  vender  e  os  dam  em  menos  presso 
aos  mesmos  ofeciais  (pie  fazem  as  ditas  posturas  os  ijuaes  despois  no 
tempo  das  novidades  lho  tomam  e  revendem  por  grandes  pressos  e 
por  isto  ordenão  em  cada  hum  anuo  e  he  em  grande  dano  da  prol 
commum,  por  si  vendem  e  tiram  ha  liberdade  a  cada  um  de  vender 
o  seu  próprio.  .\  isto  respondemos  i|ue  avemos  por  bem  ijue  cada 
um  tenha  liberdade  de  vemler  o  sen  em  qualquer  tempo  que  quize- 
lem  e  lhe  convier  e  não  lhe  possa  sav  pedido  novidade  pela  camará 
pois  pelo  que  se  poderia  seguir  emconveniente  algum  da  provisam 
da  terra  se  toda  a  novidade  se  hduvesse  de  vender:  por  que  a  isto  se 
proveja  hordenainos  e  mandamos,  que  vos  com  os  juizes  e  hofeciaes 
e  três  ou  (juatro  homens  boõs  do  povo  loguo  como  a  novidade  se  co- 
messar  (Tapanhar  e  em  tempo  que  se  possa  saber  pouco  mais  ou  me- 
nos o  i]ue  cada  hum  pode  aver  de  sua  novidade  ho  orseis  e  vereis  a 
soma  do  pam  seria  justo  e  nesse(;ario  fiquar  na  terra  para  a  poder 
abastar   até  ho  novo,  respeitando  a  jente  que  poderá  haver  nella  e 


AnClIlVO    DOS    AÇOHES  33 

dando  folga  para  aos  que  a  ella  podem  vir  de  fora,  e  feilo  disso  ver- 
dadeiro e  justo  horssainenlo  lio  inais  que  se  possa  fazer,  repartiram 
a  dita  soma  por  cada  lavrador  e  povo  da  ilha  segundo  que  verdadei- 
ramenle  e  sem  afeiçam  a  cada  um  o  que  couber  e  pelo  que  pode 
colher  e  pela  soma  (jue  ha  cada  um  se  liordeuir  que  leixe  na  terra, 
será  constrangid(j  |)ara  o  loixar  e  vender  nella  a  quem  o  quizer  com- 
prar e  todo  com  as  penas  que  bem  vos  parecer  e  acordardes,  e  todo 
ho  mais  que  sobejar  poderá  cada  hum  vender  a  qualquer  tempo  que 
lhe  convier  e  não  lhe  será  nisto  posto  postura  nem  defeza  algQa  e 
lerão  para  ello  liberdade  por  que  liassi  o  avemos  por  bem,  em  este 
modo  \u\yn  já  provida  a  terra  e  os  lavradores  nãu  receberão  agravo 
e  isto  se  faça  ein  cada  um  anuo  e  asi  mandamos  que  se  guarde.  Ho 
qual  apontamento  estava  amtre  outros  muitos  apontamentos  damtre 
os  quaes  hos  ditos  (?)  tirei,  estavam  assinados  por  eirei  D.  Manoel 
que  santa  gloria  haja.  com  vista  de  dom  António  e  paçado  pella  chan- 

cellaria.  com  os  sinaes  de  AíTonso  Gomes  (?)  e  Pêro  Lopes 

feito  em  Abrantes  aos  vinte  seis  de  Junho  de  quinhentos  e  sete. 

(L.°  4.°  de  Rogisto  da  Camará  de  P.  Delgada,  foi.  47  verso,  tras- 
ladado aos  2õ  d' Agosto  de  1528,  pelo  escrivão  Bdchior  Roiz,  concerta- 
do com  o  Tabelliãn  Affonso  Gonçalves,  e  assignado  pelos-  Vereadores 
.João  Roiz  e  Domingos  Affonso.) 

Abaixo  temem  nota  ter  sido  publicado  ao  Juiz  Atfonso  de  Mattos  e  aos  Ve- 
readores Manoel  Vaz  e  Manoel  do  Porto  e  a  Bartlioíomeu  AtTonso,  procurador  do 
Concelho,  no  anno  de  1329. 

Cliamava-se  trigo  do  eixame  a  este  que  ficava  para  consumo  da  terra,  locu- 
ção viciosa  qne  o  costume  consagrou;  com  mais  propriedade  se  deveria  dizer 
exame  do  trigo,  como  do  alvará  acima  se  ve. 


Alvará  de  17  de  Setembro  de  1514,  que  manda  os  Capi- 

pitães  das  ilhas  dos  Açores- obedeçam  ao  Corregedor 

o  Bacharel  Jeronymo  Luiz. 

Nós  eirey  fazemos  saber  a  vós  capitães,  ouvidores,  juizes,  varea- 
dores,  fidalgos,  cavaNeiros,  escudeiros  e  homens  bons  e  povo  das  mi- 
nhas ilhas  dos  açores,  que  nós  enviamos  ahi  por  nosso  corregedor 
com  alçada  a  essas  ilhas  o  bacharel  Jerónimo  Luys  segundo  o  vereis 
pelos  poderes  que  leva  do  dito  officio,  e  por  quanto  da  ilha  em  que 
elle  estiver  ade  mandar  executar  suas  sentenças  o  mandados  asi  nas 
outras,  vos  mandamos  que  cumprais  e  façais  enteiramente  com|)rir  e 
d.ar  a  enxecução  às  ditas  suas  sentenças  o  mandados  asi  como  em 

N.°  19— Vol.  lY  — 1882  5 


34  ARCHIVO  DOS   AÇORES 

elles  fôr  contheudo  e  o  fareis  [como)  se  elle  presente  fosse,  na  dita 
ilha  onde  a  tall  sentença  e  mandado  for  para  se  enxecutar.  sem  em- 
barguo  de  previllegio  que  vos  lemos  dado  por  serviços,  e  lhes  nã<» 
cumprirão  senão  as  sentenças  e  mandados  que  por  nós  forem  assi- 
nados, por  quanto  em  este  caso  o  avemos  por  derogado,  e  cumpri-o 
asi.  Feito  em  Lixboa  a  dezasete  dias  do  mez  de  Setembro.  Damiam 
Dias  o  fez,  de  mil  quinhentos  e  qualorze. 

E  estes  serão  aquelles  que  elle  por  bem  de  seus  poderes  e  alça- 
da elle  pode  mandar,  O  qual  alvará  hera  assinado  por  eirei  nosso  se- 
nhor e  não  era  passado  pela  chancellaria. 

(L.°  4."  de  Registo  da  Camará  de  P.  Delgada,  foi.  23  verão,  trasla- 
dado pelo  escrivão  da  Camará  João  Roiz.  em  1519.) 


Alvará  de  23  d'Agosto  de  1518,  em  que  se  declaram  por 
suspeitos  os  Desembargadores  das  Ilhas,  nas  cau- 
sas sentenceadas  pelo  Corregedor  Jerónimo  Luiz. 

Nós  eIrei  fazemos  saber  a  quantos  este  nosso  alvará  virem,  que 
por  algOas  causas  justas  que  nos  a  iso  movem,  por  isto  avemos  os 
desembargadores  das  Ilhas  em  nosa  casa  da  sopricação  ver  todos  os 
casos  de  Jerónimo  Luis.  Corregedor  em  as  nossas  Ilhas  dos  Açores, 
asi  nos  seus  próprios  como  em  todas  as  apellações  e  egravos  que  dan- 
te  elle  vierem  ao  dito  desembarguo  quaesquer  causas  e  parles  que 
sejão  e  mandamos  ao  Regedor  da  dita  casa  que  quãdo  os  ditos  fei- 
tos, agravos  ou  appellações  vierem  dante  o  dito  Corregedor  ou  que 
a  elle  toquem  dê  para  isso  outros  desembargadores,  que  dello  ajão 
de  conhecer  asi  como  ho  farião  os  das  ditas  Ilhas  se  suspeitos  não 
fosem,  aos  quaes  por  este  mandamos  que  disso  nã(»  tomem  mais  co- 
nhecimento das  sentenças  (?)  do  dito  Licenciado  Jerónimo  Luis  que 
dante  elle  venhão,  leixem  conhecer  aos  que  ho  dito  Regedor  para  is- 
so ordenar  por  que  nós  babemos  asi  por  bem  e  hos  damos  por  sus- 
peitos como  dito  he.  Feita  em  Lisboa  ía  vinte  três  dagoslo,  André 
Pires  a  fez.  de  mil  e  quinhentos  e  desoito. 

(L.^  4."  de  Registo  da  Camará  de  Ponta  Delgada,  foi.  H.^ 


ARCHIVO   DOS  AÇORES  I{5 

Alvará  de  23  d'Agosto  de  1518,  regulando  o  modo  de  dar 
os  terrenos  para  cazas. 

Nós  eirei  fazemos  saber  a  vós  Capitães  das  Ilhas  dos  Açores,  nós 
somos  enformados  que  quando  se  as  ditas  ilhas  começaram  a  povorar 
e  depois  se  ordenou  e  apropriou  aos  differentes  (?)  concelhos  certa 
contia  de  terra  e  chãos  para  nelles  fazerem  casas  os  que  nas  ditas 
ilhas  qnizesera  morar  e  povorar.  e  quem  servir  os  ditos  capitães  por 
serem  pessoas  poderosas  e  que  tem  a  jurdição,  darem  elles  os  ditos 
chãos. a  seus  criados  e  pessoas  outras  e  a  quem  (juerem  fazer  bem, 
e  mais  daquillo  que  ão  mister  para  suas  casas,  em  tanta  maneira  que 
vão  dar  e  dão  de  foro  a  outras  pessoas,  o  que  a  nós  não  parece  bem. 
e  a  que  mandamos  prover,  por  este  mandamos  aos  ditos  capitães  ou 
pessoa  outrem  a  que  a  dada  dos  ditos  chãos  por  direito  pertença,  que 
d"aqui  em  diante  não  dem  nenhum  chão  senão  a  pessoa  que  na  terra 
e  chão  que  lhes  asi  derem,  ouver  de  fazer  casa  para  sua  própria  vi- 
venda isto  sem  (?)  lhe  darem  mais  que  ouver  mister  e  pareça  bem 
para  a  dita  casa  de  sua  vivenda  e  algum  quintal  ou  esto  e  graneis 
para  seu  pam,  sem  o  poder  afTorar  nem  fazer  outro  partido  delle,  e 
se  o  afíorar  ou  fizer  outro  algum  partido  delle  por  este  mesmo  caso 
o  perderão  e  se  darão  a  outro  com  qualquer  bemfeitoria  que  nelle 
for  feita  para  nella  aver  de  morar,  e  bem  asi  nos  apraz  que  todos  os 
chãos  que  até  à  feitura  deste,  se  elles  ainda  não  forem  aproveitados 
em  casas,  se  tomem  ás  pessoas  que  os  tem  e  dei.\ando-lhe  o  que  ou- 
ver mister  para  suas  próprias  casas,  graneis  e  quintal,  e  visto  como 
dito  he.  se  ainda  as  não  tem  feitas  o  mais  que  ficar  se  dê  a  quem 
ouver  mister  para  nelle  fazer  casas  e  graneis  e  quintal  segundo  aci- 
ma he  declarado  e  ouver  de  uzar  como  dito  he  sem  pagarem  foro  al- 
gum nem  outra  ninhuma  cousa  as  pessoas  a  que  asi  forem  dados  e 
os  tenhão.  E  mandamos  aos  Capitais  das  ditas  Ilhas  asi  o  cumprão, 
e  quando  asi  o  não  fizerem,  mandamos  ao  noso  Corregedor -delias 
que  depois  de  prequavidos  os  ditos  capitães  e  não  o  fazendo  nem  cum- 
prindo este  nosso  alvará  como  se  nelle  contem,  elle  dito  corregedor 
o  façais  cumprir  entimando-o.  e  o  trelado  delle  mande  assentar  nos 
livros  das  Camarás  das  ditas  ilhas  para  saberem  que  asi  temos  man- 
dado de  se  cumprir. 

Feito  em  Lixboa  a  xxiij  (28)  d'agosto,  André  Pires  o  fez,  de 
mil  e  quinhentos  e  desoito.  Eu  Johão  Roiz  escrivão  da  Camará  que 
este  Ireladei  do  próprio  mandado  dElrei  nosso  Senhor  por  seu  al- 
vará assinado  e  passado  pela  chancellaria. 

(L."  4.°  de  Registo  da  Camira  de  Ponta  Delgada,  foi,  7  verso.) 


36  ARCHIVO  DOS   AÇORES 

Alvará  de  1  de  Setembro  de  1518.  para  o  Capitão  de  S. 

Miguel,  continuar  a  dar  as  terras  sem  embargo  do 

Corregedor  ter  authorisação  para  o  fazer. 

Nós  EIrei  fazemos  saber  a  quantos  este  nosso  alvará  virem,  (|ue  a 
nós  enviou  dizer  o  capitão  da  ilha  de  Sam  Migel  que  elle  linha  por 
sua  doaçam  o  poder  dar  as  terras  da  dita  ilha  a  quem  lhe  bem  pa- 
recer e  segundo  as  ouverem  mister,  e  que  elle  nos  disse  lhe  tinha- 
mos  dado  alvará  e  provisões  conforme  a  dita  sua  doaçam,  e  que  sem 
embarguo  de  tudo.  o  Corregedor  Jerónimo  Luiz  se  metera  a  dar  as 
ditas  terras,  dizendo  que  era  por  meu  mandado:  e  por  que  o  que  nis- 
so lhe  tínhamos  respondido  seria  por  imformaç.io  não  verdadeira  e 
sem  elle  dito  capitam  ser  ouvido,  e  nos  pedia  que  lhe  mandássemos 
guardar  sua  doaçam  e  provisões  nossas,  e  ser  quem  do  dar  das  di- 
tas terras  de  nós  tinha,  e  visto  seu  requerimento  nos  praz  disso  e 
por  este  mandamos  ao  dito  corregedor  e  a  outras  quaesquer  justiças 
e  oíiciaes  e  pessoas  a  quem  tocar.  (|ue  leixem  o  dito  capitam  dai  as 
ditas  terras  segundo  o  por  a  dita  sua  doaçam  e  provisões  nossas  o 
pode  fazer  sem  lhe  irem  á  mão  em  cousa  que  em  contrario  d'isto  te- 
mos passado  pelo  que  sem  embargo  disto  avemos  no  dar  das  ditas 
terras  como  se  nella  contem.  Feito  em  Sinitra  ho  primeiro  dia  de  Se- 
tembro, André  Pires  ho  fez,  de  mil  e  (luiiilientos  e  desoilo. 

(L.°  4°  de  Registo  da  Cfimina  dr  Ponla  Prh/adfi.  fhl.  42.) 


Ordenação  dos  Navios  da  índia,  1  d' Abril  de  1520 

D.  Manoel  d."  A  quantos  esta  nosa  carta  de  ordenação  virem  fa- 
zemos saber  que  por  quanto  somos  certeficado  que  das  uosas  náos 
quando  vem  da  índia  se  tirão  muitas  mercadorias,  e  cousas  antes  de 
serem  levadas  a  nosa  casa  da  índia,  conlia  nosa  defeza  e  Regimento, 
as  quaes  cousas  se  não  achasse  quem  as  comprase,  guardase  e  ven- 
dese  não  averia  quem  as  quizesse  tirai-  e  por  iso  sei'  cousa  justa  por 
o  muito  deserviso  que  diso  se  nos  segue  e  asi  averem  graves  penas 
aquelles  que  as  sobreditas  cousas  ouverem  e  somente  guardão  como 
os  propios  que  has  trazem  e  tirão  de  nosas  náos  contra  nossas  de- 
fezas.  pello  qual  ordenamos  e  poemos  por  lei  e  mandamos  que  qual- 
quer pessoa  de  qualquer  calidade  e  condição  que  seja  que  algua  cou- 
sa que  da  índia  venha  de  qualquer  sorte,  que  for  possuidor  e  se  ven- 


ARCHIVO  DOS  AÇOHES  ^37 

(ler  ou  comprar  antes  de  asi  ser  trazida  e  posta  na  dita  Casa  da  ín- 
dia, posto  que  aquelle  que  as  tiver  ou  as  trouxer  ou  vender  tenha  li- 
cença nosa  para  as  poder  trazer  e  sem  delias  pagar  direito  algum, 
encorão  pena  de  perdimento  de  toda  sua  fazenda  asi  movei  como  de 
raiz  e  mais  seja  quatio  annos  degradado  para  os  nossos  lugares  d"a- 
lem;  e  o  capitão  e  mestre  da  nosa  náo  ou  navio  se  provar  que  algua 
cousa  se  tirou  antes  da  tal  náo  ou  navio  de  que  for  capitão  ou  mestre 
ser  ancorado  e  pousado  (?)  davante  a  dita  cidade  {de  L?.s6oa?jpagua- 
i'á  o  capitão  a  valia  d'aquella  cousa  ou  cousas  que  se  provar  que  se 
asi  tirarão  da  náo  ou  navio  em  qne  vier  por  capitão  e  antes  de  sei' 
asi  ancorado  e  [wusado  deante  a  dita  cidade:  e  o  mestre  em  quatid 
dobro  e  quando  bi  não  houver  capitão,  se  este  ouver  mestre  pagara 
o  dito  mestre  ancorado  como  o  dito  capitão.  Item  delTendemos  e  man- 
damos que  ninhuas  pessoas  das  (]ue  vierem  nas  nossas  nãos  e  navios 
da  índia,  ou  náos  de  mercadores  que  por  nós  sejão  fretadas,  não 
saia  em  terra  em  ninhua  Ilha  a  que  venhão  ter  so  pena  de  perder, 
peio  mesmo  feito,  todo  seu  soldo  e  ordenado  que  de  nos  aja  daver  e 
mais  toda  sua  fazenda  que  na  tal  náo  ou  navio  trouver  e  alem  disso 
ser  degradado  dois  annos  para  os  nossos  logares  dalém,  e  açoutado 
sendo  para  em  que  ha  dita  pena  d'açoutes  caiba.  E  somente  sairá 
bua  pessoa  de  cada  náo  ou  navio  com  asinado  do  capitão  que  na  tal 
náo  on  navio  vier  para  este  aver  todo  o  que  fòr  necessário  asi  de 
mantimentos  como  de  qualquer  outra  cousa  que  necesaria  lhe  seja.  e 
este  quando  asi  sair  será  buscado,  loguo  em  saindo,  pelo  noso  Con- 
tador ou  Corregedor  se  em  a  tal  Ilha  estiver,  ou  pello  nosso  almoxa- 
rife, não  estando  bi  Contador  nem  Corregedor  para  se  saber  se  leva 
consigo  alguma  cousa,  e  sendo-lhe  achada  se  proceder  contra  elle  com 
as  penas  sobi editas:  e  mandamos  aos  Capitães  (ias  Ilhas.  Corregedo- 
res, Juizes.  Justiças  delias  a  que  as  ditas  náos  ou  navios  da  índia  vie- 
rem ter  que  [)rendão  e  mandem  prender  aquelles  que  em  terra  saí- 
rem das  ditas  náos  e  navios  para  serem  punidos  e  castigados  "segun- 
do forma  desta  nossa  ordenação  resalvando  aquella  que  da  náo  ou 
navio  sair  em  terra  com  alvaiá  de  licença  do  Capitão  para  proqurar 
e  aver  as  cousas  de  que  tiver  necesidade  o  qual  alvará  a  tal  pessoa 
sempre  guardara  para  por  elle  dar  conta  de  sua  saida  e  se  não  pro- 
ceder contra  ella,  salvo  sendo-lbe  achada  algua  coisa,  como  dito  be. 
e  não  ho  comprindo  asi.  os  ditos  Capitães.  Juizes  e  Justiças  manda- 
mos que  carreguem  sobre  elles  qualquer  culpa  em  que  forem  acha- 
dos os  sobreditos  que  asi  sairani  em  terra  contia  nossa  defeza  e  mais 
|)ague  cada  hum  trezentos  cruzados. 

Item  defendemos  e  mandamos  a  quahpier  capitão  ou  mestre  de 
náo  ou  navio  da  índia  que  asi  ás  ditas  Ilhas  vierem  que  não  estem 
bi  mais  tempo  que  até  tomarem  os  mantimentos  ou  qualquer  outia 
cousa  que  necessária  llie  seja  para  sua  viagem  não  pasí^ando  porem 
a  dita  estada  de  três  dias  salvo  tendo  necessidade  tal  ijue  não  possão 


38  ARCHIVO    DOS    AÇORES 

asi  fazerem,  posto  Iragão  manfJado  do  Capitão  iVIoor  que  trouxer  a 
frota  para  o  averem  de  esperar  tão  bem  por  acharem  novas  que  an- 
dão  corsairos  na  costa  ou  em  qualquer  outra  paçagem  do  caminho 
que  ouverem  de  fazer  das  ditas  Ilhas  para  estes  reinos  por  que  sem 
embarguo  de  todo  queremos  e  mandamos  que  siga  sua  rota  e  faça 
seu  caminho  para  Lixboa  o  mais  em  breve  que  poderem  e  quem  o 
contrario  fizer  perdera  lodo  o  seu  ordenado  da  viagem  e  sendo  pella 
ventura  pessoa  que  não  aja  de  aver  soldo  da  viagem  nem  ordenado 
e  que  estivesse  na  índia  e  somente  viese  na  tal  não  ou  navio  por  ca- 
pitão ou  delia  trouxer  o  principal  encarguo  sem  ordenado  algum, 
perdera  para  nos  tal  soldo  ou  ordenado  de  hum  anno  do  tempo  que 
estivese  na  índia,  e  mandamos  ao  esprivão  da  tal  náo,  ou  navio  que 
faça  assento  em  seu  livro  dos  dias  que  estiverem  nas  ditas  Ilhas  e  se 
mais  se  deliverão  que  os  ditos  Ires  dias  que  mandamos  e  que  ficarem 
a  mais;  pelo  que  para  o  sabermos  e  se  proceder  contra  os  culpados 
segundo  forma  desta  nosa  ordenação  e  a  meilade  de  todas  as  penas 
aqui  contendas,  e  avemos  por  bem  que  sejão  para  quem  as  cumpra 
e  a  outra  para  nosa  camará,  porem  maniíamos  ao  noso  Chanseller 
Moor  que  a  mande  pobricar  em  nosa  chancellaria  para  a  todos  ser 
notório  e  se  não  alleguem  inorancia  e  ao  noso  Juiz  dos  nosos  feitos 
da  índia  o  gurar  [sio  qu'í  em  tudo  cumprão  e  bem  asim  manter  em 
execução  as  penas  delles  naquelles  que  nellas  encontrarem.  Dada 
na  nosa  cidade  dlívora  ao  primeiro  dabril,  Jorge  Pires  a  fez,  anno 
de  mil  quinhentos  e  vinte.  Assignada  por  eirei  nosso  Senhor  p  trela- 
dada  da  propia  por  Johão  Roiz  escrivão  da  Camará. 

L."  :/.'*  de  Registo  da  Camará  d£  Ponta  Delgada,,  foi.  24  nerso.) 

Esta    ordenação  é  aquella  de  que  se  tracta  no  Ke^>irnento  de  p.  29  do  '.)."  \o- 
lume  d'esle  Archmí. 


Alvará  de  20  d' Abril  de  1521,  nomeando   o  Licenciado 
António  de  Macedo,  para  Gorreg-edor  dos  Açores. 

D.  Manoel  por  graça  de  Deus  Hey  de  Portugal  ....  fazemos  sa- 
ber a  vós  Capitães,  Juizes.  Vareadores,  Procuradores.  Pidalguos,  Ca- 
valleiros.  escudeiros  e  povo'  das  nossas  Ilhas  dos  Asores.  que  nós  pe- 
la confiança  que  temos  das  letras  e  bondade  do  Licenciado  António 
de  Macedo  e  sentindo-o  asim  por  nosso  serviço  o  enviamos  por  nosso 
Corregedor  a  essas  Ilhas  dos  Asores  asi  e  pelas  maneiras  que  ho  de- 
vem ser  e  como  sempre  foram  os  outros  nossos  corregedores  nas  di- 


AUCHIVO    DOS    AÇORES  3Í> 

tas  Ilhas  e  com  aquelles  poderes  e  alçada  que  leva  por  iioso  alvará 
por  nós  asinado  e  nelle  he  conteúdo  e  que  por  ele  vos  será  apresen- 
tado e  notificado  em  Camará,  porem  vollo  notificamos  assi  e  vos 
mandamos  que  ho  hajais  poi'  nosso  corregedor  dessas  ditas  Ilhas  e  o 
leixeis  uzar  do  dito  oííicio  de  Corregedor  e  poderes  e  alçada  que  com 
hele  leva  e  lhe  obedeçais  e  cumprais  Áeu  regimento,  e  mandados  na- 
quellas  cousas,  em  que  elle  por  bem  de  seu  Regimento  de  Correge- 
dor bade  prover  e  intender  e  aí.sim  naquellas  em  que  lhe  damos  po- 
deres e  alçada  sem  lhe  nisso  sef  posta  duvida  nem  embargo  algum 
por  que  asi  he  nosso  serviço  e  queremos  que  hele  tenha  de  vos  man- 
tenimento  em  quada  um  anuo  com  o  dito  oííicio  oitenta  mil  reis  os 
quaes  por  esta  mandamos  aos  Veadores  da  nossa  fazenda  que  lhos 
disponhão  em  cada  hum  anno  em  quanto  no  dito  oíTicio  de  Correge- 
dor servir,  em  qualquer  nosso  almoxarifado  das  ditas  Ilhas  para  que 
delle  haja  bom  pagamento,  o  qual  António  de  Macedo  jurou  em  nos- 
sa chançallaria  aos  santos  avangelhos  que  bem  e  verdadeiramente  ser- 
virá e  uzará  do  dito  oííicio,  guardando  nos  inteiramente  nosso  servi- 
ço e  ás  partes  seu  direito.  Dada  em  nossa  cidade  de  Lisboa  aos  20 
d'Abril,"  Dioiíc  Paes  a  fez:  anno  de  1524  annos  (assignado  por  eirei 
com  o  visto  de  Dom  Anionio,  Chançarel  Mór.) 

(L.**  4."  de  Registo  da  Camará  de  P.  Delgada,  foi.  27.  t 


Alçada  do  Corregedor  António  de  Macedo. 

Nós  eIrei  fazemos  saber  a  vos  Capitães,  Ouvidores,  Juizes,  vreado- 
les.  oficiais,  fidalguos.  cavalleiros,  escudeiros,  homes  boõs  e  povo  das 
nossas  Ilhas  dos  Açores,  que  por  avermos  asi  por  muito  nosso  servi- 
ço e  bem  de  justiça  pai"a  se  melhor  poder  ministrar  e  servir  em  es- 
sas Ilhas  por  minha  pessoa  e  direito  das  partes,  ordenamos  emviar 
la  com  nosa  aisada  o  Licenciado  António  de  Masedo.  do  qual  confia- 
mos que  as  cousas  de  justiça  fará  e  sirva  como  a  todos  seja  guai^da- 
da  e  feita  e  nós  sejamos  servido  em  quamto  la  estivei'  e  lhe  damos  o 
poder  e  aisada  abaixo  decrarada. 

I  Primeiramente  nos  casos  crimes  lhe  damos  poder  e  alçada  em 
todo  até  morte  natural  e  sobre  escravos  somente  e  neste  e  em  quaes- 
quer  quazos  ficaram  lendo  fim  e  se  daram  em  locaçam  por  juizes, 
e  mandamos  até  a  dita  morte  natural  como  dito  he  sem  mais  dele  a- 
ver  outra  apelaçam  nem  agravo  em  casos  crimeS;  das  pessoas  dou- 
tras  calidades  dos  ditos  escravos  para  cima  dará  apelações  e  agravo 
para  nós. 


40  AKCHIVO  DOS  A€0I{E8 

I  Lhe  damos  poder  que  possa  degradar  e  eiiiprazar  fidalguos  ca- 
valleiros,  escudeiros,  (juamdo  por  suas  culpas  com  direito  achar  que 
devem  ser  condenados  uas  ditas  penas  de  degredos  e  emprasameutos 
hos  quaes  degredos  serão  para  as  partes  dalém  até  dez  aunos  somen- 
te, e  assi  poilerà  apenar  hos  sobreditos  em  penas  de  dl.°  [direito)  até 
a  comtia  de  truiita  cruzados  hos  quais  dará  ha  enxequção  sem  apla- 
cam nem  agravo. 

I  Nos  feitos  eiveis  lhe  damos  poderes  he  alçada  até  comtia  de  vin- 
te mil  reis  sem  dele  aíé  ha  dita  soma  aver  unis  aplações  nem  agra- 
vo e  queremos  e  nos  praz  que  até  ha  dita  comtia  faça  em  ele  fim  e  se 
dem  á  enxequção  suas  Sentenças  e  dahi  para  cima  dará  aplacam  e  a- 
gravo  para  nós. 

I  Lhe  damos  poder  que  possa  dar  cartas  de  seguro  em  quazos 
de  resistências  (?  >  e  feridas  habertas  sem  embargo  dos  trinta  dias 
nã(j  serem  passados  e  mesmo  em  (juazo  de  morte,  posto  que  hos 
seis  mezes  não  sejão  passados. 

I  E  ho  mesmo  lhe  damos  poderes  que  possa  dar  cartas  de  segu- 
ro terceira  vez  depois  de  hos  seguros  deles  tomarem  e  os  quebra- 
rem, esto  por  qual(|uer  qiiazo  em  (jue  hos  quebiarem. 

I  Se  alguas  aplações  de  feitos  de  justiça  vierem  das  hoiitras  Ilhas 
a  ele  has  poderá  despachar  formalmente  (juabendo  em  sua  alsada  e 
(juerendo  has  partes  vir  ho  dito  António  de  .Macedo. 

I  Por  que  sempre  nos  praz  que  hos  despachos  das  cousas  das 
Ilhas  sejão  com  toda  brevidade  despachados  avemos  por  bem,  e  que- 
rendo as  partes,  que  alguas  apelações  ou  agravos  de  cada  hua  dessas 
Ilhas  que  iiaja  de  vir  seguir,  louvar-se  no  dito  António  de  Macedo  pa- 
ra lá  por  elle  serem  ouvidos  e  despachados  nos  feitos  das  ditas  apela- 
ções e  agravos,  tome  ilelles  c.^"  (conliecimcnío)  e  ouvidas  as  partes  has  li- 
vre e  despache  como  com  justiça  lhe  parecer  sem  mais  outia  apelaçam 
nem  agravo,  e  isto  se  entendera  não  passando  da  alsada  que  lhe  da- 
mos assi  no  sivel  como  no  crime,  por  que  quando  em  maior  comtia 
de  dinheiro,  ou  calidade  de  pessoas  no  crime  forem  não  averá  isto  lu- 
gar e  isto  louvando-se  todas  as  partes  assim  reos  como  autores  nele 
dito  Amtonio  de  Macedo:  porem  no  sivel  avemos  por  bem  que  faça 
nele  lim  em  (]ualquer  comtia  que  for,  sem  mais  apelação  nem  agra- 
vo louvaudose  as  partes  uelle. 

I  Porem  vos  notifiquainos  por  este  presente,  ho  poder  e  alsada 
(jue  assi  lhe  damos  e  vos  mandamos  que  dele  ho  leixeis  huzar  em  to- 
do e  por  todo  como  haqui  he  decrarado  e  lhe  não  ponhais  a  iso  du- 
vida nem  embarguo  a!gum  por  que  assim  ho  avemos  por  nosso  ser- 
viço e  bem  de  justiça  e  mandamos  ao  dito  António  de  Macedo  que 
deste  poder  e  alsada  que  lhe  asi  damos  huze  emteiramente  asi  bem 
como  dele  comfiamos.  Feito  em  Lisboa  aos  vinte  diasdabril,  Diogo  (?) 
Pais  (?)  ho  fez.. de  mil  e  quinhentos  e  vinte  hum. 

§  Lhe   damos   poderes,  que  conheça  de  todalas  causas  novas  sem 


ARCHIVO   nos   AÇOKES  41 

iinltnrgiio  de  pelo  Regimento  e  onleiíaçílo  os  Corregedores,  não  po- 
derem conhecer  delas  e  o  qne  acima  dizemos  acerqua  das  apelações 
e  agravos,  decraramos  qne  se  enl^^nda  na  maneira  seguinte:  S.  (sa- 
ber) (jne  todas  fjas  apelações  e  agravos  da  ilha  em  (jiie  hele  Correge- 
dor estiver  em  qnamto  nela  for  presente  vam  a  ele  direitamente,  das 
apelações  das  outras  Ilhas  iram  a  elle  pela  maneira  sobredita  S.  Quan- 
do as  partes  ambas  forem  contentes  e  dos  agravos,  por  que  não  se 
IragSo  se  não  por  hua  das  partes,  poderá  o  dito  Amtonio  de  Macedo 
conhecer  delles  e  despachalos  ipiando  (juer  que  ha  parte  agravante 
lio  requerer  e  por  isto  (jue  acima  digo  que  terá  alçada  sobre  pessoas  a- 
te  morte  natural  avemos  poi'  bem  ipie  isto  se  não  entenda  senão  so- 
bre escravos  .«íómente.  lios  quaes  apontamentos  heram  assinaiios  por 
*'lrei  nosso  senhor  e  passados  pela  chanceleria. 

§  Por  que  somos  emformados  (pie  ho  poví)  dessas  Ilhas  recebe 
opreção  eni  lhe  levarem  os  (Corregedores  seus  feitos  de  hua  ilha  pa- 
ra a  outra  avemos  por  bem  e  vos  mandamos  que  não  leveis  nenhuns 
feitos  de  hua  ilha  para  outra  salvo  sendo  crimes  de  muita  sustamcia 
e  que  vos  pareça  que  haja  uessecidade  de  se  levarem  e  irem  com- 
vosco. 

§  Avemos  isso  mesmo  por  bem  e  vos  mandamos  <jue  não  tomeis 
t-onhecimento  nem  emtendais  em  nenhuns  feitos  que  já  forem  findos 
por  sentença  dos  Capitães  ou  de  seus  ouvidores,  salvo  sendo  uessesa- 
rio  para  desagravar  outros  feitos. 

I  Nos  praz  e  queremos  que  não  mandes  citar  nenhuma  pessoa, 
por  christão  novo  nem  seja  demau.lada  se  não  na  villa  honde  viver 
ou  de  cujo  do  termo  for.  p(jr  que  nsi  av 'mos  por  noso  serviço,  ou  até 
cinquo  léguas. 

I  Primeiro  que  huzeis  da  jurdiçam  na  Gamara  de  cada  VHIIa,  mos- 
trareis hos  poderes  que  de  nos  levais  e  na  Villa  homde  cada  Capitão 
estiver  ira  ha  Camará  para  ver  a  pubriquaçam  dos  ditos  poderes  e  não 
estando  hos  capitães  na  primeira  vila  em  que  chegardes  lhe  manda- 
reis notificar'  para  que  venha  estai'  á  dita  pobriqiiaçam.  Simão  de  Ma- 
tos ho  fe?,  sete  de  maio  de  mil  e  quinhentos  e  vinte  hum  ânuos.  Os 
quaes  apontamentos  eram  asiuados  por  Sua  Alteza. 

I  Nos  eirei  fazemos  saber  a  quantos  este  nosso  alvará  virem  que 
por  a  muita  confiança  que  temos  do  Licenciado  António  de  Macedo 
que  nos  serviços  de  (}ue  ho  encarregarmos  nos  servira  e  dará  de  si 
bõoa  comta  ho  enviamos  por  noso  Corregedor  às  nossas  Ilhas  dos  .\s- 
sores  e  por  alguns  respeitos  que  nos  movem  praz  iios  que  elle  aja  em 
qiiamto  no  dito  carrego  nos  servir,  de  assinaturas  dos  feitos  que  de- 
vão  ser  uaipiela  própria  forma  e  maneira  que  lio  sam  e  levão  por  no- 
so Regimento  nossos  desembergadores.  do  qual  Regimento  ell  levará 
o  trelado  assinado  per  ho  nosso  chamçarel  m oor  e  asselado  de  nos- 
so selo  |)ara  por  elle  servir,  e  irio  levará  da«;  ijitas  assinaturas  mais 
que  o  que  por  elle  mandamos  que  se  levem,  porem  lhe  mandamos  dar 

N."  lí)-Vol.  IV— I88Í2.  fi 


42  ARCHIVO    DOS    AÇORES 

disso  este  alvará  por  nos  asinado  pelo  qual  poderá  liuzar  e  levar  has 
ditas  assinaturas  como  dito  he.  Mandamos  aos  Capitães.  Juizes  e  Ou- 
vidores e  todos  outros  oíTeciais  e  pessoas  das  ditas  Ilhas  que  lhe  não 
ponham  a  isso  impedimento  algum.  pf)r  que  assim  no§  praz.  Feito  em 
Lisboa  a  vinte  e  quatro  dias  do  mez  de  abril,  Diogo  Jacome  ho  fez. 
de  mil  e  b.*^  (õOO)  e  vinte  hum  annos. 

(L."  4.*^  (Ic  Rt^gisto  iln  Camará  de  P.  Delgada,  foi.  28  a  Hl  rimo.) 


Alvará  de  8  de  Maio  de  1521,  que  prohibe   o  Capitão  de 
entrar  na  Camará. 

Juizes,  Vareadores  e  povo  do  concelho  da  Villa  Franca  do  (lampo 
da  nossa  Ilha  de  Sam  Migel:  Nos  KIrei  vos  enviamos  muito  saudar: 
n(fS  soubemos  ora  como  o  capitão  d'essa  Ilha  vai  estar  nas  Camarás 
dessas  villas  delia  sendo  contra  nossas  defezas,  que  nenhus  capitães 
não  vam  ás  camarás  por  (jue  nos  o  não  avemos  por  nosso  serviço 
ho  (jue  mandamos  (|ue  loguo  lhe  uoliíiijueis  da  nossa  parte  que  a  cer- 
to tempo  nos  emvie  quaesquer  provisões  nossas  que  tiver  para  ir 
ás  ditas  camarás  e  posto  que  tenha  as  ditas  provisões,  avemos  poi 
bem  (|ue  quando  a  ellas  for  não  tenha  mais  de  bua  so  voz  como  qual- 
quer dos  oíTiciais  das  ditas  Villa>,  e  as  ditas  [)i'ovisões  nos  mandara 
mostrar  de  nosso  capilam:  e  tanto  que  lhe  esta  notificardes,  a  fa- 
reis treladar  no  livro  da  Camará  dessa  Villa  e  a  mandareis  ás  outras 
Villas  dessa  Ilha  para  saberem  como  lhe  asi  mandamos  e  a  trelada- 
rem  isso  mesmo  em  seus  livros  das  Camarás:  e  posto  que  lhe  concede- 
mos as  ditas  piovisões  todavia  avemos  por  bem.  que  não  tenha  mais 
que  bua  voz  como  dito  he.  Fsprila  (escrita)  de  í.ixboa  a  biij  iS)  de 
maio,  Simão  de  Matos  a  fez.  de  in2i  annos. 

(L."  4."  (ic  Registo  da  Camará  di-  PoiUa  Delgada,  foi.  HH  rcrso.) 


Alvará  de  1  de  Julho  de  1521.  para  o  Corregredor  Antó- 
nio de  Macedo  vir  á  ilha  de  S.  Miguel,  fazer  certa  di- 
ligencia sobre  as  atafonas  que  o  Capitão  é  obriga- 
do a  fazer  em  Ponta  Delgada. 

Corregedor  António  de  Macedo,  nos  eliei  vos  enviamos  muito  sau- 


AUCHlVtl     DOS   AÇORES  í.t 

liar.  Aiiilre  o  Capilãu  da  illia  de  Sain  Migell  e  os  moradores  da  Ponta 
Delgada  ha  diferença  sobre  certas  atafonas  que  o  dito  Capitão  por  huas 
seiUenças  he  obrigado  de  as  dar  feitas  em  certo  tempo:  e  por  que  o 
dito  Capitão  diz  que  as  tem  feitas  e  os  ditos  moradores  di^em  que  as 
não  fez:  e  nós  (|ueremos  saber  o  certo  disto  por  vós,  vos  manda- 
mos (]ue  loguo  tanto  que  esta  virdes  se  na  dita  ilha  não  estiverdes 
vades  a  ella  e  vede  ha  sentença  que  por  ho  dito  Capitão  foi  dada  a- 
cer-qua  das  (htas  atafonas  e  asi  os  alvarás  do  mais  tempo  i\ue  lhe  de- 
mos alem  do  tempo  deciarado  na  dita  sentença,  que  vos  ho  dito  Ca- 
pitão mostrará,  e  assim  vede  as  ditas  atafonas  que  o  dito  Capitão  diz 
(|ue  tem  feitas  e  as  bestas  com  (jue  hão  de  moer  e  o  tempo  em  que  as 
aipiabou  e  fari-is  auto  de  tudo  em  que  decrarareis  o  tempo  que  as  a- 
cabou  e  assi  o  tempo  dos  dilos  alvarás  e  sentença  e  alem  dos  ditos 
autos,  nos  enviareis  por  vosa  carta  dizer  ho  que  ouvires  asserqua  dis- 
so, e  feito  no  lo  enviareis  com  ho  trelado  de  tudo  o  que  virdes  que  he 
nesseçario  para  sermos  certo  da  veidade  para  tudo  vermos  e  sobre  o 
caso  mandarmos  o  que  nos  bem  e  justiça  parecer,  e  isto  fareis  com 
os  escrivães  dante  vós  estando  eles  a  tudo  presente  e  dando  fé  do 
que  virem:  cumpri-o  hasi  com  toda  a  deligencia  por  que  cumpre  hasi 
a  nosso  serviço.  Feito  em  Lixboa  ho  primeiro  dia  de  .lulho,  André 
Pires  o  fez,  de  mil  e  b*^xxj  (lõ21)  anos. 

[L."  4."  de  Heqisto  da  Camará  de  Ponta  Delgada,  f.  S2.) 

A  péssima  e  ii-regulai-issima  letra  do  escrivão  Belchior  Roiz  dá  logar  a  du- 
vidas f|ae  se  indicaram  com  os  pontos  d"iiiterrogação. 


Carta  de  D.  João  III,  de  3  de  Março  de  1522.  permittindo 

se  desse  a  Agostinho  Imperial  o  traslado  d'uma 

Carta  de  D.  AíFonso  V,  a  favor  da  ilha  de 

S.  Mig-uel. 

Dom  Joam  por  graça  de  Deus  rei  de  Portugal aos  que  es- 
ta nossa  Carta  virem  fazemos  ha  saber  que  ha  nos  dise  Agostinho 
Imperial  que  a  ele  compria  e  era  nesesario  aver  da  nossa  Torre  do 
Tomijo  o  trellado  de  hum  previlegio  (|ue  foi  dado  á  Ilha  ú^  São  Mi- 
guel, pedindo-nos  por  mercê  que  lhe  manilassemos  dai'  nosso  Alvará 
para  lhe  ser  dada  a  mesma  nossa  caita  em  publica  forma:  e  nos  vis- 
to seu  reijuerimento  e  a  nesesidade  que  nos  afirmou  que  do  dito 
previlegio  linha,  nos  haprouve  a  velo  e  lhe  mandamos  dar  nosso  alva- 
rá por  nos  assinado  e  é  este  de  que  o  seu  teor  tal  he  :  =  Nos  KIrei 


4Í  ARGHIVO   DOS   AÇORES 

mandamos  a  vós  Hny  de  Pina  noso  croiiisla  [sic)  mór  e  guarda  moí- 
da nosa  Torre  do  Tombo,  ou  a  quem  voso  carego  tiver  que  deis  a  A- 
goslinlio  Impirial  ou  a  seu  serto  recado  o  Irelado  de  quaesquer  pre- 
vilegios  das  nossas  ilhas  dos  Asores  que  nos  requereo,  o  qual  lhe  da- 
reis assinado  por  nos  he  aselado  quom  o  selo  das  nosas  armas  para 
Fazer  emteira  lee,  cumpri-o  asi.  Feito  em  Lixboa  a  três  de  Marso.  Si- 
mão de  Melo  (?)  a  fez,  de  mil  quinhentos  vinte  dons. 

Ho  qual  alvará  foi  apresentado  a  Tomé  Lopes  noso  esprivani  da 
Camai'a  que  por  noso  mandado  tem  careguo  de  guarda  mór  do  dito 
Tombo  he  em  compiimento  delle  fez  buscar  em  o  dito  Tombo  ho  dito 
previlegio  por  Fernão  das  Naves  (?)  que  na  ausência  do  esprivam  do 
dito  Tombo  serve  o  dito  oficio,  que  ho  busquou  e  achou  em  ho  pri- 
meiro livro  das  Ilhas,  do  qual  o  teor  tal  he: 

Dom  AHonso  {scijua  cractawentfí  a  Carta  de  20  d  Abril  de  1447  qw 
foi  publicada  na  pag.  6  do  primeiro  volume  doeste  Archivo)  O  qual  pre- 
vilegio asi  achado  no  dito  livio  e  o  dito  Agostinho  Imperial  nos  pydio 
por  mercê  (pie  lhe  mandássemos  dar  o  trelado  delle  em  hua  nosa 
Carta,  poi'  canto  lhe  era  nesesario  e  se  entendia  dela  ajudar,  como  di- 
to he  tí  nós  a  seu  requerimento  querendo  lhe  fazer  graça  e  mercê  lhe 
mandanjos  dar  em  esla  nossa  Carta  hasi  e  pela  maneira  que  no  dito 
livro  ê  estante  e  como  esla  faz  mensão  e  asi  mandamos  que  lhe  dem  e 
facão  dar  tão  comprida  fê  como  ao  próprio  do  dito  livro  ()or  canto  foi 
com  elle  concertada  sem  duvida  nem  embarguo  algum  que  a  elo  po- 
nham. Dada  em  a  nosa  cidade  de  Lisboa  vinte  dias  de  Marso.  ielrei  o 

mandou, a  que  tem  careguo  de  Guarda  Mor  do  dito  Touíbo. 

Fernão  das  Naves  (?)  (jue  por  Bastião  Tomaz  esprivam  do  dito  Tondio 
a  fez.  ano  do  nacimento  de  noso  Sui'.  Jhu  Xp."  de  mil  (piinhentos  e 
vimle  dous.  Tome  Lopes  fez  este  trelado  que  treladou  de  hua  Cai  ta  de 
pergaminho  com  selo  pendente:  a  qual  estava  asinada  ao  pê  por  To- 
me Lopes  e  registada  na  chãoçalaria.  e  íiquou  a(]ui  este  Irelado  na 
(>amaia  desta  Villa  tirado  da  propia,  a  (piai  proi»ria  leva  Salvador  A." 
(Affonso)  (jue  vai  por  procurador  d'esta  ilha  a  Portugal  por  lhe  la 
sei'  nesesario  ao  que  vai  requerer. 

(L."  4."  d£  Registo  da  Camará  de  Ponta  Delgada,  foi .  101  verso. j 


Alvará  do  Bispo  do  Funchal,  nomeando  João  Pacheco, 
Visitador  das  Ilhas  dos  Açores.  1523. 

Dom  Diogo  Pinheiro  por  mercê  de  Deus  e  da  Santa  Madre  Igreja 
de  Roma  Bispo  do  Fumcball  e  Primaz  da  índia  do  Conselho  delrei 


AttCHIVO   DOS   AÇOHKS  45 

nosso  Suf.  e  seu  desembargador  do  pa^o  e  petições,  priol  de  Santa 
Maria  dOliveira  da  Villa  de  Guitnarães  d,\  a  (pianlos  esta  nossa  car- 
ia de  comissão  e  poderes  virem  saúde  em  Jesus  Clirislo,  fazemos  sa- 
bei' (|ue  confiando  nós  na  bondade  e  desciiçam  de  João  Pacbeco,  Ca- 
pHlIão  dElrei  nosso  Snr..  Vigaiio  e  Ouvidor  por  nós  na  Ilha  Terceira 
na  parte  dWmgra  (jne  nisto  o  faça  bem  como  cumpre  a  serviço  de  Deus 
e  nosso  e  por  bo  (jue  delle  conhecemos  no  carrego  que  de  nós  teve 
de  Vigário  Geral  nas  partes  da  Índia  onde  a  Deus  nosso  Snr.  e  a  nos 
fez  muito  serviço,  ho  fazemos  ora  nosso  Visitador  em  todas  as  Ilhas 
dos  Açoies  para  o  qual  lhe  cometemos  nossas  vezes  e  poderes,  e  que- 
remos que  nze  na  dita  visitação  assim  e  pella  maneiía  (|ue  nella  u- 
sou  Vasco  Afonso,  ipie  Deus  aja  no  tempo  que  por  nosso  mandado  vi- 
ziton  as  ditas  ilhas  |)or  que  assi  o  avemos  por  bem  e  descai  rego  de 
nossa  consciência  (jue  o  dito  João  Pacheco  ho  fará  na  maneira  que  dito 
he  no  espritual  e  temporal  e  por  esta  nossa  carta  encomendamos  e 
mandamos  a  todos  os  capitães,  corregedores,  ouvidores  e  vigários  e 
oficiais  nossos  e  pessoas  assi  ecresiasticas  como  seculares,  em  virtude 
de  hobidiencia  e  sob  pena  de  e.xcumunhão  que  obedeção  ao  dito  João 
l*acheco  e  o  conheçam  por  nosso  visitador  e  cumpram  seus  mandados 
om  todo  o  que  a  nós  locar,  por  quanto  asi  o  avemos  |)or  bem.  Ho 
(jnal  jurou  em  nossa  chancelaria  de  ho  fazer  bem  e  verdadeiramente 
sobre  o  qual  nós  encarregamos  sua  consciência  e  desencarregamos  a 
nossa.  Dado  em  ho  mosteiro  de  Sam  Bento  da  Paz  da  (lidade  de  Lis- 
boa sob  nosso  sinal  e  sello.  aos  xij  (12)  dias  do  mez  de  Fevereiro. 
Simão  Alveres  por  António  do  Canto,  ho  fez,  de  mil  b.''  xxiij  (1523). 

[L.^  4."  de  Retjido  da  Camará  de  P.  Delgada,  foi.  36  verso.) 


Alvará  de  2  de  Setembro  de  1524,  sobre  a  eleição  da  Ga- 
mara de  Ponta  Delgada. 

Eu  Ehei  fasso  saber  a  vos  Ruy  Gonçalves  da  Camará  Capitão  da 
minha  ilha  de  Sam  Migel.  que  eu  sam  enformado  que  os  ofeciais  da 
Villa  de  Pomta  Delguada  tem  hu  meu  alvará  para  que  elles  por  si. 
sem  o  Corregedor  nem  Capitão  possão  enleger  em  Camará  seis  bo- 
rnes bons  para  regimento  da  Villa,  e  por  ()ue  eu  não  hei  por  bem  (jue 
ahi  aja  hos  ditos  homes  |K)r  serem  lira(Jos  dalguns  lugares  de  meu 
Reino  bonde  os  avia,  vos  mando  que  não  consintais  que  se  a  dita  en- 
leição  fassa  dos  ditos  homes.  e  aos  ditos  ofeciais  ma!ido  histo  mesmo 
(|ue  ha  não  fassão:  somente  se   fará   enleissão   de   Juizes.   Vreadores. 


4(5  AKCHIVO   nos   AÇOHES 

Procuradores  dos  misteres  para  rei|nerereni  por  parte  do  povo  miú- 
do o  que  tofjuar  a  sua  justiça,  a  qual  euleissão  faram  segundo  for- 
ma das  minhas  liordenassões  com  lio  Corregedor  quando  hi  estiver 
ou  com  vosco  se  o  Corregedor  hi  não  estiver,  sem  embarguo  de  qual- 
quer provisão  que  tenhão  para  fazerem  .a  dita  enleissão  por  si  sem 
vos  nem  o  dito  corregedor  serdes  presentes,  e  vós  mandareis  pobri- 
car  este  aos  ofeciais  da  dita  Villa,  e  pôr  ho  trelado  delle  no  livro  da 
Camará  delia  |)ara  se  saber  como  ho  asi  tenho  mandado,  e  se  cum- 
prir enteiramente.  feito  em  Évora  a  dous  dias  de  Setembro,  Cosmo 
Roiz  ho  fez,  de  quinhentos  e  vinte  quatro. 

.\o  Capitão  da  ilha 
de  Sam  .Miguel    .... 

rL.°  4."  ãc  Rf'f)is(n  da  Ounara  (k  Ponta  Delgatia,  foi.  S7.  trasUuki- 
ila  por  Belchior  Hniz.  Escrirão  da  Camará,  rõnccrlada  com  Pêro  Ve- 
lho^ Tabclliani,  e  os  Juizci  f  Vareador  Fernão  do  Quintal.  Ah  aro  (  ?  ) 
Pirrs  f  fíuf/  Va:  (  ?  i 


Alvará  de  1  de  Setembro  de  1525.  para  se  dar  aposenta- 
doria a  António  Borg-es,  Contador. 

Cu  KIrei  mando  a  vos  Corregedoí".  vareadores  e  oticiais  das  mi- 
nhas Ilhas  dos  Assores.  que  em  «juamlo  .\ntonio  Borges,  Cavaleiro 
Fidalgo  de  minha  caza,  andar  nas  Ilhas  de  baixo.  (  *  )  servindo  de 
Qomladoí'  a  que  hora  vai,  lhe  prestareis  de  graça  camas,  pouzadas 
asi  como  se  deu  a  António  Riquo  e  a  Pêro  Leitão  que  lá  servirão  a 
(iita  Oomtadoria  e  embarquaçõis  e  todo  o  mais  que  lhe  for  necessário 
|)aguará  segundo  costume  e  estado  da  terra.  Notifico- vo-lo  ha  si.  Fei- 
to em  Tomar  ao  primeiro  dia  de  Setembro,  Vicente  Fernandes  o  fez, 
lo25  anos:  e  eu  .lorge  de  Figueiredo  o  fiz  e.screver.  O  qual  Alvará 
hera  asinado  por  eirei  nosso  Sr. 

(L."  4°  de  Rpf/isto  da  Camará  de  P.  DeU/ada,  foi.  41.) 

De  Autoiíio  Borii'L'.>í  já  áe  tratou  no  pi^iineiro  volumo  ifestc  Archiio,  jj.  116  o. 
2â8,  o  no  terreiro  vo|.  p.  .38,  41.  e  ii. 


I-)  Esta  designação  relere-.-ie  ao>  dois  grupos  eeutral  e  occiílental  dos  Aço- 
res, e  mostra  que  o  seu  uzo  é  (l'antiiia  data  einpreífado.  mesmo  nfficlalmHiite. 


AHCHIV(»    \n»  Atuiu. 


Carta  de  nomeação  de  Fr.  Marcos  de  Sampaio  para  Ouvi- 
dor de  S.  Mig-uel.  de  13  d'Oiitubro  de  1525,  pelo  Deão 
e  Cabido  da  Sé  Vaga  do  Funchal. 

.Mestre  .Niiiii)  Caiu  adayam  da  Sé  da  Cidade  do  Fiinclial.  piovisoi 
e  vignariu  jeral  e  as  deuidades,  coniguos,  cabido  da  dita  sé  a  ora  a- 
vaguamte;  a  quamlos  esta  nosa  carta  for  mostrada,  saúde  em  Jhas 
Xp.°  qne  de  todos  hé  verdadeira  salvação,  fazemos  sabei .  que  con- 
fiando nós  na  bondade  e  desquerição  de  Marquos  de  Sam  í^aio  vigua- 
rio  da  igreja  princi[tal  da  Villa  Fran(|ua  do  Campo  da  Ilha  de  Sam 
Miguel  que  lio  fará  bem  de  modo  como  compre  ao  serviço  de  Deus. 
ho  damos  hora  por  ouvidor  do  iclesiastirjuo  em  toda  a  dita  Ilha  de 
Sam  Miguel  asi  e  pela  maneira  que  ho  elle  dever  ser  e  como  foi  Frei 
Simão  Godinho  seu  amtessesor  e  isto  fará  bem.  por  quanto  eirei  noso 
Sni'.  he  disso  contente  segundo  ho  vimos  por  hua  caila  que  nos  es- 
preveo,  e  por  esta  mandamos  em  virtude  de  obediência  e  so  pena  de 
escominhão.  a  todollos  moradores  da  dita  Ilha  e  pessoas  eclesiasli- 
quas  como  seculares  e  ofeciaes  eclesiastiquos  (jue  lhe  obedesão  e  cum- 
prão  seus  mandados  e  do  seu  serviço,  outro  não.  Ho  que  confirmare- 
mos (sí^)  jurar  aos  santos  avangelhos  que  bem  e  verdadeiramente  sir- 
va ho  dito  oficio  guardando  ho  serviço  do  prellado  e  ás  partes  seu  di- 
reito segundo  has  instrncções:  em  testemunho  de  verdade,  lhe  man- 
damos dar  esta  nosa  carta.  Dada  na  Cidade  do  Funchal  aos  treze  dias 
do  mez  de  outubro  (?),  Francisco  Vieira  esprivão  ha  fez  de  mil  b'^xxb 
annos  {lò2ò]  E  pollo  adayam  estar  doente  assinou  por  elle  Vasco  Pi- 
res, tezoureiro,  que  tem  seus  cairegos.  em  n(jme  do  cabido.  Lucas  Al- 
vares proto-notario  e  chantre,  presentes  em  o  dito  Cabido,  e  vae  sel- 
lada  com  o  sello  delle.  Em  quanto  a  sé  for  vagua  dará  apellacam  e  a- 
gravo  para  este  Cabido  nos  cazosem  que  o  direito  outorgua. 

(/>."  4."  de  Registo  da  Camará  de  P.  Delgada,  foi.  40.) 

Esta  rarta  i^  aquella  a  que  se  refere  a  nota  6  de  pag.  65  do  Vol.  \l,  d'este 
Anhiro. 


Carta  de  provimento  de  Ayres  Pires  Cabral,  Corregedor 
dos  Açores,  de  28  de  Março  de  1531. 

Dom  Johão  por  graça  de  Deus  rei  de  Poitugal  à.'  faço  saber  a 
vós  meus  capitães,  ouvidores,  juizes,  vreadores  e  ofeciais.   fidalguos, 


Í8  ABCHIVO   DOS   AÇOUES 

cavalleiros.  escudeiros  e  povo  das  minhas  iltias  dos  Asores  e  a  (jiiais- 
(jiiei'  outros  ofeciais  e  pessoas  a  quem  esta  minha  carta  for  mostrada 
e  o  conhecimento  delia  com  direito  pertencer,  (jne  confiando  eii  das  le- 
tras e  siencia  do  Licenciado  Ayres  Pires  Cabral  avendo  respeito  aos 
servisos  que  delle  lenho  recebido  e  espero  receber  e  que  de  tudo  ho 
que  ho  encaregiiar  me  hade  servir  bem  e  fielmente  como  a  bem  de 
lie  justiça  e  meu  serviso'"con)prir,  querendo-lhe  fazer  graça  e  mercê 
tenlio  por  bem  e  ho  envio  hora  por  meu  Corregedor  ás  ditas  Ilhas  asi 
e  pela  guisa  e  maneira  que  ho  elle  dever  ser  e  ho  era  o  L.''"  Domin- 
guos  Guarcia  que  ho  dito  oficio  antes  delle  tinha,  com  ho  qual  a  verá 
de  mantimento  e  hordenado  em  cada  hum  anno  hoitenta  mil  reis  pa- 
gnos  ha  custa  de  minha  fazenda  e  porem  mando  aos  veadores  delia 
que  lhe  facão  assentar'  os  ditos  oitenta  mil  reis  nos  livr-os  da  dita  fa- 
zenda e  lhe  dêem  provisam  corno  delles  averá  em  cada  hum  anno  bom 
pagnamento:  e  mando  aos  ditos  capitais,  ouvidores,  juizes,  ofeciais  e 
pessoas  a  (jue  esta  minha  Carta  for  mostrada  e  ho  conhecimento  del- 
ia |)ertencer  qrre  hajais  daqui  em  diante  ho  dilo  L.*^"  Ayres  Pires  por- 
Corregedor'  drs  ditas  ilh.is  dos  Asoits  e  o  leixeis  servir  e  huzar'  do 
dilo  oficio  segundo  forma  de  seu  regimento  e  dos  poderes  e  alçada 
(jue  tinha  e  com  que  servia  ho  diU>  Dominguos  Guarxia  e  em  lod(j  lhe 
obedeçais  e  cumprais  seus  juizos  e  sentenças  segundo  forma  do  dito 
regimento  e  alçada  como  tfito  he  sem  a  ello  lhe  pordes  duvida  nem 
embargno  algum  por'  que  nssi  Ihi;  faço  do  dito  hoficio  merxê  na  ma- 
neira sobr'edila.  lio  qual  L.''"  Ayres  Pires  jrrrará  na  minha  chançalla- 
ria.  aos  santos  avangelhos  que  bem  e  direitamente  e  sem  rrenhuma  a- 
feição  sirva  e  huze  do  dito  oficio  guardando  em  lodo  ho  servisso  de 
Deus  e  meu  e  o  direito  das  parles.  Fernão  da  Costa  ha  fez  em  Pal- 
mella  a  xxiij  (.2?)  de  mar'ÇO>  ^nno  dd  nacimento  de  nosso  Sr.  .Ihus 
Xp.°  de  mil  i]uinhenlos  trinta  e  hum  ânuos.  A  qual  caria  em  per'ga- 
minho  era  assignada  por  eirei 

(L."  4."  (ie  Heyisto  dxi  Camará  á^  Ponta  Delgada,  foi.  õl.) 


Alvará  de  31  de  Julho  de  1532.  permittlndo  a  Gonçalo  do 
Reg-o,  Juiz  dos  Orphãos.  fazer-se  substituir. 

Couí^e  de  Linhares  primo  amigo,  segundo  voso  car^eguo  de  cham- 
xarel  mòr  do  rnestradij  de  nosso  Snr.  Xp.'"  Jesus  Chnsto)  temos  e 
ei  por  bem  que  Gonçalo  do  Reguo.  juiz  dos  orfaos  na  Villa  da  Pomla 
Delguada  ponha  por  si  pelo  tempo  de  dois  ânuos  somente  hiia  pessoa 
auta  ^apía]  que  por'  elle  sirva  ho  dito  otricio  de  juiz  dos  or^fãos  na  di- 


ARCHIVO    DOS    AÇORES  49 

la  Villa  e  seu  termo  a  qual  pessoa  que  hasi  pozer  amte  que  comese 
ha  servir  lio  dito  oficio  dará  fiaiiiça  á  vallia  delle  e  avera  juramento 
em  camará  que  bem  e  verdadeiramente  ho  sirva,  guardando  em  tudo 
meu  servisso  e  aos  orfaos  e  partes  seu  direito.  Feito  em  Lisboa  aos 
trimla  e  hum  dias  do  mez  de  Julho,  ho  Lic.*^"  Hieronymo  Luiz  o  fez, 
de  mil  e  quinhentos  trinta  dois  annos.  (assignado  por  eireij 

(L."  4.^  (k  Registo  da  Camará  de  P.  Delgada,  foi.  ô7.) 


Alvará  de  22  d' Agosto  de  1532,  concedendo  400  cruzados 
para  as  obras  da  Egreja  de  S.  Sebastião  de  Ponta 

Delgada. 

Eu  Elrei  fasso  saber  a  vos  Jorge  Nunes,  rendeiro  que  fostes  hos 
annos  passados  das  reradas  das  Ilhas  dos  Âssores,  que  eu  hei  por  bem 
fazer  esmolla  à  Yilla  da  Ponta  Delgada  da  Ilha  de  Sam  Migel  de  qua- 
tro sentos  cruzados  par.i  ajuda  das  obras  da  igreja  de  Sam  Çabastiam 
da  dita  Villa,  os  quais  lhe  hão  de  ser  paguos  em  quatro  annos,  cem 
cruzados  cada  hum  ano  de  que  ho  primeiro  pagamento  ade  ser  neste 
mez  de  setembro  do  ano  presente  de  quinhentos  e  trymta  e  dous  e 
asi  dahi  em  diante  em  cada  um  ano  até  serem  cumpridos  os  ditos  qua- 
tro anos,  e  por  que  eu  fasso  esta  esmolla  á  dita  Villa  com  tanto  que  ho 
povo  d"ella  guaste  nas  ditas  obras  mil  cruzados  por  cada  cem  cruzados 
d'estes  quatro  sentos,  serão  obrigados  os  Juizes  e  Vareadores,  Procu- 
radores e  Oííiciais  da  dita  Villa  de  mostrar  cada  ano  certidão  do  meu 
qomtador  das  ditas  Ilhas  e  do  Padre  Mestre  Afonso  de  Tolledo  de  co- 
mo ho  povo  guastou  os  ditos  mil  cruzados  pella  dita  maneira:  por 
quanto  hei  por  bem  que  elles  tomem  a  qamta  da  despesa  delias.  Eu 
vos  mando  que  do  dinheiro  que  sois  obriguado  paguar  do  derradeiro 
ano  de  vosso  arrendamento  deis  paguas  ao  Recebedor  das  ditas  obras 
elegido  pelos  ditos  juizes  e  oííiciais,  os  ditos  cem  cruzados  cada  ano 
por  ho  dito  tempo  de  quatro  anos;  mostrando  vós  de  cada  anno  ao 
tempo  que  lhe  ouverdes  de  fazer  este  pagamento  certidam  dos  ditos 
qomtador  e  mestre  Afonso  de  como  tomaram  (jomta  do  dinheiro 
que  o  povo  nas  ditas  obras  despendeo  e  acharão  ter  guastado  os 
(Jitos  mil  cruzados  por  cada  cem  cruzados  destes  quatrosentos,  como 
ilito  é.  E  por  esta  com  ha  dita  certidão  e  conhecimento  do  dito  Rece- 
bedor feito  pelo  escrivão  do  seu  careguo  e  asinado  por  ambos  em 
que  declarem  que  lhe  fiquão  os  ditos  quatrosentos  cruzados  carregua- 
dos  em  receita,  mando  a  Martim  Mendes  que  hora  tem  careguo  de 
Feitor  das  Ilhas  que  vollos  tome  em  qomta  e  paguamento  de  vos.»<o 

N."  19— Vol.  IV~I882.  7 


50  ARCHIVO  DOS  açorb:íí 

arrendamento,  e  hos  qomtadores  que  lhos  levem  em  despeza  ao  dito 
Feilur  sendo-Ihe  carreguada  em  receita.  Cumpri-o  hasi.  Manoel  da 
Costa  ho  fez,  em  Lisliooa  a  vimte  dous  d'aguosto  de  mil  e  quinhemtoí' 
e  trimla  e  dous  {1532.) 

lio  qual  alvará  trasladei  do  próprio  que  estava  assinado  por  Elrei 
nosso  Snr.  ao  pé  e  passado  pela  chancellaria. 

(L."  4°  de  Registo  da  Camará  de  Ponta  Delgada.,  foi.  57  verso, 
aonde  foi  trasladado  pelo  escrivão  Belchior  Roiz  e  assignado  pelos  Jui- 
zes, Amador  da  Costa  e  Lourenço  Mendes,  Manoel  de  Matos  de  Novaes 
vareador,  Ayres  Lobo,  Tabeliam,  em  1533.) 


Alvará  por  que  Elrei  mandou  dar  prata  para  a  Egreja  de 
S.  Sebastiam  de  Ponta  Delgada,  1532. 

Marlim  Mendes,  mando-vos  que  façais  logo  fazer  para  a  igreja  de 
Sam  Çabastiam  na  Villa  de  Ponta  Delgada  da  Ilha  de  5am  Migel  hum 
calliz  dourado  de  (juatro  marquos  de  prata,  e  um  Irybollo  (77mnÒM/o 
de  cinquo  marquos  e  meio  de  prata  e  hua  custodia  de  cinquo  mar- 
quos de  prata:  e  tanto  que  esta  prata  for  feita  a  entregareis  ao  Padre 
mestre  Afonso  de  Toledo  que  a  hade  levar  para  a  dita  igreja  e  por 
este  quonhecimento  e  assento  de  hum  dos  escrivãis  dessa  caza  do  que 
despender  na  dita  prata  e  feitio  delia  mando  aos  qomtadores  que  vos 
levem  em  qomta  e  o  que  nisso  montar.  Manoel  da  (^osta  o  fez,  em  Lis- 
boa a  vinte  de  julho  de  mil  e  quinhentos  e  trymta  e  dous.  Fernão 
d 'Alvares  ho  fez  escrever.  E  cobrareis  do  dito  mestre  Afonso  conhe- 
cimento razo  de  como  de  vos  recebeo  a  dita  prata  em  que  se  obri- 
gue de  vos  enviar  outro  em  forma  do  almoxarife  da  dita  Ilha  de  Sam 
Migel  de  como  lhe  fiqua  carreguado  em  receita  e  por  extenso  o  dito 
recibo  em  forma,  vos  será  levado  em  qomta. 

Para  Martim  Mendes  que  faça  logo  fazer  para  a  igreja  de  Sam  Ça- 
bastiam da  Ponta  Delgada  esta  prata  asima  decrarada  e  a  entregue 
ao  Padre  mestre  Afonso  de  Tolledo  e  que  com  seu  conhecimento  e 
assento  de  hum  dos  escrivãis  da  caza  lhe  seja  levada  em  qomta  o  que 
nisso  despender.  Ho  qual  allvara  eu  escrivão  trasladei  do  próprio  al- 
vará que  estava  assinado  ao  pe  por  Elrei  noso  Sn.*"  com  vista  do  Com- 
de  e  passado  pela  chancellaria  ....  e  o  sobscrevi  com  Amador  da 
Costa,  e  Lourenço  Mendes,  Juizes,  e  Manoel  de  Mattos,  Vareador,  eu 
Belchior  Roiz,  Escrivam  da  Camará,  em  1533. 

(jL."  5."  de  Registo  da  Cqmara  de  P.  Delgada,  foi.  59.) 


\RCHrVO  DOS  AÇORES  5< 

Traslado  de  um  conhecimento  de  Martim  Mendes,  Thesou- 

reiro.  1532. 


Veriade  que  o  P.®  Frey  AfTonso  mestre  nam  recebeo  do  Thesou- 
reiro  Martim  Mendes  os  dois  pontificaes  contheiídos  em  um  alvará  que 
fiqua  em  mão  de  Martim  Mendes  por  que  lhe  dá  outras  cousas  muitas 
que  se  no  dito  alvará  contem.  Foi  lhe  dado  este  para  lembrança  do 
dito  Thesoureiro  para  quando  lhos  der  se  romper  este.  Feito  hoje  o 
derradeiro  de  Setembro  de  532  {1532)  annos.  Ho  qual  conhecimento 
eslava  hassinado  por  Martim  Mendes  e  por  Belchior  Carvalho  e  foi 
corrido  e  concertado  com  os  ditos  Amador  da  Costa,  Juiz,  e  Manoel 
de  Mattos,  vereador,  e  Belchior  Roiz,  escrivam. 

(L."  é.""  do  Registo  da  Camará  de  P.  Delgada,  foi.  60.) 

O  P.'  mestre,  Frey  AtTotiso  de  Tolledo,  é  aquelle  que  Qgura  na  narrativa  de 
Fr.  Luiz  de  Sousa,  sobre  a  subversão  de  Villa  Franca  do  Campo,  pag.  271  do 
primeiro  volume  d'este  Archivo. 


Alvará  de  29  de  Julho  de  1534,  nomeando  o  Dr.  Francis- 
co Toscano,  Contador  em  S.  Miguel  e  Santa  Maria. 

Dom  Rodrigo  (?)  Loboo,  amiguo.  ei  por  bera  que  ho  Doutor  Fran- 
cisco Toscano  que  hora  envio  por  Corregedor  as  ilhas  dos  Asores  na 
repartisão  que  apartei  com  a  ilha  de  Sam  Migel  sirva  tão  bem  em 
oficio  de  quomtador  da  dita  repartisão  e  tenha  a  jurdisão  que  por 
meu  Regimento  tenho  dada  aos  comtadores  das  comarquas  do  qual 
lhe  será  dado  o  trellado  asinado  por  vos,  notifiquo-vo-lo  asi  e  mando 
que  lhe  deis  juramento  que  bem  e  verdadeiramente  sirva  ho  dito  oficio, 
guardando  em  todo  meu  servisso  e  ás  partes  seu  direito  e  por  este 
mando  ao  esprivão  e  offesiais  dos  qomtos  das  ditas  ilhas  que  fiquarem 
na  dita  repartisão  e  asi  aos  almoxarifes  (?)  e  recebedores  e  a  quais- 
ijuer  ofeciais  de  minha  fazenda  da  dita  qomtadoria,  que  ho  ajão  por 
qomtador  e  lhe  obedeção  e  comprão  em  todo  seus  mandados  que  ha 
o  dito  oficio  pertencerem  e  a  meu  servisso  comprão  sem  a  isso  ser  pos- 
to duvida  nem  embarguo  algum  por  que  hasi  o  ei  por  bem  e  nos  praz 
deste  se  faça  assento  de  como  lhe  foi  dado  juramento  por  vós;  este 
hei  por  bem  ()ue  se  guarde  posto  que  não  va   passado  pela  chansalla- 


02  ARGHIVO  DOS   AÇORES 

ria  sem  embargo  da  ordenação  em  contrario.  Dioguo  Lopes  ho  fez  em 
Évora  a  vinte  nove  de  Julho  de  mil  e  quinhentos  trinta  e  quatro.  Eu 
Damião  Dias  o  fiz  esprever. 

(/i.°  4."  dfi  Registo  da  Camará  de  Ponta  Delgada,  f.  67.^ 

A  4  dAgosto  seguinte,  prestou  juramento,  em  Lisboa,  perante  Dom  Rodri- 
go Lobo,  Vedor  da  Fazenda. 

A  11  de  Setembro  de  ISíH  estando  reunidos  em  Caniara,  os  Juizes  Gaspar 
Peidomo  e  Pêro  Pacheco,  os  Vareadores  Lourenço  Mendes  e  António  Lopes  e  o 
Procurador  do  Concelho  Pêro  Gonçalves,  se  apresentou  o  Dr.  Francisco  Toscano 
e  lhe  foi  entregue  a  vara  por  Avres  Pires  Cabral,  ex -corregedor. 

{No  dito  L."  4.0.  foi.  6-9.) 


Carta  de  D.  João  III,  separando  as  ilhas  de  S.  Miguel  e 

Santa  Maria  da  Correição  d'Angra,  e  nomeação  do 

Corregedor  o  Dr.  Francisco  Toscano,  em  2  d'A- 

gosto  de  1534. 

D.  João  &.''  Faço  sabei  a  vós  capitães.  Juizes.  Vereadores,  procu- 
radores, fidalgos,  cavalleiros.  escudeiros  e  povo  das  ilhas  de  S.  Mi- 
guel e  Santa  Maria,  que  eu  por  assitn  o  sentir  por  muito  meu  servi- 
ço para  que  has  cousas  de  justiça  sejam  adminisliadas  como  a  ellas 
convém,  e  com  aquella  presteza  e  diligencia  que  a  qualidade  delias  o 
requerem,  quiz  apartar  as  ditas  ilhas  da  correição  de  todas  as  ilhas 
dos  Açores  e  as  quiz  fazer  correição  por  si,  segundo  será  declarado 
na  provisão  que  vos  disso  será  apresentada:  e  por  confiar  do  Dr. 
Francisco  Toscano  que  em  todas  as  cousas  e  cargos  da  justiça  de  que 
o  encarregar  me  servirá  bem  e  como  até  aqui  tem  feito  nas  cousas 
de  que  o  tenho  encarregado,  por  lhe  fazer  graça  e  mercê,  o  envio  ó- 
ra  novamente  por  Corregedor  da  correição  das  ditas  ilhas  acima  no- 
meadas, o  qual  oíFicio  elle  servirá  segundo  forma  do  regimenlo  delle 
e  minhas  ordenações,  e  por  seis  mezes.  que  começarão  do  dia  que 
tomar  posse  do  dito  officio:  servirá  pelos  poderes,  alçadas  e  provisões 
que  tinham  por  onde  serviam  o  Lic.*^°  Ayres  Pires  Cabral.  Domingos 
Garcia  e  António  de  Macedo,  corregedores  de  todas  as  ditas  ilhas:  e 
passado  o  dito  tempo  servirá  pelas  que  lhe  eu  enviar,  e  com  o  dito  offi- 
cio haverá  de  seu  vencimento  e  ordenado  oitenla  mil  7s.  por  mmo,  pa- 
gos á  custa  de  minha  fazenda:  notifico- vol-o  assi  e  mando  a  todos  em  ge- 
ral e  a  cada  um  em  especial  que  hajaes  ao  dito  dr.  Francisco  Toscano 
por  corregedor  da  dita  correição  e  ilhas  acima  declaradas  como  dito  é,  e 
lhe  obedeçaes  em  todo  o  qne  vos  de  minha  parle  e  por  de  justiça   e 


ARCHIVO    DOS    AÇOKES  5.'{ 

meu  serviço  mandar,  e  cumpiaes  em  todo  seus  mandados,  [tiovisões 
e  sentenças,  e  saiais  com  elle  e  sem  elle  de  noite  e  de  dia  a  quaes- 
quer  horas  que  vol-o  elle  mandar  e  requerer  sob  as  penas  que  vos 
elle  pozer  as  qnaes  serão  executadas  nos  corpos  e  fazendas  daquelles 
que  assim  o  não  cumprirem  e  a  isso  nigligentes  forem,  e  alem  das- 
sim  as  ditas  penas  serem  executadas  tocaria  isso  com  outras  mais  se- 
gundo a  qualidade  do  caso  merecer,  e  mando  aos  Yeadores  de  minha 
fazenda,  que  lhe  mandem  assentar  os  ditos  oitenta  mil  rs.  nos  livros  del- 
ia para  lhe  serem  lançados  no  caderno  do  assentamento  das  ditas 
Ilhas:  e  mando  ao  almoxarife  ou  recebedores  da  dita  ilha  de  S.  Mi- 
guel, que  do  dia  que  o  dito  Dr.  Francisco  Toscano  tomar  a  posse  do 
dito  officio  em  diante  lhe  dêem  e  paguem  os  ditos  SOj^OOO  rs.  em  ca- 
da um  anno  aos  (juarteis  delle  por  inteiro,  e  sem  quebra  alguma,  pos- 
to que  ahi  haja.  e  posto  que  lhe  não  seja  enviado  o  caderno  do  dito 
assentamento,  e  por  esta  e  tão  somente  sem  tirar  outro  e  sem  em- 
bargo de  minha  fazenda,  e  por  traslado  delle.  e  com  seu  conhecimen- 
to mando  a  meus  contadores  que  lancem  em  conta  ao  dito  almoxarife 
ou  recebedores,  o  que  lhe  assim  pagar,  o  qual  Doutor  Francisco  Tos- 
cano juraiá  em  minha  chancellaria  aos  santos  evangelhos  que  bem  e 
direitamente,  e  como  deve,  sirva  e  uze  do  dito  officio  guardando  mui 
inteiramente  meu  serviço  e  o  direito  das  partes.  Reymão  da  Costa  a 
fez  em  Évora  a  dom  d' Agosto,  anno  do  nascimento  de  Nosso  Senhoi- 
Jesus  Christo  de  1534  ânuos. 

(L."  4.°  de  Registo  da  Gamara  de  Ponta  Delgada,  foi.  t)2.) 


Alvará  de  3  cfAg-osto  de  1534  (a  que  se  refere  o  Docu- 
mento anterior.) 

Eu  eirei  fasso  saber  a  vos  Capitães.  Juizes,  Vereadores,  e  povo  das 
Ilhas  de  são  Miguel  e  Santa  Maria  que  por  se  ver  que  a  correisão  de 
todas  as  Ilhas  dos  Asores  era  tal  que  hasi  por  causa  do  mai-  que 
«muitas  vezes  a  isso  não  dava  luguar.  como  por  ser  mui  grande  para 
hum  soo  Corregedor,  e  elle  por  as  ditas  causas  hi  não  podia  admenis- 
trar  as  cousas  da  justiça  em  todas  as  dilas  Ilhas  dos  Asores  como  a 
cada  hfia  eia  nesesario.  posto  que  nisso  pozesse  toda  a  deligencia, 
por  que  poi  estarem  tam  allongadas  huas  das  outras,  quando  o  dito 
Corregtdoí'  acodia  a  umas  ho  não  podia  fazer  ás  outras,  que  delia  ti- 
nhão  muita  nesecidade.  asi  por  os  ditos  respeitos,  como  por  outros 
muitos,  que  para  isso  ouve  de  muito  meu  servisso  e  bem  das  jus- 
tiças e  para  que  a  todos  melhor  se  possa    admenistiar.    quiz   apartai 


54  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

as  ditas  l.has  acima  nomeadas  em  huma  sò  correisam  por  si  e  eo- 
caregiiei  de  Corregedor  delias  ao  Doutor  Francisco  Toscano  por  confiar 
delle  que  nisso  e  em  todo  o  de  que  ho  encareguar  me  servira  bem  e 
como  ho  tem  feito  nas  outras  cousas  e  careguos  de  justiça  de  que  ho 
te  ora  foi  encareguado  e  me  sérvio,  ho  qual  Doutor  Francisco  Tosca- 
no servira  ho  dito  oííicio  segundo  forma  da  Carta  que  de  mim  leva 
e  comprirá  ho  regimento  que  hao  dito  oílicio  he  dado,  e  minhas  or- 
denações inteiramente,  e  por  (seis)  mezes  que  comesarão  do  dia  que 
tomar  posse  do  dito  officio  em  diante:  huzará  do  poder  e  aisada  e  das 
outras  provisões  que  tinham  e  huzavam  o  L.**"  Ayres  Pires  Cabral  e 
Dominguos  Guarcia  e  António  de  Macedo  que  às  ditas  ilhas  foram  por 
Corregedores:  notifiquo  vollo  asi  a  todos  em  geral  e  a  cada  um  de  vos 
em  especial,  para  que  saibais  o  que  hacerqua  diso  tenho  ordenado  e 
daqui  em  diante  ajais  o  dito  Doutor  Francisco  Toscano  por  Corregedor 
na  dita  Correisão  e  ilhas  aqui  nomeadas  e  lhe  obedesais  em  todo  que 
o  dito  oficio  toquar  segundo  forma  de  sua  carta  e  provisõis  e  outras 
que  hapresenlará,  tamlo  que  lhe  forem  enviadas  e  asi  segundo  forma 
(lo  dito  Regimento  e  minhas  ordenaçõis  e  por  quanto  pelos  ditos  res- 
peitos e  outros  motivos  o  ei  asi  por  bem  de  meu  servisso;  esta  man- 
dareis trelladar  nos  livros  das  camarás  de  cada  uma  das  ditas  Ilhas  pa- 
ra estar  por  lembransa  e  se  saber  o  que  ha  cerqua  disso  tenho  man- 
dado e  ao  dito  Corregedor  dareis  e  fareis  dar  sua  aposentadoria  e 
cazas  e  camas  de  ipie  para  elle  e  para  os  oíleciais  da  dila  coreição,  se- 
gundo forma  do  Regimento  daposentadoria  e  como  se  deu  aos  ou- 
tros Corregedores  passados,  por  (jue  asi  ho  ei  por  bem.  Reiraão  da 
Costa  ho  fez,  em  Évora  a  três  dagosto  de  mil  quinhentos  Irimta  e  qua- 
tro. 

(L."  4.°  de  Registo  da  Carnara  de  Ponta  Delgada,  foi.  60.) 


Provisão  sobre  o  peso  do  Pastel,  de  8  de  Setembro  de 

1535. 

Acerqua  do  pezo  para  o  pastel,  sobre  quevos  esprevi  que  vos  en- 
formaseis  das  camarás  dessa  ilha,  quão  proveitoso  seria  para  booa  a- 
recadação  de  minhas  rendas,  e  vos  emformastes  segundo  vi  pella  di- 
la  carta  que  me  asim  esprevestes  e  achastes  que  não  era  nesseçario 
a  ver  peso,  mas  ei  por  bem  que  se  faça  acerqua  do  dito  pastel  como 
se  até  qui  fez,  vista  a  emformação. 

Este  apontammto  foi  trasladado  do  próprio  que  apresentou  o   Dr. 


AlíCHlVO  DOS   AÇOKES  55 

Francisco  Toscano,  junto  com  outros  que  reccbeo  feitos  em  Évora  aos 
8  de  Setembro  de  lõ3õ,  pelo  escrivão  da  Camará,  Belchior  Roiz,  e  con- 
certado com  Gaspar  Roiz  Vareador. 

(L."  4.*^  de  Registo  da  Camará  de  P.  Delgada,  foi.  69.) 


Capitulo  de  uma  Carta  regia  acerca  do  talho  da  Carne, 

1536. 

.  .  .  .  Asi  vos  sprevi  que  essas  villas  sobreditas  com  a  da  Ribeira 
Grande  nie  enviarão  pedir  lisemça  para  se  cortar  a  carne  a  quatro 
rs.  o  aratel  como  tinha  concedido  a  essa  villa  de  Pomta  Delguada  por 
que  por  bem  do  Regimento  se  não  podia  cortar  mais  que  a  três  rs. 
que  por  essa  causa  corrião  os  guados  a  essa  villa,  e  elles  carecião  de 
carne;  vos  mandei  que  hos  ouviseis  todos  com  hos  da  Pomta  Delgua- 
da e  soubésseis  o  prejuízo  que  disso  poderia  receber  a  dita  villa,  e 
fizésseis  ajuntar  e  tomásseis  enformaçam  de  todos  e  que  os  dessa  vil- 
la de  Pomta  Delguada  dizem  que  por  ser  grande  e  nella  aver  mais 
jente  que  em  todas  as  oulras  villas  e  por  os  carregadores  a  maior 
parte  do  anuo  estarem  nella  e  hi  se  fazer  a  carregaçam  dos  pasteis 
e  os  guados  se  criarem  nas  outras  villas  mais  que  nessa  por  ser  cai- 
ze  toda  a  terra  delia  aproveitada  de  pastel  e  terras  de  pam,  para  que 
ella  aja  provisão  e  as  carnes  se  traguão  a  ella,  tem  nesecidade  de 
cortarem  mais  um  real  por  aratel  que  as  outras  villas  por  que  se  ho 
não  tiverem  não  virão  os  guados  a  ella:  e  as  mais  villas  dizem  que 
por  o  presso  ser  ahi  maior  e  ellas  crião  os  guados  e  os  não  comem 
por  se  todos  hirem  a  essa  villa  de  Pomta  Delguada,  e  vos  parece  que 
por  todas  estas  razões  nas  ditas  villas  se  devia  cortar  a  dita  carne  a 
três  rs.  e  meio  o  aratel;  e  avendo  respeito  ás  razões  que  asi  alegão, 
o  ei  asi  por  bem,  em  quamto  eu  não  mandar  o  comtrario.  João  Roiz 
a  fez.  Évora  a  vinte  nove  dias  de  maio  de  mil  e  quinhentos  trinta  seis. 

Trasladado  da  própria  enviada  ao  Dr.  Francisco  Toscano,  e  concer- 
tada com  Duarte  Ferreira,  Tabelliam,  em  <539. 

(L.°  4.''  de  Registo  da  Camará  de  P.  Delgada,  foi,  83  verso.) 


56  ARCHIVO   DOS   ACOHES 


Carta  de  provimento  do  Dr.  Manoel  Alvares  para  servir 

de  Corregedor  em  S.  Mig-nel  e  Santa  Maria,  de  3  de 

Novembro  de  1539. 

Dom  João  por  graça  de  Deus  rei  de  Portugal  A/'  ....  faço  saber 
a  vós  m«íu  capitão,  juizes  e  ofeciais.  fidalguos,  cavalleiros,  escudeiros, 
e  povo  das  miuhas  ilhas  de  Sam  Migel  e  Santa  Maria  que  por  eu  con- 
fiar do  Doutor  Vlanoel  Alvares  que  has  cousas  da  justiça  fará  asi  bem 
e  direitamente  e  como  deve  e  cumpre  a  servisso  de  Deus  e  meu  e 
a  bom  despacho  das  parles  o  envio  a  essas  ilhas  por  Corregedor  asi 
e  como  ho  elle  deve  ser  e  com  hos  poderes  e  alçada  que  de  mi  leva: 
e  porem  vollo  notefiquo  asi  e  mando  a  todos  em  geral  e  cada  um  em 
especial  e  asi  a  quaesquer  outros  ofeciais  e  pessoas  a  que  esta  mi- 
nha Carla  for  mostrada  e  o  conhecimento  delia  pertenser  que  ajais 
ao  dito  Doutor  por  Corregedor  d^s  ditas  Ilhas  e  lhe  obedeçais  e  em  to- 
do comprais  seus  mandados,  juisos  e  sentenças,  saiaes  com  elle  e  sem 
ele  ãs  oras  i|ue  vo-;  elle  da  minha  parte  mandar  asi  de  noite  como 
de  dia  sem  nisso  poerdes  duvida  nem  outro  nenhum  embargno  e  sob 
as  penas  que  elle  pozer:  pelo  que  hasi  o  ei  por  bRm  de  justiça  e  meu 
serviço,  com  ho  qual  careguo  aviara  o  mantimento  (jue  lhe  por  outra 
minha  (^arta,  que  tirará  de  minha  fazenda,  será  decrarado:  o  qual 
Doutor  Manoel  .\lvares  jurará  na  minha  chansellaria  aos  santos  a- 
vanjelhos  ijne  bem  e  direitamente  sirva  ho  ilo  oficio,  guardando 
em  todo  ho  serviç)  de  Deus  e  meu  e  o  direito  das  partes.  João  Roiz 
a  fez  em  Lixboa  a  três  dias  de  novembro  de  mil  quinhentos  e  trinta 
nove:  Sebastião  da  Costa  a  subscrevi. 

Ao  Doutor  Manoel 
Alvares  (Corregedor 
das  ilhas  de  S.  Migel 
e  Santa  Maria. 

1  L.*  4."  ih'  Hfffisfo  da  Camira  (^  Ponta  Ddyafki,  foi.  !^0.  > 

Prestou  juramento  o  mesmo  Doutor  Manoel  Alvares  em  Lisboa  a  5  de  Fe- 
vei-elro  de  1540  na  Relação,  perante  o  Regedor;  e  toinou  posse  em  Ponta  Delga- 
da a  â4  de  .VIaio  de  1340  tendo  ileseinbircado  a  âl  (1'este  inez  e  aposentado-se 
na  caza  de  Gaspar  Ferreira. 

(Dito  L."  4."  de  Registo,  foi.  91  e  m.) 


ARCHIVO  DOS   AÇORES  57 

Alvará  de  lembrança  do  Infante  D.  Luiz,  para  tomar  por 

Cavalleiro  de  sua  casa  António  Alvares,  morador  em 

S.  Miguel,  de  18  de  Novembro  de  1540. 

Eu  Ifante  Dom  Luiz  á.'^  faço  saber  a  vós  André  Alvares  de  Mene- 
zes (?)  meu  Mordomo  raór,  que  eu  filho  ora  novamente  por  cavalleiro 
de  minha  naza  agousenlado  a  António  Alvares  morador  na  Ilha  de  Sam 
Migel  o  qual  será  hasenla  lo  em  meus  livros  para  me  dele  servir 
quand(j  me  nesseçario  for  seu  serviço  e  entam  lhe  farei  aquella  mer- 
cê que  me  bem  parecer  e  por  esta  roguo  e  encomendo  aos  Correge- 
dores, Juizes  e  Justiças  d'elrei  meu  Snr.  que  sempre  pelo  meu  o  fa- 
voreção  e  lhe  guardem  seus  prevelegios  e  liberdades  hasi  como  os 
guardam  aos  outros  cavalleiros  de  minha  casa  e  para  sua  guarda  e 
minha  lembrança  lhe  mandei  dar  esle  meu  alvará.  Feito  em  Lixboa 
aos  desoito  dias  do  raez  (ie  Novembro,  Lourenço  f?j  Melo  (?)  a  fez, 
de  mil  e  quinhentos  quarenta  ^na)s.  Assiqnado  pelo  Infante  e  visto 
por  André  Alvares.  Trasladado  do  próprio  a  vinte  de  Maio  de  1541, 
por  Belchior  Roiz,  no  L.°  4.'^  de  Registo  da  Camará  de  P.  Delgada,  foi. 
.98   verso. 


Carta  de  provimento  do  Licenciado  Gaspar  Touro,  para 
servir  de  Correg-edor  nos   Açores,  de  17  de  Julho 

de  1543. 

D.  Johão  por  graça  de  Deus  rei  de  Portugal Faço  saber  a 

vos  Juizes,  Vereadores,  Procuradores  e  quaisquer  outros  ofeciais,  fidal- 
guos,  cavalleiros.  escudeiros  e  povo  das  correições  d  "Angra  e  da  Ilha 
de  Sam  Miguel  e  de  todallas  outras  villas  e  loguares  das  ditas  ilhas, 
que  por  confiar  do  L.*^"  Gaspar  Touro  que  nos  careguos  e  cousas  da 
justiça  de  que  ho  encareguar  me  servira  bem  e  fielmente  e  aminislra- 
rá  a  justiça  ás  partes  como  até  qui  tem  feito  nos  careguos  de  que  ho 
tenho  encareguado,  ho  envio  hora  por  Corregedor  das  ditas  Ilhas  e 
logares  delias,  ho  qual  oficio  elle  servira  segundo  forma  de  seu  regi- 
mento e  de  minhas  ordenações  e  alem  disso  huzará  do  regimento, 
poderes  e  alçada  que  de  mi  leva,  noteficovolo  hasi  e  mando  a  todos 
emjeral  e  a  cada  hum  de  vos  em  especial  que  o  ajais  por  Corregedor 
das  ditas  Ilhas  e  lhe  obedesais  e  comprais  suas  sentenças  e  manda- 
dos em  todo  o  que  ele  por  meu  serviço  e  bem  da  justiça  vos  mandar 
saindo  qom  elle  e  sem  elle,  de  dia  e  de  noite,  a  cavalo  ou  a  pé  a 
quaisquer  horas  e  da  maneira  que  vos  elle  mandar  sob  as  penas  que 
vos  poser  que  dará  á  enxuquasão  {e^xecução)  naquelles  que  nellas  en- 
corerem  segundo  forma  do  Regimento  e  de  sua  alçada  e  alem  disso 
lhe  será  dada  outra  qualqu^^r  pena  «jue  por  direito  merecer  segundo 

N.°  19— Vol.  IV— 1882  8 


58  ARCHiyO  DOS  AÇORES 

a  calidade  do  caso  for.  qom  ho  qual  oficio  ho  dilo  L.*^"  avera  aquelle 
manlimenlo  que  lhe  por  outra  minha  Carta,  que  tirar  de  minha  fazenda, 
será  decrarado.  Ho  qual  L.*^°  jurará  aos  santos  avanjelhos  na  minha 
chasellaria  que  bem,  verdadeira  e  fielmente  sirva  o  dito  oficio  guardan- 
do enteiramente  meu  servisso,  e  à  partes  seu  direito.  António  Amri- 
ques  a  fez  em  Sintra  ha  desasete  dias  de  Julho  de  mil  e  quinhentos 
qorenta  e  trez.  Bastiam  d.)  Costa  ha  fez  sprever. 

(L."  4."  lie  Registo  da  Camará  de  P.  Delgada,  foi.  108  veiso.) 

O  mesmo  Lie."*"  Gaspar  Touro  foi  provido  no  cargo  de  Contador  da  Fazenda 
n'aquellas  ilhas  ou  togares,  em  que  não  houvessem  conladores,  por  carta  de  21 
de  Julho  de  1543,  registada  no  dito  Livro  a  folhas  117. 


Alvará  de  29  de  Janeiro  de  154:3,  sobre  a  cultura  do  Pas- 
tel na  Ilha  de  S.  Miguel. 

Eu  eirei  fasso  saber  a  vós  doutoi  Manoel  Alvares  Corregedor  e 
Contador  da  Ilha  de  Sani  Migel  e  a  outros  quaes  quer  meus  ofeciais 
e  pessoas  a  quem  o  conhecimento  desto  pertenser.  que  Lourenço  Vaz 
Lialdador  dos  Pasteis  dessa  Ilha  deu  ora  uns  apontamentos  em  minha 
fazenda  feitos  por  elle.  amtre  o^  quais  se  dizia  que  pelo  Regimento 
que  he  feito  sobre  o  apanhar  do  pastel  da  dita  Ilha  era  ordenado 
darem-se  cada  anno  três  apanhaduras,  e  em  alguas  terras  quatro  sen- 
do nesseçario  por  causa  do  visso  do  dito  pastel  darem-se  em  loda^ 
as  terras  quatro  apanhaduras  por  que  fazendo-se  asi  seria  muito  me- 
lhor e  com  mais  proveito.  Os  quaes  apontamentos  forão  vistos  na  di- 
ta fazenda  e  o  dito  Lourenço  Vaz  e  outros  ofeciais  que  já  estiverão  na 
dita  Ilha  ouvidos  ácerqua  disso  e  com  mais  emformação  que  se  to- 
mou do  casso  de  todo  foi  dada  razão  pelo  Barão  dAlvito,  Vedor  da 
minha  fazenda,  por  isso  que  bonde  ho  dito  Regimento  diz  que  em  cer- 
tas terras  nelle  nomeadas  e  outras  semelhamtes  se  dem  quatro  apa- 
nhaduras. que  em  quaisquer  outras  e  segundo  o  tempo  for  e  o  pastel 
estevesse  maduro  se  dem  as  ditas  quatro  apanhaduras  cada  anno,  sen- 
do asi  neseçario;  e  visto  por  o  dito  Lourenço  Vaz  e  pelos  mais  Lial- 
dadores,  pelo  qual  ei  por  bem  e  mando  que  daqui  em  diamte  se  fassa 
asi  como  aqui  he  praticado  e  se  dem  as  ditas  quatro  apanhaduras  na 
maneira  que  dito  he. 

Em  outro  apontamento  dizia  que  no  granar  dos  ditos  pasteis  que 
fazem  nessa  Ilha  se  não  guarda  a  Regimento:  acerqua  disso  enformado 
pella  qual  rezão  se  não  fazem  da  perfeiçam  que  devem  ser.  e  queren- 
do a  ello  prover  ei  por  bem  e  mando  que  daqui  em  diamte  o  dito 


ARGHIVO   DOS  AÇOHES  39 

Regimento  se  lea  em  Gamara  aos  lavradores  e  lealdadores,  os  quais 
serão  para  isso  chamados  para  se  comprir  como  nelle  he  coQteudo. 
Esta  Provisão  se  registará  no  Livro  dos  comtos  d'essa  Ilha  e  asi  nos 
Livros  das  Gamaras  delia,  para  se  saber  como  asi  ho  tenho  mandado, 
se  comprirà  posto  que  não  pase  pella  chansellaria,  sem  embarguo  da 
ordenaçam  em  contrario.  Luiz  (?)  Fernandes  o  fez  em  Almeirim  a 
vinte  nove  dias  de  Janeiro  de  mil  e  quinhentos  e  quorenta  e  três. 

Para  ò  Gontador  da  Ilha 
de  Sam  Mi  gel. 

íassinado  por  KIrei,  com  vista  do  Barão.) 

( Trasladado  no  L.'  4.°  de  Registo  da  Camará  de  Ponta  Delgada  foi. 
123  verso,  pelo  sen  Escrivão  Belchior  Roiz,  consertado  com  o  Vareador 
Manoel  Vaz  Pacheco  e  com  o  Tabellião  Fernando  Affonso,  aos  17  de  Ju- 
lho de  154Õ.) 


Alvará  de  30  de  Julho  de  154:7,   nomeando  o  Lic.*^"  Gon- 
çalo Nunes  d' Ares,  para  Contador  da  Fazenda  em  S. 
Miguel  e  Santa  Maria. 

Eu  elrei  fasso  saber  a  vos  corregedor,  ouvidor,  juizes,  vereadores 
e  ofeciais  das  Ilhas  dos  Asores  a  quem  o  conhecimento  desta  perten- 
cer, que  eu  mando  á  comarqua  da  ilha  de  São  Migel  e  Santa  Maria 
por  qomtador  de  minha  fazenda  ao  L.'*"  Gonçalo  Nunes  d'Ares,  pelo 
qual  vos  mando  a  todos  em  geral  e  a  cada  hum  em  espesial  que  em 
quanto  elle  servir  o  dito  careguo  de  qomtador  lhe  dareis  e  fareis 
dar  pousadas  e  camas,  estrebarias  para  elle  e  para  os  seus,  de  graça, 
e  mantimentos,  navios,  barquos  e  bateis,  bestas  e  todo  o  mais  que  lhe 
comprir  vos  ele  requerer  por  seu  dinheiro,  que  paguara  pelo  estado 
da  terra,  o  que  huas  e  outras  asi  comprireis  sob  pena  de  dez  cruzados 
a  metade  para  os  cativos  e  a  outra  metade  para  quem  no  acusar:  os 
quaes  mando  que  loguo  se  dem  á  execução  e  este  meu  alvará  se 
cumpra  posto  que  he  feito  depois  de  um  anno  e  não  va  passado  pe- 
la chasellaria,  sem  embarguo  da  ordenação  que  despoe  em  contrario. 
Jorgeannes  (?)  de  Freitas  o  fez  em  hos  trimta  dias  do  mez  de  julho 
do  anno  de  mil  quinhentos  e  qorenta  e  sete  annos. 

{L.°  4.°  de  Registo  da  Camará  de  P.  Delgada,  foi  1S8  verso.) 


COLLECCÃO  DE  DOCUMENTOS 


RELATIVOS   ÁS   ILHAS    DOS  AÇORES 

( Eitrahidos  do  ArctuTo  Nacional  da  Torre  do  Tombo  1 


Petição  da  Gamara  de  Ponta  Delgada  e  Alvará  de  15  de 
Maio  de  1551  para  conservação  do  cano  d'ag'oa. 

Eu  el  Rey  faço  saber  a  quaintos  este  meu  alvará  virem  que  os  Jui- 
zes, Vereadores  e  procurador  da  cidade  de.Pomta  Delgada  da  Ilha  de 
Sam  Mygel  me  fizeram  a  petiçam  de  que  ho  theor  he  ho  seguinte:== 
«Dizem  os  Juizes,  Vereadores  e  procurador  da  cidade  da  Pomla  Delga- 
da que  à  dita  cidade  vem  huu  cano  de  augoa  de  que  toda  a  gemte 
dela  se  mãotem  e  de  que  tem  muyta  necesidade  por  não  terem  outra 
e  o  cano  per  omde  vem  foy  feyto  com  muyta  despesa  e  alguas  pesoas 
muytas  vezes  de  noyte  escomdidamente  quebram  o  dito  cano  pêra 
tornarem  augoa  pêra  omde  querem  e  não  tem  de  ver  com  as  penas 
pecuniárias  que  se  põem  pelos  acordos  da  cidade  e  tãobem  quamdo 
por  yso  os  demamda  o  procurador  do  concelho  vem  com  sospeyções 
aos  Juizes  e  dilatão  as  causas  e  como  quer  que  sam  demandas  do 
concelho  nunqua  hão  fim  e  quebrara  o  dito  cano  e  dão  muyta  perda 
à  cidade:  pedem  a  V.  A.  aja  por  bem  pasar  hua  provisão  em  que  po- 
nha algua  pena  crime  a  quem  quebrar  o  dito  cano  e  mande  aos  Jui- 
zes que  tirem  Inquiriçam  sobre  yso  de  seu  oficio  semdolhe  nomeadas 
testimunhas  por  parte  do  comcelho  e  proceda  a  prisam  contra  os  que 
achar  culpados  e  declarão  que  são  postos  de  pena  per  acordo  da  Ca- 
mará quynhentos  reis  da  cadêa.» 

E  vista  a  dita  petiçam,  avemdo  respeito  ao  que  nela  os  ditos  Jui- 
zes, Vereadores  e  procurador  dizem,  ey  por  bem  e  mamdo  que  qual- 
quer pessoa  a  que  for  provado  que  quebrou  o  cano  de  que  na  dita 
pytiçam  se  faz  memção  pague  pola  primeira  vez  mill  reis  e  pola  se- 


ARGHiVO   DOS   AÇORES  61 

gunda  vez  pagará  deus  mill  reis  e  pela  terceira  vez  pagará  dons  mil! 
reis  e  seja  degradado  hum  ano  fora  da  cidade  e  seu  termo  as  quaes 
penas  pagara  da  cadea  a  metade  pêra  quem  no  acusar  e  a  outra  a- 
metade  para  as  obras  do  dito  cano,  e  nellas  entrara  e  se  entendei  a  a 
pena  dos  b*^  {500)  rs.  do  acordo  da  camará:  e  mamdo  aos  Juizes  da 
dita  cidade  que  o  façam  asy  apregoar  pêra  ser  a  todos  notório  e  não 
poderem  alegar  inoramcia  e  ey  por  bem  que  quando  quer  que  lhe  for 
requerido  ou  denunciado  pelo  procurador  da  dita  cidade  ou  per  qual- 
quer outra  pessoa  do  povo  dizemdolhe  que  o  dito  cano  fíby  quebrado 
o  vam  ver  e  facão  diso  auto  com  hum  laballiam  e  perguntem  atee 
seis  testemunhas  que  lhe  forem  nomeadas  ou  tiverem  por  enformação 
que  do  dito  caso  sabem  parte  e  achamdo  algOa  pessoa  culpada  a  prem- 
dão  e  procedam  no  caso  sumariamente  ate  final  semtemça  sem  dela  a- 
ver  apelação  nem  agravo  e  este  alvará  se  registará  no  livro  da  Cama- 
rá da  dita  cidade,  o  qual  ey  por  bem  que  tenha  força  e  vygor  como 
que  fose  carta  pasada  em  meu  nome  sem  embargo  da  ordenação  do 
livro  2.°  titolo  XX  {20)  que  despoem  que  as  cousas  cujo  efeyto  ouver 
de  (Jurar  mais  de  hum  anno  pasem  per  cartas  e  não  per  alvaraas.  O 
doctor  João  de  Barros  o  fez.  em  Almeirim  aos  xb  [lõ)  dias  do  mez 
de  mayodejb^  e  Lj  anos  (^õí5i).=-Conficertada  João  da  Costa. ^Ccm- 
certada.  Pêro  dOliveira.^Pero  Gomes. 

{Arch.  rtac.  da  T.  do  7..  Liv."  4.°  dos  PrivU.  de  D.JoãolJl,  /.  82  r.°. ! 

A  foi.  16  V."  do  mesmo  Livro  se  encoDtra  outro  alvará  sobre  o  mesmo  as- 
sumpto feito  pelo  mesmo  Dr.  João  de  Barros,  em  Lisboa  a  10  de  julho  de  1549, 
dispondo  quasi  o  mesmo  com  a  differença  de  que  a  pena  imposta  era  por  cada 
vez  que  fosse  provado  o  crime  a  qualquer  pagasse  mil  reis  da  cadea.  metade 
para  o  concelho  e  a  outra  metade  para  os  captivos. 

{Nota  do  Sr.  J.  I.  de  Brito  Rebello.. 


Alvará  de  23  de  Maio  de  1551,  a  favor  de  Gaspar  do  Re- 
go Baldaya. 

Eu  el  Rey  faço  saber  a  quamtos  este  oieu  alvará  virem  que  por 
allguns  justos  respeitos  que  me  a  iso  movem  ey  por  bem  e  me  praaz 
que  Manuel  da  Camará  do  meu  conselho  e  capitão  da  Ilha  de  São  Mi- 
guel nem  o  seu  ouvidor  da  dita  Ilha  que  ora  hee  e  ao  diamte  for  não 
emtemda  em  cousa  allguua  de  justiça  que  tocar  a  Gaspar  do  Regno 
Balldaya.  cavaleiro  da  ordem  de  noso  senhor  Jhuu  xpõ  nem  a  seus  ii- 
mãos  nem  filhos  nem  a  seus  criados  que  com  elles  viverem  nem  aos 
Irmaãos  das  molheres  d(»  dito  Gaspar  do  Reguo  e  de  seus  Irmãaos.  das 


tíi  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

ipiaes  cousas  de  justiça  que  aos  sobreditos  ou  a  cada  hnrn  delles  lo- 
car, conheceraa  como  ouvidor  da  dita  Ilha  o  Corregedor  das  Ilhas  dos 
Açores  que  tomaraa  delias  conhecimento  e  ouvidas  as  partes  as  delre- 
miiiaraa  como  ffor  justiça  damdo  apelação  e  agravo  nos  casos  em  que 
(•i)iiber  assy  como  o  avya  de  fazer  o  dito  ouvidor  do  capitão:  notelicoo 
asy  ao  dito  capitão  e  seu  ouvidor  e  ao  dito  corregedor  e  a  todas  as 
justiças,  oficiaes  e  pesoas  a  que  o  conhecimento  dello  pertemcer  e  lhes 
mando  que  o  cumprâo  e  guardem  e  facão  inteiramente  cumprir  e  guar- 
dar este  alvaraa  como  se  nele  se  (sic)  contem  sem  duvida  nem  em- 
barguo  allgum  (jue  a  ele  seja  posto  porque  asy  o  ey  por  bem,  e  este 
(juero  que  valha  e  tenlia  força  e  viguor  como  se  fose  carta  feyta  em 
meu  Jiome  per  mym  asyuada  e  pasada  pela  minha  chamçelaria  sem 
embarguo  da  ordenação  do  segundo  livro  tilollo  vimte  que  diz  que  as 
ousas  cujo  efeylo  ouver  de  ouver  de  durar  mais  de  hum  aimo  pasem 
per  cartas  e  pasamdo  per  alvaraas  não  valhão.  Manoel  da  Costa  o  fez 
em  Alineirym  a  xxiij  (27)  dias  de  mayo  de  jb  e  Lj  {lòõl)\  e  esto  se 
emtemderaa  e  cumpriraa  asy  em  quamlo  o  eu  ouver  por  bem  e  não 
mandar  o  contrario.  =Comcerlado,  Joam  da  Costa.  ==Comcerlado,  An- 
tónio Viera. =Pero  Gomes. 

i4rc/i.  nac.  da  T.  do  T.,  Ltv.  4."   dos  Privil.  de  D.  João  IIL  f.  235.) 

De  Gaspar  do  Rego  ha  uma  (>arta  a  p.  232,  do  Vol.  I  deste  Archim. 


Carta  a  Elrei  da  Abbadessa  do  Mosteiro  de  Jesus,  da 
Praia  da  Ilha  Terceira,  1551. 

Senhor.  —Kspantarseha  vosa  alteza  de  men  grande  atrevimento  e 
teporlarmoha  a  innorancia  pois  nau  tem  de  mim  nenhua  noticia,  e  vi- 
vendo en  lugar  tan  remoto,  e  mais  tendo  já  escrito  a  vosa  alteza  ou- 
tra vez,  duvidosa,  se  por  meos  pecados,  nam  seriam  dadas  minhas 
cartas  a  vosa  alteza,  quis  tornar  a  escrever  como  desconsollada  pidin- 
do  muitas  vezes  misericórdia  como  a  rei  e  senhor  noso  que  he,  e  que- 
ro que  ocupe  lio  tempo  que  em  tão  proveitosas  e  nesesarias  cousas 
gasta  em  ouvir  meus  trabalhos,  e  prolixas  desconsollações,  mas  como 
pella  divina  providencia,  vosa  alteza  nos  foi  dado  pêra  emenda  e 
remédio  de  nosos  agravos  ne  (sic)  necesario,  que  nenhuã  pesoa  ainda 
que  muito  pouco  mereça,  seja  de  tamanha  mercê  e  favor  excludida,  e 
(|ue  sua  justiça,  e  equidade  a  todos  se  comunique,  e  por  esta  piedosa, 
e  geral  obrigaçam  que  vosa  alteza  tem  a  todos  os  seus  ouvir  e  pro- 
ver lhe  tornarei  a  recomlar  ha  tribullação  em  que  estou  posta,  e  pêra 


ARCHIVO    DOS    AÇORES  (iíí 

que  milhor  me  emtemda  convém  que  lhe  dee  de  mim  conta. — Eu  sam 
(SOU)  filha  de  dom  Joham  de  Noronha  que  ora  vive  na  ilha  da  Madeiía. 
e  no  Mosteiro  dessa  ilha  me  criei,  e  fiz  profição  com  outras  minhas  ir- 
mãas  honde  todas  estávamos  consoliadas,  e  ha  hi  serviamits  ha  ho  se- 
nhor pella  milhor  maneira  que  podíamos.  Dona  Breatiz  de  Noronha  mi- 
nha irmãa  depois  da  morte  do  capitão  seu  marido  hordenou  fazer  huu 
moesleiro  pêra  freiras  pêra  nelle  agasalhar  suas  filhas  e  ouve  hua  le- 
tra de  Roma  pêra  me  tirar  da  dita  casa  da  ilha  da  Madeira  por  abba- 
desa  desta  casa,  e  minha  irmãa  Antónia  de  Jhu  por  vigaira.  e  a  ou- 
tra madre  por  porteira.  Hobedeceo  a  madre  abbadesa  da  ilha  da  Ma- 
deira ha  letra,  deu-nos  licença,  e  viemos  todas  três  para  edificar  esta 
nova  casa.  e  a  reformar  polia  bondade  do  senhor  cuja  aquella  empre>a 
hera.  fizemos  tanto  que  aproveitou  noso  trabalho  em  aquellas  novas 
plantas,  e  as  ensinamos  ha  todo  ho  que  hera  necesario  peia  serviço 
de  noso  senhor,  e  honra  da  relligião.  e  depois  de  aver  oito  ou  nove 
anos  que  em  meu  oficio  permanecia  por  me  parecer  que  ja  sem  mim 
saberiam  viver,  e  servir  ho  senhor,  aceitei  per  houtra  lletra  do  papa 
hir  a  reformar  outra  casa  na  ilha  de  Sam  Miguel  honde  estive  alguns 
tempos  e  com  ajuda  de  noso  senhor  aproveitou  minha  hida  alguua 
cousa,  e  hagora  avera  dous  anos  que  ho  bispo  de  Lora  (*  )  que  veio 
visitar  estas  ilhas,  e  hera  visitador  desta  casa  me  niandou  buscar 
por  muitas  divisões,  e  cousas  que  nesta  casa  em  que  hora  estou  se 
alevamtarão,  como  elle  dará  emformação  a  vosa  alteza  se  delle  ha  qui- 
zer  saber  ho  que  lhe  peço  polias  chagas  de  Jhu  xpõ  noso  senhor  e 
por  amor  da  sua  bemdila  madre  virgem  Samla  Maria  que  dele  se 
queira  emformar,  e  saber  a  verdade  por  que  saberá  delle  tanto  que 
polia  obrigação  que  ha  ho  senhor  Deos  tem  porá  cobro  nesta  casa  ha 
qual  ho  demónio  hora  tem  tanto  de  sua  mão  que  temo  acabar  ho  que 
começou  por  que  nem  ellas  tem  obediemcia  a  prellado  nem  a  mim  me 
reconhecem  por  abbadessa  antes  sou  delias  mui  ofemdida.  e  afrontada, 
e  emjuriada  com  palavras  mui  emjuriosas  de  maneira  que  ha  dous 
mezes  estam  desobedecidas,  e  não  vão  ha  ho  oficio  divino  nem  ha  ni- 
nhúa  comunidade  vivem  como  isentas,  dão  e  tomão  cartas  sem  licensa. 
fallão  polias  genellas  e  fazem  outros  muitos  desmanchos,  e  vai  isto  de 
maneira  que  me  trazem  polias  audiemcias,  cousa  tam  fora,  e  defesa 
de  nosa  regra  sem  terem  castigo  de  ninguém  mas  antes  não  fallão  de 
fora  alguns  membros  de  satanaz  que  toda  esta  tempestade  movem,  e 
me  perseguem  porque  atalho  algíjs  começos  danosos,  e  neste  alevanta- 
mento  nam  sam  todas  que  muitas  tenho  comigo  que  sam  servas  do 
senhor,  e  me  ajudam  a  sentir,  e  chorar  meus  trabalhos  que  mais  não 
podemos  fazer  porque  sam  ellas  poderosas  na  terra  porque  as  princi- 
paes  deste  allevantamento  sam  minhas   sobrinhas   irmãas   do   capitão 

(•)  D.  Baltha/ar  d'Evora,  de  que  ^e  tratou  atraz,  no  Vol.  I  a  pa^'.  201  e  iio 
Vol.  n  a  pag.  132.  d'este  Archivo. 


64  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

ilesta  terra  como  toiio  mui  inteiramerile  ho  bispo  de  Lora  pode  de- 
zer  a  vosa  alteza,  e  isto  lhe  escrevo  por  que  tenho  perdida  toda  a  es- 
perança de  socorro  se  vosa  alteza  nos  nam  vai  porque  ninguém  ousa 
de  fazer  justiça  delias  sentindos  (sic)  todos  quanto  serviço  seria  de  no- 
so  senhor  fazella,  estaa  isto  neste  estremo,  e  eu  pêra  me  sair  desta 
casa  pêra  a  ilha  da  Madeira  donde  vim  e  deixar  esta  casa  em  poder 
delias,  e  cuido  que  das  que  comigo  sam  nenhQa  ficará  por  que  sam 
delias  mui  injuriadas,  e  desconsolladas.  e  por  estas  cousas  tirou  Do- 
mingi)s  Ho.nem  já  suas  (ilhas  tenii)  nesta  casa  tanta  rezam  como  vo- 
si  alteza  p)de  saber  p)r  ho  dito  bispa  de  Lora.  e  cjmo  a  meu  Rei 
e  sánhor  lhe  digo  que  o  re  nédio  desta  casa  he  qiiautro  (sic)  ou  cinco 
m)lheres,  manlallas  ha  hos  m:)steiros  de  Sam  Miguel,  e  trazer  outras 
tantas  dos  mesmos  mosteiros  para  aqui  porque  sam  muito  virtuosas, 
e  on  isto  poderá  noso  senhor  ser  servido,  e  esta  casa  asesegada,  e 
nam  se  destruirá  ho  que  noso  senhor  ha  pranlado,  por  cujo  amor  lhe 
torno  a  pedir  misericórdia  que  o  senhor  ha  aja  com  vosa  alteza.  Es- 
crita neste  CDnvemto  do  m)sleiro  de  Jhíj  da  ilha  Terceira  da  villa  da 
Praia,  de  quinhentos  e  cincoenta  e  huQ,  no  mes  de  Julho. — Joanna  da 
Cruz,  abbadesa  deste  mosteiro  de  JhQ. 
(Sobreescripto)  Pêra  elrei  noso  senhor. 

{Arch.  me.  da  T.  do  T.,  Corp.  Chron.  Pari.  l.\  maç.  86 —n.''  97.) 


Carta  a  Elrei  do  Dr.  Luiz  da  Guarda,  Corregedor  dos  A- 
çores.  de  16  de  Março  de  1552. 

Senhor.— \fo.nso  Capiqa3,  moço  da  camará  de  V.  .\.  veo  este  in- 
verno pasado  ter  a  estas  Ilhas  per  seu  mandado  a  carregar  o  triguo 
tjue  os  rendeiros  heram  obrigados  a  dar  a  V.  A.  e  veo  ter  primeiro 
a  esta  Ilha  de  Sío  Migael  estanio  eu  na  Ilha  Terceira:  e  aqui  em  vez 
de  lhe  deixarem  carregar  o  dito  triguo  lho  tomaram  e  sobre  iso  o  a- 
frontaram  com  pedradas  e  ao  contador,  de  maneira  que  lhe  foi  nece- 
sario  hirse  desta  cidade  onde  lhe  foi  feita  a  dita  afronta  e  foi  ter  á 
Ilha  Terceira  onde  eu  estava  e  nella  sem  ofensa  algua  elle  e  o  conta- 
dor Manoel  Pachequo  carregaram  todo  o  triguo  de  V.  A.  que  avia  na 
villa  da  Praia  e  na  cidade  dAngra  ficando  algum  que  pareceo  necesa- 
rio  pêra  cousas  de  serviço  de  V.  A.  de  maneira  que  na  Ilha  Terceira 
não  ouve  pesoa  que  erguese  os  olhos  ao  dito  Afonso  Capiquo  era 
(|uanto  eu  nella  estive:  dahi  se  foi  elle  e  o  contador  ás  Ilhas  do  Fayal 
e  São  Jorge  pêra  carregarem  o  triguo  que  la  avia  onde  outrosi  lhe 
resistiram  asi  na  Ilha  do  Fayal  como  na  de  São  Jorge:  e  porque  o  dito 


ARCHIVO  DOS  AÇOHES  ih> 

CO  mia  dor  fez  de  Indo  autos -que  eu  uão  vi  que  cuido  que  lem  manda- 
do a  V.  A.  não  fiz  nenhua  cousa  no  dito  caso  ate  ver  o  que  V.  A. 
manda  que  niso  se  fa(;a  o  dado  caso  que  nestas  Ilhas  este  anno  aja 
muita  necesidade  de  triguo  e  seja  mais  caro  iW)  que  ha  muitos  annus 
que  nellas  se  vio  que  vai  a  cem  reis  o  alqueire  com  tudo  he  muito  des- 
acatamento cada  dia  apedrejarem  hiun  feitor  de  V.  A.  e  em  verdade 
(jue  são  dinos  de  algum  casliguo.  e  alguns  que  nesta  cidade  foram 
|)resos  se  livram  perante  mim  do  dito  caso.  V.  A.  poderá  mandar  o 
<|ue  lhe  parecer  seu  serviço. 

Aos  vinte  e  dons  dias  de  fevereiro,  este  que  pasou  á  tarde,  chega- 
ram ao  porto  desta  cidade  hum  galeão  e  híja  não  e  hua  zavra  de  fran- 
sezes  e  ancoraram  nelle  e  tomaram  hum  batel  de  pesquar  e  tomaram , 
delle  hum  homem  que  meteram  no  galeão  e  mandaram  no  dito  batel 
dous  franceses  a  terra  os  quaes  me  apresentaram  hua  certidão  de  Si- 
mão Gonçalves  capitão  da  Ilha   da    Madeira  na    parte  e  jurdição  do 
Funchal  asinada  por  elle  e  aselada  com  o  seto  das  suas  armas  cujo 
treslado  a  V.  A.  mando,  em  que  dezia  que  o  capitão  do  dito  galeão  e- 
ra  Monseur  Jaques  e  que  pasara  pella  dita  Ilha  sem  fazer  nenhum  des- 
aguisado  antes  muito  boas  obras  e  de  boa  e  verdadeira  paz  como  V. 
A.  milhor  pela  dita  certidão  pode  ver.  pedindome  os  ditos  franceses 
que  lhe  deixase  fazer  aguada  ua  dita  cidade  trazendo  algumas  pipas 
que  loguo  lhe  deixei  encher  dagua  as  quaes  loguo  tornaram  ao  dito 
galeão  e  querendose  ambos  tornar  mandei  a  hum  delles  que   fiquase 
em  terra  ate  trazerem  o  português  que  tinhão  no  galeãu  que  tomarão 
no  batel,  o  qual  loguo  trouxerão  e  tanto  que  foi  em  terra  mandei  le- 
var o  francês  ao  dito  galeão:  esteveram  aquela  noite  ancorados,  pela 
manhã  pareceo  hum  navio  hua  legoa  desta  cidade  que  vinha  da   Ilha 
da  Madeira,  como  o  viram  alevantaramse  e  levar-am-no  com  signo  e  a 
outro  que  vinha  da  Ilha  Terceira  os  quaes  roubaram:  ao  da  Ilha  da 
Madeira  levaram  trinta  e  cinquo  pipas  de  vinho  e  ao  da  Terceira  leva- 
ram quatrocentos  cruzados  em  dinheiro  que  hum  homem  mandava  a 
esta  Ilha  a  hum  mercador  pêra  daqui  lhos  pasar  nur  leira  pêra  o  rei- 
no e  a^i  levaram  certos  quartos  dazeite  e  outra   muita   fazenda:   hum 
dos  navios  veo  aqui  ter  roubado  e  o  outro  foi  ter  á  Ilha  Terceira:  di- 
zem que  se  vão  á  paragem  do  Corvo:  o  galeão  he  muito  grande  e  se- 
gundo meo  parecer  e  de  muitos  que  o  viram  é  mais  comprido  que  o 
galeão  São  João  que  se  perdeo  no  Brazil:  dizem  homens  que   nel- 
le esteveram,  que  vai  muito  artelhado  e  leva  muita  gente:  escrevo  is- 
to a  V.  A.   pêra  que  saiba   i|ue   andam  anlre  estas  Ilhas  franceses  e 
proveja  como  for  seu  serviço.   Noso  Senhor  acrecente  a  V.  A.  muitos 
annos  de  vida  com  muita  saúde.  Desta  cidade  dAngra  («)  oje  xbj  [J^J) 
dias  de  março  de  1552  annos  —  O  doctor  Luís  da  Guarda. 
iArch.  nac.  da  T.  do  T.,   Corp.  Chron.  Part.  l.'\,  maç.  81,  n."  ISl.) 

(•)  Não  pôde  ser  An^ra,  mas  sim  Ponta  Delicada,  não  só  pelo  sou  ciMithcu- 
ilo,  mas  ainda  pelo  da  seguinte  Carta. 

N.*'  19— Vol.  IV— 1882  \) 


66  ARCHIVO  DOS  AÇO» ES 


Carta  a  Elrei,  do  Corregedor  Dr.  Luiz  da  Guarda,  de  16 
de  Março  de  1552. 

Senhor  =- Aos  ciiKjuo  dias  do  mes  de  feveieiío  que  pasou  chegei  a 
esla  cidade  da  Ponta  Delgada  a  fazer  correição  nesta  Ilha  os  três  me- 
ses que  V,  A.  manda  que  a  ella  venha  e  achei  a  terra  Iam  alvoraça- 
da contra  o  Licenciado  Manuel  Nunes,  ouvidor  do  capitão,  que  não  fiz 
pouquo  em  na  asosegar  e  não  me  espantei  do  desasoseguí»  ( * )  que 
achei,  porque  estava  o  ouvidor  tanto  em  não  querer  que  ouvese  nesta 
Ilha  outra  justiça  de  V.  A.  que  linha  mandado  aos  Juizes  desta  cida- 
de e  de  toda  a  Ilha.  (|ue  não  obedecesem  a  meus  mandados  nem  ás 
cartas  mandatoreas  que  eu  por  bem  de  justiça  das  outras  Ilhas  lhes 
mandase  e  asi  foi  ijue  mandando  eu  o  anuo  de  cinquoenta  da  Ilha 
Terceira  hua  carta  aos  Juizes  desta  cidade  per  que  lhes  mandava  (|ue 
noleficasem  a  Lourenço  Castanho  (que  ao  tal  tempo  servia  de  escri- 
vão do  carrego  de  João  Simão,  feitor  de  V.  A.  nestas  Ilhas)  que  me 
mandase  as  culpas  que  livese  de  hum  homem,  que  o  dito  João  Simão 
prendeo  na  cidade  dAngia,  pêra  seu  livramento:  sendolhe  a  dita  carta 
apresentada  responderam  que  a  não  guaidavão  pi»i'  lhe  ter  mandado  o 
dito  ouvidor  que  não  comprissem  meus  mandados  senão  os  três  mezes 
que  aqui  estevese  por  correição  e  (]uando  aguora  aqui  cheguei  pêra 
nesta  Ilha  fazer  correição  avendo  dous  dias  qun  estava  nesta  cidade 
o  dito  ouvidor  não  quis  deixar  a  vara  e  andava  com  ella  dizendo  que 
a  não  avia  de  deixar  e  que  eu  não  podia  servir  de  corregedor  pois 
pasava  de  três  anos  (jue  o  hera  e  não  mostrava  nova  provisão  de  V. 
A.  peia  tornar  a  servil'  mais  tempo:  pelo  que  prendi  os  ditos  Juizes  e 
ouvidor  e  mandei  ao  procurador  de  V.  A.  nestas  Ilhas  que  viese  con- 
tra elles  com  libellos  e  piocedi  contia  elles  e  condaneios  em  degredo 
pêra  Afriqua,  e  apelei,  no  que  me  parece  que  fiz  justiça  vista  sua  des- 
obediência e  conservei  a  Jurdição  de  V.  A.,  mandei  ao  dito  ouvidor 
que  dese  residência  por  pasar  de  três  annos  que  servia  o  dito  oficio, 
e  por  me  elle  pôr  sospeição  comecei  a  dita  residência  com  o  Juiz  mais 
velho  desta  cidade  em  (juanto  delerminase  a  dita  sospeição  per  huma 
provisão  que  de  V.  A.  pêra  iso  tenho  a  qual  sospeição  foi  julgada  que 
lhe  não  heia  sospeito  e  tirando  devasa  com  o  Juiz  sobre  o  dito  ouvi- 
dor e  pei  guntando  por  testemunhas  os  Juizes,  vereadores,  tabeliães  e 
escrivão  dante  elle  e  o  procurador  de  seu  auditoreo  e  algQas  pesoas 
outras  da  guovernança  conforme  ao  regimento,  prova-se  pella  dita  de- 
vasa o  dito  ouvidor  levar  peitas  e  fazer  outras  cousas  mal  feitas  em 
seu  oficio  de  que  se  ha  de  hir  livrar  ao  Reino:  e  porque  eu  não  poso 
estar  nesta  Ilha  mães  que  ate  o  fim  do  nses  de  abril  conforme  a  doa- 


(■)    Vid.  a  Represei  Ilação  da  Cainai-i  di»  I^  Deljiada  a  ]).  430.  vol.  3.»  d'este 
Aflitivo. 


ARCHIVO   DOS   AÇORKS  67 

cão  do  ("apilão  e  tão  bem  he  necesario  (jiie  iiip  va  á  Ilha  Terceira  es- 
perar as  nãos  (ia  lodia  que  com  ajuda  de  iioso  senhor  este  anno  ham- 
de  vir  e  asi  as  rnaes  armadas  de  V.  A.  e  será  grande  inconveniente 
esta  Ilha  fiquar  somente  na  guovernança  dos  Juizes  da  terra.  Vosa  A. 
deve  mandar  ao  capitão  que  com  brevidade  proveja  de  ouvidor  ou  pro- 
ver V.  A.  como  for  seu  serviço.  Noso  senhor  acrecente  a  V.  A.  mui- 
tos annos  de  vida  com  muita  saúde.  Desta  cidade  da  Ponta  Delgada  o- 
je  xbj  {16)  dias  de  março  de  1552  annos. 

O  DocTOR  Luís  da  Guarda. 

I  Sobreescriptn)  A  el  Rei  noso  Senhor=:do  corregedor  das  Ilhas  dos 

Açores. 

^Arcft.  nac.  da  T.  do  T.,  Corp.  Chron.  Part.  1^.  maç.  87— n."  182.) 


Carta  a  Elrei  de  Manoel  Pacheco  de  Lima,  de  19  de  Mar- 
ço de  1552. 

Senhor-  Eu  sirvo  V.  A.  de  ouvidor  com  careguo  de  capitão  por 
Manoell  Corte  Reall  nesta  sua  capitanya  da  cidade  dAmgra  ha  ja  a- 
nos  e  por  minha  resydemcia  ser  tall,  que  vista  no  desembarguo  foy  a- 
provada  por  boa.  V.  A.  ouve  por  seu  serviço  que  eu  tornase  a  ser- 
vyr  o  dito  careguo  como  ora  syrvo.  Acomteceo  ora  que  aos  xxbj  {26) 
dias  de  fevereiro  deste  presemte  ano.  pasaram  á  vista  da  baia  desta 
cidade  dAngra  cinco  vellas  corendo  de  mar  em  fora  comlra  as  ilhas 
debaixo  e  pela  imformaçam  que  ca  temos  das  gueras  apregoadas  am- 
Ire  França  e  Castella  e  pellos  synaes  e  gente  delas  foy  meu  parecer 
e  doutras  allguas  pessoas  que  do  mar  emtendem.  serem  francezes,  co- 
sairos,  e  por  aqui  nesta  cidade  estar  o  allmyrante  de  Castella  que 
vindo  das  Antylhas  se  deixou  aquy  ficar  com  ssoma  de  ouro  e  prata 
esperando  por  armada,  comsyderando  eu  nestas  nãos  de  França  me 
veo  ha  memoria  que  podaria  ser  se  o  fosem  averem  imformaçam  per 
algum  batell  ou  navio  da  terra  (^ue  tomasem  como  este  tesouro  aqui 
esta  e  ajumtamdose  as  cinquo  vellas  que  pasaram  com  outras,  pode- 
ryam  cometer  a  fazer  sallto  nesta  cidade  e  por  que.  senhor,  quando  as 
taes  expyrações  vem  nas  cousas  da  guera.  se  ade  prover  nellas  amtes 
cjue  venha  o  tempo,  provy  lloguo  em  se  guardar  e  vigiar  ha  cidade 
de  noite  e  por  alem  da  guarda  e  vigia  que  fiz  de  gemte  e  quadrilhas 
pareceo  ser  necesareo  porese  allgua  artelharia  prestes  e  apontada  em 
estamcias,  a  (|uall  por  estar  a  careguo  de  Pêro  Annes  do  (]amto  e  se 
nam  podia  dar  sem  elle,  lhe  fiz  lloguo  a  saber  do  dito  caso  e  o  que  tinha 


C8  ARCHIVO  DOS  AÇO K ES 

asemtado  a  hua  qiiimta  sua  homde  eslava  pêra  que  viese  ou  manda- 
se  dar  a  dita  aitelharia  o  (|iiall  lloguo  veo  e  elle  e  o  contador  de  V. 
A.  que  he  meu  sobrinho  e  os  juizes  e  vereadores  e  pesoas  da  guo- 
vernança  da  cidade  praticamos  o  caso  asy  e  da  maneira  que  ho  eu  ty- 
nha  comsyderado  e  pareceo  a  lodos  miiylo  serviço  de  V.  A.  ha  cidade 
se  guardar  e  vigiar  de  noite  e  de  poerem  duas  estamcias  dartelharia 
e  estarmos  asy  a  bom  recado  ale  sabermos  que  frota  era  aquelia  que 
passou  e  lambem  recado  do  reino  e  de  V.  A.,  e  feylo  asy  lodo  o  que 
se  asemtou,  de  que  mandei  fazer  hum  auto  que  com  esta  vay:  aos 
xxbij  (27)  dias  do  dito  mes  de  fevereiro  emlraram  neste  porto  duas 
caravellas  portuguesas  que  erão  das  caravellas  que  vimos  pasar  as 
quaes  nos  deram  nova  como  as  cimquo  vellas  (jue  vimos  pasar  eianj 
framcezes.  a  saber:  as  Ires  delias  hua  gnaleaça  e  hua  naao  grosa  e 
hõa  pataixa  as  quaes  vinham  muito  armadas  e  traziam  muita  gemle 
e  que  com  ellas  que  hos  llevavam  tomados  eram  cimquo,  e  que  de- 
pois que  lhe  roubaram  biso  que  llevavam  os  alarguaram  dizemdo  que 
aviam  de  vir  tomar  augoa  ao  porto  desta  cidade  e  llogo  ao  domynguo 
pela  menhã  vymte  oito  dias  do  dito  mez.  amanheceram  as  dilas  três 
vellas  de  França  defronte  da  bahia  deste  porto  desta  cidade  e  a  nao  e 
zabra  cometeram  a  quererem  emtrar  no  porlo  e  a  gualleaçn  ficou  de 
mar  em  foia  e  vimdo  estas  duas  asy  (pie  parecia  que  queryam  vir  a 
ssorgir  lhe  atiraram  de  terra  dois  tiros  com  hHa  espera,  as  quaes 
vistos  os  tiros  sribaram  pêra  o  mar  e  a  naao  e  gualeaça  foram  de 
mar  em  fora  coremdo  ao  lomgo  da  ilha  comtra  a  praia,  e  a  zabra  foy 
após  híla  caravella  que  vio  hir  ao  llongo  da  terra,  a  quall  como  vio 
que  ha  hia  allcamçando  sorgio  defromte  de  hum  porto  que  se  chama 
ho  porlo  do  Judeu  e  a  gente  com  seu  fato  e  vellas  do  navio  fogio  pe- 
ta terra  e  deixaram  o  navio  asy  deserto  careguado  de  pescado  que 
vinha  da  pescaria,  e  llogo  chegou  a  zabra  a  elle  e  o  llevou  á  guallea- 
ça  que  dizião  ser  a  capitania,  llevandoa  poseram  bandeiras  e  fezeram 
synall  que  fosem  a  bordo:  o  mestre  da  caravella  e  Ires  homens  da  ter- 
la  foram  lia  e  lhe  pediram  a  caravella,  e  o  capitão  lha  mandou  dar  e 
tomaramlhe  o  bafell  e  dezoito  pipas  dangoa  e  allgum  pescado,  e  de 
noite  se  apartaram  delles  e  ruinca  os  mais  viram:  dizse  amdarem  ao 
redor  desta  ilha.  nós  temos  nosa  ordenança  de  vegia,  e  porque  todo 
asy  pasa  o  faço  saber  a  V.  A.  pêra  que  em  todo  proveja  como  foi 
sen  serviço. 

O  capitão  Manoel  Corte  Reall  me  mandou  ho  ano  pasado  a  esta 
ilha  hum  regimento  e  ordenaçam  que  V.  A.  mandou  fazer  acerca  das 
armas  que  todos  seus  vasallos  seram  hobriguados  a  ter  e  do  ilamça- 
mento  delias  as  quaes  aviam  de  vir  do  reiío  e  ale  ora  nam  vieram: 
havia  no  allmazem  de  V.  A.  certas  espinguardas  e  alcabuzes.  pratica- 
mos Pêro  Annes  do  Camlo  e  o  comtador  e  eu  que  seria  bem  e  servi- 
ço de  V.  A.  pêra  que  as  livesem  llimpas  e  prestes  pêra  quamdo  con)- 
prise  que  se  allguas  pesoas  dos  moradores  da  cidade  as  quisesem  to- 


AHCHIVO   IXtS  AÇOHtS  (U) 

uiHi'  lhas  (Jesem  com  obiiguaçam  de  as  emlregaarem  (juando  lhas  pe- 
direm, e  asy  se  fez  e  muylas  pescas  as  tomai am.  faço  saber  a  V.  A. 
todo  asy  meiídamenle  peia  que  em  todo  proveja  o  que  ao  diamte  se 
Iara  acomlecendo  cousas  desta  callidade.  Ho  umi  immemso  e  eterno 
Deos  ha  vida  e  estado  reall  de  V.  A.  e  da  Rainha  e  pryncipe  iKtsso 
senhor  acrecemte  peia  seu  samto  serviço  amem.  Escrita  nesta  sua  ci- 
tlade  dAngra  da  ilha  Terceiía  aos  xix  {19 >  dias  de  março  de  jb'  e  lij 
{ 1ÕÒ2)  anos — o  criado  de  V.  A. 

Manoel  pAGHEQid  dk  Lima. 

fSobreesvríptn)  Pêra  eirei  noso  senhor=do  ouvidor  da  cidade  dAii- 
íiia  de  cousas  de  seu  serviço. 

(Arc/i.  nac.  da  T.  do  7',.  Corj/.  Chnni.  Ptirt.  l.\  nnir.  87,  ik  /.V-V.  i 


Alvará  fazendo  mercê  de  250^000  rs.   de  juro  a  D.  Ál- 
varo de  Castro,  Capitão  das  ilhas  do  Fayal  e  Pico, 
em  troca  da  dita  Capitania.  Fevereiro  de  1553. 

Kn  el  Rey  faço  saber  a  quantos  este  meu  alvará  viíeiii  (pie  eu  te- 
iilio  feito  mercê  ;i  dom  Álvaro  de  (-rasto  fidalguo  de  minha  cassa,  da 
capitania  das  ilhas  do  Fayal  e  do  Pico  com  duzentos  e  cimcoenta  mil 
reis  de  juro.  a  saber:  o  (|ue  reinderem  as  remdas  delas  que  perten- 
cem aos  capitães  e  o  mais  per  hum  padram  de  fora,  pelo  que  ey  por 
bem  e  me  praz  que  não  querendo  o  dito  dom  Álvaro  de  Crasto  a  ca- 
pitania das  ditas  ilhas  do  Fayal  e  do  Pico  e  alargando-ma  dentro  de 
seis  annos  que  se  começaram  da  feitura  deste  meu  alvará  em  diante, 
e  assi  a  remda  delas  que  pertence  aos  capitães  e  o  mais  que  de  mim 
them  per  padram  de  fora  de  lhe  f.izer  mercê  dos  dilo^;  duzentos  e  cim- 
coenta mil  reis  de  juro  em  cada  hum  anno  paguos  no  meu  feitor  das 
ilhas.  E  de  demtro  dos  ditos  seis  annos  lhe  fazer  mercê  doutra  cou- 
sa equivalemte  aa  capitania  das  ditas  ilhas  somente  sem  a  remda 
delas,  e  para  sua  guarda  e  minha  lembrança  lhe  mandei  dar  este  meu 
alvará  o  qual  queio  que  valha  e  lenha  força  e  vigor  como  se  fose  car- 
ta feita  em  meu  nome  asinada  por  mim  e  pasada  por  chancelaria, 
sem  embargo  da  ordenação  do  2.°  I.°  tit.  20  que  diz  que  as  coussas 
cujo  efeito  ouver  de  durar  mais  de  hnm  anuo  passem  per  cartas  e 
passando  [)er  alvarás  nã(t  valham,  e  posto  que  este  não  seja  passadn 
poi  a  dita  chancelaria  sem  embarguo  da  ordenaçnni  que  o  conlrairo 


70  ARCHIVO    DOS    AÇORES 

dispõem.  Pantaliam  Rebelo  o  fez  em  Lixboa  a  (*)  <Je  fevereiro  de  l5o3. 
Alvará  de  dom  Álvaro  de  Crasto  para  vossa  Alteza  ver. 

iÁrrh.  nac.  da  T.  do  T..  Corp.  Chron.  Pari.  i'.\  maç.  .91-  n.'^  70.) 


Carta  a  Elrei,  de  Manoel  Pactieco  de  Lima,  Ouvidor  da 

Capitania  d' Angra,  de  31  de   Setembro  de  1553,  im- 

formando  a  respeito  de  uma  armada  Franceza. 

Senhoi — Ao  mar  damtre  estas  ilhas  veo  ter  hua  armada  de  Fran- 
ca (|iie  dizem  ser  a  (]ne  fez  a  emtrada  na  ilha  da  Pallma  a  qnal  man- 
don  hna  zabra  á  ilha  do  Faiall  a  saber  novas  da  terra  e  darmada  de 
Castella  homde  estava  e  na  dita  zabra  veo  hum  homem  portngnes  qne 
diz  (jne  tomaram  na  ilha  de  Samta  Maria  a  qnem  o  dito  capitão  de 
Framça  tinha  feito  grandes  promesas  se  lhe  lornase  com  recado  o 
ipiall  homem  nam  (jnys  tornar  na  zabra  e  se  deixon  ticar  em  terra  e 
a  zabra  se  foy  sem  ele.  o  (]ual  homem  veo  ter  a  esta  cidade  dAmgra 
homde  nos  den  imformação  ao  corregedor  e  Pêro  .\nnes  do  Canto  e 
a  mym  de  como  a  dita  armada  era  a  que  deu  na  Pallma  e  que  vinha 
buscar  a  armada  de  Castella  a  quall  armada  de  (3astella  estava  ao  tem- 
po que  a  zabra  cheguou  na  ilha  de  Sam  Jorge,  no  porto  das  Vellas 
honde  lhe  foy  llogno  dado  avi.sso  da  dita  armada  de  França,  com  bre- 
vidade se  apercebeo  de  alguas  cousas  e  se  fez  llogno  ha  vella  dizen- 
do que  se  hia  sua  via  ao  (^orvo  a  guardar  a  frota  que  esperava  de 
Peruu.  a  que  era  enviado,  e  diz  (jue  fez  ho  caminho  e  via  pela  pró- 
pria parajem  homde  lhe  diseram  que  andavam  os  francezes:  até  oje 
nam  se  ssonbe  mais  se  ouve  amlre  eles  illgum  recomtro  de  guerra, 
os  francezes  diz  (]ue  eram  oito  vellas.  e  as  castelhanas  sete,  todas 
hfias  e  outras  gduito  armadas,  de  muita  gente  e  armas  e  artelharias. 

Foy,  senhor,  muito  boa  a  lembrança  que  fez  das  armas  por  virem  a 
Iam  bom  tempo  e  comjumçam.  E  nesta  capitania  as  tomaram  hos  mo- 
radores conhecemdo  a  mercê  que  V.  A.  nos  fez  a  todos  em  aver  por 
seu  servyço  que  as  trouvesem  e  esta  feita  muita  gente  darcabuzes  e 
espinguardas,  assy  nesta  cidade  como  na  capitanya  da  Praya,  e  asy 
dizem  que  he  em  todas  as  outras  ilhas,  asy  que  nos  tomou  ja  a  nova 
desta  armada  de  França  em  boa  comjumçam  com  armas  pêra  nos  po- 
dermos defemder  e  ofemder  a  quem  nos  vier  buscar,  e  tanto  que  nos 


(•)  O  dia  ficou  em  branco,  ou  porque  se  passou  outro  alvará  com  outra  da- 
fa,  ou  porque  não  chegou  a  dar-se  execução  a  este. 

{Nota  do  Sr.  J.  L  de  Brito  Rebelto.) 


AKCHIVO    DOS    AÇOKES  71 

tuy  dada  a  dila  nova  desta  armada  amdai'  de  redor  deslas  ilhas  nos  a- 
jumtamos  lloguo  juizes,  vereadores,  corregedor,  Pêro  Annes  do  Canilo 
e  eu,  e  se  proveo  em  todo  o  que  oom|)ria  a  ^ervyço  de  V.  A.  peta 
guarda  e  defemsam  da  teria  e  cidade  temdo  nosas  vigias  e  estancias 
dartelharia  como  ja  outras  vezes  fizemos  e  nesta  ordenança  estaremos 
até  avermos  nova  do  (jue  he  feito  desta  aunada  ou  que  via  llevou.  O 
inuy  piadoso  senhor  Deus  acrecemte^^a  vida  e  reall  estado  de  V.  A.  e 
da  Bainha  e  pryncipe  nosso  senhor  j^era  seu  santo  serviço  amem.  Es- 
crita nesta  sua  cidade  d  Angra  ao  deradeiro  dia  de  Setembro  de  155IÍ 
anos.  lio  criado  de  V.  A. 

Manoell  Pachiíquo  Dii  Lima. 

(Sobre(\scripto)  Peia  el  rey  noso  senhor,  de  AJanoel  Pachequo  de 
Lima  ouvidor  da  ca[)itania  dAngia.  de  cousas  de  serviço  de  sua  alteza. 

icota)  Manoel  Pacheco  de  Lima,  ouvidor  da  capitania  dAngra  — se- 
tembro=Anno  53— de  hua  armada  franceza. 

(Ardi.  mic.  da  T.  do  7'.,  Corp.  Clivou.  Parf.  i.^,  mar.  91 -n.''  21.j 


Certidão  d'exame  do  Bacharel  António  Tavares,  de  22 
de  Setembro  de  1554. 

Item.  em  Lixboa  a  xxij  [22)  de  setembro  de  L^54  foy  examinado 
o  bacharel  Antonid  Tavares  natural  da  Ilha  de  São  iMigele  mostrou  o 
titulo  de  seu  graao  que  lhe  foi  dado  em  Salauianca  e  foy  aprovado  pe- 
los desembargadores  do  paço  abaixo  asynados  em  Lisboa-=Gaspaj-.  =^ 
Dom  Simão-=Franciscus=Franciscus.= 

Tem  uma  nota  ao  lado  que  diz=foi  por  juiz  pir-A  Tavira —  e  outra 
(|ue  ú'\z= finado. 

(Arrli.  nac.  da  T.  do  7'.,  Sala  M.—  csf.  d-  n."  870  -f.  lOU  v.""} 


Certidão   d'exame  do  Bacharel  Sebastião  Velho  Cabral, 
de  19  de  Julho  de  1556. 

Item—  em  Lixboa  a  xxix  \2h]áç  jidho  de  l^iod  foi  examinado  o  ba- 
chaiel  Hastiãd  Velho  (:al)rall  naturall  da  cidade  dAngra  da  ilha  Ter- 
ceira o  (inal  mostrou  o  tilnlo  de  seu  graao  de  Hacharel   cm  Leix  (|ne 


rz 


ARCHIVO  DOS  AÇORES 


lhe  foi  dado  em  Sallamanca  e  prova  doito  cursos  na  universidade  tÍR 
Coymbra  e  foy  aprovado  pellos  desembargadores  do  paço  abaixo  asy- 
nado=Gaspar=Franciscus=Alvide. 

Diz  a  nota  á  margem:  foy  juiz  pêra  Allmodovar  com  a  jnrdição  dos 
padrões. 

(Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  Sala  M-est.  fj—n."  870— f.  UH  r/) 


Alvará  de  7  de  Julho  de  1557,  confirmando  a  compra  de 
umas  casas  em  S.  Miguel. 

El]  el  Rey  faço  saber  aos  que  esle  meu  allvara  virem  (jue  Gaspar 
Hoyz  allfayate  mor;idor  na  cidade  da  Pomta  Delguada  da  Ilha  de  Sam 
.Vligel  me  enviou  dizer  que  o  Licenciado  Gonçalo  Nunes  dAres  que 
foy  contador  de  minha  fazenda  na  contadoria  da  dita  Ilha  lhe  veinde- 
ra  e  arematara  em  preguão  o  ano  de  b'^  lij  (552)  por  preço  e  comtia 
de  seis  mill  e  dozentos  e  cimijoemta  reis  o  terço  de  huns  chãos  que 
foram  de  Joaii)  Paeez,  (jue  foy  allmoxaiife  do  allmoxarifadu  da  dita  Ilha 
a  (|ue  foy  tomado  e  metido  nos  próprios  delia  por  dividas  que  ticon 
devemdo  de  seu  recibymento  os  quaes  bj  ijl  rs.  {6^250  rs.)  o  dito  Guas- 
par  Hoiz  logo  paguara  e  emtreguara  a  Symão  Roiz  Rebelo  que  sérvio 
de  allmoxarife  do  dito  allmoxarifado  sobre  o  qual  fforão  careguados 
em  recepta  segundo  era  declarado  em  hua  carta  teslemnnhall  que  di- 
so  tirou  damte  o  Licenciado  Lourenço  Corea,  comtador  (*)  que  ora  lie 
da  dita  comtadoria  asynada  por  elle  que  apresemtava:  dos  quaees 
chãos  os  outros  dous  terços  herão  delle  dito  Guaspar  Roiz  pedyndo- 
me  que  lhe  mandase  pasar  provisão  de  vemda  do  dito  terço.  E  visto 
seu  requerimento  e  a  dita  carta  testemunhall  per  que  consta  o  dito 
(iuaspar  Roiz  ler  paguos  e  emlregues  os  ditos  bj  ijl  {6''S2õO)  reis  ao 
dito  Simão  Royz  allmoxarife  e  serem  sobre  elle  careguados  em  rece- 
pta lhe  mandey  dar  este  allvarà  de  vemda  do  dito  terço  dos  chãos  que 
forão  de  Johão  Paeez  iou  Alvarps?)  e  se  tomou  pêra  minha  fazenda  e 
meleo  nos  próprios,  e  parte,  da  bamda  do  levante  com  Ruy  Pereira,  e 
tio  norte  com  chãos  de  Manoel  Allmeida  (?)  e  da  bamda  do  sul  com 
(Ultra  (sic)  rua  pubrica  e  do  poemte  com  casas  de  Manoel  do  Porto: 
e  isto  peio  dito  preço  e  comtia  de  bj  ij  L^"*  (6é250)  reis  por  que 
lhos  vemdeo  e  aramalou  o  dito  contador  Gonçalo  Nunes:  a  quall  vem- 
da aprovo  e  ey  por  boa  e  quero  e  me  praz  que  o  dito  Guaspar  Roiz 


(•)  O  Licenriado  Loun^nço  Corrêa  foi  também  .luiz  de  Fora  por   Alvará  de 
â4  de  Outubro  de  1534. 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  73 

tenlia  e  aja  o  dito  terço  dos  chãos  pêra  sempre  pêra  elle  e  todos 
seus  herdeiros  e  os  logre  e  pusaa  como  cousa  sua  própria  que 
he  asy  e  da  maneira  que  tem  e  posue  os  outros  dous  terços  e 
como  a  mim  pertencia  e  portamto  mando  ao  dito  contador  da  conta- 
doria da  Ilha  de  São  Migel  que  dê  a  pose  do  dito  terço  dos  chãos  ao 
dito  Giiaspar  Roiz  e  lho  deixe  ter  e  posuyr  pêra  sy  e  seus  herdeiros 
como  dito  he  e  quaes  quer  outros  meus  ofeciaees  a  que  este  for  mos- 
trado e  o  conhecimento  delle  pertemcer  que  o  cumprão  e  guardem 
como  se  nelle  contem  e  o  dito  contador  porá  verba  no  Livro  dos  pró- 
prios da  dita  comtadoria  no  asemto  do  dito  terço  dos  chãos  que  asy 
foy  tomado  ao  dito  Joham  Paeez  de  como  se  vemdeo  ao  dito  Guaspar 
Koiz  e  he  seu  e  lhe  pasaraa  diso  sua  certidão  nas  costas  deste  que 
teraa  por  tilolo  do  dito  terço  do  chão  que  comprou  e  este  allvara  ey 
por  bem  que  valha  e  tenha  f  jrça  e  vyguor  como  se  fose  carta  feyta  em 
meu  nome  per  mim  asynada  e  pasada  per  minha  chancelaria  sem  em- 
bargue da  ordenaçam  do  segundo  Livro  titolo  xx  (20)  que  diz  que  as 
cousas  cujo  effeito  ande  de  durar  mais  de  hum  anno  pasera  per  car- 
tas e  per  allvarás  não  valhão.  Dioguo  Lopez  o  fez  em  Lixboa  a  bij  (7) 
dias  de  julho  de  jb''  Lbij  (/õ/57)  -E  eu  Duarte  Dias  o  fiz  escrepver— 
Diziam  os  risquados— Regimento— x. —  Comcertado,  Pêro  dOliveira  — 
fomcertado,  Sebastião  (?)  da  Costa. 

{Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  Chrmc.  de  D.  João  III,  Lii\"  LIV,  f.  318 

rt^rso.) 


Sentença  de  1  de  Março  de  1553,   a  favor  de  Joane  An- 
nes  de  Góes,  da  Ilha  do  Fayal. 

D.)m  Sebastião  d-.^  A  quantos  esta  minha  carta  virem  faço  saber 
que  Joane  Annes  de  Góes  mfirador  na  ilha  do  Fayal  me  enviou  dizer 
per  sua  petição  que  servindo  elle  de  Vereador  da  dita  ilha  no  anno 
de  jb  e  Ib  (1)55}  um  Simão  Miscarenhas  quiz  carregar  camtidade  de 
trigo  pêra  fora  contra  regimento  da  terra  e  que  elle  suplicante  lho  im- 
pediu como  justiça  e  por  impedimento  o  dito  Mascarenhas  lhe  resistiu 
com  armas  e  palavras  em  xxbj  (26)  dagosto  do  dito  anno  de  que  fez 
autos  com  um  Lazaro  Dias  tabellião  e  o  prendeu  e  pêra  se  livrar  da 
dita  culpa  elle  Mascarenhas,  um  Marcos  Dias,  tabelião  do  publico  e  ju- 
dicial outrosym  na  dita  ilha  [lassou  um  instrumento  falso  e  deu  nelle 
fés  falsas  o  (jual  lhe  passou  em  vimte  e  oito  dias  de  julho  de  b  e  Ibj 
{056}  o  que  todo  foi  em  prejuízo  delle  supplicante  por  lhe  danificar 
sua  justiça  dizendo  (pie  era  suspeição  intentada  ao  escrivam  com  <jueni 

N.o  i9_Vol.  IV— 1882.  IO 


74  ARCHIVO  DOS   AÇORES 

fez  os  autos  e  inquirições  e  no  anno  de  jb  e  Ibj  {15õ6)  fez  uma  pro- 
curação a  Rosa  ifAndrade,  moradora  na  ilha  pêra  seu  marido  Fran- 
cisco Dutra  sem  escrepver  dia  nem  mez  por  que  lhe  deu  de  perda 
bem  cem  mil  reis,  e  fez  mais  no  anno  de  b  e  Ij  {551)  sendo  elle  Mar- 
cos Dias  escripvam  de  um  feito  dantre  Pêro  Gaspar  e  Gonçalo  Annes. 
na  ilha  moradores,  tirou  folhas  do  dito  feito  e  melteu  outras  em  con- 
trario do  que  tinha  escripto  e  no  anno  de  b  r  ix  {549)  deu  fé  que  cilá- 
ra  André  Pires  Goularte  pêra  um  feito  antre  elle  e  um  António  Dutra 
não  estando  elle  ao  tal  tempo  na  ilha.  como  se  provará  por  o  feilo 
que  deu  fé  em  contrario  dos  autos  de  que  estava  escripto.  Item  no 
anno  de  b  e  Ibij  {557)  em  um  feito  antre  Gaspar  Homem  e  o  dito  An- 
tónio Dutra  estando  publicada  o  juiz  delle  que  não  recebia  uma  apel- 
lação  a  uma  das  pnrtes  respausou  {raspou)  o— não— .  e  ficava  -  apella- 
ção  recebida—:  e  tirando  a  parte  instrumento  agravando-se  delle  tabel- 
lião  lhe  pagou  as  custas  por  que  se  calasse:  pelos  quaes  erros  e  cada 
um  delleso  dito  Marcos  Dias  perdia  <is  ditos  olTicios  e  eu  os  podia  com 
direito  dar  a  quem  minha  raeicê  fosse:  pedindo-me  o  dito  Joane  Annes 
de  Góes  que  lhes  fizesse  delles  mercê  por  quanto  era  auto  {aptrí.  |)era 
os  servir;  e  visto  por  mim  seu  dizer  e  porem  confiando  delle  dito  Joane 
Annes  que  é  tal  que  no  que  ho  encarregar  me  servirá  bem  e  fielmente 
como  a  meu  serviço  e  bem  das  partes  cumpre  e  por  lhe  fazer  mercê 
tenho  por  bem  e  lha  faço  dos  ditos  (jíTicios  se  assim  é  que  o  dito  Mar- 
cos Dias  fez  os  ditos  erios  e  por  ele  >e  perdem  pêra  mim  e  lhos  eri 
com  direito  dar  posso  a  esta  mercê  lhe  faço  per-  virtude  de  rrm  meu 
alvará  per  mim  assignado  e  passado  per  minha  chancelaria  do  qual  o 
trellado  de  verbo  ad  verbo  é  o  seguinte: —  Desembargadores  do  paço. 
amigos,  eu  hei  por  bem  de  fazer  mercê  a  Joanne  Armes  de  Góes.  mo- 
rador na  ilha  do  Faial  dos  oíTrcios  de  tabellião  do  publico  e  judicial  da 
dita  ilha  se  assim  é  que  Marcos  Dias  cujos,  diz,  que  os  ditos  oíficios 
são  os  perde  pelos  erros  coutheudos  na  dita  petição,  o  qual  Joannr 
Annes  foi  examinado  e  havido  por  auto  pêra  os  servir  pelo  Licencia- 
do Braz  d'Alvide  do  meu  conselho  e  meu  desembargador  do  paço  e 
esto  me  praz  assim  não  sendo  o  dito  Marcos  Dias  ja  acusado  por-  ca- 
da um  dos  dilos  erros  ou  culpado  nelles  em  alguns  autos  ou  devassa> 
ou  inquirições  judiciaes,  marido-vos  que  ao  dito  Joanne  Annes  pasès 
carta  em  for^ma  dos  ditos  oíírcios  pagando  primeiro  os  direitos  orde- 
nados e  porem  não  havendo  hi  outra  prova  dos  ditos  er r-os  pêra  o  di- 
to Marcos  Dias  haver  de  perder  os  ditos  oflicios  senão  srra  confissão 
posto  que  os  elle  pela  tal  confissão  |)erqua  estão  per  sentença  julga- 
dos por  perdidos  não  haver'á  o  dito  Joanne  Annns  por  virtude  da  dita 
carta  os  ditos  oíficios  e  err  poderei  prover  delles  a  qualquer  outra  pes- 
soa que  houver  por  l^em.  Balthasar-  da  Costa  o  fez  em  LisLioa  a  quin- 
ze de  fevereiro  de  jb  e  Ibiij  {1558).  —  E  porem  mando  aos  Jrrizes  da 
dita  ilha  do  Fayal  e  a  todolos  outros  officiaes  e  pessoas  a  que  esta 
carta  for  mostrada  e  o  conhecimento  delia  pertencer,  ijue   sendo  pe- 


A.BCHIVO   DOS   AÇOKES  75 

ranle  elles  citado  o  dito  Marcos  Dias  o  ouçam  judicialmente  e  o  dito 
Joaiiiie  Annes,  tirando  sobre  o  dito  caso  inquirição  judicial  e  indo  pe- 
lo feito  em  deante  como  é  ordenado,  e  achando  que  é  assim  como  o 
dito  Joanne  Annes  diz  e  que  pelos  ditos  erros  ou  cada  um  delles  o  di- 
to Marcos  Dias  perde  os  ditos  oflicios  o  julguem  assim  por  sua  senten- 
ça definitiva  dando  apellação  e  agravo  ás  partes  nos  casos  que  com 
<lireito  couber  e  sendo  o  dito  Marcos  Dias  condemnado  que  perca  os 
ditos  officios  e  não  querendo  apelar  nem  agravar  da  dita  sentença  vós 
apelai  por  parte  de  minha  justiça  e  não  mettereis  em  posse  delles  ao 
<lilo  Joanne  Annes  até  primeiro  mostrar  provisão  do  caso  dapellação 
e  mostrando-o  então  será  meltido  em  posse  dos  ditos  officios  e  lhes 
deixareis  seivii'  e  delles  usar  e  hiver  as  remias,  direitos,  proes  e  pre- 
ralços  a  elles  direitamente  ordenados  sem  duvida  nem  embargo  algum 
(|ue  lhe  a  isto  seja  posto  e  não  havendo  hi  outra  prova  dos  ditos  er- 
ros pêra  o  dito  Marcos  Dias  haver  de  perder  os  ditos  officios  senão 
sua  confissão  posto  que  os  elle  pela  tal  confissão  perca  e  sehão  (sejam) 
julgados  por  sentença  por  perdidos  não  haverá  o  dito  Joanne  Annes 
per  virtude  desta  carta  os  ditos  officios  e  eu  proverei  delles  a  qual- 
quer outra  pessoa  que  houver  por  bem  e  esto  me  praz  assim  não  sen- 
do o  dito  Marcos  Dias  ja  accusado  por  cada  um  dos  ditos  eiros  ou 
culpado  nelles  em  alguns  autos,  devassas  ou  inquirições  judiciaes.  e 
sendo  o  dito  Marcos  Dias  condemnado  em  perdimenlo  dos  ditos  offi- 
cios sel-o-ha  mais  em  dous  mil  reis.  os  quaes  fareis  entregar  ao  dito 
.Joanne  Annes  pelos  pagar  de  ordenado  delles  os  quaes  entregou  ao 
recebedor  de  minha  chancellaria  perante  o  escrivão  delia  que  os  so- 
bre elle  carregou  em  receita  como  pareceu  per  seu  conhecimento  em 
forma  assignado  per  ambos  na  qual  chancellaiia  o  dito  Joanne  Annes 
jurará  aos  Santos  Avangelhos  que  bem  e  verdadeiramente  e  como  de- 
ve sirva  e  u.se  dos  ditos  officios  e  cumpra  e  guarde  os  regimentos  que 
<lella  levar  guardando  em  todo  a  mim  meu  serviço  e  ás  partes  seu  di- 
reito. Dada  em  a  cidade  de  Lisboa  ao  primeiro  dia  de  março,  el  Rey 
nosso  senhoi-  o  mandou  pelo  Licenciado  Brás  d.Alvide  e  por  Dom  Gon- 
çalo Pinheiro.  Bispo  de  Viseu,  ambos  do  seu  conselho  e  seus  desem- 
bargadores do  paço  e  petições.  Roque  Vieira  o  fez,  anno  do  nascimen- 
to de  Nosso  Senhor  Jesus  Chrislo  de  mill  b  e  Lbiij°  (Í5õ8)  annos.  E 
eu  António  Vieira  a  fiz  escrever. —Não  faça  duvidas  os  risquados  &.* 

(Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  L."  1."  dm  Doac.  de  I).    Seb.,  f.  Ô2  v.") 


76  ARCHIVO  DOS  AÇOBES 

Alvará  de  2  de  Maio  de  1558,   concedendo  á  Camará  da 
Ribeira  Grande  a  imposição  sobre  o  vinho  e  carnes, 
com  applicação  aos  concertos  da  Matriz  e  do  enca- 
namento das  agoas. 

Eu  el  Rey  fago  saber  a  quamtos  este  meu  allvará  virem  que  os 
juizes,  vereadores  e  procurador  da  villa  da  Ribeira  Grande  da  Ilha  de 
São  Miguel  me  escreverão  que  o  povo  da  dita  villa  era  obriguado  re- 
pairar  a  Igreja  Matriz  delia  de  allguas  cousas  que  nella  esta  vão  pêra 
fazer  e  era  necesario  acabaremse  e  asy  tinhão  necesydade  de  trazer 
á  dita  villa  per  canos  hua  agoa  de  que  todos  bebem  e  que  a  dita  a- 
goa  vinha  per  hum  reguo  que  não  hera  acabado  e  hera  necesario  a- 
cabarse  e  concertarse  e  que  o  concelho  da  dita  villa  nam  tinha  a  ren- 
da nem  dinheiro  pêra  fazer  as  ditas  despesas  pedyndome  que  ouvese 
por  bem  concederlhe  imposyção  no  vynho  e  carnes  que  se  venderem 
na  dita  villa  pêra  do  rendymento  da  dita  imposyção  poderem  fazer  e 
repayrar  as  ditas  cousas  e  amte  de  niso  prover  mandey  ao  ouvidor 
do  capitão  da  dita  Ilha  de  Sem  Migel  que  se  enformase  do  que  asy 
desião  e  se  tynhão  necesydade  de  fazerem  as  ditas  obras  e  quanto 
se  averia  mester  pêra  ellas  e  se  tynha  o  concelho  allgum  dinheiro  pê- 
ra as  faser  e  se  erão  todos  comlenles  de  se  lançar  a  dita  imposição 
e  que  de  todo  fizese  auto  e  mo  envyase  e  me  escrevese  seu  parecer, 
ao  que  foy  per  elle  salisfeyto.  E  visto  o  auto  que  acerqua  diso  fez  e 
sua  imformação  ey  por  bem  e  me  praz  conceder  á  dita  villa  a  dita 
imposyção  no  vinho  que  se  nella  vender  atavernado  e  na  carne  que 
se  vender  aos  arateis.  a  saber:  dous  ceitis  niais  no  quartilho  de  vinho  e 
outros  dous  ceitys  no  aratel  de  carne  alem  daquillo  por  que  se  vender 
e  esto  por  tempo  de  cimquo  anos  soomente  e  do  rendimento  da  dita 
imposyção  se  farão  as  obras  acima  declaradas  e  não  outras  allguas:  e 
mando  aos  Juizes  e  Vereadores  da  dita  villa  que  lancem  a  dita  imposy- 
ção e  facão  fazer  um  lyvro  ao  escripvam  da  Camará  pêra  lecadação 
delia  e  o  procurador  do  concelho  receberá  o  rendimento  delia  de  que 
se  lhe  tomará  conta  cada  ano  ate  se  acabarem  os  ditos  cimquo  anos 
per  qiie  lha  comcedo  e  os  ofeciaes  que  guastarem  o  dito  rendimento 
ou  parte  delle  salvo  nas  cousas  sobreditas  o  paguarão  de  sua  casa  ao 
concelho  e  ey  por  bem  que  este  allvara  tenha  força  e  vyguor  como  se 
fose  carta  feyta  em  meu  nome  pasada  pela  chancellaria  sem  embarguo 
da  ordenaçam  do  Livro  2.°,  t.°  xx— que  defende  que  as  cousas  cuj(» 
efeito  ouver  de  durar  mais  de  hum  anno  pasem  per  cartas  e  não  per 
allvaras.  O  doctor  Joham  de  Bayros  o  fez  em  Lixboa  a  dous  dias  do 
mes  de  Mayo  de  jb''  e  Ibiij"  {1558)  annos.  Diziam  os  risquados— por— 
e—Remdas.— Concertado,  Pêro  dOliveira— concertado.  Roque  Vicente. 
(Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  Chanc.  de  D.  Seb.,  Lir.'>  l."*  de  Prir.Jol. 
189.) 


AHCHIVO   DOS  AÇOHES  // 

Alvará  de  12  de  Novembro  de  1560.  nomeando  Almoxa- 
rife da  Villa  das  Lages  da  Ilha  do  Pico,  aquelle  que 
casar  com  Maria  Dias  Gularte. 

Eu  el  Rey  faço  saber  aos  que  este  alvará  virem  (]ue  eu  hei  por 
bem  e  me  praz  fazer  mercê  a  Maria  Dias  de  Brito,  ama  do  principe 
meu  senhor  e  pae  que  santa  gloria  haja,  do  cficio  de  almoxarife  do 
almoxarifado  da  villa  das  Lageas  da  ilha  do  Pico  que  vagou  per  fale- 
cimento de  Francisco  Soares,  e  isto  pêra  a  pessoa  que  casar  com  Ma- 
ria Dias  Gularte  (y/c)  parenta  da  dita  ama  sendo  auto  (apto)  e  sufli- 
ciente  pêra  servir  o  dito  oíTicio  a  qual  pessoa  antes  de  casar  se  virá 
apresentar  aos  vedores  de  minha  fazenda  pêra  verem  se  é  auto  e  a- 
chando  que  o  é  lhe  passarão  disso  sua  certidão  com  a  qual  lhe  man- 
darei per  virtude  deste  alvará  passar  carta  em  forma  do  dito  oíTicio 
com  declaração  que  o  terá  e  servii  á  em  quanio  o  eu  houver  por  bem 
e  não  mandar  o  contraiio  |iagando  primeiro  os  direitos  oídenados. 
E  por  sua  guarda  e  minha  lenibrança  lhe  mandei  dar  este  alvará. 
Diogo  Lopes"  o  fez  em  Lisboa  a  xij  ( 12  )  dias  de  novembro  de  jb  e  Ix 
{1560). 
(Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  Lir.  6.^  da^  Mm-ps  de  D.  Seh..  f.  245  r.") 


Nomeação  de  Belchior  Gonçalves,  para  Alcaide  da  Vil- 
la da  Praia  na  Ilha  Graciosa;  1561. 

Eu  el  Rey  mando  a  vos  corregedor  das  Ilhas  dos  Açores  que  vos 
informeis  se  é  Belchior  Gonçalves,  contheudo  na  petição  atraz  escripta 
do  marechal,  meu  amado  sobrinho,  culpado  nas  devassas  que  se  tira- 
ram sobre  os  oíficiaes  da  justiça  da  villa  da  Praia  da  ilha  Graciosa  o 
tempo  que  elle  serviu  de  alcaide  da  dila  villa,  e  achando  que  não  é  cul- 
pado nas  ditas  devassas  passareis  disso  vossa  certidão  nas  costas  d"es- 
ta  com  a  qual  hei  por  bem  que  o  dito  Belchior  Gonçalves  possa  ser- 
vir f)  dito  oííicio  de  alcaide  outros  três  annos  sem  embargo  da  orde- 
nação em  contrario  e  isto  sendo  elle  apresentado  pelo  dito  marechal  e 
acceitado  pelos  aíTiciaes  da  Gamara  da  dita  villa,  conforme  a  ordena- 
ção. Jorge  da  Gosta  (  o  fez  ?  )  em  Lisboa  a  xxiij  (23)  de  outubro  de  jb 
Ixj  {156V.  Manoel  da  Gosta  o  fez  escrever. 

{Ardi.  nac.  da  T.  do  T.,  Lir.  6'."  das  Doaç.  df  I).  Seh..  f.  428  r.°) 


78  ARCHIVO   DOS   AÇOBES 

Carta  á  Rainlia,  de  Jorge  Mendoça.  de  6  de  Julho   de 

1565. 

Senhora.—  Vosa  A.  bera  vyo  a  voinlade  e  o  zelo  que  tenho  em 
servir  em  tudo  a  eIRei  noso  senhor  principalmente  por  Vosa  A.  ter 
cuidado  da  sua  criação:  heu  chegei  a  estas  ilhas  a  três  de  Julho  e 
antes  que  surgise  me  derim  novas  que  andava  hua  nào  no  Piquo  e 
no  Faial:  fui  ter  com  ela  e  a  trouxe  a  esta  ilha  a  qual  a  fiquo  fazendo 
prestes  pêra  ha  mandar  ao  reino  poios  perigos  que  aqui  pasão:  vem 
bem  caregada  que  Iras  simquo  mil  quinlaes  de  pimenta  e  seis  cem- 
tos  quintaes  de  drogas:  as  outras  nãos  ficavam  á  carega.  heu  espero  em 
noso  senhor  que  Iodas  amde  vir.  que  são  seis  nãos  por  que  a  pimenta 
coria  com  aver  muita  nos  armasens  ?  portos?  e  massa  cravo'!  e  dom 
.\mtam  desejar  de  asertar  no  serviso  dei  Rei  noso  senhor  e  de  V.  A. 
As  mais  novidades  da  Imdia  nam  nas  escrevo  a  V.  A.  por  mamdar  es- 
te omem  da  Imdia  que  as  dará  a  V.  A.  Noso  senhor  vida  e  real  estado 
acresente  a  V.  A.  por  muitos  anos.  Desta  ilha  dAngra  aos  seis  de 
Julho. 

JoHGE  DK  Mendoça. 

íSobreescripto)  á  Rainha  nosa  senhora. 

(cota)  Rainha  — lo(j5  -De  Jorge  de  Nlendoça  de  bj  (6*)  de  Julho. 

(Arch.  nar.  da  T.  do  T..  Corp.  Chron.  Part.  S.\  maç.  18—102.) 


Carta  de  10  d' Abril  de  1566,  sobre   fabricas  nas  Igrejas 
das  Ilhas  dos  Açores  á  custa  da  fazenda  real. 

Fernão  Cabral,  eu  El  Rei  vos  envio  muito  saudar.  Eu  lenho  assen- 
tado que  se  ordenem  fabricas  á  custa  de  minha  fazenda  em  todas  as 
egrejas  dessas  Ilhas  dos  .Vçores  que  forem  de  minha  obrigação  pêra 
as  ditas  igrejas  poderem  ser  melhor  providas  e  repairadas  do  que  lhes 
for  necessário,  e  para  isto  poder  aver  eíTeito  hei  por  bem  e  vos  mando 
que  vos  informeis  e  saibais  muito  no  certo  quantas  egrejas  de  minha 
obrigação  ha  nas  ditas  Ilhas,  e  aonde  cada  hua  estaa.  e  se  estaa  em 
povoado,  se  fora  delle  e  o  nome  do  lugar  em  que  assi  estaa.  e  o  mo- 
do do  edifício  delia,  e  a  fabrica  que  lhe  será  necessária,  e  quantos  fre- 
guezes  tem,  e  a  que  rende  em  cada  hum  ano,  e  se  tenho  eu  obriga- 
ção á  fabrica  e  repairo  das  capellas  mores  das  ditas  egrejas  somente, 
o  o  povo  ou  freguezes  ao  corpo  da  egreja  ou  se  toda  esta  obrigação 


ARCHIVO    nos    AÇORES  79 

hp  minha  ou  do  dito  povo  e  freguezes.  e  da  posse  e  costume  que  nis- 
t(t  ha,  com  todas  as  mais  particularidades  e  declarações  que  vos  pare- 
cerem necessárias  para  bem  do  dito  assento  e  limitação  e  fabricas,  da 
(|ual  informação  fareis  fazei'  hum  caderno  muito  bem  declarado  pondo 
cada  egreja  com  suas  declarações  e  titulo  per  si  assinado  per  vos,  e 
ao  pé  de  cada  hum  delles  poreis  vosso  parecer  acerca  da  conthia  que 
se  deve  ordenar  de  fabrica  á  igreja  nelle  coutheuda  conssideradas  as 
cousas  acima  ditas  e  inviarmeeis  logo  o  dito  caderno  cerrado  e  sellado 
e  será  entregue  na  mesa  do  despacho  da  mesa  da  consciência  e  or- 
dens o  que  assi  comprireis  com  diligencia.  Gaspar  de  Magalhães  a 
fez  em  Lixboa  a  x  (10)  de  Abril  de  iSfiO  annos-=  Sebastião  da  Costa 
a  fez  escrever.  «O  Cahdeal  Iffante.» 

E  no  Hegisto  não  diz  mais.  e  estaa  assinado  pello  dito  Provedor 
Fernão  Cabral. 

E  na  informação  que  estaa  escripta  no  dito  Livro  que  o  dito  Fei  - 
não  Cabral  inviou  ao  dito  senhor  Rei  por  elle  assinada  sobre  a  deli- 
gencia  que  fez  por  bem  da  dita  provisão  estaa  hum  capitulo  de  que  o 
ireslado  he  o  seguinte — Por  costume  já  muito  antiguo  as  capellas  mo- 
les  e  sanchristias  são  da  obrigação  do  Mestre,  e  os  corpos  das  igre- 
jas dos  freguezes,  e  assi  correo  sempre  e  corre. 

E  não  diz  mais  no  dito  capitulo  do  qual  passei  o  tresladf)  e  da  di- 
la  provisão  por  bem  do  despacho  atras.  Em  Lixboa  a  xiij  (IS)  de  Ou- 
tubi'0  d  e607.— Ruy  Diaz  de  Mene:zes. 

(Arch.  nac.  da  T.  do  7'..  Sala  M.—t>st.  6'.^-  vol.  871— f.  Oti.j 

Esle  Livro  é  u  primeiro  dos  chamados — Baios— da  mesa  da  consciência  e 
iirdens,  do  Registo  das  Provisões,  &.%  e  o  único  que  foi  recolhido  á  Torre  do 
Tombo. 

{Nota  do  Sr.  ./.  /.  de  Brito  RebeUo) 


Carta  a  Elrey.   da  Camará   de   Ponta  Delg-ada,  de   29 
d  Abril  de  1577. 

Senhor=  Em  onze  dabril  ano  de  77  {lõ77}ío\  dada  nesta  Camará  da 
Ponta  Dellgada  híla  provizão  de  Y.  A.  em  que  nos  manda  que  com  o 
Juiz  de  fora  mandasemos  per'  certidões  o  dinheiro  qire  nesta  ilha  he 
fintado  pêra  as  fortefrqações  desta  cidade  e  o  que  delle  he  gastado 
e  se  se  deve  ainda  allgum  e  (|irant(»  he.  (juein  o  deve  e  a  rezão  que 
ha  pêra  o  não  pagar  e  se  ha  allguas  pessoas  (jire  peia  nam  pagar  te- 
nham provizão  de  V.  A.  e  lhe  enviemos  o  trellado  delias  de  modo 
(|uef  aça  fee  por  asi  comprir  a  serviço  de  V.  A.:  e  querendo  nós  com- 


HO  ARCHIVO    DOS    AÇORES 

prir  o  não  podemos  fazer  sem  ver  os  Livros  dos  lançamentos  da  dita 
ilha  os  ijuaes  estam  em  poder  de  Gonçallo  Jorge  escrivão  das  forle- 
íiiiaações  ao  quoal  logiio  no  mesmo  dia  mandamos  notefiqar  pelo 
escrivão  da  camará  os  trouxese  a  esta  camará  pêra  delles  se  tirarem 
as  certidões  que  comprião  ao  serviço  de  V.  A.  como  nos  mandava  per 
•Ima  provizão  que  pêra  iso  tínhamos  ao  (|ue  respondeo  que  tinha  so- 
perior  que  era  o  ouvidor  do  (Capitão  e  que  os  nara  avia  de  trazer  a 
esta  gamara  sem  seu  mandado  e  loguo  mandamos  ao  escrivão  da  ca- 
mará que  fose  a  casa  delle  ouvidor  e  lhe  disese  que  nós  da  parte 
de  Vossa  A.  lhe  mandávamos  reijuerer  maudase  a  G)açallo  Jorge 
trouxese  os  Livros  a  esta  camará  pêra  com  elles  satisfazermos  a  hua 
provizão  de  V.  A.  que  pêra  isso  tinhamos  ao  que  respondeo  lhe  íises- 
sem  petiçj^o  e  que  a  despacharia  como  lhe  paressese  justiça  e  com 
esta  resposta  do  ouvidor  o  Juiz  mandou  ao  escrivão  da  camará  note- 
tiquasse  a  Gonçallo  Jorge  com  pena  de  degredo  e  dinheiro  e  de  ser 
emprazado  trouxesse  os  livros  a  esta  camará  e  indoselhe  fazer  a  dita 
noletiqação  veio  a  esta  camará  Fedro  Martins  (?)  escrivão  da  ouvidoria 
do  Capitão  e  disse  que  Rui  Gonçalves  da  Gamara  nos  mandava  dizer 
que  era  emformado  que  mandávamos  a  Gonçalo  Jorge  escrivão  das  for- 
lefiqações  que  trouxese  os  Livros  a  esta  camará  os  qoaes  elle  tinha 
em  seu  poder  pêra  fazer  deligencias  que  V.  A.  lhe  mandava  e  (jue 
acabando  elle  de  as  fazer  elle  mandaria  loguo  a  Gonçalo  Jorge  que 
trouxese  os  Livros;  o  que  ate  oje  não  tem  feito  pello  (jue  não  temos 
satisfeito  a  provizão  de  V.  A.  como  se  verá  pellos  autos  que  diso  se 
tizerão  de  que  vai  o  irelado  autentiqo  pelo  (jue  se  verá  que  a  deligen- 
cia  se  não  deixou  de  fazer  por  nosa  cullpa,  mas  por  nos  não  darem  os 
Livros,  o  que  faremos  tanto  que  nos  forem  dados  e  pedimos  a  V.  A. 
(jue  ate  não  ver  estas  diligencias  não  mande  dar  despacho  neste  nego- 
cio. Porque  somos  emformados  que  manda  V.  A.  ir  Pêro  de  Maeda 
mestre  das  fortifiqações  pêra  delle  ser  emformado  das  enposibilidades 
desta  nova  fortefliação  qne  he  comessa  ia:  pedimos  a  V.  A.  em  nome 
deste  povo  aja  pur  seu  serviço  darmos  licença  pêra  desta  ilha  man- 
darmos hum  procurador  á  custa  dos  concelhos  delia  que  seja  homem 
nobre  com  quem  V.  A.  se  posa  também  emformar  e  elle  requeira 
em  nome  desta  ilha  o  qu*  mais  seja  serviço  de  Deos  e  de  V.  A.  Nos- 
so senhor  o  Real  estado  de  V.  A.  por  muitos  anos  acresente.  Escrita 
nesta  cidade  de  Ponta  Dellgada  aos  xxjx  (2.9)  dabril  de  l/lxxbij  (1577i 
António  Botelho  escrivão  da  camará  a  fez.  O  juiz  de  fora  não  asinou 
por  ser  na  ilha  de  santa  Maria  a  serviço  de  V.  A  .=\Ianoell  Alvarez 
(?)=Jorge  Nunez  Botelho  ==Diogo  Fereira=Anlonio  Roiz=Francisc(» 
Fernandes==Manoel  Pirez= 

ÍSobreescripto)  A   ell   rei   nosso  senhor^da  camará  da  cidade  í\a 
Ponta  Dellgada  da  ilha  de  são  Migel. 

(Arch.  nic.  d'i  T.  ihi  T.,  Corp.  Cliron.  P.irt.  i:\  miç.  Ill—n.''  2S.) 


.\RCHIVO  DOS   AÇOKES  81 

Carta  de  Merca  do  Titulo  de  Conde  de  Villa  Franoa,  feita 
a  Ruy  Gonçalves  da  Gamara,  em  17  de  Junho  de  15S3. 

Dom  Felipe  à.^  Caço  snber  aos  que  esta  carta  virem  que  havendo  eii 
respeito  aos  muitos  serviços  e  merecimentos  de  Rui  Gonçalves  da  Ga- 
mara do  meu  conselho  Gapitão  da  ilha  de  S.Miguel  e  aos  que  espero 
receber  delle  e  de  seus  descendentes  e  por  folgar  muito  de  por  estes 
tí  outros  respeitos  lhe  fazer  honra,  acrescentamento  e  mercê  que  nelle 
bem  cabe,  assim  per  todos  estes  respeitos  como  pela  qualidade  de  sua 
pessoa  e  casas,  crendo  que  sempre  me  servirá  conforme  a  sua  obri- 
gação, me  praz  e  hei  por  bem  de  lhe  fazer  merece  do  titulo  de  Gonde 
de  Villa  Franca  da  dita  ilha  de  Sã()  .Miguel  pêra  ter  o  dito  titulo  em 
sua  vida,  e  quero  que  d'aqui  em  deante  se  chame  Gonde  delia  e  goze 
de  todas  as  honras,  preeminências,  prerogativas.  auctoridade,  privilé- 
gios, graças,  liberdades,  mercês  e  franquezas,  que  hão  e  tem,  e  de 
que  uzam  e  sempre  uzaram  os  Gondes  destes  meus  reinos,  assim  co- 
mo per  direito,  uso  e  costume  antigo  lhe  pertencem,  dos  quaes  em 
tudo  e  por  tudo  quero  e  mando  que  elle  inteiramente  use  e  se  (sic) 
possa  usar  e  lhe  sejam  guardados  em  todos  os  autos  (acíos)e  tempos 
em  que  por  direito  e  por  uso  e  costume  deva  delles  usar  sem  mingua- 
mento  nem  duvida  alguma  que  em  ello  lhe  seja  posta,  porque  as>im 
é  minha  mercê,  com  o  qual  titulo  de  Gonde  o  dilo  Ruy  Gonçalves  da 
Gamara  terá  e  haverá  de  assentamento  em  cada  um  anuo  o  que  di- 
leitamente  lhe  pertencer  de  que  se  lhe  passará  provisãíi  em  minha 
fazenda.  E  por  firmeza  de  tuio  o  que  dito  é  lhe  mandei  dar  esta  car- 
ta por  mim  assignada  e  passada  per  minha  chancellaria  e  selkida  com 
o  meu  sello  de  chumbo.  Dada  na  cidade  de  Lisbia,  dezesete  dias  do 
mez  de  junho,  Lopo  Soares  a  fez.  anuo  do  nascimento  de  Noso  Senhor 
Jezus  Ghristo  de  jb  e  Ixxxiij  (1583). 

{Arch.  nac.  da  T.  do  T..  L"  8.°  das  Doac.  de  Filip.  I,  f.  124.) 


Carta  de  25  dOutubro  de  1601,  confirmando  a  anterior. 

Dom  Filipe  à.^  faço  saber  aos  que  esta  minha  carta  virem  que  el 
rei  meu  senhor  (1)  que  santa  gloria  haja,  antes  do  falecimento  de  Ruy 
Gonçalves  da  Gamara.  Gonde  de  Villa  Franca,  que  Deos  perdoe,  que 


(1)  Faltam  as  palavras— í/)a!Ír<?— segundo  a  formula  usual 

{Nota  do  Sr.  J.  I.  de  Brito  Rebello.) 

N.°  19-Vol.  IV  — fSÍTá.  H 


82  ARCHIVO    DOS    AÇOHES 

foi  do  seu  conselho,  e  capitão  da  ilha  de  S.  Miguef,  tendo  considera- 
ção a  seus  muitos  serviços  e  merecimentos  e  por  folgar  muito  de  lhe 
fazer  honra  e  acrescentamento  e  mercê,  assim  por  estes  respeitos  co- 
mo pelas  qualidades  de  sua  pessoa  e  casa  houve  por  bem  pelos  mes- 
mos respeitos  e  pela  satisfação  e  contentamento  que  tinha  de  Dom 
Manuel  da  Camará  seu  filho  mais  velho  casar  com  dona  Leonor  de 
Vilhena  filha  de  Dom  Fradiqae  Henriquez,  seu  mordomo  e  de  Dona 
Guiomar  de  Vilhena  sua  mulher,  de  fazer  mercê  por  seu  falecimento 
ao  dito  Dom  Manoel  do  titulo  de  Conde  da  dita  Villa  Franca  em  sua 
vida,  de  que  lhe  mandou  passar  alvará  de  lembrança  feito  em  Lisboa 
a  dezesete  de  junho  de  mil  e  quinhentos  oitenta  e  trez  pêra  do  dito 
titulo  se  lhe  fazer  carta  em  forma  tanto  que  o  dito  Conde  seu  pae  fa- 
lecesse, e  porquanto  o  dito  Dom  Manuel  me  mandou  ora  pedir  o  cum- 
primento do  dito  alvará  por  o  dito  seu  pae  ser  já  falecido  me  praz  e 
hei  por  bem,  por  todos  os  respeitos  conlheudos  nesta  carta  que  me 
são  tão  presentes  como  é  razão  e  pela  boa  vontade  que  tenho  ao  dito 
Dom  Manoel  e  por  esperar  delle  quê  toda  a  honra  e  mercê  que  lhe  fi- 
zer ma  servirá  sempre  como  aquelles  rft^  (1)  que  elle  descende  sempre 
o  fizeram  aos  reis  meus  antecessores,  de  lhe  fazer  mercê  do  titulo  de 
Conde  da  dita  Villa  de  Villa  Franca  da  ilha  de  S.  Miguel  em  sua  vida 
com  todas  as  honras,  preeminências,  prerogativas,  auctoridades  e  pri- 
vilégios, graças,  liberdades,  mercês  e  franquezas,  e  tudo  o  mais  que 
hão  e  tem  e  de  que  usam  e  sempre  usaram  os  Condes  destes  meus 
reinos,  assim  como  por  direito,  uso  e  antigo  costume  delles  lhe  per- 
tencem, dos  quaes  em  todo  e  por  todo  quero  e  mando  que  elle  junta- 
mente use  e  possa  usar  e  lhe  sejam  guardados  em  todos  os  autos  (a- 
(■tos)e  tempos  em  que  de  direito  e  por  uso  e  costume  delias  elle  deva  e 
possa  de  tudo  usar  sem  duvida,  nem  minguamento  algum  por  que  assim 
é  minha  mercê,  e  mando  aos  Vedores  de  minha  fazenda  que  lhe  façam 
fazer  carta  em  forma  de  assentamento  com  o  dito  titulo  de  Conde, 
segundo  ordenança,  e  por  firmeza  de  tudo  o  que  dito  é  lhe  mandei 
dar  esta  carta  por  mim  assignada  e  passada  por  minha  chancellaria 
e  asellada  cora  o  meu  sello  pendente.  Luiz  Falcão  a  fez  a  xxb  (25)  di- 
as do  mez  de  outubro,  anno  de  Nosso  senhor  Jesus  Christo  de  mil  e 
bj^^e  hfi  (1601)  E  eu  o  secretario  Christovão  Soares  a  fiz  escrever. Diz 
nas  antrelinhas  — fazer=  Chistovão=  e  risquei=Lopo=  Concertada, 
Pêro  Castanho. 

(Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  Liv.  10."  das  Doaç.  de  Filip.  11,  f.  103  v.".) 


(1)  Esta  partícula  falta  no  legísto. 


{Nota  do  Sr.  J.  I.  de  Brito  Rebello.) 


AHCHIVO  DOS  AÇOBES  83 

Carta  de  12  de  Dezembro  de  1601,  fazendo  mercê  a  D. 
Manoel  da  Camará,  Conde  de  Villa  Franca,  da  ten- 
ça de  102^860  rs. 

Dom  Filippe  cV/  faço  saber  aos  que  esta  minha  carta  virem  que 
eu  hei  por  bem  e  me  praz  que  Dom  Manuel  da  Camará  a  quem  lenho 
feilo  mercê  do  titulo  de  Conde  de  Villa  Franca  da  ilha  de  São  Miguel 
em  sua  vida  lenha  e  haja  de  minha  fazenda  cento  e  dois  mil  outocen- 
los  e  sessenta  reis  de  assentamento  cada  anno  com  o  dito  titulo  de 
Conde,  que  é  o  assentamento  ordinário  que  com  elle  ha  de  haver, 
e  portanto  mando  a  Dom  Fernando  de  Noronha  Conde  de  Linhares, 
meu  muito  amado  sobrinho,  do  meu  Conselho  do  estado  e  Vedor  de 
minha  fazenda  que  lhe  faça  assentar  os  ditos  cento  e  dous  mil  oito 
centos  e  sessenta  reis  nos  livros  delia,  e  de  vinte  e  cinco  de  outubro 
de  seiscentos  e  ura  em  deante  que  lhe  fiz  mercê  do  dito  titulo  de  Con- 
de levar  cada  anno  em  parte  em  que  delle  haja  bom  pagamento, 
constando-lhe  primeiro  por  certidão  nas  costas  desta  do  escrivão  da 
matricula  dos  moradores  de  minha  casa,  de  como  o  dito  Dom  Manuel 
não  ha  de  vencer  mais  do  dito  tempo  em  deante  a  moradia  que  ven- 
cia em  minha  corte  por  lhe  fazer  mercê  do  dito  titulo  de  Conde,  e  por 
firmeza  do  que  dito  é  lhe  mandei  dar  estacaria  por  mim  assignada 
e  asellada  do  sello  pendente.  Balthazarf?)  de  Sousa  a  fez  em  Lisboa  a 
xij  {12)  de  Dezembro  de  bj'  e  huu  (1601).  Sebastião  Pereslrello  a 
fez  escrever. 

íArch.  nac.  da  T.  do  T.  Liv.  Z."*  das  Doaç.  de  Filípp.  II,  f.  289  v".) 


Carta  de  1  de  Julho  de  1628,  fazendo  mercê  do  titulo  de 
Conde  de  Villa  Franca  a  D.  Rodrigo  da  Camará,  fi- 
lho de  D.  Manoel  da  Camará,  para  si  e  seus  des- 
cendentes. 

Dom  Felippe  á.^  Faço  saber  aos  que  esta  minha  carta  virem  que 
iia vendo  eu  respeito  a  Dona  .Maria  Continha,  filha  do  Conde  da  Vidi- 
gueira Dom  Francisco  da  Gama,  almirante  da  Índia,  do  meu  conselho 
de  estado,  e  gentil-homem  de  minha  Camará,  haver  servido  de  dama 
à  rainha  minha  sobre  todas  muito  amada  e  muito  prezada  mulher,  e  a 
se  ter  tratado,  com  licença  minha,  casamento  entre  ella  e  Dom  Ro- 
drigo da  Camará,  filho  do  Conde  de  Villa  Franca,  Dom  Manoel  da  Ca- 


84  ABCHIVO  DOS  AÇORES 

mara,  que  Deos  perdoe,  e  estar  effeiluado  o  dito  casamento,  se  ao' 
serviços  do  dito  Dom  Rodrigo,  merecimentos  e  qualidades  que  concor- 
rem em  sua  pessoa,  e  a  como  por  tudo  é  razão  que  receba  de  mim 
honra;  acrescentamento  e  mercê,  e  por  folgar  de  lha  fazer,  tendo  por 
certo  que  sempre  ma  conhecerá  e  servirá  conforme  sua  obrigação,  me 
praz  e  hei  por  bem  de  lhe  fazer  mercê  do  titulo  de  Conde  de  Villa 
Franca,  de  juro,  nos  descendentes  deste  matrimonio,  a  qual  mercê  lhe 
faço  alem  das  mais  que  pelos  ditos  respeitos  lhe  tenho  {feito'!)  e  cou» 
ella  haverá  e  gozará  de  todas  as  homas,  preeminências,  prerogativas. 
auctoridades,  privilégios,  graças,  liberdades,  mercês  e  franquezas  que 
hão  e  tem  e  de  que  uzam  e  sempre  uzaram  e  devem  uzar  os  Condes 
destes  meus  reinos,  assim  como  de  direito  usam  e  antigo  costume 
delle  lhe  pertence,  das  quaes  em  ludo  e  por  tudo  quero  e  mando  que 
elle  use  e  possa  uzar,  e  lhe  sejam  guardadas  em  todos  os  actos  e  tem- 
pos em  que  com  direito,  uso  e  costume,  deva  usar  e  gozar  sem  duvi- 
da nem  mingoamento  algum,  e  com  o  dito  tilulo  de  Conde  haverá  o 
assentamento  que  lhe  pertencer,  de  que  se  lhe  passará  provisão  no 
Conselho  ee  minha  fazenda,  e  por  firmeza  de  tudo  o  que  dito  é  lhe 
mandei  dar  esta  carta  por  mim  assignada,  passada  por  minha  chan- 
cellaria  e  sellada  com  o  meu  sello  pendente.  Dada  na  cidade  de  Lis- 
boa ao  primeiío  dia  do  mez  de  julho.  António  Corrêa  a  fez  anno  de 
mil  e  seis  centos  e  vinte  e  oito.  O  secretario  Christovão  Soares  a  fez. 
escrever=Concertada,  Thomé  Pereira  de  Andrade. 
(Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  Liv.  22.''  das  Donc.  de  D.  FUipp.  III,  f.  122) 

No  mesmo  Arch.  Nacional,  L.^  31.''  das  Doaç.  de  Fiiip.  II.  f.  345 
?'.",  se  encontra  uma  Carta  de  D.  Filippe  G.**,  (idêntica  á  de  D.  Filippe 
2."  de  12  de  dezembro  de  1601,  impressa  atraz  a  p.  83  d'esle  vol.) 
mandando  fazer  o  assentamento  de  102j$18C0  pelo  titulo  de  Conde  de 
juro  a  D.  Rodrigo  da  Camará,  desde  o  I.**  de  julho  de  1628  em  dean- 
te,  em  que  lhe  foi  dado  o  titulo  de  Conde  de  Villa  Franca  da  ilha  de 
S.  Miguel,  e  era  o  mesmo  assentamento  que  tinha  o  Conde  D.  Manuel 
da  Camará  seu  Pae,  não  devendo  mais  vencer  desde  o  dito  dia  a  mo- 
radia que  tinha  até  ahi.  Carta  em  forma.  Luiz  de  Lemos  a  fez  em 
Lisboa  a  13  de  dezembro  de  1629.  Sebastião  Pereslrello  a  fez  escre- 
ver. 


Oarta  a  elreí  da  Camará  da  Villa  das  Lages,  da  ilha  do 
Pico,  fazendo  vários  pedidos,  de  30  de  Junho  de  1586. 

Apontamentos  das  cousas  que  os  (-ficiaes  da  Camaia  da  Villa  dai 


AKCHIVO  DOS  AÇORKS  85 

Lages  em  nome  do  povo  pedem  a  sua  Magestade  lhe  faça  merco  con- 
ceder como  por  sua  carta  pedem. 

11.  pcimeiramenle  pedimos  a  V.  M.''''  nos  faça  mercê  de  mandar 
ao  capilão  e  governador  desta  ilha  Jerónimo  Dutra  Corte  Real  que 
nesa  coiie  reside  (pie  se  veidia  comprir  com  a  //obiigaçHo  de  sen  car- 
go e  rizida  nestas  ilhas  donde  he  capilão  peia  nos  reger  e  </overnar 
porque  com  elle  todos  seremos  conformes  e  estaremos  prestes  pêra 
morrer  em  defensam  desta  ilha  e  en  todo  mais  no  serviço  de  V.  Mg.'''' 
porque  como  não  temos  cabesa  que  nos  reja  e  governe  estamos  em 
muito  perigo  de  sei  mos  entrados  dos  luteranoi^. 

II.  que  vindo  elle  nos  faça  V.  M.'''"  mercê  por  esta  ilha  df>  Piíjno 
estar  pobre  e  sem  nenhuas  aimas  de  nos  mandar  dai'  sem  {100}  ai- 
cabuzes  com  todas  as  monições;  e  sem  (100)  lansas  e  sem  {100)  pi- 
ques e  outras  tantas  espadas  porque  sem  estas  armas  não  poderemos 
defender  a  terífl  porque  (»  outro  verão  pasado  com  muito  trabalho  e 
|)erigo  noso  acudimos  a  defender  dos  luteranos  que  em  alguinas  par- 
tes quizeram  entrar  com  bastões  e  ás  pedradas  como  he  notório. 

It.  lambem  pedem  a  V.  iVl.*'''  por  quoanto  nesta  ilha  do  Piquo  ha 
muitas  criações  de  gado  e  ha  muitos  homens  vadios  que  não  querem 
trabalhar  e  vivem  puramente  de  furtar  e  roubar  pelos  matos  os  gados 
e  pêra  ese  efeito  se  vam  a  fazei'  casas  de  palha  pelos  matos  e  lá  vi- 
vem [)era  mais  a  seu  salvo  furtarem  e  não  serem  vistos  o  ()ue  he  cau- 
sa de  grande  destruição  dos  gados  e  das  almas  sem  lhe  poderem  va- 
ler pelo  que  se  se  não  atalhar  em  pouqos  tempos  se  perderá  tudo  o 
que  é  grande  prejuízo  de  vosa  fazenda  e  do  bem  comum  e  dos  solda- 
dos que  V.  M.*^^  tem  na  ilha  Terceira  por  se  sustentarem  dí»s  gados 
que  vão  desta  ilha  o  mais  do  tempo,  aja  por  bem  que  o  capitão  dela 
ou  seu  ouvidor  com  os  oficiaes  da  Camará  com  os  homens  da  gover- 
nança tomando  emformação  dos  que  isto  fazem  sem  mais  outra  ordem 
de  juízo  os  desterrem  por  serio  tempo  fora  da  ilha  até  lerem  emmen- 
da  ou  que  lhe  mandem  que  venhão  a  morar  dentro  na  vila  porque 
desta  maneira  arcarão  donde  trabalhar  por  seu  jornal. 

II.  pidimos  mais  a  V.  M.'*''  aja  por  seu  serviço  que  as  devaças  que 
se  tiram  cada  anno  dos  que  compram  trigo  pêra  tornar  a  vender  e 
dos  que  cação  com  redes  e  pêz  e  burel  e  almassega  e  outras  couzas 
que  a  lei  mande  que  se  soem  a  tirar  se  nam  tirem  por  a  ilha  ser  tam 
pobre  e  não  poderem  os  homens  viver  doutra  maneira  o  que  he  gran- 
de opresão  pêra  o  povo. 

II.  Mais  pedimos  a  V.  M.'^*'  nos  faça  meicê  de  aver  por  bem  que 
os  almotaceis  que  emlegem  em  camará  sirvam  lies  mezes  assim  como 
tem  concedido  à  ilha  Terceira  e  á  ilha  do  Fayal  que  he  ludo  bua  capi 
tania  porque  como  ha  poucos  homens  nobres  nam  acham  quem  sirni 
d-.'*  outros  se  escuzão  por  privilégios  de  maneira  que  dão  mnitft  tra- 
balho. 

II.  Pidimos  mais  a  V.  M.''"  ijuh  pnr  ;is  igrejíK»  desta  ilha  serem  po- 


8t>  ARCHIVO   DOS  AÇORES       . 

bres  e  os  moradores  dela  V.  M.**^  como  governador  e  perpetuo  admi- 
nistrador do  mestrado  de  xpõ  (Christo)  tem  obrigação  de  as  favorecer 
pois  resebe  os  dízimos,  aja  por  bem  de  conceder  que  as  igrejas  e  be- 
nefícios não  servidos,  o  rendimentos  (sic)  deles  sejam  pêra  as  fabricas 
peqenas  das  ditas  igrejas.  A  30  de  junho  de  1586  annos. 

(Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  Corp.  Chron.,  Part.  í.^  maç.  112~n.^  14.) 

As  syJlabas  ou  palavras  em  itálico  substituem  as  que  se  não  podem  ler,  por 
deterioração  da  margem  da  folha. 

A'  margem  do  2.»  §  diz  luna  cota — Diogo  Velho. — A'  margem  dos  3.",  4."  e 
5.»  lô-se— Pêro  de  Seixas;— Ao  lado  do  ultimo  ainda  se  distinguem  as  palavras-- 
. . .  com . .  .  Bispo  dAngra.  — 

{Notas  do  Sr.  J.  I.  de  Bi  ilo  Rebello.) 


Alvará  de  7  de  Julho  de  1586,  para  a  Gamara  da  ilha  de 

Santa  Maria,  receber  por  mais  5  annos  a  imposição 

sobre  a  carne   e  vinho. 

Eu  el  rey  faço  saber  aos  que  este  alvará  virem  que  avendo  res- 
peito as  causas  que  os  oíTeciaos  da  Camará  da  ilha  de  Santa  Maria  a- 
iegão  uo  treslado  do  capitólio  da  carta  que  me  escreverão  escrito  na 
outra  mea  folha  atras  e  vista  a  deligencia  que  o  provedor  da  dita  ilha 
indo  a  ella  por  coreição  em  absencia  (auzencia)  do  provedor  das  ilhas 
dos  açores  per  meu  mandado  fez  e  me  enviou  com  sua  informação  e 
parecer  acerca  do  conlheudo  no  dito  capitólio  ey  por  bem  e  me  praz  de 
('onceder  aos  ditos  olTiciaes  da  camará  por  tempo  de  cinco  annos  mais 
alem  do  tempo  que  lhes  ja  foi  daiio  a  imposição  da  mesma  ilha,  nos 
vinhos  e  carnes  (*)  e  ysto  pêra  a  despesa  que  se  faz  na  obra  da  agoa 
que  a  ella  pertendem  trazer,  e  para  o  repairo  dos  lázaros  <jue  ahy  ha, 
o  que  as.sy  me  praz  pela  ordem  e  com  as  lymitações  que  se  conteiu- 
na  provisão  ou  provisões  que  sobre  a  dita  imposição  lhe  são  concedi- 
das e  não  em  outra  maneira,  com  declaração,  que  os  juizes  da  dita 
ilha  de  Santa  Maria  facão  embaicar  os  ditos  lázaros  pêra  o  ospital  da 
villa  de  villa  Franqua  do  Campo  da  ilha  de  Sam  Migel.  omde  darão 
l)era  sua  sustentação  quinze  mil  reis  cada  anno  de  rendimento  da  di- 
ta imposição,  visto  como  pela  dita  informação  constou  não  aver  na 
ilha  de  Sant;»  Maria  ordem  pêra  se  poderem  repairar,  e  andarem  me- 
tidos pelas  casas  na  conversação  (ia  gente  sem  ouvirem  misa  nem  se 
sacramentarem,  e  o  dito  ospital  de  villa  Franqua  ser  muito  acomoda - 


■)  No  3."  vol.  d'este  Archivo  p.  458. 


A.RCHIVO  DOS   AÇOKES  87 

tlu  pêra  o  aposento  dos  ditos  lázaros  e  em  hua  noite  se  poder  passar 
de  hria  parle  a  outra:  e  mando  ao  provedor  das  ilhas  dos  açores  e  em 
sua  absencia  ao  provedor  da  dita  ilha  de  Santa  Maria  indo  a  ella  per 
coreigão  que  ora  são  e  pelo  dito  tempo  forem  e  aos  ditos  offeciaes  da 
camará  e  as  mais  justiças  e  pesoas  a  que  pertencer  que  pela  manei- 
ra sobredila  facão  a  dita  despesa  e  ordenem  com  que  o  dinheiro  da 
imposição  se  arecade  de  que  o  dito  provedor  se  informará  e  proverá 
na  forma  das  provisões  sobre  esta  concessão  ja  passadas  as  quaes 
juntamente  comprirão  e  assy  este  alvará  como  se  nelle  contem  sem  a 
ysso  ser  ptjsta  duvida  nem  embargo  algum  o  qual  me  praz  valha,  te- 
nha força  e  vigor  posto  que  o  eíTeilo  delle  aja  de  durar  mais  de  hum 
anno  sem  embarguo  da  ordenação  do  segundo  livro  litollo  vinte  que 
o  contrario  dispõem,  e  bem  assy  mando  aos  juizes  e  officiaes  da  ca- 
mará, justiças  e  mais  pessoas  da  dita  villa  de  villa  Franqna  que  indo 
os  ditos  lázaros  da  ilha  de  Santa  Maria  no  modo  aqui  declarado,  os  a- 
ceitem  e  recolhão  logo  no  dito  hospital  sem  alteraçam  alguma  em  con- 
trario como  convém  que  seja  pêra  o  que  lhes  será  levado  o  treslado 
autentico  deste  alvará.  Pêro  de  Seixas  o  fez  em  Lixboa  a  sete  de  ju- 
ho  de  jb*"  e  Ixxx  bj  {1086) 

Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  Liv.  1.'^  de  Privil.  de  Vilipp.  1.  f.    JfJ2 , 


Alvará  de  23  de  Março  de  1587,  sobre  o  lançamento  d'u- 

ma  finta  de  2:500  cruzados,  destinada  á  construcção 

da  Ponte  da  Ribeira  Grande. 

Eu  el  Rey  faço  saber  a  vós  provedor  das  Ilhas  dos  Açores  ou  a 
quem  o  dito  cargo  servir  que  vista  a  emformação  que  me  iuviastes  e 
vos  mandei  tomar  a  requerimento  dos  offeciaes  da  camará  da  Villa 
da  Ribeira  Grande  da  Ilha  de  Sam  Migel  sobre  a  ponte  da  dita  villa 
que  foi  levada  com  o  teramoto  e  he  muito  necessária  fazerse  de  novo 
no  lugar  omde  esteve  a  ponte  antiga  da  qual  ficou  parte  dos  alicer- 
ses  por  a  de  que  se  servem  ser  de  madeira  e  estar  nelles  asemtada 
como  me  escreveis  ey  por  bem  que  a  dita  ponte  se  faça  de  novo  no 
iugar  em  que  estava  a  ponte  velha  pela  traça  que  com  voso  pare- 
cer os  ditos  offeciaes  da  camará  asemtarem  e  por  tanto  vos  mando 
que  tanto  que  este  alvará  vos  for  apresentado  t\içaes  logo  poer 
em  pregão  a  obra  da  dita  ponte  e  receberes  o  menor  lanço  e  mais 
seguro  não  excedendo  a  contia  dos  dous  mil  e  quinhentos  cruzados 
que  no  modo  abaixo  declarado  me  praz  de  conceder  por  íujla  pêra 
:!  dita  obra.  o  qual  lanço  recebereis  com  as  cJausullas  ordinárias  de 


88  ARCHIVO   DOS  AÇORES 

se  não  chamarem  a  engano  nem  lesão  nem  poderem  acerqua  disso 
alegar  cousa  algua  e  com  as  mais  declarações  e  obrigações  necessa- 
lias,  e  tanto  que  a  dita  obra  da  ponte  estiver  orçada  (?)  no  dito  l.in- 
ço,  fareis  fazer  disso  hum  termo  cm  que  vos  asignareis  com  os  mes- 
tres que  a  tomarem  e  assy  com  os  ditos  oíTeciaes  da  camará  no  qual 
termo  se  declararão  e  especeficarão  as  ditas  clausullas  pêra  que  se 
não  possa  alegar  em  favor  dos  ditos  mestres  da  ubra  cousa  (|ue  os 
releve  de  a  fazerem  e  acabarem  de  lodo  conforme  a  seu  contrato,  pê- 
ra a  qual  ey  por  bem  que  se  lance  fintas  pelos  moradores  ^r  dita 
villa  (ia  Ribeira  Grande  e  seu  termo  que  ahy  tiverem  suas  fazendas  e 
rendas  e  assy  pelas  pessoas  que  na  dita  villa  e  termo  tem  as  ditas 
fazendas  e  rendas  posto  que  não  sejão  nella  moradores  e  ysto  até 
conlia  de  dous  mil  e  quinhentos  cruzados  que  pela  dita  informação 
constou  serem  pêra  este  eíT<iito  necessários,  teni)  respeito  que  os 
(]ue  frequentarem  mais  a  passagem  da  dita  ponte  paguem  mais  que 
os  que  tiverem  por  ella  menos  serventia,  a  qual  finta  se  lançará  na 
forma  da  ordenação  e  tempo  de  Ires  annos  por  igual  parte  em  cada' 
hum  delles,  e  na  camará  da  liita  villa  da  Ribeira  Grande  se  elegerão 
duas  pessoas  abonadas  e  de  confiança  pêra  que  durante  o  dito  tem- 
po de  três  annos  sirva  hum  de  recebedor  e  depositário  do  dinheiro 
que  se  for  arecadando  per  virtude  da  dita  fi;ita  e  outro  de  escrivão 
da  receita  e  despesa  do  dito  dinheiro  e  cada  hum  terá  seu  Livro  con- 
certado e  asinado  pelo  vereador  mais  velho  da  dila  villa  que  ao  tem- 
po for  e  terão  ambos  as  folhas  numeradas  e  asinadas  por  elle  e  no  fim 
de  cada  hum  dos  ditos  dous  Livros  faraa  o  dito  vereador  fazer  hum  a- 
senlo  em  que  se  asinara  no  qual  declare  quantas  folh  is  forem  e  como 
são  todas  numeradas  e  asinadas  per  elle  tudo  conforme  a  ordenação,  e 
o  dinheiro  da  dila  tinta  senão  poderá  dispemler  em  outra  cousa  algua 
mais  que  na  obra  da  dita  ponte  que  he  o  pêra  que  somente  a  conce- 
do e  vós  dito  provedor  como  a  dita  obra  se  acabar  de  todo  tomareis 
conta  do  dinheiro  que  foy  entregue  ao  dito  recebedor  e  deposilairo 
e  vereis  o  seu  Livro  e  o  do  dito  escrivão  e  cotejaiio  hum  com  o  outro 
e  mais  papeis  sabereis  se  se  lançou  a  finta  e  fez  a  despeza  na  maneira 
neste  alvará  declarada,  e  o  modo  que  se  niso  leve  e  se  se  fintarão 
mais  que  os  ditos  dous  mil  e  quinhentos  cruzados  e  achando  nisto  al- 
gus  comprendidos  procedereis  contra  elles  como  for  justiça  dando  a- 
pellação  e  agravo  nos  casos  em  que  couber,  e  o  dinheiro  da  dita  fin- 
ta fareis  arecadar  com  muita  brevidade  e  pêra  ysso  dareis  a  ordem 
que  virdes  que  he  necessária  posto  que  seja  fora  de  vosa  jurdição  da 
qual  finta  ipie  asy  for  lançada  não  será  escusa  pessoa  algua  das  so- 
breditas de  (Qualquer  calidade  e  condiçam  que  seja  e  assy  como  o  di- 
nheiro delia  se  for  arecadando  se  yrão  fazendo  os  pagamentos  aos 
mestres  da  dila  obra  na  forma  de  seu  contracto:  o  que  comprireis  com 
«leligencia  poríjue  assy  o  ey  por  meu  serviço,  e  todo  o  conteúdo  nes- 
te alvará  se  fará  por  vossa  ordem  e  autoridade  e  fazendose  em  ou- 


AUCHIVO    DOS    AÇOIIES  .  89 

Ira  m.ineira  sorã  de  ueiiliiim  elTeilo,  e  pelo  irabalho  que  os  dilos  re- 
cebedor e  escrivão  nesle  negocio  híío  de  ler,  nlo  levarão  cousa  algQa 
e  somente  serão  escusos  de  pagai-  na  diia  (iiila,  e  primeiro  que  nelle 
comecem  a  entender  e  servir  lhe  será  em  camará  dado  juramento  dos 
santos  evangelhos  ijue  o  ITação  bem  e  verdadeiramente  de  que  se  fa- 
rá asento  per  elles  asynado  e  este  alvará  (juero  que  valha  posto  que 
o  eíieito  delle  aja  de  durar  mais  de  huu)  anuo  &.  l*ero  de  Seixas  o 
fez  em  Lixboa  aos  xxiij  (23)  de  maiço  de  Ixxxbij  {1587). 

(Ardi.  nar.  da  T.  dn  T..  Chanc.  de  Filip.  /,  Lio.''  1."  de  Priv.J.  163.^ 


Alvará  de  5  de  Maio  de  1583,  conoedendo  á  Gamara  da 

Ilha  de  Santa  Maria,  por  mais  5  annos  a  imposição 

na  carne  e  vinho. 

Eu  El  Rei  faço  saber  aos  que  esle  alvará  virem  que  por  mo  assim 
enviarem  pedir  os  otFiciaes  da  Camará  da  ilha  de  Santa  Maria  em  bum 
dos  apontamentos  que  por  seu  procurador  m<í  foram  a  preseiiitados 
hí  por  bem  de  lhes  conceder  por  tempo  de  cinco  annos  mais  alem 
do  tempo  que  lhes  ja  foi  dado  (*)  a  imposyção  da  mesma  ilha  nos  vi- 
nhos e  carnes  e  isto  para  o  repairo  dos  lázaros  que  ahi  ha  que  as! 
me  praz  pella  ordem  e  com  as  lemitaçõis  que  se  contem  na  provisão 
ou  provisões  que  sobre  a  dita  imposição  lhes  >são  concedidas  e  não 
em  outra  maneira.  E  mando  ao  provedor  das  ilhas  dos  Açores  e  em 
sua  ausência  ao  provedoí-  da  dita  ilha  de  Santa  Maria  indo  a  ella  por 
correição  que  ora  são  e  pello  dito  tempo  forem  e  aos  ditos  offeciaes 
da  Gamara  e  ás  mais  justiças  e  pesoas  a  que  pertencer  que  pela  ma- 
neira sobredita  façam  a  dita  despesa  e  ordenem  com  que  o  dinheiro 
da  imposição  se  arecade  de  que  o  dito  provedoí'  se  informará  e  pro- 
verá na  forma  das  provisõis  sobre  esta  concessão  ja  passadas  as  quaes 
inteiramente  comprirão  e  asi  este  allvara  como  se  nelle  contem  sem 
a  isso  ser  posta  duvida  nem  contradição  algiimi  o  qual  quero  que  va-" 
lha  á-.'^  Pêro  de  Seixas  o  fez  em  l^isboa  a  cinco  de  maio  de  mil  b' 
Ixxx  biij  [1688) 

(Arch.  nnc.  da  T.  do  T.,  Liv.  2."  de  Priml.  de  FUip.   I.  /.  87.) 


(•)  Vid.  atraz  |)ag.  86  d'oslo  volume,  c  aliantc  p.  90. 

N."  19— Vol.  IV -1882.  lá 


90  ARCHIVO   DOS  AÇOHES 

Alvará  de  15  de  Julho  de  1539,  á  Gamara  da  Ilha  da 
Santa  Maria,  sobre  a  imposição  da  carne  e  vinho. 

Eu  el  Rey  faço  saber  aos  que  este  alvará  virem  ijue  eu  ouve  por 
bem  per  minha  provisão  (*)  conceder  aos  oíTeciaes  da  camará  da  ilha  de 
S.'^  Maria  por  espaço  de  cinco  annos  mais  a  impossição  da  mesma  ilha 
nos  vinhos  e  carnes  e  isto  pêra  a  despeza  que  se  fazia  na  obra  da  a- 
agoa  que  a  ella  pretendiam  trazer  e  para  o  repairo  dos  lázaros  que 
ahi  avia  com  declaração  qne  os  juizes  da  dita  ilha  de  Santa  Maria  fi- 
zessem embarcar  os  ditos  lázaros  para  o  ospilal  da  villa  de  Villa  Fran- 
ca do  Campo  da  ilha  de  S.  Miguel  omde  dariam  pêra  sua  sustentação 
quinze  mil  reis  cada  anno  do  rendimento  da  dita  impossyção  por  cons- 
tar per  informação  que  deu  o  provedor  da  dita  ilha  indo  a  ella  per 
correição  em  ausência  do  provedor  das  ilhas  dos  Açores  não  aver  ne- 
la ordem  pêra  se  poderem  repairar  os  ditos  lázaros  e  andarem  metli- 
dos  pelas  casas  na  conversação  da  gente  sem  ouviíem  missa  nem  sa- 
cramentarem e  o  dito  ospital  de  Villa  Pranca  ser  muito  acomodado 
pêra  o  apousento  dos  ditos  lázaros  e  em  hOa  noile  se  poder  passar 
de  huma  parte  aa  outra  como  mais  tompridamente  na  dita  provisão 
he  declarado  e  por  os  oíTeciaes  da  camará  da  dita  ilha  de  Santa  Ma- 
ria que  nella  forão  o  anno  passado  de  mil  b*^  e  Ixxxbiij"  {1588)  me 
enviarem  pidir  per  sua  carta  ouvesse  por  bem  que  sem  embargo  da 
dita  provisão  os  lázaros  não  fosem  levados  ao  dito  ospilal  da  dita  vila 
de  vila  franca  por  quanto  fora  pasada  sem  serem  ouvidos  e  de  hua 
ilha  aa  outra  avia  bem  vimte  legoas  de  mar  que  era  causa  de  os  não 
poderem  prover  e  de  por  isso  assim  os  enfermos  como  seus  parentes 
receberem  grande  desconsolação  por  se  passarem  ás  vezes  muitos  me- 
zes  que  não  avia  passagens  antes  fosem  sustentados  em  sua  posse  e 
os  lázaros  da  dita  ilha  de  santa  maria  estevessem  nella  como  sempre 
esteverão,  pois  ahi  estavão  com  o  resguardo  devido  e  se  lhes  acudia 
com  a  confissão  e  communhão  e  outras  obras  de  caridade  necessárias 
seus  tempos  e  com  o  mais  pêra  sua  sustentação  mandei  antes  de  nisso 
lhes  dar  outro  despacho  per  minha  carta  ao  doutor  Xpovão  iChristovão) 
Soares  de  Albergaria  coregedor  das  ilhas  dos  açores  que  se  informase 
ouvindo  os  ditos  offeciaes  da  camará  e  asi  o  povo  com  as  pessoas  da 
governança  e  me  escrevesse  o  que  achasse  e  huns  e  outros  respon- 
dessem com  seu  parecer,  ao  que  satisfez.  E  visto  seu  requerimento  com 
a  informação  do  dito  coregedor  per  que  constou  aver  na  ilha  de  San- 
ta Maria  antigamente  casa  particular  de  lázaros  que  se  desfez  e  que 
dahi  em  diante  os  acommodavam  na  terra  como  podião  seus  parentes 
e  amigos  e  eu  passar  a  dita  provisão  com  a  declaração  que  acima  se 
refere  e  como  estando  os  ditos  lázaros  na  dita  ilha  de  Santa  Maria  en- 
tre seus  parentes  serião  milhor  curados  e  visitados,  ey  por  bem  que 


(•)  Vid.  atraz  pag.  86  e  89. 


A.RCH1V0  DOS  AÇOKES  91 

sem  embargo  da  ilita  provisão  por  que  eslà  mandado  que  os  enfer- 
mos do  dilo  mal  sejam  embarcados  e  levados  ao  dito  ospilal  qne  nes- 
ta parte  somente  me  praz  qne  se  não  cumpra  nem  tenha  força  nem 
viçor  al2[um  os  ditos  lázaros  não  sejam  tirados  da  dita  ilha  de  Santa 
Maria  e  nella  se  curem  daipii  em  diante  em  (]uanto  o  eu  assy  ouver 
por  bem  e  não  mandar  o  conlriirio  com  declaração  (jue  os  offeciaes 
da  Camará  da  mesma  ilha  serão  obrigados  a  mandar  fazer  pêra  os 
ditos  lázaros  bua  casa  particular  que  lhes  sirva  de  recolhimento  em 
que  estem  e  os  curem  aas  suas  custas  e  do  dinheiro  que  eu  pêra  is- 
so lhes  concedo  da  liita  impossyção  com  todo  o  resguardo  necessário 
e  que  convém  que  haja  em  doentes  de  mal  tão  contagioso  pêra  que 
não  nificionem  os  sãi).>  no  que  lerão  e  farão  ter  muita  vigilância.  E  man- 
do ao  provedor  das  ilhas  dos  Açores  e  em  sua  ausência  ao  provedor 
da  dita  ilha  de  Santa  Maria  indo  a  ella  per  correição  que  hora  hé  e 
ao  diante  for  que  lome  conta  aos  ditos  officiaes  da  camará  ou  aa  pes- 
soa que  por  sua  ordem  correr  com  as  porções  e  recoltíimento  dos  di- 
tos enfermos  do  que  assim  com  elles  se  despendeo  e  saiba  se  em  e- 
feito  se  gastou  tudo  o  que  lhe  fou  dado  em  despesa  vendo  os  livros  e 
mais  papeis  que  forem  necessários  e  assim  se  cumprio  em  todo  este 
alvará  e  achando  que  se  guardou  a  forma  delle  leve  em  conta  o  que 
montar  na  dita  despesa  e  em  outra  maneira  proceda  nisso  conforme  a 
seu  regimento  e  minhas  ordenações  e  cumpra  inteiramente  este  alva- 
rá como  se  nelle  contem  o  qual  também  cumprirão  todas  as  justiças, 
officiaes  e  pessoas  a  que  for  mostrado  e  o  conhecimento  pertencer  sem 
duvida  nem  contradição  alguma  e  será  registado  no  livro  da  Camará 
da  dita  ilha  e  o  próprio  se  terá  e  porá  no  cartório  delia  em  boa  guar- 
da para  era  lodo  tempo  se  ver  e  saber  que  o  ouve  assim  por  bem  e 
se  fez  por  meu  mandado  e  quero  que  este  alvará  valha  á.^  Pêro  de 
Seixas  o  fez  em  lixboa  a  xb  {15)  de  julho  de  mil  b'^lxxxj  (1) 

{Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  Liv."  2.''  dos  Privil.  de  FUipp.  I,  f.  86.) 


Alvará  de  15  de  Julho  de  1589,  á  Gamara  da  Ilha  de  San- 
ta Maria,  sobre  as  eleições  da  Gamara. 

Eu  El  Rei  faço  saber  aos  que  este  alvará   virem  que  os  oíTeciaes 
da  Camará  da  ilha  de  Santa  Maria  me  enviaram  certos  apontamentos 


(l)Esqueceu  ao  oFfici  il  que  o  registou  pôr    um —x— adiante   do— j— pois   a 
data,  segundo  o  texto  do  mesmo  alvará,  deve  ser— 1589. 

{Nota  do  Sr.  J  I.  lie  Brito  Rebello.) 


92  ARCHIVO    DOS    AÇORES 

entre  os  qnaes  veio  hum  de  que  o  Irislado  he  o  seguinte:  -=  outro- 
si  pedimos  a  vossa  mageslade  aja  por  bem  que  as  elleições  nesta  ilha 
corrão  de  são  João  a  são  João  por  respeito  que  os  oíTeciaes  que  sai- 
rem  em  cada  hum  anno  guardem  trigo  para  lodo  o  anno  que  hão  de 
servir  e  será  a  lerra  milhor  provida  de  tudo.  =  E  visto  seu  requeri- 
mento e  avendo  respeito  aas  causas  que  no  dito  apontamento  allegão 
ei  por  bem  e  me  praz  que  a  eleição  dos  ditos  ofteciaes  da  ('amara  que 
cada  anno  se  faz  na  dita  ilha  por  dia  de  janeiro  se  faça  daqui  em  di- 
ante por  dia  de  São  João  Baulista  de  cada  hum  anno  e  que  as  pes- 
soas que  na  dita  elleição  forem  elleitas  para  os  oíTeciaes  e  cargos  do 
concelho  os  sirvauí  do  dito  dia  de  são  João  (I)  ate  outro  ta!  dia  do  an- 
no seguinte  asi  e  da  maneira  que  ate  agora  os  servirão  de  janeiro  a 
janeiro.  E  mandí)  a  todas  as  justiças  oííiciaes  e  pesoas  a  que  o  conhe- 
cimento disto  pertencer  que  cumprão  inteiramente  este  alvará  como 
nelle  se  coutem  o  quall  se  trasladara  no  Livro  dacamara  da  dita  ilha 
e  o  próprio  se  poerá  no  cartório  delia  em  toda  boa  guarda  e  quero 
que  valha  &.^  Pêro  de  Seixas  o  fez  em  lixboa  aos  \b(ío)  de  julho  de 
mil  b'=lxxxix  {1589)  (2) 

{Arch.  nac.  da  T.  do  T..  Liv.  2.**  de  Priril.  de  Filip.  I.  /.  86  r.*) 


Alvará  de  9  de  Dezembro  de  1589.  authorisando  os  con- 
tractos feitos  para  a  fundação  do  Convento  de  Santo 
Agostinho.  d'Angra. 

Eu  el  Kei  faço  saber  aos  que  este  alvará  virem  (jue  o  prior  e  pa- 
dres do  comveiito  de  Santo  .\uguslinho  da  cidade  de  Angra  da  ilha  ter- 
ceira me  enviaram  dizer  por  sua  petição  que  por  o  mosteiro  que  da 
dita  ordem  estava  principiado  na  dita  cidade  estar  algum  tanto  delia 
afastado  e  longe  para  a  devoção  do  povo  tinhão  asentado  de  edificar 
seu  mosteiro  na  hermida  da  invocação  de  nossa  senhora  dos  Remédios 
que  estava  na  dita  cidade  nas  dadas  (?)  de  António  Pires  do  Canto  já 
falecido  que  ora  erão  de  Manoel  do  Canto  de  Castro  neto  de  Estevão 
Pereira  de  Mello  com  quem  estavão  concertados,  como  tutor  do  dito 
Manoel  do  Canto  por  ser  lugar  para  issf»  mais  perto  e  acomodado  e 


(1)  Esta  palavra  falta  no  registo. 

(2)  Esta  data  deve  ser  a]niesma  do  docutneiito  anterior,  como  em  noia  a  el- 
le  mencjoriáinos.  Devem  ser  ambos  resultado  da  mesma  resolu^•ã')  da  Gamara, 
decididos  ao  mesmo  tempo'e  registados  cm  seguida  um  ao  outro. 

{Notas  do  Sr.  J.  I.  dp  Brito  Rebel/o./ 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  9H 

donde  os  pregadores  da  casa  não  terião  tanto  trabalho  quando  fossem 
pregar  an  Sé  e  a  onlras  igrejas  da  eidade.  E  pedindome  onvesse  por 
bem  mandarlhes  passar  provisão  asy  para  poderem  fazer  sens  Cdotra- 
tos  como  para  se  principiar  e  ir  continuando  a  edificação  do  seu  Mos- 
teiro no  dito  sitio:  e  visto  sen  requerimento  com  a  dilligencia  (|ue  a  cer- 
ca disso  per  meu  mandado  fez  o  doutor  X[)ovão(CAm7orão)  Soares  de 
iMbergaria  do  meu  desembargo  e  corregedor  das  ilhas  dos  Açoies  e  me 
enviou  com  sua  infoi mação  e  parecer,  e  como  por  ella  constou  ouvir  o 
dito  Estevão  Ferieii a  de  Mello  tutor  de  Manuel  do  ('anto  de  Castro 
seu  neto  oiííão  menor  e  ser  o  dito  Kstevão  Ferrtira  em  nome  do  di- 
to Manuel  do  Canto  contente  (]ue  os  ditos  prior  e  [ladres  ediíiíjuem  seu 
convento  na  dita  ermida  ficando  a  elle  seu  neto  a  capella  para  se  en- 
terrar e  o  direito  de  padroado  e  dando  pelas  terras  que  ouverem  fo- 
ra da  Igreja  e^Adro  por  lhe  serem  necesarias  para  o  dito  eíTeilo  e  of- 
ficinas  da  casa  outras  equivalentes  e  não  perder  o  menor  por  este 
modo  nisso  cousa  allgua  ey  por  bem  querendo  fa/.er  meicè  por  esmo- 
la aa  dita  oídem  de  Santo  Augustinho  visto  como  o  que  os  ditos  pri- 
or e  padres  pretendem  he  em  favor  da  religião  christaã  acrescenta- 
mento da  dita  ordem  e  melhor  commodidade  sua  sem  prejuízo  de  par- 
tes nem  do  dito  Manuel  do  Canto  de  Castro  nem  de  seu  morgado  e 
subcessores  delle  na  maneira  sobredita  do  lhes  dar  licença  para  que 
possão  fazer  sobre  o  contendo  neste  alvará  e  crnfoime  a  elle  seus 
contratos  na  forma  cnstnmada  para  o  que  ey  por  suprida  a  idade  ao 
menor  como  se  fora  mayor  de  xxb  (26)  annos  e  asi  me  praz  que  os 
ditos  prior  e  padres  possão  edificar  e  fazer  na  dita  ermida  e  sitio  seu 
mosteiro  conforme  a  seu  intento  e  ordem  que  !hes  for  dada  e  pelas 
terras  de  que  tiverem  necessidade  fora  da  dita  Igreja  e  adro  que  lhe 
serão  dadas  darão  a  Estevão  Ferreira  de  Mello  para  (»  morgado  de 
seu  neto  Manuel  rto  Canto  de  Castro  outras  terras  equivalentes  as 
quaes  o  dito  corregedor  fará  estimar  por  dons  louvados  sem  sospeila 
e  que  bem  o  entendão  ajuramentados  aos  santos  evangelhos  liuD  em 
qye  Estevão  Ferreira  de  Mello  se  louvara  pelo  dito  sen  neto.  e  outro 
em  que  o  dito  prior  e  padres  se  louvarão  per  si  ou  per  seu  prociu'a- 
dor  e  sendo  os  ditos  louvados  em  desvairo  tomarão  um  terceiro  o 
mais  a  prazer  das  partes  que  poder  ser  e  sendo  a  dita  estimação  fei- 
ta no  modo  que  dito  he  e  dando  os  ditos  prior  e  padres  ou  o  procu- 
rador outras  terras  equivalentes  aaquelas  que  asim  lhes  forem  dadas 
e  o  dito  corregedor  fará  de  todo  os  autos  necessários  e  meterá  de 
posse  das  ditas  terras  aos  ditos  prior  e  padres  ou  a  quem  lhes  para 
isso  por  seu  asinado  nomearem  para  se  fazer  o  dito  mosteiro  e  oíTi- 
cinas  e  lhes  dará  o  treslado  autentico  dos  ditos  autos  e  este  allvara 
será  tresladado  nas  ditas  escrituras  que  se  se  hão  de  fazer  dos  ditos 
contratos  e  escaimbo  [)ara  sempre  se  ver  e  saber  que  se  fez  tudo  poi- 
minha  licença  e  bem  asim  mando  ao  dito  corregedoí-  ou  a  (juem  seu 
cargo  servil-  e  a  quaesquer  outras  justiças  oíliciaes  e  pessoas  a  quem 


94  ARCHIVO  DOS   AÇOKES 

este  allvara  for  m  JSlra.io  e  o  conhecimento  delle  parlencer  (|'ie  o  cuinr 
prain  guardem  e  facão  inteiramfínte  comprir  e  guarvlar  comi  nílle  se 
contem  o  qual  quero  que  valha  &.*  Pêro  de  Seixas  o  fez  em  lixbja  a 
ix  (9)  de  Dezembro  de  mil  b"  Lxxx  ix  (158.9). 

(Ardi.  nac.  di  T.  do  T.,  Lív.  2."  de  Privil.  de  Filipp.  I,  f.  92) 


Alvará  de  29  de  Maio  de  1592.  á  Gamara  da  ilha  de  San- 
ta Maria,  sobre  as  bandeiras  e  tambores  do  conoelho. 

Eu  el  Rey  faço  sab.ir  ai)s  qui  este  alvará  virem  que  avendo  res- 
peito ao  que  os  oíliciaes  da  camará  da  ilha  de  Santa  Maria  dizem  no 
apontamento  que  entre  outros  me  enviaram  de  que  o  traslado  vai  a- 
Iraz  escripto:  e  vista  a  informação  que  acerca  do  contiudo  no  dito 
apontamento  se  ouve  pelo  Licenciado  Francisco  Simõis  da  Cunha  juiz 
de  fora  na  cidade  de  Po:ila  Dellgada  da  ilha  de  Slo  Miguel  por  que 
constou  as  rendas  do  concelho  da  dita  ilna  de  Samta  xMaria  estarem 
applicadas  e  gastarem-se  em  coisas  necessárias  á  conservação  da  re- 
cepta delia  e  comprarem-se  te  ora  das  ditas  rendas  as  bandeiras  e 
tamb)res  da  milicia  que  desbaratavam  e  (juebravam  acinte  os  capi- 
tães em  outros  usos  fora  da  milicia  por  entenderem  que  á  custa  do 
dito  concelho  se  lhe  darião  todas  as  vezes  necessárias.  Ey  por  bem 
que  as  ditas  bandeiras  e  tambores  se  facão  das  rendas  do  dito  con- 
celho como  te  qui  se  custumou  com  declaração  que  tendo  o  juiz  de 
fora  da  dita  cidade  que  ora  he  e  ao  diante  for  informação  que  acinte 
rompem  as  bandeiras  e  quebrão  os  tambores  £m  cousas  que  não 
forem  da  milicia  as  fará  pagar  aos  culpados  no  que  o  juiz  de  fora  te- 
rá muita  advertência  e  procurara  que  aja  nisso  todo  o  resguardo  de 
maneira  que  a  camará  se  não  queixe  nem  tenha  rezão  de  se  aggra- 
var  e  mando  ao  dito  juiz  de  fora  e  asy  aos  oííiciais  da  camará  da  dita 
ilha  de  Santa  Maria  que  ora  são  e  ao  diante  forem  e  a  quaesqner  ou- 
tras justiças  oííi  íiaes  e  pessoas  a  que  o  conhecimento  disto  pertencer 
que  lhes  não  ponham  e  isso  duvida  nem  contradição  alguma  e  cum- 
prão  inteiramente  este  alvará  como  se  nelle  contem  o  qual  se  regis- 
tara no  livro  da  camará  da  dita  ilha  de  Santa  Maria  e  este  se  poerà 
no  cartório  delia  em  boa  goarda  para  em  todo  tempo  se  ver  e  saber 
que  o  ouve  assi  por  bem  e  quero  que  valha  d.^  E  do  teor  deste  al- 
vará foi  passado  mais  outro  para  irem  por  duas  vias  de  que  esta  he 
a 'primeira  cumprirse  ha  hun  somente.  Pêro  de  Seixas  o  fez  em  Lix- 
boa  a  xxix  (29)  de  maio  de  jb'  Irij  (i,5.92).— Riscou-se=-em  tudo. 
[Arch.jiac.  da  T.  do  T..  L.°  2.''  dos  Privil.  de  Filip.  I,  f.  246.) 


ARCHIVO   DOS   AÇOKES  95 

Alvará  de  3  de  Outubro  de  1592,  concedendo  uma  finta 

de  200^000  reis  para  se  acabar  a  obra  da  egreja  de 

S.  Pedro  de  P.  Delgada. 


Eu  el  Rei  faço  saber  aos  que  este  alvará  virem  que  avendo  res- 
peito ao  que  dizem  na  petição  escrita  na  outra  meia  foltia  desta  folha 
os  fregueses  da  igreja  collegial  do  bem  aventuiado  apostolo  São  Pe- 
dro da  cidade  da  Ponta  Delgada  da  ilha  de  São  Miguel  vista  a  infor- 
mação que  se  ouve  a  cerca  do  conlheudo  na  dita  petição  pelo  corre- 
gedor das  ilhas  dos  Açores  per  que  constou  os  ditos  fregueses  serem 
obrigados  por  vizitação  do  prelado  fazer  nova  igreja  que  tinham  prin- 
cipiado e  a  capella  mor  quasi  feita  e  o  relavolo  pêra  o  alltar  e  ser 
necessário  acabarse  a  obra  que  era  de  muito  custo  e  o  povo  pobre  e 
que  sem  se  fintarem  as  fazendas  dos  ausentes  que  eslavão  na  dita 
freguesia  seria  grande  trabalho  e  opressão  acabarse  a  obra  e  nunca 
teria  fim  ey  por  bem  de  lhes  dar  licença  pêra  que  per  ordem  do  pro- 
vedor da  dita  ilha  de  Sam  Miguel  possam  por  tempo  de  três  annos 
lançar  finta  na  forma  da  extravagante  té  contia  de  duzentos  mil  ca- 
da anuo  pêra  com  elles  se  fazer  e  acabar  a  dita  igreja  conforme  a 
traça  que  pêra  isso  está  dada  na  qual  finta  contrehuirão  todos  os  di- 
tos freguezes  e  assi  Iodas  as  fazendas  dos  seniioryos  que  na  dita  fre- 
guesia e  seu  lemite  estiverem  posto  que  as  pessoas  cujas  forem  sejam 
moradores  em  quaesquer  outros  lugares  e  delia  não  será  escusa  pes- 
soa allgúa  das  sobreditas  de  quallquer  calidade  e  condição  que  seja 
por  privilegiado  que  seja  e  cada  hum  pagará  soldo  á  livra  o  que  lhe 
couber  segundo  a  possebelidade  e  fazenda  que  tiver  e  do  dinheiro  da 
finta  averá  recebedor  e  escrivão  com  livros  em  que  per  adiçõis  se  as- 
sente o  que  foi  fintado,  e  se  arecadar  e  despender  na  obra  da  dita  igre- 
ja que  serão  as  pessoas  que  nomear  o  dito  provedor,  e  por  este  tra- 
balho não  levarão  cousa  allgua,  e  semdo  dos  ditos  freguezes  somente 
serão  escusos  por  respeito  dos  cargos  do  recebedor  e  escrivão  de  pa- 
gar na  dita  finta.  E  mando  ao  dito  provedor  que  faça  contrebuir  a  to- 
dos nella  no  modo  sobredito  e  tome  conta  da  dita  finta  como  se  aca- 
bar a  obra  vendo  os  livros  e  saiba  se  se  despendeo  o  dito  dinheiro  em 
outras  cousas  mais  que  na  dita  obra  que  he  o  pêra  que  somente  dou 
esta  licença  e  achando  que  se  fez  a  finta  e  aplicou  o  dito  dinheiro 
conforme  a  este  alvará  o  leve  em  conta  e  em  outra  maneira  proceda 
nisso  como  he  obrigado  por  bem  de  seu  regimento  e  minhas  ordena- 
çõis  e  cumpre  e  guarde  e  faça  inteiramente  comprir  e  guardar  este 
alvará  como  nelle  se  contem  o  qual  lambem  comprirão  quaesquer  ou- 
tras justiças  oíljciaes  e  pessoas  a  que  for  mostrado  e  o  conhecimento 
pertencer,  e  quero  que  valha  e  tenha  força  e  vigor  d.'.  E  do  theor 
deste  allvará  foi  passado  mais  outro  pêra  irem  por  duas  vias   de  que 


96  ARCHIVU   DOS   AÇOKES 

este   lie   a  primeira  cumprirselia  hum  souienle.  Peru  de  Seixas  o  fez 
em  Lixboa  a  Ires  áe  outubro  de  mil  b'  Irij  (1592.) 

(Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  Lw.  2.''  dos  Privil.  de  Filip.  1,  f.  161.) 


Alvará  de  14  de  Novembro  de  1592,  concedendo  certos 
privilegrios  á  Misericórdia  da  Ilha  do  Pico. 

Eu  el  Rei  faço  saber  aos  ijue  este  alvará  virem  que  por  fa/er  mer- 
cê por  esmola  á  confraria  da  misericórdia  da  Villa  das  Lages  ilha  do 
Pico  ey  por  bem  por  mo  assi  enviarem  pedir  por  sua  petição  o  prove- 
dor e  irmãos  que  ora  são  da  dita  confraria  que  elles  e  os  que  adiante 
nella  forem  gozem  e  usem  de  todos  os  privilégios  e  liberdades  de  (jue 
gozam  e  uzam  por  minhas  provisões  e  dí)S  Reis  meus  antecessores  o 
provedor  e  irmãos  da  confraria  da  misericórdia  da  cidade  dAngra  da 
ilha  Terceira  e  ilha  ilo  Kaial  e  isto  naqiiellas  cousas  que  se  poderem 
aplicar  á  dita  confiaria  da  misericórdia  da  ilha  do  Pico  somente  e  eui 
quanto  eu  assi  o  ouver  pot  bem  e  não  mandar  o  contrario.  K  mando 
ao  dito  provedor  e  irmãos  da  misericórdia  da  dita  ilha  Terceira  e  ilha 
do  Faial  que  lhos  dem  os  Ireslados  autênticos  dos  ditos  privilégios  li- 
berdades provisõis  pêra  delles  usarem  na  maneira  sobredita  e  bem  a- 
si  mando  a  todas  minhas  justiças  oííiciaes  e  pessoas  a  que  este  alva- 
rá for  mostrado  e  o  conhecimento  delle  pertencer  que  o  cumpram 
guardem  e  facão  inteiramente  cumprir  e  guardar  como  se  neile  con- 
tem o  qual  <<e  registará  no  livro  da  mesa  da  dita  confraria  da  mise- 
ricórdia e  este  próprio  se  porá  no  cartí)rio  da  casa  em  toda  boa  guar- 
da pêra  sempre  se  ver  e  saber  (jue  o  ouve  eu  assi  por  bem  e  este 
quero  que  valha  á/\  Francisco  de  Figueiredo  o  fez  em  lixboa  a  xiiij 
{14)  de  novembro  de  mil  b'^lxxxxij  1692).  Manoel  Godinho  de  Castel- 
branco  o  fez  escrever.  Riscou-se=pio. 

{Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  Liv.  2."  dos  Prwã.  de  Filtp.   L  f.   16S.) 


ARGHIVO  DOS  AÇORES 


LIVRO  DO  ALMOXARIFE 

DE 

(1527) 

íA  f.  1)  Livro  fia  receita  e  (iespe^a  que  o  contador  António  Bor- 
ges mandou  do  que  se  carega  Sí)bre  Joham  Tavares  ()ue  ficou  por  all- 
inoxarife  em  ausência  de  Diogo  Nunez  por  ir  dar  sua  conta  a  fazen- 
da deli  rei  noso  senhor  feito  em  xiij  {13)  dias  do  mes  de  abryll 
de  7  b.*"  xxbijj(/527)  annos. 

Anno  de  J  b*^xxbij  {1527) 

(A  f.  á)  Receita  das  dyvidas  que  Diogo  Nunez  allmoxarife  lleixou 
deli  rei  noso  senlior  pêra  as  aver  de  arecadar  Joham  Tavares  que  fi- 
cou encaregado  no  ilito  carego  de  allmoxarife  por  elle  ir  dar  sua  con- 
ta a  fiizenda  deli  rei  noso  senhor  e  se  caregão  aqui  em  receita  sobre 
elle  pêra  as  aver  de  arecadar  pêra  o  dito  senhor. 

Anno  do  nacimento  de  noso  senhor  Jhã  xprj  {Jesus  Christo)  de 
niill  e  quinhentos  e  vinte  e  sete  annos  aos  treze  dias  do  mes  de  a- 
brill  do  dito  anno  em  a  villa  da  Ponta  Delgada  da  Ilha  de  Sam  Mi- 
guel por  o  senhor  António  Borges  que  por  especiall  mauiladí»  delirei 
noso  senhor  tem  cirego  de  contador  eni  as  Ilhas  <l)s  açores  foi  man- 
dado  a  mim  escripvão  abaixo  nomeado  que  por  quanto  Bastião  Roíz 
e,scripvlo  do  aljinoxarifado  era  doente  e  n  im  podia  servir,  que  eu  fe- 
zese  este  livro  pêra  nelle  aver  de  caregar  em  receita  sobre  Joham  Ta- 
vares que  ora  tem  carego  de  allmoxarife  em  ausência  de  Diogo  Nu- 
nez por  ser  em  Portugall  a  d  ir  sua  c  )uta  ()era  aver  de  arecadar  as 
dividas  a  ellrei  noso  senhor  as  quaes  estam  em  hum  auto  que  em 
meu  po  ler  hn  e  mandou  (|ue  a>  Irella  le  a  pii  e  as  caregue  sobre  o 

N.°  20-Vol.  IV-l8Sá.  I 


ÍJ8  ARCHIVO  DOS   AÇOKES 

dito  Joliam  Tavares  e  eu  Afonso  do  Poito  escripvão  dos  coníos  que 
ho  escrepvi  e  assinou  o  contador,  a  saber:  aquellas  que  o  dito  Joham 
Tavares  achar  serem  devidas.  Nom  faca  duvida  no  riscado  que  diz: 
—  qua— que  eu  escripvão  o  tiz  por  verdade.  — António  Borges. 

(A  f.  3)  Em  os  dilos  treze  dias  do  mez  de  abrill  de  J  b*"  xxbij  {íô27^ 
annos  se  carrega  aqui  em  receita  sobre  João  Tavares  que  tem  care- 
go  de  allmoxarife  as  dividas  e  cousas  que  Diogo  Nunes  allnioxarife 
íleixon  que  deviam  a  ell  rei  noso  senhor  as  quaes  tirei  de  hum  aulo 
que  em  meu  poder  he  que  foi  feclo  aos  vinte  e  sette  dias  do  mez  de 
outubro  de  J  b'  xxbj  (1^526)  annos  e  eu  Afonso  do  Porto  qne  o  es- 
previ. 

í\)  dividas  da  armação  icairegamento)  que  foi  arremlada  a  João  Alva- 
res do  Sall. 

Ascenso  Gomez  deve  resto  de  um  assignado,  por  uma 
escrava  que  comprou  a  João  Alvares  do  Sall,  dois  mil  e 
quinhentos  reis 2^^500 

(Tem  uma  nota  que  diz=pasado  mandado  de  penhorado) 

João  Lopes,  feitor  do  capitão,  ja  defunto  deve  por  um 

assignado,  seis  mil  e  (juinhentos  reis         6?5i3CK) 

(Diz  uma  uoldi^mandado) 

Bartholomeu  Godinho  deve  de  uma  escrava  da  dita  ar- 
mação e  por  um  assignado,  dez  mil  reis        10dOO(> 

(Tem  nota  ()ue  ú'\í= manda  do) 

(Af.  3  v.°)  João  dArruda.  por  um  conhecimento  de  duas 
peças  de  escravos  da  dita  aimação,  deve  quatorze  mil  reis       1 4^000 

Diogo  Pereira  por  duas  peças  de  escravos  da  dita  ar- 
mação, dezoito  mil  reis 18/5000 

(Diz  a  fíoia=mandado) 

Diogo  Dias,  do  Nordeste,   deve  por  um  assignado  de 
resto  de  uma  peça  de  escravo,  três  mil  e  trezentos  reis   .        3f>300 
(Diz  a  nola=mondado) 

Amador  da  Costa  deve  de  um  assignado  por  escravos 
que  houve  da  mesma,  dezesetle  mil  e  quinhentos  reis  .     .       I7^S300 

(1)  D'aqui  por  diante  vai  pôr  extracto  salvo  as  partes  que  se  julfiareni  inte- 
ressantes, nas  quaes  se  declarará  ser  copia. 

{Nota  do  Sr.  J.  I.  de  Brito  Rebello.) 


ARCHIVO  DOS   AÇOKES  91) 

vKiii  iiola  (liz-se:  aiiioslroii  (jytaçuo  de  como  pagou  a  Dio- 
gno  Nunes,   nom  se  pasoii  disto  conhecimento  á  fazenda.) 

(A  f.  4)  Affonso  (1(í  Sampaio,  cura  da  Igreja  d  Alta  Bre- 
lanha,  por  iim  assignado  tpie  eslá  em  poder  de  Diogo  Fer- 
nandes escrivão  do  eclesiástico,  seis  mil  e  quinhentos  reis        i)Ò^Oi) 

AíTonso  Dias,  morador  no  Fayal,  por  um  assignado  de- 
ve de  uma  peça  de  escravo,  setle  mil  reis      .     .     .     ,     .        7^000 
(Diz  uma  noía==niandado) 

(A  f.  4  v.*^)  Dividas  da  arrematação  de  Bartolomeu  Go- 
dinho do  anno  de  1525. 

Fernão  Camello  e  Pêro  Camello  seu  filho  devem  das 
(iuas  armações  que  o  contador  Bartolomeu  Godinho  lhes 
arrematou  no  anno  de  1525,  dusentos  oitenta  mil  sette 
oentos  cincoenla  reis i80?5>750 

(El  rei  concedeu  esperar  por  225^000  reis  para  o  an- 
no de  1527  por  todo  o  mez  de  agosto,  sendo  ja  passado  o 
tempo  de  entregar  os  55.^750  reis.  Tem  uma  nota  no  alto 
do  termo  que  (\'\z=mcm(lado=e  outra  no  fim  delle  que  diz: 
=  desta  somma  se  passou  certidão  pêra  a  fazenda  de 
2053$Í750  r.*  por  quanto  da  mais  quantia  mostrou  quitação 
()ue  foram  entregues  a  João  Tavares,  i 


(A  f.  5)  Gaspar  de  Viveiros  deve  de  parte  da  armação 
dos  escravos  de  1525  que  lhe  f()i  arrematado  por  Bartho- 
lomeu  Godinho,  dez  miz  reis       lOiíiOOO 

(Umas  notas  de  António  Borges  dizem  que  na  f.  55  da 
despesa  de  Diogo  Nunes  se  vêem  estes  10^000  rs.,  e  ou- 
tra diz  que  estão  carregados  sobre  João  Tavares,  por  os 
haver  entregado  por  elle,  Gaspar  de  Viveiros  a  Luiz  Fer- 
nandes, feitor  que  foi  na  Ilha. — Uma  nota  de  João  Tavares 
diz  que  foram  pagos  ao  feitor  de  que  este  lhe  entregou  co- 
nhecimento.) 

(Copia)  It.  se  mostra  pella  conta  que  Diogo  Nunes  al- 
moxarife fez  com  Jorge  Nunes  a  qual  fez  com  Gaspar  de 
Freitas  tahelliam  e  se  achou  ficarem  devendo,  a  saber: 
Domingos  Affonso  e  Jorge  Martins  e  Fernandf)  Eannes  cin- 
(joenta  e  cinquo  mill  e  b*^  e  cinqoenta  reis  lE  b'"  L  reis 
'50^550  reis),  dos  quaes  pagou  Jorge  Martins  ao  almoxa- 
rife Diogo  Nunes  dez  mill  reis  e  amostrou  Bertollomeu  Ro- 
drigues hfia  quytação  de  oito  mil  rs.  que  pagou  em  ceva- 
da e  por  hõa   quytação  que  Domingos  Affonso  amostrou 


100  AUCHIVO    DOS    AÇORES 

por  que  tinha  pago  cento  e  cynqoenla  e  oytu  inill  e  seis 
centos  reis  por  oníde  coube  a  esta  conta  os  oyto  mi II  e 
quinhentos  reis  e  os  cento  e  cincoenla  mill  reis  na  conta 
da  arníiação  em  que  elle  teve  a  quarta  parte  com  Pêro  Jor- 
ge. Fernão  Camello  e  Gaspai'  de  Vyveiros  a  qual  era  assy- 
gnada  por  Diogo  Nunes  e  feita  por  Bastião  Uodriguez  asy 
ficam  devendo  os  sobreditos  segundo  mais  decrarado  esta 
no  auto  que  em  meu  poder  he  vynle  e  oyto  mill  ix*"  L  reis 
os  quaes  se  carregam  aijuy  em  lecepta ^8)$í»50 

(Notas:  de  Bustião  Rodrigues  de  20  de  setembro  de 
1528  diz  que  se  passou  certidão  a  Diogo  Nun'^s  de  como 
João  Tavares  tinha  recebido  esta  quantia  d.HIe  Bastião 
Boiz:  outra  de  João  Tavares  declarando  que  os  recebeu: 
outra  de  14  de  setembro  de  1531  declarando  que  se  pas- 
sou certidão  disto  a  Diogo  Nunes. 

(A  f.  5  v.")  João  Fernandes,  de  alcunha-  dedinhos  — 
morador  que  foi  em  Ponta  Delgada,  ja  defimto  por  (jue 
deve  quatro  mil  e  quinhentos  reis  por  um  assignado  43§500 

(Diz  em  nota    mandado) 

Pêro  AíTonso.  irmão  de  AlTonso  de  Sampaio,  deve  nove 
mil  reis  de  uma  escrava íÍí^OOO 

Iguez  Martins  molher  que  foi  de  Fernão  Martins  mora- 
dor na  Alagoa,  de  resto  de  uma  esciava  qualio  mil  e  qui- 
nhentos reis íí$o00 

(Em  nota,  diz  B.^"'  Boiz  passa?'  certidão  dislo  a  Ignez 
Miz.  cm  19  de  setembro  de  1528  e  em  14  de  selendjro  de 
1531  a  Diogo  Nunes,  e  declaração  assignada  por  João  Ta- 
vares de  os  haver  recebido.) 

(A  f.  6)  Marlim  Annes,  morador  em  Ponta  Delgada,  de- 
ve de  uma  escrava  onze  mil  e  duzentos  reis H<51200 

(Em  nota.  declaração  de  João  Tavares  de  o^  haver  le- 
'•ebido.  e  de  Bastião  Boiz  de  tei-  passado  cet  tidão  a  Diogo 
Nunes  a  19  de  setembro  de  1528.) 

Duarte  Pires,  alcaide  do  mar  moiador  em  Ponta  Del- 
gada, deve  da  sua  metade  dos  escravos  que  arrematou  do 
refugo,  (poi^pre  a  outra  metade  deir  a  Gil  Aííonso  e  a  Pê- 
ro Velho)  cinco  mil  cento  e  trinta  reis 5?>130 

(Em  nota,  diz  João  Tavares  haver'  recebido  quatro  mil 
íeis,  e  Bastião  Boiz  diz  haver  passado  certidão  a  Diogo  Nu- 


AHCHIVO  DOS  AÇORES 


lOI 


nes  em  19  (ie  Selembni  de  Ií)28  e  outra  em  14  He  setem- 
bro de  1531  poi"  atiuella  itão  ter  entrado  em  conta. i 

Gil  AlTonso  deve  da  sua  parte  do  refugo  que  lhe  deu 
Duarte  l^iies  mil  e  seis  centos  e^cincoenla  reis    ....         Ij5í650 

(A  f.  6  v.")  Pêro  Jorge  deve  do  resto  da  sua  parte  da 
arrematação  dos  escravos  do  anuo  de  1525,  dezesetle  mil 
dusentos  íeis 17?5!áOO 

(Em  nota,  escripla  e  sulíscripla  por  Afonso  do  Porto  e 
assignada  poi-  João  Tavares,  diz  este  havel-os  recebido: 
Bastião  Rodriguez  faz  declaração  igual  ás  mencionadas  a- 
Iraz.) 

(A  f.  7)  (Copia)  titulo  das  dividas  que  devem  a  eirei 
noso  senhor  do  iriguo  que  Diogo  Nunez  almoxarife  recebeo 
e  lleixou  estas  dividas  as  (juaes  se  carregam  aquy  sobre 
João  Tavares  (jue  tem  carego  de  almoxarife  aos  xiij  (IS) 
dias  do  mez  de  abryll  de  J  l/xxbij  annos  (1027)  e  asy  dos 
ramos  das  meunças  e  escravos. 

Gaspai  Vaz  morador  em  Santo  António,  mostra-se  por 
«un  assignado  dever  de  vinte  alqueiíes  de  trigo  do  anno  de 
1524.  mil  reis Ií$ÍOOO 

Fernando  Eannes,  carpinteiro,  morad(»r  em  Santo  An- 
tónio, mostra-se  por  um  assignado  dever  por  vinte  alquei- 
res de  trigo  do  anno  de  1524.  mil  reis lí^OOO 

(A  f.  7  v,**)  João  Gonçalves,  alfaiate,  mor  ador  nas  Fei- 
leiras,  mostra-se  por  um  assignado  ficar  obrigado  a  pagar 
por  António  Juz.irte.  do  ramo  das  ovelhas,  cinco  mil  e  oito 
centos  reis 5}$ÍH00 

(Declai^a  João  Tavares  tel-os  recebido  e  Bastião  Roiz 
haver  passado  certidão  a  Dioeí»  Nunes  em  19  de  setembro 
de  1528.) 

Fernão  Gonçalves,  o  amo,  que  Deos  tem?  deve  de  es- 
cravos por  um  assignado.  trinta  e  nove  mil  reis       .     .     .       39j3*(KX) 

(Declara  João  Tavares  haver  recebido  5)5000  rs.  de  Luiz 
Galvão;  e  Bastião  Roiz  faz  declarações  idênticas  ás  das  (ou- 
tras verbas.) 

Marcos  AíTonso  Moreno,  mostra-se  por  um  apontamento 
e  item  dever  de  um  escravo,  seis  mil  e  cpiinhentos  reis    .        Q0OO 


102  ARCHIVO   nos   AÇOKES 

(A  f.  8)  Joio  Tavares  (o  mesmo  que  serve  de  almoxa- 
rife) deve  do  reslo  que  ficou  devendo  da  sua  parte  da  ar- 
rematação do  ramo  dos  beserros  do  arrendameulo  passado 
sessenta  e  cinco  mil  reis Oof^OOO 

(Em  nota  poi-  letra  desconhecida  =-  he  pasado  conheci- 
mento em  forma  desta  conlia  a  Oioguo,  Almoxarife  da  ilha 
de  Sam  Miguel  pelo  qual  conhecimento  lhe  foram  lançados 
em  conta  estes  bdi  (Oõi^GOO)  reis,  Uioguo  Nunes=  parece 
a  declaração  feita  já  no  reino.) 

Amador  da  (]osta  deve  do  ramo  das  ovelhas  do  anno 
de  1524  e  152r3  que  se  acabou  pelo  São  João  de  1526,  trin- 
ta mil  reis :{0M)0(> 

(Declarações  ao  lado  dizem  (jue  pagou  a  João  Tavares 
1 1:^700  por  nove  moios  de  trigo  que  lhe  foram  tomados 
para  os  logares  d'alem. 

(X  f.  9)  Pêro  Diaz  e  Bailhasar  Royz  devem  sele  moyos 
e  trinta  alipieires  de  trigo,  como  rendeiros  dos  bens  ilos 
próprios  (|ue  S.  A.  tem  na  ilha  no  limite  de  Sanio  António 
I  pertencia  ao  anno  de  I52GJ 

(Dizem  em  uotas:=Hecebeo  João  Tavares  este  trigo,  asi- 
gnada  por  AlTonso  do  Porto,  outra  nota.  diz  que  foi  vendid»» 
e  vai  a  f.  17.  Bastião  Roiz  declara  (pie  passou  certidão  do 
pagamento  a  19  de  setembro  de  1528.) 

João  Luiz,  morador  na  Maia,  deve  sele  mil  e  duzentos 
reis  de  seis  moios  de  trigo  (|ue  o  almoxarife  lhe  vendeo  do 
anno  de  1525 7<52()(t 

(Em  notas  declara  João  Tavares  que  recebeo  estes 
7^200  rs..  Bastião  Roiz  que  passou  certidão  disso  a  19  de 
setembro  de  1528.) 

lA  f.  9:V.")  Álvaro  Pires,  cavaleiro,  morador  na  Villa 
de  Ponta  Delgaila,  deve  de  um  escravo  dez  mil  reis      .     .       I<);>00(> 

(Em  notas  diz  João  Tavares  que  recebeu  esle  dinheiro 
por  mão  de  Joi'ge  Nunes:  Bastião  Roiz  diz  que  passou  cer- 
tidão disto  a  19  de  setembro  de  1528.  e  outra  a  14  de 
setembro  de  1531.  • 

Pêro  Riiiz  e  Pêro  Velho,  rendeiros  dos  próprios  devem 
das  renilas  das  lerras  da  Villa  de  Ponta  Delgada  do  anno 
de  1525.  vinte  e  cinco  moios  de  trigo  dos  propiios  de  Sua 
Alteza.  '  . 

(Em  nota  diz-se— pêra  arrecadar.) 


\RCH1V0  DOS   AÇOHES  l(Ki 

(A  f.  10)  Peru  Hoiz  e  Poio  Velho,  deveii)  do  anno  de 
lã^li  {\i\^  rendas  dos  [iropiios  (Je  sua  Alleza  (|uatio  moios 
de  trigo  (jiie  JoHo  Tavaies  lecebeo. 

(KIii  nota  diz-se  (iiie  a  venda  deste  trigo  vai  deanle: 
Hastião  Roiz  diz  qne  passou  certidão  a  19  do  setembro  de 
loi8  e  outra  em  14  de  setembro  de  133 IJ 

Bastião  Baibosa,  fidalgo,  «'(rador  na  vylla  de  l*onla 
Delgada  deve  dez  moios  de  liigo  dos  pioprios  <le  S.  A. 
do  anno  de  1525  con.o  consta  por  um  asinado. 

(Uma  nota  ao  lado  ó\z—  mcndado.) 

(Copia)  Pasado  certidão  e  conhecimento  peraa  fazenda 
destas  adições  airaz  a  treze  dias  de  abryll  de  J  b*"  xxbij 
1527)  anos,  entregue  a  Jorge  Nunez,  e  nom  se  pasou  no 
conhecimento  ixxF  {7õi^000)"re\$  da  dyvida  de  Fernam  Ca- 
mello  nem  xbi]  b*^  {17ij>ò00)  rs.  d  Amador  da  Costa  por  os 
ter  pagos  a  Diogo  Nunez,  e  do  mais  se  pasou  que  sam 
esta  soma  ao  dyante  escripla 550í$i380 

(A  f.  40  v,°)  Tliomaz  Gonçalves,  rendeiro  da  terra  que  foi  de  An- 
tónio Godinho,  alm  »\aritV  que  Deos  haja.  que  está  no  limite  da  Maia. 
pagou  três  moios  de  tiigo  do  rendimento  do  anno  de  lò26. 

(Em  nota  diz  João  Tavares  que  a  importância  do  trigo  vai  adian- 
te lançada  em  receita  e  Bastião  Roiz  que  passou  conhecimento  delles 
em  19  de  setembro  de  1528.) 

\Copia)  (verba  lançada  no  fim  desta  pag.  por  letra  difTerente  e 
igual  á  do  termo  de  f.  12.) 

«Vai  o  dinheiro  de  comtado  que  Joham  Tavares  recebto  dês  f.  3 
te  quy— cíxxxbííj  i  188í:<(M)0)  rs.  os  quaes  lhe  vam  adiamte  f.  12  care- 
gado.s  em  recepta  porque  dos— ííijíb  Ixxx  (éõõòOSO)  rs.  pêra  compri- 
mento dos  h]"  riij  Ixxx  {64H^080)  rs.  que  sobre  ele  foram  careguados 
em  recepta  per  lembrança  se  lhe  nam  faaz  recepta  ao  dito  Joham  Ta- 
vares, pelos  não  receber  e  os  arecadar  o  allmoxarife  Diogo  Nunez  se- 
gundo tudo  mais  decraradamente  se  mostra  adiamlp  f.  aleguadas,  on- 
de tudo  vay  decrarado.» 

(A  f.  11)  Devem  os  rendeiros  dos  próprios  de  S.  Alteza  da  Acha- 
da dos  Machados,  trinta  e  oito  moios  e  meio  de  trigo,  a  saber,  do 
casal  que  traz  Afonso  Fernandes  sete  moios  e  meio:  do  casal  que  tr^az 
Vasco  Affonso  nove  moios  e  meio:  do  casal  que  traz  Fernão  Leitão 
dezeseis  moios  e  meio.  e  pela  terra  que  lhe  tomaram,  saber,  1'ero  Mar- 
tins da  Ribeira  Grande,  sobre  a  qual  andam  em  demanda  perante  o 
('orregedor  António  de  Macedo,   e  o  Contador   António   Borges  lhe 


104  ARCHIVO  DOS   AÇORES 

rnandou  descontar  dois  moios,  pelo  que  se  lançam  só  qnalorze  e  meio: 
o  do  casal  de  Diogo  Annes  cinco  moios  e  meio;  e  do  cerrado  que 
raz  Fernando  AfTtnso  maio  e  meio. 

(Em  nota  diz  Bastião  Roiz  que  passou  certidão  a  Jorge  Nunez  ren- 
deiro desta  somma  de  trigo  (jue  pertence  ao  anuo  de  1527.) 

A.  f.  II  V.")  Mais  se  carrega  sobre  João  Tavares  cinco  moios  de 
irigo  que  deve  pagar  João  Kabelo,  rendeiro  da  terra  que  está  no  li- 
mite da  Mtia  e  foi  de  António  Gidinho.  almoxarife  que  Deos  haja.  do 
anno  de  1527,  a  obrigação  tem  Bastião  Roiz. 

Também  são  lançados  em  receita  desenove  moios  de  trigo,  (pie  se 
devem  arrecadar  dos  rendeiros  dos  próprios  de  sua  Alteza  das  ter- 
ras que  trazem  no  limite  de  Santo  António,  por  (jue  se  abatem  trin- 
ta moios  de  ipie  fez  mercê  por  doação  a  Fernão  d'Alcaçova  de  ter- 
ra correspondente  a  elles.  deste  anno  de  1527 

(A  f.  12)  Mais  se  lançam  em  receita  noventa  moios  de  trigo  que 
se  devem  arrecadar  dos  rendeiros  dos  próprios  que  Sua  A.  tem  na 
villa  da  Ponta  Delgada  do  anno  de  1527. 

(No  resto  da  pag.  tem  o  seguinte  termo  por  letra  igual  á  da  f.  10 


icopiã)  Vai  ao  lodo  o  dinheiro  desta  Recepta  per  lembrança  tpie 
carregua  ssobre  Joham  Tavares  dês  folhas  3  te  10.  bfTu]  Ixxx  rei^ 
(b'4Sé080}  que  ficaram  por  arecadar  a  Diogno  Nunez  almoxarife  da 
Ilha  íle  Sam  Miguel  ao  tempo  que  veo  dar  sua  comta  a  estes  contos. 

Dos  quaaes  b¥p7i~  Ixxx  (64Slf>080)  rs.  não  carreguam  ssobre  o  di- 
to Joham  Tavares  mays  que  cemto  oytemta  e  oyto  inill  reis  e  dezoyto 
moios  e  meio  de  triguo  que  se  mostra  receber  das  ditas  dividas  de  que 
pasou  conhecimento  em  forma  ao  dito  Dioguo  Nunes  que  estaa  na  li- 
nha da  comta  que  lhe  foy  tomada  pelo  comtador  Gaspar  Godinho 
omde  lhe  sam  levados  em  comta  os  ditos  cl.xxxunj  {188W-))  rs.  e 
xbiij  [18]  moios  e  meio  de  Irign,  e  se  carregam  aqiiy  mais  dez  mil 
reis  que  havya  de  receber  de  Gaspar  de  Viveiros,   por  comta. 


(Af.  12  V.")  Os  jijj^  ib  Ixxx  {4ôõij>080)  rs.  que  falecem  pêra  compri- 
mento dos  ditos  l)fnij  Ixxx  {043^080)  is^.  que  sobre  o  dito  Joham  Ta- 
vares f()ram  carreguados  em  rece[)ta  per  lembrança  deu  deles  comt.» 
com  entregna  o  dito  Dioguo  Nunes  tpie  at-.ab>u  darecadar  os  ditos  res- 
tos e  dividas,  por  sobre  elle  estar  c-írreguad  )  em  recepta  t:)do  o  di- 
nheiro das  armações  domde  (k  ditos  restos  e  dividas  sairam.  como  se 
vyo  per  cerlidani  do  comia  lor  Gaspar  Godinlio  que  tomou  a  comta 
ao  dito  Dioguo  Nunez  na  qual  d(ít'rara  não  ser  levado  em  conta  ao  di- 
to Dioguo  Nune/.  mais  que  os  ditos  clxxxhiij  (188^003)  vá.  em   dinhei- 


AHCHIVO  DOS   AÇORKS  105 

ro  e  xbiij  \JS)  moios  e  meio  de  trigo  de  (jiie  o  dilo  Joham  Tavares 
passou  conhecimento  em  fornia  ao  dito  Diogno  Nunes  e  por  tamto 
se  nam  carreguam  em  recepta  ssõhre  o  dito  João  Tavares  mais-  que 
os  ditos  clxxxbiij  {1S8'S000)  rs.  e  xbiij  ■  18\  moios  e  meio  de  triguo 
que  se  mostrar  somente  receber  das  ditas  dividas,  segumdo  se  tudo 
mostra  pela  dita  certidam  do  dito  Gaspar  Godinho  feita  a  xxb  i2ô) 
dias  doiitiibro  de  b''xxxbj  òSh')  a  (|ual  certidam  fi(|ua  a(juy  coscy- 
ta  (sic)  acostada  a  esta  meia  folha. 

Vai  ao  todo  o  Iriguo  dos  propios  que  foy  carregado  em  recepta 
per  lembrança  ssobre  Joam  Tavares  dês  f.  9  e  10  do  ano  de  b^xxb 
e  l/xxbj  {Õ2Õ  e  526')  xxxix  {39)  moios  e  moio  fios  quaes  o  dilo  Jo- 
ham Tavares  nom  recebeo  mais  que  os  xbiij  i  /8)  moios  e  meio  airaz 
decrarados  por  í|ue  os  xxj  i2i)  moios  (|ue  falecem  recebeo  Dioguo 
Nunez  almoxarife  como  lambem  decrara  a  certidam  acima  por  sobre 
ele  Dioguo  Nunez  serem  careguados  em  recepta  e  deles  ter  dado  com- 
ia com  emtregua. 

Vai  ao  lodo  o  triguo  dos  propios  do  ano  de  b*'  xxbij  (027)  que 
foy  careguado  em  recepta  per  lembrança  sobre  Joham  Tavares  de  que 
hade  dar  conta,  cento  cinquenta  e  quatro   moios  e  meio. 

(A  f.  13)  It.  Em  xxbj  {26)  dias  do  mes  de  Janeiro  de  mil  e  qui- 
nhentos e  trinta  anos  se  carregou  aqui  em  receita  sobre  Joham  Tava- 
res novemta  mil!  reis  (jue  Jorge  Nunes  rendeiro  destas  Ilhas  deu  a 
Jurdam  Jorge,  prioste,  pêra  pagamento  das  ordinárias  dos  benefeciados 
das  Igrejas  e  capellanias  desta  dita  Ilha  de  Sam  Miguel  do  anuo  de 
mill  e  quinhentos  e  vinte  e  seis  annos  os  quaes  ho  dilo  Jurdam  Jorge 
pagou  aos  ditos  benefeciados  segundo  "se  contem  no  Uvro  das  ordiná- 
rias e  quitações  que  ho  dito  Jurdão  Jorge  deu  ao  dito  João  Tavares  o 
quall  esta  encostado  no  livro  onde  estam  os  asinados  per  que  se  mos- 
tra receber  o  dilo  Jordam  Jorge  os  ditos Tí-  {OO-SOOO)  reis  do  drto  ren- 
deiro. 

(Entre  as  varias  notas  pouco  importantes  diz  uma=lembre  Jorge 
Nunez  adiante  f.  19,  vam— ij  (2)  adições  de  dinheiro  deste  Jorge  Nu- 
nez que  hamde  ir  todas  per  hQa  adição.^ 

II.  mais  se  carrega  aqui  sobre  o  dito  Joham  Tavares  cinco  moios 
(^ue  recebeo  do  dito  reniieiro  para  pagamento  das  ordinárias  novas 
que  ho  dilo  senhor  tem  feito  mercê— saber— a  Bastiam  G)nçalves  ra- 
çoeiro  e  tezoureiro  da  .\1aia  hum  moio  de  trigo  e  a  Joham  Luis  te- 
zoureiro  da  villa  do  Nordeste  outro  mnio  de  trigo  e  António  da  Mata 
esprivam  do  llealdador  três  moios  de  trigo  os  quaes  o  dilo  allmoxa- 
rife  recebeo  delle  rendeiro  ho  ano  deyb'  xxbj  <  Íõ26 
de  o  asynou.  (\) 


e  por'   verda 


(1)  Não  olisluiilo  faltariMi)  aqui  as  1'.  14,  lo  v  Iti,  parece-inc  que  não  tazciii  lai 
N."  20-Vol.  IV— 1882.  2 


106  AKCHIVO  DOS  AÇOHES 


(A  f.  17)  II.  Km  dez  dias  do  mes  de  maio  de  quinhentos  e  vinle  e 
sete  anos  se  lança  aqui  sobre  Joham  Tavares  seis  moios  de  trigo  dos 
próprios  de  Santo  António  que  vemdeo  a  Joiíam  P'avella  (^?)a  rezam  de 
mil  e  oitocentos  reis  o  moio  que  se  amonta  dez  mil  e  oitocemtos  reis 
o  qual  trigo  se  vendeo.  Com  o  contador  António  Borges  asinon  aqui 
o  dito  Joham  Tavares  d." 

It,  Mais  se  carregam  sobre  o  dito  Joham  Tavares  seis  mil  reis  de 
três  moios  de  tiigo  que  vendeo  do  trigo  dos  próprios  dei  rei  nosso 
senhor  a  Fernam  dAllvares  (?)  pedreiro  morador  nagra  grande  (?)  e 
ho  dito  Joham  Tavares  asinou. 

(Diz  imia  nota  no  alto:  Aqui  em  leceila  trinta  mi!  reis  que  (es  em 
vemda  destes  xbj  (Ití)  moios  de  trigo  pela  maneira  abaixo  decrarada 

0  os  ditos  xbj  {16)  moio>  lhe  vam  adiamte  f.  20  lançados  em  despe- 
sa.) 

(A  f.  17  v.°)  It.  Se  carrega  aqui  em  receita  sobre  Joham  Tavares 
allmoxarife  setle  mill  e  dozenlos  reis  de  quatro  moios  de  trigo  que 
vendeo  dos  próprios  do  ano  de  mil  e  quinhentos  e  vinle  e  seis  anos 
das  terras  da  Ponta  Dellgada.  o  quall  vendeo  a  mill  e  oyto   centos 

1  eis  o  moio  a  Joham  Keruandez  em  que  se  montaram^  os  ditos  blj 
íTSOOO)  reis  o  qual  trigd  vendeo  com  consentimento  do  contador  An- 
tónio Borjes  e  assynaram  aqui  A.* 

It.  Mais  se  carrega  aqui  sobre  o  dito  Joham  Tavares  seis  mil  reis 
de  três  moios  de  trigo  (jue  vendeo  dos  próprios  do  ano  de'7~b''  xxbj 
/.'526')que  recebeo  da  terra  que  foi  de  António  Gordo  (?)  (ou  GodinhoT) 
— saber  -de  Tomaz  Gonçalves  a  dois  mill  reis  o  moio  em  que  se  mon- 
tarom  os  ditos  seis  mil  reis  o  qual  trigo  vendeo  por  consentimento  do 
contador  e  assinarom. 

Os  (piaes  xbj  {16)  moios  de  trigo  o  dito  Joham  Tavares  vendeo 
pelos  preços  acicna  decrarados  e  portanto  lhe  careguei  em  recepta 
sobre  o  dito  Joham  Tavares  na  volta  desta  folha  xxx  iSO^OOO)  reis 
(|ue  montou  na  dita  venda  e  os  ditos  xbj  (jf6'i  moios  lhe  vam  adiante 
t.  20  lançados  em  despesa. 


ta,  porque  seriam  as  brancas  de  que  falia  o  teniio  de  encerramento,  que  por  não 
lhes  darem  importância  as  cortaram.  O  termo  de  encerramento  diz  que  tem  o 
livro  22  folhas  escriptas  em  todo  ou  em  parte,  e  as  que  o  livro  tem  até  alii  são 
25,  mas  descontando  as  3  primeiras  em  que  ha  só,  rosto,  e  termos  de  aberturas 
ficam  offectivamente  22  para  as  verbas  da  receita  e  despesa.  Parece-me  pois 
o  livro  complelo. 

{JSota  do  Sr.  J.  I.  de  Brito  Rebello.) 


ARCniVO    DOS    AÇOUKS  107 

(A  f.  18)  It.  Em  xbij  [17)  dias  do  mez  de  selembio  de  b''  xx  biij 
{028)  anos  na  villa  da  Piuita  Delgada  perante  mim  esprivão  conheceo 
e  confessou  Joham  Tavaies  allmoxarife  que  foi  que  recebera  de  Si- 
mão Roiz  do  Nordeste  cinco  mil  reis  á  conta  do  dinheiro  (|ne  elle  Si- 
mão Roiz  tinha  recebido  dos  espravos  darmaçam  (jue  foi  arrematada 
a  Joham  Allvarez  que  forom  dados  em  pagamento  a  Diogo  Nnnez  qne 
foi  allmoxarife  e  oia  sam  carregados  sobre  o  dito  Joham  Tavares  &." 

(Verbas  on  cotas)  Sam  a(jiii  carregados  em  recepta   sobre  o  ditu 
Joham  Tavares  cento  e  sete  mil  duzentos  e  vinte  reis  pela   maneira 
abaixo  declarada.  =Bastiain  Uoiz  declara  haver  passado  certidão  des 
la  verba. 

It.  Mais  no  mesmo  dia  confessou  lei-  recebido  de  Pêro  Allvares 
vendeiro  morador  em  Villa  Fran  |ua  quatro  centos  reis  de  resto  de 
hum  espravo  da  dita  armação  que  era  da  lo  etn  pagamento  no  dito  al- 
moxarifado e  por  verdade  que  elle  Joham  Tavares  recebeo  a  dita  so- 
ma assinou  e  eu  Bastiam  Roiz  o  esprevi. 

( Rm  nota  diz  Bastiam  Roiz  ter  ()assado  certidão  desta  verba  a  Dio- 
go Nunes  a  xix  (19)  de de  1528,  e  que  passou  outra  a  14  de 

setembro  de  1531  p.)r  se  nlo  encontrar  a  outra  que  linha  levado.) 

(A  f.  18  v.°)  II.  Mais  1)0  mesmo  dia  xbij  (17)  de  setembro  de 
b^xxbiij  (.-528)  anos  conheceo  e  confesou  ho  dilo  Joham  Tavares  tet 
recebido  de  Gaspar  (]amello  sete  mill  reis  reslo  do  que  devia  darma- 
ção  que  lhe  foi  arrematada  e  a  seu  pai  por  Bertulameu  Godinho  que 
servia  de  contador  a  ijual  armação  foi  carregada  sobre  ele  Diogo  Nn- 
nez allmoxarife  e  por  verdade  ho  asinou  e  eu  Bastião  Roiz  que  ho  es- 
previ os  quaes  sele  mil  reis  pag<)u  p  »r  s;íu  pii.  a  qual!  armação  era 
do  ano  de  b*^  xxb  (525). 

(Em  nota  diz  Bastião  Roiz  haver  passado  certidão  desta  verba  em 
xix  {19)  setembro  de    15iá8.) 

Mais  confessou  ler  recebido  d\llvai"o  Roiz  recebedor  dos  pi'oprios 
d  Achada,  quatro  moios  de  trigo  do  rendimento  das  terras  d  Achada 
do  ano  de  mil  e  quinhentos  e  vinte  e  seis  e  eu  Bastiam  Roiz  que  ho 
escrevi. 

(Em  t)ota  faz  Bastião  Roiz  tlecl.iraçÕHs  iguaes  ás  antecedentes.) 

Mais  dise  t)ue  recebeo  d  Allvaro  Rap  >sso  novecemlos  reis  de  que 
o  dito  Allvaro  Mendes  Raposso  morador  em  .Vllta  Bretanha  deu  em 
começo  de  pagno  do  que  devia.  Eu  Bastiam  Boi/,  (pie  ho  esprevi:  o^ 
(piaes  M)oios  de  trigo  devia  a  ehei  noso  senhor  d(»  ano  de  bxxh 
-  1525.) 

'Em  nota  fa/.  Bastiam  Roiz  il(M:lara(,'.ã(t  idêntica  ás  antecedentes.) 


i08  ABCHIVO   DOS   AÇOBES 

(A  f.  19;  II.  Em  xxiiij  (24)  dias  do  mes  de  setembro  de  b'  xxbiij 
(1528)  anos  na  villa  da  Ponta  Dellgada  da  ilha  de  Sam  Migeil  ronhe- 
ceo  e  confessou  Joham  Tavares  que  sérvio  de  allmoxarife  tio  anno  de 
b*^xxbij  1027)  ter  recebidc»  de  Jorge  Nunes  rendeiro  trinta  e  dous  mil 
e  seis  centos  e  quarenta  reis  para  pagamento  da  moradia  e  cevada  de 
Amlonio  Borges  que  |tie  ell  rei  mandou  pagar  nesta  ilha  de  Sam  M\- 
gell  segundo  tem  por  hum  allvara  dei  rei  nosso  senhor  que  está  Irel- 
ladado  em  poder  de  mim  esprivão  e  eu  Bastião  Roiz  que  ho  esprevi 
e  ho  dito  Joham  Tavares  assignou. 

It.  mais  conheceo  e  confeSí;ou  ter  recebido  do  dito  rendeiro  trinta 
e  nove  moios  de  trigo  pêra  pagamento  de  huma  mercê  que  ellrei 
nosso  senhor  fez  a  Catarina  de  Betancor  moradora  na  ilha  da  Madei- 
ra  =de  doze  moios  cada  hum    ano  e   foram   pagos  per  elle 

allmoxarife  em  dous  pagamentos:  a  saber:  ho  ano  de  b*'xxbj  {526)  no 
mes  doutubro  e  do  ano  de  mil  e  quinhentos  e  vinte  e  sete  doze  moi- 
os e  por  cada  ano  que  se  montam  vinte  e  quatro  moios,  e  assi  mais 
conheceo  e  confessou  ter  recebido  os  ditos  xxxjx  (89)  moios  Lope  Anes 
pêra  Catarina  de  Betancnrt  vinte  e  (juatro  moios  e  assi  mais  pêra  pa- 
guamento  de  quinze  moios  que  ell  rei  nosso  senhor  fez  mercê  ao  pre- 
guador  de  Villa  Franqua  frey  Affouso  de  Toledo  que  fazem  em  í>oma 
dos  ditos  xxxjx  ['W)  moios  de  trigo,  e  eu  Bastiam  Roiz  que  ho  espre- 
vi e  ho  dito  Joham  Tavares  assinou. 

(A  f.  19  v.")  (Em  nota  diz  Bastião  Roiz=passada  certidam  destes 
xxxjx  {S9)  moios  de  trigo;— e  pela  outra  letra  da  repartição  dos  con- 
tos ou  o  que  quer  que  seja=Jorge  Nunes=que  era  o  nome  do  ren- 
deiro I 

It.  mais  conheceo  e  confessou  ho  dito  Joham  Tavares  ter  recebido 
do  dito  rendeiro  setenta  e  cinquo  mil  duzentos  e  triíita  reis  que  pagou 

que  se  amontam  nos de  xxbj  e  xxbij  (526*  í^  527)  anos;  a  saber: 

110  anno  de  b'xxbj  (526)  quarenta  e  hum  mil  e  quinhentos  e  trinta  e 
no  ano  de  l/xxbij  (527)  trinta  e  três  mil  e  setecentos  segundo  se 
mostra  per  hum  caderno  e  itens  feito  per  Afonso  do  Porto,  esprivão 
dos  contos  que  se  tirou  dos  livros  do  rendimento  do  trigo  e  cevada 
desta  (?)  ilha  os  quaes  paguainentos  e  quitações  estam  escritas  no 
livro  dAfonso  do  Porto  como  sam  paguos  per  mandado  delle  allmo- 
xarife segundo  todo  elle  allmoxarife  disse  perante  mim  esprivão  e 
asinou  e  eu  Bastiam  Roiz  que  ho  esprevi. 

(Em  nota  diz  Bastião  Rois=pasada  certidão  a  .lorge  Nunes  ren- 
deiro=e  pela  letra  do  costume-=na  Recadaçam  da  conta  de  Joham 
Tavaies  vay  posta  a  2.*'  verba.) 

lA  f.  iú)  {Copia)  Sam  aqui  levados  em  despesa  ao  dJto  Joham 
Tavares  dezaseis  moios  de  trigo  por   venda  que  delles  fez  e  ho  di- 


ARCHIVO   DOS   AÇORES  109 

nheiío  [xiique  os  vendeo  lhe  ficam  atraz  neste  cadeiiu»  1".  17  (.arrega- 
<l(ts  em  recepla  com  as  tleclarações  dos  pregos  por  que  os  vendeo. 

A  f.  :áU  v.°)  ( Copia)  Sam  aqui  levados  em  despesa  ao  dito  Joham  Ta- 
vares que  tem  carregue  dalmoxarife  na  ilha  de  Sam  Miguel. 

Entregou  João  Tavares  a  Luis  Fernandes  feitor  que 
foi  nas  ilhas  dos  Açoies  no  anno  de  1527  vinle  e  três  mil 
e  quinhentos  reis.  sendo  oito  mil  e  quinhentos  reis  por  con- 
ta do  que  deviam  a  el  rei  nas  ditas  ilhas,  e  no  dito  anno 
entregue  a  28  de  agosto,  e  quinze  mil  reis  por  conta  do 
ramo  dos  bezerros,  segundo  se  mostra  por  certidão  do  con- 
tador Pêro  Lopes,  dAngra,  (jue  tomoíi  a  conta  aos  erdei- 
ros  de  Luiz  Fernandes,  feita  a  23  de  outubro  de  1536       .      H^òdíK) 

Ordinárias  do  anno  de  1526. 

(A  f.  22)  A  Jordão  Jorge,  benefeciado,  pagou  cinco  mil 
reis  de  oídinaria  do  anno  de  1526  que  acabou  pelo  S.  João 
de  1527,  e  isto  para  pagamento  dos  benefeciados  que  lhe 
foi  entregue  como  prioste  e  de  que  passou  conhecimento 
a  28  de  fevereiro,  sem  declaração  de  anno 5ò000 

A  João  Luiz  Mergulhão,  benefeciado.  da  sua  ração  do 
mesmo  anno  de  1526,  de  que  passou  conhecimento  a  28 
Je  fevereiro,  sem  declaração  do  anno.  dois  mil  e  quinhen- 
tos reis •        2^500 

A  Vicente  Annes,  raçoeiro,  da  sua  ração  do  dito  anno. 
de  que  passou  conhecimento  a  28  de  fevereiro  de  1527. 
dois  mil  e  quinhentos  reis ,     .     .     .        2^500 

A  Fr.  Francisco.  Thesoureiro.  do  dito  anno  de  1526,  de 
que  passou  cqjahecimento  a  28  de  fevereiro,  sem  declaração 
de  anno.  dois  mil  reis '26000 

(A  f.  22  v.°)  A  Álvaro  Aimes.  Capelão  de  Nossa  senho- 
ra das  Neves,  (Relva)  de  sua  ordinária  do  dito  anno  de 
1526,  de  que  passou  conhecimento  datado  dí»  ultimo  de 
fevereiro,  sem  declaração  do  anno,  dois  mil  e  quinhentos  r.'        2j>50{) 

A  Braz  Pires,  cura  da  igreja  das  Feiteiras,  de  sua  or- 
dinária do  dito  anno.  de  que  passou  conhecimento  a  4  de 
março  de  1527,  Ires  mil  e  quinhentos  reis .'{^500 


HO  ARCHIVO  DOS   AÇOKKS 

A  João  Rodrigues,  cura  de  Santo  António,  de  sua  or- 
dinária do  dito  anno,  de  (]iie  passou  conhecimento  a  7  de 
junho  de  1527,  quatro  mil  e  dusentos  reis 'ií$í200 

A  Peio  Garcia,  cura  da  Igreja  de  Nossa  Senhora  da 
Luz,  (Fenaes)  de  sua  ordinária  do  dito  anno  de  I5á6.  de 
que  passou  conhecimento  a  2  de  maio  de  1527.  oito  mil 
reis       HíJOOO 

(A  f.  23)  A  Ignacio  Dias.  benefi-ciado  em  Nossa  Senho- 
ra da  Estrelja,  (Matriz  da,  Ribeira  Grande)  (\e  sua  ordinária 
do  anno  de  152().  do  (jue  passou  conhecimento  a  2  de  maio 
de  1527,  (juafro  mil  reis 4íSÍ000 

A  Fr.  Simão  Pires,  cuia  e  capelão  de  Nossa  Senhora 
da  Anunciação  iLogar  d'Achada)  de  sua  ordinária  do  dito 
anno.  de  que  passou  conhecimento  a  21  de  maio  de  1527, 
dois  mil  reis 2^000 

A  .loãu  Garcia,  cura  da  egreja  de  Villa  Franca  do  (^am- 
po,  de  sua  ordinária  do  dito  anno,  de  que  passou  certidão 
a  26  de  fevereiro  ije  1527.  cinco  mil  e  dusentos  reis    .     .         5j5200 

A  Diogo  Madeira,  ecónomo,  de  três  quartos  do  dito  an- 
no, de  que  passou  conhecimento  a  12  de  março  de  1527, 
seis  mil  reis 0^(000 

(A  f.  23  V.")  A  Manoel  de  Castro,  beneficiado  na  egre- 
ja de  Nossa  Senhora  dos  Anjos.  {Agoa  de  Pao)  ile  sua  or- 
dinária de  1526.  de  (]ue  passou  conhecimento  ao  1."  de 
março  de  1527,  quatro  mil  e  dusentos  e  cincoenta  reis  Í.-5250 

A  Adam  Vaz,  beneficiado  na  egreja  dAgoa  do  Pau  de 
sua  oídinaria  do  dito  anno.  mas  achando  se  então  doente, 
recebeo  por  elle  o  referido  Manoel  de  Castro,  de  (pie  ^as- 
.soii  conhecimento,  com  essa  declaração  ao  1.°  de  março  de 
1527.  dois  mil  e  quatro  centos  rei< 2^i0() 

A  Sebastião  Fernandes.  Capelão  tia  igreja  da  Lagoa, 
de  sua  ordinária  do  dito  anno  de  ()ue  passou  conhecimen- 
to a  27  de  abril  de  1527.  quatro  n)il  reis       ,     .      .     .     .  4r>()00 

A  (ionç.illo  Pires,  ecónomo  na  egreja  da  Lagoa  de  sua 
ordinária  do  dito  anno.  de  (jue  passou  conhecimento  a  27 
de  abril  de  1527,  quatro  mil  e  dusentos  e  cineoenta  reis  .         'ié^õO 


AHCHIVO   DOS   AÇOHES  I  \  I 

(A  f.  24y  A  Beinaldu  Froes,  de  sua  ordinária  du  anuo 
de  1526,  de  (jiie  passou  cunhecimenlo  a  29  de  ahril  de 
1527,  dois  mil  e  cem  reis      ...     - 2)$Í100 

Ao  dilo  Bernaldo  Fioes,  mais  de  sua  ordinária,  de  que 
passou  conhecimenlo  a  2  de  maio  de  1527.  dois  mil  reis  .        2)$Í000 

A  Nuno  Gonçalves,  cura  do"Bom  Jezus  (fíabo  de  Peixe) 
de  sua  ordinária  do  anuo  de  1526,  de  que  passou  conheci- 
menlo, feito  por  Bastião  Rodrigues,  a  27  de  Julho  de  1527. 
quatro  mil  e  dusentos  reis ij5í200 

(A  f.  24  v.")  A  Kodrigo  Alvares,  cura  do  Faial,  de  sua 
ração  do  dito  anno  de  1520,  de  que  passou  conhecimento 
a  15  de  agosto  de  1527,  quatro  mil  reis 4;$ÍOOO 

A  Bastião  Gonçalves,  raçoeiro  e  Ihesoureiro  da  igreja 
da  Maia,  em  parle  de  pago  da  sua  ração  do  anno  de  1526, 
de  que  passou  conhecimenlo,  feito  por  Affonso  do  Porto 
escrivão  dos  Contos  a  18  de  junho  de  1527,  Ires  mil  reis.         3;$000 

A  João  Luiz,  raçoeiío  e  thesoureiro  na  igreja  da  villa 
(lo  Nordeste  em  começo  de  pago  da  sua  raçam  do  dito  an- 
uo, de  que  passou  conhecimeiito,  feito  por  Affonso  do  Por- 
to a  15  de  junho  de  1527,  dois  mil  e  tresentos  reis.     .     .        2^300 

A  Pêro  Fernandes,  cura  que  foi  da  igreja  do  Porto 
Formoso,  dt  sua  ordinária  do  anno  de  1526.  de  que  mos- 
trou certidão  em  como  serviu,  e  passou  conhecimenlo  feito 
por  Affonso  do  Porto  a  12  de  junho  de  1527,  três  mil  e 
quinhentos  reis 3?5Í500 

A  Diogo  Madeira,  cura  do  Nordeste  em  parle  de  pago 
de  stja  ordinária,  do  referido  anno.  de  que  passou  conhe- 
cimenlo feito  por  Bastião  Boiz  a  4  de  junho  de  1527.  seis 
mil  e  quinhentos  reis. Oj^íSOO 

{Segue-se  aqui  o  alvará  e  verbas  relativas  a  António  Borges,  já  publi- 
cados a  f.  41  e  44  do  S."  rol.  d'esíe   archivo  < 

(A  f.  26)  Fm  dez  dias  de  maio  de  1537  se  lançou 
em  despesa  a  João  Tavares  a  quantia  de  oito  mil  íeis  (|ue 
mandou  pagar  a  Fernão  d'Alvares,  pedreiro,  (jue  fez  a  (]a- 
pella  da  Maia,  o  (juaj  pagamento  foi  feito  p!)r  Alvan»   Roiz 


112  ARCHIVO  DOS   AÇOHES 

dois  mil  reis  em  dinheiro,  e  seis  mil  reis  por  Ires  moios 

de  trigo 8^5(000 

(Em  iiola  diz-se  que  tudo  se  mostra  [)elo  traslado  da 
arrematação  que  foi  feita  ao  dito  Fernão  dAlvares  pedrei- 
ro, por  Barlliolomeu  Godinho  que  ao  tempo  da  arremata- 
ção era  contador,  e  conhecuneuio  de  Fernão  d"Alvares  de 
ler  recebido.) 

No  mesmo  dia  se  lançou  em  despesa  a  quantia  de  dois 
mil  reis  (|iie  pagou  a  Fernão  Leitão  das  despesas  que  fez 
nas  inquirições  da  demanda  que  traz  Pêro  Martins  sobre 
as  terras  dos  próprios  de  S.  A.  da  Achada  do  Machado, 
por  Pêro  Martins  dizer  que  lhe  pertencem  e  foram  lança- 
dos por  ordem  do  contador 2?50(;() 

(Diz  uma  cota  ao  lado— Fernão  Leitão  mostre  por  cujo 
mandado  se  fez  esta  demanda) 

(A  f.  26  V.")  No  mesmo  dia  se  lançam  em  despesa  du- 
sentos  reis  que  pagou  a  Francisco  Fernandes  de  virar  o 
[)astel  dei  rei  nosso  senhor  nas  luihas  (ou  trilhos  ?)     .     .  j^áOO 

No  mesmo  dia  se  lançou  em  despesa  a  quantia  de  cem 
reis  que  se  pagou  a  João  Fernandes  por  levar  a  Villa 
Finança  os  livros  que  foram  a  Portugal i5í|(M) 

No  mesmo  dia  se  lança  em  despesa  sessenta  reis  qne 
pagou  a  Hamalhão  de  certa  diligencia  que  fez  em  ir  a  Vil- 
la Franca i^060 

No  mesmo  dia  se  lançou  em  despesji  cento  e  cincoenta 
reis  que  pagou  a  Pêro  Dias  do  feito  dAlfandega      .     .     .  <$ÍL50 

Mais  se  lançou  em  despesa  seis  mil  e  oito  centos  reis 
que  pagou  a  António  Borges,  Contador,  de  sua  moradia  de 
cinco  mezes  que  se  começaram  ao  primeiro  de  outubro  de 
1525  2té  fevereiro  seguinte,  sendo  mil  reis  por  cada  mez 
e  um  alqueire  de  cevada  por  dia,  segundo  consta  do  alva- 
rá de  elrei  e  certidão  atraz  lançados 0?>»80() 

1  Segue-se  aqui  o  traslado  do  AIntni  de  António  de  Ma- 
cedo, já  publicado  no  3."  rol.  deste  auchivo/j.  3,9.) 

(A  f.  28  v.**)  Mais  se  lança  em  despesa  a  (juanlia  de 
trinta  e  três  mil  e  oitocentos  reis  que  pagou  a  António 
Borges,  contador  de  sua   moradia  e  cevada  e  contos  que 


AHCmVO   DOS   AÇOHKS  1  \'^ 

ttMii  ele  maiiliinenlo  com  o  olHcio  de   i-oiilar,   dt"   (|ne  dtMi 

ijiiilaçrio  no  livro  das  ordinárias :{I1-S80() 

.  Km  nola  diz  Bastião  Uoiz  (|ue  passou  conhecimento  a 
Jorge  Nunes  desta  i|uantia:  e  poi'  letra  do  oHicial  tiue  to- 
mou as  contas  tem  a  seguinte  verba =0s  qiiaes  xxxTíj  biij'^ 
{SSt$800}  reis  pagou  ao\lilo  António  Borges  que  lhe  mon- 
tou aver  de  sua  moradia  e  cevada  de  dois  annos  que 
iiomeçaram  per  dia  de  Satn  João  Bautista  do  anno  de  Ij' 
xxbj  {1020}  e  acabaram  per  outro  tal  do  anno  de  b'xxbiij 
(1Ô28)  a  rezãí.  de  J  reis  {li>000  r/)  por  mes  e  ahpieire  de 
cevada  por  dia.  coino  se  viu  per  alvará  dei  Hei  noso  se- 
nhor e  certidão  de  Fernão  de  Seipieira  escrivão  da  cosi- 
nha,  que  eslá  atraz  1.  2o.) 

Mais  no  dito  dia  á4  de  setembro  de  loá8  se  lançauí 
em  despesa  vinte  e  quatro  moios  de  trigo  que  pagou  a 
Catharina  de  Betancourt  e  foram  recebidos  por  Lope  An- 
nes,  seu  procurador  bastante,  por  virtude  de  uma  carta 
patente  de  mercê  que  el  lei  lhe  mandou  passar  e  está  no 
livro  do  Tombo. 

(Em  nota  diz  Bastião  Boiz  ijue  passou  conhecimento  a 
Jorge  Nunes,  e  por  letra  do  oiriciai  que  tomou  as  contas  diz: 
—O  qual  pagamento  o  dito  João  Tavares  fez  por  virtude 
de  uma  procuração  que  Mem  de  Brito  fez  a  Lope  Anues. 
e  dons  conhecimentos  do  dito  Lope  Annes  de  como  recebe- 
0  estes  xxiiij  (24)  moios  de  trigo,  a  saber,  xij  (12)  do  a- 
no  de  b'  xxbj  (õ26)  e  os  outros  xij  (12)  do  anno  de  l/xxbij 
(027)  á.") 

Mais  se  lança  em  despesa  quinze  moios  de  trigo  que 
pagou  a  Fr.  AlTonso  de  Toledo,  pregador,  de  (|ue  el  rei 
lhe  fez  mercê  nor  uma  carta  cujo  traslado  está  em  poder 
de  Bastião  Roiz. 

(Em  nota  diz  Bastião  Boiz  que  passou  conhecimento 
desta  verba  a  Jorge  Nunes:  e  o  oíTicial  que  tomou  as  con- 
tas diz:=-=segundo  se  tudo  mostra  pelo  trellado  de  um  al- 
vará dei  rei  noso  senhor  por  que  fez  mercê  dos  ditos  xb 
(lõ)  moios, de  trigo  o  anno  de  l/xxbij  {527)  ao  dito  mes- 
tre Allbnso.  pregador,  no  qual  decrara  (|ue  per  ele  e  sen 
conhecimento  se  levem  em  conta,  e  per  liua  (piitaçam  do 
dito  mestre  AÍTonso  em  que  confessa  ter  recebido  (is  dilos 
xb  ilô)  moios  de  trigo  do  dito  João  Tavares,  feila  pei'  Mar- 
cos Dias  taballiam  na  dita  Ilha  a  29  de  agosto  \Ui   Lj27.) 

(A  f.  29)  Mais  se  lança  em  despesa  vinte  mil  c  qualro 
centos  reis  do  ramo  dos  beserros  do  ai  rendanieiilo  passa- 
do de  Simão  Fernandes  Pinl(j  e  seus  parceiros  de  (|ni'  es- 

N."  20-Vol.  IV— 1882.  :! 


114  ABCHIVO    DOS    AÇORES 

te  e  João  Alvares  do  Sal  foram  remissos  e  eram  devidos 
ao  escrivão  Bastião  Roiz  de  sua  ordinária  dos  annos  passa- 
dos, de  que  houve  uma  sentença  contra  João  Pinto  que 
está  em  poder  de  Affonso  do  Porto;  Bastião  Roiz  declara 
que  os  recebeu 20áí400 

Mais  se  lança  em  despesa  sete  mil  e  seis  centos  reis 
do  ramo  dos  beserros  que  pagou  ao  dito  Bastião  Gonçal- 
ves (ou  Roiz  T)  e  lhe  eram  devidos  dos  annos  do  arrenda- 
mento de  Simão  Fernandes  Pinto  e  de  João  Pinto  de  que 
houve  sentença  contra  este  de  vinte  e  oito  mil  reis,  que 
foram  pagos  ao  dito  João  Tavares  por  virtude  da  dita  sen- 
tença              7í51600 

(Em  nota  do  oííicial  que  tomou  as  contas,  di/.-se.  com 
relação  a  estas  duas  verbas:=(  Coja/o)  O  qual  pagamento  des- 
tes XX  iiij'  (20H0O  rs.)  e  dosbij  bj'  (TéàVO)  rs.  abaixo  nes- 
toutro assento  o  dito  João  Tavares  pagou  ao  dito  Bastião 
Roiz  que  lhe  montou  haver  de  seu  mantimento  e  ordenado 
de  escrivão  do  almoxarifado  e  Alfandega  da  Ilha  de  Sam 
Miguel  que  lhe  ficaram  por  pagar  os  annos  de  xix  {lõl9) 
XX  {1520)  xxj  (152 li  xxij  (ió22)  e  xxiij  (7525) per  esta  ma- 
neiru,  saber,  W\  {VièOOO)  rs.  em  dinheiro  e  biij  {0000) 
rs.  de  quatro  moios  de  liigo  a  rezão  de  ij*"  {200)  rs.  o  moio 
e  ij''  {200)  rs.  de  dous  pannos  da  mesa  e  os  17  iòtWO)  rs. 
de  papel,  tinteiro,  boceta,  e  comtos  que  tem  ordenado  aos 
ditos  ofícios,  o  que  tudo  mais  decraradamente  se  vio  pelo 
Irellado  de  uma  sentença  que  o  contador  Diogo  Nunes 
deu  contra  João  Pinto  e  pelo  trellado  de  um  mandado  do 
dito  Diogo  Nunes  porque  manda  ao  dito  João  Tavaies  que 
do  dinheiro  do  ramo  dos  beserros  pague  ao  dito  Bastião 
Roiz  os  ditos  28*50U0  rs.  feito  a  õ  de  março  de  I5i8. 
Bastião  Roiz  passou  quitação  a  7  de  outubro  1528.) 

(A  f.  29  v.*»;  Mais  se  lança  em  despesa  onze  mil  esetle 
centos  reis  (|ue  pagou  a  Álvaro  Lopes  morador  na  Villa  da 
Lagoa  de  nove  moios  de  trigo  que  lhe  foram  tomados  no 
anno  de  1528  para  provimento  dos  logares  dAlem,  de  que 
.eram  feitores  Manuel  Martins  e  Estevam  Callado  e  a  (jui- 
laçam  ficou  em  poder  de  AíTonso  do  Porto.  Feita  esta 
declaração  por   Bastião  Roiz  a  xiiij  (14)  de  setembro  de 

1531 wytm 

(Ao  lado  tem  esta  cota:  —Este  dinheiro  faz  a  despesa  de 
João  Tavares  e  os  ix  (.9)  moios  lhe  hão  de  ser  carregados 
em  receita  na  cabeça  do  trigo.) 

No  fim  da  pag.  tem  o  seguinte  encerramento: 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  115 

Tem  este  caderno  vinte  e  duas  folhas  escriptas  em  par- 
te, e  em  lodo,  e  as  mais  brancas  (jiie  eu  contei  em  Évora 
a  vinte  de  outubro  de  mil  quinhentos  e  trinta  e  seis  annos. 
Rodrigo  Fernandes.  (*) 

(A  f.  43)  Estas  sam  has  ordinárias  dn  todas  as  Igrejas 
desta  ilha  de  Sam  Miguel  comem  a  saber:  vigairo  cape- 
lãees  reçoeiros  tizoureiros. 

Da  Igreja  de  Vila  Franqua  tem  ho  vigayro  de  sua  ordi- 
nária dons  moios  de  trigo,  duas  pipas  de  vinho,  dois  mill 
íeis  em  dinheiro  e  dous  mar(|uos  de  prata  das  misas  dos 
Infantes. 

{Por  leira  dirersa)  Tem  recebido  Joam  Gracia  da  ordi- 
nária da  dita  igreja  cinqno  mil  e  dozentos  reis  dês  ho  pri- 
meiro dia  de  setembro  da  era  de  quinhentos  e  vinte  seis 
até  todo  março  de  vinte  sete. 

Item  quatro  reçoeyros  que  cada  hum  tem  oyto  myll 
buj   rs \        8^000 

Symãoo  Gonçalves,  beneíTycyado  bílj  rs 8^000 

(Nota)  E'  pago  pelo  almoxarife. 

Pauios  Pacheco,  beneficyado  biij  rs 8^000 

Hum  padre  que  chamam  o  Madeiía,  que  serve  de  yquo- 

(•)  Apesar  de  não  ser  exacta  esta  conta,  porque  esta  ultima  f.  é  a  29,  e  des- 
contando ainda  as  que  faltam  i4,  IS,  16,  que  naturalmente  eram  brancasi  e  de- 
duzindo ainda  as  duas  primeiras  que  não  tem  contas,  ainda  assim  tem  24,  ou 
antes  26_e  segue  ainda  a  f.  31  os  sofíuintes  termos,  faltando  a  f.  30: 

«E  X  (10^000)  rs.  que  lhe  sam  lançados  em  conta  ao  dito  .loão  Tavares  por 
outros  tantos  que  lhe  atraz  f.  o  são  em  recepta  que  Gaspar  de  Viveiros  íicou  de- 
vendo de  resto  de  sna  parte  darmação  dos  escravos  que  lhe  foram  arrematados 
l)er  Bertolomeu  Godinho  em  o  aimo  de  b^^xxbij  (527)  os  quaes  Trs.  o  dito  Gas- 
par de  Viveiros  entregou  pelo  dito  João  Tavares  a  Luiz  Fernamles,  feitor  e  rece- 
bedor que  foi  das  dividas  dei  rei  nosso  setilior  na  ilha  de  Sam  Miguel  o  dito  an- 
no,  por  cinquo  moios  de  ti-igo  a  rezam  de  1]  {2è000)  rs.  o  moio,  se^iundo  decrara 
o  assento  do  livro  da  receita  do  dito  Luiz  Fernandes  f.  4,  onde  os  ditos  (10^000) 
sam  em  recepta  na  conta  do  qual  está  luua  verba  per  letra  do  contador  Gaspar 
Godinho  que  diz  como  foi  passado  mandado  a  Diogo  Nunes  destes  (lOWOO)  rs. 
jiera  sua  conta  a  xx  {20)  de  juidio  de  b'xxxiiij  {534)  por  sobi'e  eie  serem  ca. re- 
gados em  recepta  e  delles  ler  dado  conia,  e  assim  por  também  serem  carre- 
gados em  recepta  sobre  o  dito  Luiz  Fernandes  leitor,  se  levão  a(|ui  em  despe- 
sa ao  dito  João  Tavares. 

"E  Tf  rs.  {2^000)  que  pagou  a  António  da  Junta?  escrivão  do  aldador  dos 
pasteis  da  dita  ilha  de  seu  mantimento  com  o  dito  ollicio  do  anno  de  o26  co- 
mo pareceo  per  seu  cordiecimento  leito  pi>r  Bastião  Uoiz  esci-ivão  tio  .Almoxari- 
fado a  21  de  agosto  de  1528;  f.  II  do  dito  caderno. 

(Contas  e  receitas  dos  Almoxarifes,  mar.  4."  //."  3,  Ardi.  unr.  <h(  T  thi  T.) 

(Nota  (h)  Sr.  ./.  /.  de  fírilo  llebello.) 


Ill)  AKCHIVO   DOS  AÇOHES 

iiymó  { ecónomo)  W\  V'^ 8j$ÍOOO 

[Em  Nofa)  Dey  a  Afonso  Madeira,  seis  mil  reis  de  Ires 
(|  liar  (es  uiuaiím)  Í)J  rs 6;^000 

Roque  Prego,  que  serve  de  ycoiiyino  iTíTi  rs SjÇlOOO 

Ho  tezoureyro,  (juatio  rnyll  e  quinhentos  reis  e  hum 
moyo  de  trigo  ííl]  h*^  rs 4?S»500 

«Da  Igreja  da  Pomle  Dellgada<'=(A  f.  44; Tem  tio  cape- 
líío  de  sua  ordynarya,  dous  moyos  de  trigo,  duas  pypas  de 
vynlio.  dous  mil!  reis  em  dynheyro  BJ  rs 6a$ÍOOO 

Três  reçoevros  tem  cada  hum  de  ordynarya  cinquo  mill 
reis       ,     .     ." " iri-SOOO 

Jurdam  Jorge,   heuefyciado  17  rs.  Ti^OOC) 

Joam  Luys,  benefycyado  17  rs S)$iOOO 

{Verba  por  leira  differenk)   De  dois  )|uarles  {quartéis) 
lem  Joham  Lois.  dois  mil  e  (piinhentos  reis  1]  \f  rs.     .     .        2)$Í500 
Vycente  Amies  icouyuH»,  17  rs Oí$iOl)0 

(Por  letra  diversa)  Tem  Vycente  Anes  de  dois  (juartes, 
('/uarteis)  dous  mil  e  quinhentos  reis,  Iflf 2i$500 

Frey  Pramcysqui)  que  serve  do  tezoureyro.  quatro  mil 
e  quyulieutos  reis  e  hum  moyo  de  tryguo,  iT7j  b*'  rs.     .     .         ijíiSOO 

(  Verba  idêntica j  Tem  recebidí»  frey  Francisco  da  tisou- 
raria,  dois  mil  reis.  Tf  rs 2^000 

«Da  Igieja  da  Rybeyra  Grande=(A  f.  43)  Tem  ho cape- 
iam doys  moyos  de  tryguo,  fluas  pypas  de  vynho,  dois  myll 
rreis  em  dinheiro,  17)  rs ' ^   B-JÍOOO 

{Verba  idem)  e  pago  Manoel  Koiz,  de  todo  pelo  almo- 
xarrife. 

Tem  (\uu^  benefyc}ados  com  cynqno  myll   íeis   cada 
hum.  Aiildiiio  LIopez,  beneficyado,!!  rs Oí^OOO 

liiacvo  Dias,  benefycyado  e  tezoureyro  teui  cym(|Uo  myll 
ireis  e  da  lestiurarya  ho  que  se  achar  por  verdade  e  com 
iiiim  moyo  de  tiyguo,  T  rs dj^OOO 

A  Igreja  dAgoíi  de  I*ao  lem  hum  capeiam  e  dous  be- 
nefycyados  e  tezoureyro.  Tem  ho  ca[)elam  de  sua  ordyna- 
rya dous  moyos  de  tryguo  e  duas  pypas  de  vynho  e  dous 
myll  reis  em  dynheiro,  BJ  rs.        . G?>0(JO 

Joam  de  (]aslro  {tem  por  cima  Manoel  de  Castro)  bene- 
fycyado e  tezoureyro  (em  de  seu  benefycyo  cynquo  myll 
reis  e  três  myll  e  qiiiiihemlos  da  tezourarya  e  hum  moyo 
de  trigo,    FtíiJ   IV  rs 8{$500 


AKCHIVO    DOS    AÇOHKS  H7 

\  Em  nota  por  outra  letra}  Tem  recebido  Manoel  de 
(jaslo.  de  dois  qiiarles  {//Harfcis)  da  sua  neçã  e  lisora- 
lia.  (juatro  mil  e  dozeiílos  e  I  ireis  ííl]  ij'  I i0õO 

Oulro  raçoeiro  'por  cima  tom  Adam  Vaz\  cyiiMiio  mill 
reis.  1)  rs \     .     .     .         oéOOl) 

[Pela  mesma  letra  t/ite  eítcrereu  o  nome  i'  que  é  a  de 
todas  as  outras  tiotas)  lem  recebido  de  dois  (jiiarleis.  dois 
mill  e  (luinhentos  reis.  Ti  b*^  rs áf>50t) 

A  Igreja  da  Vvlla  dAlagoa  lem  hum  capeiam  e  hum  re- 
çoeyro  que  he  lezoureyro.  Bastiam  Fernaudez,  capeiam,  tem 
duas  pypas  de  vynho  dous  moyos  de  trigo  e  dous  mill  reis 
em  dinheiro,  hl  reis 6í^00() 

(A  f.  47)  Ho  padre  iconymo  tem  de  sua  ordynarya  a- 
•  luylo  que  em  verdade  se  achar. 

A  Igreja  do  Bom  Jhu  {Rabo  de  Peide  tem  ho  capeiam,  A- 
fonso  Gonçalves  de  seu  mantymento  e  cera.  (Em  nota ^  tem 
irecebido  de  mim  Fernande  Anes  por  Afonso  Gonçalves 
cura.  cinquo  mil  rreis.  M]  is 5)^000 

Santa  Maria  da  Luz,  dos  Fanays  tem  Pêro  Gracya  de 
sua  ordynarya  e  per;)  cera  e  azeyte.  yEm  notai  tem  rece- 
bido de  mim.    xl  rs IIÓOOO 

Nosa  Senhora  das  Neves.  [Relva)  das  terras  do  Conta- 
dor. Tem  ho  capeiam,  sete  mill  reis.  TT]  rs TéOOO 

(Nota)  Tem  recebido  dois  mill  e  quinhentos  reis  e  com- 
peçou  de  servir  o  primeiro  dia  de  setembro  de  quinhentos 
e  vinte  seis. 

(A  f.  49»  A  Igreja  da  Maya  tem  hum  cura  e  hum  re- 
çoeiro.  Ho  cura  da  Maya  tem  de  sua  ordynarya. 

Bastião  Gonçalves,  reçoeiro  he  tezoureiro  da  egreja  da 
Maia,  tem  de  sua  ordinária  oito  mil  reis  com  a  lezouraria, 
blíj  rs 8^000 

'A  nota  diz-}  Tem  recebido  sele  mill  reis  de  Tomas 
Gonçalves  que  tinha  cargo  dos  dyzimos     ...  .     .         TjSlOOO 

«A  Igreja  da  Madre  de  Deos  do  Fayall.)'=Ho  cura  Ro- 
drigo Alvares,  sele  mill  reis  de  sua  ordynarya       .     .     .         7>00() 

fCom  um  recibo  de  Rodrigo  Alvares  de  haver  recebido 
a  ordinária  do  S.  .Ioã(»  di  loáfi  a  í27,  assignadf)  a  25  ide 
jimho'>)  de  27. 

«A  igreja  do  Porin  Fíumoso.»--- It.  tem  o  capeiam  da 


I  18  ARCHIVO  DOS   AÇORES 

dita  iííreia  de  sna   ordinária  três  mil  e  quinhentos   reis, 

ii]  b^ ' 3^500 

Recebeu  de  mim,   Ires  mil   e  quatro  centos  reis. 

«A  egreja  da  Achada. »=Tem  ho  capeiam  de  sua  ordi- 
nária (  está  em  branco )  tem  recebidos,  dois  mil  e  quatro 
centos  reis,  do  rendeiro,  ij'  iiij'"  rs 2^400 

«A  igreja  do  Nordeste»=  (A  f.  54)  It.  ho  cura  tem  de 
sua  ordinária  um  branco)  Recebeu  Lope  Annes  por  seu  ir- 
mão do  rendeiro.  Ires  mil  e  seis  centos  reis,  u[  b'f  rs      .        :j;$í600 

It.  ho  reçoeiro  he  tesoureiro  tem  de  sua  (sic)  oito  mil! 
reis.  com  a  tesouraria,  bui S^ÍOOO 

Recebeu  do  rendeiro,  dois  mil  e  cento  e  vinte  e  cinco 
reis,  Ij  j^xxb  rs , i^l25 

.Mais  recebeu  quinhentos  reis  por  (sic)  de  Simão  Fernan- 
des, quinhentos  reis,  1/  rs í5>i>00 

Mais  dei  a  António  Pirez,  escrivãíj,  per'  hum  conheci- 
riu'nto  do  dito  Joam  Luis  dozentos  reis áláOO 

Ho  cui'a  de  Ponta  Delgada:  está  por  receber'  Ioda  esta  ordinária. 

«Joídam  Jorge,  bent'liciado»==(A  f.  o 'n  Digo  eu  Jordain  Jorge  que 
é  verdade  que  sam  pago  de  cinquo  mil  rreis  da  minha  ordinária  do  a- 
no  de  Sam  João  de  vinte  e  seis  até  sam  Joam  de  vinte  e  sete  fui 
pago  por  mim  mesmo  do  dinheiro  que  me  foi  enlrege  para  pagamen- 
to dos  crerigos  como  priosle:  e  por  verdade  asiney  a(jui  hoje  hoilo 
de  fevereiro=Jordam  Jorge. 

«JoamLoys.  bHnefycyado=(A  f.  oi  v.^iDyguo»  eu  Joam  Lois  Mer- 
gulham, benefycya:lo,  (|ue  he  ver-dade  que  recehy  de  Jordam  Jorge 
pryoste,  dons  myll  e  quinhentos  reis  de  dous  quarles  {quartéis)  que 
que  tenho  servidos  da  mynha  reçam  de  Sam  Joam  de  myll  e  quinhen- 
tos e  {vintel)  sete  e  porque  asym  he  verdade  qire  recehy  os  ditos 
duus  myll  e  qrriíiherrlos  reis  asiney  M\uy  oje  vynte  e  oyto  de  feberey- 
r'o=João  Luys  Mergulhão. 

«Vycente  Anes,  iconymo»=(A  f.  55)  Digno  eu  Vycente  Anes  que  he 
verdade  que  receby  de  Jordão  Joige  ptyosle,  dous  myll  e  quinhen- 
tos reis  de  dous  (juartes  (qnartvis)  da  mynha  reçam  (lo  ano  de  sam 
Joam  de  myll  e  (juinhentos  e  vynte  e  seis  que  core  a  sam  Joam  de 
myll  e  quinhentos  e  vynte  e  sete  e  porí]ue  asym  he  ver^dade  que  os 
receby  os  dytos  dous  myll  e  (jrjinheulos  reis  asynei  aijuy  oje  vynte 
he  oyto  de  fevereiro  da  sobr-edita  era.=Vincpntius  Johanes. 

«Frey  Françys(iuo.  tesoureyro))=(A  f,  55  v.°i  Dygiio  eu  (Trey  Fran- 


AHCHIVO  DOS  AÇOhKS  119 

cysiiuo  (]ue  lie  verdade  que  leceby  de  Jutdam  Jorge  piiosle.  doiis 
myll  íeis  de  dous  quartes  (quarleis)  (jiie  lenho  servydo  da  lezourarya 
do  ano  de  vynie  e  soys  gne  core  a  San»  Joam  de  vynte  e  sele  e  por- 
que asym  he  verdade  que  receby  os  dylos  dous  mil!  reis  asynei  a(|uy 
oje  vynte  e  oyto  de   fevereyro=Frey  Francisco. 

«A  igreja  do  Contador» =Allvare  Anes  capeiam.  Dygoeu  Allvareanes 
capeiam  de  nosa  senhura  das  Neves  (Relm)  que  he  verdade  que  re- 
cehy  de  Jordam  Jorge  priosle,  dous  myll  e  (juynhentos  reis  da  my- 
nha  ordynarya  que  "tenho  servydo  de  setembro  convém  a  saber  do 
primeiro  dia  do  dito  mes  ale  dia  de  nalall  do  ano  de  mil  e  quinhentos 
e  vinte  e  seis  ale  sam  Joam  de  vinte  e  sele  e  porque  asim  he  ver- 
dade que  recebi  os  ditos  dous  mill  e  quinhentos  reis,  asinei  aqui  oje 
ho  deradeiro  de  febereiro=Allvare  Anes. 

«A  igreja  das  Feileiras»=(A  f.  56  w")  Diguo  eu  Brás  Pirez  cura  que 
ora  sam  da  igreja  das  Feileiras  que  he  verdade  que  recebi  de  Jor- 
dam priosle,  três  mill  e  quinhentos  reis  da  ordinária  da  dita  Igreja 
os  quaes  dous  quarles  {fjanrteis  )  sam  de  sam  Joam  da  era  de  mill  e 
quinhentos  e  vinte  e  seis  que  core  a  sam  Joam  de  quinhentos  e  vinte 
e  sete,  e  porque  asim  he  verdade  que  recebi  os  ditos  Ires  mill  e  qui- 
nhentos reis  asinei  atjui  oje  quatro  de  março  da  dita  era. ---Brás  Pi- 
res. 

«A  Igreja  de  santo  António»  =(A  f.  58)  Joam  Roiz,  Capeiam.  Digno 
eu  Joam  Roiz  cuia  de  santo  António  que  recebi  de  Jurdão  Jorge  iiij 
(4ii>000)  e  duzentos  reis  de  minha  ordinária  deste  ano  que  se  começou 
per  sam  Joam  dey  b'  vinte  e  seis  (1526)  e  se  acabara  em  vinte  e  se- 
te em  outro  tal  dia  e  por  verdade  asinei  aqui  oje  sete  dias  de  junho 
de  vinte  e  sete  annos=Joanf)  Roiz. 

«A  Igreja  dos  Fanais»  ==(A  f.  58  v.°)  Pêro  Garcia,  Capeiam.  Diguo  eu 
Pêro  Garcia  cura  na  Igreja  de  nossa  Senhura  da  Duz  do  lemile  dos 
Fenais  termo  da  villa  da  Ponta  Dellgada  que  he  verdade  que  recebi 
do  padre  Jurdam  Jorge,  beneficiado  em  a  Igreja  de  sam  Sabastião  da 
dita  vila,  oito  mill  reis  em  parle  de  paguo  de  minha  ordinária  deste 
ano  que  corre  de  15^6  annos  até  este  de  1527.  de  sam  João  a  san 
João  e  por  asi  ser  paguo  asinei  aqui  oje  a  dous  dias  de  maio  de 
1527  anos.  Pêro  Garcia. 

«A  Igreja  do  Bom  Jhuu,  de  Rabo  de  Peixe»  =(A  f.  59jAITonso  Gon- 
çalves, Capeiam.  Diguo  eu  Fernande  Anes  que  he  verdade  que  recebi 
por  virtude  desta  (juitaçam  do  padre  de  Rabo  de  Peixe  sinquo  mill  e 
quinhentos  reis  e  porque  he  verdade  asinei  aqui  oje  onze  de  março 
de  quinhentos  e  vinte  e  sete.  =  Fernande  anes. 

«A  Igreja  da  Ribeira  Grande»  =  (A  f.  59  v.°,60  e  CO  v.°)  Manoel  Roiz, 
Capeiam,  Frei  António  Lopes  beneficiado,    Inácio  Dias.  beneficiado  e 


120  ABUHIVO  DOS   AÇORES 

tezoureiro.  Digo  eu  ínacio  Dias  benpficiado  em  Nosa  Senhora  da  Ks- 
trela  da  igreja  da  Ribeira  Grande,^e  eu  recebi  de  Jurdam  Jorge  be- 
neficiado e  priosle,  que  ora  são  mj  rs.  (áéOOO)  em  começo  de  pago 
de  minha  ordinária  asi  do  beneficio  como  da  tisonraria:  a  saber:  do 
anno  que  corre  de  sam  .loham  do  b'xxbj  'õ26'i  ale  ho_ano  de  b'xxbij 
(õ27i  e  por  que  asi  he  verdade  <iue  recebi  hos  dilos  iiii  reis  [4^000) 
asinei  aqui  oje  dous  dias  de  maio  de  b''xxbij  ^õ27\  Inácio  Dias. 

«A  Igreja  de  Porto  Formoso. »=  (A  f.  61)  Diogo  Machado  lecebeu 
por  Pêro  Fernandes,  cura,  três  mill  e  b'  {-SéòOOi  rs.  ijue  tenho^quila- 
çam  dambos  de  dois. 


INFORMAÇÃO  DOS  PORTOS 

DAS 
ILHAS  DOS  AÇORES 

Primeiramente  ni\  Ilha  ila  Madeira  na  villa  de  Machico  ha  hum 
porto  muito  bom  omde  podem  emtrar  demtro  navios  o  (juoall  segundo 
lenho  emiendido  não  estaa  providij  como  cumpre  aos  tempos  daguo- 
ra  pollo  (luoall  faso  esta  llembrança. — Dos  mais  que  na  Ilha  avera  que 
creo  serão  poucos  tirado  o  da  cidade  do  Fumchall  se  devião  tão  bem 
prover  porque  o  em  que  menos  se  tiver  por  elle  farão  o  mall  piratas 
e  ereges  que  lhes  não  faltarão  traidores  que  o  saberão  mui  bem. 

A  Ilha  do  Porto  Santo  se  deve  mandar  pòr  remédio  nella  por  que 
a  vejo  de  maneira  (jue  fasillmente  a  podem  entrar  asi  polia  pouca 
jemte  que  tem  como  por  ter  muitos  Ilugares  omde  podem  desembar- 
car. 

A  Ilha  de  Samiguell  omde  ha  vimte  e  dous  annos  que  não  estive 
segumdo  tenho  emtemdido  não  estaa  mais  provido  nella  de  artelharia 
que  a  cidade  da  Ponta  Dellgada,  porque  tem  outros  mais  portos  on- 
de se  pode  mui  facillmente  desembarcar  e  fazerse  mall  em  toda  a 
terá  os  decllararei  aqui  todos  com  as  calhetas  que  na  Ilha  ha  onde 
se  Ião  bem  pode  desembarcar. 

Tomando  a  Ilha  polia  primeira  terá  imdo  de  Portugall  que  se  diz 
o  topo  do  Nordeste  estaa  huma  povoasão  que  se  diz  a  villa  do  Nor- 
deste que  estaa  mui  alta  do  mar.  tem  huin  porto  ainda  que  áspero  e 
porem  surgem  alli  navios  e  desembarcão  em  lera. — Dando  volta  á  Ilha 
polia  banda  do  sull  imdo  ao  ilomguo  da  terá  estaa  lloguo  hum  porto 
que  se  diz  a  povoação  villa  omde  se  pode  mui  bem  desembarcar  ha 
huma  povoasão  alli  pequena. 

A  diamte  cimcoou  seis  lleguoas  estaa  Villa  Franca  povoasão  de  qua- 
ro  centos  ou  quinhentos  vezinlios.  tem  himi  porto  que  foi  da  villa  que 
se  soverteo  omde  se  pode  luui  bem  desf^ubarcar  á  vomtade  e  lloguo 
adiamte  tem  bua  calheta  que  he  o  porto  'ia  villa  daguora  omde  care- 
guão  e  descareguão  as  mercadorias. 

Adiamte  obra  de  mea  llegua  de  Villa  Franca  estaa  huma  ribeira 
(jue  tem  himia  praiha  >  praia  \  no  mar  omde  po  lem  desembarcar  e 
irem  mui  facillmente  a  Villa   Franca. 

Adiamte  obra  de  duas  lleguas  estaa  hiuiia  pituUa  de  lera  (|ne 
llamsa  ao  mar  (|ue  se  diz  a  ponta  da  gualle  (ponla  da  (jalln.úaí  parte 
de  lleste  delia  estaa  huma  calheta  omde  se  pode  deseml^arcar  e  irem 
a  villa  dAuguoa  do  Pao  povoasão  de  trezentos  vezinhos. 

Adiamte  obra  de  huma  lleguoa  estaa  hum  pi>rt<)  que  se  diz  o  por- 

N.°  ^20-Vol.  IV -1882.  'i- 


Í22  ÂRCHIVO  DOS   AÇOHES 

to  fios  Carneiros,  este  he  muy  imporlamte  porque  he  todo  terá  cham 
eiu-lle  ha  povoasHo  rJe  pasamte  de  dozentos  vezirihos  e  llogno  alli  jum- 
lo  a  villa  dAllaguoas  de  trezemtos  ou  (|uatrocemtos  vezinhos  e  dalli 
podeni  ir  a  Ponite  Dellguada  muy  facillniente  porque  não  ha  mais  de 
liuma  lleguoa  e  todo  terá  cham  e  em  meo  muylas  quintas  e  muy  ri- 
(.gg—e  atravesando  deste  porto  á  banda  do  norte  que  he  a  outra 
hamda  do  mar  pouco  mais  de  hua  lleguoa  e  lera,  sem  grotas  nem  ri- 
beiras estaa  a  villa  da  Hibeiía  Gramde  povoasão  de  quoatrocentos  ou 
quinhentos  vezinhos  e  anites  que  a  ella  chegein  hum  pouco  estaa  hum 
Ilugar  que  se  diz  a  Ribeira  Seca  de  pasamte  de  cem  vezinhos  com  all- 
guas  quintas  em  torno,  ricas. 

E  deste  porto  dos  Carneiros  avera  huma  lleguoa  a  villa  dAuguoa 
de  Pao  ouíde  podem  ir  muito  bem  por  ser  lera  sem  grotas. 

Amlip  esta  lleguoa  que  ha  do  Porto  dos  Carneiros  a  Pomte  Dell- 
gada  estaa  hOa  praia  mui  boa  e  em  lera  cham  omde  se  pode  mui  bem 
deseml)arcar  e  Iloguo  alli  jumto  (pie  todo  se  chama  Rosto  de  Cão  es- 
ta hua  calheta  onde  se  pode  tãobem  desembatcar  tãobem  muito  a  vom- 
tade  e  neste  Rosto  de  Cão  ha  muitas  íjuimlas  e  mui  ricas  e  não  he 
dalli  a  Pomte  Dellgada  hum  quoarlo  de  lleguoa  e  lodo  lera  mui  cham 
e  defronte  desta  praia  e  calheta  pod<^m  estar  os  navios  suilos  a  sua 
vomtade  sem  a  artelhaiia  da  Pomle  Dellguada  lhe  fazer  nojo  por 
(|ue  em  meo  bota  ao  mar  hum  moro  de  lera  que  encobre  a  cidade. 

No  outro  cabo  da  Ilha  na  bamda  do  oeste  uo  lopo  delia  estaa  hum 
porto  (pie  se  diz  os  Mosli-iros  omde  surgem  naviíts  e  desembarcão. 
neste  não  estive  e  segumdo  emtemdo  tem  lera  mui  a  Ita  sobre  elle. 

E  dando  vollta  polia  bamda  do  norte  eslaa  hum  Ilugar  de  pasamte 
de  cem  vezinhos  que  se  diz  os  Fanaes  da  Pomte  Dellguada  o  quoall 
tem  luia  calheta  omde  ja  fez  navio  de  cem  toneis  podem  alli  mui 
bem  desembarcai-,  em  torno  deste  Iluguar  ha  muito  boas  quintas  c 
dalli  mea  lleguoa  estaa  (^ulro  Iluguar  do  seu  tamanho  que  se  diz  Ra- 
bo de  Peixe  ijue  tão  bem  lia  muilas  quintas  ricas  e  outra  mea  lleguoa 
deste  Rabo  de  Peixe  estaa  a  villa  da  Ribeira  Grande  e  todo  isto  lera 
mui  chan. 

Deste  Iluguar  dos  Fanaes  atravesando  ao  snll  á  cydade  da  Pon- 
ta Dellguada  avera  huma  lleguoa  e  mea  sem  grotas  nem  ribeiras  e 
em  meo  muilas  quintas. 

Adiamte  ha  hum  porto  que  se  diz  Porto  Fermoso  que  estaa  no 
nieo  da  Ilha  da  bamda  do  norte  e  asi  como  tem  o  nome  asi  o  he  por- 
que podem  estar  demtro  delle  cem  navios  e  não  lhe  faz  nojo  mais 
que  o  norte,  tem  a  lera  dambas  as  bandas  que  botão  ao  mar  all- 
gum  tanto  alltas,  e  o  Ilugar  que  se  diz  Porto  Fermoso  que  lera  de 
pasamte  de  sem  vezinhos  estaa  em  allto  no  cabo  do  porto  da  banda 
de  lera  dalli  mea  lleguoa  por  terá  cham  esta  o  Iluguar  da  iMaia  de 
pasamte  de  dozemlos  vezinhos  pêra  outra  banda  deste  porto  esta  a 
Ribeira  Grande  obra  de  hua  lleguoa  e  mea  e  no  meo  ribeiras  e  gro- 


AHCHIVO   DOS   AÇOHIÍS  [^2'A 

las  de  lera  liiiiy  allta,  esle  he  o  descurso  da  Ilha  de  Samigtiel  (jiie 
não  pomdo  reinedeo  ni^lo  facillmemle  a  podem  emlrar. 

A  Ilha  Terceira  não  lenho  visto  delia  mais  que  a  cidade  dAiigi-a 
(|ue  estaa  bem  em  oídem  e  adianle  Ima  llegiioa  a  villa  de  sam  Sa- 
haslião  omde  alli  eslaa  limn  poilo  (|ne  se  diz  do  yinleií.  não  sei  este 
como  esla.  adiamle  outra  llegiioa  eslaa  a  villa  da  Praia  nobre  e  rica 
lem  hna  grande  praia  omde  se  pode  miiy  lacillmenle  desembarcar  pa- 
rese  deve  estar  provida  semdo  cousa  Ião  imporlanle. 

A  Ilha  de  são  Jorge  e  a  do  Pico  e  Faiall  (jue  estão  jumtas  segum- 
do  entemdo  não  são  piovidas  semdo  cousa  niny  imporlanle  porque 
na  Ilha  de  São  Jorge  eslaa  hum  porto  (|ue  se  diz  das  Vellas  omde  po- 
dem estai'  os  navios  toilo  o  ano  pollo  abiiguo  que  tem  da  Ilha  do  l*i- 
co,  desta  ilha  não  sçi  outro  porto  que  tenha  somente  hum  (|ue  se  diz 
o  Topo  omde  nunca  estive  deve  ser  cousa  de  pouca  importância,  dn 
Pico  não  sei  nada  por  que  nunca  sahy  alli  em  lera  deve  ser'  de  [)ou- 
ca  importância  porque  he  ter'a  eslerill. 

A  Ilha  do  Kaiall  lem  a  villa  dOrla  que  he  a  principall  povoasno 
que  ha  em  toda  a  Ilha,  esta  tem  hua  praia  detVoínle  e  pegado  com  a 
villa  que  he  hum  miiy  bom  desembarcadouro  e  Mogno  alli  jumto  huma 
i'-alhela  gramde  ipie  se  diz  Porto  Pim  omde  caregão  navios  pegiiados 
com  a  ter'a  ci'eo  ijue  eslaa  isto  mui  desemparado  ja  tenho  esprito  ''.s- 
rripto)  aserca  diso  allguas  vezes  he  mui  necesario  proverse  nisto. 

Tãobem  tenho  avisado  allguas  vezes  da  Ilha  das  Flores  não  sei  n 
que  niso  será  feito,  não  queira  Deus  nem  o  permita  eu  saiha  verda- 
deiro do  que  aserca  diso  ja  lenho  esprito. 

As  duas  Ilhas  de  Samta  Maria  e  Graciosa  nestas  não  estive  sey 
que  cada  hua  delias  lem  hum  porto  e  que  com  mui  pouca  cousa  se 
[)odem  guoardar  que  não  desembarquem  nellas. 

Llernbr^o  que  se  não  lenhão  em  pouco  estes  neguoceos  porque  ser- 
tefico  que  todo  se  hade  apallpar  por  piratas  e  ereges. 

E  asi  que  se  proveja  a  Ilha  de  São  Tiaguo  e  a  do  foguo  porque 
lhe  ãode  dar  volta  sem  duvida  nenhuma. 

{No  cerso  da  2.''  pag.  tem  esta  única  nota  da  mesma  letra:  emfor'- 
mação  de  allguns  portos  das  Ilhas.  — Sp//í  lugar,  nem  dia.  ninn  anno. 
nem  assignatura  alguma,  letra  do  meado  do  sec.  XVI.) 

\Arch.  nac.  da  T.  do   T.,   Cartas  Missiras,  maç.  -5.'',  ri.'^  .-38.  i 

('orno  por  Alvará  iIi!  8  de  Marco  de  latw  se  participou  \w  Capitão  \laiioi'l 
da  (Gamara  que  Tlioiuaz  Benedito  viuíia  a  S.  .Mi.iiuel  [tara  la/.er  as  tbililicu(,u('s 
necessárias  para  a  sua  defeza,  e  por  outro  de  12  de  Dezemttro  de  153'}  se  tiulia 
eivado  a  receita  de  2  por  cento  sobre  a  exportação  com  a|)plicação  á  ohra  da 
Fortaleza  de  Ponta  Delj^ada,  parece  que  a  data  d'esta  intbrniacão  auonyma  esta- 
rá compreliendida  (miIhí  os  aunos  de  lo5:{  e  lot)?,  attendendo-se  ao  (lue  uVIÍa 
se  diz — de  não  se  poder  bater  o  areal  de  llaslo  de  ('.ão  com  a  artillicrin  dr  Pon- 
ta Delgada. 


AÇOEIÁNOS  EM  yiFRICÂ 


(  Documentos  ) 


^oslo    Dias  Ximeiíes 

í  Terceirense  1 


Armado  cavai  leira  por  Nmio  Fornandes   d'  Al/ia/jdc   na   tomada  d'Aza- 
mor.  Carta  de  confirmação  dr  25  de  Janeira  de  1514. 

Dom  Manuel,  etc.  A  (Hiamtos  esla  iiosa  carta  virem  fazemos  saber 
que  por  parte  de  Joham  Diaz  Xemenez  moradoí'  na  Ilha  Terceira  nos 
foy  apresentado  hOn  alvará  de  Nuno  Fernandez  i  Ij  do  noso  consellio 
e  Capitão  e  Governador  da  nosa  cidade  de  Çafini  em  o  qual!  se  con- 
tinha antre  as  outras  cousas  que  por  seus  merecymeiítos  o  fizera  ca- 
valeiro e  asy  nos  fora  servil-  na  tomada  da  nosa  cidade  dAzamoor  e 
visto  por  nos  seu  requerymento  por  lhe  fazermos  graça  e  mercê  tee- 
mos  por  bem  e  lhe  confirmamos  o  dito  alvará  e  cavalaria  e  manda- 
mos a  todos  nosos  corregedores  juizes  e  justiças  oficiaes  e  pesoas  a 
que  esta  nosa  carta  for  mostrada  e  o  conhecimento  delia  pertencer 
que  lhe  cumpram  e  guardem  todolos  privilegyos,  lyberdades,homrras. 
graças  e  mercees  que  são  dadas  e  outorgadas  aos  cavaleiros  sem  lhe 
nyso  ser  posto  duvida  nem  outro  embargo  por  quanto  nos  lhe  con- 
firmamos o  dito  alvará  e  cavalaria  per  esta  que  lhe  mandamos  dar 
por  nos  asynada  pêra  a  ter  por  sua  guarda.  Dada  em  a  nosa  vila  dAI- 
meirym  a  xxb  (25)  dias  de  janeiro,  André  Lopez  a  fez.  ano  de  nos(» 
s."""  Jhu  xpõ  (Christoi  de  mill  e  b'  e  xiiij  (1514.) 

(Arch.  nac.  da  T.  do  T..  Lir.  XI  de  D.  Man.,  f.  S) 


(1)  E'  o  famozo  Xuno  Fernandes  (["Atliaidc 

[Nota  (lo  Sr.  J.  I.  de  Brito  ReMto. 


ARCHIVO   DOS   ACÕHKS  12.") 


II 

€>ofiçalo   Dias 

( Michaelense  1 

Armado  cavallrirn  por  Ruf/  Barreio,  na   tomada   dAzamor.  Carta  de 
coit/iniidcão  de  20  de  Junho  de   1614. 

Dom  Manuel,  etc.  A  (juamUis  esta  nosa  carta  virem  fazemos  sa- 
ber que  Gonçalo  Diaz.  morador  na  ilha  de  Sam  Mignel  nos  apresen- 
tou hum  alvará  do  duque  de  Bragança  meu  muyto  amado  e  |)rezado 
sobiinho  per'  que  foy  feito  cavalleiro  em  a  nossa  cidade  de  Azamor' 
por  Ruy  Bareto  a  quem  elle  deu  logar  que  o  fizesse  por  ser  com  elle 
na  tomada  da  dita  cydade  e  nos  pedio  por  mercê  que  lho  confirmase- 
mos  e  avendo  nos  respeito  ao  servyço  que  na  dita  yda  recebemos  do 
dito  Gonçalo  Diaz  e  como  he  pesoa  que  cabe  nelle  esta  honrra  e  por' 
lhe  fazermos  graça  e  mercee  temos  por  bem  e  lho  confirmamos  e 
queremos  que  da(|uy  em  deanle  goze  dos  privilégios  e  liberdades  de 
que  gozam  e  devem  gozar  os  cavaleir-os  de  nosos  regnos,  e  porem 
mandamos  a  todollos  nosos  corregedores,  juizes  e  justiças  oficiaes  e 
pesoas  a  que  esto  pertencer  e  esta  nosa  carta  for  mostrada  que  o  a- 
jam  daquy  em  deante  por  cavalleir^o  e  lhe  cumpram  e  guardem  e 
lhe  façam  cumprir  e  guardai'  todolos  privilégios  e  liberdades  qire  se 
guardam  e  devem  guardar  aos  cavalleiros  de  nossos  regnos  por  qire 
asy  nos  praz.  Dada  tm  Lixboa  a  xx  {20\  dias  do  mes  de  jurrho.  António 
Fernandez  a  fez.  Anuo  de  noso  senhor  Jhuu  xpõ  >  Christo^  de  mill  e  b*^ 
e  xiiij  (1514)  annos.  (1) 

{Arch.  mu-,  da  T.  do  T.,  Liv.  XI de  D.  Man.,  f.  38  r.".) 


(1)  Esta  car'ta  está  no  fegisto  escripta  da  iiianeira  como  a  que  se  sefiue,  o 
porisso  para  ser  entendida  foi  transcripta  da  anterior,  conferida  a  Pêro  de  Sousa 
de  Santarém,  feito  cavalleiro  pela  mesma  facção.  Por  occasiâo  da  tomada  de  Aza- 
mor foram  feitos  cavalleiros  prande  riuaiitidado  de  indivíduos,  uns  pelo  próprio 
duque,  outros  por  I).  João  de  Menezes,  por  D.  Bei-nardo,  Camareiro-mor,  por  D. 
Manoel  de  Távora,  por  D.  Francisco,  filho  do  bispo  (TEvora,  outros  pelo  mencio- 
nado Ruy  Marreto,  e  não  me  recordo  se  por  mais  aliiuem.  Os  registos  estão  chei- 
os. 

{Nota  fh)  Si-.  J.  L  (tf  Brito  Rrln-tloJ 


126  ARCHIVO  DOS   AÇOUES 


III 


Pei-o  Aniles 

( Michaelense ) 

Armado  caralloiro  por  Riiij  Barreto,  na  tomada   d'Az(niior.    Carfa  de 
confirmação  de  20  de  Junho  de  1014. 

Dom  AJaiiuel  ele.  outro  lall  piivilt^gio  de  cavalleiro  em  foiína  a 
Pêro  Annes,  escudeiro,  moividor  na  ilha  de  saiu  Miguel  feylo  por  Riii 
Bareto  em  Azamor.  Dada  em  Lixboa  aos  xx  (20)  dias  do  mes  de  ju- 
nho, António  Fernandes  a  fez,  anno  de  noso  Senhor  .Ihu  xpõ  f  Chris- 
10)  de  7  W  e  xiiij"    ilòU) 

Ar  eh.  nac.  da  T.  do  T..  Ur.  XI  de  D.  Man..  /.  SS  r.". 


IV 

Triístão  Pirew 

( Michaelense ) 

Armado  earalleiro  [xn-  Hut/  Barreto,  na  tomada  dAzamor.  Carta    de 
eonfirmação  de  5  de  setembro  de  lõl4. 

Dom  Manuel  ele.  Outra  tal  confirmação  de  Cavalleiro  em  forma  a 
Tristão  Pirez,  morador  na  Ilha  de  sam  Miguel  feylo  em  .Vzamor  per 
Ruy  Bareto  \)w  mandado  do  duque  de  Bragança 'e  etc.  Dada  em  Lix- 
boa aos  b  [õ)  dias  do  niís  de  setembn),  .Vnriíjue  Homem  a  fez,  ano 
de  y  b*^  e  xiiij'^    1514.) 

[Areh.  nar.  da  T.  do  T..  Lir.  XI  de  D.  Man.,  f.  òò.) 


■'«•^i-o  llaiioel  (Pavãof 

( Michaelense ) 

Armado  cavalleiro  por  Ruf/  Barreto,  capitam  de  Tanijcr.  Carta  d"  con- 
firmação de  26  de  Maio  de  lõlô. 

Dom  Manuel  etc.  A  quanitos  esta  nosa  carta  vyrem  fazemos  saber 
.jue  por  parte  de  Pêro  ManutI  morador  na  nosa  yllia  de  são  Miguel 
nos  foi  apresentado  huu  alvará  de  Ruy  Barreto  dò  nosso  conselho  em 


AHCHIVO  DOS   AÇOHÍCS  1^7 

<\\w  cerlefkiuava  (jue  estando  elle  por  capitão  em  nosa  cidade  de 
Tanjere  íizeia  cavaleiíí»  ao  dito  Pêro  Manuel  pelo  merecer  segimdn 
fomos  certo  polo  dito  alvará  e  per  estormento  e  yso  mesmo  de  como 
serviu  la  cõ  arnjas  e  cavallo  o  tempo  que  temos  hoidenado  |)ydyndo- 
nos  por  meiçee  ipie  lho  confirmasemos  e  nos  visto  sseu  recjuyiymen- 
lo  e  (|uerendollie  fazei'  graça  e  mercee  temos  por  bem  e  o  coníirma- 
mos  e  avemos  por  confirmado  e  queremos  e  mandamos  que  elle  goze 
de  todollos  piyvylegios.  liberdades  de  que  gozam  e  devem  gozar  os 
cavaleiros  e  desa  maneira  Hie  sejão  guardados  sem  duvida  nem  embai- 
go  que  lhe  seja  posto  poique  asy  he  nosa  merçee.  Dada  em  Lixboa  a 
xxitj  (2(f>'i  dias  de  maio,  Diogo  Anrrullio  a  fez,  de  b''  e  xb  \1515.) 

(Ardi.  iHic.  da   T.  do  T..  Liv.  XI  de  D.  Man.,  f.  119  v.") 


VI 

André  Manoel  (Pavão) 

(  Michaelense ) 

Anilado  carallriro  por  Bni/  Barreto,  capita iii  de  Tanijer.  Carta  de  con- 
firmarão de  26  de  Maio  de  15  lí). 

Dom  Manoel  etc.  Outro  tal  privilegio  de  cavaleiro  dado  a  André 
Manuel,  morador  na  ylha  de  S.  Miguel,  pelo  mesmo  Buy  Barreto,  na 
mesma  cidade  de  Tanjere.  Dada  em  Lisboa  a  xxbj  \26)  de  maio,  fei- 
ta por  Diogo  Anrrullio.  de  1515. 

{Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  Liv.  XI  dr  I).  Man.,  f.  120.) 


VII 

Álvaro  Pir«'!>i 

( Michaelense ) 

Armado  caradeiro  por  Nuno  Fernandes  de  Athaide.  capitão   de   Çafim. 
Carta   de  confirmação  de  2()  de  maio  de  1515. 

D.  Minoei  etc.  Outro  tal  privilegio  de  Cavaleiro  a  Álvaro  Pirez 
morador  na  Ilha  de  S.  Miguel,  feito  por  Nuno  Ternandes  de  Athaide. 
(lapitão  Çafim.  Dada  em  Lixboa  a  2(5  de  maio  de  1515,  feita  por  Dio- 
go Anrrulho. 

{Arch.  nac.  da  T.  do  7'..  Ur.  \l  de  I).  Man.,  f.   120.) 


1:28  ABCHIVO   DOS   ACOKES 


VIII 


Ciaspar  Manoel  (Pavão) 

( Michâelense ) 

Annado  caraUeiro  por  D.   Vasco  Coutinho,  capitão  dArzUla.  Carla  de 
confirmação  de  26  de  maio  de  15  lò. 

D.  Manoel  ele.  Outro  tal  privilegio  de  cavaleiro  a  Gaspar  Manuel, 
morador  na  íllia  de  S.  Miguel,  feito  pelo  Conde  D.  Vasco  Coutinho,  Ca- 
pitão dÂrzilla.  Dada  em  Lixboa  a  á6  de  maio  de  lo  lo,  feita  por  Dio- 
go Anrrnlho. 

(Arch.  nac.  da  T.  do  T..  Ur.  XI  d<>  D.  Manod,  f.   120.) 


IX 

níoK;o    ]\iiiioM 

(Michâelense) 

Armado  carallciro  por  Huij  Birrrto,  em  Tan-jer.  Carta  de  confirmação 
lie  19  de  abril  de   lõlO. 

Dom  Manuel  ele.  Aquamtos  esta  nosa  carta  virem  fazemos  saber 
(|ue  por  parte  de  Diogo  Nunes  morador  na  nosa  ilha  de  sam  Miguel 
nos  foy  apresentado  huu  asinado  de  Ruy  Baiieto  em  que  certificava 
o  fazer  cavaleiro  polo  merecer  em  estando  por  capitam  e  governador 
da  nosa  cidade  de  Tamger  pedimdonos  (|ue  lhe  conlirmasemos  e  man- 
disemiis  guardar  as  liberdades  dos  cavaleiros  da  quall  cousa  a  nos 
praz  porem  o  notefieamos  asy  a  todos  nossos  Corregedores,  juizes  e 
justiças  ofieiaes  e  pesoas  a  que  esta  nosa  carta  for  mostrada  e  o  conhe- 
cimento delia  pertemcer  e  lhe  mandamos  que  ijuardem  e  cumpram  (j 
façam  daqui  em  deanite  comprir  e  guardar  imteiramente  ao  dito  Dio- 
guo  Nunez  as  homras,  liberdades,  privilégios  e  priminencias  dos  ca- 
valeiros por  que  asy  he  nosa  meree.  Dada  em  .\lmeirim  a  xix  (19) 
dias  dabrill.  Afonso  Mexia  a  fez.  anno  de  mill  e  b*"  e  xbj  (1516.) 

Arch.  nac.  da  T.  do  T.  Lir.  XXV  de  D.  Man.,  f.  49  v.") 

Este  Dio.iio  Nunes  parecê  ser  fillio  de  João  Hoch-jiiues  da  Gamara  2."  Capitão 
Donatário  de  S.  Mi;iuel;  o  f|ua[  Dio.iiO  Nune-;,  diz  o  Dr  G.  Frui^tuoso.  no  L."  4.°, 
Cap.  67  fias  Saudades  da  Teira^  que  foi  para  a  Africa  e  lá  niorreo. 


AKCHIVU   DOS  ACOHKS  i:29 


X 


(Terceirense) 

Armado  caralleirn,  por  D.   Francisco  de  Castro,  no  Cabo  de  Gué,  em 

1Ò19. 

Dom  Joliain  ele.  A  iinamlos  esta  miiilia  caria  virem  Ifaço  saber 
(ine  por  parte  cie  Afonso  Anties  da  (^(jsla  morador  na  minha  Ilha  Ter- 
ceira me  IToy  apreseinlado  hOn  alvará  de  ijiie  ho  leor  he  o  qne  se 
segntí=Dom  francisco  de  (Jrasto  capitão  e  governador  desta  vila  de 
Santa  Crnz  do  Cabo  de  Gué  comemdador  e  alcayde  mnor  da  vyla  de 
Segura.  íTaço  saber  aos  i|ue  este  men  alvará  vyrem  como  em  três  dias 
do  mes  de  novembro  de  myll  b''  xix  <  lõlff)  emtrey  com  ban<ieiras 
temdidas  e  líny  tomar  hu  Ingar  (jne  se  chama  Itabez  omde  lomey 
oytemta  e  quatro  almas  e  muito  despojo  gado  em  ijne  entraram  mui- 
to boas  cousas  de  ouro.  prata,  e  poríjue  Afonso  da  Costa  o  iTez  mny 
bem  a(|uelle  dia  e  asy  ho  ter  sempre  muy  bem  ffeilo  em  todallas  que 
se  aserlou  eu  íTi/.  cavaleiro  por  (|ue  ho  ele  muy  bem  mereceo  e 
pêra  sua  guarda  e  minha  leuibrança  lhe  dey  este  sob  meu  synal  e 
selo  das  tninhas  armas.  Feito  na  dita  vylla  aos  xbiij  (18)  dias  de 
ITevereiro,  Francisco  do  Rego  o  fez,  de  jb^xx  dõJOf  annos=Pedindo- 
me  o  sobredito  Affonso  Anes  da  (](jsta  que  por  quanto  elle  me  servira 
com  armas  e  cavallo  em  a  dita  vila  de  Santa  Cruz  per  espaço  de  hu 
anno  e  asy  hera  de  boa  geração  e  tinha  fazenda  pêra  poder  manter 
a  cavalaria  tio  qne  me  fez  certo  [ter  hu  estromenlo  pruvico  e  cer- 
tidam  do  escripvam  dos  comtos  da  dita  vylla  <  li  lhe  confirmase  o  di- 
to alvar  I  e  ouv.vse  por  bem  que  llie  fossem  guardados  lodos  os  pre- 
vilegios,  graças,  homi'as,  lyberdades  que  tem  os  cavalleiros,  e  visto  lo- 
do por  mim,  querendolhe  íTazer  graça  e  mercee  lif»  ey  asy  por  bem  e 
lhe  comífirmo  e  ey  por  confirmado  o  dito  alvará  e  quero  e  me  apraz 
que  ele  dilo  Aflonso  Anes  goze  e  gouva  de  lodolos  [irevilegios,  gr-a- 
ças.  h(»mras.  lyberdades  de  que  gosam  e  devem  gouvir  os  cavaleiros 
j)orem  mando  a  todos  os  meus  desembargadores,  corregedores,  jui- 
zes e  justiças  officiaes  e  pessoas  a  que  esta  minha  carta  líor  mostra- 
da tt  o  conhecimento  delia  perlemcei*  que  cnmpi'ani  e  guardem  e  Ifa- 
çam  comprir  e  guardar  C')mo  nela  he  conlheudo  sem  duviíla  nem  em- 
bargo algum  ipie  a  ello  seja  posto  p  )ri|iie    .isy    he   mynha   mercee  e 


(1)  StMiiln  AlTonso  Annes,  morador  na  illia  T(!i'ceira,  c  tendo  sorviílo  tMii 
Santa  Cruz,  não  se  pcrccht'  txnii  so  aqui  devia  iU/rr—illifi—c  >i:  a  faziMida  (|ii«' 
tinlia(.'ra  n'unia  uu  n'outra  pai-tc 

(^l)|l(  lio  S;-.  .7.  l  (Ir  liiitn  Rehcllo.) 

N.'^  :2()-Vol.  IV- 1 88-2.  5 


130  AKCHIVO   DOS  AÇOHES 

eslo   será   se   elle  tyver  armas  e  cavalo  segumdo  fforma   de   minha 

ordenaçam.  Dada  em  a  minha  cidade  de   Coymhra   aos  [13)  dias  do 

mes  de  setembro,  Geronimo  Diaz  a  ííez,  dey  1/  xxbij  {lõ27)  annos. 

{Ar eh.  7)0 c.  da  T.  do  T..  L."  XI  de  Donç.  de  D.  João  3. \  f.  39.) 


XI 

Pero   cl*Kvoi*a 

(Da  Ilha  Graciosa) 

Armado  cavalleiro,  por  Gonçalo  Mendes,  em  Çafim.  Carta  de  confirma- 
ção em  1526'. 

Dom  Joham  per  graça  de  Deos  e  etc.  A  (jiianlos  esla  minha  caria 
vyrem  faço  saber  qne  per  parle  de  Pero  dKvora  morador  na  ilha  Gra- 
ciosa me  foy  apresentado  liQu  alvará  de  (jne  lio  Iheor  he  o  que  se  se- 
gue =  Gomçallo  Mendes  Çacolo  lidalguo  da  caza  dei  Hey  noso  se- 
nhor capitão  e  governador  desta  cidade  de  Çafim,  faço  saber  aos  que 
esle  meu  alvará  vyrem  que  he  veidade  (jue  eu  íiz  cavaleiro  a  Pero 
dEvora  por  aquy  servir  de  maneira  que  mereceo  sello  e  p(»r  sua  guar- 
da e  lembrança  lhe  mandey  dai'  esle  meu  alvará  per  mym  asyiiado, 
e  do  meu  sello  (ò/c) feito  per  mym  Álvaro  Vaaz  page  do  sõr  capitão.  Da- 
do em  Çafim  a  vynte  dias  do  mez  de  junho  de  mil!  e  quynhentos  e 
vynte  e  cinquo  annos. =Pedindome  ho  sobredito  Pero  dEvora  qne  por 
quanto  elle  me  >yrvyra  em  ha  minha  cidade  de  Çafim  per  espaço  de 
seis  meses  e  asy  em  a  vylia  de  Mazagão  elle  e  liHu  filho  seu  com  ar- 
mas e  cavallo  st^te  ou  oyto  meses  e  a.sy  sei-  de  boa  geração  ho  que 
lodo  me  fez  cerlo  per  estormentos  lhe  confyrmase  ho  dito  alvará  e 
vysio  tudo  por  mym  querendolhe  fazer  graça  e  mercee  ho  ey  por  bem 
e  lhe  confirmo  e  ey  por  confirmado  o  dito  alvará  e  quero  e  me  praz 
que  elle  dilo  Pero  dEv(jra  goze  e  gouva  de  todallas  graças,  previlegios, 
liberdades  de  que  gonvem  e  devem  gouvyr  os  cavaleiros, poiem  tio  no- 
tyfiquo  asy  a  todos  meus  corregedores,  desembargadores,  juizes,  justi- 
ças e  oficiaes  e  pesoas  a  que  esla  mintia  caria  for  mostrada  e  ho  co- 
nliecimento  delia  pertencer  e  lhes  mando  que  em  todo  e  per  todo  ho 
leixem  gozar  das  lyberdades  e  graças  sobrethtas  e  em  todo  llie  cum- 
pram e  guardem  e  façam  coniprir  e  guardar  esla  mynha  carta  como 
nella  he  contheudo  sem  duvida  nem  embarguo  alguu  que  a  yso  seja 
posto  f)or  que  ;isy  he  mynha  mercee  e  esto  seja  se  elle  tever  armas  e 
cavallo  sygundo  forma  de  mynha  hordenação.  Dada  em  ha  mynha  vyl- 
la  de  Santarém  aos  seis  dias  do  mes  dagosto.  Jeronymo  Luís  ha  fez. 
de  myll  e  quynhentos  e  vynte  e  seis  annos. 

{Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  I/r."  Xí  dos  Doac.  de  í).  João  3.°.  f.  2  v.'') 


ARCHIVO   DOS   AÇORES  131 

Xil 
Pero    AnnoM    <lo    Caiilo  (I) 

Carta   de  privilegias  concedidos  a  Pcro  Annes  do  Canto,  de  18  de  se- 
tembro de  1527. 

Dom  Joham  ele.  A  vos  meu  norregedor  jnizes  e  justiças  das  vil- 
las  (la  Comarca  e  correiçam  das  Ilhas  dos  açores  e  julgados  delias  e 
a  outros  (juaesquer  oficiaes  e  |)esoas  de  meus  regrios  e  senhorios  a 
que  o  conhecimento  desto  pertencer  per  qualquer  guysa  que  seja  a 
esta  minha  carta  ou  o  trelado  delia  em  publica  forma  for  mostrado 
saúde:  façovos  saber  que  (juerendo  eu  fazer  graça  e  mercê  a  Pere- 
annes  do  Camto  fidalguo  de  minha  casa  por  quamto  está  prestes  pê- 
ra nje  servir  na  guerra  com  seus  cavallos  e  armas  quamdo  lhe  per 
mim  for  mandado  vysto  huu  alvará  per  mym  asynado  tenlio  por  bem 
e  mando  que  d'aqui  em  deanle  sejam  priviligyados  e  escusados  to- 
dos seus  caseiros  etc. — em  forma.  Dada  na  minha  cidade  de  Coimbra 
aos  dezoyto  dias  do  mes  de  novembro,  RI  Rey  ho  mandou  pelos  dou- 
tores Braz  Neto  e  Lu  is  Teixeira  Lobo  ambos  do  seu  conselho  e  des- 
embargo e  seus  desembargadores  do  paço  e  pytyções.  Semeão  Por- 
tuguez"a  (Tez,  anuo  do  nacimeiito  de  uoso  sõi-  .IhaO  xp~»  de  mill  e 
b*^  e  xxbij  (1527)  annos. 

{Arch.  nac.  da   T.  do  T..  Lir.  Xí  das  Doar.  de  D.  João  S."  f.  6) 


Carla  de  brazão  d' armas  por  serviços  em  Arzilla.  em  28  de  janeiro 

de  1589. 

Dom  J(3am  etc.  A  quãtos  esta  minha  caria  vireu)  faço  saber  que 
Pêro  Anes  do  Camto  fidalgo  de  minha  casa  me  fez  a  saber  (jue  por 
quãto  ele  tem  armas  de  nobreza  de  sua  geração  dos  do  Camto  que 
pelos  muytos  serviços  ([ue  me  tmha  feito  e  esperava  de  fazer  primcipal- 
menle  no  segumdo  cerquo  dArzila  i^)  quamdo  a  leve  ceripiada  El  Uey 
de  Fez  e  ocupada  a  praya  do  Arecyfe  com  muitas  bombardas  ele  foy 
dos  prymeyros  ipie  vieram  ao  socoro  da  dita  vila  com  hu  navio  ar- 
mado e  com  muita  gemte  e  deseml)arci)u  com  muyto   perigo  e   risco 


(1)  Vid.  |i.  Wo  vol.  ;5."  (reste  Arrliira. 

(2)0  segutirlo  ceri'0  (1'Arzilla  foi   (mii  l*)0'.)--Daiiiirio  de  (iocs  —  Clnon.  ih'  I). 
Manoel,  2.-''  pai1e,  cap.  28  c  2í). 


132  AHCHIVO   DOS    AÇORES 

fie  sua  pesoa  e  tamlo  que  entrou  na  vila  o  conde  dom  Vasco  (I)  ca- 
pitão delia  lhe  deu  logo  hum  baluarte  que  o  defendese  com  os  da 
sua  companhia  cõtra  os  mouros  e  o  soslivese  no  qual  entríiu  e  botou 
per  força  algus  mourds  que  nele  eslavão  onde  peleyandn  defemdeo 
sempre  o  dUo  baliiaite  ate  que  fdV  o  mais  socoro  que  fogiram  os 
mouros:  pedimdome  por  mercê  por  a  memoria  de  taes  serviços  se  não 
perder  amtes  aver  galaidão  pêra  (|ue  outros  movidos  com  tal  desejo 
facão  o  semelliãte  lhes  fizese  mercê  de  lhe  dar  armas  de  nobreza  no- 
vamente per  ele  ganhadas  pêra  as  mesturar  com  as  suas  da  sua  ge- 
ração o  que  vimdo  eu  ser  causa  justa  não  tão  somente  com  graças  e 
favores  e  mercês  satisfazer  cõlentai  sua  vida  mas  aimda  poi-  boõ  ex- 
empro  e  de  virtuosos  serviços  e  sua  mais  gloria  agalaidoar  a  ele  Pe- 
reanes  do  Camto  e  aos  que  dele  decêderem  cõ  outros  prémios  e 
homras  que  desta  moitalidade  sejam  isemtos  e  por  tãolo  semdo  eu 
em  conhecimento  de  certa  sabedoria  que  ele  tê  servido  a^i  como  ele 
diz  fazendo  sempre  como  boõ  e  vii  tuoso  que  ele  he  e  pelo  amor  que 
por  suas  virtudes  e  sei  viços  lhe  tenho  eu  de  meu  moto  príiprio  cõ  a- 
cordo  e  justo  parecer  dns  do  meu  cõselho  e  de  Porlugall  meu  prin- 
cipall  rey  darmas  lhe  dou  novamente  armas  de  nobreza  pêra  ele  e  pê- 
ra seus  decemdemtes  pern  tod(j  seMí[)re  pêra  as  poder  ajuntar  cõ  as 
suas: a  saber:  hu  escudo  vermelho  cõ  hn  baluaite  de  piata^lavrado  de 
preto  e  nele  quatro  bombardas  de  sua  cftr  cõ  o  pe  do  escudo  de  prata 
cõ  seu  elmo  e  paquife  e  timbre  das  armas  que  de  sua  geração  tem  as 
quaes  armas  nesta  carta  vam  pimtadas  e  por  meu  expreso  mamdado 
o  dito  Poitugall  meu  rey  daiinas  as  ordenou  e  logo  registou  em  seu 
livro  do  registo  das  armas  dos  fidalgos  cõ  sua  cota  darmas  que  dos 
mesmos  synaes  lhe  dou  segundo  se  contem  em  hu  meu  alvará  que 
aquy  vay  tresladado  e  he  o  seguimte: 

Ku  el  Rey  faço  saber  a  vos  bacharell  António  Roiz  rey  darmas 
Portugall  que  avemdo  eu  respeito  aos  muitos  serviços  que  tenho  re- 
cebido de  Pereanes  do  Camto  fidalgo  de  minha  casa  e  aos  (jue  dele 
ao  deamle  espero  receber  e  asy  a  seus  estormentos  que  me  apresen- 
tou nos  quaes  se  continha  que  a  segunda  vez  que  el  Rey  de  Fez  veo 
a  cerquar  a  minha  vila  dArzila  o  dito  Pereanes  do  Camto  fora  dos 
primeiros  homens  que  acodiram  ao  dito  socoro  com  hu  navio  de  gem- 
te  e  sayo  em  terá  com  muita  afromta  e  perigo  de  sua  pesoa  pela  ar- 
tillieria  dos  mouros  que  lhe  tiravam  da  terá  por  lhe  defender  a  des- 
embarcaçam  omde  tamto  que  foy  posto  em  terá  foy  pelo  comde  dom 
Vasco.  Capitão  da  dita  vila  posto  no  baluarte  que  chamam  o  Tamba- 
ralam  omde  esteve  biij  [8)  dias  cõtinos  defemdemdo  a  entrada  aos 
mouros  pelo  ijual  serviço  e  pelos  muitos  que  delle  tenho  recebido  ey 
por  bem  e  por  folgar  de  lhe  fazer  mercê  lhe  acrecentar  nas  armas 


(1)  D.  Vasco  Coutinho.  Conde  de  Borba. 


AHCHIVO   DOS   AÇdKKS  133 

de  seus  avous  da  liuliageni  dos  do  C.amto  no  e.^cndo  das  ditas  armas 
hum  haluarle  de  piata  com  sua  arlilliaria  e  por  tamto  vos  mamdo  qne 
lhe  façaes  fazer  o  hrasauí  das  ditas  armas  e  lhe  paseis  diso  caria 
eui  forma  segumdo  a  hordenamça  na  qual  ira  tieladado  este  nu  u  al- 
vará: noteficovolo  as}  e  vos  mamdo  que  asy  ho  cumpraes.  João  Royz 
o  fez  em  Lixboa  a  xx  {20)  dias  de  janeiro  de  ~J  [f  e  xxxix  {lòSOv.  e 
este  se  guardara  posto  que  nom  pase  pela  chancelaria;  Bastiam  da 
Costa  o  sobescrepvy. 

O  qual  escudo,  armas  e  syuaes  posa  trazer  e  traga  ele  Pereanes 
do  Camto  e  todos  seus  decendentes  em  todos  os  lugares  de  liomra 
em  (jue  os  nobres  e  amtigos  fidalgos  sempre  as  costumaram  trazer 
em  tempo  dos  mui  esclarecidos  reis  meus  progenitores  e  com  elas 
posa  emtrar  em  batalhas,  campos,  doelos  retos  e  escaramuças  e  des- 
afios e  exercitar  com  ellas  todolos  outros  autos  lícitos  de  guera  e  de 
paz  e  asy  as  posa  trazer  em  seus  firmaes.  anéis  e  synetes  e  devysas 
e  as  poer  em  suas  casas  e  edeficios  e  leixalas  sobre  sua  própria  se- 
pultura e  finalmente  se  servir  e  homrar  e  gouvir  e  aproveitar  delas 
em  todo  e  per  todo  como  a  sua  nobreza  convém  com  o  (jue  quero  e 
me  praz  que  aja  elle  e  todos  seus  decemdemtes  todalas  homras,  pri- 
vyllegios,  graças  e  meras  iimrch'^  isemções  e  framquezas  que  ham  e 
devem  aver  os  fidalgos  nobres  e  damligua  linhagem  e  como  de  todo 
sempre  gozaiam  seus  antecesores  e  porem  mamdo  ao  dito  Fortugall 
meu  rey  darmas  e  aos  que  depois  delle  descemderem  (]ue  registem  es- 
tas armas  em  seus  livros  pêra  em  todos  os  tempos  serem  ávidas  e 
aprovadas  por  veidadeiras  e  lhes  leixem  lograr  e  pesoir  como  cousa 
sua  própria  e  a  outros  algums  nam:  e  mamdo  a  todos  meus  correge- 
dores, desembargadores,  juizes  e  justiças  ofeciaes  e  pesoas  a  que 
esta  minha  carta  ííor  mostrada  e  o  conhecimento  delia  pertemcer  que 
em  todo  lha  cumpram  e  guardem  e  ffaçam  cumprii'  e  guardar  as 
homras,  privillegios,  graças  e  mercês  e  framquezas  e  ysemções  que 
de  direito  Jhe  pertencem  como  se  guardam  aos  antigos  e  nobres  fi- 
dalgos de  meus  reinos  sem  duvida  nem  embargo  algum  que  lhe  em 
elo  seja  posto  por  que  asy  he  minha  meice  e  por  lembrança  e  firme- 
za lhe  mandey  dai'  esta  carta  asynada  por  my  e  selada  do  meu  sello 
de  chumbo.  Dada  em  a  minha  muy  nobre  e  sempre  leall  cidade  de 
Lixboa  aos  xxbiij  [28)  dias  de  janeiro,  Âmtonio  d"Olamda  ofeciai  da  no- 
breza per  meu  especiall  mamdado  a  fez.  ano  do  nacimento  de  noso  se- 
nhor Jehu  xpõ  de  ~  \f  e  xxxix  i  lô39)  anos. 

[Ardi.  imc.  da  T.  do  T..  Lir.  27  da  Clianc.  de  I).  João  S.",  f.  4.) 


134  AMCHIVO  DOS   AÇOHES 

XIII 

( Michaelense ) 

Armado  camiUcií-n,  por  Luiz  Loureiro,  rm   Çafim.   Carla  rk  confirma- 
rão de  IS  de  março  de  1539. 

Dom  Joiíain  ele.  A  ;|iiantos  esta  minha  carta  virem  faço  saber  (jiie 
por  parte  de  Tome  Roiz  morador  na  vila  da  Ponta  Delgada  da  minha 
ilha  de  sam  Mignel  me  foy  apresentado  linm  alvará  de  Luis  Lonreiro 
li  lalgo  de  minha  casa  capitão  ipie  foy  na  minha  cidade  de  Çafim  em 
o  (jual  se  continha  (jiie  por  o  dito  Tome  Koiz  o  fazer  bem  de  sua  pe- 
soa  (jnan  lo  o  Xarife  Rey  de  Maroqnos  teve  cerijuada  de  mar  a  mar 
a  dita  cidade  e  por  seu  merecymento  ijue  o  merecya  o  fuera  cavalei- 
ro segundo  compridamente  vy  pelo  dito  alvará  pedindome  por  mercê 
qne  lho  confirmase  e  visto  per  my  seu  re  juerimento  e  o  dito  alvará 
e  como  fez  certo  per  duas  testemunhas  (jue  me  apresentou  duas  tes- 
temunhas de  fe  servir  na  dita  cidade  com  armas  e  cavallo  mais  do  tem- 
po ordenado  e  ser  pesoa  que  o  merece  (|ueremdolhe  fazer  mercê  ey 
por  bem  e  confirmo  e  ey  por  confirmado  por  cavaleiro  e  quero  que 
daqui  em  deamte  ele  dito  Tome  Uoiz  goze  de  todalas  homras,  priville- 
gios.  liberdades  e  fram"|(iezas  ipie  tem  e  liam  e  de  i|ue  gozam  e  devem 
gozar  os  taes  cavaleiros  per  mim  confirmados  e  mamdo  a  todolos  Cor- 
regedores,ouvidores,  juizes,  justiças  e  oíTiciaes  e  pesoas  de  meus  reinos 
e  senhorios  a  que  o  conhecimento  desta  pertemcer  e  esta  minha  carta 
for  mostrada  e  que  muy  inteiramente  a  cumpram  e  ITaçam  cimiprir  e 
guardar  pela  maneira  que  dito  he  sem  duvida  nem  embargo  algum 
(jue  a  ello  seja  posto  asy  he  minha  mercê  e  elle  dito  Tome  Roiz  se- 
rá obrigado  ter  armas  e  cavallo  pêra  meu  serviço  segundo  forma  da 
hordenação,  João  Chamoro  a  fez  em  Lixboa  aos  xiij(i5)  dias  de  março 
ano  do  nacymenlo  de  noso  Senhor  Jhu  xpõ  i  Christo)  de  ]~  b*'  e  xxxix 
(1Õ39)  o  (|ual  Tome  Roiz  vav  este  presente  ano  aa  índia. 

íArch.  nac.  da  T.  do  T.,'C/urm:  de  D.  João  S.".  L.''  27  f.  22  r.'\) 


XIV 

^uno   FernaiKles 

( Michaelense ) 

Armado  caraUeir o,  por  António  Leite,  em  Mazayão.  Carla  de  von/irma- 
cão  de  18  d  Abril  de  1ÕS9. 

Dom  Joam  etc.  A  ipiamtos  esta  minha  carta  virem  íTaço  saber  que 


ARCHIVU   DOS   AÇOHÍÍS  13o 

por  parle  de  Nuno  Fernandez  morador  na  vilh  (l;i  Ponte  Dellgada  da 
minha  íllia  de  Sam  Migell  me  foy  apresemtado  liu  alvará  de  António 
Leite  capitão  e  goveinador  da  cidade  dAzamor  e  da  villa  de  xMazagão 
em  o  qual  se  continha  ITazer  cavaleiro  ao  dito  Nuno  Fernandez  por 
seu  merecimento  e  por  servir  com  elle  dalíerez  do  guião  e  bandeira 
quamdo  era  necesario  e  compria  a  meu  serviço  segundo  compiida- 
menle  vy  pelo  dito  alvaia  pedindo  p(jr  mercê  que  lho  confirmase  e 
visto  pei'  mim  seu  requerimento  e  a  prova  (|ue  deu  de  seu  serviço  e 
da  calidade  de  sua  pesoa  querendolhe  fazer  mercê  ey  por  bem  e  o 
confirmo  e  ey  por  confiimado  por  cavaleiro  e  quero  que  daqui  em 
diamle  elle  dito  Nuno  Fernamdez  guoze  de  todallas  honras,  privilé- 
gios, liberdades  e  ITramquezas  que  tem  e  ham  e  de  que  gozam  e  de- 
vem gozar  os  taes  cavaleiíos  per  mim  confirnjados  porem  mando  a 
todolos  corregedores,  ouvidores,  juizes,  justiças  e  oíliciaes  e  pessoas 
de  meus  reinos  e  senhorios  a  que  o  conhecimento  desto  pertencer  e 
esta  minha  carta  íTor  mostrada  que  mui  inteiíamente  a  cnmprão  pela 
maneira  que  se  nella  contem  sem  duvida  nem  embargo  algCui  que  a 
ello  lhe  seja  posto  porqile  asy  he  minha  mercee  o  qual  Nuno  Fernam- 
dez será  obrigado  ter  armas  e  cavalo  pêra  meu  serviço  segundo  for- 
ma da  ordenação.  João  Chamoro  a  fez  em  Lixboa  aos  xbiij  '18)  dias 
dabrill,  ano  do  nacimento  de  noso  senhor  Jhu  x."  >  Cftristo)  úe  "J  b'' 
e  xxxix  {1039.) 

[Arch.nac.  da  T.  do  T..  Liv.  XI  das  Doaç.  dv  D.  João  3.\  f.  39.) 


XV 

Manoel   da  Camará 

Filho  do  Capitão  donatário  da  Ilha  de  S.  Miguel.  Serviços  no  Cato  de  Gué  constantes  da: 

Carta  de  D.  Guterre  de  Monroy,  de  2  d' Abril  de  1541,  parficipando  a 

perda  da  vdla  de  Santa   Cruz,   do   Cabo  de    Gtté,  e  da  parte  que 

na  defeza  leve  Manoel  da  Camará. 

«Sor.— Depois  da  chegada  de  Manoel  da  Camará  ao  socoro.  en- 
trado Dezen)bro  escrepvi  a  V.  A.  por  Joam  Miz.  Alpoen  que  a  yso  em- 
vyey  numa  caravela  darmada  de  que  ca  tinha  necesydade  e  pelos 
dous  moradores  per  quem  lhe  tão  bem  escrevy  e  niamdey  dizer  quã 
pouco  enpedimenlo  a  vimda  desta  jemle  fizera  pêra  deyxar  vyr 
avamle  a  obra  dos  mouros  da  força  do  pico  e  vila  e  questoulra  nosa 
senão  podia  soster  como  se  cheguavam  a  nos  cõ  suas  cavas  e  bas- 
tians  e  como  linha  certa  nova  de  vyrem  cymquo  bombardas  mais  gm- 
sas  que  as  (jue  ja  estavão  e  outras  e  a.^y  (|ue  não  vierão  cu    .MmikicI 


I3G  ARCHIVO   DOS   AÇ0I5ES 

(la  Camará  os  dozenlos  homens  que  me  V.  A.  escrepveíj  ijue  me  mã- 
(iava  cõ  ele  nê  mais  de  vimta  dous  criados  de  V.  A.  que  erão  os  que 
ou  uiandava  pedyr  por  que  os  mays  erão  de  Manoel  da  Camará  de 
jemte  de  bem  que  era  a  (jue  me  mais  comprya,  como  se  agnora  bem 
mostrou. 

E  asy  me  escrepveo  V.  A.  que  os  outros  cemto  pêra  compri- 
menlo  dos  irezemtos  que  me  dezia  que  com  ele  mandava  viryão 
loguo  apoz  ele  e  asy  me  mandava  fazer  prestes  o  galyão  São  Joam 
com  outros  navios  e  pareceme  que  dezia  cõ  mil  homens  e  eu  escre- 
pvy  a  V.  A.  lemdolhe  tudo  muyto  em  mercê  beyjamdolhe  per  iso  as 
mãos  e  que  ho  galyão  estarya  muy  bem  no  |)orlo  e  pela  nova  que  li- 
nha de  fazeiem  eslamcyas  fortes  pêra  os  mouros  poiê  sua  arlelharia 
tão  perto  que  era  asaz  craro  seu  preposylo  e  determinação  |)era  com- 
bater a  vila  como  loguo  fizerão  e  eu  cada  dia  esperava  poresta  arma- 
da e  pola  da  Malagueta  que  me  dela  tãobem  escrepverão  ijue  V.  A. 
mandava  vyr  e  i;omtudo  vemdo  (jue  yslo  tardava  mamdey  quatro  na- 
vyos  hus  apoz  outros  e  que  mnyto  memiamenle  dava  coiuta  a  V.  A. 
do  trabalho  e  risco  em  (jne  estávamos  e  a  necesyilade  estrema  de  to- 
dolas  cousas  pelimdolhe  mnyto  (pie  t|uizese  mamdar  sot:orer  e  prover 
em  tudo  e  tomar  concrnzão  no  da  vila  o  que  eu  não  devia  decrarar 
mais  nem  dizer  não  sabendo  seu  prepi)SÍto  senão  que  eu  com  meus  ti- 
Ihos  e  cryados  acabaryamos  nyso  sem  muica  ver  reposta  de  V.  A.  e 
vem  lo  isto  e  ho  crecymeiíto  dos  mouros  e  de  suas  obras  pêra  se  a- 
cheguarem  a  nos  e  ho  entulho  da  cava  «jue  mostrava  vyr  e  ho  dano 
que  nos  fazião  cõ  sna  artelharya  e  [)orque  seryão  mortos  e  ferydos 
mais  de  do/emtos  homens  dos  nosos  mandey  outra  vez  a  Ilha  da  Ma- 
deira e  a  (lanaria  peilyr  socor<)  de  tudo  e  asy  a  Çafim  por  pólvora 
de  que  tynhauKJS  muyta  necesydade  e  de  todas  (jutras  cousas  com 
que  pndesem  acodyr:  e  de  nliQa  parte  nos  socorerão  bem.  creo  que 
não  serya  p(.i  uão  terem  [)era  ysso  mny  boa  vomlade. 

A  artelharya  dos  mouros  estava  tão  perto  como  escrepvy  alguas 
vezes  a  V.  A.  que  erão  nove  bombardas  uuiy  grosas  afora  as  que  ti- 
ravão  do  pico  e  outra  artelharya  mais  meuda  e  es[)imgardarya  que 
se  uão  pode  crer  quanta  era  e  nos  combaterão  vymla  dous  dias  de 
dia  e  de  noiíte  deribamdonos  todo  ho  alto  do  castelo  e  cubelos  de 
fjra  domde  nosa  artelharya  primcipal  jugava  de  luaneira  que  noia 
ceguarão  toda  somente  algua  do  cobelo  de  Tannnaraque  e  da  tore  do 
facho  cõ  se  lepayrar  e  fortalecer  per  vezes  e  com  nmyto  risco  e  tra- 
balho porque  daly  se  lhe  fazia   muyto  dann. 

A  quimla  feira  vinla  dons  do  combate  a  dez  de  marçi)  nos  acome- 
terão a  emlrada  pelo  emlulhoda  cava  (|ne  eslava  ja  no  amdar  do  mu- 
ro jnmbt  da  poria  da  traição  cõ  quamio  o  snmiamos  por  denitr(j  cõ 
minas  e  era  donde  a  nossa  artelharya  lhe  uão  podya  fazer  dano  nê 
hos  podíamos  descnbryr  cõ  a  sna  artelharya  e  espimgardaiya  e  as  no- 
sas   açoleas  razas   e   os  symliamos  picar  no  muro  peripie  se  abryo  a 


ARCHIVO  DOS  AÇORF.S  137 

poria  (la  Iraiç.id  e  por  hy  os  fizemos  afastar  a  sua  ciisla  e  nos  oiive- 
inos  nosa  parle  e  logiio  a  sesla  feira  |)ela  maiiliã  nos  tornarão  a  C(jm- 
l)aler  pelo  mesmo  lugar  cio  emtnlho  com  muita  jemle  luzida  e  miiy 
hem  armada  p  de  capacetes  dourados  e  eslamdo  nos  asy  cometendo 
cõ  sua  artelharya  e  a  nosa  do  Facho  que  lhe  fazia  muyto  mal  e  por 
nosos  pecados  se  acemdeo  o  foguo  imma  celha  de  pólvora  de  que  a- 
relientou  a  tore  cõ  toda  artelharya  domde  moreo  Rodrigo  de  Carva- 
lhal meu  jemro  que  nela  estava  e  seu  irmão  cõ  trymta  e  sele  homens 
que  cõ  ele  estavão  dos  mylhores  que  havia  na  vila  e  cõ  tudo  se  ara- 
daram  os  mouros  cõ  muyto  dano  recebydo  e  nos  lãohem. 

E  ao  sábado  em  amanhecendo  nos  acometerão  per  muylas  parles 
cõ  escadas  e  o  prymcypal  pelo  emlulho  domde  não  liuhão  trabalho  na 
emtrada  cõ  muyla  mays  jemle  tamta  que  eles  cõfesão  pasarem  de  cem 
mil  mouros  e  turcos  cõ  muylas  hamdeyras  de  ceda  e  destas  bandey- 
ras  puserão  Ires  na  çolea  da  tore  da  (nenaje  domde  pelyava  Manoel  da 
(Gamara  e  em  as  pomdo  ele  tomou  duas  per  sua  mão  e  a  outra  se 
qupymou  e  os  mouros  mortos  e  deytados  fora  da  çolea  muylas  vezes 
e  algus  turcos:  e  na  mayor  força  disto  me  vyerão  dizer  que  se  lam- 
çava  tnuyta  jemte  pelos  muros  ao  mar  e  (|ue  avya  traição  num  cobelo 
e  alevamtada  hua  bamdeyra  bramca  a  (]ue  loguo  acody  deyxamdo  Ma- 
noel da  Camará  na  tore  da  menaje  que  era  ho  mayor  combale  e  dom 
Afomso  meu  filho  domde  acabou  e  dom  P^rancisco  meu  sobrynho  e  pro- 
vy  no  da  vyía  lio  mylhor  que  pude  senão  ao  da  jemte  que  se  avia 
lamçado  ao  mar  ipie  muyla  (Jeia  cheguava  ja  aos  bateis  das  caravelas 
(|ue  hos  vinhão  recolher  que  fuy  muy  gramde  mal  e  asy  não  se  che- 
guarem  as  caravelas  mais  a  lera  peia  tirar  aos  mouros  que  nos  cora- 
balião  e  as  escadas  da  parte  do  mar  porque  eles  o  podyão  muy  bem 
fazer  e  não  doutra  parte  e  aos  mouros  que  sobyão  pelas  cordas  per 
omde  se  hos  nosos  lamçarão  e  se  isto  tudo  não  fora  lenho  por  muy 
certo  que  nos  larguarão  aquele  dya  e  pelo  dano  que  de  nos  recebyão 
de  que  amdava  o  mar  limlo  em  samgne  dos  mouros  porque  a  maré 
enchya  ja  naquele  tempo  e  deve  V.  A.  tumar  muy  estreytas  contas  dis- 
to e  porque  não  fizerão  vyr  loguo  a  terá  os  baleis  de  duas  caravelas 
que  cheguarão  a  (juymta  f'3yra  bua  e  a  sesta  outra  que  erão  as  que 
tinha  mamdado  a  Çafim  e  a  ilha  da  Madeira  e  porí^ue  se  forão  lognu 
aquela  noite  do  porto  sem  (juererem  saber  de  nos  nada  ponjue  loguo 
ao  outro  dia  vieião  mercadores  que  lhes  [íuderam  hyr  falar. 

Deve  V.  A.  de  crer  ipie  nesta  jemte  se  lamçar  ao  mar  a  (|ual  loy 
muyla  foy  a  prymcipal  causa  de  nosa  perdição  e  asy  o  dizem  os  mou- 
ros que  cõ  ver  lõgir  a  jemte  lhes  deu  lodo  o  alrevymeuto  e  aiiitiga 
cousa  he  vemdo  fogyr  os  emyguos  tomar  miiyli»  mais  esforço  cumlra 
eles  e  dobrarlhe  o  coração  e  asy  o  lizerão  ponpie  cnlravão  e  snlivãn 
de  maneira  ipie  não  aproveitava  mat;ii-  numero  dt-ics  nem  lainçalus 
pelo  emlulho  e  escadas  mortos  porqu*,'  logun  cnliavãn  e  snbyão  do- 
lirados   e   tomavão  os  mortos  pHla>  pernas  e  afastavanos   par;t    eiilra- 

N."  -iO— Yol.  IV-  188:2.  O 


138  AltCHIVO    DOS   AÇOHKS 

rein  e  por  isto  ser  cousa  Ião  desacustumada  dos  mouros  parece  cra- 
ro  qiie  a  fogyda  dos  nosos  lhe  dava  esle  atrevymenlo  e  por  esla  ne- 
gra fogyda  se  cliegnaram  amholos  íillios  do  xaiife  e  o  alcade  Miimeii 
[sk)  d)  Ioda  a  jemte  diamle  iiianidanido  a  todds  (pie  emlrasem  senão 
que  lhes  corlarya  as  cabeças  porque  einlravão  ja  mal  pelo  muylo  da- 
no que  recebyão  e  hos  homens  que  se  lamçarão  ao  mar  merece  mny 
bem  castigados  e  mandalos  buscar  pelo  reyno  e  a  ylha  da  Madeyra 
pryncipalmenle  os  que  tiuhão  estamcyas  de  (]ue  me  tinlião  dado  sua 
meiiajem. 

Temdo  provydo  no  da  vila  o  (jue  pude  como  ja  (hguo  a  V.  A.  me 
torney  ao  castelo  domde  achey  meu  li  lho  morto  e  Manuel  da  Camará 
maltratado  de  foguo  e  com  a  rodela  despedaçada  e  ja  cõ  poucos  ho- 
mens porque  se  lhe  forãu  a  nior  paite  deles  e  os  (pie  ficarão  eiam 
seus  e  algils  cryados  de  V.  A.  e  meus  e  nos  ajumlamos  pêra  tornai- 
mos  a  dar  nos  mouros  que  entravai)  per  outras  parles  domde  lhe  não 
reseslião  e  os  cometemos  e  achamdo  mny  poucos  homens  cõ  nosco 
pêra  yso  e  Iam  poucos  que  seryão  sete  ou  oyto  e  hil  deles  era  Amto- 
iiio  da  Costa  que  hora  la  vay  domde  ouve  esa  pedrada  nos  demtes  e 
eu  fuy  ferido  numa  perua  duma  azagaya  e  Manuel  da  Camará  na  mão 
da  rodela  de  lifia  seta:  e  nisto  se  pos  loguo  amtre  nos  num  baril  de 
pólvora  (pie  nos  acabou  de  desbaratar  então  nos  saymos  pêra  dery- 
liar  a  poinle  da  cava  a  vila  e  se  começou  de  fazer  e  forão  lamlas  as 
espimguardadas  e  lamças  daremeço  que  senão  pode  deribar  por  sermos 
mnyto  poucos  e  serem  lamcados  ao  mar  e  recolhYd(i>  pelas  casas  honi- 
de  emfim  os  matarão  e  algus  demtro  em  arfpias  e  jiipas  damdolhes 
os  moui'os  seguros  das  vydas  e  desejamdo  eu  acabar  lorney  a  dar  nos 
mouros  e  Manuel  da  (,"amara  e  os  metemos  pela  pomle  malamdo  al- 
gus e  forão  lamtos  sobre  nos  (|ne  em  nos  lecolhemdo  a  porta  da  vila 
nos  tomarão  de  cançados  e  mortos  a  Manoel  da  (Gamara  e  a  myni  e 
por  nos  conhecerem  nos  não  matarão  o  ipie  naipiele  tempo  não  fazi- 
ão  a  nynguem:  pode  crer  V.  A.  (pie  este  dia  resistimos  ale  dozemtos 
liomens  a  cem  mil  mouros  e  turcos  (pie  sabeui  muy  bem  a  guerra  e  e- 
les  confesão  morer  deles  mais  de  Ires  mil  e  muytos  ferydos  e  quey- 
inados  em  (pie  entrarão  algfis  alcaides  e  homens  priílicipaes  e  outros 
mouros  dizem  em  segredo  que  moierão  muitos  mais  e  os  casyses 
diz  que  amdavão  ja  requeremdo  tpie  se  alarguase  o  combale  e-eii 
creo  (]ue  se  fizera  se  a  jemte  se  não  lançara  ao  mar. 

E  com  quamta  falta  tínhamos  de  todas  as  cousas  pêra  nosa  ajuda 
e  de  não  termos  mantimento  e  tudo  ser  contra  nos  sayba  V.  A.  muy- 
lo certo  que  foy  esta  vila  tão  defemdida  e  pelejada  cõ  a  pouca  jemie 
(pie  hasyma  digno  a  V.  A.  que  dos  romanos  pêra  (jua  nunca  se  vyo  ou- 
tra vila  nem  castelo  e  por  qut  isto  asy  he  tenho  algu  comtemtamento 
lembraiidome  doutros  lugares  inuyto  mais  fortes  e  cõ  mayor  defensão 
se  (lerão  a  partido  e  esle  tão  fraco  sem  nenhQa  esperamça  de  salva- 
(;ã()  se  fez  nele  o  ipie  se  não  fez  em  outros  o  que  se  vee  per  obra:  e 


AUCMIVO    DOS    AÇOhKS  \'M) 

algus  I nicos  coiiilão  se  acharem  em  treze  combales  de  lugares  e  cida- 
des miiy  lorles  em  iiiie  emtroii  Rodes  e  Castelo  Novo  folgiiara  miiylo 
(|iie  os  ouvira  V.  A.  como  os  nos  ca  ouvimos  pêra  saher  (jiie  cousa 
são  os  hoiis  portugueses  e  vasalos  e  duro  o  combale  e  peleja  ale  ca- 
sy  sol  posto. 

De  mim  alembro  a  V.  A.  (|ue  me  cativarão  e  paso  de  sesemta  a- 
tios  e  em  seu  serviço  e  a  meu  filíio  dom  Jerouyuio  e  (pieyioado  e  a 
uiyuha  lilha  (jue  simlo  mais  (|ue  Ioda  myulia  forlnua  c  a  uieii  sobrinho 
dom  Ijiis  e  asy  algfis  criados.  (|ue  hos  outros  me  matarfio  ipie  forão 
mais  de  vimle  e  perdy  toda  minha  lazemda  podenidoa  salvar,  e  asy  a 
perdeo  Manoel  da  Camará  a  (|ue  V.  A.  lem  muy  grande  obriguação 
de  lhe  fazer  muyla  homia  e  mercê  pelo  que  em  liido  U'z  de  que  eu 
são  boa  leslemntdia. 

Algiias  [)esoas  deslas  que  agnora  calivarfio  são  i'esgualadas  que 
parece  ipiys  noso  senhor  abryr  caminho  fora  do  costume  da  lera  e 
porque  cumpre  acodyrnos  V.  A.  cõ  cedo  porque  (pjamlo  mais  tarde 
será  pyor  e  asy  o  parece  ca  alguas  pesoas  que  ho  emtemdem.  e  a 
Amrique  Vieira  que  he  o  prymcypal  homem  pêra  eslns  cousas  e  he 
mnylo  desejoso  de  fazer  serviços  a  vosa  alteza  como  lhe  lenho  escri- 
plo  algiias  vezes  e  a  quem  mnylo  a  mester  nestas  [)arles  pêra  cou- 
sas de  seu  servyço  por  que  lem  pêra  yso  abelydade  e  esperyemcya 
cõ  estes  dons  irmãos,  e  ele  he  o  ([ue  resgnala  os  mais  dos  cativos  a- 
sy  fidalguos  como  a  outra  jemle  e  he  tão  bom  homem  que  foy  acome- 
tido pêra  lhe  o  xarife  dar  seguro  de  sua  molher  e  filhos  e  toda  a  sua 
casa  tomandose  a  vila  e  ele  o  não  quis  por  ser  bom  servidor  e  leal  a 
V.  A.  e  resgualou  sua  casa  por  mil  e  setemta  onças  moslrãodí)  o 
xarife  que  lhe  fazia  nyso  mercê  e  favor  as  quaes  pode  muy  uja!  pagar 
porque  perdeo  toda  sua  fazemda  na  vila  V.  A.  lhe  deve  fazer  nyso 
mercê  e  em  outras  cousas  mayores  ainda  que  eu  sey  que  sem  ymle- 
rese  servira  a  V.  A.  mas  isto  he  obra  de  miserycordia. 

Amtonio  da  Cosia  feyloi'  ijue  foy  de  V.  A.  vay  la  e  se  resgualou 
ele  H  sua  molher  que  ca  tica  [)or  nove  cemtas  omç^s  com  fiamça  de 
mercadores  e  foy  pouco  pêra  este  nome  de  feylor  em  que  ho  xaryfe  o 
lynha  folguey  dele  hyr  la  porque  poderá  dar  muy  meuda  conila  a  V. 
A.  do  que  ca  he  pasado  como  (]uem  ho  vyo  e  dos  cativos  pêra  lhe  V. 
A.  fazer  a  mercê  (jiie  seu  servyço  for  e  ele  que  o  merece.  Noso  se- 
nhor guarde  e  acrecemte  a  vyda  e  muy  real  estado  de  vossa  alteza: 
de  Tarudamte  a  á  dabryl  de  loil  anos. 

Beyjo  as  muy  reaes  mãos  de  vosa  alteza. 

POM     QoTERPy^E. 

[Àrch.  mir.  da  T.  do  T..  Gar.  2^,  mar.  U—n.'^  16.^ 
Ha  uma  iiut;i  iio  sobroesfriplo  por  Iciiu  de   r.jHpar   Alvcz  lic   I>()n>.i'l;i.  ■^•'- 


440  ARCHIVO    DOS    AÇORES 

guiKlo  pareço,  que  diz  assim  «Relatase  à  perdição  do  cabo  de  Gué  e  cativeiro  de 
dõ  Gotere,  lie  notável  e  atlie  quy  valor  de  capitão  e  nõ  plus  ultra,  justificandose 
bastantemente  cõ  o  rey  a  quem  escreveo  esta  carta  por  ser  senhor  de  sy  c  não 
sogeito  a  nenhum  vasalo  como  oge  se  nota  em  quem  o  não  sabe  sor.» 

(Nota  do  Sr.  J.  I.  de  Brito  Rebello.) 

Foi  impressa  nos  Annaes  de  D.  João  III,  por  Frei  Luiz  de  Sousa—  Livro  V, 
Gap.  X,  aonde,  alem  da  omissão  d^uma  linha,  se  encontra  a  orthograpliia  alte- 
rada. 

Sobre  o  cerco  do  Cabo  de  Gué  ou  Aguer,  pode  ver-se  a  Chron.  de  D-  João 
in,  por  Francisco  d'Andrade,  3.*  parte,  Gap.  26,  aonde  erradamente  marca  a  data 
de  15.'i6  em  vez  de  1541. 


XVI 

Manoel  FeriiaiKl*'»  Cabral 

(Terceirense: 

Carta  de  cavaUeiro,  pelos  scrricos  prrstados  cm  Azamnr,  cm  1542. 

«Porque  nesta  cidaile  vive  liuiii  Miiiiuel  Fernaiidez  (>aljral  iialural 
dela  e  nela  casado  dos  principaes  da  terra  bom  cavaleiro  experimen- 
tado na  gerra  e  vyvya  [riria\  em  Azamor  ao  tempo  (|ne  se  ílespejou  e 
tem  servido  vossa  alteza  em  Africa  muitos  annos  e  liee  nmito  apto  e 
perlemcenite  pêra  servir  o  dito  oíicio  de  anadel  m(ir  dos  arcabnzeinis 
e  espingardeyros  nesta  cidade  dAngra  e  também  pode  servir  etn  toda 
a  capitania,  nos  pareceo  bem  fazelo  saber  a  V.  A.  pêra  se  servir  dele 
no  dito  carrego  por  (jue  hee  muito  pêra  isso  e  por  ser  da  terra  e  sa- 
bermos ter  toilas  as  calidades  necessaiias  para  o  dito  carrego  e  que 
nele  serviraa  bem  pedimos  a  V.  A.  (pie  lhe  faça  dele  mercee.» 

[Extracto  da  Carta  que  a  Camará  d' Angra  escreveo  a  EIrci,  a  2 
d  Outubro  de  1Õ5S,  Arcfi.  Nac.  da  T.  do  T..  Corp.  Chron.  P."^  1.' 
viaço  91,  n."  28.) 

A  este  mesmo  Manoel  Fernandes  Cabral  recuinmendou  Pêro  Annes  do  Can- 
to, em  sua  carta  de  1  (1'Ontubro  de  lo^i^:  atraz  no  vol.  1."  p.  i:i7  (feste  Archiro. 


ARCHIVO  DOS   ACOKIÍS  141 


XVII 

•lotio  €la  Kílva  <lo  Canto 

(Michaelense) 

Comnwnda  de  João  da  Silva  da  Canto,  de  20  de  fevereiro  de  1551.  por 
servir  dois  annoa  em  Ceuta. 

Dom  Johão  á-.  A  quantos  esta  minha  carta  virem  faço  saber  qiie 
o  samto  padre  Leo  decimo  concedei»  per  snas  bulias  a  ej  Rey  meu  Se- 
nhor e  Padre  que  Samla  Gloria  aja  que  se  podesem  tomar  pelas  rem- 
das  das  Igrejas  destes  reinos  vymle  mill  cruzados  de  remda  se  fizese 
e  criase  tamtas  commendas  ila  ordem  e  cavalaria  de  uoso  senhor  JhCi 
xpõ  (Christo)  quantas  parecese  que  da  dita  remda  se  poderiam  criar 
e  fazer  (pie  hos  Reis  destes  Reynos  podesem  nomear  aas  ditas  co- 
mendas (Cavaleiros  da  dita  ordem  que  na  guera  contra  os  infiéis  pela- 
jasem  o  tempo  que  pelos  dilos  Reis  fose  ordenado  ou  em  outra  ma- 
neira na  dita  giiera  tivessem  bem  servido  e  amtie  as  Igrejas  nomea- 
das na  dita  copia  dos  vymle  mill  cruzados  de  cuja  remda  se  fizeram 
as  ditas  comendas  foy  nomeado  à  Igreja  de  Coja  no  bispado  de  Co- 
ymbra  e  de  todas  suas  remdas  foy  feita  comenda  tirando  sesemta  ciu- 
zados  que  foram  apartados  e  deputados  pêra  em  cada  hum  ano  se  da- 
rem da  dita  remda  ao  reitor  e  priol  da  dita  Igreja  e  o  mais  que  pelo 
Regimento  feyto  anlre  os  comendadores  e  Reytores  he  oídenado  e 
semdo  ora  a  dita  comenda  vagua  per  fallecimento  de  dom  Vasco  d'E- 
ça  comendador  que  delia  foi  ultimo  posuidor  avemdo  eu  respeito  aos 
serviços  que  na  dita  guerra  a  noso  senhor  e  a  mim  tem  feytos  frei  João 
da  Silva  do  Camto  cavaleiro  profeso  da  dita  ordem  e  fidalgo  de  mi- 
nha casa  e  a  tei-  servido  por  minha  provisão  dous  annos  na  cidade 
de  Ceyta  a  sua  custa  e  despesa  pêra  vemcer  hua  comenda  segundo 
vy  pela  dita  provisão  e  pei'  húa  certidão  do  capitão,  contador  e  oíTi- 
ciaes  da  dita  cidade  ho  nomeo  a  dita  comenda  de  Coja  e  ey  por  bem 
que  elle  a  tenha  e  aja  com  todas  as  rendas,  foros,  direitos  e  per- 
tenças (|ue  lhe  de  direito  pertencem  tiranido  os  ditos  sesemta  cruza- 
dos cada  ano  que  sam  reservados  pêra  o  Reitor  e  o  mais  que  pelo 
dito  Regimento  he  ordenado  como  dito  he  e  per  esta  mando  ao  con- 
tador da  dita  ordem  que  lhe  de  logo  a  pose  da  dita  comenda  e  de 
Iodas  suas  remdas.  foros,  direitos  e  pertenças  e  lhe  leyxe  tudo  ter  e 
aver  arrecadar  e  pesuir  sem  lhe  niso  ser  posto  duvida  iiem  embar- 
go algum  pnr(]ue  asy  he  minha  mercê  e  o  dito  frey  .loham  da  Sylva 
será  obrigado  de  demtro  de  oyto  uiezes  piimeiros  seunimles  mandar 
pagar-  em  corte  de  Roma  os  dereytos  ordenados  a  see  apostólica  e  ti- 
rar srra  provisão  em  forma  e  per  esta  peço  muito  por'  mercee  ao  sam- 
If)  padre  (pre  aja  por'  bem  de   lhe  mandar  pasar'  a  dita   piovisão   na 


liá  AKCHIVO   DOS    AÇOhKS 

t|Utí  fíira  tnenção  como  he  provido  da  dita  comenda  pei'  verlude  desta 
minlia  nomeação  e  a  dita  minha  provisão  per  que  sérvio  a  dita  co- 
menda e  certidão  do  capitão  e  oficiaes  da  dita  cidade  de  Cepta  foy 
Indo  roto  ao  asynar  desta  que  por  firmeza  dello  lhe  mandey  pasar  e 
o  dito  frey  Johão  da  Sylv.i  mostrara  certidão  de  Manoel  da  Costa  es- 
cripvam  da  camará  da  dita  ordem  de  como  esta  íiipja  registada  no  Li- 
vro do  registo  das  cometidas  qne  pêra  yso  mandei  fazer.  Adriam  [.n- 
cio  a  fez  em  Almeirim  a  xxb  {25)  de  fevereiro  do  ano  do  nacymento 
de  noso  senhor  Juh  xpõ  (Christo)  de  7  b*"  e  Ij  [15;j1}.  Amdré  Soares 
a  fez  escrever.  Nam  faça  duvida  a  emtrelinha  que  diz — provysão~por- 
<|ue  se  fez  por  verdade  —  Comcertada,  Pêro  d'Oliveira  —  concertada, 
Joam  da  Costa. 

{Arch.  nar.  da  T.  do  T  ,  Ur.  IV  dos  PrivU.  de  D.  João  .V.°,  /'.  Õl  r.". 


XVIIl 

Fr.  António  Pires  «lo  C:;anto 

(Terceirense) 

Serviços  feitos  contra  os  infiéis. 
(Extracto) 

(^arta  da  Commenda  de  S.  Cosma  de  dWzere  a  Fr.  António  Pires 
do  (]anto  pelos  serviços  leitos  na  guerra  contra  os  infiéis  por  estar 
vaga  pelo  falecimento  de  António  Lopes  Bravo,  abbade,  que  delia  fo- 
ra ultimo  po>suidor.  O  qual  António  Pires  do  (>anto  renunciou  a  Co- 
menda de  São  Domingos  de  Jermello  do  arcebispado  de  Braga  de  que 
era  provido,  por  um  instrumento  [)nblico  de  rennnciação  feito  em  Al- 
meirim aos  4  de  agosto  de  lool  pelo  tabellião  João  Taborda.  E  a 
carta  <jue  ele  tinha  da  dita  commenda  foi  rota  ao  fazer  desta  Óc.  Dada 
em  Almeirim.  António  ile  .Mello  a  fez  a  8  de  agosto  de  L-)51. — André 
Soares  a  fez  escrever. 

[Arch.  fiar.  da  T.  il'i  T..  Lir."  IV  dos  Privilégios  dfi  U.João  S.°,  f. 


NOTAS  DOS  PARTICULARES  DANGRA 

PELO 

?:  MANOEL  LUIZ  MALDONADO 

iVota    I.' 

Do  rendimento  do  vinho  atavernado   que   gasta  Angra 
commumente  na  roda  do  anno. 

Venderam-se  iias  tavernas  da  Cidade  d  Angra  no  anno  de  1693 
conforme  o  rol  do  medidor  do  Concelho  1:463  pipas  de  vinlio.  He  a 
medição  de  cada  uma  destas  pipas,  de  duzentas  e  vinte  cinco  canadas 
(|ue  vendidas  umas  poi  outras  a  50  rs.  impoila  cada  pipa  em  ll)$i250 
rs.,  (|ne  multiplicadas  por  1:463  pipas,  mostra-se  dai'  o  producto  de 
16:458)§i750  íeis.  (]ada  pipa  d 'estas  alem  das  225  canadas  tem  mais 
commumente  40  canadas.  por[)osta  esta  maioiia  em  cada  pipa  vem 
a  dar  mais  2^000  rs.  em  cada  uma  das  1:463  pipss  ou  2:920d000 
rs.  e  couí  o  producto  de  i6:458?5)750  rs.  prefaz  o  total  de  19:378?5t750 
reis. 

Alem  do  vinho  vendido  nas  tavernas  ha  o  consumo  dos  pr-oprieta- 
rios.  Conventos  d-,  que  segundo  o  calculo  de  pessoas  rasoaveis,  mon- 
tará junto  com  as  1:463  pipas  a  cima  ditas  a  3:000  pipas  consumidas 
cada  anno  em  Angra,  o  que  junto  ao  que  se  fornece  ás  frotas  e  ai  rua - 
das,  bem  como  o  que  se  exporta  para  o  Brazil  e  outros  paizes.  sobe 
a  5:000  pipas. 

]>'ota  3  "^     Kpitome  Aiigren$«e. 

Rendimento  dos  Açougues  particulares  d' Angra,   com 

privilegio. 

O  açougue  dos  clérigos  tem  privilegiadas  do  imposto   da 

respublica 18  arr'obas 

O  mosteiro  da  l^sperança  ( freiras i 10       « 

O         «         das  Fieiras  de  S.  Gonçalo 15 

O         '»  "  «       da  Conceição 12       « 


íif-i 


)i) 


lii  AHCHIVO  DOS   AÇORES 

Transporte o5  arrobas 

O  mosteiro  das  Freiras  de  S.  Sebastião  das  Capuchas  .       6       « 

O  Convento  de  S.  Francisco i5       « 

O         «         da  Companhia  de  Jesus 3       « 

O         *         da  Graça  de  Santo  Agostinho (3       « 

O         «         de  Santo  António  dos  (^.apnchos     ....       4       « 

89       « 

O  açougue  do  concelfio  consome  ordinariamente    .     .     .     1)0       « 
Os  açougues  particulares  alem  do  gasto  ol)rigado  mais  .   150       « 

Mostra-se  gastar  a  (]iilade  dAngra  precizamente  cada  .semana  a  di- 
ta (juanlidade  de  329  arrobas  de  Carne,  de  vacca,  (jue  se  averigua  ser 
o  menos  preço  000  rs.  a  arroba,  o  rpie  monta  I98;>000  rs.  (pie  mul- 
tiplicados pelas  4W?)  seuianas  do  anuo  moniain  a  8:702^000  rs. 

Não  entram  n^esta  conta  os  compromissos  que  se  pagam  aos  mar- 
chantes (jiie  vem  a  ser  a  razão  de  l);>0()0  rs.  por  cada  arroba  !?'?i  das 
(|ue  dão  em  cada  semana,  e  só  nos  açougues,  privilegiados  montão 
estes  compromissos  em  mais  de  0()0:)()00  rs.  como  é  de  crer:  que  va- 
le o  gasto  d  este  privilegio  na  roda  do  anno  o  melhor  de  12  contos 
de  reis. 

Porcos. 

Começa  a  matança  dos  porcos,  em  Angra  no  mez  de  Outubro  a- 
té  ao  entrudo  que  são  o  mezes,  uelles  matam-se,  conforme  os  que 
cobram  a  impozição  delíes  nas  vendas  e  taveinas.  seis  centos  até  se- 
te centos  porcos  que  se  vendem  ás  libras.  Cada  poi'CO  destes  vale  rrm 
por  oulio  dois  mil  íeis.  o  (|ue  inonia  a  I:'t00r5000    r'S. 

Arrematou-se  o  dizimo  dos  porcos  em  Angra  em  l(J98  por-    1 70^)000  r"s. 
«                 '<                 «       da  Prava             «      <       167:5000    . 
dos  leitões      .     .' 5á:$000    .< 


Soinma  o  dizimo 389í$ÍOOO    " 

ou  valor'  total  3:890^.000  rs. 

Ha  nas  cinco  parochias  d'Angia=S\  Conceição.  S.  Pedro.  S.''  Lu- 
zia e  S.  Bento— 2:162  moiadoi'es.  i*i  Não  ha  casa  de  subsistência  (!) 
(jrre  do  Natal  ao  Fnlr  inlo  não  deixe  de  matar  2  ou  3  porcos  com  o 
que  compirlada  a  largiresa  (ririis  com  a  [)ijbr'eza  donlros  se  averigua 


(•)  l'r()vav('lini'i)t('  (|iuz  dizer  Ibgos,  puis  (['oulri  tbníia  falha  a  (ioiita. 


ARCHIVO   DOS  AÇORES  l'l5 

matarem-se  em  Angra  nos  ditos  meses  2:000  porcos,  alem  dos  das 
vendas  e  tavernas.  O  menor  valor  de  cada  porco  é  de  3^000  rs.  nns 
poi'  outros,  assim  acharemos  a  somnia  de  0:000:í>000  ou  o  total  de 
7:400j$i000  rs.  juntando-llie  o  valor  dos  ipie  vendem  nas  tabernas. 

l<:i»ilonie  <la  Illia   T«>^rc4^ira. 

Carneiros    e   Cabruns 

Não  tem  Angra  açongne  dedicado  a  estes  géneros  de  carne. 

Por  imformação  dNpielles  qne  tinhão  razão  de  saber,  como  pes- 
soas que  uzão  desle  trato,  dizem  começa  esta  matança  d'estes  gados 
no  mez  dAbril  depois  de  N.*  S.*  da  Ressureição  até  ao  fim  de  No- 
vembro. Nestes  8  mezes  se  matão  em  cada  um  delles  a  melhor  de 
GO  a  70  carneiros,  o  qne  nos  8  mezes  somtna  pelo  menos  oOO 
cabeças.  Cada  carneiro  vale  nm  por  outro  oOO  rs.  o  qne  produz 
250í5ÍOOO  rs. 

Nos  mesmos  8  mezes  gastam-se  1:000  rezes  cabruns  que  a  400 
reis  cada  uma  montam  a  iOOr>000  rs. 

Caças. 

Abunda  Angra  com  grandeza  em  todos  os  géneros  de  caças  agres- 
tes e  domesticas,  em  todos  os  tempos  do  anuo,  com  admiração  dos 
forasteiros,  porque  facilmente  a  achão,  quando  vão  pelas  portas  e  ruas 
da  Cidade,  basta  que  as  esperem  nas  entradas  em  que  não  falhão 
d'esta  ou  daquella  parte  com  abundancias  ^sic). 

Hé  quazi  incrível  as  muitas  gallinhas  e  frangos,  que  quotidiannameu- 
te  se  gastam  nos  hospitáes,  conventos,  mosteiros,  e  enfermos  nas  ca- 
sas particulares,  e  quazi  geraes  dAngia,  sem  que  a  estes  se  dê 
de  comer  senão  gallinha  sem  outra  nenhuma  edieta  {sic).  Alem  do  que. 
é  cerio,  que  todos  os  que  são  afazendados  a  tem  por  jantar  e  'cêa: 
com  o  que  he  de  crer,  que  passa  este  provimento  de  mais  de  cem 
gallinhas  no  dia  ijue  no  anuo  vem  a  andar  por  36:000  gallinhas,  com 
vantagem.  Em  caso  de  duvida  por  excesso,  advirta-se  que  não  há  em- 
barcação que  venha  ao  porto  clAngra,  que  se  não  proveja  com  este 
género  daves  em  abundância,  e  nesta  consideração  se  declara  o  com- 
puto verdadeiro 

Hé  o  preço  das  gallinhas  de  100  rs.  que  nas  3fi:000  importa  em 
3:GO0:$O0O  rs. 

Não  he  menor  o  gasto  de  caças  agrestes=coelhos=perdizes=co- 
dornizes  e  aves  do  ar  em  todo  o  decurso  do  anno  e.\ceplo  em  tempo 
de  quaresma,  e  destes  géneros  se  provêem  todos  os  dias  os  Conven- 
tos, Mosteiros  e  cazas  grandes  dAngra  nas  viandas  do  jantar  e  cèa: 
com  o  que  é  crivei  não  desiguala  ao  gasto  das  gallinhas  inenos  a  ter- 
ça parte  2:4006000  rs. 

N"  20  -  Vol.  IV— 1882.  7 


146  ARCHIVO  DUS  AÇORES 

Nota  3." — Republica    <l*.4ng^ra* 

Rendimento  do  pescado  em  Angra. 

Foi  arrematado  o  anno  de  1694  o  dizimo  do  pescado  da  Capitania 
dAngra  por  João  Gouvêa  por  220^000  rs.,  forros  para  S.  Magesla- 
de  22í$ÍOOO  de  redizima. 

2j$i200  rs.  de  um  por  cento  que  com  9?$Í790  de  propinas  aos  mi- 
nistros importa  em  253^990  rs.  para  a  qual  é  necessário  o  rendimen- 
to de  5:500?$Í400  rs. 

Serão  os  lucros  e  gastos  desta  airecadação  50(^000  rs.  que  cor- 
respondem a  500í$ÍOOO  rs.  o  que  prefaz  no  gasto  na  roda  do  anno  a 
quantia  de  6:000í$;000  rs. 

Rendimento  dos  moinhos   d' Angra. 

Tem  Angra  lá  moinhos  na  sua  famosa  ribeira;  que  vem  a  ser  a 
sua  maior  grandeza  na  opinião  commum  de  todos  os  forasteiros,  que 
viram  e  correram  mundo.  São  contíguos  com  a  Cidade,  e  tanto  que  o 
ultimo  delles  para  a  parte  do  Oriente  eslá  pegado  com  os  muros  da 
cerca  de  S.  Francisco,  e  pelo  Poente  corresponde  a  maior  parle  del- 
les  com  o  bairro  de  Santa  Luzia,  com  o  que  vem  a  ficar  quazi  entra- 
nhados em  a  Cidade. 

Rendem  para  o  Capitam  Donatário,  como  senhor  das  agoas  da 
Ilha. 

Arrematados  na  forma  seguinte=-com  a  condição  que  os  carretei- 
ros delles  servirão  ao  povo.  vindo-lhes  buscar  a  suas  cazas  o  trigo  e 
entregar-lho  moido  em  farinha  sem  por  isso  pagarem  coisa  alguma 
mais  que  a  maquia  de  cada  alqueire  que  levam  geralmente  todos 
os  que  moem,  e  neste  proceder  são  tão  deligentes  os  carreteiros  que 
pedem  muito  por  mercê  se  sirvam  delles,  dando-lhes  o  trigo  para  a 
moenda  pelo  interesse  de  terem  sempre  o  moinho  occupado:  e  no  que 
toca  a  fidelidade,  os  aperta  a  republica  com  aspereza,  e  com  ser  as- 
sim não  perdem  occasião  quando  a  acham  a  seu  talante. 

Os  moinhos  d'Angra  foram  arrematados  em  1694  a  saber: 

meios  alq." 
l.^-O  moinho  da  Janella  por  Sebastião  Roiz  pelo   preço  de 
20  */2  alqueires  por  semana:  para  o  que  é  precizo  moer  3 
moios  e  28  alqueires 3—28 

5—28 


ARCHIVO  DOS  AÇOHES  147 

'  moios  âlq.' 

Transporte         5 — 28 

á." — O  moinho  da  Cova  arrematado -por  André  Dias  a  pre- 

de  20  alqueires  por  semana  correspondentes  a        .  5 — 20 

.'i.°— O  moinho  do  Picão  arrematado  a   Manoel  Fragoso     - 

por  19  */2  alqueires  correspondentes  a     ,     .     .     .  4—22 

i."— O  moinho  do  Rego  a  Ambrósio  de  Sousa— por  19  al- 
queires ou 4 — 14 

0.°— O  moinho  da  Madeira  a  Francisco    Ferreira  —  por  19 

alqueires  ou        4     22 

()."— O  moinho  da  Calçada  a  João  da  Costa  —  por  14  al- 
queires ou 3 — 44 

7.°— O  moinho  Novo  a  Manoel  dWlmeida  —  por  16  alqueires 

^/4  ou        4 — 24 

8. "—O  moinho  de  S.João  de  Deus  ao  mesmo  —  por  16  al- 
queires e  7^  ou 4 — 24 

9."— O  moinho  do  Áluro  a  Nicoláo  Machado  —  por  8  V2  al- 
queires ou .  2  —  16 

I0.°— O  das  duas  portas  a  Manoel  Fernandes  Carvalhal   — 

por  16  V2  alqueires  ou 4 — 16 

11.'' — O  moinho  da  Calçadinha  a  Manoel   Raposo —  por  II 


V2  alqueires  ou 3- 


12.''— O  moinho  da  Fabia  (?)  a  Manoel  Fernandes—  por  16 

alqueires  ou 2—  6 

Somma  de  trigo  moido  por  semana     .     .     .     48—0 

NB.  o  author  errou  nas  operações  e  diz  que  sommavam  em  51 
moios.  Os  48  m3Íos  multiplicados  pelas  52  semanas  produzem  2:496 
moios.  Cada  um  d'estes  doze  paga  a  um  carreteiro  e  sustenta  uma 
besta,  que  com  o  azeite  da  Candea  que  arde  toda  a  noite  e  com  os 
lucros  do  moleiro,  preciza  6  alqueires  de  tiigo  por  semana  importam 
para  todos  os  moinhos  no  fim  do  anuo  em  60  moios  e  40  alqueires 
que  sommados  com  os  2:496  moios  acima  prefazem  o  total  de  2:557 
moios. 

Apendix. 

Rendimento  dos  moinhos  da  Ilha  Terceira. 

llá  no  logar  de  Agoalva  8  moinhos  que  foram  arrematados  em 
1694  a  Manoel  de  Freitas  por  80  "2  moios  por  anno  o  (|ue  corres- 
ponde a  ter  moido  1545  moios. 


148  ARCHIVO   DOS   AÇOHES 


S.   Sebastião. 


Ha  nesta  villa  trez  moinhos  de  ponca  substancia  pois  que  não 
moem  senão  certos  dias  da  semana  com  a  agoa  nativa  que  se  apro- 
veita em  um  paul  para  este  menisterio:  foram  estes  moinhos  arre- 
matados em  1694  por  António  Machado  Pereira,  de  Agoalva  por  d 
moios  e  50  alqueires  de  trigo  por  anuo  o  que  corresponde  a  ter 
moido  89  moios. 

Quatro  Ribeiras. 

Os  três  moinhos,  ainda  que  de  pouca  substancia,  moem  todo  o 
anno,  foram  arrematados  no  dito  anno  de  IG94  por  João  Homem  Lobo, 
de  Agoalva  por  18  moios  e  15  alqueires  de  tiigo  por  anno,  corres- 
pondentes a  moerem  30^  moios. 

Total:  Moinhos  dAngra 2:557  moios 

'(       d' Agoalva 1:545       « 

«       de  S.  Sebastião  ...  89       « 

«       das  4  Ribeiras    .     .     .  302       « 

4:493 

O  que  leva  a  crer  que  são  precisos  cada  anno  5:000  moios  de  tri- 
go pelo  menos,  e  a  não  ser  milho  grosso,  de  que  se  mantém  a  maior 
parte  da  pobreza  seriam  precisos  muitos  mais. 

TVola  5" 

Dizimos  do  trig-o  da  Ilha  Terceira,  preços  porque  foram 
arrematados  no  anno  de  1693. 

Capitania     d 'Angra. 

Feiteira —  a  Pedro  da  Fonseca  morador  em  Agoalva  por 
Villa  de  S.  Sebasliam— a  Manoel  Pereira  morador  na  Ri- 
beirinha por 118 

Santa  Barbara— a  Manoel  Ferreira  Pires  da  Ribeirinha  por 
Calheta— a  Manoel  do  Couto  moiador  em  Angra  por 
Raminho—  a  Manoel  Vaz  morador  nos  Regalos  |)or  .     . 
Ervagem—  a  João  dAzevedo  morador  em   S.   Bartholo- 

meo  por 

Quinta  de  Manoel  do  Canto— a  Matheus  da  Fonseca  .     . 

456 


()0 

moios 

118 

1/.  (. 

20 

« 

38 
3 

« 

ARCHIVO    DOS    AÇOHES  149 

Transporte 456  moios 

Para  a  redizima 50        « 

De  um  por  cento       .     .         4  V2  « 

Para  propinas 21        « 

531  V2  « 
O  que  corresponde  á  produção  de  5:315  moios  alem  dos  lucros. 

Capitania  da  Praia. 

Mostra-se  ser  arrematado  o  dizimo  do  trigo  da  Capitania  da  Praya 

a  saber: 

..  moios—  alq.' 

Porto  Martim— a  Antão por 141  — 

Villa  Nova—  a  João  Roiz  por 131 — 40 

Ramo  grande— a  Mallieus  Ferreira,  das  Lages  por  280 — 
Altares"—  a  Manoel  da  Costa,  da  Cidade  por     .     .         09—45 
Ervagens—  a  Balthazar  da  Costa,  da  Serra  por      .         34 — 

656—25 

De  redizima       72—  2  1/2 

De  um  por  cento 6 — 33  ^2 

Para  propinas  dos  ministros 29 — 11 

764—12 

O  que  corresponde  á  producção  de  7:642  moios. 

A  produção  dAngra  e  Praia  juntas  monta  a  12:957  moios  não 
incluindo  n"esta  orça,  os  ganhos,  carretos  e  conducções  por  quanto  a 
estes  se  applica  o  dizimo  dos  milhos,  centeio,  e  cevada  que  andam  an- 
nexos  ao  trigo,  com  o  que,  é  de  crer  que  uns  annos  por  outros  a  I- 
Iha  Terceira  produz  13  mil  moios  com  vantagem,  que  multiplicados 
por  12?$(000  rs.  preço  de  cada  moio  de  trigo,  já  desde  alguns  annos 
importa  tudo  em  156  contos  de  reis. 

Mota   a." 

Relação  dos  preços  porque  foram   arrematados  os  Dizi- 
mos  das  Miuças  d'Aiig"ra  em  1694. 

Frangãos—  por  Francisco  de  Mello  por 26!5íOOO 

Porcos—  por  António  Paes  por        170)^000 

Linho—  por  Aleixo  Ferreira  por 58/^000 

Meuças,  de  Santa  Barba— por  Bernardo  Pereira      .     .     .  100??Í000 

354^000 


150 


AHCHIVO   DOS  ACOHES 


Transporte         •     •  •     354^000 

Legumes  da  Cidade—  por  Balthazar oleiro    .       por  15^000 

Telha—  por  António  Jorge «  14^000 

Bezerros—  por  Sebastiam  Vieira «  127j$ÍOOO 

Inhames —  por  André  Fernandes,  pedreiro     .     .     .      «  44?5ÍOOO 

Madeira —  por  João  d"Azevedo «  6!$ilOO 

Miuças—  de  Raminho  por  Manoel  do  Conto    .     .     .      «  9í5í800 

Quinta—de  Manoel  do  Canto  pelo  dito  Manoel  do  Couto «  (30?5iOOO 

Sumagre —  por  Francisco «  13;5iOOO 

Mel—  por  Bento  Coelho «  7?$Í300 

Cordeiros—  por  João  Machado «  100^000 

Miuças  da  Calheta—  por  Manoel  do  Couto     .     .     .     «  60W0 

«      da  Feiteira—  por  Francisco  Cardozo  .      .     .     «  48^000 

Pescado—  por  João  de  Gouvêa «  i20?>000 

Miuças  da  Vi  lia  de  S.  Sebastião—  por  João  Lobão  .     «  47^000 

Somma 1:125^200 

Da  redizima Hr)f$í022 

De  í  por  % il?5252 

Propinas  dos  ministros 49?SÍ871 

Total       1:301^345 

Relação  dos  preços  porque  foram  arrematados  os  Dízi- 
mos das  Miuças  da  jurisdição  da  Praia  no  anno  de  1694. 

Miuças — do  ramo  grande  por  António  Gouçalves  Paes    por      85í3Í500 

Frangãos —  por  Manoel  Roiz «  28^000 

Porcos— por  António  Gonçalves  Paes «  107)5iOOO 

Pescado— por  Manoel  Cardozo «  47á'000 

Bezerros — por  Francisco  Rebello        <  77^5^300 

Miuças  de  Porto  Martim— por  Braz  Vieira  sapateiro        «  80?5íOOO 

'<     dAgoalva — por  Balthazar  Raposo,  oleiro      .     .     «  60f$>000 

«     dos  Altares — por  Pedro  Fernandes     .     .     .     .     «  76«j>000 

Mel— por  Bento  Roiz «  4W0 

Linho— por  Manoel  Cardozo,  alfaiate        «  147^000 

Madeira— por  Manoel  Machado «  4á»000 

Inhames— por  Balthazar  Raposo «  34!$ÍOOO 


810r5000 


ARCHlVd   DOS   AÇOHES  151 

Transporte 810W0 

Cordeiros  e  Cabritos,  pão,  leite,  e  queijos— por  João 

Dias         por  59^000 

Pescado  do  varadouro—  i)or  João  Gonçalves     .     .     «  4j$ilOO 

«     da  casa  da  Salga—  por  Manoel  Mendes   .     .     «  WO 

Somma  rs 873^500 

l»a.a  a  redizima »  97)$1055 

«     um  por  cento «  8?$1735 

«     propinas  dos  ministros      .......&  38)5(875 

1:018^165 

«     ganhos  e  despezas       200í$i000 

Total  reis 1:218^165 

Este  dizimo  corresponde  a  12:181?$Í650  rs. 

Wota  S." 

Relação  dos  preços  por  que  foram  arrematados  os  Dízi- 
mos do  trigo  nos  Açores. 

Ramo  da  Illia  de  H.  llis;uel  em  1003. 

moios  alq." 
Ponta  Delgada— por  Francisco  da  Silva  Ribeiro  pelo  preço  de    202—15 
S.  Pedro  (?)—  por  António  de  Gouvêa              «         «  102 — 
A  lagoa—  por  José  Pacheco                                «         «  53 — 
Ago"a  de  Pão-  por  Manoel  Ferd.'  de  Sousa     «         «  34—25 
Villa  Franca —  por  Manoel  Ferreira                  «     .    «  126 — 
Povoação  e  Fayal —  por  André  Vieira                «         «  22 — 25 
Nordeste—  por  Manoel  Lopes                           «         «  42— 
Achada  e  Fenaes— por  Manoel  Bettencourt  e  Sá  (da  Ci- 
dade)                                                   pelo  preço  de  61— 
Maia  e  Porto—  por  Manoel  Teixeira                 «         «  61—15 
Ribeira  Grande—  por  Manoel  da  Costa             «         <■<  202— 
Rabo  de  Peixe—  por  Manoel  da  Costa  Gama    «         «  163—45 
Capellas—  por  Manoel  Pereira,  oleiro              «         «  98—40 
Costas  (;?) —  por  Domingos  Cabral  (da  Relva)  «         «  125 — 45 

Somma 1:294- 

Para  a  redizima 143 

«    um  por  cento 13 

«    os  ministros 53 

Total 1:503 


152  ARCHIVO   DOS   AÇORES 

O  que  corresponde  á  produção  de  15:030  moios. 

Andam  annexos  a  este  dizimo  do  trigo,  o  do  milho,  cevada,  cen- 
teio que  se  applicão  aos  gastos  e  conduções  d"esta  cobrança  pelo  que 
se  calcula  que  vendidos  os  trigos  a  preço  de  12r>000  rs.  preço  por 
que  corre  ha  muitos  annos  importa  o  total  em  180:360;)000  rs. 

IVota  ».» 

Relação  dos  preços  por  que  foram  arrematados  os  Dízi- 
mos das  Miuças  na  Ilha  de  S.  Miguel  em  1693. 


Cidade— por  Francisco  Fintado  d"Oita    . 

Linho  -por  Manoel  Carvalho     .... 

iMel  e  leite  —por  Manoel  Cabeceira 

Lenha  e  madeira — por  Manoel  Cordeiro 

Alagoa— por  António  Gouvèa 

Agoa  de  Páo— por  Domingos  da  Hocha 

Villa  Franca  -por  António  Tavares 

Linho  da  dita  Villa  -por  António  Furtado  Rebello 

Lenha  e  madeira  na  d.'  Villa — pelo  mesmo  acima 

Mel  e  leite  «  «  — poi'  Francisco  Luiz 

Assucar  «  «        «  António  F.  Rebello 

Frangãos  «  «        «  Francisco  Luiz 

Fenaes  e  Achadas— por  Domingos  de  Frias 

Nordeste— por  Manoel  Lopes  Teixeira    . 

Ribeira  Grandi;— por  Manoel  da  Ojsla  Gama 

Linho «         «  «  «  «         a         . 

Lenha  e  mel,  na  R.  Gi'ande— por  Francisco  Luiz 

Frangãos.  «         ■<  «  «  « 

Fenaes  da  Cidade— por  Aleixo  Roiz 

Capellas,^^S.^"  António  eRretanha—  por  .Mano^d  da  Silva 

Miuças  da  Costa  (w')— por  Francisco  Botelho  da  Relva 

Cabras — por  Manoel  Pereira,  sapateiro 

Bezerros  — por  Pedro  de  Sousa 

Ovelhas-  «  João  dAlvedo  da  Cidade    . 

Porcos   -   «  Manoel  Ferreira  Sousa 

Telha     —  «  Manoel  Tavares  Rico 

Somma 

Para  a  redizima 

«    um  por  cenin 


por 


os  ministros 
Total 


070r)000 

lG7-$k000 

1 0^5000 

:{27ái500 
I  m'iOO 

:ioO:>ooo 

55^000 
12^^000 
10..>500 

i:]f>0()0 

í)>i00 

2905.500 

GOí^íoOO 

(iOlWO 

:ní>5.000 

8^3800 

diOO 

180r>000 

281áío00 
225^000 
1336000 
loOi^OOO 
1965.000 
88a.o00 
LU  00 

i:253dOOO 

Í7 15.333 

45Í713 

1885.709 

'i:9 17-581  o 


AKCHiVU   DOS   AÇOHES  153 

Que  correspondem  á  produção  no  valor  de  49:178^150  rs. 

Calculados  os  lucros  em  8^0)^000  rs.  correspondem  á  produção  no 
valor  de  8:200^000  «  que  juntos  aos  dízimos  das  Miuças  alraz  reis 
V9:17861õO,  eaoa  do  trigo  180::i()0áí600  rs.,  prefaz  237:738!$ÍI50  rs. 
valor  total  da    producção  da  Ilha  de  S.  Miguel. 

IVola     IO.' 

Dízimos  do  trigo,  preços  porque  se  arremataram  nas 
Ilhas  dos  Açores  em  1701. 

moios  alq ' 

Os  da  Ilha  Terceira         . 1:112 

■<  «     «  do  S.  Miguel 1:294 

v«  «      «         «   Jorge 149-23 

«  «     «do  Fayal 277—27 

«  «     «  do  Pico 130-55 

a  «     «da  Graciosa     .     .     .     ■ 108—20 

«  í.     «            «     de  cevada       183—40 

Somma        3:255  —  45 

Correspondentes  com  os  devidos  augmentos  a  36:478  moios  de 
producção. 

Não  se  nomeam  as  Ilhas  de  Santa  Maria,  Flores  e  Corvo  por  pei- 
lencerem  seus  dízimos  a  particulares,  mas  calcula-se  que  renderão 
tanto  como  S.  Jorge  e  Fayal,  o  que  laz  com  que  se  calcule  a  produc- 
ção total  dos  Açores  em  40:000  moios  annualmente  e  os  ditos  40:000 
moios  de  trigo  a  12!$í000  rs.  importam  em  480  coutos  de  reis. 

Mota  II.' 

Grandeza  das  Ag"oas  d' Angra. 

Distam  menos  de  um  quarto  de  legoa  dos  confins  d  Angra,  na 
paite  do  seritrião  ( Scplentrião)  ao  pé  diima  alta  serra,  varias  fontes 
nativas,  quasi  umas  com  outras  communicadas,  com  poucos  passos  de 
distancia,  e  conio  sejam  as  mais  abundantes  das  (uuilas  que  ha  na  Ilha, 
(incorporadas  formam  uma  grande  riheira,  que  occupa  uma  l)iaça  de 
largura:  esta  desde  sen  principio  se  despenha  corrente  á  ('idade,  íi- 
CHido-lhe  cm  todo  inferior  sem  padrasto  algum  ijiie  a  inipida:  tão  ac- 
comodada  emfim  a  este  mini.sterio  tão  essencial  á  vida,  que  parece  se 
confirmar  a  natureza  em  tudo  o  (jue  pudera  appeteccr  o  maior  dese- 

N."  20  -Vol.  IV— 1882.  ,s 


154  ARCHIVO    DOS    AÇOHES 

jo  das  creaturas.  Apenas  que  esta  ribeira  faz  entrada  nas  moradias 
d  Angra  coaieçam  nella  os  doze  moinhos  de  que  traclei  na  nota  4.'\ 

São  as  agitas  d'estas  fontes,  a  meu  parecer  (como  quem  as  expe- 
rimentou) as  da  maior  suhstancia  de  toda  a  Ilha  em  quanto  ao  regai- 
lo,  tão  frescas  e  saborosas  que  esse  vem  a  ser  o  seu  maior  defeito 
pelo  muito  que  naturalmente  se  appetecem,  e  como  o  comtempera- 
mento  de  sua  cilidade  (qualidade  'h  lie  quasi  frio.  em  summa  não 
deicham  de  ser  nocivas  áquelles  que  com  demazia  se  mettem  n"ellas. 

De  uma  d  estas  fontes  a  mais  copiosa,  que  se  diz  do  Pecegueiro. 
se  proviau)  antigamente  os  moradores  da  (Cidade:  e  como  estas  agoas 
eram  dign;is  de  toda  a  estimação,  sendo  no  anno  de  1605,  em  que  e- 
ra  corregedor  da  comarca  Leonardo  da  (^unha  servindo  na  Republica 
d'Angra  de  Juizes  ordinários  Ruy  Dias  de  Sampayo,  Francisco  Madru- 
ga e  Vareadores  da  Camará,  Vital  de  Heltencourt  o  velho.  Luiz  Ho- 
mem da  Cosia.  Manoel  Machado  e  de  Procurador  do  Concelho,  André 
Fernandes  da  Cêa,  pareceo  fazer-se  ocanocjue  se  diz=ieal=trazendo 
aquellas  agoas  desde  o  seu  nascimento  por  alcatruzes  llié  á  beira  da 
Cidade,  que  contesta  com  o  moinho  novo  aonde  existe  a  arca  em  que 
as  ditas  agoas  se  repartem.  Até  áqiielle  logar  se  acham  mil  cento  se- 
tenta e  quatro  biaças:  cuja  obra  foi  rematada  em  vareação  de  10  de 
Outubro  de  1005  por  Ralthazar  Fernandes  em  preço  de  \tViOO  rs.  a 
braça,  com  obrigaçãit  de  pôr  á  sua  custa  os  alcatruzes,  que  tem  mais 
de  palmo  de  diâmetro.  levislos  pelos  oíficiaes  da  Camará,  abetumados 
e  encalados  com  a  segurança  e  fortificação  necessárias.  Custou  a  o- 
bra  d'este  cano  até  ao  logai   referido  5:105<>600  rs. 

Provê  este  cano  dagoa  TA  chafarizes  [)ublicos  correntes  com  abun- 
dância, a  maior  parte  d'elles  de  duas  bicas  de  mais  dum  aimel  d  a- 
goa  a  saber  na  freguezia  da  Sé  10,  na  Conceição  8,  em  Santa  Luzia 
3,  em  S.  Bento  2,  em  S.  Pedro,  2  '  aliás  somtnão  2ò  e  não  28)  São 
estes  chafarizes  tão  contíguos  uns  aos  outros  que  não  distam  mais 
d'um  tiro  de  mosquete. 

Provê  outros  este  cano,  a  saber:  os  oito  Conventos  e  Mosteiros 
dAngra  com  tal  fartura  e  abundância  que  todos  tem  nos  seus  claus- 
tros um  chafariz  de  '\  bicas,  outro  no  refeiloiio,  dois  e  alguns  trez  bi- 
cas nas  cercas.  As  sacristias  da  Sé  e  Ojnceição  (>'/c )  e  destas  a- 
goas  que  lhe  sobram  a  uma  e  outra  sacristia,  se  approveilam  muitas 
casas  nobres  quasi  com  desperdício.  Finalmente  o  mais  que  é  de  ad- 
mirar, não  haver  casa  em  Angra  de  maior  substancia  (]ue  não  lenha 
chafariz,  em  seu  quintal,  com  tamanha  superfluidade,  que  conunimi- 
cam  as  sobras  a  outras  em  que  podia  ser  escuzo  este  regalo:  tanto 
assim,  que  ha  lua  sem  ser  das  principaes,  em  que  se  acham  7  e  8 
chafarizes  com  a  circumstancia  que  muitos  o  tem  ã  vista  em  rua  pu- 
blica: com  o  (|ue  não  parece  excesso  o  dizer-se,  que  provê  o  cano  real 
das  agoas  dAngra  mais  de  duzentos  chafarizes  públicos- e  particula- 
res, e  estes  correntes  em  todos  os  tempos  do  anno.  com  o  (pie  se 


ARCmVO  DOS  AÇORF.S  155 

moslr;i  estar  Angra    coiilaininada   dAgoas.  e  não    poniiila   Deus,  se 
corionipão  como  hoje,  já  quasi,  se  experimenta. 

:\ola   ■«." 

Lenhas  do  lume,  do  gasto  d'Ang'ra. 

Iluma  das  grandezas  dAngra,  em  (|ne  pouco  se  repara,  sendo  tão 
digna  de  ser  noloria.  é  o  ga>t()  de  lenha.  (]ue  se  diz=do  lume=:  e 
na  verdade,  não  fora  Angra  o  (pie  é.  a  não  possuir  com  tanto  commo- 
ilo  o  que  tem:  não  por  que  a  industria  dos  homens  o  fizessem  (sic) 
mas  por  que  os  realces  da  natureza  o  dotaram  (sicL 

Poz-lhe  Deus  as  agoas  em  logar  proporcionado  para  (pie  (fellas  se 
valessem  em  tal  forma,  que  vem  a  ser  esta  grandeza  maior  com  que 
excede  as  mais  cidades  do  ultraimr.  E  sendo  es(e  provimento  um 
dos  essenciaes  commodos  da  vida  humana  como  alimento  delia,  para 
(]ue  não  faltasse  em  nada,  lhe  poz  a  natureza  lãobem  os  mattos  e  le- 
nhas para  o  fogo  tão  conliguos.  que  se  pode  dizer,  que  as  tem  á  por- 
ta, por  quanto  nos  fins  da  Cidade  começam  os  primeiros. 

Jazem  (sic\  estes  mattos  no  cerlão  da  Ilha,  servem-lhe  de  margens 
as  terras  lavradias,  que  correm  todas  em  circunferência  á  beira  mar, 
entranhadas  ao  centro  menos  de  meia  legoa,  e  nestas  lavranças  se  a- 
chão  as  parrochiaes,  de  tal  forma  que  não  ha  freguezia  parrochial  na 
Ilha  que  não  enteste  com  o  malto. 

Parece  na  verdade  alimenta  esl(^s  mattos  a  divina  Providencia,  por 
que  não  só  delles  se  tira  em  lodos  os  tempos  do  anno  a  lenha  do 
lume  para  o  gasto  de  todos  os  lavradores  e  moradores  da  Ilha,  mas 
tãobem  toda  a  abiguaria  de  que  necessita  para  a  cultura,  como  são 
os  arados,  trilhos  e  grades,  sem  que  haja  parle  que  vedada  seja,  nem 
prohibida  por  parte  do  Senhorio,  com  o  que  vem  a  ser  communs  a 
tíjdos.  E  para  que  se  entenda  melhor  esta  grandeza  se  hade  suppor 
(|ue  são  poucos  ou  quazi  nenhuns,  os  lavradores  em  toda  a  Ilha,  que 
alem  da  renda  e  trigo  que  pagão  -eos  senhorios,  por  seus  arreuíia- 
mentos.  não  lenham  a  pensão  de  certo  numero  de  carradas  de  lenha 
posta  na  cidade,  com  o  que  se  prova  bem  e  verdadeiramente  a  abun- 
dância de  lenhas  e  madeiras  (|ue  tem  a  Ilha. 

He  Angra  a  que  faz  maior  gasto,  e  para  que  se  entenda,  o  tpian- 
lo  impoila,  deve  suppor  ipie  conforme  os  livros  e  roes  de  confissão 
das  (pialro  parrochias  da  cidade  se  acha  haver  2:104  moradores  i/o- 
í/ojs.?!  gastando  cada  um  uma  carga  de  lenha  por  semana,  que  assas 
fica  a  orça  diminuta  por  (pie  ha  muilas  cazas  em  Angra  (jue  lhes  não 
bastão  cinco  nem  seis.  Multiplicadas  5:2  semanas  pelos  ditos  ^2:\('d 
prefazem  II2:i2l  cargas  e  vendendose  cada  carga  por  oitenta  reis. 
[)reç()  commum  que  ora  corre,  dá  o  producto     8:í){):^>!)4()  rs. 

São  compostos  estes  mattos  de  algumas  madeiras,  e  sujiposto  w^io 


136  AfiCHIVO  DOS  AÇORES 

sejam  as  de  maior  conta,  servem  comtudo  para  barrolaria,  forros,  e 
armações  de  casas  grandes.  Tiram-se  estas  madeiras  com  largueza  em 
todos  os  tempos,  em  qne  se  faz  um  grande  dinheiro. 

São  as  principaes  madeiras  e  as  de  maior  substancia,  a  dos  Ce- 
dros, que  a  serem  vedadas  não  ha  duvida  se  poderão  tirar  delias 
grandes  interesses,  pela  boa  calidade  que  naturalmente  partici|)ão  por 
sna  incompatibilidade.  Acharn-se  a  maior  parte  destas  madeiras,  e  da 
maior  conta  de  baixo  ( ?  )  de  huns  fragamentos,  que  chamão  moledo, 
este  tão  tenro  que  não  passa  a  mais  de  cobrir  o  tronco,  por  modo  de 
limo  na  agoa,  e  para  o  acharem  se  valeuí  os  fragueiros  do  cabo  do  ma- 
chado, e  pelo  som  que  notão  o  descobrem.  Querem  alguns  dizer,  que 
estes  madeiros  procedem  originados  da  raiz  de  que  nascem,  por  a- 
lastrados  na  terra  aonde  crescem  e  engrossam  sem  que  necessitem 
da  posição  d(»  ar.  Outros  dizem  que  ab  initio  da  Ilha,  por  velhos,  ca- 
hiram  dando  logar  a  outros  troncos  da  mesma  espécie,  que  para  mon- 
tarem foi  precizo  que  os  suffocassem.  e  assim  o  mostra  experiência 
por  que  commumente  se  acham  em  rumas  huns  sot>re  os  outros  to- 
dos incorruptos. 

De  outra  casta  de  madeira  constam  os  matlos  da  Ilha.  como  são  os 
sanguinhos.  páos  brancos,  (|ue  chamam  cerne,  de  que  muito  se  ap- 
proveitam  os  lavradores  para  a  fabrica  da  cultura.  Finalmente  se 
houvera  encarecer  o  proveito  dos  matlos  da  Ilha  Terceira  e  dizer  o 
quanto  vai  a  lenha  e  madeiras  que  delias  se  tirão  em  todos  os  annos 
sem  se  experimentar  falia,  não  fora  excesso  aíVirmar  valia  [m\o  mais 
de  20  contos  de  reis. 

[ExtrahuJo  em  1875  dum  MS.  do  P.'^  M.  L.  Maldonado  em  pod^T 
do  Sr.  Luiz  Pacheco  de  Lima,  da  Cidade  d' Angra.  ^ 


CORTE-REAES 


CAPITANIA    D' ANGRA 


DOAÇÕES  E  CONFIRMAÇÕES 

I-I74— 158-2 

Documentos) 

Dom  Felipe  ele.  Façd  saber  aos  que  esla  carta  virem  que  \h)v  par- 
le de  D.  Chrislovão  de  Moura  Corle  Real  genli!  homem  de  minha  ca- 
mará do  meu  conselho  d  eslado  vedor  de  n)iuha  fazenda,  me  fui  apie- 
senlado  hu  alvará  de  lembrança  asinado  pelos  governadores  que  lu- 
ram de  ctcstes  (sic)  reinos  em  que  se  continha  que  o  Snõr  Rei  dõ  lièr  ique 
meu  tio  que  Deos  tem.  avendo  respeito  aos  serviços  de  Vasqueanes 
Corte  Real  e  aos  de  seus  passados  de  que  descende  e  assy  a  mandar 
a  Africa  com  o  Snõr  Rey  dom  Setiaslião  meu  sobrinho  que  santa  gld- 
lia  aja,  Manoel  Corte  Real  seu  tilho  que  o  herdava  e  moreo  na  bata- 
lha ouvera  por  bem  de  fazer  mercê  ao  dito  Vasqueanes  das  capitanias 
da  ilha  Terceira  da  parle  dAngra  e  da  ilha  de  Sam  Jorge  e  dos  direi- 
tos que  lhe  pertencem  conforme  a*s  doações  (|ue  o  dito  Vasqueanes 
linha  e  isto  pêra  a  pesoa  que  casar  com  sua  filha  mais  velha  cagan- 
do ella  com  pesoa  que  o  dito  snõr  nomease.  e  a  pesoa  com  que  ca- 
sase  se  charaase  Corte  Real,  a  qual  mercê  lhe  o  dito  sõr  Rey  meu 
lio  fizera  a  xiiij  (14}  dias  dagosto  de  mil  b*^  Ixxix  (lõ79i  como  con- 
stava de  húa  portaria  de  Sebastião  Dias  fidalgí»  de  minha  casa  que  es- 
tava nas  cosias  do  dito  alvará  e  porque  por  a  dita  portaria  se  não 
passou  provisão  da  tal  meice  em  vida  do  dito  sõr  Rey  os  governado- 
res lhe  mandaram  dar  disso  o  dito  alvará  pêra  por  elle  se  |)assarem 
cartas  de  doações  em  forma  das  dilas  capitatíias  e  direitos  depois  do 
falecimento  de  Vasqueanes  á  pessoa  que  fizer  certo  ser  casado  e  re- 
cebido com  sua  filha  mais  velha  conforme  ao  diio  alvará  (|ue  foi  feito 
em  Almeirim  a  dezasete  de  fevereiro  do  anno  de   J  b'  e  l\xx     1;')S0\ 


138  AKCHivo  nos  açohks 

com  o  qiiiil  me  foi  mais  apresenladu  a  carta  de  doação  (jiie  Vasqne- 
anes  linha  da  capitania  da  ilha  Terceira  da  parte  dAmgra  de  jniu  de 
que  o  trellado  delia  de  verbo  ad  verbo  he  o  seguinte: 

Dom  Amrique  ele.  Faço  saber  aos  que  esta  caria  virem  (|ne  por 
parle  de  Vasqueanes  Corte  Real  filho  mais  velho  (Je  Manoel  (]orle  Re- 
al (pie  Deos  perdoe  me  foy  presenlada  hua  caria  do  snõr  IW\  meu 
sobrinho  que  samta  gloria  aja,  por  elle  asinada  e  passada  pela  chan- 
cellaria  da  qual  o  trellado  he  o  seguinte: 

Dom  Sebastião  ele.  A  quantos  esta  minha  carta  de  confirmação  vi- 
rem faço  saber  que  por  parte  de  Manoel  Corte  Reall  do  meu  conse- 
lho me  foy  apresentada  hua  carta  dei  Rey  meu  senhor  e  avoo  que 
santa  gloria  aja,  per  elle  asinada  e  pasada  pela  chancellaria  de  (pie  o 
trellado  he  o  seguinte: 

Dom  .lohauí  ele.  A  quantos  esta  minha  carta  virem  faço  saber  que 
por  parle  de  Manoel  Corte  Real  fidalgo  de  minha  casa  fillio  mayor  de 
Vasipieaues  Corte  Real  que  Deos  perdoe,  me  foy  apresentada  hua 
minha  carta  de  confir/nação  per  luim  asinada  e  passada  pela  chancel- 
laria de  que  o  lehor  tal  he: 

Dom  Joam  ele.  .\  quantos  esta  nossa  caila  virem  fazemos  saber 
ipie  por  parte  de  Vasqueanes  Corte  Reall  do  uosso  conselho  nos  foi 
apresentada  hua  carta  dei  Rey  meu  sor  e  paibe  que  santa  gloria  aja, 
da  (piai  o  Iheor  tal  he: 

Dom  Manoel  ele.  A  (piantos  esla  nossa  carta  virem  fazemos  saber 
(pie  de  parte  de  Vasqueanes  Corte  Real  fidalgo  de  nossa  casa  e  vee- 
(lor  delia  nos  foi  mostrada  bOa  carta  per  nos  asinada  em  sendo  du- 
que de  (^ue  o  Iheor  delia  tal  he: 

Ku  dom  Manoel  Regedor  e  governador  da  ordem  e  cavallaria  de 
nosso  snõr  Jhu  \\)h  du(pie  de  Reja  snõr  de  Viseu,  Cyovilhãa.  Moura  e 
Serpa  snõr  das  ilhas  da  Madeira,  ilhas  dos  Açores  e  de  (]abo  Verde 
condestabre  por  el  Rey  meu  snõr  de  seus  Reynos.  A  quantos  esta  mi- 
nha caila  virem  faço  saber  que  por  parle  de  Joam  Vaz  Corte  Reall  fi- 
dalgo de  minha  casa  ine  foy  apresentada  bua  caria  do  duque  de  Vi- 
seu que  Deos  aja.  de  (pie  o  lehor  lai  he: 

Eu  o  diiijue  faço  sabei-  a  (juanlos  esla  minha  carta  virem  e  o  co- 
nhecimento delia  pertemcer  que  por  Joam  Vaz  Corte  Real  fidalgiio  de 
minha  casa  e  capitão  por  mym  na  minha  ilha  Terceira  na  parte  dAm- 
gra me  fty  apresemlada  lifia  carta  da  dita  ca[)i[ania  a  (|ual  em  meu 
nome  lhe  foy  dada  pela  ilTanle  luinha  shra  e  madre  sendo  minha  le- 
tor  e  curador  da  (jtial  carta  o  Iheor  de  verbo  ad  verbo  he  este  como 
se  ao  deante  segue: 

l'Ài  a  Iffante  D.  Beatriz,  tetor,  e  curaJ<)r  do  S^-nhor  Duque  meu'tilho  ^c. 
Faço  saber  a  quantos  esta  minha  carta  virem,  que  havendo  eu  por  informação 
estar  ora  vaga  a  capitania  da  Ilha  Terceira  de  .lesus  Christo,  do  dito  Senhor 
meu  tilho,  por  se  atfirmar  ser  morto  .lacome  de  líruges,  que    até   ora  teve,  do 


AliCIIIVO   DOS   AÇOKKS  151) 

qual  ha  muito  tempo  que  alguma  nova  se  nâo  ha,  posto  que  já  por  muitas 
vezes  mandei  a  sua  mulher,  que  a  verdade  dello  soubesse,  e  me  certificasse,  as- 
signando-lhe  para  isso  tempo  d'um  anno,  e  depois  mais;  a  qual  em  alguma 
maneira  com  todalldS  diligencias  que  nisso  fizesse,  me  não  trouve  dello  certidão 
alguma:  pelo  qual  havendo  eu  por  certo  o  que  me  assim  é  dito,  e  esguardan- 
do  o  damno  que  é,  a  dita  ilha  estar  assim  sem  capitão  que  a  haja  de  reger  e  man- 
ter em  direito  e  justiça  pelo  dito  Senhor,  e  como  em  ello  pela  dita  causa  se  la- 
zem  algumas  cousas  que  são  pouco  serviço  de  Deus,  nem  do  dito  Senhor  meu 
filho;  determinei  prover  a  ello  poi  descargo  de  minha  consciência,  e  serviço  do 
dito  Senhor.  E  considerando  eu  d" outra  parte  os  muitos  e  f^randes  serviços  que 
João  Va^  Corte-Reah  fidalgo  da  casa  do  dito  Senhor  meu  filho,  tem  feitos  ao 
If/ante  meu  Senhor  e  seu  padie  que  Deus  haja,  e  depois  a  mim  e  a  elle.  e  con- 
fiando de  sua  bondade  lealdade,  e  vendo  sua  disposição  a  qual  é  pêra  pcder 
servir  o  dito  Senhor,  c  seu  entender  e  boa  descripção  pêra  a  dita  ilha  governar 
c  manter  em  direito  e  justiça,  em  galardão  dos  ditos  sei  ricos  lhe  fi^  mercê  da 
dita  capitania  da  ilha  Terceira,  assim  como  a  tinha  o  dito  Jacome  de  Bruges, 
e  lhe  mandei  dello  dar  sua  carta  antes  desta.  E  porquanto  a  dita  ilha  não  era 
partida  amtre  o  dito  Jacome  de  Bruges  e  Álvaro  Martins  ouve  por  bem  de  a 
partir  antre  o  dito  João  Vaz  e  o  dito  Álvaro  Martins  e  a  parti  pela  Ribeira 
Secca,  que  é  áquem  da  Ribeira  de  Fr.  João,  ficando  a  Ribeira  de  Frei  João  na 
parte  d'Angra  e  da  dita  Ribeira  Secca  pela  metade  da  dita  ilha  até  outra 
banda,  como  se  vae  de  Sueste  ao  Noroeste;  e  partida  a  dita  ilha  pela  dita  ma- 
neira, mandei  ao  dito  João  Vaz  que  escolhesse,  e  elle  escolheu  na  parte  d'An- 
gra,  e  deixou  a  parte  da  Praia,  em  que  o  dito  Jacome  de  Bruges  tinha  feito 
seu  assento;  e  a  mim  prouve  dello,  e  lhe  ei  por  feito  mercê  da  dita  parte  por- 
que doutra  mandai  dar  carta  ao  dito  Álvaro  Martins.  E  me  praz  que  o  dito 
João  Vaz  tenha  por  o  dito  Senhor  a  dita  parte  e  a  mantenha  por  elle  em  jus- 
tiça e  direito:  e  que  morrendo  cUe  isso  mesmo  fique  a  seu  filho  primeiro  ou 
segundo,  se  tal  fôr  que  tenha  o  cargo  pela  guisa  sus:i  dita,  e  assim  de  descen- 
dente em  descendente  pela  linha  direita  e  sendo  em  tal  edade  o  dito  seu  fi- 
lho, que  a  não  possa  reger,  o  dito  Senhor  ou  sçus  herdeiros  porão  hi  quem  a 
reja,  até  que  elle  seja  em  edade  pêra  a  reger.  Item  me  praz  que  elle  tenha  em 
a  sobredita  ilha  a  jurdicção  pelo  dito  meu  filho  e  em  seu  nome,  do  eivei  e 
crime,  resalvando  morte  ou  talharhento  de  membro  que  disto  venha  appel- 
lação  ou  aggravo  presente  o  dito  Senhor;  porem  sem  embargo  da  dita  jurdic- 
ção, a  mim  praz,  que  todos  meus  mandados,  e  correição  sejam  hy  compridos. 
assy  como  em  cousa  propia  do  dito  Senhor.  Outrcsim  me  praz  que  o  dito  Jtião 
Vaz  haja  para  si  todos  os  moinhos  de  pão  que  houver  na  dita  ilha  de  que  lhe 
asi  dou  cargo,  e  que  ninguém  não  faça  hi  moinhos,  somente  elle.  ou  quem  lhe 
aprouver,  e  isto  não  se  entenda  em  mó  de  braço,  que  a  faça  quem  quizer,  não 
moendíí  a  outrem,  nem.  atafonas  não  tenha  outrem,  somente  elle.  ou  quem 
lhe  aprouver.  Item  me  praz  que  haja  de  todas  as  serras  d^igca  que  se  hi  lizc- 
rem  de  cada  uma  um  marco  de  prata,  ou  em  cada  um  anno  seu  certo  valor,  ou 
duas  tahoas  cada  semana  das  que  hi  costumarem  serrar,  pagando  porem  ao 
diti)    Senhor    o  dizimo    de    todas  as  ditas  serras^  secundo    pag;uii   das    (uitras. 


160  AHCHIVO   OOS   AÇOKES 

quando  serar  a  dita  será:  e  isto  haja  também  o  dito  João  Vaz  de  qualquer 
moinho  que  se  hi  fizer,  tirando  vieiros  de  ferrarias,  ou  outros  metaes.  Item  me 
praz,  que  de  tod  )s  os  fornos  de  pão,  em  que  houver  poya  sejam  seus;  porem 
não  embargue  quem  quizer  fazer  fornalha  pêra  seu  pão  que  a  faça,  e  não 
pêra  outro  nenhum.  Item  me  praz  que  tendo  elle  sal  pêra  vender,  que  o  não 
possa  vender  outrem,  sãmente  elle,  dando-ò  elle  a  rezão  de  meio  reall  de 
prata  o  alqueire,  ou  sua  direita  valia,  e  mais  não;  e  quando  o  não  tiver,  que 
()>  da  dita  ilha  o  possam  vender  á  sua  vontade  até  que  o  elle  tenha.  Outro- 
sim  me  praz,  que  de  todo  o  que  o  dito  Senhor  meu  filho  ouver  de  renda 
em  a  dita  ilha,  que  elle  haja  de  dez  um  de  todas  suas  rendas  e  direitos  que 
se  contem  em  o  foral  que  pêra  ello  mandei  íazer.  K  per  esta  guisa  me  praz 
que  haja  esta  renda  seu  filho,  ou  outro  descendente  per  linha  direita,  que  o 
dito  cargo  tiver.  Item  me  praz,  que  elle  possa  dar  per  suas  cartas  a  terra  da 
dita  ilha,  forra  per  ho  foral,  a  quem  lhe  prouver,  com  tal  condição  que  ao 
que  der  a  dita  terra  a  aproveite  até  cinquo  annos,  e  não  o  aproveitando  que  a 
possa  dar  a  outrem  e  depois  que  aproveitada  fôr,  e  a  deixar  por  aproveitar 
até  outros  cinco  annos  isso  mesmo  a  possa  dar.  E  isto  não  embargue  ao 
dito  Senhor,  que  se  hi  houver  terra  pêra  aproveitar  que  não  seja  dada  que 
elle  a  possa  dar  a  quem  sua  mercê  fôr;  e  assim  me  praz,  que  a  dê  seu  filho 
ou  herdeiros  descendentes  que  o  dito  cargo  tiverem.  Item  me  praz  que  os  vi- 
sinhos  possam  vender  suas  herdades  aproveitadas  a  quem  lhes  aprouver.  Ou- 
trosim  me  praz  que  os  gados  bravos  possam  matar  os  visinhos  da  dita  ilha,  sem 
haver  ahi  outra  defesa,  per  licença  do  dito  capitão;  resalvando  algum  logar 
cerrado  em  que  o  lance  o  senhorio;  e  isso  mesmo  me  praz  que  os  gados  man- 
sos paçam  por  toJa  a  ilha  trazendo-os  com  guarda  que  não  façam  damno,  e  se 
o  fizerem  que  o  paguem  a  seu  dono,  e»  as  coimas  segundo  as  posturas  do 
Concelho.  It.  per  esta  minha  carta  peço  ao  Senhor  meu  filho,  que  depois  que 
prazendo  a  Deos,  em  edade  fôr,  lha  confirme  e  aja  por  boa,  e  assy  a  façam 
seus  herdeiros,  e  sobcessires,  quando  a  elles  vier;  porquanto  da  dita  capita- 
nia lhe  fiz  mercê  pela  maneira  e  modo  sobredito  em  satisfação,  e  contenta- 
mentí)  do  muito  serviço  que  tem  feito,  como  dito  é.  E  em  testemunho  dello 
lhe  mandei  dar  esta  minha  carta  per  mim  asinada,  e  asellada  do  meu  sello. 
Dida  em  a  cidade  d'Ev  ira,  a  dous  dias  do  me/,  de  Abril,  Rodrigo  Alvares  a  fez, 
anno  de  nosso  senhor  .lesus  Christf)  de  mil  quatrocentos  setenta  e  quatro.  (•) 

A  ;jiial  r,;\\V,\  vista  por  inyin  ;i  cy  ()or  inny  Ima  e  me  praz  (|ue  se 
i^mnpra  e  i»iiar(ie  cnfiio  ciii  elln  lie  coiillieiiilo  por(|ije  não  sDineiile  es- 
la  mas  loilo  o  p^*la  ijila  llíaiile  minha  silra  feilo  sei  que  foi  mui  bem 


;•)  >'()s  Annaps  ila  Ilha  Terceira  por  F.  F.  Oruininorid  T.  J,  p.  493.  foi  im- 
presso esto  documento,  cfn  coiirorinidadt'  com  o  trashido  do  Liv.  I,  do  Begisto 
ila  r.amara  (rAiiLira  tbl.  2W.  comdiíTeroiicas  de  ortlioiiraplíia.  e  al;uuma>  omissões 
ou  altericões  essenclaes  para  o  sentido. "O  P.^  António  Cordeiro  na  Hist.  Insula- 
na IÀ\.  Vi,  ('-a|i.  ÍI  §§  i:{  a  17  (leu  ã  luz  nm  texto  ein  parte?  mais  exacto  do  qw 
o  de  Urummon<l.  mas  viciado  n'nm  áó>  seus  elementos  principaes.  tpial  a  dat;i 
ipie  (li/  ser  \W\,  em  vez  de  li7V.  ipie  t-  a  verdadeira. 


ARCHIVO  DOS   AÇOKES  161 

leito  e  í\  sempre  por  mim  inteiramente  ser  guardado  e  peço  por  mer- 
r*^  .1  eirei  meu  senhor  ipie  pêra  mais  segurança  do  dito  João  Vaz  e  de 
seus  herdeiros  pelas  cousas  (pie  ao  diante  depois  podessem  vir  lhe 
fonlirme  esta  carta  e  terlho  ei  muito  em  mercê.  Feita  em  a  minha 
villa  de  Moura  aos  três  dias  de  maio.  Álvaro  Mendez  a  fez,  anno  de 
nosso  senhor  Jliu  xpõ  de  mil  e  quatro  centos  e  ovtenta  e  três  annos. 
[1483) 

Pedindome  o  dito  João  Vaz  [)or  mercê  que  lhe  confirmase  a  dita 
carta  assy  como  nella  he  contheudo  e  visto  per  mym  seu  requei')- 
menlo  e  querendolhe  fazer  graça  e  mercee  pelos  muitos  serviços  que 
tem  feitos  ao  Ilfante  meu  senor  e  padre  que  Deos  aja  e  a  mym  espero 
(|ue  ao  deante  fará  tenho  por  bem  e  lha  confirmo  e  ey  por  confirmada 
assy  e  tam  inteiramente  como  em  ella  faz  menção  e  por  firmeza  del- 
l(t  lhe  dei  esta  carta  per  mim  asinada  e  asellada  do  sello  de  minhas 
armas.  Dada  em  Santarém  a  seis  dias  do  mes  dabril,  Rodrigalvares  a 
fez,  finno  de  md  quatrocentos  ovtenta  e  oyto.  {1488\ 

Pedindome  o  dito  Vasqueanes  por  mercê  que  por  quanto  o  dito 
Joam  Vaz  Cortereal  seu  pai  era  falecido  e  elle  he  o  seu  filho  maior  lhe 
confirmasemos  a  dita  carta  como  nella  hera  contheudo  e  visto  per 
nos  seu  requerimento  ipierendo-lhe  fazer  graça  e  mercê  temos  por 
bem  e  lha  confirmamos  e  avemos  por  confirmada  assy  e  pela  manei- 
ra que  se  nella  contem,  empero  quanto  he  omde  diz  que  morrendo 
o  dito  Joam  Vaz  a  dita  capitania  fique  ao  dito  seu  filho  primeiro  ou 
segundo,  se  tal  for  declaramos  e  queremos  e  nos  praz  que  o  filho 
|)rimeiro  do  dito  Vasqueanes  e  assy  de  seus  descendentes  se  enten- 
da aquelie  que  á  ora  de  sua  morte  ficar  vivo  e  quando  o  filho  pri- 
meiro não  for  de  tal  sizo  e  entendimento  que  deva  governar  a  dita 
Capitania  emtam  queremos  e  nos  praz  que  a  aja  o  filho  segundo  na 
maneira  em  cima  declarada  e  porem  mandamos  que  asi  se  cumpra 
e  guaille  muy  inteiramente  assi  e  pela  maneira  que  se  na  dita  carta 
13  nossa  confirmação  he  contheudo  sem  lhe  a  ello  duvida  nem  embar- 
guo  algu  ser  posto  porque  assy  he  nossa  mercê.  Dada  em  Évora  a 
dons  de  julho,  Francisco  de  Matos  a  fez,  anno  de  mil  e  quatrocentos 
noventa  e  sete.  [1497) 

Pedindonos  o  dito  Vasqueanes  Cortereal  que  lhe  confirmasemos  a 
dita  carta  e  visto  per  nos  seu  requerimento  e  querendolhe  fazer  gra- 
ça e  mercê  temos  por  bem  e  lha  confirmamos  e  avemos  por  confir- 
maila  assi  e  da  maneira  que  se  nella  contem  e  assim  mandamos  que 
se  cumpra  e  guarde.  Dada  em  a  nossa  cidade  de  Lixboa  a  (juatro  dias 
do  mes  de  setemltro.  Jorge  da  Fonsequa  a  fez,  anno  de  Nosso  Senhor 
JhQ  Xp."  de  mil  (piinhentos  xxij  ilõ22.) 

Pedindome  o  dito  Manoel  Corte  Real  que  por  quanto  o  dito  Vas- 
queanes {a)\W  Real  seu  pay  era  fellecido  e  elle  era  o  filho  mais  ve- 
lho baram  lidimo  que  per  seu  falecimento  vagara  e  que  per  direito 
sobcedia  á  dita  ca|)ilai!Ía  da  ilha  Terceira  com  sua  jurdiçam  rendas  e 

N.°  t20  -  Vol.  IV— 1882.  9 


162  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

direitos  assim  como  a  seu  pay  tinha  pela  dita  minha  caria  de  confir- 
mação que  nesta  vai  encorporada  ouvesse  por  bem  lhe  mandar  dar 
dello  hua  doaçam  e  visto  seu  requerimento  lhe  mandei  dar  esta  pela 
qual  quero  e  me  praz  que  elle  dito  Manoel  Corte  Real  tenlia  e  aja  e 
posua  a  dita  capitania  de  juro  e  derdade  pêra  sempre  com  sua  jurdi- 
çam  rendas  e  direitos  assi  e  pela  forma  e  maneira  que  a  o  dito  seu 
pai  tinha  e  posuia  pela  dita  cart  i  e  se  nesta  contem  e  porem  mando 
a  todos  os  corregedores,  juizes,  justiças  e  oíTiciaes  a  (|ue  for  mostra- 
da e  o  conhecimento  delia  pertencer  assi  a  cimipram  e  guai-dem  e 
façam  comprir  e  guardar  sem  duvida  nem  emharguo  algu  que  a  ello 
seja  posto  porque  asi  he  minha  mercê,  Valério  Lopez  a  fez  em  Lix- 
boa  a  três  dias  dagosto,  anuo  de  noso  senhor  Jhu  xpõ  de  mil  b' 
xxxbiij  {1538)  annos  e  eu  Damião  Diaz  a  fiz  escrever. 

Pedindome  o  dito  Manoel  Corte  Real  que  lhe  coufirmase  esta  car- 
ta e  visto  seu  requerimento  (|uerei)dolhe  fazei'  graça  e  mercê  lenho 
por  bem  e  lha  confirmo  e  ey  poi'  confiiniada  com  declaração  que 
quanto  á  jurdiçam  usará  do  conllinudo  em  outra  carta  que  com  esta 
llie  mandei  passar.  Dada  em  Lixboa  a  xxj  (21)  de  março,  Manoel 
Franco  a  fez,  anuo  de  tnil  b*"  e  Ixxbij  [1077)  e  eu  Duarte  Diaz  a  fiz 
escrever. 

Pedindome  o  dito  Vasqueanes  Corte  Real  í|ue  ponjuanlo  elle  era 
o  filho  mais  velho  barão  lidimo  tjue  ficara  per  falecimento  de  Manoel 
Corte  Real  seu  pai  como  constava  de  hua  certidão  de  justificação  que 
outrosim  presentava  do  licenciailo  Loui-enço  Coriea  do  meu  desem- 
bargiiojuiz  dos  negócios  de  minha  fazenda  e  das  justificações  delle  e 
que  conforme  a  dita  carta  nesta  tresladada  .sobcedia  o  contheudo  nel- 
la  ouvese  por  bem  lhe  mandar  passar  a  elle  outra  em  seu  nome  e 
visto  seu  requerimento  com  a  dita  certidão  de  justificação  (juerendo- 
Ihe  fazer  mercê  tenho  por  bem  e  lho  confirmo  e  ey  pòr  confirmada  a 
dita  carta  per  sobcessam  asy  e  da  maneira  (]ue  se  nella  contem  e 
mando  que  se  cumpra  e  goarde  inteiramente.  Dada  na  cidade  de  Lix- 
boa aos  xxbiij  (28)  dias  do  mes  de  novembro,  Gonçalo  Ribeiro  a  fez, 
anno  de  nosso  senhor  Jhu  xpõ  de  mil  e  quinhentos  setenta  e  oyto. 
João  de  Castilho  a  fez  escrever  e  esta  se  registará  no  livro  dos  re- 
gistos da  Camará  da  cidade  dAmgra  e  se  passarão  certidões  nas  cos- 
tas desta  de  como  se  assi  registarão.  [Iõ78) 

Pedindome  o  dito  dom  Xpovão  {C/iristnram)  de  Moura  Corte  Real 
do  meu  conselho  destado  veedor  de  minha  fazenda  gentil  Homem  de 
minha  camará  que  por  quanto  o  eu  nomeara  pêra  casar  com  dona  Mar- 
garida Corte  Real  filha  mais  velha  do  dito  Vasqueanes  e  elle  era  ca- 
sado e  recebido  com  ella  como  consta  de  hua  certidão  de  justificação 
disso  que  outrosim  presentava  do  licenciado  Lourenço  Coirea  do  meu 
conselho  desembargador  do  paço  e  juiz  das  justificações  de  minha  fa- 
zenda ouvese  por  bem  de  lhe  mandar  passar  carta  de  doação  em  seu  no- 
me da  capitania  da  ilha   Terceira  da  parle  d.\ngra  de  juro  conforme 


AltClIlVO  nos  AÇOKES  163 

ao  (lilõ  alvará  de  lembrança  e  a  carta  que  Vasqueanes  Corte  Real  seu 
sogro  delia  tinha.  K  visto  seii  requerimento  com  o  dito  alvará  de  lem- 
brança de  que  a  cima  faz  menção,  certidão  de  justificação  e  a  doação 
(|ue  seu  sogro  da  dita  capitania  tinha  e  outro  sim  avendo  respei- 
to aos  muitos  e  mui  continuados  serviços  que  o  dito  dom  Christovam 
de  Moura  Corte  Real  me  tem  feitos  e  a  >  lugar  em  que  mos  fez  e  faz 
e  a  seus  merecimentos  e  por  uiiuto  folgar  de  lhe  fazer  mercê  como 
he  rezam  e  o  merece  ey  por  bem  e  me  i)raz  que  elle  tenha  e  aja  a  di- 
ta capitania  da  Ilha  Terceira  da  pai'le  dAngra  de  juro  e  herdade  pê- 
ra sempre  com  sua  jurdiçam  rendas  e  direitos  na  forma  e  mimeira 
eui  que  a  tiveram  e  pesuirão  o  dito  seu  sogro  Vasqueanes  Corte  Real 
e  as  pesoas  que  dante  delle  a  tiverão  e  possuirão  e  milhor  se  em  di- 
reito elle  tudo  pode  milhor  ter  e  aver,  e  mando  a  todos  os  correge- 
dores ouvidores,  juizes,  ofTiciaes  a  que  esta  carta  for  mostrada  e  o 
conhecimento  delia  pertencer  que  a  cumprão  e  guardem  e  façam  in- 
teiramente cumprir  e  guardar  como  se  nella  contem  sem  duvida  nem 
embargo  algum  por  quanto  por  esta  ey  por  metido  de  posse  real  e 
autoal  da  dita  capitania  a(»  dito  dom  Christovão  de  Moura  Corte  Real 
e  por  firmeza  de  todo  llie  mandei  dar  esta  carta  por  mim  assinada  e 
asellada  de  meu  sello  pendente  de  chumbo  a  qual  se  registará  no 
Livro  da  chancelaria  da  correição  das  ilhas  e  no  Livro  do  registo  da 
camará  da  cidade  dAmgra  e  de  como  se  assi  registou  se  pasarão  cer- 
tidões nas  costas  delia.  Dada  na  cidade  de  Lixboa  a  vinte  sete  dias 
do  mes  de  junho.  .Migel  da  Costa  a  fez.  anuo  do  nascimento  de  nos- 
so sõr  Jhu  xpõ  de  T  b'  e  Ixxxij  {lõ82)  António  Moniz  da  Fonsequa 
a  fiz  escrever. 

(Arch.  nac.  da  T.  do  T..  L.''  3:'  de  Doac.  de  Fdippe  I,  f.  246.) 


Doação  da  Alcaidaria  do  Castello  d' Angra,  e  da  da  ilha 
de  S.  Jorg"e  a  João  Vas  Corte  Real.  de  19  de  Maio  de 

1495. 

Lu  D.  Manoel  Regedor,  e  Governador  da  ordem  da  cavallaiia  de 
nosso  Senhor  Jesus  Christo,  Dnqiie  de  Reja.  Senhor  de  Viseo,  e  da  Co- 
vilhã, de  Viila  Viçosa,  Senhoi-  das  ilhas  da  Madeira,  e  ilhas  dos  Açores, 
e  Cabo  Verde,  condestavel  por  LI  Rei  nosso  Senhor  de  seus  Reinos  d. 
A  (luanlos  esta  minha  carta  virem,  Faço  saber,  que  J(jão  Vas  Corte 
Real,  Fidalgo  de  nossa  casa.  e  capitão  por  mim  da  ilha  Terceira  da 
parle  d  Angra,  e  d.i  minha  ilha  d(3  S.  .leorge.  me  disse  em  como  na 
carta  das  ditas  capitanias  (jue  de  mim  tem,  lhe  não  tenho  dailo  a  Al- 
caidaiia  mor  do  Castello,  que  está  feito  da  dita  parte  d"Angra:  nem 
da  dita  ilha  de  S.  Jorge:  nem  isso  mesmo  dos  direitos   das   ditas   Al- 


i64  AKCHIVO   DOS  AÇOHKS 

caidarias,  posto  que  elle  até  agora  este  nessa  posse  de  os  levar,  pe- 
dindo-me  por  mercê,  que  novameute  lho  outorgasse  todo.  E  visto  por 
mim  seu  requerimento,  querendo-lhe  fazer  graça  e  mercê,  lenho  poi- 
bem  e  lhe  faço  mercê  daqui  em  diante  das  ditas  Alcaidarias  mores,  e 
dos  direitos  delias,  e  assim  pela  maneira  que  elles  com  direito  e  jus- 
tiça se  devem  levar  nas  ditas  ilhas  para  elle.  e  para  todos  seus  hei- 
deiros,  e  descendentes,  pela  guisa,  e  maneira  (|ue  elle  de  mim  tem 
as  ditas  capitanias:  e  i>to  sem  embargo  de  nas  cartas  delas  ditas  Al- 
caidarias os  ditos  direitos  se  não  entenderem  lhe  pertencei,  e  ficaiem 
de  fora.  E  porem  mando  aos  meus  Almoxarifes  das  ditas  ilhas,  que 
admittam  de  posse  das  ditas  Alcaidarias  mores,  e  dos  ditos  direitos 
delias,  e  elles  e  os  moradores  das  ditas  capitanias,  e  qnaesquer  ou- 
tros a  quem  esta  pertencer  lho  deixem  todo  têr,  e  haver,  e  possuir 
assim  como  por  direito  devem  e  sem  lhe  nisso,  e  em  outras  porem  du- 
vida, nem  embargo  algum.  E  para  guarda,  e  firmeza  dello  lhe  dei  es- 
ta carta,  assignada  por  mim  e  assellada  com  o  sello  de  minhas  armas. 
Dada  em  Évora  a  19  dias  do  mez  de  .Maio.  João  da  Eonceca  o  fez, 
anno  do  Nascimento  de  Nosso  Senhor  Jesus  Chrislo  de  1495.  O  Du- 
que. 

(Drummond — Anu.  da  Ilha  Toraira,  Tom.  I,  pag.   ^()\-  Edira/n- 
do  do  Livro  1."  de  Registo  da  Cawara  dAngm.  foi.  321.) 


Doação  da  alcaidaria  mor  da  fortaleza  de  S.  Sebastião 

na  cidade  d' Angra,  a  Manoel  Corte  Real. 

25  d^Outubro  de  1576. 

D.  Sebastião  por  graça  de  Deos  Hei  de  Portugal  e  dos  Algarves. 
daquem  dalém  mar  de.  Ac.  Faço  saber  aos  que  esta  minha  carta 
virem,  que  havendo  respeito  aos  serviços  que  me  tem  feito  .Manoel 
(lorte  Real  do  meu  conselho,  capitão  da  capitania  da  cidade  dAngra 
da  ilha  Teiceira  e  aos  que  aos  reis  destes  reinos,  meus  anlecesores 
fiseram  a(|uelles  de  quem  elle  descende  e  por  folgar  de  lhe  faser  mer- 
cê: Hei  por  bem,  e  me  praz  de  lhe  faser,  como  de  feito  por  esta  pre- 
sente carta  faço.  doação  e  mercê  da  alcaidaria  mor  da  fortalesa,  que 
se  ora  por  meu  mandado  faz  na  dita  cidade,  para  defensão  do  porto 
delia:  da  qual  alcaidaria-mor  lhe  assim  faço  mercê  para  elle,  e  para 
seus  herdeiros,  filhos  e  successores  a  que  por  bem  de  sua  doação  vier 
a  successão  da  dita  capitania  da  cidade  dAngra:  para  que  a  dita  al- 
caidaria-mor ande  juntamente  com  a  dita  capitania  no  successor  delia: 
e  e,u  mandei  dar  o  regimento  delia  ao  dito  Manoel  Coite  Real  da  ma- 
neira que  ha-de  ter  na  guarda  e  defensão  da  dita  fortalesa;  da  qual 
me  elle  e  seus  successores,   que  succederem  na  dita  capitania-mor 


ARCmVO  DOS  AÇORES  105 

farão  preito  e  menagem,  segiindí»  foro  e  costume  (3e  meus! Reinos.  E 
portanto  mando  ao  corregedor  das  ilhas  dos  Açores,  e  ao  piovedor 
das  ditas  ilhas,  (inal(|uei'*delles,  (|ue  com  esta  minha  carta  fòr  ref|ne- 
rido,  (jue  mostrando  o  dito  Manitel  (j\\\e  Real  nas  costas  delia  certi- 
dão de  Miguel  de  Moura  do  meu  conselho,  e  tneu  secretario,  de  co- 
mo me  tem  dada  a  dita  menagem,  na  maneira  que  dito  é,  lhe  dem  a 
posse  da  dita  alcaidaria-mor.  e  cumpram  e  guardem  inteiramente  es- 
ta carta  como  se  nella  contem,  a  qual  se  registará  no  livro  de  meus 
próprios  da  contadoria  da  dita  cidade  dAngra.  e  no  da  camará  delia, 
para  pelos  ditos,  registos  se  ver  e  saber  como  tenho  feito  esta  mercê:  e 
por  firmeza  dello  lhe  mandei  dar  esta  carta  por  mim  assignada,  e  as- 
sellada  do  meu  sello  pendente.  Gaspar  de  Seixas  a  fez  em  Lisboa  a  25 
dOutubro  do  anuo  do  nascimento  de  nosso  Senhor  Jesus  Christo  de 
loTG.  Jorge  da  Costa  a  fez  escrever.  Rei  =  D.  Manoel  de  Portugal. 
(Drummíjud— i4/?/í.  da  Ilha  Terceira,  Tom.  I,  p.  CGO.) 


A  Tença  a  D.  Joana  da  Silva. 

a  Fez  em  10  de  Setembro  \lò24)  mercê  a  Dona  Joana  da  Sylva  mo- 
Iher  de  Vasqueaiies  Cortereal,  Veador  que  foy  de  el-Rey  Dom  Ma- 
noel, de  duas  mil  coroas  de  tença. —  vai  cada  coroa  120  reis:  são 
240íí5iOOO  reis... 

(Anuaes  de  D.  João  IH.  por  Fr.  Luiz  de  Sousa  — pag.  IM.) 


Mercês  a  Manoel  Corte  Real. 

«A  seu  fdho  Manoel  Coitereal,  confirnjação  da  saboaria  preta  e 
branca  das  ilhas  Terceyias  em  15  de  Setembro.»  {1524) 

«Em  2  d'Abril  {1527)  carta  a  Manoel  Corte  Real  de  toda  a  fazen- 
da que  foy  de  Pêro  de  Góes  da  Ilha  Terceyra,  que  perdeo  por  matar 
sua  mulher  (1)  mal  e  como  não  devia.» 

[Annaes  de  I).  João  3°,  por  Fr.  Luiz  de  Sousa.  pag.  Il'i  e  208.) 


(t)  Iria  Corto  |{cal,  (illia  de  .lofio  Vaz  Corlc  Heal  o  Maria  Ahaiva. 


[66  ARCHIVO  DOS   AÇOUES 


Carta  de  22  de  Maio  de  1534,  dando  licença  a  Vasco  An- 
nes  Corte  Real  para  fazer  um  pisão  em  Ang-ra,  ape- 
sar da  opposição  de  Joanna  Dias. 

Dom  Joliam  ele.  A  qiiamlos  estn  minha  carta  virem  faço  saber 
que  Vasquo  Anos  Corte  Reall  do  meu  consellio  m  enviou  dizer  que  el- 
le  he  capitam  da  Ilha  Terceira  da  parle  (lAmgra  e  tem  os  direytos 
dos  moynhos  que  se  fazem  e  sam  feylos  em  húa  ribeira  que  per  a 
dita  villa  dAmgra  pasa  e  por  (jue  na  dita  vilia  avia  huu  pisam  de  hua 
Joana  Diaz  e  seus  tilhos  e  o  dito  pysam  não  abastava  ao  pitvo.  elle  so- 
pricante  niandou  fazer  na  (hta  Uibeyra  outro  pysam  e  tendo  ja  muyta 
parte  feyla  a  dita  Joana  Diaz  lhe  veio  com  embargos  dizendo  que  ho 
nam  podia  fazer  por  que  lhe  fazia  nojo  e  também  por  que  era  julga- 
do pela  dita  ribeira  nam  fizesse  alguém  nada  sem  licença  do  meu  al- 
moxarife e.sem  licença  do  ca[)ilam  e  (jne  elle  sopricante  nam  tinha 
minha  licença  por  o  que  nam  [)odia  fazer  o  dito  pysam  e  ipie  vistos 
seus  embargos  em  relaçam  se  julgou  (jue  visto  como  o  dito  pysam  e- 
ra  necessário  á  villa  que  elle  sopricante  o  fisese  e  onvese  primeiro 
licença  minha  pêra  o  fazer  e  poique  os  direitos  das  moendas  da  dita 
villa  sam  delle  sopricante  como  capitam  e  o  dito  pisam  (\)  he  muy 
necesaryo  e  tem  ja  iielle  feylu  miiyUi  gashj  me  pedia  por  mercê  que 
lhe  dese  licença  pêra  o  fazer  acabar  por  salysfazer  ao  regimento  e 
sentença  que  dyz  que  se  nam  posa  fazer  cousa  alguma  na  ribeira  sem 
licença  do  meu  almoxarife  e  do  capitão  e  visto  per  mim  seu  dizer  e 
pedir  e  asy  a  dita  sentença  que  perante  mim  apresentou  ey  por  bem 
e  me  praz  de  lhe  dar  e  de  feylo  dou  licença  que  possa  fazer  o  dito 
pysam  conforme  a  dila  sentença:  notefico  asy  aos  Juizes  e  oficiaes  da 
dita  villa  e  ao  corregedor  das  Ilhas  dos  Açores  e  a  todalas  outras 
Justiças,  oficiaes  e  pesoas  a  que  esta  mintia  carta  foi-  mostrada  e 
mando  que  asy  a  cumpra.  Dada  em  a  cidade  dEvora  aos  xxij  {22  i 
do  mes  de  mayo  anno  do  nacimento  de  nosso  senhor  Jhu  xpõ  i  Chrís- 
fo)  de  myll  b''  xxxiiij  (InSé)  annos. 

{ArclL  nac.  da   f.  do  T..  Lir.  20  de  Doar.  dr  I).  João  III,  f.  108.  > 


Provisam   de   12  cVAgosto  de   1534,   a  pedido  de  Vasco 
Annes  Corte  Real,  sobre  os  poderes  dos  Correg-edores. 

Dom  Joham  etc.  Faço  saber  a  vos  meu  correged'tr  couí  alçada  nas 
ilhas    dos  açores   na    correiçam   da  ilha  Terceira    que    Vasco    Anes 


(1)  O  rogislo  Icm  por  eiifjiiiiu)— /j/7rí/«. 


ARCHIVU   DOS   AÇOHES  167 

Coite  Heíil  capitam  da  flita  Ilha  da  paite  d.Vmgra  me  enviou  di- 
zei' que  ell  Rey  meu  senhor  e  |)adre  (\ue  samta  gloria  aja  pasara  hua 
provisam  pêra  os  corregedores  das  Ilhas  dos  açores  per  que  lhes 
mandava  (|iie  estamdo  na  capitania  dAmgra  nom  sospendesem  o  ou- 
vidor da  capitania  da  Praya  que  era  na  mesma  Ilha  e  (jue  hyndo  de 
hua  capitania  pêra  houtra  nain  levasem  os  ÍTeytos  comsiguo  nem  re- 
vesem  os  ÍTeytos  que  per  os  houvidores  dos  capitães  fosem  fymdos 
sem  meu  especiall  mandado  [)edindome  lhe  fizesse  mercê  doutra  tall 
provisam  pêra  vos  e  visto  seu  requerimento  e  asy  a  forma  da  dita 
provisam  de  que  foy  mostrado  o  irellado  em  publica  forma  ey  por 
bem  e  vos  mando  asy  a  vos  como  aos  corregedores  que  hapos  vos  ás 
ditas  Ilhas  em  correigam  forem  e  quando  na  dita  Ilha  Terceira  este- 
verdes  por  quamio  nella  ha  duas  capitanias  que  estando  na  capitania 
da  Praya  nam  conheçaes  dos  feytos  e  cousas  outras  da  capitania  dAm- 
gra nem  sospendaes  o  dito  capitam  nem  seu  lioiividor  de  sua  jurdi- 
çam  nem  façaes  hyr  a  vos  hos  feytos  ssalvo  estamdo  na  dita  capitania 
dAmgra  por  quanito  por  fazer  mercê  ao  dito  capitam  e  escusar  opre- 
sam  ao  [)ovo  o  ey  asy  por  bem  e  esto  em  quamio  eu  outra  cousa  nam 
mandar  em  contrario.  Fernam  da  Custa  a  fez  em  Évora  a  xij  ii2;  dias 
d_agosto,  .inno  do  nacimento  de  noso  sõr  Jhu  xpõ  {Jesus  Christo)  de 
j~  b*^  e  xxxiiij  {1034.) 

{Arch.  nac.  da  T.  do  T..,  Lir.  20  de  Doaç.  de  D.  .Mo  III,  f.  136.) 


CAPITANIA  DA  ILHA  DE  S.  JORGE 

Alvará  de  20  de  Janeiro  de  1559.  isentando  de  exame  os 
Ouvidores  do  Capitão  da  Ilha  de  S.  Jorge. 

Ku  el  Kei  faço  saber  a  quantos  este  meu  allvara  virem  que  por 
alguns  justos  respeitos  que  me  a  iso  movem  ey  por  bem  e  me  praz 
que  o  ouvidor  que  Manoel  Corte  Real  do  meu  conselho  e  Capitão  da 
Ilha  de  são  Jorge  tiver  posto  ou  daquy  em  diante  poser  na  ilha  posa 
nella  servir  o  dito  oficio  de  seu  ouvidor  posto  que  não  seja  examina- 
do pelos  desembarguadore^  do  pago  sem  embarguo  da  provisão  que 
el  Rey  meu  senhor  e  avô  que  Santa  Ciioi  ia  aja  pasou  per  que  ouve 
por  bem  e  mandou  que  os  ouvidores  dos  capitães  das  ilhas  fosem  ex- 
aminados pelos  ditos  desembarguadores  do  paço.  e  isto  em  quanto  o 
eu  ouver  por  bem  e  não  mandar  o  contrario:  iioteficoo  asy  ao  Rege- 
dor da  casa  da  suplicação  e  ao  governador  da  casa  do  civH  c  a  todos 


168  ARCHIVO  DDS  AÇORES 

meus  desemberguadores  e  a  quaestjuer  outros  oficíaes  e  pesoas  a  que 
o  conhecimento  desto  pertencer  e  lhes  mando  que  deixem  servir  o  di- 
to seu  ouvidor  na  dita  ylha  e  usar  inteiramente  de  sua  ouvidoria  pos- 
to que  pelos  (Mtos  meus  desemharguadores  do  paço  não  seja  examina- 
do sem  embarguo  da  dita  provisão  e  em  quanto  eu  ouver  por  bem  e 
não  mandar  o  contrario  como  acima  he  declarado  sem  niso  lhe  ser 
posta  duvida  nem  embarguo  allgum  por  que  asy  he  minha  mercee  e 
este  (piero  que  valha  tenha  força  e  viguor  como  se  fose  carta  feyta 
em  meu  nome  asynada  per  mim  e  asellada  do  meu  sello  pendente 
sem  embargo  da  ordenação  di)  :2."  livro  til."  :20  que  diz  ipie  as  cou- 
sas cujo  efeyt(»  ouver  de  durar  mais  de  hum  ano  pasem  per  cartas  e 
pasando  per  allvaras  não  valhão.  António  dAgyar  o  fez,  em  Lixboa  a 
XX  (20)  dias  de  Janeiro  de  b*"  lix  {1559)  Pêro  Fernandez  o  fez. 
(Arch.  nac.  da  T.  (h  T..  Lir.  7.°  fins  Privil.  dr  D.  Srh.,  f.  224.) 

Os  docuniontos  relativos  ;'i  í>apit;iiii;i  do  S.  .Inri>r,  cstiirn   impressos  no  Vol. 
III  d'este  Archiio. 


CAPITAMA  DA  PRAIA 


Doação  da  Capitania  da  Praia,  a  D.  Christovão  de  Mou- 
ra, de  14  de  agosto  de  15S2. 

Dom  Philippe  etc.  faço  saber  aos  que  esta  rainha  carta  virem  que 
por  parte  de  dom  Christovão  de  Moura  meu  gentil  homem  da  cama- 
rá de  meu  conselho  doestado  e  veedorde  minha  fazenda  me  foi  apre- 
sentado hii  meu  alvará  per  mim  assignado  perijue  lhe  fiz  mercê  da  ca- 
pitania da  villa  da  Prava  da  ilha  Terceira  por  estar  vaga  pêra  miidia 
coroa  per  falecime4ito  de  Antão  Maitins  Homem  (jue  delia  foi  o  derra- 
deiro capitão  e  ultimo  possuidor  por  delle  não  ficar  filho  varão  que 
na  dita  capitania  o  succedesse  e  assi  me  foi  apresentado  o  Ireslado 
lie  Ima  carta  de  doação  delRei  dom  João  meu  senõr  que  santa  gloria 
aja  per  que  Cí)nfirmou  a  dita  capitania  da  villa  da  Praya  ao  dito  An- 
tão .Marlinz  tirado  do  Livro  do  Registo  da  chancellaria  da  ordtmi  de 
Nosso  Senhor  Jhu  Xp.°  por  José  iFAbreu  escrivão  delia  e  assynada  pe- 
lo doutor  Belchior  do  Amaral  do  meu  conselho  meu  desembargador 
do  paço  corregedor  de  minha  corte  e  chanceller  da  dita  ordem  da  quall 
alvará  e  carta  o  Ireslado  he  o  seguinte  : 

Eu  El  Rey  faço  saber  aos  que  este  alvará  virem  (pie  avendo  respei- 
to aos  muitos  e  mui  continuados  serviços  que  me  tem  feitos  dom  Chris- 
tijvão  de  Moura  meu  gentil   homem   da   camará    do  meu  conselho  do 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  169 

oslado  0.  vedor  de  minha  fazenda  e  aos  seus  muitos  merecimentos  em 
todas  -as  cousas  de  que  o  encarreguey  e  especialmente  nas  que  tocão 
a  estes  reinos  assi  do  tempo  que  foy  meu  embaixador  nelies  como 
depois  que  tomey  a  posse  fleles  fazendo  e  procurando  tudo  o  que 
lhe  mandei  pêra  beneficio  dos  mesmos  Reinos  de  que  me  tem  dado 
aquella  boa  conta  que  eu  delle  esperava  conforme  a  grande  confiança 
que  delle  lenho  e  ao  muito  contentamento  que  sempre  tive  de  sua  pes- 
soa e  serviço  pellos  quaes  he  razão  que  receba  de  mim  mercê  e  por  mui- 
to folgar  de  lhe  fazer,  avendo  lambem  respeito  aos  que  oje  em  dia  me 
faz  e  aos  que  espero  que  ao  diante  me  faça  e  pella  boa  vontade  de  que 
por  tudo  lhe  tenho,  me  praz  e  ei  por  bem  de  lhe  fazer  mercê  da  capita- 
nia da  vila  da  Praya  da  ilha  Teceira  (]ue  ora  está  vaga  pêra  minha  co- 
roa de  juro  pêra  sempre  pêra  elle  e  para  todos  seus  descendentes  se- 
gundo forma  da  doação  que  da  dita  capitania  tinha  o  derradeiro  pos- 
suidor delia  e  da  lei  mental  nos  casos  em  que  ella  conforme  a  dita 
doação  pode  e  deve  ter  lugar  da  qual  capitania  lhe  mandarei  passar 
outra  tal  doação  em  forma  e  ijuero  e  me  praz  que  este  valha  lenha 
força  e  vigor  como  se  fosse  carta  começada  em  meu  nome  passada  por 
minha  chancellaria  e  selada  do  meu  sello  sem  embargo  da  ordenação 
2."  livro  titolo  XX  (20)  que  defende  e  manda  que  não  valha  alvará 
cujo  efeito  aja  de  durar  mais  de  hQ  anno  e  de  todas  as  clausulas  de- 
la e  valera  outro  sim  posto  que  não  seja  pasada  pela  dita  chancelaria 
sem  embargo  da  ordenação  do  dito  2.°  L.^que  o  contrario  dispõe.  Lopo 
Soares  o  fez  em  Lisboa  a  iij  (3)  de  desembro  de  mil  b*^  e  Lxxxj 
(1Õ81)  {*) 

Pedindome  o  dito  Xpovão  ( Christovam)  de  Moura  ouvesse  por  bem 
de  lhe  mandar  passar  carta  de  doação  da  dita  capitania  da  Praya  de 
que  pello  dito  alvará  liesta  incorporado  lhe  tinha  feito  mercê  e  visto 
per  mim  seu  requerimento  e  o  dito  alvará  e  respeitos  nelle  declara- 
dos per  que  lhe  fiz  a  dita  mercê  que  me  são  tão  presentes  como  he 
rezão  e  por  muito  folgar  de  por  tudo  lhe  fazer  mercê  de  meu  próprio 
motu  poder  real  e  absoluto  me  praz  e  ei  por  bem  de  lhe  fazer 
mercê  da  dita  capitania  da  Praia  pêra  elle  e  pêra  todos  seus  descen- 
dentes e  successores  barões  lidimos  per  linha  direita  mascullina  se- 
gundo forma  da  ley  mental  assi  e  da  maneira  que  se  contem  na  dita 
provisão  e  na  dita  carta  nesta  incorporada  que  he  conforme  a  doação 
que  o  dito  dom  Xpovão  iChristovam)  de  mim  tem  da  capitania  da  di- 
ta ilha  Terceira  da  parte  de  Angra  e  como  por  ella  a  tinha  o  dito  An- 
tão Miz  {Martins)  per  cujo  falecimento  ficou  vaga  pêra  minha  coroa  e  mi- 
Ihor  se  com  direito  milhor  poder  ser  e  encommendo  e  rogo  aos  reis 
meus  successores  que  em  tudo  a  mandem  sempre  comprir  e  guardar  a- 
si  e  tão  inteiramente  como  nela  se  contem  e  mando  ao  corregedor  das 

(•)  Este  alvará  foi  publicado  por  Druinmond  na  Mem.  Hist.^  da  Villa  da  Praia 
p.  35,  extrahido  do  L."  l  do  Registo  da  Camará  da  referida  villa. 

N.*^  20  -Vol.  IV— 1882.  10 


170  ARCHIVO    DOS    AÇORES 

ilhas  dos  Açores  e  aos  juizes  e  vereadores  e  procurador  da  villa  da 
Praya  e  das  camarás  dos  outros  lugares  da  capitania  delia  e  assi  a 
todos  os  officiaes  e  pessoas  a  que  o  conhecimento  pertencer  que  ao 
dito  Dom  Christovão  ou  a  pesoa  que  pêra  isso  tiver  sua  bastante  pro- 
curação dem  logo  a  posse  da  dita  capitania  da  vila  da  Praia  com  to- 
das as  jurdições  foros,  rendas  e  direitos  que  por  esta  carta  lhe 
pertencem  de  que  se  farão  os  assentos  necessários  a  qual  se  regista- 
rão (sic)  nos  livros  da  correição  da  dita  ilha  e  das  comarcas  da  dita 
capitania  de  que  os  officiaes  a  quem  pertencer  passareis  suas  certi- 
dões nas  costas  delia  pêra  em  todo  tempo  se  saber  como  assi  lhe  te- 
nho feito  esta  mercê  e  mando  a  tf^dos  os  fidalgos  cavaleiros  escudei- 
ros homens  bõos  e  povo  da  dita  villa  da  Praya  e  dos  outros  lugares 
da  capitania  delia,  que  ajão  ao  dito  dom  Xpovão  de  Moura  por  capitão  e 
lhe  obedeção  e  cumprão  inteiramente  seus  mandados  e  nos  casos  em 
que  são  obrigados  a  o  fazerem  que  hus  e  outros  cumprão  e  guardem 
inteiramente  esta  carta  como  nella  se  contem  a  qual  por  firmeza  de  tu- 
do lhe  mandei  passar  por  mim  asinada  e  sellada  com  o  meu  íello  de 
chumbo  pendente.  Dada  na  cidade  de  Lixboa  a  xiiij  {J4)  dias  do  mes 
dagosto.  Lopo  Soares  a  fez,  anno  do  nacimento  de  nosso  senhor  JhH 
xpõ  de  mil  b''  Ixxxij  {lõ82)  e  o  dito  alvará  incorporado  nesta  carta 
foi  roto  ao  assinar  delia  e  não  se  mostra  por  ella  que  fosse  regista- 
do em  parle  algua. 

(Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  Liv.  4.\  Doac.  de  Fdip.  I,  f.  72.) 


Alvará  para  se  dar  posse  das  capitanias  da  ilha  Tercei- 
ra. S.  Jorge  e  da  Praia   a  D.  Christovão  de  Moura 
Corte  Real,  de  1  de  Julho  de  1582,  com  uma  apos- 
tilha  de  21  de  Junho  de  1583. 

Eu  El-Rei  faço  saber  aos  que  este  alvará  virem,  que  D.  (Christovão 
de  Moura  Corte  Real,  meu  gentiltiomem  da  camará  do  meu  Conselho 
de  Estado  e  Vedor  de  minha  Fazenda,  me  enviou  a  dizer  que  eu  fize- 
ra mercê  a  D.  Margariíla  Corte  Real  filha  de  Vasque  Annes  Corte 
Real,  que  Deus  perdoe,  para  a  pessoa  que  com  ella  casasse,  das 
capitanias  da  cidade  d'Angra  da  ilha  Terceira  e  da  ilha  de  S.  Jor- 
ge, assim  e  da  maneira  que  as  tinha  e  possuia  o  dito  Vasque  Annes 
Corte  Real  seu  pae  por  suas  doações  com  a  qual  D.  Margarida  elle 
D.  Christovão  casara  com  minha  licença  e  eu  lhe  tinha  mandado  pas- 
sar cartas  de  doações  das  ditas  capitanias  em  seu  nome  e  que  assim 
fizera  mercê  a  elle  D.  Christovão  de  Moura  da  capitania  da  villa  da 
Praia  da  mesma  ilha  Terceira  que  estava  vaga  para  minha  coroa  pelos 
respeitos  declarados  na  provisão  por  que  lhe  fiz  a  dita  mercê,  e  que 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  171 

por  ora  estava  para  partii-  a  armada  que  mando  ás  ilhas  e  as  doações 
das  ditas  capitanias  se  não  podiam  acabar  a  tempo  que  pudessem  ir 
nella  e  lhe  era  necessário  mandar  tomar  posse  das  ditas  capitanias: 
e  para  arrecaiJação  das  rendas  delias  me  pedia  houvese  por  bem  de 
lhe  mandar  passar  provisão  para  lhe  ser  dada  a  dita  posse  para  as 
ter  e  possuir,  e  dentro  d  um  anno  appresentar  nas  ditas  ilhas  suas 
doaç,r)es:  e  havendo  eu  respeito  ao  que  assim  diz  e  por  muito  folgar 
de  lhe  fazer  mercê,  por  seus  muitos  serviços  e  merecimentos,  o  hei 
assim  por  bem  e  mando  ao  corregedor  das  ilhas  dos  Açores  e  aos 
juizes  e  vareadores  e  procuradores  da  cidade  d'Angra  da  ilha  Tercei- 
ra e  das  mais  villas  e  logares  da  dita  capitania,  e  assim  aos  juizes  e 
vereadores  das  villas  e  lugares  da  ilha  de  S.  Jorge,  e  ;i  quaesquer 
culras  justiças  e  officiaes-e  pessoas  a  que  o  conhecimento  desto  per- 
tencer, que  a  pessoa  que  com  este  meu  alvará  lhes  presentur  procu- 
lação  bastante  do  dito  D.  Christovão  de  Moura  Corte  Real,  dem  a 
posse  das  ditas  capitanias  da  cidade  dWngra  e  assim  da  ilha  de  S. 
Jorge  com  todas  as  suas  jurisdicções  rendas,  foros  e  direitos  assim  e 
da  maneira  que  todo  teve  e  possuio  o  dito  Vasque  Annes  Corte  Real 
seu  sogro  por  suas  doações  que  estão  registadas  nas  camarás  das 
ditas  capitanias,  e  conforme  a  ellas,  e  lhe  deixem  tudo  ter  e  possuir 
com  declaração  que  elle  apresentará  dentro  d'um  anno  as  doações 
das  ditas  ca[)itanías  e  as  fará  registar  nas  camarás  delias.  Pelo  mes- 
mo modo  hei  por  bem  e  mando  ao  dito  corregedor  e  aos  juizes  e 
vereadores  e  procuradores  da  villa  da  Praia  da  dita  ilha  Terceira  e 
mais  logares  da  dita  capitania  da  Praia  e  a  quaesquer  outras  justiças 
oíTiciaes  pessoas  a  que  pertencer,  que  á  dita  pessoa  que  mostrar  a 
a  procuração  bastante  do  dito  D.  Christovão  de  Moura  dem  a  posse 
delia  com  todas  suas  jurisdicções.  rendas  foros  e  direitos,  assim  e  da 
maneira  que  a  teve  e  possuio  o  derradeiro  capitão  que  foi  da  dita  ca- 
pitania por  suas  doações,  e  segundo  forma  delias  cujo  registo  authen- 
lico  se  apresentará  com  este  alvará  e  com  a  mesma  declaração  que 
dentro  d'um  anno  appresentará  a  doação  da  dita  capitania  e  a  fará 
registar  nos  livros  das  camarás  dello.  E  por  este  mando  a  todos  os 
fidalgos  cavalleiros  escudeiros,  homens  bons  e  pessoas  das  ditas  ca- 
pitanias da  cidade  d'Angra  e  villa  da  Praia  e  ilha  de  S.  Jorge,  que 
hajam  ao  dito  D.  Christovão  de  Moura  Corte  Real  por  capitão  delias 
e  lhe  obedeçam  e  cumpram  inteiramente  seus  mandados,  assim  e  da 
maneira  e  nos  casos  que  são  obrigados  fazer,  e  que  uns  e  outros 
cumpram  inteiramente  este  meu  alvará  como  nelle  se  contem,  posto 
quH  não  seja  passado  pela  chancelaria  nem  registado  em  livro  algum 
sem  embargo  da  ordenação  e  de  qualquer  regimento  ou  piovisão  que 
haja  em  contrario.  Lopo  Soares  o  fez  em  Lisboa  ao  primeiro  dia  do 
mez  de  Julho  de  1582— Rey— Hei  por  bem  e  mando  que  este  alvará 
se  cumpra  e  guarde  como  nelle  se  contem  posto  que  no  tempo  em 
que  se  houvera  de  apresentar  e  cimiprir  seja  passado:  e  oulrosim  hei 


172  AKCHIVO   DOS   AÇOKES 

por  bem  que  vindo  alguma  pessoa  com  embargos  a  se  dar  a  posse 
das  ditas  capitanias  jurisdições  e  direitos  reaes,  foros  e  mais  cousas 
pertencentes  as  ditas  capitanias,  que  sem  embargo  delles  mettam  em 
posse  ao  dito  D.  Christovão  de  Moura  ou  seu  procuradoí-  e  os  em- 
bargos com  que  vierem  a  dar  a  dita  posse  se  remetterão  ao  juizo  dos 
meus  feitos  da  Coroa,  porque  ouvidas  as  parles  se  determine  como 
for  justiça,  e  esta  postiiha  se  cumprirá  posto  que  não  passe  pela  chan- 
celaria sem  embargo  da  ordenação  do  2."  L."  til.  20,  que  o  contra- 
rio dispõe.  António  Moniz  da  Fonseca  o  fez  em  Escurial  a  XXI  i21'\  de 
Junho  de  M.  D.  L.  XXXIII  i  lõ83)  —  Rei  —Fedro  Barboza  —  Huy  de 
Matos  de  Noronha. 

(Drummond — Ann.  da  Ilha  Terceira,  Tom.  I,  pag.  lOi  -  Extraiu - 
(lo  do  Livro  i."  de  Registo  da  Camará  d' Angra,  foi.  8õ7.) 


Doação  e  confirmação  a  D.  Clirístovão  de  Moura  das  da- 
das dos  officios  de  tabeliães  nas  Capitanias  d'Ang'ra, 
Praia  e  Ilha  de  S.  Jorge,  de  3  de  Dezembro  de  1584 
e  de  16  e  17  de  Junho  de  1586. 

Dom  Filippe  por  graça  de  Deus  rei  de  Portugal  e  dos  Algnrves 
d'aquem  e  dalém  mar  em  Africa  senhor  de  Guiné  ele.  A  todos  os 
corregedores,  ouvidores,  juizes  e  justiças  e  ofllciaes  e  pessoas  de  meus 
reinos  e  senhorios  a  (jue  esta  minha  carta  lestemunhavel  for  appresen- 
tada  e  o  conhecimento  delia  com  direito  pertencer:  Faço  sal)er  que 
Dom  Christovão  de  Moura  Corte  Real  meu  gentilbomem  da  camará 
do  meu  conselho  de  estado,  veador  de  minha  fazenda,  me  enviou  di 
zer  por  sua  petição  que  eu  lhe  fizera  mercê  da  dada  dos  olTicios  e  da 
serventia  delles  na  Ilha  Terceira,  como  parecia  da  carta  e  |)OSlilha 
que  oíTerecia.  me  pedia  .lhe  mandasse  passar  em  carta  lestemunhavel 
para  a  mandar  por  vias  e  receberia  mercê,  como  tudo  mais  compri- 
damenle  na  petição  era  conlheudo,  e  vista  por  mim  a  dita  carta  e 
postiiha,  por  tudo  s°r  são  e  sem  vicio,  nem  borradura  nem  cousa 
que  duvida  faça,  por  mim  assignada  a  dita  carta  e  passada  por  minha 
chancellaria  e  com  o  sello  pendente  de  minhas  armas  reaes  em  chum- 
bo, mandei  passar  tudo  nesta  minha  carta  lestemunhavel  da  qual  (► 
treslado  de  verbo  a  verbo  é  o  seguinle: 

Dom  Filippe  por  graça  de  Deus  rei  de  Portugal  ele.  Faço  saber 
aos  que  esta  minha  carta  de  doação  virem  que  havendo  respeito  aos 
muitos  e  mui  continuados  serviços  qne  me  lem  feito  Dom  Christovão 
de  Moura  do  meu  conselho,  gentilbomem  da  camará,  veador  de 
minha  fazenda,  capitão  de  toda  a  Ilha  Terceira,  e  da  Ilha  de  São 
Jorge,  e  aos  seus  muitos  merecimentos  em  todas  as  cousas  de  que  o 


AHCIHVO  DOS  AÇOUES  I7){ 

encaneguei  e  em  que  delle  me  servi,  especialmente  na  quietação  des- 
tes mens  reinos,  assim  no  tempo  que  foi  meu  embaixador  nelles,  co- 
mo despois  que  tomei  a  posse  delles,  fazendo  e  procurando  tudo  o 
que  lhe  mandei  para  íjeneficio  dos  mesmos  reinos,  de  (jue  me  tem  da- 
do aquella  boa  conta  (jue  eu  delle  esperava,  conforme  a  boa  confian- 
ça que  delle  tenho,  e  ao  muito  contentamento  que  delle  sempre  tive 
de  sua  pessoa  para  calidíides  e  serviços  pelos  quaes  é  razão  (]ue  re- 
ceba de  mim  mercê,  e  por  muito  folgar  de  lha  fazer,  havendo  tam- 
bém respeito  aos  que  hoje  em  dia  me  faz  e  aos  que  espero  que  ao 
diante  me  faça  e  poi'  a  vontade  (jue  por  tudo  lhe  tenho  me  apraz  e 
hei  por  bem,  por  todos  estes  lespeitos  de  lhe  fazer  mercê,  como  de 
feito  lha  faço  por  esta  presente  carta,  (pie  elle  e  todos  seus  descen- 
dentes que  succederem  nas  capitanias  da  cidade  dAngra  e  da  villa 
da  Praia  da  dita  Ilha  Terceira  e  da  villa  da  Ilha  de  São  Jorge,  segun- 
do forma  das  ordenações  e  doações  que  delias  teiU;  possam  dar  e 
dêem  d"aqui  em  diante  para  sempre  nas  taes  capitanias,  os  ditos  oífi- 
cios  de  tabaliães  do  publico  e  judicial  e  escrivães  d'almotaçaria  e  ctui- 
tadores  dos  feitos  e  custas  e  inquiridores,  e  assim  poderão  dar  mei- 
rinhos damte  os  seus  ouvidores  que  isto  se  até  agora  o  costumou 
haver  nas  ditas  Ilhas,  aos  quaes  elles  capitães  delias  pagarão  á  sua 
custa  seu  mantimento  e  de  dois  homens  que  os  ditos  meirinhos  se- 
lão  obrigados  a  ter  para  os  a  companharem.  sem  para  isso  lhes  ser 
dado  de  minha  fazenda  coisa  aigmna.  e  também  poderão  dar  escri- 
vães dante  os  ouvidores,  e  assim  alcaides  da  dita  cidade  dAngra  e 
villas  da  Praia  e  São  Jorge  e  alcaides  do  mar  e  meirinhos  da  terra, 
e  isto  havendo  os  já  na  terra  e  doutra  maneira  não,  e  outro  sim  po- 
derão pôr  nos  ditos  logares  almoxarifes  e  escrivães  e  oíFiciaes  que 
lhe  arrecadem  as  rendas,  que  elles  capitães  tiverem  de  minha  coroa 
nas  ditas  capitanias,  e  não  outras  algumas,  e  isto  no  modo  e  maneira 
em  que  por  bem  do  regimento  de  minha  fazenda  se  arrecadam  e  exe- 
cutam e  as  rendas  que  a  elle  pei tencem  com  tal  declaiação  que  quan- 
do se  fizerem  os  arrendamentos  das  ditas  rendas  se  declare  aos  ren- 
deiros nas  esciiptmas  (|ue  se  lia  de  fazer  execução  nelles  contoime 
as  que  os  meus  Ihesoureiros  e  almoxarifes  fazem  pelas  dividas  que 
se  devem  á  minha  fazenda  os  (|uaes  olficiíts  atraz  declarados,  o  dito 
Dom  Christovão  e  os  capitães  seus  descendentes,  a  que  as  ditas  ca- 
pitanias vierem  segundo  forma  das  doações  delias,  darão  e  proverão 
para  sempre  como  dito  ê,  por  suas  cartas  feitas  em  seus  nomes  e  as- 
signadas  por  elles  ás  pessoas  que  (juizerem.  e  lhe  bem  |)aiecer.  sen- 
do aptas  para  as  servir,  sem  mais  se  virem  t^xaminar  nem  (irar  ou- 
tras de  minha  chancellaiia,  e  isto  em  qualijuer  modo  e  maneira  (jue 
os  ditos  oíTicios  vagarem  e  elles  lhes  darão  regimentos  por  onde  sir- 
vão,  que  serão  em  Indo  conformes  aos  (|ue  em  minha  chancellaria  se 
dão  aos  outros  similhantes  ofiiciaes  das  cidades  e  villas  de  meus  rei- 
nos e  seniiorios  e  assim  lhes  darão  juramenlc»  em  forma  que  bem  e 


I7i  AKCHIVO   nos  AÇOHES 

verdadeiramente  sirvão,  sem  mais  virem  jurar  na  dita  diancellaria, 
sem  embargo  da  ordenação  do  segundo  livro,  titulo  das  rainlias  e  in- 
fantas, (jne  manda  que  os  que  tiverem  poder  de  dar  os  ofíicios  os  não 
dêem  por  suas  cartas  e  assim  que  defende  por  almoxarifes,  por  que 
de  minha  certa  sciencia,  motu  próprio,  poder  real  e  absoluto,  a  hei 
[)or  revogada,  para  que  não  prejudique  em  coisa  alguma  a  esta  doa- 
ção, antes  quero  e  me  apraz  que  sem  embargo  da  dita  doação,  e  de 
quaesquer  outras  ordenações,  leis  e  direitos,  que  haja  em  contrario 
se  cumpra  esta  minha  doação  em  todo  e  por  todo,  tão  inteiramente 
como  nella  se  contem  posto  (jue  as  ditas,  ordenações,  leis  e  direitos 
sejam  taes  que  requeiram  fazer-  aqui  expressa  menção  e  derrogação 
delias,  sem  embargo  da  or^denação  do  segundo  livro,  titulo  quarenta 
e  nove.  que  diz  que  se  não  entenda  nunca  ser  derogada  ordenação 
alguma  se  da  substancia  delia  se  não  íizer  expi'essa  mensão  e  de- 
logação,  sem  embargo  que  dizenr  (|ue  a  geral  derogação  não  va- 
lha, e  outra  sim  me  apraz  e  hei  pur  bem  de  fazer  mercê  ao  dito 
Dom  Christovão  que  elle  e  seus  descenderrtes,  que  descenderem  nas 
ditas  capitanias  na  maneira  sobredita  possam  prover  d'aqui  em  di- 
ante os  serventiaes  dos  ditos  oífi^ios  acima  declarados  por  virtude 
desta  doação  e  a  dada  da  propriedade  e  isto  na  forma  em  que  os 
corregedor"es  das  camarás  dos  meus  reinos  o  podem  fazer,  conforme 
a  sua  pi"ovisão  que  o  senhor-  Dom  Sebastião  meu  sobrinho,  que  Deus 
tem,  sobre passou  e  que  terão  em  seu  poder,  o  ir^eslado  con- 
certado e  assignado  pelo  corregedor  das  ilhas  dos  Açores  a  quem 
mando  lho  dè  para  o  dito  etfeito,  notefico-o  assiru  a  lodos  os  meus 
desembargadores  e  ao  corregedor  e  contador  das  ditas  Ilhas  que  ora 
são,  e  ao  diante  forem  e  a  quaesquer  outras  minhas  justiças  e  oííi- 
ciaes  delias  a  (|ue  o  conhecimento  pertencer  e  mando-lhes  que  dei- 
xem ao  dito  Dt)in  (Christovão  e  a  seus  suecessor^es,  que  segundo  for- 
ma de  suas  (loações  succederem  nas  ditas  capitanias,  uzar  de  tudo  o 
que  aqui  é  declarado  nesta  carta  de  doação  e  lha  cumpram  e  guardem 
e  façam  inteiramente  cumprir  e  guardar  como  nella  se  contem  senr 
a  isso  ser  posto  duvida  nem  embargo  algum,  por  que  assim  é  minha 
mercê  e  ser-á  registada  no  Livro  da  Gamara  da  cidade  dAngra  e  da 
ilha  de  São  Jorge  pelos  escrivães  d'ellas  de  quem  elles  passarão 
suas  certidões  nas  costas  e  por  firmesa  de  tudo  o  que  dito  é  lha 
mandei  dar  por  mim  assignada,  [)assada  por  minha  chancellaria,  e  se- 
lada do  meu  selo  de  chumbo.  Lopo  Soares  a  fes  em  Lisboa  ao  pr'i- 
meir-o  dia  do  mez  de  novembr-o,  anno  do  nascimento  de  nosso  se- 
nhor- Jesus  Chiisto  de  mil  quirrhentos  oitenta  e  quatro.  EIrei. — Miguel 
de  Mouia,  Simão  Gonçalves  Preto.  Pagou  cincoenta  e  trez  mil  reis, 
em  Lisb  )a  a  treze  de  desembro  de  (juinhentis  oitenta  e  quatro  e 
aos  officiaes.  somente  onze  mil  e  sete  centos  e  dois  reis.  Gaspar  Mal- 
donado. 

Hei  por-  bem  e  me  apraz  por  fazer  merxê  a  Dom  Ghristovam  de 


AHCHIVO  DOS  AÇOHKS  175 

Moiira,  pelos  respeitos  a  cima  declarados,  qiie  estando  elle  ou  sens 
successores  ausentes  das  ditas  Ilhas,  as  pessoas  que  por  elle  ou  seus 
descendentes  servirem  de  capitães  nellas  possam  prover,  os  ditos 
ofíicios,  as  serventias  delles  que  vagarem  nas  ditas  ilhas,  pelo  mes- 
mo modo  que  elle  ou  seus  descendentes  os  poderão  prover  se  es- 
tiveram presentes  nas  dilas  ilhas  confoime  ao  que  está  declarado 
nas  dilas  doações  e  esta  [)ostilha  me  apraz  que  valha  e  lenha  força  e 
vigor  como  se  fosse  carta  feita  em  meu  nome  e  por  mim  assignada  e 
passada  por  a  minha  chancellaria  e  posto  que  por  ella  não  seja  pas- 
sada sem  embargo  da  ordenação  do  2."  livro  que  o  contrario  dispõe. 
Roque  Vieira,  a  fez  em  Madrid  a  desaseis  de  junlio  de  mil  quinhen- 
tos outenta  e  seis.  EIrei.  Pedro  Barboza,  Rny  de  Maios  ele. 

E  visto  tudo  por  mim  a  dita  carta  sem  vicio,  nem  boriadura.  nem 
cousa  duvidosa  e  por  mim  assignada  e  com  o  sello  pendente  das  mi- 
nhas armas,  a  mandei  passar  nesla  minha  caita  testemunhavel,  á 
qual  mando  se  dè  Ião  inteira  fé  e  credito,  quanto  com  direito  se  de- 
ve dar  a  própria  doação  e  partilha,  que  mando  que  seja  registada  no 
livro  das  camarás  a  donde  cimiprir,  e  nas  costas  se  passará  certidão 
dos  ditos  registos  do  que  não  haverá  duvida  nem  cítntradição  por 
quanto  assim  o  hei  por  bem.  Dada  nesta  minha  cidade  de  Lisboa 
aos  dezasete  dias  do  mez  de  junho  de  mil  quinhentos  oitenta  e  seis. 
EIrei  nosso  senhor  o  ujatidou  pelo  doutor  Paulo  Coelho,  fidalgo  de 
minha  casa.  desembargador  e  corregedor  com  alçada  dos  feitos  e  cau- 
sas eiveis  em  sua  corte  e  casa  da  supplicação,  eu  Luiz  Lopes  o  fiz 
no  oíTicio  de  Francisco  Ribeiro.— Anno  do  !)ascimento  de  nosso  se- 
nhor Jesus  Christo  de  mil  quinhentos  oitenta  e  seis.  Pagou  duzentos 
reis.— Paulo  Coelho. 

[Copia  do  Dr.  João  Teixeira  Soares,  Torre  do  Tombo.  L."  11  foi. 
70  das  Confirmações  Geraes.) 


Posse  da  Capitania  da  ilha  de  S.  Jorge  a  D.  Manoel  de 
Moura  Corte  Real,  aos  24  de  Julho  de  1615. 

Anno  do  nascimento  de  nosso  senhor  Jesus  Christo  de  mil  e  seis 
centos  e  quinze  annos,  aos  vinte  e  quatro  dias  do  mez  de  jjilho  do 
dito  anno.  nesta  villa  das  Velas,  desta  Ilha  de  São  Jorge,  na  camará 
da  dita  villa,  estando  ahi  juntos  os  ofliciaes  da  dila  camará  a  saber. 
os  juizes  ordinários  André  Dias  Boto,  e  Manoel  Pereira  de  Lemos  e 
os  vereadores  António  Pires  Elorese,  António  Pereira  Simões  e  o  pro- 
curador do  concelho  Barlholomerr  Dias  Penalva  e  o  |)rocrrrador'  dos 
misteres  Pêro  Lorrrenço,  e  sendo  assim  tambinn  presentes  o  capilfu» 
mór  Antorrio  Garcia  Sarmento  e  o  ouvidor  .^ccidai  v  alni(»xai  ilc    João 


176  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

Teixeira  e  o  capitão  da  artelharia  Manoel  AíToiíso  Barreiros  e  outras 
pessoas  da  governança  da  terra  abaixo  assignadas,  iogo  alii  apareceu 
Gaspar  de  Freitas  da  Costa  cavalleiro  fidalgo  da  casa  de  sua  mages- 
tade  e  seu  capitão  do  numero,  em  nome  e  como  procurador  bastan- 
te do  senhor  Dom  Manoel  de  Mom-a  Corte  Real.  conde  de  Lumiares 
commendador  mór  da  ordem  de  Alcanlar;i,  como  constou  de  uma  bas- 
tante procuração  que  appresenlou  e  requereu  aos  ditos  oíTiciaes  que, 
conforme  a  doação  que  appresentava.  tinha  sua  magestade  feito  mer- 
cê ao  dito  senhor  conde  da  dita  capitania  desta  ilha  que  vagou  por 
fallecimento  do  senhor  Dom  Christovam  de  Moura,  marquez  de  Gas- 
tello  Rodrigo,  seu  pae  que  santa  gloria  haja  como  da  dita  doação  ma- 
is largamente  constava,  pelo  f]ue  pedia  e  requeria  aos  ditos  officiaes 
lhe  dessem  posse  da  capitania  desta  ilha,  em  nome  do  dito  senhor 
conde,  conforme  a  dita  doação,  assi  e  da  maneira  que  a  tiveram  e 
possuíram  os  capitães  passados  seus  antecessores  e  visto  pelos  ditos 
officiaes  a  dita  doação  e  procuração,  mandaram  que  em  tudo  se  cum- 
prisse, e  logo  deram  a  posse  da  dita  capitania  ao  dito  Gaspar  de  Frei- 
tas da  Costa  com  loda^í  suas  jurisdições,  libeidades  e  direitos  assim 
e  da  maneira  que  se  contem  na  dita  doação  e  tiveram  os  capitães 
passados  e  melhore  se  com  direito  a  poder  haver,  e  para  mais  cor- 
loboração  e  firmeza  da  dita  posse  lhe  deram  logo  na  dita  camará 
o  primeiro  log  ir  e  o  houveram  por  impossado  nelle  e  em  todos  os 
mais  direitos  e  jurisdições  (|ue  por  respeito  da  dita  doação  podia  ter 
e  haver  na  dita  capitania  a  qual  posse  e  logar  o  dito  Gaspar  de  Frei- 
tas da  Costa  acceitou  em  nome  e  como  procurador  do  dito  senhor 
conde  seu  ('onstituinte,  de  que  de  tudo  mandaram  fazer  este  auto  de 
posse  que  lhe  deram  e  tomou  sem  contradicção  de  pessoa  alguma 
em  que  assignaram  os  ditos  ofliciaes  com  o  dito  Gaspar  de  Freitas 
da  Costa,  estando  presentes  por  testemunhas  Melchior  Barreiros,  o 
moço.  e  Francisco  Fernandes  Balieiro  e  Constantino  Paes  escrivão  do 
almoxarifado,  que  assignaram  c^jtn  as  mais  pessoas  da  governança 
ipie  foram  a  tudo  presentes  e  maniarain  que  a  dita  procuração  e  a 
doação  >e  registasse  no  livro  desta  camaia  para  (]ue  a  todo  o  tempo 
constasse  delle  tudo.  E  eu  .loão  Dias  da  Bica  escrivão  da  camará  o 
escrevi  e  assignei.  João  Dias  da  Bica.  Gaspar  de  Freitas  da  Costa, 
André  Dias  Boto,  Manuel  Pereira  de  Lt^mos,  António  Pereira  Simões, 
António  Pires  Floies,  João  Teixeira,  Anlonio  Garcia  Sarmento,  Ma- 
nuel AfTonso  líarreiros.  BarlholDmeu  Dias  Penalva,  Pêro  Lourenço. 
Melchior  Barreiros.  Francisco  Fernandes  Balieiro,  António  Gonçalves, 
Contador,  Simão  Marques  Cardozo. 

A  procuração  a  ([ue  se  refere  o  documento  supra,  assignada  pelo  Conde  o 
Condessa  de  f^uiniar,  foi  feita  em  Lisboa  a  'i  íTAbril  de  lOi,')  por  Gonçalo  de 
Sousa. 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  17" 


Rendas   do  marquez  de  Castello  Rodrig-o,  doadas  a  seu 
sobrinho  D.  Luiz  de  Portugal.  Alvará  de  8  d'Ag'osto 

de  1651. 

Eu  Kl-Rei  faço  saber  aos  que  este  alvará  virem,  que  havendo  res- 
peito ao  que  se  me  representou  por  parte  do  Conde  de  Vimioso  meu 
muito  amado  Sobrinho,  Gentil  homem  da  camará  do  principe  meu 
muito  amado  e  presado  filho,  almeirante  destes  reinos,  filho  do  mar- 
•|uez  d' Aguiar,  que  foi  do  meu  conselho  doestado,  á  cerca  de  lhe  con- 
ceder a  administraçam  das  rendas  e  bens  do  marquez  do  Castello 
Rodrigo  seo  lio  ausente  em  Castella:  e  respeitando  a  boa  vontade,  que 
tenho  ao  dito  Conde,  e  aos  serviços  e  merecimentos  do  dito  seu  pae: 
Hei  por  bem  de  lhe  fazer  mercê  delia,  e  que  logre  em  sua  vida  tudo 
o  que  'resultou  da  dieta  administraçam,  pagando  todos  os  encargos 
delia,  e  mercês  que  estam  feitas  a  algumas  pessoas  sobre  as  mesmas 
rendas,  com  declaraçam  que  nam  entrarão  nesta  administraçam  os 
juros,  tensas  e  commendas,  nem  a  Quint.i  de  Queluz,  e  seos  casaes, 
nem  as  casas  do  Corte  Real,  nem  a  capella  mór  do  Convento  des- 
ta cidade  com  todas  as  pertenças  de  cada  uma  das  dietas  cousas: 
nem  o  dinheiro  que  os  Religiosos  do  dito  convento  tiverem  recebido 
a  esta  conta,  como  já  na  dita  administraçam  que  tinha  concedido  ao 
dito  marquez  seu  tio  se  tinha  expressado.  Pelo  que  mando  ao  desem- 
bargador Joam  Correia  de  Carvalho  juiz  do  tombo  dos  bens  confisca- 
dos, e  sequestrados  dos  ausentes,  lhe  dê  e  faça  dar,  ou  ao  seu  pro- 
curador, posse  da  dieta  administraçam  para  a  ter  na  maneira  acima 
referida,  passando-lhe  para  isso  as  ordens  necessárias:  e  este  alvará 
se  cumprirá  tão  inteiramente  como  nelle  se  contem,  e  valerá  como 
carta,  posto  que  não  passe  pela  chancelaria,  e  seo  eíTeito  haja  de  du- 
rar mais  d'um  anno,  sem  embargo  das  Ordenações  em  contrario.  João 
da  Silva  o  fes  em  Lisboa  a  8  d' Agosto  de  165!  annos.  Fernam  Go- 
mes da  Gama  o  fes  escrever— Rei — Rui  de  Moura  por  resoluçoens  de 
S.  M.  e  decreto. 

Rens  do  marquez  de  Castello  Rodrigo. 

As  Capitanias  das  ilhas  Terceiras  S.  Jorge,  Faial,  e  Pico,  que 
poderão  render  liquido  um  anno  por  outro  1:280:000  em  418  m.  e 
:]0  a.  de  trigo.  A  renda  do  sabão  branco  e  pieto  da  ilha  Terceira  e 
S.  Jorge  anda  arrendada  em  cada  um  anno  em  60:000  rs. 

(l)rummond— -.í/pm.  Histórica  da  Villa  da  Praia,  pag.  '^S—Ertra- 
hido  do  Livro  de  Registo  da  Camará  da  Praia.  foi.  212.) 


N."  20  -Vol.  IV— 1882.  11 


FORTIFICAÇÕES  NOS  AÇORES 

EXISTENTES  EM  1710  () 
Illia  Terceira. 

A  fortaleza  de  S.   Jnam   Baiitisla.  sohre  o  porto,  e  cidide:  hé  Bispa- 
do. Tem  a  grande  peça  Malaca  de  (iU  livras,  veyo  da  índia. 
O  castello  de  S^  Sebastiam.  sobre  o  mesmo  porto. 
O  Reduto  das  Laginhas  na  costa. 
O  Forte  de  Santo  António. 
O  Forte  na  Ponta  dos  Coelhos. 
A  Fortaleza  da  caza  da  Salga. 
O  Forte  das  Cavallas. 
(J  Fortmi  das  Caninas. 
O  Reduto  da  Greta. 
A  Fortaleza  de  Santa  Catliarina. 
O  Forte  do  Bom  Jesus. 
O  Reduto  do  Pesqueiro  dos  Moniuos. 
O  Reduto  Novo. 
O  Forte  de  S.  Francisco. 
()  Forte  de  S.  Fernando. 
U  Forte  de  S.  Bento. 
O  Forte  de  Santo  António. 
()  Reduto  de  S.  Jorge. 
O  Forte  de  Santa  Catharina. 

O  Forte  de  Santo  Antam  no  meyi»  da  Bahya  da  Prava. 
O  Forte  de  Nossa  Senhora. 
O  Forte  de  Santa  Ciuz  no  Porto. 
O  Forte  da  Cíinceiçam. 

A  Fortaleza  do  Espirito  Santo  na  Ponta  do  Facho. 
O  Forte  do  Bom  Jesus  da  Trindade. 
O  Reduto,  que  se  diz  do  meyo. 
O  Fortim  do  Negrito. 
O  Reduto  de  S.  Matheus. 
O  Forte  de  Nossa  Senhora  do  Pillar. 


(•)  Do  T.  I,  pag.  300-306,  das  Memorias  Militures.  |Mir  Aiiliniio  «lo  Coulu  (te 
Castelto  Branco,  Amcsterclani,  1719  PuMiiadas  »■  dada^  ã  In/  \m-  .António  de 
Novaes,  capitão  de  granadeiros.  O  autor  foi  Capitam  (\e  Mar  o  (incrra  e  Sargen- 
to Mor  da  Batalha;  estava  em  Angra  aos  30  de  oiituhro  de  17  lo  iin  qnc  escrc- 
vco  a  carta  ao  editor,  que  precede  as  tiita*  Memoiins. 


ARCHIVO  DOS  ACOhES  179 


Ilha  de  S.  Mig*uel. 


O  Caslello  de  S.  Uvas,  sobre  o  Porto,  e  cidade. 

O  Reduto  de  Santa  CJara. 

O  Hediito  de  S.  Pedro. 

O  Reduto  de  S.  Roque. 

()  Fortim  de  S.  Caetano. 

O  Reduto  da  Villa  da  Lagoa. 

O  Reduto  (la  Villa  de  Agua  de  Pau. 

O  Reduto  de  S.  Francisco  em  Villa  Franca. 

O  Castello  do  Corpo  Santo,         «  « 

O  Forte  de  Tagarele. 

O  Forte  Velho. 

O  Reduto  de  Jesus  Maria  José. 

O  Reduto  no  logar  da  Povoaçam. 

O  Reduto  no  logar  do  Fayal. 

O  Reduto  do  logar  da  Maya. 

O  Reduto  do  lugar  do  Porto  Formoso. 

Dous  Redutos  no  logar  dos  \Josteyros. 

nha  do  Fayal. 

O  Castello  de  Santo  António  no  lugar  da  Cruz,  sobre  o  porto. 

O  Reduto  de  Santo  António. 

O  Forte  da  Roa  Viagem. 

O  Fortim  do  Rom  Jesus. 

O  Forte  de  Nossa  Senhora,  da  Conceiçlo  da  Alagoa. 

O  Forte  de  Nossa  Senhora  dos  Remédios,  do  pé  da  Rocha. 

O  Forte  de  Nossa  Senhora  do  Rosário  da  Ribeira. 

O  Forte  da  Vera  Cruz  do  Corpo  da  Guarda. 

O  Forte  de  Nossa  Senhora  da  Ajuda  no  baixo. 

O  Forte  de  Nossa  Senhora  da  Esperança  no  comprido. 

O  Forte  de  Santa  Catharina. 

O  Forte  de  S.  Pedro  na  boca  da  Ribeira. 

O  Forte  de  Santa  Lusia  no  pé  da  Rocha. 

O  Forte  do  Espirito  Santo  da  Laginha. 

O  Forte  novo  na  ponta  furada. 

O  Forte  de  Santa  Rarbara  na  Carasca. 

O  Forte  de  Nossa  Senhora  das  Angustias. 

O  Reduto  da  Patrulha. 

O  Reduto  da  Eyra. 

O  Forte  do  pé  da  Cruz  entre  os  montes. 

()  Forte  de  N.  Senhora  da  Guia  na  poeta  da  Giela. 

O  Forte  de  Jesus  Maria  no  Forno  da  í>al. 


180  AHCmVO  DOS  AÇOKES 

Ilha  de  S.  Jorge. 

O  Forte  de  Nossa  Senhora  do  Pillar  e  Sam  Joseph. 

A  Fortaleza  de  Nossa  Senhora  da  Conceiçam. 

O  Reduto  de  Santo  António  sobre  o  Porto. 

O  Reduto  de  Santa  Cruz  sobre  o  Porto. 

O  Reduto  de  Sam  Joseph  sobre  o  Porio. 

O  Forte  de  S.  Miguel  o  Anjo  da  ponta  da  queimada. 

O  Forte  do  porto  da  Fajan  da  Ribeira  do  Nabo. 

O  Forte  do  Porto  da  Urzelina. 

O  Reduto  das  Manadas. 

Os  quatro  Redutos  do  Porto  da  Calheta. 

O  Forte  da  Ponta  do  Topo  sobre  o  mar. 

O  Forte  do  Porto,  e  os  Redutos  da  Fajan  de  S.  .loam. 

Ilha  do  Pico. 

O  Forte  de  Santa  Catharina  sobre  a  Bahia. 

O  Reduto  da  Santíssima  Trindade  da  Barra. 

Dous  Redutos  da  Madalena,  e  a  arèa  larga,  e  S.  Roque. 

Ilha  Graciosa. 

O  Forte  de  Pesqueira. 

O  Forte  do  Corpo  Santo. 

O  Reduto  de  Santa  Catharina. 

O  Forte  de  Nossa  Senhora  da  Victoria. 

O  Forte  de  Affonso  do  Porto. 

O  Reduto  do  Carapacho. 

O  Reduto  dos  Canaes. 

O  Reduto  de  Joam  Dias. 

O  Reduto  da  Folga. 

O  Reduto  da  Arêa. 

O  Fortim  da  Rocha. 

Ilha  de  Santa  Maria. 

A  Fortaleza  de  Nossa  Senhora  da  Conceição,  na  Villa  sobre  o  Porta. 
O  Forte  sobre  o  Porto. 
O  Forte  no  cabo  da  Villa  sobre  a  Bahia. 
O  Forte  sobre  meya  Bahia. 
O  Forte  na  ponta  donde  se  anchora. 

O-  Forte  de  Nossa  Senhora  dos  Prazeres,  da  F'iaya,  e  os  dous  Redu- 
tos. 
Os  dous  fortes  na  Ribeira  da  parte  de  \m\o,  sobre  o  mar. 


ARCHIVO   DOS   AÇOhES  181 

Ilha  das  Flores. 

O  Forte  do  Espirito  Santo, 

O  Forte  de  Nossa  Senliora  da  Conceição. 

O  Foite  de  S.  Francisco. 

O  Forte  de  Santo  António. 

O  Forte  de  São  Francisco  Xavier. 

O  Fortim  de  São  Caetano. 

O  Fortim  de  Nossa  Senhora  dos  Remédios. 

O  Fortim  de  Nossa  Senhora  do  Rozario. 

O  Forte  de  São  Sebastiam  sobre  a  Ribeira  da  Cruz. 

Ilha  do  Corvo. 
O  Forte  de  Nossa  Senhora  dos  .Milagres  no  porto  da  Calheta. 


PIRATAS  NA  ILHA  GRACIOSA 

Como  entraram  os  ingleses  nesta  ilha  e  a  perda  que  fy eram  em   jGgi. 

Em  sabbadí)  em  (]ue  se  contavam  12  de  Novembro  de  1089,  deu  á 
costa  uma  Batlanda  liigleza,  com  quatorze  bomens  na  Villa  da  Praia, 
desta  Ilha,  n  (piai  arrematai-am  trez  irmãos,  os  Padres  António  Fogas- 
sa,  Sebastião  Corrêa  e  o  Capitão  Aleixo  (Corrêa,  por  quatrocentos  mil 
reis,  e  pela  carga  que  trazia,  ijue  dizem  ser  bacalbau:  e  quando  foi 
n  pagai-lbe  deram  quatrocentas  patacas,  engano  que  fizeram  entre  si 
com  o  Escrivão  da  ;irremalação:  vendendo  lhes  os  mantimentos  por 
dobrado  preço,  do  que  corria  na  terra,  tanto  que  os  quatorze  ingle- 
zes,  por  espaço  de  três  mezes,  gastaram  o  valor  da  arrematação  do 
seu  navio  ou  barlanda.  Km  sexta-feira.  em  que  se  contavam  10  de  fe- 
vereiro de  l()í)l,  lançou  ferro  no  porto  doesta  Villa  uma  Barlanda,  di- 
zendo em  um  despacho  que  só  traziam  seis  homens,  e  de  carga  a- 
zeiles  e  bacalhau,  e  encontrando-se  com  os  irmãos  Fogassas  lhe  pe- 
diram uma  amarra  para  assegurarem  a  Barlanda.  por  saberem  lhes 
íicára  do  Navio,  ou  Barlanda  que  naquelle  porto  (ier'a  á  costa,  e  que 
mandassem  a  bordo  trez  ou  quatro  barcos  para  trazerem  bacalhau, 
por  sei-  de  noite,  onde  facilmenl;'  se  furtavau)  os  direitos;  o  que  não 
poderia  ser.  tendo  dado  já  entrada  estando  guarda  a  bordo. 

Foram  os  quatro  barcos  com  a  amarra,  em  chegando,  fingindo 
os  queriam  brindar  em  rernuneraçãíj  de  seu  trabalho,  os  recolheram 
debaixo  da  escotilha  ás  pancadas,  e  valendo  se  dos  mesmos  barcos 
[)elas  onze  horas  da  noite  lançaram  em  terra  trinta  e  cinco  homens 
armados  com  espingardas,  [)islollas  e  facas  de  ponta  de  lança,  que 
mettidas  nas  bocas  das  espingardas  para  se  defenderem  faziam  lan- 
ças en)  caso  que  a  [)olvora  lhes  faltasse.  Encontrando  no  porto  o  mei- 
rinho da  Mfan  lega.  o  acutilaram  de  sorte  que  nas  primeiras  o  mata- 
ram: e  por  toijos  que  trazia  a  Barlanda  seriam  quasi  cincoenta.  Os 
moradores  da  villa  que  ouvirauj  os  clamores  do  meirinho,  logo  se  au- 
sentaram, por  onde,  entrando  os  inglezes  livremente  na  villa  foram  a 
casa  (io  Thèzoureiro  da  Igreja  e  lhe  pediram  as  chaves,  levando  com 
sigo  mil  dos  barqueiros.  (|ue  dissesse  era  para  darem  a  Santa  Unção  a 
uinHufeTuio  H  logo  lhe  deu  aschaves.  e  sentindo  o  rumor  das  armas  fu- 
giu  logo;  e  o  iruíão  do  Thèzoureiro  que  deu  as  chaves  levaram  preso  á 
igreja.  Logo  foram  prtMidendo  os  Ca[)itães  da  terra,  levando  por  lin- 
goa  ao  ban|ueiro.  cjue  por  remir  sua  avexação  os  chamava,  dizendo 
a  cada  uma  das  portas  a  que  chegava  lhe  dessem  uma  palavra,  por 
que  assim  lhe  importava,  e  fazendo  prizão  da  Igreja,  nella  os  tiveram 


AHCHIVU   nos   AÇOHES  IS^'» 

até  au  loiíipei'  da  lua:  nt-sst'  leinpo  Mtltiii  se  tia  piisãd  um  mogo  que 
muito  de  madi  ligada  foi  dar  aviso  aos  moiadoies  da  Yilla  de  Santa 
(iiuz,  do  que  na  villa  da  Praia  havia  succedido,  onde  logo  se  locou 
a  I eliate,  e  mandando  o  Capitão  maioi  [lòr  em  oídem  a  gente  armada 
caminhou  com  duzentos  homens  imiito  de  manhã,  para  a  dita  villa  da 
l'raia,  e  o  l'adre  Guardião  de  São  Francisco,  b^rei  Gonçalo  da  Puri- 
íicação,  consumindo  o  Senhor  d(»  Sacrário  e  escondendo  a  poma  e 
mais  cousas  da  Sachrislia,  os  acompanhou  coni  os  seus  Frades,  e 
prezumindo  (jue  os  herejes  lei  iam  já  rcubado  o  Sacrário,  acharam  sei' 
verdadeiro.  Pustos  em  ordem,  ijue  parece  foi  desordem  e  para  os 
hereges  foi  boa,  chegando  ao  (initadouro,  monte  ijue  divide  a  jurisdi- 
ção de  uma  e  outra  villa,  fizeram  Conselho,  como  melhor  dariam  as- 
salto nos  inglezes:  por  ultimo  accoidar.ini  em  fazei  em  uma  trinchei- 
ra de  pedra  solta,  para  assim  impedirem  para  a  sua  villa  a  passagem 
dos  inglezes,  sendo  que  o  Padre  Gnardino  aconselhava  que  tal  trin- 
cheira não  fizessem  por  ser  incapaz  para  fazer  lesistcncia.  mas  que 
fossem  com  as  duas  peças  de  artelharia  que  levavam  para  o  adro  da 
Krmida  de  Nossa  Senhora  da  Guia.  onde  intiiucheirados  facilmente 
os  cercariam:  porque  carregando  as  duas  peças  de  baila  miúda,  fa- 
zendo pontaria,  os  barcos  que  estavam  no  porto  vaiados  em  fileiras, 
a  tiro  menos  de  um  mosqueie,  íis  fariam  em  pedaços,  e.  sem  remé- 
dio algum,  ficariam  os  herejes  em  terra  entiegues  ao  castigo  que  sua 
culpa  merecia. 

Não  foi  acceito  o  conselho,  e  foi  castigo  do  ceo  pela  sna  soberba, 
cavilações.  ódio.  vinganças,  presiim|)ções  de  Fidalguia  com  escândalo 
de  vicios,  e  torpezas  de  que  eram  nctados  sem  emenda,  por  ser  gen- 
te indómita,  que  não  admitte  razão  alguma  senão  a  da  conveniência: 
fizeram  a  trincheira,  alli  se  accordaiam  de  avi^a|■  o  Capitão  maior 
daquella  villa  da  Praia,  onde  estavam  os  herejes.  para  os  avisar  [)oi 
onde  os  comelleriam,  mas  como  elles  estavam  senhores  de  toda  a  villa 
e  dos  cantos  de  suas  ruas.  intrinchenados  nos  adros  da  misericórdia 
e  da  Ermida  de  Santo  António,  fazendo  cara  á  gente  daquella  villa  e 
da  villa  de  Santa  Cruz.  dOnde  lhe  vinha  o  soccoiro.  tomaram  todos 
tal  medo,  que  se  não  attreveiam  a  inveslil  os  mais  ijiie  nina  vez  sem 
forma,  [)onine  vendo  cahir  um  dos  (pie  iam  na  primeira  fileira,  logo 
todos  fugiram  pelas  paredes,  saltando,  escondtndo-se  nas  vinhas,  e 
por  casas,  dando  Jogar  aos  herejes  de  acataiem  de  saquear  o  que 
deixaram  nas  Igrejas,  e  nas  casas.  Neste  temp-o  levaram  os  prisio- 
neiros para  o  porto,  e  (js  mesmos  nobres  e  capitães  da  villa  serviram 
de  mariolas,  fazeiído-lhe  carretar  ás  costas  loiícinhos  e  roupas,  o 
mais  (|ue  tinham  saíjueado.  e  isto  descalços  e  despidos  do  modo  (jiie 
das  camas  os  apanharam:  vendo  (x  hereges  (pie  se  lhe  acabava  a  pól- 
vora e  a  l)alla,  accordaram  |)edir  (piaiti'l  para  (pie  nesta  detença  (pie 
haveiia  de  parte  a  parle  sahisseni  iiicIIihi  do  poi  lo:  |Mir  (pie  ;uile>  de 
manhã  tinham  já  [xi^lo  a  bordo  a  poma   c   mais    prata    da    igieja   ma- 


184  AKCHIVO  DOS  AÇORES 

triz  e  das  Ermidas.  Soltaram  o  Capitão  António  Corrêa,  e  o  manda- 
ram entre  guardas  pedir  o  bom  quartel  que  sem  repugnância  lho  de- 
ram, e  dando-lhe  o  dito  capitão  azos  para  que  o  investissem  o  não  fi- 
zeram, antes  deram  tempo  para  se  partirem  os  lierejes  com  o  que 
tinham  saqueado  e  com  parte  da  gente  da  villa  de  que  de  noute  fi- 
zeram preza  a  saber:  os  Padres  António  Fogassa  e  Sebastião  Corrêa, 
e  seu  irmão  o  Capitão  Aleixo  (Corrêa,  e  vendo  os  da  terra  que  os 
barcos  iam  um  tiro  de  mosquete  os  arcabusaram  sem  lhes  fazerem  al- 
gum damno  mais  que  com  uma  bala  de  quatro  libras,  com  que  lhe  fi- 
zeram um  rombo  na  proa  da  balandra,  e  querendo  pôr  o  fogo  segun- 
da vez  na  mesma  peça,  o  não  consentiu  o  capitão  maior  d'aquella 
villa  da  Praia,  e  descompondo  de  palavra  o  que  por  sua  curiosidade 
tinha  feito  a  pontaria  primeira,  não  quiz  continuasse  com  a  segunda, 
e  mandando  a  um  artilheiro,  dos  pagos,  que  borneasse  a  peça  e  fi- 
zesse pontaria:  succedeu  que  ao  pé  da  muialha.  cahio  a  baila,  e  a 
barlanda  se  levantou,  deixando  por  mão  as  amarras  e  quasi  em  2V  ho- 
ras sa  juearam  e  se  foram  com  o  saque.  Na  segunda  feira  seguinte 
houve  rebate  em  toda  a  ilha  dizendo  terem  os  herejes  lançado  em  um 
porto  da  jurisdição  desta  dita  Villa  da  Praia  cem  homens  armados, 
que  já  vinham  sa(jueando  toda  a  ilha,  sendo  falso,  e  foi  causa  de 
maior  medo,  para  fugir  a  maior  parte  da  gente  para  as  furnas  do 
mar  e  caldeira  da  dita  villa  da  Praia,  e  foi  o  caso  que  como  os  here- 
ges se  não  deram  ainda  por  bem  pagos  do  seu  navio,  botaram  em 
terra  um  dos  Ires  irmãos,  o  Padre  António  Fogassa  com  partido  de 
lhes  mandar  diisentas  patacas  c  (jualro  pipas  de  vinho  por  resgate 
dos  dois  irmãos:  como  o  dito  Padre  lhes  faltasse  á  promessa  pois  só 
lhes  fazia  negassa  com  umas  pipas  vazias,  largando  todo  o  panno  com 
seu  enfado  se  firam:  os  dois  irmãos  o  Padre  Sebastião  Coriêa  e  o 
(Capitão  Aleixo  C>orrèa,  como  desesperados  do  remédio  se  botaram  ao 
mar  pelas  portinholas  da  Barlanda,  no  Sul  do  Pico  e  Fayal,  e  no  Fayal 
sahiram  mortos.  Os  mais  piesos  que  levavam  f>ram  botar  na  ilha  do 
Fogo,  de  Cabo  Verde,  o:ide  estava  o  seu  Bispo  de  Vezita.  que  logo 
os  chegou  a  si  e  à  sua  custa  embarcou  para  a  ilha  Teiceira,  com  al- 
guns ornamentos  que  os  herejes  levavam' da  igreja  matriz  e  mais  er- 
midas da  villa.  Os  hereges  chegando  á  costa  da  Mina,  encontraram 
uma  Fragata  de  tjuarenta  peças  inglezas,  e  tendo  entre  si  diíTerenças 
sobre  a  repartição  do  que  levavam  doesta  ilha  se  accusaram  uns  aos 
outros  ao  Capitão  iiiglez,  (]ue  com  processo  formado  os  enforcou,  dei- 
xando só  dois  com  vida  até  chegarem  a  Londres,  onde  foram  enfor- 
cados, perdendo  alma  e  vida  pelo  desacato  que  fizeram  ao  Santíssi- 
mo Sacramento,  só  por  lhe  levarem  a  poma,  e  por  os  mais  desacatos 
e  furtos  que  nas  Igrejas  fizeram,  e  também  foi  castigo  dos  morado- 
res da  terra,  passando  de  seis  mil  pessoas  de  confissão,  trinta  e  cin- 
co herejes  lhe  saquearam   a  villa  concorrendo  toda  a  gente  da  ilha. 


ARCHIVO  DOS   ACOKES  18?) 


Como  os  moradores  exduirmn  os  mouros   querendo  entrar  n'esta  ilha  em   1 62'i 

Sendo  o  capitão  maior  desta  villa  de  Santa  Cruz,  Manoel  de 
Quadros  Machado,  e  capitão  maior  da  villa  da  Praia,  Gaspar  Velho 
d'Âzevedo,  em  19  de  maio  de  I6á3.  chegaram  a  esta  ilha,  oito  fra- 
gatas d'Argel,  e  ancoraram  onde  chamam  AíTjns)  do  Porto,  e  está 
uma  Ermida  de  Nossa  Senh  )ra  da  Vicloria,  donde  comeltendo  duas 
vezes  com  Barcas  e  um  Patacho  para  botarem  gente  em  um  cães  fei- 
to pela  natureza,  os  mora  lores  da  ilha  com  tanto  valor  lhe  resistiram 
fjue  não  pideram  entrar,  sem  morrer  pessoa  alguma,  nem  ainda  fi- 
car ferida.  Vmha  n'esles  navios  um  capitão,  natural  doesta  mesma  ilha. 
o  qual  sendo  resgatado  em  Argel  pela  Redempção  geral,  veio  para 
Lisboa  onde  co  n  as  esmollas  que  tirou,  manlou  fazer  umi  imagem 
de  Nossa  Senhitra  da  Victoria  que  hoje  está  na  Ermida  que  fez  o  po- 
vo, nella  viveu  hermitão.  e  mjrreo  como  hermitão. 

(Papeis  do  Dr.  João  Teixeira  Soares,  extracto  da  Chronica  de  Mon- 
te Alcerne,  segundo  parece,) 


EGREJÁS  E  MISERICÓRDIAS 

NOS  AÇORES 


Alvará  de  22  de  Fevereiro  de  1592.  Privilégios  da  Mise- 
ricórdia da  Ribeira   Grande. 

Eu  El  Rei  faço  saber  aos  que  este  alvará  virem  que  por  fazer 
mercê  por  esmolla  á  confraria  da  misericórdia  da  villa  da  Ribeira 
Grande  da  Ilha  de  Sam  Miguel  ey  por  bem  (jue  o  procurador  e  ir- 
mãos que  ora  ssão  da  dita  confraria  e  aos  que  ao  diante  nella  forem 
gozem  e  usem  de  todos  os  privylegios  e  liberdades  de  que  gozão  e 
usão  per  minhas  provisões  e  dos  Reis  meus  antecessores  o  provedor 
e  irmãos  da  confraria  da  misericórdia  desta  cidade  de  Lixboa  e  isto 
naquellas  cousas  que  se  puderem  aplicar  á  dita  confraria  da  miseri- 
córdia da  villa  da  Ribeira  Grande  somente  e  em  quanto  o  eu  assi  ou- 
ver  por  bem  e  não  mandar  o  contrario  mando  ao  dito  provedor  e  ir- 
mãos da  misericórdia  desta  cidade  de  liixboa  que  lhes  dem  os  Iresla- 

N.°  áO-Vol.  IV— 1882.  12 


186  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

tfós  autênticos  dos  ditos  previlegios  e  libeidades  e  provisões  pêra 
deíles  usarem  na  maneira  sobredita  e  bem  assim  mando  a  todas  as 
justiças  oííiciais  e  pessoas  a  que  este  alvará  for  mostrado  e  o  conhe- 
cimento pertencer  que  o  cumprão  e  guardem  e  facão  inteiramente 
cumprir  e  guardar  como  neile  _se  contem  o  qual  se  registará  no  Li- 
vro da  mesa  da  dita  confraria  é  este  próprio  se  porá  no  cartório  da 
casa  em  toda  a  boa  guarda  pêra  sempre  se  ver  e  saber  que  o  ouve 
assi  por  bem  e  quero  que  este  alvará  valha  e  tenha  força  e  vigor  co- 
mo se  fosse  carta  feita  em  meu  nome  per  mim  assignada  e  assellada 
com  o  meu  sello  pendente  sem  embargo  da  ordenação  do  segund ) 
livro  titt.'*  ( sic  )  que  o  contrario  dispõem.  Pêro  de  Seixas  o  !ez  e^u 
Lixboa  a  vinte  e  dous  de  fevereiro  de  j  b*^  e  Iriij  (1593).  E  do  leoi' 
deste  alvará  foi  pasado  mais  outro  pêra  ir  per  duas  vias  de  que  esta 
he  a  primeiía  comprirseha  bua  somente. 

[Arch.  nac.  da  T.  do  7'.,  Liv.'^  4°  dos  Priril.  de  Filipp.  1.*^,  f.  21v."< 


Alvará  de  31  de  Outubro  de  1592,  concedendo  uma  finta 

de   200^000  rs    para  as  obras  da  egreja  de  Santa 

Barbara  das  Nove  Ribeiras  da  ilha  Terceira. 

E  el  Hei  faço  saber  aos  (|ue  este  alvará  virem  que  avemdo  respei- 
to ao  que  dizem  na  petição  atraz  escrita  na  outra  tíjea  desta  folha  o 
vigário  e  freguezes  da  [)em  aventurada  santa  Barbora  do  logar  das 
Nove  Ribeiras  da  ilha  Tei'ceira  e  vista  a  informação  que  se  ouve  acer- 
ca do  contiudo  na  dita  petição  pelo  [)rovedor  da  comarca  da  dita  ilha 
perque  constou  a  dita  igreja  ser  muito  baixa,  peíjuena  e  velha  pêra 
ra  tanto  povo  e  que  não  se  lhe  acudindo  cayria  mui  em  breve  e  con- 
vinha que  se  crecemtasse  e  levantasse  como  per  visitações  estava  pro- 
vido se  fizesse  |)ara  caberem  os  freguezes  e  que  custaria  a  dita  o- 
bra  mais.  que  os  ditos  freguezes  não  poderião  sos  pagar  por  sua  po- 
breza sem  contribuiiem  as  fazendas  dos  senhorios  ausentes  que  na 
dita  freguesia  e  seu  limite  eslavão  ey  por  bem  de  lhes  dar  licença 
para  que  per  oídem  do  dito  provedor  possam  em  dous  annos  lançar 
finitas  na  forma  da  extravagante  té  contia  de  dozentos  mil  reis  em 
cada  hum  dos  ditos  dous  annos  pêra  com  elles  se  fazer  o  crecenta- 
mento  e  mais  obra>  da  dita  igreja  conforme  as  ditas  vezitações  na 
(jual  finta  contrebiiirão  todos  os  ditos  freguezes  e  assi  todas  as  fazen- 
(las  dos  sefihdfyos  que  na  dita  hegiiezia  e  seu  lemite  estiverem  pos- 
to que  as  pessoas  cujas  forem  sejam  moradores  em  quaesquer  outros 
lugares  e  delia  não  será  escusa  pessoa  allgua  das  sobreditas  de  quall- 


ARCHIVO   DOS   AÇOUKS  187 

quer  callidade  e  conrlição  qne  seja  por  priviligiados  que  sejam  e  ca- 
da huiii  pagará  soldo  á  livra  o  (|ne  lhe  couber  seguudo  a  possebili- 
(lade  e  fazenda  que  liver  e  du  dilo  dinheiro  da  fiiila  averá  recebedor 
e  escrivão  com  livros  em  que  per  adições  se  assente  o  que  foi  íinta- 
do  e  se  recadai'  e  despender  na  dita  obra  que  serão  as  pessoas  que 
nomear  o  dito  provedor  e  por  esle  trabalho  não  llevarão  cousa  allgua 
e  sendo  dos  ditos  freguezes  serão  somente  escusos  por  respeito  dos 
cargos  de  recebedor  e  escrivão,  de  pagar  na  dita  (inla  e  mando  ao 
d  to  provedor  (|ue  faça  coutrebuir  a  todos  nella  no  modo  sobredito  e 
t(  me  conia  da  dita  finta  como  se  acabar  a  obra  vendo  os  ditos  livros 
e  saiba  se  se  despen  leo  o  dito  dinheiro  em  outras  cousas  mais  que 
na  dita  obra  que  he  o  pêra  que  somente  dou  esta  licença  e  achando 
que  sç  fez  a  tinta  e  se  aplicou  o  dito  dinheiro  conforme  a  este  alvará 

0  leve  em  conta  e  em  outra  maneira  proceda  nisso  como  he  obrigado 

1  er  bem  de  sen  regimento  e  de  minhas  ordenações  e  cumpra  e  guar- 
de e  faça  inteiramente  cumprir  e  guardar  este  alvará  como  nelle  se 
contem  o  qual  também  cumprirão  quaesquer  outras  justiças  ofíii^iais  e 
[  essoas  que  for  mostrado  e  o  conhecimento  pertencer  e  quero  que 
\alha  A.*.  E  do  teor  deste  alvará  foi  passado  mais  outro  pêra  ir  por 
duas  vias  de  que  este  he  a  primeira,  cumprirseha  hum  somente.  Pê- 
ro de  Seixas  o  fez  em  Lixbo.i  a  xxxij  (SI)  de  outubro  de  mil  b''  Irij 
(1Õ92.) 

{Arch.  nac.da  T.  do  T.,  Liv.  2,°  dos  Privil.  de  FUipp.  i:\  f.  162.  í 


Creação  e  confirmação  da  freguezia  de  N.  Senhora  d'A- 
presentação  no  log-ar  das  Oapellas,  de  18  de  Novem- 
bro de  1592. 

D.  Manoel  de  Gouvêa  poi-  mercê  de  Deos  e  da  Santa  Madre  E- 
greja  Romana,  Bispo  de  Angra  e  ilhas  dos  Açores,  do  Conselho  de  S. 
Mageslade  á.*  Aos  que  esta  nossa  Carta  de  creação  virem  saúde  em 
Jesus  (^hristo  Nosso  Senhor,  que  de  todos  é  verdadeira  saúde  e  sal- 
vação: fazemos  saber  que  visitando  nós  a  ilha  de  S.  Miguel,  entre  as 
mais  necessidades  que  nella  achámos,  foi  ser  mui  necessário  crear-se 
uma  nova  parochia  no  logar  chamado  as  Capellas,  entre  a  fieguezia 
lie  Nossa  Senhora  da  Luz  do  logar  dos  Fenaes  e  a  freguezia  de  San- 
to António  no  termo  da  cidade  de  Ponta  Delgada,  por  os  moradores 
do  dito  logar  receberem  grande  trabalho  e  desconsolação  no  ouvir  dos 
oíTicios  divinos  e  na  administração  dos  Santos  Sacramentos,  assim  por 
estarem  longe  das  ditas  freguezias  como  por  serem  aos  cminhos  mui- 


i88  AHCHIVO   DOS  AÇOHES 

tu  fragosos  e  trabalhosos  e  de  muitas  grotas.  Ao  que  nós  havendo 
respeito  e  querendo  nisso  prover  como  somos  obrigados  houvemos 
por  serviço  de  Nosso  Senhor  e  desrargo  da  consciência  de  S.  Mages- 
tade,  crear-se  uma  nova  parochia  no  dito  logar  das  Capellas  entre  as 
ditas  freguezias  para  nella  se  supprirem  as  faltas  e  necessidades  que 
os  sobreditos  passam  de  que  fizemos  relação  a  S.  Magestade,  e  o  di- 
lo  senhor  movido  de  piedozo  zelo,  que  especialmente  sempre  teve  ao 
bom  serviço  do  culto  divino  das  egrejas  deste  bispado  como  Mestre 
e  governador  (jue  é  da  Oídem  e  Cavallai ia  do  Mestrado  de  Nosso  Se- 
nhor Jesus  Christo  de  cujo  padroado  é  insolidum,  houve  por  bem 
dar  seu  consentimento  de  creação  da  dita  nova  fregnezia  por  um  al- 
vará, cujo  traslado  de  veibo  adverbum  é  o  seguinte: 

Eu  EIrei  como  governador  e  perpetuo  administrador  que  sou  da 
Ordem  e  Cavallaria  do  Mestrado  de  Nosso  Senhoi-  Jesus  Christo,  fa- 
ço saber  a  vós  reverendo  P."  D.  Manoel  de  Gouvèa,  bispo  dAngia,  e 
do  meu  conselho,  que  pela  visitação  que  fizestes  na  ilha  de  S.  Miguel 
o  anno  passado  de  quinhentos  e  noventa  e  um  {1591)  achastes  haver 
necessidade  de  se  crear  uma  parochia  em  o  logar  chamado  as  Capel- 
las, entre  a  freguezia  de  Nossa  Senhora  da  Luz,  do  logar  dos  Fenaes 
e  a  freguezia  de  Santo  António  no  termo  da  cidade  de  Ponta  Delgada: 
pelo  (pie  vos  enconimendo  creeis  a  dita  parochia  nova  freguezia  de 
Nossa  Senhora  da  A[)resenlaçrK>  no  dilo  logar  das  Cai)ellas,  e  o  vigá- 
rio que  d'ella  fòr  haverá  em  cada  um  anno  de  mantimento  ordenado 
vinte  e  cinco  mil  reis  á  custa  de  minha  fazenda  que  é  outro  tanto  co- 
mo tem  nesse  bispado  similhantes  freguezias,  e  para  assim  creardes 
a  dita  paiochia  vos  dou  meu  consentimento  como  Mestie  e  Governador 
(|ue  sou  da  dita  Ordem:  e  da  dita  creação  e  erecção  mandareis  passar 
vossa  carta  com  o  traslado  ileste  alvará  que  se  poiá  em  guarda  no 
cartório  do  dito  bispado.  Luiz  Gomes  o  fez  em  Lisboa  a  11  de  Julho 
de  mil  quinhentos  ní.venta  e  dois.  Jorge  Coelho  d'Andrade  o  fez  escre- 
ver -Rei— 

O  qual  alvará  era  assignado  por  S.  Magestade,  passado~pela  chan- 
cellaria  da  dita  Ordem,  verdadeiro  e  sem  vicio  nem  suspeição  alguma, 
e  por  virtude  delle  e  pela  autoridade  (jue  a  nós  é  concedida  havemos 
por  bem  de  cr'ear  e  erigir  ora  novamente  a  dita  freguezia  em  uma 
ermida  da  invocação  de  Nossa  Senhora  da  Apresentação,  como  de  feito 
|telo  theor  desta  nossa  carta  a  creâmos  e  erigimos  inperpetum  e  lhe 
assignàmos  e  limitámos  [)aia  freguezia  delia  partindo  pela  canada 
do  concelho  (jue  vae  da  canada  de"joão  Baldava  ao  caminho  da  cida- 
de de  Ponta  Delgada,  e  da  banda  da  freguezia  de  Santo  António  pe- 
lo gr-otilhão  do  salto  (|ue  é  o  meio  da  grota  de  Lucena  e  a  grota  de 
Marlim  Vaz  partindo  ariiba  por  entre  a  fazenda  de  Hieronimo  Luiz  e 
a  que  foi  de  Jorge  Nunes,  dentro  nos  (inaes  limites  e  repartição  pô- 
de haver  setenta  r  cinco  f(njOi>  pouco  mais  ou  menos  e  a  todos  os  di- 
los  fieguezes  (jue  assim  temos  limitado  a  dita  nova  parochia  pela  ma- 


ARCHIVO  DOS  AÇORF.S  181) 

iieiííi  íUMiiia  declarada  liavemos  d  agora  para  sempre' por  desmembra- 
dos o  desobrigados  de  suas  aniigas  parochias  e  (jueremos  e  assim 
lh'o  mandamos  a  todos  em  geral  e  a  cada  nm  em  especial  e  aos  mais 
(jue  daqui  em  diante  cresceVem  na  dita  fregnezia  e  limites  d"ella  já 
declarados  sob  pena  de  excommnnliãg  que  daqui  em  diante  acudam 
á  sua  nova  parochia  de  Nossa  Senhora  da  Apresentação  e  nella  ou- 
çam missas  e  os  ofTicios  divinos  e  serão  curados  e  sacramentados  se- 
gundo uso  e  costume  das  mais  panichias  deste  nosso  bispado  e  ha- 
jam e  reconheçam  ao  vigário  (|ue  uelIa  confirmai  mos  e  ao  diante  fôr 
provido  na  dita  egreja  por  seu  vigário  e  pastor  e  em  tudo  o  que  a 
seu  cargo  locar  lhe  obedeçam  inteiramente.  Ao  qual  vigário  e  aos 
mais  seus  successores  assignamos  de  mantimento  ordenado  para  sua 
susleutação  vinte  e  cinco  mil  reis  cada  anno.  que  é  o  mantimento  que 
S.  Magestade  por  suas  provisões  ha  por  bem  que  de  sua  fazenda  ha- 
jam os  vigários  de  similhantes  egrejas  deste  l»is[»ado,  (pie  lhe  ser?o 
pagos  as  duas  parles  em  trigo  e  uma  em  dinheiro,  como  se  pagam 
os  ordenados  dos  Ministros  ecciesiasticos  e  mais  vigários  deste  bispa- 
do, e  lhe  concedemos  outro  sim  todos  os  |)rivilegios,  liberdades  e 
honras  que  aos  vigários  de  similhantes  egrejas  são  concedidas  jnnta- 
menle  com  os  encargos  e  obrigação  delia.  E  esta  será  registada  no 
livro  dos  registos  de  nossa  chancellaria  e  dos  tombos  das  egrejas  da 
ilha  de  S.  Miguel  e  da  dita  parochia  nova  de  Nossa  Senhora  da  Apre- 
sentação para  a  lodo  o  tempo  se  saber  desta  sepaiação  e  nova  crea- 
ção.  Dada  em  Angra  sob  nosso  signal  e  sello.  António  Alvares  Ran- 
gel, nosso  escrivão  da  Camará  a  fez  aos  onze  de  Novembro  de  mil 
quinhentos  e  noventa  e  dois.  E  quando  por  visitação  nossa  ou  de  nos- 
sos visitadores  nos  parecer,  por  evitar  os  mesmos  ou  outros  incon- 
venientes, estender  mais  os  lemites  desta  freguezia.  o  faiemos  pare- 
cendo-nos  serviço  de  Deos  e  menos  oppressão  dos  freguezes.  Datum 
ul.  Para  Vossa  S."  R.'"^  ver— Ao  sello— 20  rs.  —  Sampaio  -  Rangel. 
Pagou  770  rs.-Recebidos— Sampaio=Recebidos— 100  rs.-  Almeida 
=Registada  no  livro  dos  registos  da  chancellaria  a  f.  85  — Rangel=-0 
Bispo  dAngra  =  Cnmpra-se—  a  18  de  Novend^ro  de  noventa  e  dois 
\  1Õ92)  Ascencío  Gonçalves. ==0  qual  traslado  de  creação  e  confirmação 
da  egreja  de  Nossa  Senhora  da  Apresentação  no  logar  das  Capellas 
termo  desta  cidade,  e  eu  Pêro  AíTonso.  Escrivão  da  Alfandega  fiz  tras- 
ladar da  própria  que  fica  em  poder  do  dito  vigário  Francisco  Tava- 
res, e  vae  na  verdade  tal  como  a  própria  a  que  me  reporto,  e  con- 
certado comigo  e  com  o  Escrivão  abaixo  assignado  hoje  a  T^  dias  do 
mez  de  Dezembro  da  era  de  9i'\  annos.  *  1593^ 

o  1."  vifiario  l'.""  F"raii("isco  Tavares,  Foi  aiiresenlado  poi'  rarta  rc^iia  ilc  II 
(lo  .luliio  de  lo92  o  confirmado  ijor  carta  (k-  D.  Manoel  de  (JouvOa,  hispo  d'An- 
gra,  de  12  de  Novembro  de  1592:  tomando  posse  a  2i  de  Dezemliru  do  iiiesnio 
anno. 

L.  8."  lio  Ritj.  (ia  Al/aniifíia  ilc  /'.  Ihlf/dila.ff.  H  a  ^'. 


100  ARCHIVO   nos   AÇORES 

Alvará  de  19  d' Abril  de  1593.  concedendo  á  Misericór- 
dia de  P.  Delg'ada  arrecadar  as  suas  dividas  como 
as  da  fazenda  real. 

Kii  el  Rei  faço  saber  aos  que  esle  alvará  virem  que  vistas  as  cau- 
sas que  o  provedor  e  irmãos  da  confraria  da  misericórdia  da  cidade 
da  Ponta  Delgada  da  ilha  de  Sam  Migel  alegão  na  petição  escrita  na 
outra  mea  foHia  desta  folha  e  por  lhes  fazer  mercê  por  esmolla  ey 
[lor  bem  que  daijui  em  diante  as  dividas  da  dita  casa  da  misericór- 
dia se  recadem  e  executem  assi  e  da  maneira  que  se  arecadam  e  exe- 
culão  per  meus  executores  almoxarifes  e  recebedores  as  dividas  que 
se  devem  a  minha  fazenda  conforme  ao  regimento  delia  e  aas  mais 
provisõi^s  que  sobre  isso  são  [)assadas  o  (|ue  asi  me  praz  obrigando- 
se  a  isso  os  devedores  e  seus  íiadítres  e  abonadores  e  sendi»  con- 
tentes que  se  proceda  contra  elles  na  execução  e  recadação  das  di- 
las  dividas  da  miserícitrdia  como  os  ditos  meus  almoxarifes  e  execu- 
tares e  recebedores  proceiiem  na  execução  e  recadação  das  dividas 
de  minha  fazenda  e  que  de  todos  elles  se  possa  executar  e  recadar 
Indo  o  (jue  per  encerramento  de  conta  (içarem  devendo  na  forma  que 
se  recadam  e  executam  as  ditas  dividas  (|ue  se  devem  a  minha  fa- 
zenda e  como  os  ditos  meus  executores  almoxarifes  e  recebedores  per 
bem  do  regimento  de  minha  fazenda  e  das  mais  provisões  de  que  a- 
cima  se  trata  podem  recadar  e  executar  as  dividas  que  a  ella  perten- 
ce porque  o  mesmo  poder  e  jurisdição  que  elles  pêra  isso  tem  dou  e 
concedo  pêra  a  arre('adação  e  exfcução  das  ditas  dividas  da  miseri- 
córdia naijuillo  que  se  achar  que  se  está  devendo  e  mando  a  todos 
meus  desembargadores,  corregedores,  ouvidoies.  juizes,  justiças,  of- 
(iciaes  e  pessoas  a  que  este  alvará  ou  o  treslado  delle  em  publica 
forma  por  autoridade  de  justiça  f(jr  mostrado  e  o  conhecimento  per- 
tencer (|ue  eu)  todo  o  cumprão,  guai-deu)  e  facão  inteiramente  cum- 
prii-  e  guardar  como  nelle  se  contem  sem  lhes  nisso  ser  posta  duvida 
nem  contradição  alguma  e  será  tresladado  com  a  dita  petição  no  li- 
vro da  dita  confraria  da  misericórdia  onde  os  similhantes  se  costu- 
mam tresladar  e  este  próprio  ficará  no  cartório  da  casa  em  toda  boa 
guarda  para  sempre  se  ver  e  saber  que  o  ouve  assi  por  bem  e  que- 
ro ipie  valha  como  se  fosse  carta  á.*  [)iogo  de  Barros  o  fez  em  Lix- 
boa  a  dezanove  de  abril  de  mil  e  b*"  Iriij  [lò9H]  K  do  teor  deste  al- 
vará que  he  a  primeira  via  se  pasou  mais  outro  pêra  ir  por  duas 
vias  cumprirseba  hum  somente.  Pêro  de  Seixas  o  fez  escrever. 

Arch.    mie.  <hi   T.  dn  T.,  Ur.  4."  dos  Priril.   de  Fiiipp.  1.  f.   17.9.  \ 


Finta  de  5:000  cruzados  para  a  egreja  de  Santa  Clara  de 
Ponta  Delgada,  de  26  de  maio  de  1595. 

En  el  rey  fiiço  sabpr  a  vos  provedor  dos  residos  e  órfãos  da  illia 
de  Sam  Miguel  (pie  aveiido  respeito  ao  (|iie  na  petição  alraz  escrita 
diz  Franciseo  Fernandez  vigairo  da  igreja  de  Santa  Clara  da  cidade 
da  Ponta  Delgada  e  visto  as  cansas  <pie  allega  e  vossa  informação  e 
parecer  ey  por  bem  e  vos  mando  ipie  dentro  em  três  annos  piimei- 
ros  segnintes  na  forma  da  oídenação  façaes  lançar  finta  de  conlia  de 
cinco  mil  crnzados  pelas  fazendas  dos  freguezes  da  dita  igreja  e  pelas 
propriedades  qne  esliveiem  dentfo  na  dita  freguesia  posto  que  seus 
donos  não  sejão  nellas  moradores  |teia  com  os  ditos  cinco  mil  cruza- 
dos se  poder  fazer  o  corpo  da  dita  igreja  e  a  lorre  dos  sinos  confor- 
me a  traça  que  para  isso  esta  dada  e  a  dita  finta  se  lepattirá  nos 
ditos  Ires  annos  tanto  em  hunm  como  em  outro  porque  com  isso  se 
dará  menos  opressão  aos  fregueses  da  dita  igieja  e  vos  tomareis  con- 
ta da  dita  finta  se  se  lançou  de  mais  conlia  que  da  sobredita  ou  se 
se  gastou  o  dinlieiíd  delia  em  ontra  cousa  senão  nas  obras  da  dita  e- 
greja  e  achando  que  se  fez  nisso  o  (jue  se  não  devia  procedereis  con- 
tra os  cidpados  como  for  justiça  dando  apellaçam  e  agravo  nos  ca- 
sos em  que  couber  e  este  alvará  cumprireis  inteiramente  como  se 
rrelle  contem  o  qual  quer-o  ipie  valha  tenha  força  e  vigor'  posto  ijue  o 
effeito  delle  aja  de  durar  mais  de  hum  anno  sem  enbargo  da  orde- 
nação do  t2."  livro  til.  XX  (20<  em  contrario.  Migel  Couceiro  o  fez 
em  Lixboa  a  xxbj  (26)  de  maio  de  mil  b''  Irb  i  /õ.9õi.  Fero  da  Costa 
o  fez  escrever. 

(Arch.  nac.  da  T.  ilo  T.,  Liv.  4."  dos  Prird.  dr  Fdiji.  I.  /.  8;'^ 


Consulta  sobre  se  reformar  a  Igreja  da  ilha  do  Fayal. 
de  23  de  março  de  1599  •  1  > 

Hieronimo  dAbreu.  Vigarif»  da  Igreja  de  Nossa  Senhora  da  Cra- 
ca do  logar  do  Fayal.  termo  de  Villa  Franca  da  Ilha  de  Sam  .Miguel, 
fez  [)etição  a  V.  Magestade  n'esla  meza  (jue  no   mtv.   de   oirlnbro   de 


(1)  Ha  er'i"()  iTe-sto  titulo.  A  (Consulta  não  ('  sotirv  a  lurcjii    da  ijlia  ilo  Ka\al 
mn^  sohre  a  do  topar  rio  Fayal,  na  ilha  de  S.  Mieiu'!. 

iNíilti  do  Sr.  J    I   ih-  HiHii  l\rlii'llii.\ 


lí)^  ARCHIVO    DUS    AGOHES 

97  forão  os  inglezes  á  dila  ilha  com  uma  iinrlerosa  armada,  e  que  eu- 
Ire  muitos  excessos  que  fizerão  foi  ijueimarão  a  igreja  e  capella,  e 
sancrestia  do  dito  lugar,  de  maueira  que  tudo  ficou  abrazado,  e  que 
por  no  dilo  logar  uão  aver  outra  Igreja,  em  que  se  possa  adminis- 
trar os  sacramentos  aos  freguezes  padecem  muita  falta  delles.  Pelo 
(|ue  pedem,  a  V.  Mageslade  havendo  respeito  á  muita  necessidade 
que  disso  tem  lhe  faça  mercê  de  mandar  passar  provisão  pêra  que  o 
feitor  de  V.  Magestade  da  dita  ilha  possa  mandar  reformar  a  dita  Igre- 
ja, capella  e  sancristia  com  a  brevidade  que  for  possível.  Enformou  o 
bispo  d" Angra  que  esta  Igreja  de  Nossa  Senhora  da  Graça  do  lugar 
du  Fayal,  da  Ilha  de  S:im  Miguel,  fora  ipieimada  dos  Inglezes  e  que 
lhe  parecia  que  devia  V.  Magestade  mandar  (]ue  á  custa  de  sua  fa- 
zenda se  reíizesse,  como  mandou  fazer  a  quatro  da  ilha  do  Fay.d  pela 
traçí  e  no  lugar  que  pjrecer  melhor  ãs  pessoas  a  fjue  V.  Mageslade 
cometter  esta  obra.  Pareceo  que  esta  Igreja  deve  V.  Mageslade  ser 
servido  mandar  refazer  com  a  brevidade  que  fi)r  possível  á  custa  de 
sua  fazenda  no  lugai'  e  pela  traça  (|ne  parecer  mais  conveniente,  con- 
forme ao  parecer  do  bispo  e  feitjres  (la  fazenda  de  V.  Mageslade. 
visto  haver  sido  queimaila  pelos  inglezes,  e  as  informações  (pie  sobre 
o  caso  se  houverão  dos  bispos  de  Leiria,  e  d' Angra.  Em  Alcouchete 
23  de  março  de  M.  D.  Ixxxx  biiij  (1599.) 

r.  d)  T..  Ur.  1.''  <las  Onísnll.  d(  M<'s.   da  Come.  v  Oni.  j.    14  r.^ 


ARCHIVO  DOS  AÇORES 


DONATÁRIOS  DE  SANTA  MARIA 


Da  vida  e  feitos  do  illustre  Fr.  Gonçalo  Velho  Commen- 
dador  do  Castello  de  Almourol  e  primeiro  Capitão  da 
Illia  dç  Santa  Maria  e  depois  da  de  S.  Miguel  pe- 
las desoubrir  ambas  e  (segundo  alguns   dizem) 
algumas  outras  dos  Açores. 

O  muito  illustre  e  valoroso  cavalleiro  Fr.  Gonçalo  Velho  commen- 
(iador  (*)  fio  Castello  de  Almourol  que  está  junto  do  grande  Rio  Tejo 
junto  da  Yilla  de  Tancos,  foi  da  nobre  e  antiga   geraçlo   dos  Velhos 


(•)  Azurara,  na  Chronica  do  Conde  D.  Pedro  de  Menezes,  pag.  602  do  T.  II. 
(los  Inéditos,  publirados  pela  Academia  Real  das  Scienrias  de  Lisboa,  quando 
no  Capitulo  XXXV  tracta  de  como  D.  Sancho  de  Noroniia  foi  a  Ceuta  no  anno 
<le  143o,  entre  as  pessoas  notáveis  nomeia  em  quarto  logar  a  Gonçalo  Velho 
Commendador  d'Almourol,  e  Ioí;o  na  pagina  seguinte  i^efere  algumas  palavras 
(|ue  attril)ue  ao  mesmo  Gonçalo  Velho. 

O  mesmo  autor  na  pag.  435  diz:  -Nom  he  razão  que  deixemos  fora  deste 
registo  hum  nobre  fidalgo,  que  era  criado  do  Infante  D.  Henrique  e  que  ao  dian- 
te íbi  Commendador  das  Ilhas  dos  Açores  e  de  Santa  Maria,  que  sam  no  mar  0- 
ceano  e  do  Castello  d^Almourol  que  he  da  ordem  de  Christo  ao  qual  chamaram 
Gonçalo  Velho,  que  estava  na  couraça  que  vai  para  Barbacote  lem  Ceuta)  com 
oito  Beesteiros,  e  hum  seu  Escudeiro,  que  o  bem  acompanln  u •  •  Gon- 
çalo Velho  (p.  436)  como  vio  que  ora  soccorrido  tornou  logo  á  (]oiraça.  onde  a- 
cjiou  jaa  um  Mouro  sobre  o  espigão  do  muro.  ao  qual  muy  em  breve  fez  leixar 

iiom  somente  a  parede  mas  a  vida e  d'alli  foi  ferido  Gonçalo  Vellio 

(!  outros  com  elle.-  Isto  passou-si-  em  1418  como  se  vv  na  pag.  418.  .Va  pagina 
4Í)3  entre  os  cavalleiros  (|ue  serviram  em  Ceuta  por  Í4â3,  inclue  «Gonçalo  Velho 
que  depois  foi  Commendador  da  Ordem  de  Christo.- 

O  (>apitulo  IX  L."  II  pag.  oO.t  a  515  lio  mesmo  Azarara  é  lodo  consagrado  a 
Gonçalo  Velho,  que  ainda  então  não  era  Commendador,  parecendo  que  os  fa- 
rtos ali  referidos  são  anteriores  a  .1425,  (expresso  no  C,;q).  XÍII).  .Vli  se  descreve 

N.°  21  -Yoi.  IV— 1882.  i 


i94  ARCHIVO  DOS  AtíOKES 

OS  quaes  nos  Reinos  de  Portugal  são  fidalgos  miiilo  principaes  de  Cot- 
ia d'armas,  e  de  solar  conhecido,  e  sempre  servirão  os  Reis  passa- 
dos nos  niilhores  officios  de  sua  caza:  hum  dos  quais  chamado  Rutj 
Velho  foi  Commcndador  de  Ahnourol  e  Estribeira  mor  d'aqneUe  Rei/  D. 
João  de  boa  memoria  o  1.°  do  nome  o  qual  Officio  por  elle  ser  jd  ve- 
lho do  tempo  que  EIReij  reinou,  trocou  pela  Commenda  das  Pias  e  Besel- 
gas:  e  parece  que  fez  EIReij  mercê  a  Frei  Gonçalo  Velho  seu  irmão  da 
dito  Ruy  Velho,  da  Commenda  de  Almonrol,  o  qual  Gonçalo  Velho 
{*'\  era  da  caza  do  Infante  D.  Henrique  e  Ião  privado  seu,  e  acceito  a 
elles  pelos  serviços  que  elle  e  seus  avós  linhão  feito  ã  Coroa,  e  a  el- 
le dito  Infanle  e  pelo  que  conhecia  das  parles  e  esforço,  saber  e  pru- 
dência do  dito  Fr.  Gonçalo  Velho  que  determinando  descobrir  estas 
Ilhas  dos  Assores,  não  achou  outro  mais  sufliciente  em  sua  caza  a 
quem  commetesse  o  cargo  de  conza  de  lauta  importância  como  esta 
hera.  senão  a  elle:  o  que  basta  somente  para  i)rova  de  quem  elle  he- 
ra e  podia  ser.  E  como  atráz  tenho  contado,  o  mandou  o  Infante  da 
Villa  de  Sagres  do  Algarve  onde  então  estava  a  descobrir  a  Ilha  de 


conio  Gonçalo  Velho  ompreliendeu  surprehendor  de  noite  os  Mouros  (^  lomar-lhes 
Gibraltar  a  convite  de  dois  irmãos  Joíiam  e  Gonçalo  de  Saavedra,  o  que  teriam 
eíTectuado  se  o  ^uia  não  tivesse  errado  o  caminho.  (>ontOeni  traços  caracteristi- 
fos  os  seguintes  treelios: 

«Gonçalo  Velhc  assy  como  era  de  grande  coração  assy  avondava  em  forla- 
leza  corporal." 

«Gonçalo  Velho  acompanhado  (Palf^uns  .  .  quizera  subir,  onde  rocebeo 
huma  ferida  por  acerca  do  olho,  por  (jue  lhe  ao  diante  conveio  perder  gram 
parte  da  vista, e  Ibi  derriba  com  um  penedo  .  .  .  (uidc  lhe  fez  grande  |)rovei- 
to  a  defensom  de  sen  escudo,  em  que  recebia  a  nuiitidão  das  seetas  e  ped:-as, 
que  lhe  de  cima  eram  lançadas. >- 

Resumindo  as  datas  conhecidas  da  Vida  de  Gonçalo  Velho  vè-se  (|uc:  este- 
ve ua  tomada  de  Ceuta  em  141o;  foi  e.xplorar  as  costas  d^Ah-ica  alem  das  Caná- 
rias em  1416:  (1)  esteve  em  Ceuta  em  1419  a  1423  e  talvez  mesmo  ató  1425: 
em  14:H  e  14:í2  andou  na  descoberta  dos  Açores:  em  14:í5  voltando  a  Ceuta,  já 
era  Commeuilador  da  Ordem  de  Christo:  em"  144:{  D.  Atfon.<o  V  lhe  fez  certa  mer- 
cO:  (2)  em  1444  ou  144o  CJ)  se  oceupou  na  colonisação  da  dlia  de  S.  Miguel:  em 
1455(4)  vivia  nas  snas  ilhas,  provavelmente  em  St.-^  "Maria;  nnalmenie  ein  1460 
lhe  foi  imssada  a  carta  acima,  em  (|ue  se  lhe  determinou  a  jurisdicção,  que  ile- 
via  uzar  na  sua  ca|)itania. 

(•,1  As  palavras  em  itálico,  estão  por  letlra  dilíerenle,  no  MS.  Saudades  da 
Terra  do  Dr.  Fructuoso. 


Ml  Xa  iiifiuniia  ilo  l)i.  Sclicmcller-  ÍV/íc;'  \'i(li'iili)ii  Fernandes,  paií.  ID  na  fíelação  ili-  Didiin 
(loincs,  SfVliz  que:  >ino  aniin  de  lUfi  iiiandou  o  infanle  It.  Henrique  o  ííerieroso  cavalleiro  Gonçalo  Ve- 
lliii  alem  das  ilhas  Canárias,  jior  desejar  conhecer  a  causa  das  ijrandes  correntes  niaritimasl  e  que 
chet-ando  Gonçalo  Velho  junto  á  iJhia  ao  loirar  chamado  (ena  alta  em  cuja.'!  costas  só  se  viam  areaes 
voltando  annunciou  ao  Infante  de.scoíjrira  um  niai-  lrani|uillo  aonde  sempre  reinava  vento  nor- 
te rijo,  e  se  encontrava  tirande  copia  de  pescíido >• 

|2)  Isenção  de  paparem  dizima  por  .i  annos  os  moradores  dos  Açores,  mercê  a  doncalo  Velhii 
l-onimendador  das  ditas  Ilhas  'Arcliiro  (hjs  Açores  Vol.  I.  \>.  .■>.; 

'.Tl  Aziíraia  Chronim  de  Guiné  jiafí.  380. 

'ii  N'este  Archim  Vol.  IV  paií.  321  em  que  .se  manda  a  tiimcaln  Vellm  qne  deixe  |i:irtir  .loão  de 
l.isliua.  perdoado  tio  dearredo  a  que  fíira  condemnado. 


AHCHIVO   DOS   AÇORES  195 

Santa  Matia  e  niio  acliaiiilf)  da  |)iiinL'ira  viagem  senão  somente  os 
baixos  de  áspera  penedia  a  (]ue  chamou  ííj  Formigas  pela  razão  já 
dita  se  tornou  ao  Algarve,  donde  depois  foi  enviado  pelo  mesmo  In- 
fante ao  mesmo  descobr-imento,  e  desta  segimda  vez  achou  a  Ilha 
a  que  poz  nome  de  Santa  Maria  pela  achar  em  seu  dia  de  sua  As- 
sumpção a  ir>  dAgosto  do  anuo  do  Senhor  de  l'i3:2  no  tempo  que 
reinava  ern  Portugal  D.  João  de  Boa  Memoria,  1."  Rey  em  n."  e  i." 
do  nome.  como  já  fica  dito.  E  certo  eu  tenho  para  mim  que  ordina- 
riamente não  faz  Deos  tal  mercê  de  mostrar  hua  só  Ilha  nunca  des- 
cobeila  a  alguém  senão  a  pessoa  que  tenha  grandes  partes  e  vir- 
tudes: (pianto  mais  muitas  ilhas  como  se  (bz  (|ue  quiz  mostrar  a  este 
valeroso  (^apitam  como  irei  contando.  Assim  que  a  primeira  que  achou 
foi  a  de  Santa  Maria,  e  tornanilo  ci)m  a  nova  do  novo  descobrimento  ao 
Infante  elle  lhe  fez  mercê  delia  fazendo-o  o  seu  Capitam  e  Governa- 
dor, com  o  qual  cargo  depois  de  mandar  lançar  gado  e  outras  cousas 
nella  o  mandou  a  povoai  a  e  cultival-a  o  que  elle  fez  com  grande  sa- 
ber e  diligencia  trazendo  comsigo  a  Nuno  Velho  e  a  Pêro  Velho  seus 
sobrinhos,  filhos  de  hua  sua  irmãa  que  erão  ainda  meninos,  e  fez  cul- 
tivar e  povoar  a  Ilha  de  nobre  gente  tratando-a  com  muito  amor  e  go- 
vernando-os  com  muita  brandura,  pela  qual  razão  era  de  toda  obedeci- 
do e  muito  querido.  E  indo  outra  vez  ao  Reino  o  tornou  o  dito  Infante 
a  mandar  descobrir  esta  Ilha  de  São  Miguel  por  sentir  d"elle  que  para 
tudo  era.  O  qual  obedecendo  aos  mandados  e  rogos  do  Infante  alcan- 
çou de  Deos  acliala,  como  direi  adiante  quando  delia  particularmen- 
te tractar  e  fez-lhe  o  Infante  mercê  da  Capitania  delia  juntamente  com 
a  da  Ilha  de  Santa  Maria  ficando  Capitam  de  ambas:  mas  por  ser  en- 
tão mais  povoada  a  de  Santa  Maria  que  primeiro  fora  achada  rezidia  o 
mais  do  tempo  nella,  e  lá  morava.  E  tornando  delia  ao  Reino  dar  in- 
formação do  que  nella  fazia  e  havia,  e  por  ventura  de  outras  conje- 
cturas que  sentiria  de  haver  ao  redor,  perlo  destas,  mais  Ilhas:  ou 
por  isso  ou  pelo  que  o  Infante  linha  entendido  de  as  poder  haver  o 
tornou  a  mandar  ao  descubrimento  delias:  e  comummente  se  diz  (ain- 
da que  em  seu  lugar  direi  o  que  outros  dizem  e  sentem  por  mais  cer- 
teza) que  vindo  o  dito  Frey  Gijnçalo  Velho  a  esta  empreza  mandado  do 
dito  Infante,  descobrio  primeiro  a  Ilha  Terceira:  e  depois  a  de  São 
Jorge,  e  a  Graciosa  com  que  o  Infante  lhe  ficou  mais  afeiçoado  fazen- 
do-lhe  cada  vez  mais  mercês  e  favores,  quando  o  vio  diante  de  si  tão 
dilozo  bem  afortunado  descobridoí-  de  tantas  Ilhas:  de  ipie  se  espera- 
va accrescentamento  e  grande  provimento:  e  bem  do  Keino:  e  logo  o 
enviou  com  alguns  navios  cariegados  de  gado  de  diveisa  sorte,  para 
o  lançar  nellas  antes  de  se  povoar,  por  que  multiplicando  na  terra  os 
povoadoies  que  viessem  a  ellas  passados  alguns  tempos,  achassem  já 
mantimentos,  e  instiumentos,  para  se  poderem  ajudar  delles,  tpiando 
a  beneficiassem  e  a  cultivassem:  pelo  que  quando  depois  ElHey  D. 
AÍTonso,  12."  Rei  de  Portugal,  ri."  do  nome.  deu  licença  (pie  todas  se  po- 


196  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

voassem  no  anno  de  1449  (*)  pela  fertilidade  e  fresquidão  que  della.^ 
se  contava,  e  por  estas  cousas  que  já  nellas  havia  folga  vão  de  vir  a 
ellas,  e  principalmente  gente  muito  honrada  e  nobre  de  que  todas 
se  povoarão  em  poucos  annos. 

Andando  os  homens  nestas  Ilhas  roçando  os  espessos  mattos  e  ca- 
çando, não  com  açores  nem  gaviões  nem  outras  aves  de  altanaria  as 
outras  aves  que  nelles  havia,  senão  com  as  próprias  mãos  com  que 
as  tomavão  sem  trabalho,  por  ellas  não  fogirem  pelo  pouco  uzo  que 
de  ver  gente  tinhão;  e  beneficiando  a  teria  semeando-a  de  trigo,  ce- 
vada e  centeyo.  e  de  diversos  legumes  armando  e  tecendo  suas  cazas, 
como  fazem  os  curiosos  e  cuidadosos  passarinhos,  entre  o  alto  alvo- 
redo;  temperando  com  aquellas  saudades  dos  mattos  e  novas  e  estra- 
nhas Ilhas  as  que  tinhão  de  suas  terras  naturaes,  donde  vinhão  huns 
com  determinação  de  tornar  ás  que  deixarão,  outros  de  viver  e  mor- 
rer nas  que  novamente  acharão  e  povoarão:  apostados  com  a  quella 
colónia  de  novas  leiras,  esquecer  as  saudades  das  suas  antigas.  K 
estando  no  anno  di  14(50  o  felicíssimo  capitão  das  duas  primeiras  I- 
Ihas  na  de  Santa  Maria  onde  tinha  seu  principal  assento,  occupado 
com  o  mesmo  cuidado  do  mar.  com  machados  e  fouces  roçadores  ro- 
çar e  cortar  as  empinadas  arvores  e  com  enxadas,  e  fogo,  extripar  e 
dessipar  e  destruir  suas  grudadas  raizes.  e  romper  as  terras  com  o 
curvo  arado  exprimenlando  das  sementes  <jual  niilhor  fructificava. 

Do  primeiro  Alvará  que  se  acha  e  sabe,  mandar-lhe  o  Infante  do 
Heino  para  o  norte  do  governo  d"estas  Ilhas  que  erão  suas  e  princi- 
palmente destas  duas  de  Santa  Maria  e  São  Miguel  de  que  o  fizera 
Capitam  e  Governador,  direi  a(jui  por  ser  couza  antiga  as  palavras 
antigas  todas  finalmente  notadas  que  são  as  seguintes: 


Jurisdicção  concedida  a  Fr.  Gonçalo  Velho. 

«Eu  o  Infante  D.  Henrique  Duque  de  Viseu  e  Senhor  da  Covilhãa: 
mando  a  vós  Fr.  Gonçalo  Velho  meu  cavaleiro,  e  Gapitão  por  mim 
em  minhas  Ilhas  de  Santa  Maria  e  S.  Miguel  dos  Açores  (jue  lenhaes 
esta  maneira  as  siiso  escripta  á  cerca  da  justiça  e  feitos  civis.  Vós  man- 
dareis aos  Juizes  da  terra  (pie  oyção  as  parte*^  que  em  litigio  forem, 
as  mandem  vir  prezente  si.  e  lhes  facão  cumprimento  de  direito,  e 
se  das  sentenças  que  os  juizes  derem  quizerem  appellar,  appellem 
para  vós.  e  vós  confirmai  as  sentenças  dos  Juizes,  ou  as  corregei 
(piai  virdes  que  he  direito,  e  se  de  vossa  sentença  elles  ijuizeiem  ap- 
pellar vos  lhe  não  recebereis  appellação,  nem  lhe  dareis  salvo  instru- 
mento de  aggravo  ou  carta  testemunhavel  para  mim  com  vossa   res- 


(•)  Aliás  14:U>.  loiíid  ciiiist;!  lío  piiiiieim  (iociimcnto  puhlirado  no  Voi.  l  tles- 
te  Arrhhii. 


Anciiivo  DOS  AçonES  107 

posta,  e  enlão  eii  denunciarei  o  que  vir  que  lie  direito  e  vos  mandarei 
o  que  façais  porem  vós  não  d^^ixareis  de  mandar  enxuqnatar  {execu- 
tar) as  ditas  sentenças  posto  (|ue  com  os  instrumentos  ou  cartas  teste- 
munháveis a  mim  venlião;  e  se  for  em  feilo  crime  em  (|up  algum  ou 
algua  faça  o  que  não  deve.  e  por  que  mercçrio  [)ena  de  justiça  vós 
mandai  prender,  e  a[)enar  em  dinheiro  e  degradar  para  onde  vos 
prouver  e  mandar  açoutar  aquelles  que  o  merecerem,  sem  dardes  pa- 
ia mim  appellação.  E  se  for  feilo  tão  crime  por  (jne  mereça  morte, 
ou  talhamento  de  niemhn».  vós  mandareis  aos  Juizes  que  dêem  a 
sentença  e  os  julguem,  e  da  sentença  que  derem  appellem  por  parte 
da  justiça  e  enviarão  a  mim  a  appellação.  e  de  mim  hiiá  a  caza  de 
El  Rey  meu  Senhor,  e  eu  vos  enviarei  a  denunciação  que  delia  vier, 
e  outro  sim  liavizareis  aos  moradores  dessas  Ilhas,  que  não  vão  com 
nenhuns  aggravos  nem  appellações  nem  instrumentos,  nem  cartas 
testemunháveis  a  nenhua  justiça,  se  não  a  mim  (lu  a  meus  ouvidores 
por  que  a  jurisdição  toda  he  minha  civil,  e  crime,  e  de  mim  hirão  as 
appellações  das  mortes  dos  homens  e  talhamento  de  memhros  á  Caza 
de  El  Hey  meu  Senhor,  por  que  vós  nem  outro  alguui  Capitão  tem 
poder  de  malar  nem  de  mandar  talhar  membro  e  nos  outros  cazos 
vós  tende  á  maneira  susodita:  e  qnal(]uer  (jue  o  contrario  fizer  e 
em  isto  uzurpar  miidia  jurisdição  pagará  por  cada  vez  e  cada  hum 
mil  reis  para  minha  chancellaria.  E  outro  sim  se  o  Tabellião  de 
si  errar  em  seu  oííicio  por  falsidade  vós  o  suspendei  do  OÍTicio  até 
me  fazerdes  saber  o  erro  como  he  e  vos  eu  mandar  a  maneira  que 
terdiais.  E  outro  sim  sereis  avizado  que  se  a  essa  Ilha  forem  Diogo 
Lopes  e  Rodrigo  de  Bayona  sem  vos  mostrarem  minha  licença,  que  os 
prendais  e  lenhais  bem  prezos  até  mo  fazerdes  saber",  e  vos  mandar 
como  façais  e  mos  enviai  prezos  á  minha  cadeia.  E  quanto  he  ã  inquiri- 
ção qire  cá  enviastes,  vós  vede  lá  o  ffito  e  determinai  como  virdes 
que  he  direito:  cumprirrdo  todo  assim,  e  pela  guiza  que  por  mim  he 
mandado,  sem  rielle  por^des  outra  briga  irem  embargo  por'  que  assim 
he  minha  mercê.  Feita  em  minha  Villa  de  Lagos  a  IO  dias  de  Maio. 
João  de  Ciorizo  o  fez.  Airno  do  Nascimento  de  1470.»  (I) 

ludo-se  depois  d"ali  a  alguns  armos  ique  não  podião  ser'  mrritos) 
destas  Ilhas  o  dito  Fr.  Gorrçalo  Velho  para  o  Heirro  pedio  as  para  os 
dois  sobrinhos  (|ue  a  ellas  tr^ouxera  comsigo  meninos  e  nellas  deixava 
feitos  já  homens  o  Nrrno  Velho  e  Pedro  Velho  cm  idade  e  discr-ipção 
([ue  bem  as  podião  governai',  fazendo  ronia  (jiie  hiiiii  ficaria  por  (Ca- 
pitão de  hõa.  e  oiilro  da  oirira:  por  (jiie  elle  como  se  criara  na  Coile 


(l)  (loiíio  o  liiriíiik'  I).  Heiii'i(|iK'  iiiorreo  cm  l'i(iO  nfio  pode  ter  íissílmiikIh  em 
l^TO  o  (lociiiiieiito  siipiM. 

P^stc  iiKSdio  .loão  (lorizu  li^iii';;  como  Icsleiiumlia  m»  Icstiuiiciild  iln  liiliiiilc 
I).    Ilciii'i(|(ic.  impresso  no  Vol    l,  iiíil;.  .'!:!()  ireste  Arrhirit. 


198  AHCIIIVO    DOS    AÇOhES 

ás  abas  dos  Reis  e  gramies  senhores;  e  a  iialiireza  também  o  cha- 
mava, hia  determinado  de  largar  as  ditas  Capitanias,  e  contentar-se 
com  estar  ao  bafo  dos  Heys  como  sempre  estivera,  e  servil-(is  em  Ve- 
lho, como  fizera  em  mancebo.  Mas  [)r'0[)undo-lhe  o  Infiuite  diante  ou- 
tro seu  sobrinho  que  em  sua  casa  tinha  e  os  muitos  serviços  (jue  del- 
le  tinha  recebidos,  e  como  era  também  seu  sobrinho,  filho  de  outra 
sua  irmãa.  pareceo-lhe  bem  ao  dito  Vi\  Gonçallo  Velho  a  razão  do  in- 
fante e  fez-lhe  a  vontade  acceitando  a  mercê  <]ue  lhe  fazia  para  seu  so- 
brinho que  se  chamava  João  Soares  de  Albergaria,  e  mandandoo  cha- 
mar o  Infante  lhe  fez  mercê  diante  de  seu  tio  Fr.rionçalo  Velho  por 
sua  livre  vontade:  e  volnnlaria  renunciarão  da  Capitania  das  (htas 
Ilhas  de  Santa  Maria  e  São  Miguel:  e  beijando  o  dito  João  Soares  h)- 
go  a  mão  ao  Infante  por  esta  mercê  que  lhe  fazia,  ficou  Capitão  elei- 
to delias  e  depois  confirmado  por  sua  carta  patente  que  lhe  disso  foi 
|)assada  por  mamlado  do  dito  Infante,  e  assignada  por  elle. 

Alem  de  ser  ceito  indicie  da  muita  virtude,  e  do  grande  e  esforça- 
do animo  deste  filicissimo  e  [)iimeiro  Capitão  (|ue  foi  destas  duas  pri- 
meiras Ilhas  dos  Açores  pelas  achar  e  descobrir  a  ellas:  c  (segundi» 
alguns  dizem I  as  outras  três  «pie  já  disse;  mais  certa  prova  he  ainda 
do  grande  valor  de  sua  illustre  pessoa  deixai  as,  e  largal-as  livre  e 
liberalmente  em  sua  vida.  como  quem  não  dei.xava  nada,  pois  mais 
magnânimo  se  moslra  ser  o  liomeu)  em  largar  e  tiar  o  (jue  tem,  e 
possue  que  em  acceitai'  e  tomar  o  (jue  lhe  oflerecem.  Assim  ficou  es- 
te felicissimo  (Capitão  de  boa  memoria  no  Heino  em  serviço  dos  Keys 
e  Infantes  que  tanto  amava,  vivendo  ainda  alguns  ânuos,  e  depois 
de  muito  velho  Fr.  Gonçalo  Velho,  sendo-o  na  idade  como  no  nome 
e  custumes.  acabou  seus  bem  empregados  annos  de  sua  vida  com  a 
morte  (|ue  a  todos  leva.  dando  sua  alma  a  Deos  que  tão  ornada  e  a- 
companhada  de  virtudes  e  boas  obras  lha  deu  para  por  ellas  funda- 
das nos  merecimentos  de  sua  sagrada  paixão  lhe  dár  no  ceo  icomo 
cremos  que  dem  a  sua  gloria. 

As  armas  do  brazão  deste  (Capitão  Fr.  (i  )nçalo  Velho  e  de  sua 
progénie  dos  Velhos  de  que  todos  os  de.Ncendenles  delles  gozão,  as- 
sim os  do  Reyno  como  os  dVstas  duas  Ilhas  de  St.*  Maria  e  S.  Miguel. 
6  de  outras  partes  donde  os  ha:  são  hum  escudo  com  o  campo  ver- 
melho, e  nelle  cinco  vieiras  (h)uradas  em  aspa.  com  sua  merleta  de 
ouro  por  diviza,  e  não  tem  elmo  coiu  o  mais  (pie  agora  se  costuma, 
por  que  parece  (pie  não  se  custuinava  naipielle  tempo  antigo,  senão 
somente  o  escudo  com  as  armas  nelle,  as  quais  armas  dos  Velhos,  são 
as  dos  illustres  capitães  da  Ilha  de  Santa  .Maria  (|ue  trazem  e  tem  de 
seus  antepassados,  e  principalmente  d"este  1."  Capitão  da  mesma  Ilha 
Fr.  Gonçalo  VellK»,  e  estão  pjstas  na  Igreja  de  Nossa  Senhora  da  As- 
sumpção da  Villa  do  Porlo  da  dita  Ilha'  na  Capella  de  Duarte  Nunes 
Velho  que  delles  descendia:  mas  depois  vi  outras  da  mesma  manei- 
ra no  l)razão  de  Mathias  Nunes  Velho  Cabral  com  elmo  aberto  guar- 


ARCHIVO  DOS  AÇOHES  19ÍI 

necido  de  ouro,  patjiiife  de  ouro.  e  vermelho,  e  prata  e  purpura  e  por 
lymbre  hum  chapeo  pardo  com  hua  vieira  de  ouro  na  boida  da  volta. 
(jue  he  o  timbre  dos  Velhos. 

{Gaspar  Frfnlifiixn,  Satidaclps  da  Tirra,  Lir.  S."  Cap."  12.) 

Era  Gonçalo  Velho,  o  ram(>so  commendador  de  Almourol,  e  pii- 
meiro  capitão  (pie  íoi  da  ilha  de  Santa  Maria,  e  desta  de  Sam  Miguel, 
tão  valente  de  sua  pessoa,  que  mandando  el-Rey  dom  Joam  correr  lou- 
)os  em  Evoi a,  mandou  elle  tazei'  um  cadafalso  para  levar  a  vel-as  umas 
sobrinhas  suas,  dona  Cecília,  e  dona  Cathaiina,  e  outras  parentes.  Es- 
tando já  o  curro  cerrado  entiou  elle  com  as  sobrinhas,  e  passando  com 
dous  pagens,  que  iam  diante  para  o  cadafalso,  estava  para  se  correr 
um  louro,  poderoso  e  bravo:  mandou  el-Rey  o  lançassem  no  curro  a 
Gonçalo  Velho,  que  ia  passando  com  as  sobrinhas.  Tanto  íjue  o  touro 
entrou  no  curro  foi  arremettendo  a  elle:  recolheu  com  o  braço  esquerdo 
para  traz  aos  pagens  junto  das  sobrinhas:  e  chegando  o  touro  já  muito 
perto  abai.xando  a  cabeça,  e  fechando  os  oIIk  s  conjo  costumam  paia 
o  acommelter.  tirou  elle  d  um  terçado,  que  levava  na  cinta,  e  dando-lhe 
um  golpe  no  geijilho,  junto  dos  galhos,  no  logar  onde  lhe  dão  quando 
os  matam  derrubou-lhe  a  cabeça,  de  maneira  que  cahio  o  tcjuro  por  ter- 
ra perneando.  e  acabando  a  vida.  Alimpou  o  terçado  no  mesmo  touro 
com  muita  (|uietação.  dizendo:  Os  rapazes  que  cá  vos  mandaram,  outro 
tanto  lhe  íizeia  eu,  se  cá  os  apanhara.  Levou  as  sobiinhas  ao  cadafalso. 
Joam  Roiz  da  Gamara,  quarto  capitão  desta  ilha  de  Sam  Miguel,  conta- 
va pela  ouvir  na  corte,  onde  andava,  esta  historia  miudamente. 

Sendo  este  Gonçalo  Velho  commendador  de  Almourol,  como  era 
muito  privado  da  casa  do  infante  dom  Henrique,  que  mandou  descobrii' 
estas  ilhas:  e  brigando  certa  hora  com  uns  fidalgos  da  casa  do  mes- 
tre de  Santiago,  que  foi  antes  de  dom  Jorge,  filho  de  el-Rey  dom  Jo- 
am, (outros  dizem  que  do  mesmo  dom  Jorge,  o  que  parece  não  ser 
este)  sobre  qual  delles  era  maior  senhor, — se  o  infante  dom  Henri- 
que, se  o  dito  mestre  de  Santiago:  affrontados  elles  das  palavras, 
que  Gonçalo  Velho  lhes  dissera,  indo  elle  para  a  sua  commenda  de 
Almourol,  acompanhado  de  vinte  homens  de  cavallo.  fora  outra  gente 
de  pé:  recolheu-se  em  certa  pousada .  e  passando  de  noite  resava 
vésperas,  e  completas  por  umas  horas  :  atiraiam-lhe  |)or  um  liuraco 
da  porta  com  uma  besta:  e  o  quadrelho  lhe  deu.  e  pregou  nas  oras 
|)or  onde  resava.  sem  lhe  fazer  damno  algum.  Chamando  então  pelos 
criados,  sahio  com  elles  a  cavallo  buscando  os  contrários,  sem  os  po- 
der achar:  sónuMite  sendo  já  manhã  viram  uns  signaes  das  ferradu- 
ras, e  tro|)el  dos  cavallos.  (jue  se  iam  recolhendo,  por  de  dia  o  não 
ousarem  acommelter.  senão  de  noite  com  espias  diante:  por  conhece- 
rem do  dito  Gonçalo  Velho  ser  tão  valente,  e  esforçado  de  sua  pes- 
soa, que  não  podiam  delle  tirar  o  mellior,  ro>to  a  rosto:  e  por  isso 
o  foram  acommetler  á  traição  de  noite. 


-200  ARCHIVO   DOS   AÇORES 

Era  Gonçalo  Velho  de  tantas  forçaS;  que  pndia  espremer  um  ho- 
mem, e  esminçal-o  entre  as  mãos;  alem  (l'isto  muito  animoso:  pelo 
que,  foi  de  noite  no  alcance,  buscando  aos  seus  contrários,  o  que, 
d"alguns  foi  taxado,  e  julgado  por  temeridade.  por(]uo  fora  possível 
serem  tantos  seus  inimigos  na  cilada.  ()ne  o  puderam  lomar  aquella 
noite.  Mas  o  grande  esforço,  animo,  e  valentia,  (pie  tinha,  o  fez  com- 
metter,  sem  estimar,  nem  temer  aquelle  perigo.  E  por  serdesta  (]ua- 
lidade  e  de  tão  boas  partes,  era  muito  privado  do  infanle  dom  Henri- 
que, e  foi  enviado  por  elle  a  descobrir  eslas  ilhas  de  Santa  Maria,  e 
Sam  Miguel,  (jue  descobrio.  e  foi  feito  capitão  delias,  trazendo  com- 
sigo  aos  ditos  dons  seus  sobrinhos.  Pedro  Velho  e  Nuno  Velho.  Tor- 
nando para  o  reyno  por  não  se  conlentar  viver  em  terra  eima,  se- 
não na  corte  onde  se  criara  nas  abas  dos  príncipes:  fizera  os  sobri- 
nhos capitães,  um  duma,  outro  doutra  ilha,  mas  o  infante  acabou 
com  elle,  que  fosse  capitão  d'ellas  outro  seu  sobrinho,  (]ue  andava  em 
casa  do  mesmo  infante,  chamado  Joam  Soares  de  Albergaria,  (ilho 
doutra  irmã  do  dito  Gonçalo  Velho,  e  irmão  da  dita  dona  Violanta. 
mulher  de  í3iogo  Gonçalves  de  Travassos;  atraz  dito.  O  qual  feito  de- 
pois capitão  pela  renuncia  de  seu  tio,  que  ficou  em  Poilugal,  onde 
falleceo  sem  ter  íilhos.  veio  moi-ar  a  eslas  ilhas,  governando-as  com 
muita  prudência  e  deligeiícia.  residindo  princi|iahnente  o  mais  do  tem- 
po n:i  ilha  de  Saiila  .Maria,  por  ser  mais  povoada  na  (|uelle  tempo. 

[Livro  IV.  Cap.  III  ilas  mesmas  Saudades  da  Terra,  de  pag.  23  a 
■Jò.  I 


Confirmação  da  capitania  de  Santa  Maria. 

Dom  João  tV.'  Faço  saber  aos  que  esta  minha  carta  de  confirma- 
ção e  reformação  virem  que  porparte  de  Brás  Soaies  de  Sousa  fidal- 
go de  minha  casa  me  foi  apres.^ntada  hõa  carta  dei  Rey  Dnm  Phelipe 
de  Castella  de  que  o  treslado  é  o  seguinte: 

Dom  Phelippe  á-.''  Faço  saber  aos  (jne  esta  minha  carta  de  confir- 
mação per  successão  virem  que  por  parle  de  Brás  Soares  de  Sousa 
filho  mais  velho  barão  lidimo  de  Pêro  Soares  de  Sousa  já  fallecid(» 
me  foi  apresentada  hua  minha  carta  por  mim  assinada  e  passada  poi- 
minha  chancellaria  da  qual  o  treslado  he  o  seguinte: 

Dom  Phellipe  á-.  Faço  saber  aos  que  esta  minha  caria  de  confir- 
n»ação  per  successão  virem  que  por  parte  de  Pêro  Soares  de  Sousa 
fidalgo  de  minha  casa.  filho  de  Brás  Soares  de  Sousa  ja  falecido  me  foi 
apresentado  hua  carta  dei  Rey  meu  Senhor  e  avo.  que  santa  gloria 
haja,  poi'  elle  assinada  e  passada  pela  chancellaria  da  qual  o  tresla- 
do he  o  seguinte: 

Dom  Phelipe  d-.'  Faço  saber  aos  que  esta  minha  carta  de  confir- 
mação virem  que  por  ()aite  de  Brás  Soares  de  Sousa   fidalgo  de   mi- 


ARCHIVO   DOS   AÇOHES  201 

nha  casa  me  foi  apresentada  hua  carta  do  Senhor  Rey  dom  Sebastião, 
meu  sobrinho,  que  santa  gloria  liaja  por  elle  assinada  e  passada  pela 
chancelaria  da  qnal  o  treslado  he  o  seguinte: 

Dom  Sebastião  A.'^  Aos  (]ue  esta  minha  carta  de  confirmação  vi- 
rem faço  saber  que  por  parte  de  Pêro  Soares  de  Sousa,  capitão  que 
foi  da  ilha  de  Santa  Maria  me  foi  apresentada  hua  (;arta  dei  Hei  meu 
Senhor  e  avò  que  santa  gloria  haja  por  elle  assinada  e  passada  por 
sua  chancellaria  da  qual  o  treslado  hé  o  seguinte: 

Dom  João  á.'^  A  quantos  esta  minha  carta  virem  fíiço  saber  que 
por  pane  de  João  Soares  de  Sousa,  filho  de  João  Soares,  capitão  que 
foi  da  ilha  de  Santa  Maria  me  foi  apresentada  hua  carta  dei  Rey  meu 
Senhor  e  padre  que  Santa  gloria  haja  de  que  o  theor  tal  he: 

Eu  o  duque  faço  saber  aos  que  esta  minha  carta  virem  que  por 
parle  de  João  Soares  cavaleiro  de  minha  casa  e  capitão  por  mim  na 
minha  ilha  de  Santa  Maria  me  foi  apresentada  hua  carta  da  infante 
minha  senhora  de  que  o  theor  tal  he:  (I) 

A  qual  carta  vista  por  mim  eu  a  confirmo  e  hei  por  confirmada 
assi  e  pella  maneira  que  em  ella  é  contheudo  sem  outro  embargo 
que  hus  e  outros  a  ello  ponhão.  Dada  em  a  villa  de  Torres  Vedras 
a  vinte  e  quatro  dias  de  jimho.  Pêro  Lopes  a  fez.  Anno  do  nascimen- 
to de  Nosso  Senhor  Jezu  xpo  {Christo)  de  mil  quatro  centos  noventa 
e  trez.  (1493)  E  eu  João  da  Fonseca  escrivão  da  fazenda  do  dito  se- 
nhor a  fiz  escrever  e  snbscievi:  (2) 

Pedindo-me  o  dito  João  Soares  que  por  quanto  elle  era  filho  mais 
velho  do  dito  João  Soares  seu  pay  e  a  dita  capitania  lhe  vinha  per 
successão  lhe  confirmasse  a  dita  carta,  e  visto  per  mim  seu  rcíjueri- 
mento  e  querendolhe  fazer  graça  e  mercê  tenho  por  bem  e  lha  con- 
firmo e  hei  por  confirmada  assi  por  successão.  A  qual  carta  elle  man- 
dou entregar  nas  confirmações  pêra  lhe  a  ver  de  fazer  assi  per  suc- 
cessão o  anno  de  quinhentos  e  vinte  e  dous  {lò22)  e  se  lhe  não  fez 
senão  agora  que  o  requereo  e  pagara  a  chancellaria  da  confirmação 
da  dita  carta  por  não  ser  pello  dito  senhor  confirmada  e  mando  que 
assi  se  cumpra  e  guarde  como  nella  se  contem.  Dada  na  cidade  de 
Lixboa  a  trese  de  março  Aiies  Feinandes  a  fez  de  mil  e  quinhentos 
e  vinte  e  sette.  {Iò27)  (3) 


(1)  Refere-so  á  Carta  de  Doação  pela  Infante  D.  Beairiz  de  i;i  de  .lulho  de 
1474  impressa  no  Vol.  I,  p.  15  d'este  Archivo. 

(2j  João  Soares,  morreu  por  4499. 

(3)  N'este  mesmo  anno  foi-ÍÍKí  concedido  o  seguinte  Brazâo  d^ii-mas: 

«Portuí^aí,  Rei  d'ai-ina-í  prim^pal  d'Elrey  Nosso  Senhor.  Faço  saber  aos  que 
esta  certidão  virem  qne  João  Soares  de  Sousa.  íidalf^o  da  casa  rio  dito  Senhor  e 
Capitão  da  Ilha  de  Saiila  Maria  me  fez  inlbrmayão  como  elle  descendia  por  linha 
direita  das  iiol)r(!s  linlia.ucns  e  antigas  fíeracões  dos  Sonsas  e  do-;  Velhos,  a  sa- 
ber: da  parte  de  seu  pac  João  Soares  Velho,  qne  lierdon  esta  Ca|iilania  de  Gonça- 

N.°  21— Vol.  IV— 1882.  2 


Í02  AKCHIVO  DOS   AÇ015ES 

Pedindome  o  dito  Pêro  Soares  de  Sousaijue  por  (juanto  elle  era 
o  filbu  mais  velho  de  João  Soares  de  Sousa  seu  pay  como  constava 
da  certidão  da  jiisliticação  do  doutor  António  Vaz  Castello  do  meu 
conselho  e  mdu  desembargador  do  paço,  juis  da.s  justificações  de  mi- 
nha fazenda  a  cjue  a  dita  capitania  direilamente  peilencia  per  succes- 
são  lhe  confirmassse  a  dita  carta  junto  seu  requerimento  e  a  certidão 
(|ue  apresentou  (|uerendolhe  fazei'  graça  e  mercê  tenho  por  bem  e 
lha  confirmo  e  hei  por  confirmada  com  declaração  que  elle  usara  da 
jiirisdicção  desta  ilha  conforme  a  carta  que  consta  lhe  mandei  passar 
e  assi  usara  (]as  declaiações  e  limitações  (jne  se  derem  á  ilha  da  Ma- 
deira e  com  esta  declaração  mando  (pie  se  cumpra  e  guarde  inteira- 
mente assi  e  da  maneira  (pie  .Ne  nella  coiilhem.  António  (lat  valho  a  fez 
em  Almeirim  aos  sete  dias  do  mes  de  desembro,  anuo  do  nascimen- 
to de  nosso  Senhor  JesQ  Xjjõ  {Chrísloi  de  mil  quinhentos  setenta  e 
Ires  (JÕ73):  e  eu  Duarte  Dias  a  fiz  escrever.  E  o  ouvidor  que  tiver 
nesta  capitania  sendo  letrado  será  examinado  primeiro  (|ue  sirva  pel- 
los  meus  desembargadores  do  paço  e  não  o  sendo  será  pelo  Corre- 
gedor das  Ilhas,  e  constando  per  ceilidão  de  (pi.ilquer  destas  pessoas 


lo  Velho  que  íbi  Capilíio  da  lUla  Iliia  c  Coiiimeiídador  de  Alinourol  por  ser  seu 
l»ai'enle  mais  cliegado,  e  foi  do  tronco  e  piiiM-i|)al  (Testa  íierarão  dos  Velhos,  e 
da  parte  de  sua  mãe  D.  Branca  de  Souza,  (|ue  loi  (ilíia  deJoínj  de  Sousa  Falcão 
(|ue  Ibi  Qdalfio  muito  lioin^ado  e  do  tronc(j  (festa  Ijidiaj^em  dos  Souzas,  pedindo- 
me elle  .loão  Soares  de  Souza,  (|ue  para  mrmoiia  de  seus  antecessores  se  não 
perder  e  elle  jiouvir  e  uzar  das  lionras  das  armas  (]ue  pelos  seus  merecimentos 
de  seus  serviyos  panliaram  e  llie  loram  dadas,  lhe  desse  esta  certidão  das  ditas 
armas  (|ue  assim  por  direito  ihe  pertencem.  O  (|ue  visto  seu  re(|uerimenlo  ser 
justo  e  como  eu  sam  certo  e  ceitidcado  elle  descender  por  linlia  direita  da  par- 
te de  seu  pae  da  iiiiha^em  dos  Velhos  e  &,\  parle  de  sua  mãe  da  nobre  linha- 
gem dos  Sousas  por  ser  iilha  de  João  de  Sousa  Falcão,  que  íbi  bem  conhecido 
ser  do  tronco  (Testa  hnhaiiem  dos  Sousas:  Eu  como  Ftey  (Tarmas  jirincipal  (|ue 
sam,  e  Juiz  da  nobreza,  lhe  mandei  dar  esta  certidão  com  as  chtas  armas  com 
seu  hrazão  elmo  e  tind)ie  e  paíiuile  como  a(|ni  são  devisadas,  e  assim  como 
Mel  e  veidadeiramente  se  acharam  devizadas  e  registadas  nos  livros  das  armas 
(|ue  em  meu  |>oder  eslam.  As  quaes  armas  são  as  seguintes  a  saber:  o  campo 
esquartelado:  o  primeiro  (Tazul  com  trez  vieiras  douro,  e  ao  segundo  esíiuar- 
tehido  e  o  prinuMro  d(!  I^irluga!  e  ao  conlrario.  de  vermelho,  e  un  a  (juaderna 
de  crescentes  de  prata,  e  por  dilTereni-a  uma  llor  de  liz  (T(juro,  elmo  de  prata  a- 
herto,  paquile  d'ouro  e  a;.ul  e  por  timbre  um  cliapeo  preto  com  uma  vieira  d'ou- 
ro.  As  qnaes  armas  possa  elle  trazer  e  S(>us  descendente-:,  e  goiívir  e  uzar  de 
Iodas  as  honi'as,  graças,  previlegio<.  isenções  e  fran(|ueza-:.  (|ue  hão  e  devem 
haver  os  nobres  e  antigos  fidalgos.  12  cotno  ile  ludo  gonvirão  e  uzarão  seus 
antecessoi'es.  E  por  (irmeza  de  tudo  isto  lhe  mandei  dar  esta  certidão  assignada 
por  mim.  Feila  em  IJsboa  aos  \hiij  dias  de  .lunlio  de  hxxbij  ií8  dt'  Juiihi)  ile 
l~>27)  aunos. 

I'(írtugal  Key  d'armas. 
Loflitr  dii  nssiiitiafiirti  ou  liren'.  ininteliriirel.) 

Ksti-  I!ra/.H()  i|U()  não  si'  cin-ijiitra  nu  Arc'iir:i  HiTiililin    Hi-íif.ún/iai,  pelo  Viscotidc   de    Sanchrs 
(Ir  Kncna,  to:  coiiiaiio  cni  IS7.")  do  iicr-iaininiio  uriííiiial  i-m  poder  do  fallcfido  sr.  .loão  Sori"i".s  dt'  Soii- 
s:i  Cauto  1'  .^ilinipwiipic.  d'i'sla  i-,:dadc  de  l'oiila  Deliíacia. 
.Io."io  Soaiv.s  dl'  Sonsa,  morivn  a  'í  di'  janciío  de  l.iTI. 


ARCHIVO   DOS   A(:OI<ES  203 

<1p  como  lie  apto  e  sniricieiíle  e  tem  as  (|naliila(les  ijiie  se  re(|uerem 
p(  (lera  servir  e   em  outra   maneira  não.    I  > 

K  pedindome  o  tiito  Braz  Soares  de  Sousa  (jiie  por  quanto  elle 
era  o  filho  mais  velho  barão  lidimo  ipie  íicou  por  falecimento  de  Pêro 
Soares  de  Sousa,  sen  pay.  a  quem  dircitamenlc  peilencia  a  capitania 
da  Ilha  de  Santa  .Maria  contheuda  na  carta  nesta  Iresladada  ouveííe 
()or  bem  de  lha  confirmar  e  visto  sen  requerimento  (jueiendo  lhe  fa- 
zer graça  e  mercê  tenho  por  bem  e  lha  confirmo  e  hei  por  confirma- 
da e  mando  que  se  cumpra  e  guarde  inteiramente  assi  e  da  maneira 
que  se  nella  contem  a  qual  por  firmeza  de  tudo  lhe  mandei  dar  por 
mim  assinada  e  assellada  com  o  meu  sello  de  chumbo  pendente.  Da- 
da na  cidade  de  Lixboa  desaseis  dias  do  mes  de  julho,  .Miguel  da  Cos- 
ia a  fez  anno  do  nascimento  de  nosso  senhor  Jesu  Christo  de  mil 
(juinhenlos  noventa  e  quatro.  ^15.94)  Eu  Rui  Dias  de  Meneses  a  fiz  es- 
crever. (2) 

Pedindome  o  dito  Pêro  Soares  de  Sousa  por  mercê  que  por 
quanto  elle  era  o  filho  mais  velho  barão  lidimo  i^ue  ficou  por  falleci- 
mento  de  Brás  Soares  de  Sousa,  seu  pay,  como  (Xjiistava  por  sentença 
de  justificação  do  doutor.  .  .  da  Silveira  do  conselho  de  minha  fazen- 
da servindo  de  juis  das  justificações  delia  lhe  pertencia  a  capitania  da 
ilha  de  Santa  .Maria  contheuda  na  carta  nesta  incorporada  que  por 
elle  teve  o  dito  seu  pay  ouvese  por  bem  de  lha  confirmar  e  niandar- 
Ihe  pasar  outra  em  seu  nome  e  visto  seu  retiuerimento  e  a  dita  sen- 
tença de  justificação  e  reposta  do  procuradtjr  de  minha  coroa  que 
não  teve  a  isso  duvida  e  querendo  fazer  graça  e  mercê  ao  dito  Pedro 
Soares  de  Sousa  tenho  por  bem  e  lha  confirmo  a  dita  carta  e  hei  por 
confirmada  por  successão  do  dito  seu  pay  pêra  ler  e  haver  e  posuir 
a  dita  capitania  da  Ilha  de  Santa  Maria  assi  e  da  maneira  que  o  dito 
Brás  Soares  de  Sonsa  seu  pay  a  possuir  pela  dita  carta  e  conforme  a 
ella  com  declaração  que  usara  da  jurisdição  daquella  ilha  na  forma  da 
caria  (que)  juntamente  com  esta  lhe  mandei  passar  e  delia  usara  com 
as  declarações  e  limitações  que  se  puserem  ua  capitania  da  ilha  da 
Madeira  e  com  esta  declaração  mando  se  cumpra  e  guarde  inteira- 
mente esta  minha  carta  assi  e  da  maneira  que  se  nella  contem  que 
por  firmeza  de  tuilo  mandei  dar  ao  dito  Pedro  Soates  de  Sonsa  [tor 
mi  assinada  e  sellada  com  meu  sello  pendente.  Dada  na  cidade  de 
Lixboa  a  vinte  seis  de  junho,  .Marcos  Caldeira  a  fez,  anno  do  nasci- 
mento de  nosso  senhor  Jesu  xpõ  ( Christo)  de  mil  e  seis  centos  e  vin- 
te e  o\U).{1628^  Eu  Rui  Dias  de  Meneses  a  fiz  esci"ever.  ííí) 

(1)  Pedro  Soares,  iiiorrcu  ;i  .'{O  (l'a;i0sl()  úi'  líiSO  roín  tcstamoiito  apiintvadii 
a  SS  do  fevereiro  de  1579. 

(2)  Braz  Soares  acotnpaiiliou  o  Infante  D.  Luiz  nu  jornada  de  Tunis.  (Hht. 
Gen.  da  Casa  Real,  T.  XII,  p.  460.) 

(3)  Pedro  Soares  de  Sousa  fez  teslanicnto  approvado  aos  14  de  fevereiro  de 
16.34. 


201  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

Pedindome  o  dilo  Braz  Soares  de  Sousa  que  por  quanto  elle  e- 
ra  filho  mais  velho  barão  lídimo  que  ficara  por  fallecimenlo  de  Pedro 
Soares  de  Sousa,  seu  pay  a  que  direitamente  pertencia  a  capitania  da 
ilha  de  Santa  Maria  e  mais  cousas  da  carta  nesta  tresladada  lhe  man- 
dasse passar  carta  de  confirmação  per  successão  e  visto  por  mim  seu 
requerimento  e  sentença  do  doutor  Francisco  Leitão  do  meu  conselho 
e  meu  desembargador  do  paço.  juis  das  justificações  de  minha  fazen- 
da e  reposta  do  meu  procurador  de  minha  coroa  que  não  teve  duvi- 
da a  se  lhe  passar  a  dita  carta,  liei  por  bem  e  me  praz  de  fazer  mer- 
cê ao  dito  Bias  Soares  de  Sousa  que  elle  possa  usar  da  capitania,  ju- 
risdição e  mais  cousas  da  dita  ilha  de  Santa  Maiia  per  successão  do 
dito  Pedro  Soares,  seu  pay  com  declaração  que  não  usara  delle  sem 
primeiro  ter  idade  cumprida  de  vinte  e  sinco  annos  e  entretanto  pro- 
verei a  administração  da  capitania  e  jurisdição  da  mesma  ilha  confor- 
me a  elausulla  da  doação  e  os  corregedores  farão  as  elleições  dos  of- 
ficiaes  na  forma  da  ordenação  e  os  confirmarão  como  hora  se  faz  em 
quanto  não  houver  outra  ordem  e  melhoramento  ou  doação  e  com  es- 
ta declaração  mando  (jne  se  cumpra  e  guarde  assi  e  da  maneira  que 
se  nella  contem  e  pague  de  mea  annala  da  mercê  desta  confirmação 
per  successão  ao  thesoureiro  geral  delias  des  mil  dusentos  e  vinte  rs. 
que  lhe  foram  carregados  no  livro  do  seu  recebimento  a  folhas  du- 
sentas  como  se  vio  per  certidão  do  escrivão  de  sua  receita  e  por  fir- 
meza lhe  mandei  dar  esta  carta  por  mim  assinada  sellada  com  o  meu 
sello  pendente.  António  Marques  a  fes  em  Lixboa  a  onze  de  outubrít 
anuo  do  nascimento  de  nosso  senhor  Jesu  xpõ  (Christo)  de  mil  e  seis 
centos  trinta  e  nove.  (  W.39 )  Eu  Duarte  Dias  de  Meneses  a  fiz  escre- 
ver. 

Pedinilome  o  dito  Braz  Soares  de  Sousa  por  mercê  lhe  man- 
dasse confirmar  e  reformar  a  dita  carta  e  visto  por  mim  seu  requeri- 
mento querendolhe  fazer  graça  e  mercê  tenho  por  bem  de  lha  confir- 
mar e  reformar  e  hei  por  confirmada  e  reforujada  em  meu  nome  e 
mando  que  se  cumpra  e  guarde  assi  e  da  maneira  (^ue  se  nella  con- 
Iheu)  e  pagara  o  direito  novo  .se  o  dever  e  por  firmeza  de  to(]o  llie 
mandei  dar  esta  minha  carta  por  mim  assinada  e  sellada  com  o  men 
sello  pendente.  Dada  na  cidade  de  Lisboa  a  Ires  de  julho,  Torcalo  de 
Freitas  Rebello  a  fes,  anuo  do  nascimento  de  nosso  Senhor  Jesu  xpõ 
(Christo)  de  mil  e  seis  centos  quarenta  e  sinco.  ■J64õ)  Eu  Damião 
Dias  de   Menezes  a  fiz  escrever.  — El  Rei.  — 

(Árch.  nar.  da   T.  do  T..  Liv.  I  das  Doaç.  de  D.  João  4."  /.  S42. 

Braz  Soares  Conimendador  de  S.  Pedro  do  Sul  e  de  Sarda  Maria,  sérvio  em 
Africa  e  iia  Restaurayão  da  Bahia,  Calleceu  na  guerra  de  Pernambuco,  sendo  Ca- 
|)itão  d"Infanteria,  no  anno  de  16IH. 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  Wt) 

7."  Donatário— D.  Luiz  de  Sousa  Coutinho.  Kxlincla  a  li- 
nha dos  donatários  de  Saiila  Maria  pela  rnorle  de  Braz  Soares  de 
Sousa,  fez  D.  Aftonso  VI  inercè  d  ella  a  I).  Luiz  de  Vasconcellos  de 
Sonsa.  3.°  (>onrfe  de  (^astello  Melhor,  qne  naí-cen  em  KVM)  e  inoiren 
em  13  dagosto  de  I7á0,  por  cai  ta  tie  Doação  de  T.\  de  Maio  de 
l()67.  {Torre  do  Tombo.  Doações  Geraes  de  D.  AlJonso  VI,  L."  20.  foi. 
WH  v.") 

A  Júris tli(;íi()  dos  donutaiios  das  illuis  linha  sido  allerada  |)('lo  scf^uinlc  do- 
cumento: 

Havendo  leito  de  muitos  annos  a  esta  pai-te,  na  muita  real  eonsiderãeão  as 
mais  injustas  impressões  os  numerosos  o  excessivos  Cructos  das  desordens  ab- 
surdos e  delidos  que  nas  ilhas  Terceiras  vulf^armente  clinmadas  dos  A(,'ores  (1) 
se  tem  multiplicado  cada  dia  com  mais  excesso  pela  falta  de  respeito  (jue  he  in- 
dispensável nos  majiistrados.  e  da  boa  administracã(j  da  jusliya,  sem  a  (jual  não 
ha  união  christam  nem  sociedade  civil  (|ue  possãò  subsistir,  sendo  as  notórias 
causas  de  todos  os  referidos  males  o  acharem-?e  as  sobreditas  ilhas  sem  algu- 
ma regularidade  no  poverno  Civil  e  militar  sem  outro  ministro  de  letras  que 
não  seja  um  corregedor,  que  ordinariamente  não  passa  da  Cidade  d^An^ra,  e  de 
nenhuin  modo  pode  extender  o  beneíicio  da  sua  correic'ão   a   tantas  tão  populo- 
sas e  tão  distantes  ilhas,  sem  outros  juizes  qne  não  sijão  ordinários,  nos    quaes 
sempre  falia  a  indispensável  instrucção  e  comnmmmente  são  parciacs  por  paren- 
tescos e  amisades  tias  mesmas  partes  que  ilevem  sentenciar  como  julgadores;  e 
sem  outro  governo  ou  guarni(;ão  militar  que  não  seja  o  de  Capitães  niores  e  Ca- 
pitães dordenanças,  as  quaes  sendo  muito  úteis  ao  tempo  em  que  Ibrão  funda- 
das quando  os  Capitães  empregavão  os  rendimentos  das  referidas  ilhas  em  de- 
fenderem das  invasões  dos  inimigos  e  dos  piratas  com  suas  próprias  pessoas   e 
com  as  gentes  f|ue  pagavão  para  aquelles   serviços,   são  actualmente  ineíicases 
para  a  defeza  das  terras  depois  que  na  Europa  se  estabelecerão  exércitos  e  re- 
gimentos pagos,  com  a  disciplina  que  hoje  se  pratica,  e  depois  que  os  Capitães 
(las  mesmas  ilhas  abandonando  as  inteiramente  as  deixaram  expostas,  conver- 
tendo na  sua  particular  utilidade  as  rendas  por  sua  naturesa  sujeitas  á  defesa  e 
segurança   das  referidas  ilhas,  sendo  da  minha  intlispensavel  obrigação  como 
rei  e  senhor  soberano  fazer  administrar  justiça  ainda  aos   que  a   não  pedem  e 
nmito  mais  aos  meus  vassalos  das  referidas  ílhas,   que  com  tantos  clamores  a 
tem  requerido  tão  repetidas  vezes  na  minha   real   presença,  pelas  secretarias 
d'Estado  e  Tribunais  superiores,  e  devendo  com  motivos  [no  urgentes  como  os 
sobreditos  fazer  muito  mais  na  miidia  real  attençào  a  causa  publica  de  estabe- 
lecer entre  os  meus  vassalos  das  referidas  ilhas,  a  paz  e  a  justiça  do  íjue  direi- 
to particular  dos  donatários  delias  no  que  as  suas  doações  iniplícão  contradição, 
com  a  segurança  publica  e  com  o  bom  governo  económico  das  mesmas  illias  e 
e  dos  seus  hahitanles:  sou  servido  íjue  José  Francisco  da  Crnz  Alagòa   do  men 
Conselho  e  de  nnnlia  Real  Fazenda  juntamente  com  o  Desemhar^^ador  Hartholo- 
meu  José  xXunes  Cardoso  Giraldes  de  Andrade  tomando  conhecimento  dos  litulos 
dos  .<obreditos  Donatários  que  tiverem  direito  para  sei-eni  conservados  na  posse 
dos  ben.s  contheudos  nas  suas  respectivas  Doações  e  separando  nelles  por  mua 
parte  os  qne  forem  c()nsi^lentes  em  utilidade  ou  rendmienlos  de  privilégio^  ex- 
clusivos de  moendas,  de  fornos  e  de  sal  ou  de  reiídas  de  dízimos  e  redizimas.por 
outra  parte  os  que  forem  consistentes  em  jurisdições  e  nomeações  de  magistra- 
(k»s  e  oílicios  d(>  justiça  ou  fazenda,  i-eservando  as  sobreditas  rendas  a  favor  dos 
Donatários  rpie  as  tiverem  por  jn-tos  titido<.  e  da  mesma    sorte  as  nonieaçõe- 


h  l»('viii  (JiziT  II  coiiliiiriíi,  ist(p  f:  il.(is    \ciircs     viiIl';iiiii('Ii(c  <ii:iiiiii<his     ti.t  T)Tri'ii-iis 


Í06  ARCmVO    DOS    AÇOHES 

lie  almoxarifos,  oscrivães  eoíTicios  (l'ai'reciida(;ão  dos  dízimos  e  direitos  roaes  a 
favor  dos  mesmos  Donatários,  e  os  litulos  de  marquezes,  condes,  barões  ou  se- 
nhores de  terras  onde  taes  titules  houver,  incorporem  na  miid)a  real  lazenda 
todas  as  outras  jurdições  sem  excepção  alfiuma,  por  que  contudij  ainda  n'esles 
casos  da  indispensável  necessidade  |)ul)lica  que  os  referidos  Donatários  tem  leito 
das  obrigações  e  do  claro  conhecimento  em  que  me  acho  das  contravenções 
com  que  llie  forão  doadas  as  tei-ras  que  possuem:  Hé  muito  conforme  á  minha 
real  benignidade  contemplar  os  sobreditos  Donatários  em  (|uanlo  he  possível,  c 
o  bem  commum  dos  meus  vassalos  o  pode  permittir.  Hei  por  bem  que  os  sobre- 
ditos Conselheiro  e  Procurador  da  minha  Heal  Fazenda  ouvindo  os  referidos  Do- 


tlll  WO      ^JV^ll  0\,  I  ll\.  II   V/     V--      1     I  »/V    Ul   tlUV^I       l-llt      III  I  I  H  iH      I  (V  (I  i      I     tl/yV    I  J  Vlfl     VJU  1    i  I  I  W  VJ     \f'^      I    »„  IV    I    11.11^  n      MJyt 

natarios  e  concordando  elles  ou  seus  procuradores  á  vista  dos  titulos  ((ue  a- 
presentarem  e  dos  direitos  nue  cada  um  (Telles  tiverem,  a  racionavel  e  justa  es- 
timação das  jurdições  que  llies  licarão  cessando  por  esla  n)inlia  real  providen- 


Í.WS.  ili)  f)r.  Jodit  Teiírirn  Soairs.) 


8. "  Donatário  AíFonso  de  Vasconcellos  e  Sousa.  7. " 
(lonrie  da  (>alh(Ma:  íiliiodo  niiierior:  nasceu  a  17  de  Janeiro  de  IO()'t: 
foi  coníirniado  na  capilania  por  caria  de  23  d'Agosto  de  1725:  mor- 
reu a  2  de  Fevereiro  de    \l'.\'t. 

9."  Donatário  José  de  Caminha  Vasconcellos  de  Sou- 
sa, i."  (ionde  de  (^astclio  .Melhor.  |)(ir  caria  de  7  d"aiíi)><lo  de  1728. 
1."  .Marl^nez  de  (lastello  .Melhor  em  I7()().  nasceu  a  Kí  d  agosto  de 
I70G.  foi  coiihrmado  na  capitania  [)or  carta  de  21  dVmluhro  de  \1'.Ví. 

10."  Donatário  -  António  José  de  Vasconcellos  e  Sou- 
sa, 2,"  Margiiez  de  Caslello  .Melhor,  nasceu  a  lo  de  Fevereiro  de 
1738  e  morreu  a  O  de  junho  de  1801.  Koi  confuinadi)  na  capilania 
por  caria  de  11  de  julho  de  178G.  ChdmrUarin  de  D.  Mnrin  l.'\  L." 
2õ,  foi  27ii  v.\^ 

11."  Donatário -Aífonso  de  Vasconcellos,  3."  Marquez  de 
(Caslello  .Melhor,  [)()r  .Vivará  de  2i  de  Março  de  1803.  fillKJ  do  ante- 
rior, nasceu  a  23  de  Juoho  de  1783  e  morreu  a  27  d  Agosto  de 
1827;  succedeu  ao  Pae  na  Capilania  a  C  de  Junho  de  1806.  {Chan- 
rell.  de  D.  Maria   l.\  L."  dos  Ofpcins  Menores  49.  foi.   Vi2  p.\) 

12.°  Donatário— António  de  Vasconcellos  e  Sousa  Ca- 
minha Faro  e  Veig-a.  't."  Marquez  (Je  Caslello  Melhor  e  8."  Con- 
de da  Calheta,  na.sceu  a  13  de  .Março  de  1816  e  morreu  a  26  de  Ju- 
lho de  1858.   Succedeu  a  seu  Pae  na  capilania   em  27  dAffosto  de 

1827. 


DONATÁRIOS  DA  YILLÁDÂ  PRAIA 

DA 


•     Jacome  de  Bruges. 

Jacoine  de  Bruges  éia  uatuial  do  (londado  de  Flandres  servidor 
do  Infante  D.  Hen!i(|ue,  viveu  em  Ourense  na  Gallisa  donde  passou 
foni  Helena  Gonçalves  e  filhos  a  viver  na  cidade  do  Porto,  por  espa- 
ço de  ^U  ânuos.   Dali  passou  á  ilha  Terceira. 

A  (>arla  da  Donatária  da  Terceira  a  Jacome  de  Bruges  pelo  In- 
laiite  D.  lleurii|ue  tem  a  data  de  2  de  Março  de  1430  em  Silves, 
comprehende  tola  a  ilha,  e  por  Jacome  de  Bruges  dizer  gue  não  ti- 
nha fdhos  legítimos  varões  de  sua  mulher  Sancha  Rodrigues,  foi-llie 
concedida  a  successão  de  sua  tilha  maior.  Foi  do  Porto  que  Jacome 
de  Bruges,  se  dirigio  a  colonizar  a  Terceira,  trazendo  colonos  de  Vi- 
íjuna,  Guiuiarães  e  dAveiro.  A  (]arla  diz: 

«Eu  o  Infante  D.  llenri(|ue.  Regedor,  e  Goveiiiador  da  Ordem  da 
Gavallaria  de  N.  Senhor  JESUS  Cluisto.  Duiiue  de  Yizeu.  e  senhor  da 
Govilhãa.  faço  saher  aos  (|ue  esta  minha  carta  virem,  (jue  Jacome  de 
Bruges,  meu  servidor,  natuial  do  Condado  de  Flandes.  veyo  a  mim. 
e  me  disse,  gue^por  quanto  desde  ah  initio.  e  memoria  dos  homens, 
se  não  sahião  as  Ilhas  dos  Assores  soh  outro  aggressor  senhorio, 
salvo  meu.  nem  a  Ilha  de  JESU  Cliristo,  lerceyra  das  ditas  Ilhas,  a 
não  souherão  povoada  de  nentiiuna  gente  (jue  até  gora  Insse  no  mun- 
do, e  ao  presente  estava  erma,  e  inhahitada:  (pie  me  pedia  por  mer- 
cê que  por(|uantii  elle  a  (pieria  povoar,  (pie  lhe  fizesse  delia  mer- 
cê e  lhe  úe^í^i"  minha  Real  authoiidade  |)ara  ello,  como  senhor  das 
Ilhas.  E  eu  vend(»  o  (pie  me  asim  pedia,  .^er  serviço  de  Deos,  e  hem. 
e  proveylo  da  dita  OrdíMu.  (|uerendo-lhe  fazer  graça,  e  meicê.  me  a- 
praz  de  lha  outorgar,  como  ma  elle  pedio.  E  lenho  por  [)eni,  e  me  a- 
praz  ipje  elle  a  povoe  de  (luahjuei'  gente  (pie  lhe  a  elle  a[)rouver, 
(pie  seja  da  Fé  Galholica.  e  santa  de  N.  Senhoi'  JESF  Ghristo:  e  por 
.-er  causa  da  piinievra  povoação  da  dit;i  Ilha.  haja  o  dizimo  de   lodos 


i208  AUCHIVO   DOS   AÇOBES 

OS  dízimos,  que  a  Ordem  de  Chrisío  houver,  para  sempre,  e  aguelles 
que  de  sua  iteração  descenderem:  e  lenha  a  Capitania,  e  governança 
(Ih  dita  Ilha,  como  a  tem  por  mim  João  Gonçalves  Zargo  na  Ilha  da  Ma- 
deyra.  na  partte  do  Funchal:  e  Tristão  na  parte  de  Machico,  e  IVres- 
trelo  no  Porto  Santo,  meus  Cavalleyros:  e  depois  delle  a  (Qualquer 
pessoa  i]ue  da  geração  dell^^  desceniier:  e  a  hajão  assim  pela  guiza 
que  a  estes  (Cavalleyros  a  lenho  dada,  e  que  da  dita  Ordem  a  hão:  e 
quero  que  elle  tenha  todo  o  meu  poder,  e  regimento  de  justiça  na 
dila  Ilha,  assim  no  eivei  como  no  crime,  salvo  que  venhão  por  appel- 
lação  de  ante  elle  os  feytos  de  mortes  de  homens,  e  talhamenlo  de 
memhros.  que  resalv(»  para  mim.  e  para  mayor  alçada,  assim  como 
nas  ditas  Ilhas  da  Madeyra,  e  Porlo  Sant*..  K  me  apraz,  por  algus 
serviços  que  do  dito  Jacome  de  Bruges  tenho  recebido,  por  quanto 
me  disse  que  elle  não  linha  filhos  legítimos,  e  somente  duas  filhas 
de  Sancha  K(jilriguez  sua  ujulher,  que  se  elle  não  houver  filhos  va- 
rões da  dita  sua  mulher,  t\iie  a  sua  filha  mayor  haja  a  dita  Capitania, 
e  os  que  de  sua  geração  descenderem,  e  não  havendo  sua  filha  may- 
or filhos,  havemos  por  bem  (|ue  a  filha  segunda,  que  depois  da  morte 
da  primeyra  licar.  possa  haver-  a  dita  Capitania  para  filhos,  e  filhas, 
netos,  e  descendentes,  e  ascendentes,  que  das  ditas  descenderem, 
com  aquellas  liberdades,  e  poderes,  que  aos  ditos  Capitães  tenho  da- 
das, por  que  assim  o  sinto  por  serviço  de  Deos.  e  accrescenlamenlo 
da  Santa  Fé  (>alliolica.  e  meu.  pelo  (hto  .lacome  de  Bruges  povoar  a 
dila  Ilha  tão  longe  da  terra  firme,  bem  duzentas  e  sessenta  legoas 
do  mar  Oceano:  a  qual  Ilha  se  nunca  soube  povoada  de  nenhuma 
gente  que  no  mundo  fosse  ategora:  e  rogo  aos  Mestres,  e  Governado- 
res da  dila  Or  lem  (jue  de|)ois  de  mim  vierem,  (pie  facão  der.  e  pa- 
gar ao  dito  .lacome  de  Bruges,  e  seus  herdeyros.  (]ue  delle  descen- 
derem, a  dita  dizima  do  dizimo,  que  a  dita  Ordem  na  dila  Ilha  hou- 
ver, como  lhe  por  mim  he  dada,  e  outorgada,  e  não  consintão  lhe 
ser  feylo  sobre  ello  nenhum  aggravo:  e  peço  por  mercê  a  EIRey  meu 
Senhor,  e  sobrinho,  e  aos  Reys  que  delle  vierem,  que  ao  dito  Jaco- 
me  de  Bruges,  e  aos  herdeyros  (pie  dcdle  descenderem:  facão  pagar 
o  dito  dizimo  á  dita  Ordem  do  (jue  na  dita  Ilha  se  houver,  e  que  lhe 
lação  pagar  a  dila  dizima  do  dito  dizimo  aos  Mestres,  ou  Governado- 
res da  dita  Ordem,  como  lhe  por  mim  he  dado.  e  outorgado  para 
sempre,  em  todo  lhe  faça  ter.  e  lenha  a  dita  mercê,  (pie  lhe  por 
mim  he  feyta.  E  por  segurança  sua  lhe  m;mdey  ser  feyta  esta  minha 
carta,  assinada  por  minha  mão,  e  sellada  do  sello  de  minhas  armas. 
Feyla  em  a  Cidade  de  Silves,  a  á  dias  do  mez  de  Março.  Pedro  Lou- 
renço a  fez,  anno  do  Nascimento  de  nosso  Senhor  .lESU  Christo  de 
mil  e  (pialro  centos  e  ciucoenta  ânuos.»  {1400} 

'P.®  António  Cordeiro — Hísl.  Insulana,  pag.  ií43.  > 


ARCHIVO  DOS   AÇOKES  209 

Trouxe  comsigo  seu  filho  Gabriel  de  Biuges,  casado  com  D.  Isa- 
bel Pereira  Sarmento  filha  de  Gonçalo  Pereira  Roxo  e  de  D.  Maria 
Saimento,  Foi  seu  companheiro  Afi^onso  Gonçalves  Baldaya.  Jacome 
de  Bruges  fez  assento  na  parle  da  Praia. 

Em  2á  dagosto  de  liGO  o  Infante  D.  Henrique  fazendo  doação 
nas  ilhas  Terceira  e  Graciosa  a  seu  sobrinho  D.  Fernando  declara-as 
ainda  despovoadas. 

Um  facto  notável  e  até  hoje  discutido  e  negado  até  por  alguns 
historiadores,  mas  que  hoje  podemos  asseverar  d"um  modo  irrefraga- 
vel,  foi  a  vinda  de  Álvaro  Martins  Homem  e  seu  assento  em  Angra 
como  capitão  d'esta  parte  da  Ilha  em  tempo  de  Jacome  de  Bruges, 
com  o  qual  concorreu  na  ilha  por  espaço  dannos  tendo  com  elle  de- 
bates sobre  os  limites  das  respectivas  capitanias.  Álvaro  Martins  veio 
para  a  ilha  pelo  anuo  de  ii72  {ou  71?).  Como  conciliar  este  facto 
com  a  doação  de  toda  a  ilha  a  Jacome  de  Bruges? 

A  Carta  dada  a  este  não  estará  alterada  na  copia  que  hoje  se 
nos  ofTerece  ? 

Se  o  foi,  alem  d'aquelle  facto  como  explicar  a  exclusão  da  descen- 
da de  Jacome  de  Bruges,  da  successão  da  Capitania  por  falta  de  filho 
varão  lídimo? 

Que  motivo  levaria  o  Infante  D.  Fernando  a  rasgar  aquelle  diplo- 
ma, sendo  elle  aulhentico.  dividindo  a  ilha  em  duas  capitanias,  con- 
servando Jacome  de  Bruges  na  Praia,  onde  fizera  assento,  e  dando 
Angra  a  Álvaro  Martins  Homem?  A  demora  no  começar  a  povoação  e 
a  lentidão  no  progresso  desta?  A  capacidade  da  ilha  para  aquella  di- 
visão? 

Mas  em  qualquer  dos  casos  por  que  conservou  elle  as  capita- 
nias de  Santa  Maria  e  S.  Miguel  em  uma  só  pessoa  Gonçalo  Velho 
Cabral,  que  para  a  colonisação  e  progresso  d'esta  ultima  ilha  pouco 
concorreu:  e  por  que  deu  a  do  Fayal  e  do  Pico  juntamente  a  um  só 
capitão  Joz  Dutra  ? 

Quaesquer  que  fossem  os  fundamentos,  tão  pouco  lhe  merecia  o 
respeito  pela  carta  de  seu  tio  e  pae  adoptivo  o  Infante  D.  Henrique  ! 

Demais  se  a  Carta  de  doação  era  authentica,  por  (jue  motivo  se 
acham  nas  doações  a  Álvaro  Martins  Homem  e  a  João  Vaz  em  1474, 
clausulas  contrarias  ás  da  carta  que  hoje  conhecemos? 

O  impudor  e  a  injustiça  da  parte  dos  altos  donatários  chegaria  a 
tanto,  que  uma  senhora  denegasse  justiça  a  uma  órfã,  e  não  hou- 
vesse no  paiz  tribunal  que  restituísse  á  filha  de  Jacome  de  Bruges 
os  pretendidos  direitos? 

A  mercê  do  Infante  D.  Henrique  a  Jacome  de  Bruges,  qualificado 
apenas  de  seu  servidor,  da  filha  lhe  succeder  na  capitania,  é  bastan- 
te extraordiuaria  e  parece  pouco  motivada. 

A  intimação  a  Sancha  Rodrigues  para  dar  conta  de  seu  marido 
sob  pena  de  devolução  da  capitania  para  a  coroa   parece  deveria  ter 

]S.o  21— Vol.  IV— 1882.  3 


210  ABCHIVO  DOS  AÇOHES 

produzido  o  effeilo  d"ella  allegar  os  direitos  de  sua  filha  e  evitar  a 
substituição  de  seu  marido  na  capitania,    por  João  Vaz  Corte  Real. 

Jacome  de  Bruges  houve  dois  filhos,  Gabriel  de  Bruges,  já  men- 
cionado, que  na  Capitania  morreu  em  vida  de  seu  pae  e  Pedro  Gon- 
çalves, que  depois  pretendeu  revindical-a  da  mão  dÂlvaro  Martins. 

De  Gabriel  de  Bruges  temos  conhecimento  por  uma  justificação  de 
nohresa  processada  na  Villa  da  Horta  em  Setembro  de  1342  a  reque- 
rimento de  Álvaro  Pereira  Sarmento  filho  de  Gaspar  Garcia  Pereira 
e  neto  de  João  Garcia  e  de  Isabel  Pereira  viuva  de  Gabriel  de  Bru- 
ges, filho  de  Jacome  de  Bruges  com  o  qual  só  vivera  4  ou  5  annos. 

Entre  as  testemunhas  produzidas  appareceram  iorge  [aliaz  Jubs  • 
Dutra,  Capitão  e  Governador  das  justiças  nas  Ilhas  do  Fayal  e  Pico 
e  Pedro  Affonso,  seu  escudeiro.  Jobs  Dutra  disse:  «que  elle  conhece- 
ra Isabel  Pereira  de  cujo  filho  Gaspar  Garcia  Pereira  fora  padrinho 
da  pia,  ser  primeiro  casuda  com  Gabriel  de  Bruges,  e  com  elle  esti- 
vera casada  quatro  ou  cinco  annos,  segundo  mandamento  da  santa 
madre  Igreja,  e  neste  tempo  se  chamava  D.  Isabel  Pereira,  e  depois 
que  fallecera  o  dito  Gabriel  de  Bruges  seu  marido,  o  dito  seu  pae  Ja- 
come de  Bruges  se  fora  para  Flandres  e  deixou  na  ilha  por  seu  lo- 
gar-tenente  um  Fuão  de  Teive.  e  depois  de  ido  nunca  mais  apparecera 
e  a  Infante  D.  Brites  dera  a  Capitania  a  dous  criados  seus,  João  Vaz 
Corte  Real  e  Álvaro  Martins  II(>mem,  e  a  não  quizera  dar  a  uma  filha 
do  dito  Jacome  de  Bruges,  que  casara  com  um  Paym,  inglez,  e  de- 
pois viera  para  estas  Ilhas  João  Garcia  avô  paterno  do  justificante,  o 
qual  casara  com  a  dita  Isabel  Pereira  e  nunca  mais  se  chamara  de 
dom.»  Antes  de  Jobs  Dutra,  tinha  dito  o  mesmo,  Pedro  AÍTonso  seu 
escudeiro. 

Pela  mesma  justificação  se  vê  que  sendo  João  Garcia  Pereira,  ne- 
to dum  filho  segundo  da  casa  da  Feira,  nenhum  motivo  tinha  Isabel 
Pereira  para  casando  com  elle  João  Garcia  deixar  de  usar  do  Dom  de 
que  usara  em  vida  do  primeiro  marido,  só  se  para  isso  teve  apenas 
em  vista  a  posição  social  e  simplesmente  pessoal  de  ambos. 

Não  é  crivei  pois  que  uma  senhora  ião  qualificada  fosse  dada  em 
casamento  a  um  filho  bastardo  de  Jacome  de  Bruges. 

Que  diremos  portanto  da  clausula  da  carta  de  doação  a  este  em 
que  diz  não  ter  filhos  legítimos? 

Alem  d'isto  como  dissemos,  houve  Jacome  de  Br  uges  duma  outra 
mulher  outro  filho  por  nome  Pedro  Gonçalves,  que  pretendendo,  co- 
mo legitimo,  revindicar  a  Capitania  da  Praia,  possuída  por  Antão  Mar- 
tins, teve  sentença  contra,  o  que  tudo  melhor  se  verá  pela  própria 
sentença.  (I) 

Foi  este  pleito  discutido  no  tempo  que  medeou  entre  a  morte  de 
Álvaro  Martins  (1482)  e  o  encarte  de  seu  filho,  reu  demandado. 

{{)  Impressa  no  Vol.  I,  pag.  â8  d'este  Archivo. 


ARCHIVO  DOS  AÇOHES  2H 

Por  este  diploma  se  vê  que  um  lai  negocio  foi,  e  com  razão,  ira- 
ctado  anle  o  desembargo  do  DiKjiie,  alto  donatário  da  Ilha,  e  que  o 
sen  c(uso  foi  rápido.  Como  |)ois  explicar  o  prolongamento  e  dilação 
do  pretendido  pleito  da  filha  de  Jacome  de  Bruges,  contra  a  mesma 
laniilia  dos  donatários  da  l*raia,  qne  se  diz  só  veio  a  terminar  por 
um  casamento  eífectuado  em  1521  ?  (\) 

Acrescentaremos  alguma  coisa  sobre  a  origem  authentica  da  Car- 
la de  Doação  a  Jacome  de  Bruges. 

O  Dr.  Fructuoso  tracta  delia  nas  Saudades  da  Terra  e  dali  a 
copiou  Fr.  Diogo  das  Chagas  no  Espelho  Christalmo. 

Francisco  dOrnellas  por  occasião  de  requerer  a  capitania  da  Praia, 
allegou  descender  de  Jacome  de  Bruges  e  juntou  copia  d"aquella 
Carla  passada  por  um  tabellião  da  Ilha  Terceira,  sem  que  se  declare 
donde  foi  extrahida.  E'  porem  de  notar  que  segundo  o  antigo  uso  os 
tabelliães  passavam  muitas  vezes  certidões  e  publicas  formas  de  ins- 
trumentos não  authenticos  e  mesmo  de  escriptos  históricos  particula- 
res, como  Drummond  refere  nos  Annaes  da  Ilha  Terceira  a  propósito 
dos  escriptos  genealógicos  do  P.®  M.  L.  Maldonado. 

Diogo  de  Teive  depois  da  imputação  de  que  assassinara  Jacome 
de  Bruges,  fazendo  correr  voz  de  que  sahira  da  ilha,  dizem  que  su- 
cumbira de  desgosto  preso  em  Lisboa.  Parece-nos  isto  mais  luiia  len- 
da que  outra  coisa,  para  tornar  Jacome  de  Bruges  victiraa  de  toda  a 
qualidade  de  atrocidades. 

E'  na  verdade  pouco  verosímil  que  a  primeira  pessoa  duma  po- 
voação como  já  era  a  Praia  em  1472  (2)  anno  em  que  se  verificou  a 
sabida  de  Bruges,  esta  tivesse  logar  de  um  modo  tal,  que  não  fosse 
notória  e  patente  a  todos,  ou  que  a  sua  não  realisação  não  fosse 
igualmente  percebida ! 

Pretendese  que  Diogo  de  Teive  ainda  exercia  o  logar  de  Capitão 
em  Agosto  de  1475.  dando  terras  de  sesmaria  em  partes  que  desde 
o  anno  anterior  pertenciam  á  Capitania  d'Angra(3)e  para  isso  se  fun- 
dam em  um  imbróglio  de  sentenças  tiem  cunho  de  authenticidade  e 


(1)  Diz-se  que  a  composição  consta  da  Escriptura  de  dote  (Drummond— 
Ann.  da  Hha  Tercnra  T.  I  pa^í.  98.)  em  i521,  o  que  não  pode  ser,  visto  que  em 
1533  já  um  filho  de  Diogo  Paym  e  de  Catharina  da  Gamara  tinha  procuração 
de  seu  pae  para  o  representar  no  inventario  de  Antão  Martins,  como  vimos 
no  próprio  inventario. 

(2)  A  data  do  desapparecimento  de  Bruges  em  1472,  é  conforme  com  o  que 
se  diz  na  Carta  de  doação  de  17  de  Fevereiro  de  1474  e  preferível  a  de  1475  que 
se  deduz  da  sentença  contra  Fero  Gonçalves,  a  pag.  32  do  Vol.  I,  d'este  Archivo. 

(3)  Bem  podia  João  Vaz  demorar-se  em  vir  para  Angra,  e  Diogo  de  Teive 
••ontinuar  exercendo  as  funcções  de  Capitão  até  elle  chegar !  A  impossibilidade 
real  provém  de  na  Carta  de  Doação  a  Fernão  Telles,  de  28  de  Janeiro  de  1475, 
se  dizer  que  Diogo  de  Teive  já  era  fallecido.  {Notas  da  Redacção) 


212  ARCHIVO   DOS   AÇORES 

cujo  contheudo  deslroe  os  factos,  que  d'ellas  em   parte  se  pretende 
derivar.  (1) 

A  assignalura  de  João  Vaz  na  mesma  carta  de  dada,  torna-se  in- 
compatível com  a  de  Diogo  de  Teive,  na  qualidade  de  Capitão.  (2) 

Demais  a  sentença  em  que  aquelle  facto  e  data  se  expendem  não 
pode  ser  acceite  por  outra  incongruência  que  encerra,  pois  que  Diogo 
de  Teive  já  era  morto  áquelle  tempo,  como  veremos  quando  tractar- 
mos  da  capitania  da  ilha  das  Flores.  (3) 

João  Vaz  rescindindo  aquella  dada  a  João  Leonardes,  para  favo- 
recer seu  filho  Gaspar  Corte  Real,  lançou  uma  grande  sombra  sobre 
a  sua  reputação,  todavia  o  seu  nome  toinou-se  recommend;ivel  na 
historia  da  Capitania.  Em  seu  tempo  tomou  esta  um  grande  incremen- 
to em  sua  população,  cultura  e  riqueza. 

Por  sua  ausência  ou  impossibilidade  deram  terras  em  seu  tempo, 
seus  filhos  Gaspar  e  Miguel  Corte  Real.  (4) 

{MS.  do  Dr.  João  Teixeira  Soares.) 


Doação  e  confirmações  da  capitania  da  Praia. 

Dom  Johão  etc.  A  quantos  esta  minha  carta  virem  faço  saber  que 
por  parte  de  Antão  Martins  Homem  ("))  filho  de  Álvaro  Martins  capi- 
tão da  ilha  Terceira  me  foi  apresentada  hua  carta  de  que  o  theor  tal 
he: 

Dom  João  etc.  A  quamtos  esta  minha  carta  virem  faço  saber  que 
por  parte  de  Antão  Martins  (6)  capitão  da  ilha  Terceiía  da  parte  da 


(1)  Refere-seás  sentenças  a  favor  de  João  Loonardes.  (Drunimond— i4nwíw?s 
da  Ilha  Terceira.  T.  I,  p.  496.) 

(2)  São  modos  de  vor.  Podia  nmito  bem  ser  que  checando  depois  de  1474. 
confirmasse  as  doações  anteriores,  referendando-as  com  a  sua  assignalura,  co- 
mo documentos  legaes  dados  no  Ínterim. 

(3)  Alíude  á  Carta  de  28  de  Janeiro  de  1475,  (impressa  a  pag.  21  do  Vol.  1 
d'este  Archtvo)  em  que  se  diz  ter  já  fallecido  Diogo  de  Teive. 

(4)  Gaspar  Corte  Real  deu  terras  por  Cartas  de  13  de  Janeiro  de  1484  a  João 

Pacheco  e  sua  nmlher  Branca  Gomes,  e  de  2  de  Janeiro  de  1497  a  João  Vieira. 

Miguel  Corte  Real  passou  cartas  a  Pedro  Annes  do  Poml)al  em  o  de  Junho  d(^ 

1487.  e  ao  dito  João  Pacheco  em  10  de  maio  de  14S8. 

{Notas  da  Redacção.) 

(5)  (6)  Estas  duas  conOrmações  pelo  mesmo  rei  não  podem  ler  sido  feitas 
ao  mesmo  individuo:  a  primeira  deve  ser  a  Antâu  Martins  filho  d'Alvaro  Mar- 
tins (2."  capitão  da  Praia,  contando  Jacome  de  Bruges  por  1.°);  e  a  2.^'  a  Antão 
Martins  filho  do  primeiro  Antão  Martins,  estando  em  lai  ciso  errado  o  registo 
ou  por  erro  do  official  d'elle,  ou  da  chancellaria  da  Ordem  de  Christo.  ou  de  cer- 


ARCHIVO  DOS  AÇOHES  213 

Praia  me  foi  apresentada  hua  carta  dei  Rey  meu  senor  e  padre  que 
santa  gloria  aja  em  sendo  duque  fl)  outra  da  líTante  Donua  Hreatiz 
minlia  avó  que  Deos  tem  de  que  o  tlieor  tal  lie: 

«Eu  a  líTante  donna  Brializ  tutor  e  curador  do  sennor  duque  meu  filho 
etcFaço  saber  a  quantos  esta  minha  carta  virem  e  o  conhecimento  delia  per- 
tencer per  qualquer  guiza  que  seja  que  consirando  eu  como  antre  Jacome  de 
Bruges  e  Álvaro  Martins  capitão  da  sua  Ilha  Terceira  de  Jhu  Xp."  íJer^us  Christo) 
sempre  houve  alguns  debates  por  a  terra  da  dita  Ilha  não  terem  de  todo  partida 
e  ora  por  me  ser  certificado  o  dito  Jacome  de  Bruges  ser  morto  e  a  sua 
capitania  ficar  devoluta  ao  dito  Senhor  meu  filho  por  elle  não  ter  filho  lidimo 
barão  segundo  forma  da  sua  carta  fiz  Mercê  delia  a  João  Vaz  Corte  Real  fidal- 
go de  sua  casa  e  por  querer  escusar  antre  o  dito  João  Vaz  e  Álvaro  Martins 
os  ditos  debates  ouve  por  bem  repartir  a  dita  Ilha  pêra  cada  hum  aver  em 
sua  capitania  a  metade  delia  segundo  a  tenção  do  Iffante  meu  senhor,  que 
Deos  haja  hera.  E  conformandome  com  huma  pintura  que  delia  foy  tra- 
zida ao  dito  meu  senfior  e  em  a  qual  elle  tinha  começado  a  riscar  a  partilha, 
e  também  avendo  informação  per  homens  da  dita  Ilha,  que  por  alli  milhor,  que 
per  outra  parte  se  podia  partir  a  parto  polia  Ribeira  Sequa  que  he  a  quem  da 
Ribeira  de  frey  João  ficando  a  Ribeira  de  frei  João  á  parte  de  Angra  e  da  dita 
Ribeira  Sequa  pela  metade  da  dita  Ilha,  até  á  outra  banda,  como  se  vai  do  No- 
roeste ao  Sueste  e  partida  a  dita  ilha  pela  dita  maneira  mandei  ao  dito  João  Vaz 
que  escolhesse  e  elle  escolheu  na  parte  de  Angra  e  deixou  a  parte  da  Praia 
em  que  o  dito  Jacome  de  Bruges  tinha  feito  seu  assento  e  agora  querendo 
eu  em  nome  do  dito  Senhor  meu  filho  fazer  mercê  ao  dito  Álvaro  Martins, 
por  conhecer  quanta  despesa  tem  feita  na  dita  ilha  e  pelo  serviço  que  tem 
feito  ao  dito  meu  Senhor,  e  conhecendo  sua  boa  disposição  pêra  reger  a  dita 
ilha  em  direito  e  justiça,  e  fazer  crecer  a  povoação  delia,  como  a  serviço 
de  Nosso  Senhor  cumpre,  lhe  faço  mercê  da  dita  capitania  da  parte  da  Praia, 
e  me  praz  que  elle  dito  Álvaro  Martins  a  mantenha  pelo  dito  Senhor  meu  filho 
em  Justiça  e  Direito.  E  que  morrendo  elle,  que  isso  mesmo  fique  ao  seu  filho 
primeiro,  ou  segundo  se  tal  for  que  tenha  o  carrego  pela  guisa  suso  dita:  e  as- 
sy  de  descendente  em  descendente  per  linha  direita,  e  sendo  em  tal  idade  o 
dito  seu  filho,  que   não  possa   reger,  o  dito  Senhor  ou  seus  erdeiros  porão  ahi 


tidão  extraliida  di'llu.  Sctido  liotavel  (|U('  não  se  encontra  rejjislada  esta  doHt;âo 
nem  na  cliancellaria  de  l).  Manoel,  nem  na  de  D.  João  III:  pelo  menos  ainda  a 
não  deâcobri.  (•) 

(1)  Eram  n)uito  fracos  em  chronnlogia  e  lii>toria  os  escrivães  de  l).  João  III. 
A  Carla  é  de  D  Diofio  dmiue  de  Vizen,  em  nome  de  quem  a  Infanta  D.  Beatriz, 
sua  mãe,  tutora  e  curadora,  tinha  leito  a  |)artillia  e  doa(:ão.  O  iiiie  me  parece  c 
<jne  em  toda  esta  don(;ão  faliam  dnas  conlirmai-ôe.-:  úv  D.  Manoel:  nma  como  dn- 
(jue  e  outra  con)0  rei.  mas  jx-lo  ineno-:  a  segunda. 

\Ntit(tx  do  Sr.  .1    I   ih'  Biitn  Hrhfllo.i 

(']  Com  a  devida  vpiiia  (ijjsci  vur<hiii).-  a(i  si.  biilo  ItcLellu  que  não  limivi'  niiiliiiin  .Aiitíln  Ma  liii> 
lillio  d'()ijln).  como  pe  vera  na  serie  (!os  rloiialaiios  ijne  adiante  se  scfine. 


214  AHCHIVU    DOS   AÇOBES 

quem  a  reja  até  que  elle  seja  em  idade  pêra  a  reger.  Item  me  praz  que  elle  te- 
nha na  dita  ilha  a  jurisdição  pelo  dito  Senhor  meu  filho,  e  em  seu  nome  do 
eivei  c  crime,  reservando  morte  ou  talhamento  de  membro,  que  disto  venha 
{!)  presente  o  dito  Senhor;  porem  sem  embargo  da  dita  Jurisdição  a  mim 
praz  que  todos  os  mandados  do  dito  Senhor,  e  correição  sejam  hy  com- 
prit^os,  como  em  cousa  propia  sua  e  outro  sy  me  praz  que  o  dito  Álvaro 
Martins  aja  pêra  si  todos  os  moynhos  de  pão  que  ouver  na  parte  de  sua  ca- 
pitania, e  que  ninguém  faça  hy  moinhos  senão  elle,  ou  quem  a  elle  quizer,  e  isto 
não  se  entenda  em  mó  de  braço,  que  a  faça  quem  quizer,  não  moendo  a  ou- 
trem; nem  atafona  não  tenha  outrem  se  não  elle  ou  quem  elle  prouver.  Item 
me  praz  que  aja  de  todas  as  serás  de  agoa,  que  se  hy  fizerem  de  cada  huma 
hum  marco  de  prata  em  cada  hum  anno,  ou  seu  certo  valor  ou  duas  taboas  ca- 
da >emana  das  que  hy  se  costumarem  serrar,  pagando  porem  ao  sennorio  o 
dizimo  de  todas  as  ditas  serras  segundo  pagão  das  outras  cousas  que  serrar  a 
dita  serra  e  isto  aja  também  n  dito  Álvaro  Martins  de  qualquer  moinho  que  se 
hy  fizer,  tirando  viheyros  de  ferrarias,  ou  outros  metaes.  Item  me  praz  que  to- 
dos os  fornos  de  pão  em  que  ouver  poya  sejão  seus,  porem  não  embarguem 
quem  quizer  {fa^er)  fornalhas,  pêra  seu  pão,  que  as  faça,  e  não  pêra  outro  al- 
gum. Item  me  praz  que  tendo  elle  sal  pêra  vender  o  não  possa  vender  outrem 
somente  elle  dandoo  elle  a  rezam  de  meio  real  de  prata  o  alqueire  ou  sua  di- 
reita valia,  e  mais  não;  e  quando  o  não  tiver  que  os  da  dita  ilha  o  possáo  ven- 
der á  sua  vontade  até  que  elle  o  tenha.  Outro  sy  me  praz  que  de  todo  o  que 
(j  dito  Senhor  meu  íilh  j  ouver  de  renda  na  dita  ilha,  que  ele  aja  de  dez  hum, 
de  maneira  que  as  rendas  e  direitos  que  se  contem  em  o  foral  que  pêra  ella 
mandei  fazer  por  esta  guisa  me  praz  que  aja  esta  renda  seu  filho  ou  (2)  ou- 
tro descendente  per  linha  direita,  que  o  dito  carego  tiver.  Item  me  praz  que  e- 
le  possa  dar  per  suas  cartas  as  terras  da  dita  ilha  forras  pelo  foral  delia  a 
quem  lhe  prouver,  com  tal  condição,  que  aquelies  a  quem  ell;  der  a  dita  terra 
a  aproveitem  até  cinquo  annos,  e  não  a  aproveitando,  quj  a  possa  dar  a  ou- 
trem, e  depois  que  aproveitada  fôr,  e  a  deixar  por  aproveitar  até  outros  cin- 
quo annos,  que  isso  mesmo  a  possa  dar,  e  isto  não  embargando  ao  dito  Senhor 
que  se  hy  ouver  terra  pêra  aproveitar,  que  não  seja  dada,  que  elle  a  possa  dar 
a  quem  sua  mercê  for;  e  assi  me  praz  que  a  áè  a  (3)  seu  filho  e  erdeiros  e 
descendentes,  que  o  dito  carego  tiver.  Item  me  praz  que  os  visinhos  e  mora- 
dores da  dita  ilha  possam  vender  suas  erdades  aproveitadas  todas  a  quem  lhe 
prouver.  Outrosim  me  praz  que  os  gados  brabos  possam  matar  os  visinhos 
da  dita  ilha  sem  aver  hy  outra  defesa  e  isto  por  licença  do  capitão  e  almoxa- 
rife, reservando  algum  lugar  cerrado  em  que  o  lance  o  senhorio;  e  isso  mes- 
mo (4j  me  praz  que  os  gados  mancos  pacem  per  toda  a  ilha,  trazendoos  com 


(1)  Faltam  ai(iil  as  palavras — apelarão  r  agravo  -coino  se  lé  nos  documen- 
tos análogos. 

(2)  Falta  a  conjuncção— oí<— no  registo. 

(3)  A  proposição — a -está  demais,  assim  como  deviam  estar  no  singular  as 
palavras  erdeiros  e  descendentes. 

(4)  A  redacção  pede  aqui — outrosim,  ou,  isso  mesmo,  mas  por  lapso  só  es- 
tá no  registo — isso — que  não  faz  sentido. 

(Notas  do  Sr.  J.  1.  de  Brito  fíehello.) 


ARCHIVO   nos  AÇORRS  21S 

guarda  que  náo  facão  dano  e  se  o  fi^erenj  que  o  par^uem  a  seu  donno,  e  as 
coimas  segundo  as  posturas  do  Concelho  e  por  certidão  dello,  e  de  sua  segu- 
rança lhe  mandei  dar  esta  carta  assynad  i  por  mym  e  aselada  do  meu  sello,  a 
qual  peço  ao  dito  Senhor  meu  filho,  que  depois  de  ser  em  idade  a  aja  por  boa 
e  a  confirme.  Feita  na  Cidade  d'Evora  a  xbij  (77)  dias  do  mez  de  Fevereiro. 
Rodrigo  Alvares  a  fez^  anno  do  Nascimento  de  Nosso  Senhor  Jesus  Christo 
de  mil  e  quatro  centos  Lxxiiij  {14-4)  annos. — E  por  que  o  dito  Álvaro  Martins 
tinha  feitos  certos  moynhos  na  parte  de  Angra  os  quaes  agora  devem  ficar  ao 
dito  Joam  Vaz,  prazme  que  seja  com  tal  condição  que  elle  faça  ao  dito  Álvaro 
Martins  outros  tantos  e  taes  na  parte  da  Praya,  ou  lhe  pague  aquillo  que  per 
'uramento  de  homens  bõos  fôr  alvidrado,  que  nos  ditos  moynhos  o  dito  Álvaro 
Martins  poderia  despender.»  (1) 

Eu  o  duque  ele.  Faço  saber  a  quantos  esla  minha  caria  de  con- 
íirmagão  virem  e  o  coníiecimento  delia  pertencer  (jue  vy  esta  caita 
acima  esciipta  per  que  a  líTante  minha  .^^enhora  sendo  minha  tutor  e 
curador  em  meu  nome  fez  mercê  da  capitania  da  parle  <la  ilha  Ter- 
ceira a  Álvaro  Martins  pêra  elle  e  seus  íilhos  e  descendentes  segum- 
do  na  dita  carta  se  contem  e  por  quanto  o  dito  Álvaro  Martins  he  fa- 
lecido a  mym  praz  confirmar  a  dita  carta  a  Antão  Maitins  seu  filho, 
escudeiro  de  minha  casa  e  porem  por  esta  presente  lhe  confirmo  as- 
si  e  da  guisa  que  ao  dito  seu  pay  foi  dada  e  me  praz  que  a  dita  car- 
ta se  lhe  cumpra  e  guarde  sem  nenhuma  duvida  nem  embargo  feita 
em  minha  villa  de  Moura  a  vinte  e  seis  dias  do  mez  de  março.  Álva- 
ro Mendez  a  fez,  anno  do  nascimento  de  nosso  senhor  .lesus  Christo 
de  mil  iiij  Lxxx  e  Ires.  (1483) 

Pedindome  por  mercê  u  dito  Antão  Martins  (]ue  lhe  confirmase  a 
dita  carta  e  visto  por  mim  seu  requerimento  querendoihe  fazer  graça 
e  mercê  tenho  por  bem  e  lhe  confirmo  e  mando  que  se  cumpra  e 
guarde  assi  e  polia  maneira  que  se  nella  contem.  Gomez  Paes  a  fez 
em  Lixboa  a  dez  doutubro  de  mil  b'^xxix  annos.  (Iõ29) 

Pedindo-me  o  dito  Antão  Martins (í2) por'  mercê  que  por  quanto  elle 
hera  filho  mais  velho  que  ficou  por  falecimento  do  dito  Álvaro  Martins 
'3)seu  pay  a  que  a  dita  capitania  avia  de  vir  lhe  confirmase  a  dita  car- 
ta per'  subcessão  e  visto  per'  mim  serj  requerimento  querendo-lhe  fazer' 
graça  e  mercê  tenho  por  bem  e  lhe  confirmo  a  dita  carta  per  subces- 
são e  mando  que  assim  se  cumpra  e  guarde  como  nella  he  contheu- 
do.  Diogo  Lopez  a  fez  em  Lixboa  a  trinta  dias  de  janeir'o  anno  do 
naciraento  de  nosso  senhor  Jesus  Christo  de  mil  b*'  xxxiij  i lô33)  an- 
nos. 

(Arch.  me.  da  T.  dn  T.,  Liv."  4."  das  Doac.  de  Fdip.  I.  f.  72. 


(1)  Este  documento  ditTere  em  partes  do  tjuií  Druinmoiíd  publirou  110  T.  1, 
pao.  490,  dos  seus  Ann.  da  Ilha  Terceira,  extrahidn  do  Liv.  [  iol  70  do  Reiris- 
ro  da  Camará  da  Villa  da  Praia. 

(2)  E'  rom  elTeito  Antão  Martins  da  Camará. 

(3)  Filiio  de  Álvaro  Martins  2."  do  nome  que  não  cliegon  a  ser  capitão. 


210  ARCHIVO   DOS   AÇORES 

A  sprie  (los  Donatários  fin  Villa  da  Praia  descendentes,  de  Álvaro 
Martins  Homem,  segundo  o  P."  M.  Luiz  Maldonado  e  outros  escriplu- 
res  da  Terceira,  foi  como  se  segue: 

II  Donatário  — A-lvar o  Martins  Homem  casado  com  Ignez 
Martins  ('.ardoso;  failecido  antes  de  2(i  de  Março  de  i483,  veio  pa- 
ra a  Terceira  em  tempo  de  Jacome  de  Bruges,  e  se  estabeleceo  na 
[tarte  dAngra. 

III  Donatário  -Antão  Martins  Homem,  filho  do  anteceden- 
te, (|ue  casou  em  1483  na  ilha  da  Madeira  com  Isabel  dOrnellas  fi- 
lha de  l*edro  Alvares  da  ('amaia  e  de  (^alharina  dOrnellas.  Antão 
Martins  fnz  testamento  ern  21  de  maio  de  1530.  '{)  O  inventario  por 
morte  de  Antão  Martins,  começou-se  a  23  de  setembro  de  1532. 


(1)  To)iilaj3;:4>'iito  «lo  Antão  llarliii!«  ■lonicm  : 

"S;iil)am  os  i|uaiilo>  a  prosiMitc  cédula  vlrcin,  como  cu  Antão  Martins,  Capi- 
tam ifesta  Vllla  da  l^raia,  em  olla  morador,  estando  em  todo  o  meu  sizoeonten- 
(limenlo  perlelto  e  de  saúde  determinei  ininlia  cédula  e  ultima  vontade  em  a  ma- 
neira seiiuinle: 

Primeiramente  encoinentio  a  minha  alma  a  Deus,  meu  creador,  que  de  n  i- 
da  me  rormou,  (|ue  elle  por  misericórdia  e  piedade  me  perdoe  meus  pecados, 
não  olhando  a  meus  iTierecimentos,  mas  uzando  cnmijio  de  sua  clemência,  e 
tomo  para  advogada  e  intercessora  em  meu  transito  d'esta  vida  para  a  outra  a 
Virjicm  iXossa  Senhora  (pje  por  mim  seja  rojiadora  aiitre  o  seu  hento  íillio,  por 
cuja  intercessão  eii  mereça  peniâo  de  meus  pecados  e  o  logur  (los  eleitos  para 
(lue  lui  crendo. 

.Mando  ([ue  <|uaiido  Deus  me  levar  d'esta  vida  para  a  outra  meu  cor|X)  seja 
enteri-ado  em  a  r.npella  Mayor  (festa  e^reja  da  Santa  Misericórdia  d'esta  Villa 
(fonde  sou  Irejiuez;  c  elejo C  nomeio  por  meu  testamenteiro  a  minha  mulher  Isa- 
hel  (fOrnellas,  a  (|uem  encarreiro  a  cura  de  minha  alma,  e  que  lai"á  por  ella  o 
(|ue  ella  (juizera  (jue  fizesse  por  a  sua,  e  por  sua  morte,  ella  nomeará  de  meus 
lilhos  homens  um  (|ue  o  seja  por  a  maneira  (|ue  o  eu  a  ella  ora  deixo. — Declaro 
a  meus  filhos  e  d'antre  niinha  nmllier  por  herdeiro^  eiu  tneus  hens,  como  meus 
filhos  lefiitimos,  e  verdadeiros  (|ue  sam;  e  a  meu  filho  Álvaro  .Martins  por  her- 
deiro (fa  Capitania  e  morí.;ado  e  rendas  d'ella,  como  meu  lillio  legitimo  mais 
velho  (|ue  é,  e  ro;.;o  a  Deus  (|ue  com  a  minha  heiícão  a  lofire  e  possua,  assim 
como  cu  a  herdei  e  possui  de  meu  pae,  e  lhe  deixo  a  elle  e  aos  outros  filhos  a 
minha  ben(;ão.  encomendando  a  elle  em  es|)ecial  e  a  cada  um  em  ^eral  minha 
alma.  (jue  cada  um  se  lembre  (fellat:omo  meus  filhos  que  são,  e  assim  lhe  re- 
comendo e  mando  que  sempre  sirvam  e  lionrein  sua  mãe  como  é  razão,  espe- 
cialmente. .  a  meu  filho  herdeiro  a  quem  n.ando  que  lacam  por  ella  como  a  ra- 
zão o  obrijía  e  porque  confio  em  elles  que  o  farão  como  di;;o,  não  me  alargo 
n'esle  ponto  mais. 

Declaro,  (pie  é  minha  vontade  que  minha  mulher  seja  herdeira  de  toda  a 
minha  terça,  movei  e  raiz,  que  ella  a  possua  em  sua  vida,  e  a  gaste  por  minha 
alma  e  por  sua  morte  ella  ordenará  da  sua  lerca  e  da  minha  testamenteiro  que 
com  as  ditas  terças  nos  faca  bem  [)or  nossas  aímas.  n'a(iuillo  que  lhe  a  elle  pa- 
recer ser  mais  se"viço  de  Deus,  e  descanso  de  nossas  consciências,  e  mando  e 
rogo  a  meus  fillios  e  filhas  que  elles  ajustem  e  favoreçam  minha  terga  para  que 
pague  minhas  dividas  e  fique  para  me  fazerem  bem  por  rainha  alma  para  o  dian- 
te segundo  ('  minlia  temjão  e  o  tenho  dito  a  minha  mulhíM*  em  a  qual  eu  confio. 


ARCIIIVO  DOS  AÇORES  2|7 


IV  Donatário  -  Álvaro  Martins  Homem,  cisou  com  D. 
Beatriz  de  Noronha,  filha  ihi  D.  Joíío  de  Noronha,  da  ilha  da  Madei- 
ra, que  dolon  sua  filha  com  900;5000  reis,  por  escriptnra  de  9  de 
Maio  de  1513  feiía  nos  Paços  da  Ribeira  em  IJsboa.  Drnmmond— iw- 
naex  da  Ilha  Terceira,  T.  1,  pag.  01),  diz  (jiie  Antão  Martins  renunciou 
n'esle  sen  filho  a  Capitania,  renuncia  ipie  foi  Cijnfirmada  por  elrei 
ern  10  doninbro  de  15:22.  Parece  ter  faliecido  pouco  depois  de  seu 
pae,  e  por  isso   não  se  encartou. 


(]ue  licando  cila  inteira  ella  ordene  como  praticado  temos,  e  por  isso  poíío  a 
meus  fillios  que  a  ajudem  a. .  .e  pagar  para  que  minha  terça  fique  para  minha 
alma. 

Mando  a  m.inlia  testamenteira  que  ella  em  sua  vida,  de  meus  bens  moveis, 
me  gaste  trinta  mil  reis,  em  dinheiro,  em  a  maneira  seguinte,  a  saber:  a  meu 
enterramento  se  me  fará  um  ollicio  de  nove  licgões  com  responsos  e  laudas, 
para  o  qual  ajuntará  todos  os  clérigos  e  frades  d'esta  jurdição  e  dirão  missa 
rezada  cada  um  e  a  sua  missa  cantada  e  ladainha  no  dito  ollicio,  e  dará  a  cada 
um  d'elles  um  tostão  de  esmolla,  de  missa  e  ollicio,  e  me  olTertarão  trinta  al- 
queires de  li-igo  e  trezentos  reis  de  pescado  e  um  meio  quarto  de  vinho;  em  as 
missas  rezadas  se  offertarão  com  pão  e  um  quartilho  de  vinho,  e  outros  taes  of- 
flcios  da  mesma  maneira  se  me  farão  ao  mez  e  anno,  somente  em  logar  de  pi- 
pa me  olTertarão  ao  mez  e  anuo  uma  novilha  de  2  annos  para  cima,  as  quaes 
Qovilhas  e  trigo  e  pão  cosido,  não  entrará  na  conta  d'eátes  trinta  mil  reis;  e 
assim  me  dirão  um  annal  de  missas  rezadas  e  um  trintario  cerrado  por  mi- 
nha alma  e  assim  todas  as  semanas  de  um  anno  me  dirão  três  missas  pe- 
sadas pela  ahna  de  meu  pae  e  de  minha  mãe,  as  quaes  missas  e  trintario, 
comprirá  minha  testamenteira  dentro  de  três  aunos,  depois  de  meu  falleci- 
mento,  estas  missas  e  trintarios  dirá  meu  íillio  Pêro  Alvares,  e  seudo  elle  oc- 
cupado  as  mandará  elle  dizer  por  qualquer  clérigo  ou  frade  que  elle  quizer  to- 
das ou  parte  d'ellas,  ou  as  que  elle  não  poder  dizer,  e  por  que  ao  presente  a 
mim  me  não  lembram  dividas  que  deva,  somente  na  Ilha  da  Madeira,  e  não  sei 
quanto  é,  e  não  me  lembra  se  o  paguei,  mando  que  não  sendo  pago  se  lhe  pa- 
gue o  que  se  achar  que  lhe  devo,  a  qual  pessoa  a  que  acima  penso  que  devo  é 
Brites. .  .(Cansadif!)  e  assim  se  achar  a  outras  pessoas  que  devo  dinheiro  ou  ser- 
viço de  creados  ou  soldadas,  ou  quaesquer  outras  cousas,  se  pagarão,  e  por  ((ue 
andando  o  tempo  eu  poderei  tomar  ou  dever  alguma  coisa  que  me  ora  não  lembre 
mando  que  se  pague  a  quem  quer  que  seja  que  lhe  deva  e  seja  crido  por  seu 
juramento  até  quantia  de  600  reis  e  por  que  eu  poderia  dever  a  defuntos  ou 
pessoas  de  quem  não  sou  accordado  nem  serão  ouvidos  .  .  .  mando  que  se  dè 
á  Mizerirordia  d'esta  Villa  da  Praia  oito  mil  rei.s,  á  qual  mando  dar  isto  por  es- 
molla somente  por  modo  de  restituição  e  divida  que  podia  dever  a  muitas  pes- 
soas, e  ella  os  haja  recebidos  pelas  almas  de  (juaesquer  defuntos,  ou  vivos  que 
achados  não  forem,  e  isto  se  pagará  dentro  de  três  annos,  e  lodos  os  meus  ves- 
tidos, que  achados  forem  por  meu  falecimento  e  assim  camisas  e  calçado  se  da- 
rá a  pobres  por  amor  de  Deus,  e  todo  este  acima  dito  pagará  minha  molher  nos 
dias  seus,  e  o  que  mais  remanescer  de  minha  terça  logrará  por  honra  de  sua 
pessoa  e  minha  em  sua  vida,  e  por  seu  fallecimento,  por  seu  testamento  declara- 
rá e  ordenará  testamenteiro,  que  a  perpetuamente  gaste  por  nossas  almas  como 
dito  é,  a  renda  de  minha  terça,  e  lhe  declarará  salário. .  .e  todo  o  mais  que  lhe 
a  ella  bem  parecer  por  que  eu  a  ellejo. .  para  m*o  fazer  e  confio  que  o  fará  con- 

N."  21-Vol.  IV— 1882.  l 


218  ARCHIVO  DOS  AÇORES 


V  Donatário— Antão  Martins  Homem,  filho  do  preceden- 
te, casou  em  Portugal  com  D.  Joanna  de  Mendoça,  filha  de  Henriq  le 
Pinheiro,  Alcaide  Mór  de  Barcellos.  A  carta  de  confirmação  da  Capita- 
nia com  data  de  30  de  Janeiro  de  1533  mostra  que  succedeo  legalmen- 
te a  seu  avô  do  mesmo  nome,  e  por  isso  não  apparece  a  confirmação 
de  seu  pae.  De  facto  no  inventario  do  avô  em  1532  já  figura  D.  Bea- 
triz como  viuva,  e  nos  autos  foi.  6  está  uma  sua  procuração,  feita  na 
Villa  da  Praia  aos  10  de  setembro  de  1532. 

Como  Antão  Martins  não  deixou  filhos  varões  vivos  ao  tempo  da 
sua  morte,  e  um  seu  irmão  António  de  Noronha  seguio  o  partido  de 
D.  António  Prior  do  Crato,  extinguio-se  a  linha,  sendo  a  Capitania 
doada  a  D.  Christovão  de  Moura;  como  se  vê  no  numoro  XX  d'este 
Archivo,  p.  1C8. 


forme  o  serviço  de  Deus  e  descarí^o  de  nossas  consciências,  com  este  entendi- 
mento, que  miulia  le.vça  é  que  seja  raiz  ou  cousa  íirme  que  i-enda  perpetua 
{mente"^)  que  se  ordoiie  d'('lla  o  que  se  ífella  poderá  fazer  em  sacrifícios  d  altar 
em  perpetuo  sem  nunca  poder  ser  vendidos  nem  empenhados,  somente  ir  por 
linha  direita  masculina  daíiuclle  filho  que  minha  mollier  nomear  ftara  adminis- 
trar, e  quero  que  (juando  houver  lilho  senqire  jtroceda  filha,  e  deslallecendo  li- 
nha masculina  descendente  como  digo,  então  vá  á  linha  femenina,  e  tanto  que 
houver  filho  macho  logo  torne  ao  masculino,  e  sendo  cousa  que  Deus  não  man- 
de que  minha  mulher  d'esta  vida  para  outra  vá  ah  iniestado  ou  não  tenha  no- 
meado administrador  por  alguma  causa  ou  por  não  rjuerer  então  ficará  com  a 
administração  da  minjia  terça  meu  filho  Pedro  Alvares,  e  d'ahi  por  linha  direita 
masculina  descendente  como  acima  tenho  declarado;  e  por  aqui  liei  por  queí)ra- 
dos  quaesquer  outros  testamentos  e  cédulas  (jue  antes  aesti'  tenha  feito,  e  não 
quero  que  valham,  somente  que  hei  por  firme  e  valioso  d'este  dia  por  todo  o 
sempre,  e  por  de  todo  me  apraz  e  este  iínpAr  ultima  vontade,  o  mandei  escre- 
ver por  meu  fiel  escrivão  e  roguei  a  Lopo  Hoiz  taheliam  n'esta  Villa  que  o  es- 
crevesse e  assignei.  Feito  lioje  21  dias  do  mez  de  Maio  de  1530.» 

Foi  approvado  no  mesmo  dia  na  dita  Villa  da  Praia  da  Ilha  Terceira  de  Je- 
sus Christo  nas  casas  de  moradas  do  Sr.  ('apilão  Anlam  Martins,  óc;  testemunhas 
presentes  Domingos  Homem,  Ruy  Cardozo,  João  Luiz  «Sc.;  pelo  Tahelliam  Lopo 
Roiz. 

(O  inventario  original  de  que  se  extraído  esta  copia,  em  1877,  pertíMice  ao 
Snr.  João  do  Carvalhal  da  Silveira,  da  Citlade  d'Angra.) 

Este  testamento  foi  aberto  na  Villa  da  Praia  em  5  de  dezembro  de  1531  pe- 
lo Juiz,  Pedro  Alvares  da  Fonseca,  a  quem  foi  apresentado  por  Álvaro  Martins 
Homem,  Domiugos  Homem  e  Pedro  Alvares  da  Gamara  filhos  de  Antão  Martins, 
fallecido. 

Do  mesmo  Antão  Martins  1."  do  nome,  é  o  seguinte  e  curioso  documento: 

Carta   de  dada  do  torras  na  ilha  Terceira  a   Uomingos 

Homem. 

"A  quantos  esta  carta  de  dada  virem,  Antão  Martins  fidalgo  da  casa  d'elrei 
nosso  Senhor  e  capitão  por  sua  senhoria  em  esta  ilha  Terceira  na  villa  e  jurdi- 
ção  da  Praia:  faço  saber  que  eu  dou  ora  novamente  com  João  d'Ornellas  da  Ca- 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  219 


mara,  outrosim  Qdalgo  da  casa  do  dito  senhor,  almoxarife  que  ao  presente  é 
i)a  dita  villa  e  seus  termos  a  Domingos  Homem  meu  tio  uma  terra  e  mattos  ma- 
iiinlios  a  qual  jaz  no  logar  das  Quatro  Ribeiras  e  que  parte  peia  Ribeira  Gran- 
de e  com  uma  íajam  de  Fernão  Pires  e  com  Fedro  Alvares  do  Porto  do  Judeu,  e 
tia  outra  parte  pelas  capitanias  a  qual  terra  que  lhe  acima  damos  em  esta  ma- 
neira, convém  a  saber,  a  que  for  para  pão  que  elle  a  roce  e  aproveite  até  o  ân- 
uos primeiros  seguintes,  segundo  forma  do  regimento  d'elrei  nosso  senhor,  e  a 
(jue  não  for  para  isso  lha  damos  em  fatiota  {pliateosim)  para  creações  de  seus 
iiados  e  com  tal  condição  que  elle  dè  caminhos  e  serventias  por  ellas  ao  con- 
celho, aquelles  que  lhe  necessário  forem ,  a  qual  lhe  damos  com  todos  os  bis- 
coutos  e  lajans  que  se  dentro  destas  confrontações  estiverem  e  não  cumprindo 
elle  os  termos  desta  carta,  que  a  dada  seja  nenhuma  e  o  dito  senhor  a  possa 
dar  a  quem  a  aproveite  ou  quem  seu  cargo  tiver,  e  cumprindo  elle  assim  lhe  íi- 
(lue  toda  em  tatiota  para  elle  e  quantos  d'elle  descenderem  e  elle  a  possa  vender, 
(lar,  doar,  trocar,  escambar,  aforar,  arrendar  e  fazer  delia  e  em  ella  o  que  qui- 
zer,  e  por  bem  tiver  como  de  cousa  sua  própria  izenta  que  é,  e  por  esta  roga- 
mos a  todos  capitães  e  ofíiciaes  que  depois  de  nos  vierem  que  achando  elles 
que  o  dito  Domingos  Homem  cumprio  as  condições  desta  nossa  carta  lha  cum- 
pram e  guardem  e  façam  inteiramente  cumprir  e  guardar  esta  nossa  carta  as- 
sim e  pela  maneira  que  nella  é  contheudo  ora,  e  ai  não  façaes.  Dada  n'esta  villa 
da  Praia  da  ilha  Terceira  de  Jesus  Christo  sob  nossos  signaes  aos  26  dias  do 
mez  de  março.  João  da  Fonseca,  tabelliâo  n'esta  villa  a  fez  por  mandado  do  dito 
'■apitão,  annodo  nascimento  de  nosso  senhor  Jesus  Christo  de  1504  annos. 

Antão  Martins. 

{Copia  do  Dr.  João  Teixeira  Soares.) 


GylPITylNiyi  DO  FyiYAL  E  PICO 

D.  ÁLVARO  DE  CASTRO    IV  DONATÁRIO. 
(  Documentos  ) 


Lembrança  das  pessoas  que  pediam  a  El  Rey  remunera- 
ção de  serviços  que  haviam  feito  á  coroa. 

Dom  Álvaro  de  Castro  tem  huu  alvará  porque  lhe  Sua  Alteza  fez 
mercê  ria  Capitania  das  lllias  do  Fayal  e  Pico  com  duzentos  e  cinco- 
enta  mil  reis  de  juro  e  que  não  querendo  o  dito  dom  Álvaro  a  dita  Ca- 
pitania e  renda  e  alargandoa  dentro  de  seis  ânuos  lhe  faria  mercê 
dos  ditos  duzentos  e  cincoenta  mil  reis  de  juro  pagos  no  feitor  das 
Ilhas  e  lhe  faiia  mercê  dentro  dos  ditos  seis  ânuos  de  cousa  equi- 
valente á  capitania  das  ditas  Ilhas  somente. 

Pede  a  alcaydaria  mor  de  Terena  e  larga  a  dita  Capitania. 

(Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  Gav.  2\  maç.  10-  nJ  6^ 

Esta  relação  ou  ementa  das  pessoas  que  tinham  pretensões  na  corte,  deve 
ter  sido  feita  depois  da  morte  de  D.  João  III,  e  durante  a  menoridade  de  D.  Se- 
bastião. A  este  pedido  satisfez  a  regência  como  se  mestra  pelos  documentos  se- 
guintes. 

{Nota  do  Sr.  J.  l  de  Brito  Rebello.) 


Confirmações  das  Capitanias  das  ilhas  do  Fayal  e  do 
Pico  a  D.  Álvaro  de  Castro,  1559  e  1560. 

Dom  Sebastiam  etc.  A  quantos  esta  minha  carta  virem  faço  saber 
que  por  parte  de  dom  Álvaro  de  Castro  do  meu  conselho  me  foy  dito 
que  el  Rey  meu  senhor  e  avô  que  sancta  gloria  aja  conssiderando  os 
muytos  e  grandes  serviços  que  linha  recebidos  de  dom  João  de  Cas- 
tro seu  pay  viso  Rey  que  foy  da  índia  e  asy  no  cerquo  da  fortalleza 
da  minha  cidade  de  Dyo  tauí  iuqjortante  à  segurança  da  índia  que 
estava  cercada  avia  r)yto  meses  conliuos  e  em  grande  aperto   pellos 


(•)  Dos  Donatários  da  familia  de  Jobs  Van  Huerter  se  tractou  no  Vol  I,  pag. 
152  e  seguintes. 


ARCHIVO  DOS  AÇOHES  221 

capilHes  deli  Rey  rle  Camhaya  Rey  mny  poderoso  nas  ditas  parles 
com  liuii  iiuiy  grande  e  grosso  exercito  de  gente,  moniçoes  e  arti- 
llieria  em  que  enlravão  muitos  turcos  e  todas  as  outras  nações  de 
gente  mny  exercitadas  e  experimentadas  na  guerra  e  cousas  delia  ao 
(piall  cerquo  em  qne  llie  já  eia  queimado  em  huu  baluarte  a  que  os 
inimigos  por  hnas  certas  minas  poserão  fogo  dom  Fernando  de  Cas- 
tro seu  íillio  que  elle  linha  mandado  ao  socorro  da  dita  fortalleza  não 
somente  o  dito  dom  Joam  de  Castro  acídio  em  tempo  de  inverno  cm 
que  naquelas  parles  pela  navegação  dos  nisres  delias  se  fizerão  em 
moniçoes  era  delicil  e  podei  emsse  elles  navegar  mas  ainda  com  mui- 
to esforço  lhe  (ku  batalha  na  qual  os  venceo  e  desbaratou  como  em 
iodas  outras  cousas  que  se  oferecerão  na  paz  e  na  gerra  em  todo 
tempo  que  nas  ditas  [lartes  o  sérvio  e  teve  cargo  de  seu  capitão  mor 
e  viso  rey  delias  em  que  comprio  inteiramente  com  o  que  devia  a 
sua  obrigação  asy  no  que  pertencia  fazer  huu  bem  xpão (rÁr/ò/ão)  co- 
mo no  "que  convinha  obiar  huu  e.^forçado  cavaleiro  e  bõ  capitão  e 
hu  fie!  e  verdadeiro  vassallo  de  seu  Rei  e  senhor  nas  quaes  parles  da 
índia  faleceo  servindo  S.  A.  e  com  todo  seu  contentamento,  pelo  que 
avendo  S.  A.  a  todas  estas  cousas  respeito  e  como  he  cousa  justa  e 
devida  aos  Reis  na  satisfação  dos  serviços  dos  taes  vassalos  perpetua- 
rem a  lembrança  delles  asy  porque  se  segue  disso  verse  em  todos 
tempos  que  compiitam  com  o  que  eram  obrigados  no  gallardão  dos 
serviços  que  lhe  forão  feito-  como  pello  bõ  exemplo  que  diso  rece- 
bem os  mesmos  vassallos  para  fazerem  outros  semelhantes  olhando 
que  ao  dito  dom  Allvaro  de  Castro  como  filho  mais  velho  do  dito 
dom  Joam  erdeiro  de  seus  merecimentos  e  serviço^;  era  razam  sello 
lambem  da  satisfaçam  delles  e  asi  mesmo  avendo  respeito  aos  muitos 
serviços  que  o  dito  dom  Allvaro  lhe  fez  no  cerquo  da  dita  fortalleza 
de  Dio  indo  a  soccorro  delia  com  tempos  contrários  primeiro  que  o 
dito  seu  pay  fosse,  metendosse  na  dita  fortalleza  com  a  gente  e  so- 
corro que  levava  com  muito  perigo  de  sua  pessoa  e  assy  em  todas  as 
mais  cousas  que  sobcederão  nas  ditas  parles  em  quanto  seu  pay  as 
governou  e  asy  em  Afriqua  e  nestes  Reinos  e  na  índia  onde  já  linha 
ido  outra  vez  e  andando  muito  tempo  em  qne  deu  de  sy  em  tudo  a 
conta  que  se  delle  devia  esperar  ouve  por  bem  e  lhe  fizera  merrè 
por  bua  sua  doaçam  de  juro  e  eidade  para  lodos  os  (jue  delle  des- 
cenderem por  linha  direita  mascullina  segundo  forma  da  ley  mental 
das  capitanias  e  jurdições  das  Ilhas  do  Fayal  e  do  Pico  e  de  lodallas 
villas  e  povoações  que  nellas  avia  e  ao  diante  oiivese  com  dozentos  e 
cincoenta  mil  reis  de  juro  e  erdade  nos  quaes  entrariam  as  rendas 
(pie  entam  as  ditas  capitanias  rendiam  e  o  mais  averia  na  fazenda  de 
S.  A.  por  padrão  de  fora  que  lhe  disso  mandaria  |)assar  o  (|ual  jun» 
da  demasia  alem  do  que  as  rendas  da  capitania  das  ditas  Ilhas  ren- 
dessem averia  sempre  o  dito  dom  Allvan»  e  seus  descendentes  posto 
que  as  ditas  capitanias  a  elle  ou  pello  tempo  em  diante  rendesem  os 


2Í2Í2  AKCHIVO  DOS  AÇOKES 

ditos  ijM.  (250H000)  reaes  ou  muito  mais,  as  quaes  capitanias  vaga- 
ram per  falecimento  de  Manuel  Dutra  que  delias  foy  o  derradeiro  ca- 
pitão segundo  que  todo  está  milhor  e  mais  declaradamente  he  decla- 
rado na  dita  doiçam  e  asi  mais  que  sua  alteza  fizera  mercê  ao  dilo 
dom  Álvaro  de  huu  seu  allvará  cujo  treslado  he  o  seguinte: 

(O  almrá  a  que.  se  refere  a  carta  supra,  está  impresso  a  pag.  69, 
Vol.  IV,  deste  Arcliivo.) 

Pedindo-me  u  dito  dom  Âllvaro  que  por  quanto  elle  dentro  dos 
seis  annos  declarados  no  dito  allvará  não  quizera  a  capitania  das  di- 
tas Ilhas  do  Fayal  e  Pico  e  malargarn  com  a  renda  delias  lhe  fizesse 
mercê  doutra  cousa  equivalente  á  capitania  das  ditas  Ilhas  com  a  ren- 
da delias  conforme  o  dito  allvará  o  que  visto  per  mim  e  como  o  dilo 
dom  Allvaro  com  outorga  de  dona  Ana  dAlaide  sua  mulher  me  re- 
nunciarão a  dita  capitania  das  ilhas  do  Fayal  e  Pico  com  as  rendas 
delia  segundo  vi  per  hua  publica  escriptura  feita  per  Gaspar  Borra- 
lho taballiam  piihlico  na  villa  de  Sintra  a  bj  (6')  dias  do  mes  dagosto 
de  mil  b"  Lix  {1'jô9)  e  avendo  respeito  às  cousas  e  razões  pelas  quaes 
ell  Rey  meu  senhor  e  avoo  (jue  santa  gloria  aja  lhe  fez  a  dita  mer- 
cê e  ao  dito  allvará  (jue  em  favor  delia  lhe  pasou  avendo  asi  mesmo 
respeito  aos  serviços  que  me  o  dito  dom  Álvaro  de  Castro  tem  fey- 
tos  e  aos  que  espero  que  ao  diante  faça  ey  por  bem  e  lhe  faço  mer- 
cê pêra  todo  sempre  para  elle  e  todos  os  (]ue  delle  descenderem  por 
linha  direita  mascollina  segundo  forma  da  lei  mental,  da  villa  de  Fonte 
Arcada  e  seu  termo  com  a  jurdição  crime  e  eivei  delia  reservando  pa- 
ra mim  correição  e  allçada  e  os  direitos  das  jugadas  que  na  dita  villa 
e  seu  termo  a  mi  pertence  aver  tirando  os  direitos  das  sisas  e  as 
rendas  das  terças  e  asi  ey  por  bem  que  o  dito  dom  Allvaro  e  seus 
socesores  se  possam  chamar  e  chamem  senhores  da  dita  villa  e  que 
tenhão  a  dada  dos  oíTicios  e  tabeliães  das  notas  e  do  judicial  enque- 
redor,  contador  e  destribuidor  da  dita  villa  e  concelho  e  asi  dos  oílicios 
de  juiz  dos  órfãos  e  da  camará  e  dailmotaçaria  da  dita  villa  que  forem 
de  minha  dada  e  de  (jue  o  concelho  <lella  não  estiver  em  posse  de 
dar  per  suas  elleições  para  os  quaes  oíTicios  quando  vagarem  o  dito 
dom  Allvaro  e  seus  descendentes  segundo  forma  da  lei  mental  que  a 
dita  villa  e  concelho  socederem  por  virtude  desta  doação  escolherão 
pesoas  antas  {aptas)  e  lhes  passarão  suas  apresentações  para  que 
com  ellas  venhão  tirar  cartas  de  confirmação  dos  ditos  oílicios  asina- 
das  pelos  meus  desembargadores  do  paço  e  passadas  pela  chancella- 
ria  mor  do  Reino  e  pêra  que  ajam  de  servir  os  ditos  oílicios  confor- 
me as  minhas  ordenações  da  qual  chancellaria  levarão  seus  regimen- 
tos asinados  pelo  chanceller  mor  e  asi  mais  me  praz  que  o  dito  dom 
Álvaro  e  seus  descendentes  confirmem  a  elleição  dos  juizes  da  dita 
villa  per  si  ou  per  seu  ouvidor  e  asi  mais  me  praz  que  asi  os  ditos 
oíficios  que  o  dito  dom  Allvaro  de  Castro  e  seus  descendentes  per 
virtude    desta   doação  podem  apresentar  como  os  juizes  ordinaiios 


AHCHIVO  DOS  AÇOKES  22^ 

da  dita  villa  e  concelho  que  daqui  em  diante  sayrem  per  elleições  do 
povo  em  cada  huu  arino  se  possão  cliaiuar  e  chamem  por  elle  dom 
Allvaro  e  por  seus  socesores  no  senhorio  da  dita  villa  e  asy  ey  por 
bem  e  me  praz  que  o  dilo  seu  ouvidor  conheça  dos  agravos  e  apel- 
lações  e  asi  ey  por  bem  e  me  praz  de  fazer  mercê  ao  dito  dom  All- 
varo e  seus  descendemtes  segundo  foima  da  lei  mental,  dos  quintos 
do  concelho  da  Orta  e  Paredes  que  ao  presente  rendem  cinquoenta  e 
dois  mil  e  b''  {ô2^500)  rs.  e  asi  dos  foros  do  concelho  das  Paradas 
de  Souto  que  ao  presente  rendem  cinquoenta  e  oito  mil  reaes  asi  e 
da  maneira  que  me  pertencem  e  para  mim  ategora  se  arecadavão  os 
qnaes  averá  com  o  cresciíuenlo  ou  diminuição  (|ue  nelles  ao  diante 
oiiver  e  ei  por  bem  que  possa  ter  e  tenha  allmoxarife  pêra  arrecada- 
ção dos  direitos  reaes  e  lendas  dos  ditos  concelhos  de  que  lhe  asi 
faço  mercê  o  qual  allmoxarife  conhecerá  das  causas  e  duvidas  que  se 
moverem  sobre  os  ditos  direitos  a  qual  doação  e  mercê  asi  faço  ao 
dito  dom  Allvaio  de  Crasto  pêra  elle  e  todos  seus  socesores  barões 
lidimos  segundo  forma  da  lei  mental  de  meu  próprio  moto  livre 
vontade  poder  Real  e  absolluto  sem  embargo  de  qualquer  direito  ei- 
vei, grosas  e  opiniões  de  doutores,  determinações  ou  capitólios  de  cor- 
tes que  em  contrario  do  conlheudo  desta  doação  aja  e  posa  aver  por- 
que todas  quero  que  contra  esta  doação  se  não  entendão  nem  nella 
ajão  lugar  e  neste  caso  as  derogo  e  ei  todas  por  derogadas  sem  em- 
bargo da  ordenação  do  L.°  2."  lit."  49  que  diz  que  se  não  entenda 
por  mim  derogada  ordenação  se  da  sustancia  delia  não  fizer  expreça 
menção  por  que  de  minha  certa  sciencia  poder  real  e  absoluto  quero 
e  ei  por  bem  que  esta  minha  carta  se  compra  em  todo  como  se  nella 
contem  e  por  ella  mando  ao  regedor  e  governador  das  minhas  casas 
da  supllicação  e  eivei  e  aos  meus  desembargadores  do  paço  correge- 
dores, juizes  e  justiças  de  meus  reinos  que  asi  o  cumprão  e  guaidem 
e  facão  inteiramente  comprir  e  guardar  sem  duvida  nem  embargo  all- 
gum  que  a  ello  ponhão  e  mando  ao  corregedor  da  comarca  de  Lame- 
go e  aos  juizes,  vereadores  homens  bons  e  povo  da  dita  villa  e  con- 
celhos e  quaesquer  outras  justiças  e  oíTiciaes  a  que  esta  minha  carta 
for  mostrada  e  o  conhecimento  delia  pertencer  que  dem  logo  a  posse 
da  dita  villa  de  Fonte  Arcada  e  seu  termo,  e  de  todas  as  rendas  delia 
e  dos  ditos  concelhos  ao  dilo  dom  Allvaro  e  lhas  deixem  ter  e  haver 
arecadar  e  pesuir  e  delas  usar  des  o  primeiro  dia  do  mes  de  janeiro 
que  embora  (em.  boa  hora)  vira  de  mil  bM^x  (í.56'0),em  deante  segundo 
lõriua  desta  doaçãí»  e  milhor  se  o  dilo  dom  Allvaro  lodo  com  diíeitd 
milhor  poder  ter.  aver.  arecadai'  e  pesoir  e  amtes  d'.»  dito  dom  Allvaro 
nsai  da  dita  jurisdição  mando  que  esta  caria  se  iegist(>  no  livro  dos 
meus  próprios  da  ccuiiarca  e  contadoria  da  dita  villa  pelo  escrivão  dos 
contos  delia  e  asi  nos  livros  da  correição  delia  e  no  livro  da  Camará 
da  dita  villa  prio  escrivão  delia  para  se  saber  j)or  os  ditos  regitos  em 
todo  tempo  c^mo  lhe  fiz  mercê  da  dila  villa  com  sna  jiirdição  e  diiei- 


224  AKGHIVO   DOS   AÇORES 

tos  das  jugadas  delia  e  Jos  foros  dos  ditos  concelhos  na  maneira  so- 
bredita e  na  fornia  de  como  ha  de  usar  da  dita  jiirdição  e  arecada- 
ção  dos  ditos  direitos  e  de  como  esta  carta  asi  for  registada  nos 
ditos  livros  pasarão  os  ditos  escrivães  suas  certidões  nas  costas 
delia  e  asi  porá  verba  nos  Ikros  é>  minha  fazenda  como  de  Janeiro  de 
Ix  {1560)  em  dianle  o  dito  dom  AUvaro  não  hadaver  mais  a  capitania 
e  rendas  das  ditas  Ilhas  e  se  ão  darecadar  pêra  mim  por  ma  ter  re- 
nunciada e  eu  lhe  fazer  por  isto  a  mercê  sobredita  e  a  doação  perque 
el  rei  mm  senhor  e  aro  fez  mercê  ao  dito  dom  AUvaro  da  capitania 
das  ilhas  do  Fayal  e  do  Pico  e  rendas  delia  de  que  acima  faz  menção 
foi  rola  (1)  ao  asinar  desta  e  asi  mesmo  foi  roto  o  allrara  aciína  in- 
certo. Dada  na  cidade  de  Lixboa  a  xb  (/.o)  dias  do  mez  de  dezem- 
bro, Pantalleão  Kebello  a  fez,  anno  do  nascimento  de  noso  senhor 
Jhu  Xpõ  {Chrisio)  de  mil  b*"  lix  {1059).  E  a  mercê  que  por  esta 
doação  faço  ao  dito  dou)  AUvaro  de  Castro  para  elle  e  todos  seus 
sucesores  per  linha  direita  mascollina  ijue  a  dita  villa  de  Fonte  Ar- 
cada erdarem  e  socederem,  a  sabei':  que  os  seus  ouvidores  conheção 
dos  agravos  e  apellações  e  que  os  oíTicios  que  per  virtude  desta  doa- 
ção podem  apresentar  como  os  juizes  ordinários  da  dita  villa  e  con- 
celhos se  chamem  por  elle  dom  AUvaro  e  por  seus  sobcesores  no 
senhorio  da  dita  villa  ei  por  bem  ipie  aja  efeito  e  se  cumpra  e  guar- 
de como  se  na  dita  doação  contem  sem  embargo  da  ordenação  do 
2."  L."  tit.°  i26  parafos.  E  não  conhecerão.  E  se  pellos  outros,  a  qual 
para  este  caso  somente  ei  por  derogada  ;  Pantalliam  Rebello,  a  fez 
em  Lixboa  a  xxbj  [2())  de  janeiro  de  mil  W  Lx  [11)60).  {Seguem-se  as 
resalvas  das  entrelinhas  e  emendas.  =-  (>oncertada,  António  dAguiar  = 
Concertada,  João  da  Costa  =  António  Vieira. 

{Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  Liv.''  8.°  das  Doag.  de  f).  Seb.,  f.  9  i\\) 

Dom  Sebastião  ele.  A  quamlos  esta  minha  carta  virem  faço  saber 
(|ue  el  Rey  meu  senhor  e  avo  cpie  santa  gloria  aja  fez  mercê  pei'  sua 
doação  a  dom  Álvaro  de  Castro  lilho  de  dom  J(jão  de  Castro  que  foy 
Viso-Hey  nas  parles  da  índia  da  capitanya  das  Ilhas  do  Fayal  e  Pi- 
co a  (^ual  capitanya  o  dito  dom  Álvaro  ora  latguou  per  lhe  eu  fazei' 
inerce  pêra  elle  e  lodos  seus  erdeiros  descendentes  por  linha  mas- 
colina    segundo    forma  da  ley  mental  da  villa  e    concelho   da   Fonte 

(1)  A  doação,  de  (]ue  nesta  carta  se  faz  mengão,  não  se  acha  registada  em 
l»arle  alguma  das  chancelarias,  mas  pode-se  reconslruir  pelas  bases  e  forças 
desta,  que  é  mais  que  natural  fossem' copiadas  da  outra,  e  vendo-se  a  que  depois 
se  passou  a  D.  Francisco  de  Mascarenhas  desta  mesma  capitania,  e  também  co- 
mo premio  de  relevantes  serviços,  tera-se  perfeito  conhecimento  do  contexto  da 
de  D.  Álvaro  de  Castro.  Falta  a  data,  mas  essa  deve  ser  a  mesnri  do  alvará, 
011  muito  próxima. 

íJVoííf  do  Sr.  J.  l.  de  Brito  Rebello.) 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  245 

Arcada  com    as  rendas  delia  com  declaração  (|ue  se  a  dita  villa  e 
concelho  lhe   não   valese  o  que   lhe   valião  as  ditas  Ilhas  o  prefaria 
per  outra  renda   á   custa   de  minha  fazen(]a  e  por  ora  por  se   achar 
por  maça  que  se  fez  de  seis  ânuos,  (^ue  as  (htas  Ilhas  rendiíio  duzen- 
tos vinte  e  dois  mil  reis  cada  anuíj  e  em  Fonte  Arcada  lhe  forão  da- 
das dozentos  mil  reis  ey  por  bem  e  me  praz  de  fazer  mercê   ao  dito 
dom  Álvaro  de  xxT]  rs.  [22^000)  de  tença  de  juro  pêra  sempre  pêra 
elle  6  todos  seus  erdeiros  descendentes  per  linha  mascolina   segundo 
forma  da  tey  mental  pêra  cumprimento  oos  ditos  duzenlus   vinte  e 
f'ois    mil   reis   que   as   dilas   ilhas   rendião  cada   anuo  os  quaes  xxTj 
<22S000)  de  juro  começará  a  vencer  do  primeiro  dia  do  mes  de  janei- 
ro do  anno  presente  de  l)*^lx  (560)  em  deante  que  he  o  (empo  em  ijue 
começou  a  vencer  as  ditas  rendas  de  Fonte  Arcada  que  se  lhe  derão 
em  rp  (200^000)  rs.   cada   anno  como  dito  he  os  quaes~xxTÍ  (22S0J0) 
rs.  ey  por  bem  que  lhe  sejão  asentados  no  ahnoxaiifado  de   Pinei  e 
pagos  per  carta  geral  pelo  rendimento  do  ramo  das  >yzas  da  dita  vil- 
la de  Fonte   Arcada  e  por  tanto  mando  ao  recebedor  das  ditas  sizas 
que  ora  he  e  ao  deante  for  que  do  dito  janeiro  em  deante  per  esta 
soo  carta   geral  sem  mais  outra   provisão  minha  nem  dos  veedores 
de  minha  fazenda  faça  pagamento  ao  dito  dom   Álvaro  dos  ditos  xxij 
{22é000)   rs.   de  juro  aos  quartéis  do  anno  per  inteiro  e  sem  que- 
bra algiHiia  posto  que  ha  hy  aja  e  pelo  treiado  desta  carta  que  será 
registada  no  livro  do  registo  das  cartas  geraes  do  dito  almoxarifado 
pelo  escrivão  delle  e  conhecimentos  do  dito  dom  Álvaro  mando  ao  al- 
moxarife do  dito  almoxarifado  que  os  tome  em  pagamento  ao  dito  re- 
cebedor o  que  lhe  asy  paguar  e  aos  contadores  mando  que  pelo  dito 
treiado  e  os  ditos  conhecimentos  levem  em  conta  ao  dito  almoxarife 
o  qut^  nisso  montar  e  aos  veedores  de  minha  fazenda  que  lhe  facão 
asentar  os  ditos  xxlj  [22'SOOO)  rs.  no  Livro  dela  e  levar  em  cada  huu 
anno  no  caderno  de  asentamenlo  do  dito  almoxarifado  e  pêra  firmeza 
de  todo  lhe  mandei  dar  esta  pasada  pela  minha  chancelaria  e  aselada 
do  meu  selo  de  chumbo.  João  Alvarez  a  fez  na  cidade  de  Lixboa  a  xij 
[12)  dias  do  mez  de  setembro  de  'J  b*"  Lx  {1560)  eu  Álvaro  Pirez  a 
fiz  escrever  (resalra  de  entrelinhas)  Concertada  Roque  Vieira.  ==  Con- 
certada Pêro  dOliveira. 

(Arch.  nac.  da  T.  do  T..  Liv.   VII  das  Doaç.  de  í).  Seb.,  f.  128.' 


Doação  das  Capitanias  das  ilhas   do  Fayal  e  do  Pico,  a 
D.  Francisco  Mascarenhas.  1573. 

Dom  Sebastião  etc.  Faço  saber  aos  que  esta  minha  carta  virem 
que  avendo  eu  respeito  aos  merecimentos  de  dom  Francisco  Mascare- 
nhas do  meu  conselho  e  aos  muitos  serviços  que  me  tem  feitos  asi 
nestes  reinos  como  nas  partes  da  índia  onde  per  muitos  annos  me 

N.°  Í2I— Vol.  IV— 1882.  fí 


226  ARCHIVO   DOS    AÇORES 

sérvio  e  aos  que  espero  que  ao  deante  me  fará  e  especialmenla  ao 
que  me  fez  na  defensão  da  cydade  de  Chaul  que  no  ano  de  b*Lxx 
(1570)  esteve  sercado  nove  meses  por  Nisamaluquo'^.  rey  mui  poderoso 
naquellas  partes  cõ  trinta  e  cimquo  mill  homens  de  cavalo  e  cem  mill 
de  pee  jenle  escolhida  de  muito  tempo  pêra  esta  empresa  e  muitos 
alyfamtes  e  grande  canlidade  de  peças  dartelharia  da  qual  cidade  e 
defensão  delia  elle  foi  capitão  mor  no  tempo  do  dito  cerquo  e  a  de- 
femdeo  com  muito  esforço  comprindo  em  tudo  com  o  que  devia  fa- 
zer huu  bom  e  esforçado  capitão  não  tão  somente  defendendo  a  ci- 
dade, mas  ofendendo  os  cercadores  e  matandolhe  muita  gente  e  ven- 
do e  concyderando  eu  como  he  cousa  justa  e  devida  aos  Reis  na  satis- 
fação dos  serviços  dos  taes  vasaios  perpetuarem  a  memoria  deles  asi 
por  que  se  veja  que  comprirão  com  ho  que  herão  obrigados  no  ga- 
lardão dos  serviços  que  lhe  forão  feitos  como  pelo  bom  exempro 
que  diso  recebem  os  mesmos  vasaios  pêra  fazerem  outros  seme- 
lhantes por  todos  estes  respeitos  e  por  muito  ffolgar  de  fazer  mer- 
cê ao  dito  dom  Francisco  ey  por  bem  e  me  praz  de  lha  fazer  co- 
mo de  feito  por  esta  presente  caria  de  doação  faço  das  capytanyas 
e  jurdições  das  ilhas  do  Fayal  e  do  Piquo  e  de  todas  as  vyllas  e 
povoações  que  ora  nellas  ha  e  ao  deamle  ouver  as  (piaes  capyta- 
nyas ora  estão  vagas  por  se  jnllgar  e  detreminar  por  semlença  dada 
no  juizo  de  meus  feitos  da  casa  da  supricação  que  eslavão  devolutas 
e  pertenciam  á  coroa  de  meus  Reinos  e  esta  mercê  faço  ao  dito  dom 
Francisco  em  dias  de  sua  vida  e  de  huu  seu  filho  maior  barão  lidimo 
(]ue  ao  tempo  de  seu  falecymenlo  tiquar  e  de  huu  seu  neto  nutro  si 
barão  lydimo  e  mayor  que  do  dito  seu  filho  fiquar  e  sendo  o  dito  seu 
filho  maior  inabel  que  segundo  forma  de  direito  não  deva  nem  posa 
erdar  as  ditas  Ilhas  nem  ter  o  governo  e  administração  delias  em  tall 
caso  virá  á  sobcesão  e  erdará  as  ditas  capytanias.  jurdições  e  rendas 
delas  o  seu  filho  segundo  e  o  mesmo  se  comprira  no  neto,  das  quaes 
capitanias  elle  dom  Francisco  e  seu  filho  e  neto  usarão  asi  e  da  ma- 
neira e  naquelas  cousas  que  o  capitão  da  Ilha  da  Madeira  na  parte  do 
Funchal  usa  e  tem  per  sua  doação  e  cartas  outras  asi  no  fazer  das 
eleições  como  em  todo  ho  mais  que  hao  dito  capitão  da  ilha  da  Ma- 
deira pertence  e  usara  da  dita  jurdição  per  mim  asi  no  crime  como 
no  eivei  resalvando  morte  ou  talhamento  de  membro  por  que  nisto 
dará  apelação  pêra  quem  pertencer  e  avera  o  dito  dom  Francisco 
Mazcarenhas  e  o  seu  filho  e  neto  que  das  ditas  capitanias  ouverem 
de  sobceder  todos  os  moinhos  de  pam  que  ouver  nas  ditas  Ilhas 
e  nhua  pesoa  não  poderá  nelas  fazer  moynho  algum  nem  ter  atafonas 
pêra  moerem  a  outrem  nem  pêra  si  somente  o  dito  dom  Francisco 
e  seu  filho  e  neto  ou  quem  lhes  a  elles  aprouver  somente  e  porem 
poderá  quem  quizer  ter  mo  de  braço  não  moendo  a  outrem  com  ella. 
Itera  averà  todalas  serás  dagua  que  se  ahy  fizerem  ou  forem  feitas  e 
lhe  darão  em  cada  hua  huu  marco  de  prata  em  cada  huu  anuo   ou 


ARCHIVO  DOS  AÇOHES  227 

sua  justa  valya  ou  duas  laboas  cada  semana  das  que  se  ahy  costu- 
marem a  serar  pagando  porem  o  dizimu  a  mim  de  todas  as  ditas  se- 
rás segundo  pagão  das  outras  cousas  e  o  mesmo  averão  o  dito  dom 
Francysco  e  seu  tilho  e  neto  de  qualquer  engenho  que  nas  ditas  ca- 
pitanias se  fizer  tirando  vieyros  de  ferarias  ou  outros  metaes.  Item 
avera  o  dito  dom  Francisco,  e  seu  filho  e  neto  todos  os  fornos  de 
poya  que  ouver  nas  ditas  Ilhas  e  ao  diante  se  fizerem  e  nhQa  pesoa 
poderá  ahy  ter  fornos  de  poya  senão  elles  salvo  se  alguém  quizer  ter 
fornalhas  pêra  seu  pam  somente  com  tal  condição  que  não  posa  co- 
zer a  outrem  nynguem.  Item  averá  o  direito  de  vendei'  elle  so  sall 
em  quanto  o  tiver  sem  outrem  nas  ditas  Ilhas  o  poder  vender  salvo 
quamdo  o  dito  dom  Francisquo  ou  seu  filho  e  neto  o  não  tiverem  e 
será  obrigado  a  dar  o  alqueire  de  sall  a  meio  real  de  prata  e  mais 
não.  Item  avera  a  redizima  de  todos  os  dizimos,  dereytos,  foros  e  tre- 
butos  que  a  mym  nas  ditas  Ilhas  pertencem  e  ao  diamte  pertencerem 
per  qualquer  maneira  que  seja.  Item  o  dito  dom  Francisquo  e  seu 
filho  e  neto  que  nas  ditas  capitanias  sobcederem,  segundo  forma  des- 
ta doação  poderão  dar  per  suas  cartas  a  terá  das  ditas  Ilhas  forra  a 
quem  lhes  aprouver  com  tal  condição  que  a  pesoa  a  que  derem  a  di- 
la  terá  aproveyte  demtro  em  cimquo  annos  e  não  aproveytando  no 
dito  tempo  eles  a  poderão  dar  a  outrem  e  asi  mesmo  poderão  dar 
a  terá  das  ditas  Ilhas  que  ja  foy  aproveylada  se  seus  donos  a  deixa- 
rem daproveytar  pelo  tempo  de  cimquo  anos.  Item  nhQa  pesoa  poderá 
matar  os  gados  bravos  sem  lycemça  do  dito  dom  Francisco  e  de  seu 
filho  e  neto  salvo  se  for  em  algum  logar  çarrado  semdo  hy  lamçado 
por  seu  dono.  Item  me  praz  e  ey  por  bem  que  pesoa  algíja  não  posa 
trazer  nas  ditas  Ilhas  criação  de  gados  sem  lycença  delle  dito  dom  Fran- 
cisco e  de  seu  filho  e  neto  salvo  os  moradores  das  ditas  Ilhas  do 
Fayal  e  do  Pico.  Item  outrosim  não  cortara  pesoa  alguma  madeira  nas 
ditas  Ilhas  nem  a  poderá  cortar  sem  lycença  delle  dom  Francisco  e 
de  seu  filho  e  neto  senão  a  que  for  necessária  pêra  a  vivemda  dos 
moradores  das  ditas  Ilhas  e  bem  asi  me  praz  de  lhe  fazer  mercê  de  to- 
dos e  quaesquer  outros  direitos,  prerogativas  e  jurdiçõesque  ahos  capi- 
tães pasados  pertenciam  do  que  estivesem  de  pose  e  tivesem  c;irla  ou 
doação  alem  das  cousas  acima  declaradas  e  porlamto  mamdo  a  todos 
meus  desembargadores,  corregedores,  ouvidores,  Juizes  e  Justiças  e  asi 
aos  vedores  de  minha  fazenda  e  aos  outros  oficiaes  delia  e  a  quaes- 
quer outras  pesoas  a  que  o  conhecimento  disto  pertencer  que  dem  a 
pose  das  ditas  capitanias,  rendas  ejurdições  delas  ao  dito  dom  Fran- 
cisquo e  lhe  deyxem  tudo  ter,  lograr  e  possuir  asi  e  da  maneira  ijue 
nesta  carta  de  doação  he  declarado  sem  lhe  niso  ser  posto  duvida 
nem  embargo  algum  por  que  assi  he  miha  mercê  e  rogo  e  encomen- 
do aos  Heis  destes  Reinos  meus  sabcesores  que  lhe  cumprão  e  guar- 
dem esta  minha  doação  como  nela  se  contem  porquanto  he  em  re- 
muneração de  tantos  e  Ião  bons  serviços  feylos  a  mym  e  á  coroa  destes 


228  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

Reinos.  Dada  em  Évora  a  dez  {10)  de  março,  Gaspar  de  Seixas  a  fez, 
anu  do  nascimento  de  noso  senhor  Jezus  xpo  {Christn)  de  mi!  qui- 
nhentos setenta  e  três  (1673)  Jorge  da  Costa  a  fez  escrepver  e  esta 
minha  caria  se  registara  no  Livro  dos  meus  próprios  da  contadoria 
das  ditas  Ilhas  e  nos  das  Camarás  das  villas  e  povoções  das  ditas  capi- 
tanias pêra  se  saber  como  lhe  tenho  feyta  doação  delas  da  maneira 
que  nela  se  contem  de  que  os  escrivães  a  que  pertencer  pasarão  sua 
certidão  nas  costas  desta— (com  resalva  das  emendas).  =  ÍAm]cer\aádi 
Joam  da  Costa=Comcertada,  Antíniio  dAguiar, 
(Ardi.  noc.  da  T.  do  T.,  Liv.  XXIX  de  doaç.  de  D.  Sebastião,  f.  200:) 


Confirmação  da  Capitania  do  Fayal  e  Pico  a  Jeronymo 
Dutra  Corte  Real  (*)  de  15  de  junho  de  1582. 

D.  Filipe  d.*  Faço  saber  aos  que  esta  minha  carta  virem  que  por 
parte  de  Jeronymo  Dutra  Coite  Heal  que  foi  capitão  das  ilhas  do  Fayal 
e  do  Pico  me  foi  apresentada  uma  Carta  do  Snr.  D.  João  meu  tio, 
que  santa  gloria  haja  na  qual  vão  incorporadas  outras,  de  que  o  tras- 
lado é  o  seguinte: 

D.  João  óc/  A  quantos  esla  minha  carta  virem  faço  saber  que  poi 
parte  de  Manuel  Dutra  Corte  Real  (segite  como  na  pag.  158  do  Vol. 
I,  d'esle  Archko.) 

Pedindo  me  o  dito  Jerónimo  Dutra  Corte  Real  que  por  quanto  poi 
sentença  de  minha  Relação  da  (]asa  da  Supplicaçãí)  dada  no  caso  de 
revista  fora  julgado  que  as  Capitanias  das  ditas  ilhas  do  Fayal  e  do 
Pico  lhe  pertencião  lhe  fizesse  mercê  de  lhe  mandar  passar  carta  em 
forma  delias,  e  visto  seu  requerimento,  e  a  dita  sentença:  Hei  por 
i)em  e  me  praz  que  elle  tenha  e  haja  em  dias  de  sua  vida  as  ditas 
Capitanias  e  as  possua  com  todas  as  rendas  e  foros,  direitos  delias  e 
jurdição  do  eivei  e  crime,  assim  e  pela  maneira  (jue  pelas  cartas 
(|ue  aqui  vão  trasladadas  as  tiveram  e  possuíram  os  ditos  Manuel  Du- 
tra seu  pae  e  Joz  Dutra  seu  avô  com  declaração  que  depois  do  falleci- 
uiento  delle  .leronimí»  Dnlra  virão  as  ditas  capitanias  a  seus  descenden- 
tes, que  delle  ficarem  por  linha  direita  masculina  e  as  não  poderão  ha- 
ver os  ascendentes  nem  trans\ersaes  que  é  confoíine  á  lei  mental  e  «> 
que  nas  doações  dos  capitães  da  Ilha  da  Madeira  é  declarado  e  sendo 
caso  que  por  fallecimento  delle  Jerónimo  Dutra  ou  de  seu  descenden- 
te, ultimo  possuidor  que  pela  dita  maneira  succeder  nas  ditas  capita- 
nias, fiquem  dous  filhos  mais  e  acontecend(j  que  o  filho  maior  não  te- 
nha sizo  e  entendimento  pêra  bem  as  poder  reger  e  governai-:  liei  por 
bem  i|ne  o  filho  segundo  (jue  do  dito  ultimo  possuidor  houver  prece- 

(•)  .\u  Vdl.  I.  1».  [Wi-{lT^  se  Iractou  dos  [irioieiros  doiuitiirios  do  Fiival  e 
Pico. 


ARCHIVO  DOS  AÇOKES  22í> 

da  ao  dilo  filho  maior  e  succeda  nas  ditas  capitanias,  e  mando  a  to- 
dos os  meus  desembargad(»i'es,  corregedores,  ouvidores,  juizes,  justi- 
ças a  que  esta  miiilia  carta  for  mostrada  e  o  conhecimento  delia  per- 
tencer e  assim  aos  juizes,  olliciaes  da  Camará  e  povo  e  assim  mais 
justiças  e  oíTiciaes  das  ditas  capitanias  do  Fayal  e  do  Pico  (]ue  lhe 
dêem  a  posse  delias  e  hajão  por  seu  capitão  e  lhe  deixem  haver,  lei 
e  possuir,  governar  e  usar  de  tudo  o  que  nesta  carta  he  conlheudo 
e  declarado  sem  lhe  ser  nisso  posta  duvida,  nem  embargo  algum  poi 
que  assim  é  minha  meicê.  e  esta  se  regislarà  nos  livros  das  ditas 
Camarás  pekts  escrivães  delias  de  que  lhes  passarão  certidões  na^ 
costas  delia  e  por  firmesa  disto  lhe  mandei  dar  {sic)  por  mim  assina- 
da e  assellada  do  meu  sello  pendente,  João  da  Costa  a  fez  em  Lisboa 
a  IT)  dias  de  junho,  anuo  do  nacimento  de  N.  S.  .1.  Christo  de  mil 
l)*"  Ixxxij  (lõ8'J)  (*) 

{Chcmcellaria  de  Filippe  I,  Doações  L.°  6',  f.  í  16  r.°— iiS.) 
(MS.  do  Dr.  João  Teixeira  Soares.) 


Doação  das  Capitanias  das  ilhas  do  Fayal  e  do  Pico  ao 

Conde  de  Lumiares.  D.  Manoel  de  Moura,  de  16  de 

dezembro  de  1614. 

Por  alvará  passado  em  Madrid  aos  27  de  outubro  de  1607  haven- 
do el  rei  respeito  aos  muitos  merecimentos  de  Christovão  de  Moura. 
Marquez  de  Castello  Rodrigo,  houve  por  bem  de  lhe  fazer  mercê  que 
vagando  alguns  bens  da  coroa  em  que  possa  fazer  mercê  lho  lembre 
para  mandar  o  que  houver  logar,  e  para  lembrança  d"elrei  lhe  man- 
dou passar  o  dilo  alvará.  O  Conde  de  Lumiares  por  fallecimenlo  de 
seu  pae  o  Marquez  de  Castello  Rodrigo  pedio  por  cumprimento  do 
dilo  alvará  as  capitanias  das  Ilhas  do  Fayal  e  do  Pico  que  ora  esta- 
vam vagas  para  a  coroa  por  fallecimenlo  de  .leronymo  Dutra  Corte 
Real  de  (jue  não  ficarão  filhos  varões.  EIrei  havendo  respeito  ao  di- 
to Alvará  de  lembiança,  houve  poi'  bem  de  fazer  mercê  delias  ao 
Conde  de  Lumiares  D.  Manoel  de  .Moura  Corte  Real.  em  sua  vida  so- 
mente, nas  (juaes  ilhas  lerá  tudo  aquillo  que  tinha  e  teve  o  (iito  .le- 
ronymo Dutra,   d.'^  Dada  em  Lisboa  aos   16  de  Dezembro  de  1614. 

'  Cliancfllaria  de  Filippe  II,  L."  (?;,  foi.  114  v.") 
>  MS.  do  Dr.  João  Tf^i.reira  Soares.) 

(Continua.  < 


{•)  Foi  estíi  (Mi-lii  publicad;i  jm-Io  si-.  A  b.  lia  Silveira  Marcdo  na  W/.s7.  ihis 
(jiifitrii  Tlhfix.  T.  I.  pnii.  3fi.^.  mm  a  data  ilc  ITÍSÍ),  imii  viv  de  !."ÍS2,  romo  ;iciin;i 
-(•  adia. 


domínio  hespanhol  nos  açores 

E 

D.  ANTÓNIO  PRIOR  DO  CRATO  * 


Carta  de  Fr.  Braz  Camello,  guardião  do  Convento  de  S. 

Francisco  d' Angra,  a  Catharina  de  Medicis,  de  5  de 

Junho  de  1581. 

(Inedila) 

Mui  alta  e  puderosa  Snora. 

Duas  causas  me  obriguam  a  estas  breves  regras  fazer  a  V.  A.  ha 
primeira  he  avisada  saber  ter  nesta  ilha  Terceira  hu  collegio  de  ca- 
pellães  e  súbditos  filhos  do  nosso  p."  S.  Francisco  e  oradores  de  S. 
A.  que  ordinariamente  não  cessarão  ao  Snor  clamar  pague  ho  verda- 
deiro amor  que  a  esta  nação  portuguesa  mostra  ter: 

A  segunda  manifeslar-lhe  a  fé  e  lealdade  deste  seu  verdadeiro  va- 
salo  que  ha  esta  ilha  chegou  com  dous  omês  mortos  e  des  ou  doze 
feridos  que  na  jornada  se  lhe  oíTereceo  peleijar  con  duas  nãos  caste- 
lhanas, he  ho  mar  hos  apartou  ben  contra  sua  vontade,  ho  qual  veio 
por  manda(]o  de  V.  A.  con  o  recado  da  vida  dei  Rei  nosso  snor  don 
António  por  via  do  seu  embaixador  António  de  Brito  Pimentel,  o  qual 
foi  recebido  com  cânticos  he  louvores  dados  ao  Snor,  he  con  a  ban- 
deira de  xpo  íChristo)  pellas  ruas  allevanlada  ho  que  creio  que  não 
foy  mandado  da  terra  senão  do  ceo:  chegou  hij  vernes  (sexta)  o  qual  dia 
nos  representa  xpo  {Christo)  Jhus  morrer  pêra  remir  ho  género  huma- 
no he  creio  por  certo  que  este  portador  vasalo  de  V.  A.  antre  as  oulo 
he  as  nove.  podemos  dizer  que  cahio  do  ceo  e  não  foi  partido  de 
França,  pois  que  en  tal  dia  he  tempo  estava  no  ultimo  termo  esta 
lerra  pêra  se  dar  ou  destruir  por  não  termos  recado  serto  da  vida 
dei  rei  nosso  snor,  pois  que  direi  a  V.  A.  da  prudência  he  saber  he 


(•)  Continuado  do  .3.'  vol.  pug.  278. 


ARcmvo  nos  açores  231 

lealdade  de  tan  verdadeiro  servo  e  vasaio  António  Escarlin  que  len 
amostrado  ho  animo  valeroso  pêra  poder  amostrar  a  vonlade  do  seu 
interior  ao  serviço  de  V.  A.  ho  que  creio  haver  nelle  muito  mais  per- 
feições pois  que  en  todos  os  periguos  a  donde  se  possa  aventurar  ha 
vida  nisso  amostra  mais  valentia  he  vontade.  N'esta  cidade  dAngra 
estando  anchorado  cheguou  hu  gualeam  de  Porlugual  por  mandado  dei 
Rei  Felipe  o  qual  en  si  era  temeroso  he  nelle  vinha  hu  governador  o 
qual  de  força  era  temeridade  cometerse,  ho  que  seu  capitão  António 
Kscarlin  não  temeo  mas  antes  cometeo  a  querer  tomal-o,  he  por  não 
no  consentirem  não  no  elTeituou  do  que  elle  ficou  tan  aguastado  que 
asi  propio  fazia  mal.  he  tudo  isto  julgamos  de  ser  verdadeiro  vasa- 
io he  animoso  no  serviço  de  V.  A.  pello  que  temos  esperança  de  sua 
parte  nos  manar  seremos  restituídos  das  treições  a  el  Rei  nosso  snor 
cometidas,  e  poderemos  guozar  do  nosso  Rei  e  snor  cuja  vida  o  Snor 
aumente  a  V.  A.  pêra  que  delia  nos  mane  o  favor  pêra  que  elle  pa- 
cificamente possa  guozar  aquillo  que  de  direito  he  seu,  pollo  que  não 
cansarei  con  esta  família  que  ha  carreguo  tenho  de  pedirmos  ao  Rei 
do  Ceo  gratifique  na  gloria  sua  a  V.  A.  deste  premio  o  qual  não  se- 
rá pi(|ueno.  Desta  sua  cassa  dAngra  oje  a  5  de  junho.  (*) 

Frei  Bras  Camello,  Guardião. 

Súbdito  he  orador  de  V.  A.  indino, 
Sohscripto— k'  Rainha  Madre  nossa  snra. 
{Bihlioíhcque  Nationale  de  Paris,  Fonds  port.  6'fí.  foi.  õH'54  r.". 


Carta  da  Camará  d'Ang"ra  ao  Rei  de  França,   Henrique 
m,  de  6  de  junho  de  1581. 

( Inédita) 

Chrislianissimo  muyto  alto  poderoso  e  excellentissimo  Snfior. 
O  eterno  e  poderoso  Deus  Snuor  Universal  dos  céus  e  da  terra  per- 

(•)  Este  6  todos  os  sojiuitiles  documentos  exfrahidos  dos  MS.  da  Bihlioteqaf 
\atiovnle  di'  Paris,  foram  copiados  por  intervcinjão,  c  debaixo  da  inspecção  de 
M.  Alfred  Morei  Fatio,  illustre  Professor  da  Erólr  des  Lfttifs  de  Arj-el,  encar- 
reirado de  coordenar  o  Cataloíio  dos  Manuscriptos  Hesf)anlines  e  PorlUí/uezes  da 
mesma  Bibliotlieca,  de  í|U'.'  a  i.^  parte  está  já  impressa  (^  a  restante  em  via  de 
publicação.  A  M.  Morei  Fatio  os  nossos  sinceros  agradecimentos,  por  tão  effi- 
f-az  coadjuvação.  Ernesto  do  ('anto 


^32  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

metíu  pello  aver  assim  por  bem  de  castigar  com  asoute  (ie  perseguição 
oReyno  de  Portiignal,  do  qual  ao  presente  hera  possuidor  el  Rey  dom 
António  nosso  snor  que  temos  sabido  (jue  ao  presente  está  posto  em  sal- 
vo no  Reyno  de  Vossa  christianissima  magestade  e  corn  henino  e  real  fa- 
vor sen  nos  afirmão  poderá  muylo  cedo  o  ditto  nosso  Hey  ser  restetuido 
em  seus  Reynos  e  Real  estado,  do  qual  com  desonJem  de  treyções. 
forças  e  tirannias  foi  injustamente  isbulhado  ds  todo  seu  Reyno:  nã 
íicou  em  sua  lei,  obediência  e  lealdade  mais  que  esta  ilha  Terceyra  e 
outras  cinco  ilhas  pequenas  da  sua  comarca  que  estão  neste  mar  o- 
ceano,  todo  o  mais  Reyno  e  Ilhas  nos  aíirmão  que  sam  occupadas  dos 
espanhoes,  e  isto  por  ellas  se  lhes  darê  sem  resistência  e  porque  le- 
mos sabido  de  serio  que  o  dito  nosso  Rey  e  Snnor  dom  António  está 
posto  em  com  o  real  favor  e  ajuda  de  Vossa  christianissima  magesta- 
de poder  ser  restituido  em  seu  Reyno  para  dalii  como  Irmão  em  ar- 
mas de  vossa  christianissima  magestade  o  poder  sempre  servir  como 
o  obrigiia  a  tal  amizade  e  nos  seus  vasalos  e  postos  na  lealdade  de 
sua  obediência  e  que  sempre  tivemos  fee  e  esperança  desse  Real  so- 
coro  de  vossa  christianissima  magestade  faremos  o  mesmo,  pelo  que 
pedimos  umilmenle  a  vossa  christianissima  Magestade  nos  queira  dar 
emparo  de  seu  Reyno  até  o  tempo  que  o  dito  nosso  Rey  o  possamos 
ser  emparados  de  todos  os  adversairos  que  nos  por  esa  rezão  quize- 
lem  ofender,  pelo  que  sempre  com  umilde  coração  pediremos  mise- 
ricordiosamente a  nosso  Snor  que  neste  mudo  com  muytas  prosperi- 
dades e  nos  ceos  com  gloria  eterna  dê  a  Vossa  chiistianissima  ma- 
gestade o  paguo  de  tantos  Rês  e  Mercês  grandes  que  a  nosso  Rey  e 
a  nos  per  sua  comtemplarão  Vossa  christianissima  magestade  tem  fei- 
to e  faz  e  que  esperamos  nos  faça:  escrita  em  camará  na  cidade  de 
Angra  da  ilha  Terceira  de  Jesu  Chrislo  a  6  de  junho  de  81.  (1681 
Matias  de  Tolledo= escrivão  da  camará. 

Kr.*^"  (OU  LOURENÇO)  Alvarks.  .A.ntomo  Vaz  Torrado. 

Rraz  Dias  Rijdovalho.  F."  Diaz  do  Carvalhal. 

[outroií  (Itids  assigvatnrm  yue  sp  não  putcndem.) 

Sobscripto: — Ao  chíistiauissimo  e  poderoso  Rey  de  França. 

Da  camará  da  cidade  de  .\ngra  da  Ilha  Terceyra. 

[Bibl.  Ndf.  dl'  l*(iris.   Fnmls  jiorl.  W,  foi.  2H-24  ?\". 


ARCHIVO  DOS  ACORF.S  233 


Carta  da   Gamara   da  Villa  de  S.  Sebastião,  ao  Rei  de 
França;  de  9  de  junho  de  1581. 

(Inédita) 
I.  J.  M. 

Christianissimo  Rey. 

Os  giiovernadores  da  Villa  do  Mártir  S.  SebasUru)  da  Ilha  Terzei- 
ra  de  Jesu  xpo  (Christo)  ho  presente  anno  de  octenta  e  hum  obrigan- 
do nos  a  miiyla  obrigação  em  que  a  Vossa  Magestade  toda  esta  Ilha 
e  sens  membros  está  pelo  recolhimento  e  real  benevolência  com  que 
rescebeo  ao  sereníssimo  Rey  e  natural  suor  nosso  Dõ  António  nos 
paresceo  descente  e  consentâneo,  pois  cõ  outros  serviços  já  não 
podemos  pagar  ao  menos  per  esta  mostrarmos  a  Vossa  Magestade 
nossos  ânimos  quam  gratlos  são  a  tão  magnânimas  e  heróicas  mer- 
cês que  nos  faz  e  tem  feito,  e  assi  a  real  Irmãdade  cõ  que  Iracta  a 
Ellrey  nosso  Sõr.  São  ellas  em  si  Christianissimo  Hey  de  tanto  pezo 
que  nossos  fracos  ombros  nõ  podem  com  elle:  soomentô  com  ho  co- 
rassão.  e  olhos  cheos  de  lagrimas  louvar  ao  Summo  Deus  e  pedir  lhe 
cõ  piedosas  preces  guarde  e  prospere  vossos  reaes  estados  de  Fran- 
ça pois  com  elles  lhe  fazeis  tantos  serviços  como  são  restaurar  hos 
regnos  de  Porlugual  e  restituir  Ellrei  nosso  sõr  a  sua  real  coroa,  e 
pois  não  temos  outra  cousa  de  maior  preço  que  esta  a  damos  e  offre- 
cemos  a  Vossa  Magestade  confiados  a  aceptareis  cõ  a  custumada 
benignidade  respectãdo  que  quem  da  ho  que  tem  cumpre  em  parte 
com  a  divida.  A  Phillipe  Stroctio  coronel  geral  da  Infanteria  francessa, 
screpvemos  mais  largo,  cremos  que  pois  elle  he  feclura  de  tão  Chris- 
tianissimo Rey  e  sõr  dará  informação  a  Vossa  Magestade  do  que  na  sua 
lhe  rellatamos,  nõ  mais.  Ho  alto  e  poderoso  Deus  pague  por  nos  e 
ponha  Vossa  sacra  Magestade  onde  seus  christianissimns  e  reaes  fei- 
tos merescê:  amen.  Scripta  nesta  Camera  da  Villa  do  Mártir  de  S. 
Sebastião  desta  Ilha  Terzeira  de  Jesu  xpõ  {Christo)  sob  nossos  si^na- 
es  e  sello  delia  e  sob  scripta  per  seu  scripvão  a  nove  de  Junho  de 
quinhentos  e  oitenta  e  hum  annos. 

Sebastiam  Ruiz,  scripvam  da  Camará  ho  subscrevi.—  Diogo  de 
ToLLEDO.— Francisco  (?)  de  (?)....  (?)  —  Balthazar  Vaz  —  Luiz 
Valadão  de  Moraes. 

(BibL  Nat.  de  Paris,  Fonds  porl.  66.  foi.  25-28.  > 


N."  2i— Vol.  IV— 188i2. 


234  ARCHIVO  DOS  AÇORES 


Carta  de  António  Scallin,  a  Catliarina  de  Medicis,  Rainha 
Mãe  do  Rei  de  França;  Angra  13  de  junho  de  1581. 

(Inédita) 

Madame. 

Ayant  eslé  emploié  pour  monsieur  dEstrosse  a  tous  ses  aílaires 
par  la  condnicte  deux  fois  de  ses  troupes  francoises  qni  alloient  au 
secours  du  Roy  de  Portugal  estant  de  relonr  la  dermere  fois  me  com- 
menda  le  dict  sienr  d'Eslrosse  de  venir  a  ses  isles  des  Essores,  Ma- 
dére  avecques  de  ses  lettres  el  de  Tembasadeur  du  Roy  de  Portugal 
nonimé  Anthoine  de  Brite  Pimentel  pour  les  gouverneurs  des  dictes 
Isles  estant  arivé  le  dixneiifíiesme  de  may  en  lisle  de  Tresière  aulx 
essores  je  seus  comme  lisle  de  Madòre,  lisle  de  Sainct  Michel  et  de 
Sainct  Marie  avoient  eslés  rendues  a  lobeisence  du  roy  dEspaigne  par 
les  mesmes  portugais  des  dictes  Isles  sans  aulchune  contraincte  mais 
tant  seullement  par  faulx  donner  a  entendre  leur  disant  que  le  Roy 
de  Portugal  estoict  mort  el  hors  de  loutte  esperence  et  le  mesme 
lengaige  couroict  a  toules  ses  aullres  Isles  la  premiére  qui  est  la 
principalle,  la  Tresière,  Sainct  George.  la  draciose.  le  Picque.  le  Foyal, 
lisle  de  Corve  et  lisle  de  Flour  lesquelles  estoinet  pretles  a  se  readre 
par  la  negosiation  de  beaucoup  de  traictres  des  Isles  mesmes.  II 
avoinct  desgea  tant  gaigne  sur  le  demeurent  du  peuple  par  faulx  donner 
a  entendre  que  si  il  ne  fussent  arivé  le  mesme  jour  que  je  arivis  11 
estoinet  perdus  et  rendus  a  lobeissence  du  Roy  d'Espaigne  pour  la 
grande  division  qui  estoict  entre  eulx.  Quoy  congnoissant  le  grand 
interest  qui  estoict  de  perdre  ses  Isles  qui  sout  de  si  grande  impor- 
lence  filz  entendre  a  tous  les  messieurs  et  gouverneurs  et  capitaines 
de  ces  Isles  et  au  peuple  eu  general  pour  leur  donner  couraige  que 
jectois  ycy  mande  de  votre  part  pour  savoir  deux  tout  ce  que  ils  au- 
roinct  de  besoign  du  royaulme  de  vostre  magesle  pour  leur  conser- 
vation  et  qui  n'auroinct  faulte  de  secours  pour  leur  aider  bientosl  a 
remettre  leur  Roy  passiíTicque  dans  son  royaulme  le  quel  secours  es- 
toict desgea  tout  presl  couíluict  par  monsieur  d'Estrosse  qui  estoil  le 
nombi'e  de  irente  et  deux  naviíes  quinze  milles  arfjuebousiers  les 
quels  navires  chargés  de  grandes  provissions  et  admunitions  pouí 
survenir  a  la  guerre.  Qui  pour  le  regard  de  leur  Roy  et  principaulx 
de  son  royaulme  estoinet  arives  de  France  a  quoy  ne  failoict  quils 
fussent  eu  doupte  aulchunemenl  et  que  la  seulle  cause  (jue  je  navois 
aporte  de  ses  lettres  estoict  que  je  seues  qu'il  estoict  arive  a  bor- 
deaulx.  Je  despechie  ong  courier  mais  je  neus  loisir  de  Tatendre  pour 
locasion  du  temps  que  se  presentoict  estre  bon  pour  meptre  a  Ia  voil- 
le  et  pour  leur  donner  ceux  daventaige  leurs  assurier  que  le  dict 
Roy  de  Portugal  estoit  arivé  en  France  a  quoy  leceurent  ung  grand 


ARCHIVO  DOS   AÇOHES  235 

conlenleineiil  de  la  bonne  allience  s"aseiirai)t  que  puis  que  cela  es- 
loici  iiaiiioiíicl  faulte  de  moieiís  ny  de  secours  depuis  arive  eii  ceste 
isle  je  leur  ay  faict  beaucoiipt  de  service  et  gardes  qiii  ne  se  sont 
perçus  par  trois  ocassions  qui  se  sont  presentées  comme  eulx  ines- 
mes  eii  poiíiont  rendre  lesmoiíigiiaige  a  vostre  mageste.  Jenvoie  de 
par  de  la  deux  g^ulilliomines  dr  la  dicte  Isle  que  je  prins  il  y  a  qual- 
tre  jours  averques  une  caravelle  arinee  en  guerre  maudée  du  Roy 
despaigne  les(jiiels  genlilhomLies  venoinct  pour  rendre  les  dicles  Isles 
;t  lobeissence  du  Koy  d  h]spaigue  romnie  se  voyt  par  les  letlres  que 
les  dicls  geuldliommes  porloiuct.  Tous  les  chambres  royaulx  des  ses 
dicles  isles  ont  vollue  quils  fussent  envoye  de  par  de  la  par  devers 
leur  Roy  pour  en  faire  sa  volloinpté.  II  esl  bien  requis  et  necessaire 
pour  la  onservation  des  dicles  Isles  et  pour  la  garda  des  ílotles  (|ui 
viendront  des  Indes  de  Portugal  faire  diligeuce  denvoier  icy  une  ar- 
mee  d  une  douzaine  de  bons  navires  bien  armes  dhommes  et  dadmu- 
nitions  avec(|ues  la  plus  grande  deligence  que  faire  se  poura  pour  ce. 
II  ya  desgea  trois  navires  armes  a  Saincl  Michel  en  guerre  pour  le 
service  du  Roy  dEspaigne.  El  six  que  uous  avons  euz  advertissemenl 
quilx  acouslre  a  Lisbonne  pour  envoier  ycy  pour  tacher  a  sa  patrou- 
niser  de  ceste  isle  et  des  ílotles  qui  pouroinct  advenir  il  esl  neces- 
saire duser  de  grande  deligence  pour  ce  que  lafaire  se  requier  pour 
voir  ses  grandes  negosliaiions  el  grands  manimens  de  traisons  qui 
sont  parmy  ses  dicls  geus  de  la  pari  du  Roy  d'Espaigue  qui  a  este 
la  cause  que  trelous  en  general  mont  requis  pour  le  service  du  Roy 
de  Portugal  el  conservation  des  dicles  Isles  demeurer  ycy  avecques 
eulx  pour  les  instruire  et  commender  jusques  a  ce  que  le  dict  Roy 
de  Portugal  aye  pourveu  qui  .  .  .  lendroit  priere  Dieu.  Madame.  — 
Vous  donuer  en  parfaicle  sanle  longue  bonne  et  heureuse  vie.  faict  a 
lisle  Tresiere  a  la  Ville  d  Engre  ce  trezeiesme  jour  de  Juign  mil  cinq 
centz  qualre  vingt  ung. 

Votra  três  homble  et  afessionné  vasal. 

Amoine  Sgallin. 

Sobscripto^k  la  Reyne  Mere  du  Roy  de  France. 

(Bibl.  Nat.  de  Paris,  Fond^  port.  66.  foi.  46-47  c.'^ 


(Traduccão  da   Carta  anterior) 


Senhora. 


Tendo  sido  empregado  duas  vezes  por  M.  dStrossi.  na  conducção 
das  suas  tropas  francezas,  enviadas  em  soccorro  do  Rei  de  Portugal 
(D.  António)  e  achando-me  de  volta,  fui  novamente  encarregado  pelo 
mesmo  senhor  Strossi  de  vir  a  eslas'ilhas  dos  Açores  e  Madeira,  com 


^36  ARCHIVO  DOS  AÇOBES 

algumas  cartas  suas  e  de  António  de  Brito  Pimentel,  embaixador  do 
Rei  de  Portugal,  para  os  governadores  das  ditas  ilhas:  cheguei  á  ilha 
Terceira,  nos  Açores,  aos  19  de  maio,  e  aqui  soube,  que  as  ilhas  da 
Madeira,  de  S.  Miguel  e  de  Santa  Maria,  se  tinham  rendido  á  obedi- 
ência do  Rei  de  Hespanha,  por  vontade  espontânea  de  seus  habitan- 
tes, induzidos  por  falsas  noticias,  de  que  o  Rei  de  Portugal  era  falle- 
cido,  e  com  elle  perdidas  todas  as  esperanças.  A  mesma  linguagem 
corria  em  todas  estas  ilhas,  de  que  a  primeira  é  a  principal,  Tercei- 
ra, S.  Jorge.  Graciosa,  Pico,  Fayal.  Corvo  e  Flores,  as  quaes  esta- 
vam prestes  a  render-se  pelas  negociações  de  muitos  traidores  das 
próprias  ilhas.  Os  quaes  tinham  já  ganho  tanto  no  animo  do  povo, 
com  as  suas  falsas  noticias,  que  se  eu  não  chego  n'aquelle  dia,  tudo 
se  perderia,  e  se  submeterião  ao  Rei  de  Hespanha,  em  conse(jnencia 
da  grande  discórdia  que  entre  os  povos  grassava.  Reconhecendo  o 
grande  valor  da  perda  destas  ilhas  e  a  grande  importância  delias, 
fiz  saber  a  todos  os  senhores,  governadores,  capitães  e  aos  povos  em 
geral,  para  os  animar,  que  tinha  sido  enviado  a(|ui,  por  parte  de 
Vossa  Magestade.  para  saber  o  que  careciam  para  sua  conservação, 
e  lhe  prometter  soccorros  para  ajudar  em  breve  a  restituir  o  seu  pa- 
cifico Rei  ao  seu  reino,  o  qual  soccorro  estava  já  prompto  a  vir  com- 
mandado  pelo  Siir.  Strossi.  e  se  compunha  de  trinta  e  dois  navios  com 
15:000  arcabuseiros.  e  grande  copia  de  provisões  e  munições  bastan- 
tes para  a  guerra.  Disse-lhe  mais,  que  quanto  á  chegada  a  França 
do  seu  Rei,  e  das  principaes  pessoas  do  reino,  não  deverião  duvidar 
por  forma  alguma,  pois  o  único  motivo  de  não  trazer  cartas  delles 
provinha  de  que  sabendo  da  sua  chegada  a  Bordeos.  lhe  enviara  lo- 
go um  correio,  cuja  volta  não  tinha  podido  esperar,  por  que  o  vento 
se  pozera  de  feição  favorável  para  partir  e  mais  depressa  lhes  asse- 
gurar, que  o  dito  Rei  de  Portugal  tinha  chegado  a  França;  pelo  que 
ficaram  muito  contentes,  e  certos  de  que  não  lhe  faltarião  os  meios 
nem  os  soccorros  com  tão  boa  alliança.  Depois  que  aqui  cheguei  te- 
nho prestado  muitos  serviços  e  protecção,  bem  reconhecida  em  trez  oc- 
casiões,  que  se  oífereceram,  e  de  que  poderão  dar  testemunho  a  V. 
M.  estes  povos.  Envio  dois  fidalgos  d  esta  ilha.  que  aprizionei  ha  qua- 
tro dias,  com  uma  caravela  armada  em  guerra,  mandada  pelo  Rei 
d'Hespanha,  os  quaes  vinham  com  o  fim  de  fazer  estas  ilhas  entrar 
na  obediência  do  Rei  d  Hespanha,  como  se  vè  pelas  cartas  que  tra- 
ziam. Todas  as  Camarás  destas  ilhas  quizeram  que  elles  fossem  man- 
dados da  sua  parte,  perante  o  seu  Rei.  o  que  faço  para  lhes  satisfa- 
zer a  vontade.  Para  a  conservação  destas  ilhas,  e  guarda  das  frotas 
que  vierem  das  índias  de  Portugal,  se  pede  e  é  bem  necessário,  tra- 
ctar  de  mandar  o  mais  depressa  possível  para  aqui,  uma  armada  de 
uma  dúzia  de  bons  navios,  bem  guarnecidos  de  gente  e  de  munições. 
O  Rei  de  Hespanha  já  tem  em  S.  Miguel,  em  seu  serviço  trez  navios 
armados:  em  Lisboa,  tivemos  noticia,  que  mandou  apromptar   mais 


AKCHIVO  DOS  AÇOBES  237 

seis,  destinados  a  subjugar  esla  ilha,  e  as  frotas  que  a  ella  vierem. 
E"  portanto  necessário  empregar  toda  a  diligencia,  como  o  objecto 
requer,  a  fim  de  evitar  as  grandes  negociações  e  manejos  de  trai- 
ções, que  entre  estes  povos  prepara  o  Rei  dllespaniia,  por  cujo  mo- 
tivo todos  em  geral  instaram  comigo,  para  me  demorar  aqui,  y.tara  ser- 
viço do  Rei  de  Portugal,  conservação  destas  ilhas,  e  para  os  instruir  e 
commandar  emquanlo  o  dito  Rei  não  mandar  quem  ...  o  logar.  Pe- 
ço a  Deus,  .  .  .  Senhora,  vos  dê  perfeita  saúde,  longa,  boa  e  feliz  vi- 
da. Feita  n'esta  Cidade  dWngra  aos  13  dias  de  junho  de  i58i.  Vos- 
so muito  aíleiçoado  vassalo. 

AnTOMO  SCALIN. 


Carta  de  António  de  Brito  Pimentel,  á  Rainha.  Mãe  d'El- 
rei  Ciiristianissinio  (Henrique  III).  Tours.  6  de  Julho 

de  1581. 

(Inédita) 

Cristianissiraa  Magestade. 

Oje  6  do  presente  chegou  das  ilhas  recado  do  navio  que  vossa  ma- 
gestade  la  mandou  de  mõsieur  de  Strosse  e  foi  de  muito  efeito  sua 
ida  como  vossa  mageslade  saberá  por  esa  carta  dos  governadores 
da  cidade  dAngra  nom  quis  tardar  em  avisar  a  vosa  magestade  pelo 
guoslo  que  sei  que  terá  de  saber  de  quanto  efeito  foi  o  ir  aquele  na- 
vio dar  animo  aquela  gente  e  espero  em  nosso  Síior  pelo  meio  de  vo- 
sa magestade  nos  fará  Deus  muitas  mercês.  Noso  Snor  a  christianls- 
sima  pessoa  de  vossa  magestade  guarde  vida  e  real  estado  prospera- 
mente 6  acressenta  como  pode.  A  tours  a  6  de  Julho  de  1581.  . 

António  de  Brito  Pimentel. 

Sobsaipto—X'  muito  alta  e  muito  poderosa  e  creslianissima  Rai- 
nha *May  delrey  cristianíssimo  ele. 

(Bihl.  Nat.  de.  Paris.  Fornis  porf.  HC.  foi.  52-50.) 


á38  ARCHIVO   DOS    AÇORES 


Carta  de  Fr.  Pedro  da  Madre  de  Deos.  á  Rainha  Mãe:  de 
Angra  15  de  setembro  de  1581. 

(Inédita) 

Sfiora. 

Eslá  esta  ilha  Iam  obrigada  a  V.  Magestade  que  nun^ua  deixaraa 
de  ser  lembrada  pêra  sempre  encomendar  a  nosso  Sõr  o  Keal  eslado 
de  V.  Magestade  por(|ae  veio  a  esta  ilha  António  Escaliin,  e  da  parle 
de  V.  Magestade  nos  animon  de  maneira  cõ  nos  oíferecer  favor  e 
ajuda  de  V.  Magestade  que  se  isto  não  fora  esta  ilha  estevera  agora 
entregue  a  Piíilippe:  junto  a  isto  dizemos  que  queria  estar  com  nos- 
c-o  pêra  nos  ajuJar  c :)m )  té  agtra  fez.  p)rque  deste  porto  foi  tomar 
papeis  ao  mar  a  prolugueses  que  vinham  cõ  falsidade  entregar  a  ilha, 
e  os  preudeo  e  por  via  do  governador  desta  ilha  mandou  a  esse  reino 
de  França,  foy  a  ilha  do  Corvo  agardar  as  naaos  da  índia  para  as  tra- 
zer a  este  porto,  agora  nestes  sobresaltos  que  levemos  do  imigo  o 
elegeu  esta  ilha  por  mestre  das  cousas  da  guerra,  no  que  mostrou 
tanta  habilidade  e  esf()rço  que  Ioda  esta  ilha  eslava  animada  d'elle 
porque  era  tam  solicito  na  vigia  do  mar  e  da  teria  que  de  noyle 
nem  dormia,  nem  de  dia  descansava,  lambem  preudeo  huas  pessoas 
ausentadas  que  levantavam  voz  para  Philippe.  lambem  tomou  no  mar 
os  avisos  que  Philippe  mandava  a  seus  capitains.  em  tudo  tinalmente 
luoslrou  tanto  zelo  que  (Jiziam  os  homens  ijue  era  (ilho  de  El  Rey  l)õ 
António,  agora  que  o  inverno  lançou  daqui  o  imigo  se  quiz  ir  a  V. 
Magestade  dando-nos  sua  palavra  de  tornar  sendo  Vossa  Magestade 
disso  servida:  nós  o  não  quiseromos  deixar  ir  pelo  muylo  amor  que 
todos  lhe  linhão.  todavia  como  sua  ida  era  pêra  ir  visitar  a  V.  Mages- 
tade, e  peia  receber  mercês  por  Iam  heróicos  serviços  que  nesta  ilha 
fez  a  V.  Magestade  que  o  mandou,  lhe  permiltimos  embarcarse  pêra 
liedirmos  a  V.  Magestade  lhe  remunere  o  que  suas  obras  eslam  me- 
recendo, e  nos  rogaremos  sempre  a  nosso  snor  pela  vida  e  estado  de 
V.  .Magestade.  Scripta  em  Angra  dia  15  de  setembro  de  1581. 

Fr.  P."  da  Madre  de  Deos. 

Sobscripto=X'  Sereníssima  Regina  .Madre  delrey  Chrislianissimo 
de  França  ele. 

Do  padre  fr.  P.**  da  Madre  de  Deus. 

Bihl.  Nat.  dp  Paris.  Fornh  porl.  6h\  foi.  48-51. 


AHCIIIVO   DOS  AÇORES  239 

Carta  d'Ajnaro  Lopes  da  Costa,  Vigário  Geral  d'Angra  á 
Rainha  Mãe.  de  17  de  setembro  de  1581. 

(Inédita) 

Snora. 

Quizeiii  ler  outra  suíTiciencia  pêra  cõ  palavras  dizer  a  V.  Christia- 
nissinia  Magestade  os  miiytos  merecimentos  do  Capitão  Antonyo  Es- 
calim  o  qual  veio  a  esta  terra  em  tempo  que  estávamos  em  muito  pe- 
rigo que  cõ  as  boas  novas  que  trouxe  do  soccorro  que  el  Rey  dõ  An- 
loiíio  tinha  aparelliado  nesses  Reynos  cõ  o  favor  de  V.  Magestade  e 
juntamente  cõ  o  muito  esforço  que  na  defensão  desta  terra  mostrou, 
nos  acrecètou  o  anin)o  para  nos  defendermos:  e  por  que  queria  eu 
(^ue  esta  verdade  fosse  notória  a  V.  Magestade  deste  animo  e  amor 
cõ  que  o  sobredito  capitão  António  Escalim  procedeo:  e  de  minha  o- 
brigação  hé  fazello  a  saber  como  parte  do  officia  pubhco  e  que  o  vy 
cõ  meus  olhos  em  todo  o  descurso  do  tempo  quando  elle  qua  esteve, 
tomey  este  altrevimento  para  dar  testemunho  desta  verdade:  e  assi 
como  me  ey  por  obrigado  de  o  fazer  assi.  tão  bê  me  não  desobrigo 
de  em  meus  sacrifícios  e  orações  pedii'  até  nosso  suor  augmenle  a 
vida  cõ  perfeita  saúde  a  V.  Magestade  Christianissima  para  hos  fazei' 
a  todos  muytas  ms  {mercês)  e  ajudar  a  remir  e  libertar  a  vexação  que 
Portugal  padece.  Em  Angra  aos  17  de  Setembro  de  1581, 

Amaro  Lopes  da  Costa. 

Sobscripto — A"  Serenissima  Raynha  May  dei  Hey  christianissinío  de 
França. 

Bibl.  Naf.  de  Paris,    Fonds  porf.  66,  foi.  49-50  v.\) 


Carta  de  Francisca   de  Christo,   abbadessa  do  convento 

de  N.  Senhora  da  Esperança  d'Ang'ra.  á  Rainha  Mãe 

do  Rei  de  França,  de  17  de  setembro  de  1581. 

(Inedi  ia) 

Snora. 
Temnos  tão  obriguadas  o  que  nos  conta  do  muito  que  V.  Mages- 
tade tem  tomado  a  sua  conta  nosa  liberdade  ijne  dexadas  outras  mui- 
tas obriguações  a  que  lhe  estamos  sojeitas  bastante  he  isto  pêra  mui- 
li»  de   propozito  dezej;w   tiõa   muy  abundante  copia  de  palavias  pêra 


240  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

bem  nesla  gratificar  a  V.  Magestade  as  ms.  (mercês)  e  esta  ilha  Ter- 
ceira e  particiilarmenle  este  nosso  convento  de  Religiosas  tanto  conti- 
nuamente recebe  porque  prosoposto  que  seja  próprio  a  V..  Magestade 
fazer  o  que  pede  e  he  própria  a  sua  Real  condição  maiormente  em 
hua  matéria  tão  necessária  e  em  que  mais  se  espera  satisfação  e  in- 
teireza da  verdadeyra  justiça  que  seu  real  estado  professa:  todavia  a 
V.  Magestade  he  próprio  o  uzo  de  quem  he  e  o  que  sua  fama  apre- 
goa: e  a  nos  o  cudado  de  as  gratificar  (juanto  em  nos  he  asim  pello 
que  por  este  respeito  e  outros  a  V.  Magestade  devemos:  como  tam- 
bém pello  que  nos  consta  do  muito  serviço  que  nisto  fazemos  a  el 
Rey  noso  shor  Dom  António  pello  que  bem  creio  não  será  estranho  a 
V.  Magestade  este  atrevimento  assim  pelas  causas  asima  como  tam- 
bém por  se  olferecer  hum  tão  certo  portador  como  he  o  capitão  An- 
tónio Scalim  criado  de  V.  Magestade  cuja  partida  para  essa  corte  não 
pouco  alvoroço  n(»s  causa  asim  pello  muito  esforço  que  sua  assistên- 
cia nesla  terra  causava  como  tãobem  pella  muita  consolação  que  tí- 
nhamos em  ver  nelle  hum  zello  tão  afervorado  em  lodos  os  neguocios 
importantes  ao  serviço  dei  Rey  noso  snor,  e  certo  que  sua  lealdade 
neste  caso  bem  mostra  o  muito  que  elle  de  si  promete  neste  neguo- 
cio  pelo  que  asas  ficamos  sentindo  sua  absencia.  m.is  como  elle  se- 
gundo diz  não  sofre  a  absensia  dessa  corte  e  dos  serviços  de  V.  Ma- 
gestade não  ouve  cousa  que  o  movesse  a  dexar  de  pessoalmente  as- 
sistir a  V.  Magestade  e  a  seus  serviços  mas  como  lemos  entendido 
que  V.  Magestade  ao  presente  de  nenhus  outros  mais  se  sirvira  que 
dos  que  nos  possão  resgualar  e  livrar  de  nossos  imigos  com  menos 
trabalho  sofremos  sua  partida  pello  que  lemos  tãobem  de  confiança 
em  o  que  elle  em  nome  de  V.  Magestade  faraa  asim  pelo  que  de  sua 
condição  he  como  tão  bem  pello  que  confiamos  que  sabe  que  não  sa- 
tisfará muyto  a  V.  Magestade  pello  muyto  que  sabemos  ter  mostrado 
em  o  dezejo  de  nosa  quietação  e  soceguo  de  hum  Rey  tão  tirannica- 
mente  opremido  de  cuja  oppressão  ficamos  certas  ser  mui  cedo  livre 
per  meio  do  muy  valeroso  braço  de  V.  Magestade  cuja  vida  com 
agmento  de  seu  Real  estado  noso  suor  acrescente  por  largos  annos. 
Desta  cidade  dAngra  da  Ilha  Terzeira  oje  xvij  í  17)  de  seplembro  de 
mil  b*^  Ixxxj  [JÕ81)  anuo 

Serva  e  oradora  de  V.  Magestade. 

Francisca  de  Xp.",  Abbadeça. 
[Bibl.  Nal.  de  Paris,  Fonds  port.  66,  foi.  56-56  v.'^.) 


ARCHIYO  nos  ACORKS  241 


Carta  de  Fr.  Manoel  Marques,  franciscano,  ao  Rei  de 
França,  de  18  de  setembro  de  1581. 

(Inédita) 

Pois  O  soberano  e  eterno  Deos  se  não  despresa  ser  louvado  de  su- 
as crealnras.  antes  a  Iodas  por  pequenas  (jue  sejlo  manda  llie  facão 
e  dê  louvoi'es  por  as  mercês  que  delle  recebem  não  temerei  ser  no- 
tado de  atrevido  por  querei'  escrever  a  Vosa  Magestade  sendo  emlre 
os  frades  menores  destas  ilhas  o  minimo,  postcj  (jue  em  o  oITicio  que 
indinamête  tenho  seja  o  maior.  Este  maio  passado  eslavainos  os  leaes 
portugueses  postos  ê  nniita  angusí/a  e  pfna  por  não  lermos  novas 
certas  delrei  noso  Sõr.  Chegou  a  esta  ilha  Anloiiio  Escalim  vassallo 
de  Vosa  Magestade  o  qual  de  nos  foi  recebido  como  Anjo  do  ceo,  e 
cõ  muita  rezão  pois  por  elle  soubemos  o  que  lauto  dezejavamos  e  nos 
certificou  dos  dezejos  que  Vosa  Magestade  tem  de  noso  resgate  e 
do  efeito  em  que  o  tem  posto,  que  cõ  isto  sentimos  deixo  á  contem- 
plação de  ânimos  agradecidos,  pois  (jue  nê  lingoa  diser,  nem  palavras 
explicar,  nê  penna  esci'ever  o  pode.  O  (pie  afirmo  he  dezejarmos  to- 
dos ser  de  muilo  mereciment(j  ante  Deos  para  delle  podermos  alcan- 
çar- miiy  longos  anos  de  vida  a  Vossa  Magestade  cõ  muila  paz  e 
quietação  para  defensão  de  sua  egreja  e  empai'0  da  nação  portuguesa, 
não  se  tornar  logo  António  Escalim  não  foi  culpa  sira  por-que  todos 
lhe  pedimos  (|uisese  ficar  cõ  nosco  alee  se  irem  os  imigos  que  espe- 
rávamos. Elle  o  fez.  E  em  o  tempo  que  os  imigos  nos  teverão  em 
cerco  e  elle  na  terra  esteve  se  mostrou  tal  em  todas  as  cousas  da 
guerra  e  paz  que  bem  claro  conhecemos  ser  criado  de  Vosa  Magesta- 
de e  posto  que  em  figura  e  sí)mbra,  bem  vimos  nelle  o  que  em  Vosa 
Magestade  tínhamos  que  se  elle  não  soubera  ser  muilo  não  estevera  cõ 
nosco  quãlo  esteve  nem  fesera  quanto  fes.  Vosa  Magestade  lhe  pague 
por  nos,  porque  ainda  que  elle  fesese  o  que  devia,  bem  sabe  que  dá 
Deos  a  vida  eterna  aos  que  fasem  o  que  elle  manda.  E  esta  familia 
toda  em  seus  sacrificios  e  orações  pedira  sempre  a  nosso  Sõr  faça  vo- 
sa Magestade  hu  grande  Monarca  em  o  ceo  pois  ja  o  tem  feito  tã 
gr-ande  em  a  terra.  Desta  sua  casa  de  Sã  Francisco  da  cidade  d' An- 
gra aos  18  de  setembr-o  de  iriHl. 

Indino  orador  de  Vosa  Magestade. 

Erei  Manoel  Marques. 
(Bibl.  Nat.  de  Paris,  Fonds  port.  66,  foi.  57-58  v.".) 


N."  21  -Vol.  IV— 1882. 


242  ARCHIVO  DOS  AÇOKES 

Carta  de  Frei  Simão  de  Barros,  á  Rainha,  Mãe  do  Rei  de 
França,  Angra  27  de  Setembro  de  1581. 

(Inédita) 

ChtistiaDíssima  Mageslade. 

Como  hQa  das  grandíssimas  parles  que  esta  ilha  pêra  se  conser- 
var na  devida  fidelidade  a  seu  Rey  nuãl  {natural)  seja  a  cuidadossa 
dilligencia  com  que  V.  chrislianissima  Magestade  lhe  acudiu  no  tempo 
da  maior  incerlesa  e  desconfiança  que  nella  avia  inviando  a  estas  par- 
tes o  Capitão  António  Escaiim  pareceo  me  que  faria  o  que  não  devia 
se  de  tam  grande  bem  como  he  o  nome  eterno  que  aos  moradores 
dAngra  pêra  sempre  fiquaraa  em  todo  o  mundo  não  testemunhasse 
ser  V.  Christianissima  Magestade  o  autor,  e  este  enviado  seu  hum 
fidelissimo  ajudador.  Este  titulo  se  lhe  pode  daar:  e  tam  leais  serviços 
como  os  seus  soo  Deus  e  a  chrislianiss:  benignidade  de  raynha  calho- 
lica  poderaa  remunerar:  que  quanto  os  nães.  inaturaes)  desta  ilha  com 
o  grandíssimo  sintimento  que  lhes  fiqua  de  ver  que  se  aparta  delles 
por  tam  justificados  respeitos  cuydão  que  lhe  tem  bem  paguo  e  hão 
que  tal  zelo  como  o  seu  ainda  de  Rey  tam  excellente  como  o  nosso  en» 
liberalidade  não  poderaa  ser  assaz  premiado.  Disto  poderá  disser 
muylo  se  me  parecera  que  em  cousas  bem  notórias  podia  aver  algQa 
duvida:  e  alem  disso  não  estivera  de  caminho  para  esses  reynos 
aonde  confio  em  nosso  Síir.  darei  mui  largua  conta  do  muyto  que  se 
lhe  deve.  Nosso  Sfir.  o  real  estado  de  V.  Chrislianissima  Magestade 
prospere  e  acrescente  como  pode:  dAngra  a  27  Setembro  de  1581. 

Fr.  Simão  de  Babhos. 

Sobscripto—X'  Christianissima  Raynha,  May  do  Chiislianissimo  Rey 
de  Frãça. 

{Bibl.  Nat.  de  Paris,  Fonds  port.  66.  foi.  61-62v.\) 

D*este  Fr.  Simão  de  Barros  tracta  o  Dr.  G.  Fructuoso  na  parte  impressa  no 
Yoi.  II,  p.  401  doeste  Archivo. 


ARCHFVO  DOS  ACOfiES  243 


Carta  d' Amaro  Lopes  da  Costa,  Vigário  Geral  d'Angra^ 
ao  Rei  de  França,  de  27  de  Setembro  de  1581. 


(Inédita) 


Snor. 


Não  queria  ser  notado  de  atrevido  sendo  de  tão  poucos  mereci- 
mentos de  escrever  a  V.  Magestade  Christianissima,  mas  como  he 
para  fallar  verdade  e  dar  a  cada  hQ  o  seu  que  he  obrigação  de  quê 
lê  ofticio  publico  como  ca  tenho:  não  cuido  poderei  ser  culpado  antes 
julgado  de  V.  Magestade  por  home  que  faz  o  que  deve.  António  Es- 
calim  veiu  ler  a  esta  ilha  Terceira  em  hQ  tempo  muito  forte  por  que 
jaa  nos  começavão  os  imigos  de  chegar  á  ilha  onde  elle  cõ  sua  che- 
gada deu  muito  esforço  á  gente  desta  terra  e  assi  perseverou  muito 
uesle  preposito  em  tanto  que  nunqua  deixou  de  gastar  lodo  o  descur- 
so  do  tpõ  (tempo)  que  qua  esteve  em  fruito  dei  Rey  Dom  António:  e 
tão  affeiçoados  lhe  estamos  todos  que  tomáramos  por  partido  ficar 
qua  em  nossa  companhia:  V.  Magestade  Christianissima  lhe  deve  agra- 
decer este  zello  e  diligencia  e  avello  por  muito  esforçado  capitão  e  de 
muito  nome:  Sou  obrigado  de  minha  cõsciencia  dizer  a  noso  Sõr  que 
tudo  pode  de  muito  dem  si  a  V.  Magestade  para  que  sempre  lhe  faça 
muitos  serviços  e  a  nos  as  mercês  que  esperamos,  cuja  vida  o  mesmo 
Snõr  acrescente  por  muitos  annos.  Ameo.  Em  Angra  aos  27  de  se- 
têbro  de  1581. 

Amaro  Lopes  da  Costa. 

Sobscrypto~-\o  ChrisUaoissimo  Rey  de  Frãça  meu  S.*'^ 

Do  Vigário  Geral  dAngra. 

{Bibl   Nat.  de  Paris.  Fonds  port.  66,  foi  60-63  v.") 


244  ARCHIVO  DOS  AÇOHES 


Copia  de  carta  de  Don  Lope  de  Figueroa  Maestro  de  chim- 
po general,  para  Mateo  Vazquez  de  Leça.  secretario 
dei  Rey  nosso  sr..  de  la  Islã  de  San  Mig-uel  a  los  13 
de  ag-osto  de  1582  quando  el  marquez  de  Santa  Cruz 
vencio  la  batalla  naval  a  la  armada  de  Francia  y  dei 
rebelde  don  António  de  Portugal  Prior  de  o  Crato. 

(Inédita) 

Quiero  dar  a  V.  M.'*''  la  iiuva  buena  de  la  vitoria  que  Dios  nos  a 
dado  de  la  qual  podemos  a  sii  deviria  majeslad  dar  muclias  gradas  y 
mercê  delias  sua  majeslad  y  a  quien  selo  pago  rpie  es  la  gloriosa 
Santa  Ana  en  su  dia  aviendo  la  mantenid».  en  sn  Ingar  (piiriendo  el 
papa  hazer  otra  cosa  y  con  todo  esso  mea  ...(*)  el  general  de  fran- 
ceses y  su  alnjiianta  con  el  conde  de  .  .  .  y  ties  galeones  los  mejo- 
res  de  su  armada  y  en  dos  oras  la  nueslra  no  pudo  socorer  me  por 
restar  sotaviento  y  ai  cavo  delias  el  capitan  Oipiendo  vin(j  sohre  la  al- 
miranta  y  le  entro  en  la  popa  y  tome»  despojos  y  por  yrsele  de  nri 
canonazo  sn  nao  a  tbndo  le  fue  Inerça  retirar  se  y  Inego  llego  Galar- 
ca  nave  Viscayna  y  me  empeço  a  socorer  algo  que  me  yzo  ailo  pro- 
veclio.  Estas  y  algunas  que  peleaion  trayan  companyas  viejas  las  mas 
y  que  an  recevido  liarlo  daíio  y  seria  lastima  que  se  acabase  esta  le- 
nadura  desta  jenle  y  alíin  un  navio  de  los  que  peleavan  comigo  se 
empeço  a  ir  a  fondo  y  alli  junto  a  [iii  se  Uu\  y  otio  se  me  desabordo 
y  una  nave  Viscayna  con  la  compania  de  Don  .Miguel  de  (>ardona  de 
las  viejas  la  degollo  annijue  perdio  harta  jente  de  su  compania  la  de 
Brisa  empeço  a  desaferarseme  y  se  fue  médio  hondida.  Estrozi  peleo 
comigo  aijordado  quatro  oras  largas  echome  tanto  fnego  que  cinco  ve- 
zes se  me  ardio  el  galeon  en  bivas  llamas  y  tantas  se  remédio  y  lla- 
mando  que  se  rçndian  a  su  majestad.  y  que  le  qnerian  servir  mande 
no  les  tirasen  y  ai  capitan  Pedro  Kosado  quito  dos  arcabusazos  sin 
oiro  viejo  altierto  sirvio  siempre  que  retirase  a  Eadrique  o  areno  y 
oiros  dos  soldados  que  entraron  en  la  nave  de  Slrozi  por  que  en  la 
mia  no  quedavan  treinta  sanos  y  como  veyan  su  estandarte  aborda- 
do comigo  acudian  todos  sus  vajeles  y  de  refresco  me  combalian  y 
entre  ellos  uno  echo  jenle  de  refresco  a  Estrozi  con  que  se  me  des- 
fere y  se  salio  de  mi  y  el  marques  de  Sant.i  Cruz  que  por  ia  armada 
andava  dando  calor  a  lodos  y  refrenando  conn)  de  tan  gran  capitan  la 
dei  enemigo  y  viniendo  me  a  socorer  Ia  abordo  y  ella  se  le  defendio 
un  rato  y  le  mato  y  hirio  jenle  hasta  que  le  entro  que  eran  ya  cin- 
co oras  de  combale  con  que  se  acabo  Ioda  la  vitoria  y  su  armada  aca- 


•)  Lacuna  do  manuscripto. 


AHCIIIVO  DOS  AÇOHES  iíJ4í> 

ho  fie  hiiif  Ioda  la  que  piulu  y  don  António  en  un  palaxe  que  el  an- 
dava a(|nelliis  dias  antes. 

Los  franceses  pelearon  como  cavalleros  y  tnniieron  como  crislia- 
nos  lo  mas  acertado  en  esle  caso  nolo  se  mas  qne  esloi  tan  cansado 
de  sacar  muerlos  y  eridos  con  ima  mar  ai  cielo  y  conlanlas  descomo- 
didades.  For  tiaver  se  (jnedado  el  ospital  y  los  mas  de  los  cirnjanos 
(jtie  Dios  save  lo  (|ne  se  passa  aini(|iie  el  marijnes  manda  soccuvr  todos 
los  lieridos  lo  inejo!'  qne  pnede,  yo  quisiera  lener  aqni  la  encomien- 
da  de  los  bastin)ientos  para  acaballa  si  la  armada  viniesse  seria  bnen 
tiempo  para  muchas  cosas  qne  salimos  lan  desproveydos  qne  no  lo  o- 
so  pensar  ni  escrevir  yo  enbio  a  suplicar  a  V.  .Mag.''"  por  algunos  de 
los  qne  an  seivido  a  su  Mag.  en  este  galeon  con  ()ue  uie  dare  por 
pagado  de  mis  servicios.  en  aver  (juedado  con  la  vida  pai'a  poder  ser- 
vir a  su  Mag.'^''  mas  no  en  estos  trabajos  porque  la  vida  se  me  acava 
sin  beridas  pnesto  que  siento  que  de  la  salud  ya  no  ago  casso  si  este 
invierno  no  reposo  bolgaria  que  su  iMajestad  les  liisiesse  md.  {mer- 
cvd)  sin  pleyleallo  pnes  a  su  grandesa  y  servicio  conviene  nueslro  se- 
nor  ...  de  su  mano. 

Los  franceses  pelearon  como  cavalleros  y  murieron  como  crislia- 
nos  ame  parecido  crueldade  y  pesado  en  el  alma  y  a  Ioda  la  jente  de 
guerra. 

{Bibl  Nat.  de  Paris,  Fonds  eap.  lõO,  foi.  30-81.) 


Copia  de  carta  de  Don  Álvaro  de  Baçan  primero  marques 
de  Santa  Cruz  capitan  g"eneral  dei  mar  oceano  por 
El-Rey  nõ  sr.  para  el  Illm.°  sr.  Don  Rodrigo  de  Cas- 
tro, Cardenal  Arcebispo  de  Sevilla.  quando  el  afio 
de  1583,  expug"no  la  Islã  Tercera  con  vencimiento  de 
los  franceses  que  en  ella  avia  de  presidio  con  los  re- 
beldes portugueses. 

(Inédita) 

111.""*  Senoi— Em  vano  sirvierou  todas  las  diligencias  que  llegado 
a  esta  Lsla  bize  con  la  gente  delia,  da  qual  con"  la  obsiinacion  que 
siempre  y  resuella  de  pelear,  fiados  en  la  grau  fortilicacion  de  la  ter- 
ra y  en  el  buen  socorro  que  tenian  de  franceses  no  quisieron  admi- 
tir ninguna  persona  de  las  que  enbie  con  el  perdon  general  antes  les 
liraron  de  los  fuertes  mucbos  canonazos  y  aviendo  considerado  que 
siempre  yva  en  crecimiento  su  obslinacion  resolvi  salir  con  la  gente  a 


á4C  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

tierra  el  dia  de  la  bieii  aventurada  Santa  Ana  por  aver  sido  el  mismo 
en  el  qiiel  ano  pasado  venci  la  balalla  a  la  armada  de  Francia  y  des- 
pnes  de  aver  pneslo  la  gente  qne  ordene  saliesse  en  Ia  primera  des- 
inbarcacion  en  barcas  y  vaseles  qne  traya  para  este  efeto  fni  con  la 
galera  capitana  con  la  ipial  y  las  de  mas  (jiie  me  scgnyam  Mogno  a 
una  cala  por  donde  me  parecio  qne  delo  fortificado  era  lo  mas  apro- 
posilo  por  aver  fondo  para  poder  llegar  a  la  bateria  con  las  galeras 
mas  cerca  que  en  olias  partes  de  la  islã  y  asi  enpece  a  bater  Ires 
fuertes  que  alli  tenian  con  sus  irincbieras  bien  reparados  como  lo 
suelen  hacer  franceses  y  con  la  bateria  que  la  capitana  hizo  y  aver 
le  rompido  de  nn  canonazo  una  pieça  de  las  maiores  y  muerto  le  un 
artillero  y  ellos  lanbien  batian  la  capitana  y  los  demas  que  yvan  lle- 
gando  con  gran  deligencia  y  a  este  tiempo  sh  desembarco  parte  de  la 
jente  la  (jual  aremetiendo  a  los  fosos  y  trincheras  a  unque  en  elles  pe- 
leavan  con  mucho  valor  los  enemigos  se  las  ganaron  los  nuestros  y 
los  franceses  se  retiraron  y  aviendo  yo  salido  en  tierra  di  orden  se 
liiziesen  luego  dos  esquadrones  de  los  espanoles  y  alemanes  por  ve- 
nir  ya  el  socorro  el  comemJador  mosur  de  Cheanes  (Chastes)  que  era 
general  de  la  infanleria  francesa  con  su  gente  y  Manuel  de  Silva  con 
la  porlugesa  y  los  cavallos  (]ue  avia  en  la  ysla  aviendo  se  recoxido  to- 
da la  gente  que  se  retiro  y  la  que  mas  havia  en  la  ciudad  de  Angla 
todo  este  dia  esluve  con  el  exercito  a  la  frente  dei  enemigo  travando 
siempre  escaramnzas  y  batiendo  siempre  los  esquadrones  con  ocho  pie- 
ças  que  los  franceses  liayan  de  artelleria  en  su  campo  y  seis  que  yo 
yse  desenbarcar  y  tau  caldamenle  que  fue  menester  que  yo  mejorase 
três  ve<es  con  los  esquadrones  y  por  dar  calor  a  los  nuestros  que  esca- 
ramuzasen  con  los  franceses  apretadamente  y  por  que  de  su  parle  te- 
nian el  agua  y  mucha  jente  mucha  nesesiilad  delia  fue  fuerça  el  dia 
siguiente  ganar  se  la  y  ansi  se  hizo  aremetiendo  ganando  les  tambien 
el  artelleria  y  a  la  retirada  de  los  enemigos  y  en  los  fuertes  y  trin- 
cheras que  en  la  desenbarcacion  se  les  ganaron  y  en  las  escaramuças 
perdieron  mas  de  100  ombres  de  mas  delos  que  despues  degollaron 
los  muchos  y  aliando  los  deramados  por  la  campina  vine  en  segui- 
miento  con  el  exercito  a  la  ciudad  de  Angla  aviendo  ordenado  a  las 
galeras  veniesen  tambien  a  envestir  larmada  francesa  qne  estava  en 
el  puerto  que  avia  traydo  el  socoro  de  Francia  como  se  hizo  tomando 
treinta  naves  caravelas  galeones  de  la  armada  de  don  António  y  fran- 
ceses los  que  quedaron  se  retiraron  a  la  montana  y  con  ellos  lodos 
los  porlugeses  que  ninguno  se  quedo  aqui  y  viendo  esto  y  que  siem- 
pre estuvieron  en  el  esquadrou  peleando  y  que  ninguno  asta  agora 
se  me  a  venido  a  reducir  ai  servicio  de  su  mag.'**'  concedi  ai  exercito 
y  armada  três  dias  de  saco  y  assi  procediendo  contra  estos  rebeldes 
y  lo  mismo  será  de  los  franceses  que  aviendo  les  echo  el  castigo  que 
♦^1  ano  pasado  Vs.  111.™='  save  an  querido  bolver  a  este  contraviniendo 
a  la  paz  que  ai  entre  su  mag.**^  y  el  crislianiss."  rey  de  Francia. 


AHCHIVO  DOS  AÇOKKS  247 

Escrita  esta  asta  aqni  entro  el  general  de  los  franceses  nn  solda- 
do con  color  de  entendei'  los  nuiertos  y  prisioneros  qne  yo  l^nia  y 
aviendo  se  ablado  algiinos  capilanes  diciendo  le  qne  piies  venian  co- 
mo cosarios  y...yo  los  avia  de  haí»rcar  a  todos  como  el  ano  pasado  el 
lespondio  qne  niosiur  de  C[)m)e<'(Chnstes)  era  herniano  dei  dn(|ne  de 
Q\sa {Guise)  cunado  de  la  Reina  de  Francia  y  qne  vénia  con  patenie  dei 
rey  institucion  firmad;i  de  sn  mano  de  lo  que  havia  de  hacer  en  defensa 
destas  yslas  y  nislo  ello.  los  maestros  de  campo  y  t(jda  la  gente  prin- 
cipal dei  exercito  me  piílieron  con  mucha  instancia  les  isiese  gracia 
de  sns  vidas  dandoles  enbarcacion  para  Fiancia  en  lo  qnal  yo  nonca 
quise  venir  asta  que  vi  la  patenie  y  eslucion  porque  aviendo  se  me- 
tido Don  Pedro  de  Padilla  a  tiatar  deste  negocio  se  las  embio  el  ge- 
neral y  el  me  las  dio  y  visto  ser  asi  y  que  todo  el  exercito  lo  deseava 
y  pedia  con  mucha  volunlad  cnndecendi  a  hazer  gracia  de  las  vidas 
con  que  se  me  rendiesen  y  entregasen  todas  las  armas  pifaros  y  tam- 
bores como  lo  y  sieron  a  los  quatro  deste  viniendo  todos  de  la  mon- 
tana  adonde  estavan  recoxidos  y  tanbien  se  rendieron  los  portngeses 
que  a  sido  cosa  no  vista  o  lendir-se  un  exercito  que  estava  ai  oposi- 
10  dei  nuesiro  dei  que  e  quedado  con  mncho  conlentamiento  por  la 
autoridad  y  repiUacion  que  se  a  ganado  con  ella  nacion  liizo  hazer  jus- 
ticia  de  Manuel  de  Silva  que  era  general  de  don  António  y  governador 
en  estas  yslas  y  de  Manuel  Erradas  {Serradas)  que  era  capilan  general 
dei  armada  de  don  António  que  es  el  que  saqueo  a  Cavo  Verde  y  Ar- 
guiu y  de  los  capitanes  y  oíiciales  desta  ysla  que  avian  echo  grandes 
danos  robôs  y  crueldades  a  castellanos  y  tambien  se  aorcaron  muchos 
franceses  y  ingleses  que  se  havian  prendido  antes  que  se  les  hisiese 
la  gracia  las  demas  yslas  me  \inieton  a  dar  la  íbedieucia  y  jurar  a 
su  mag.''*  por  sn  Rey  y  senor  natural  sino  fue  la  dei  Fayal  que  por  te- 
ner  quinientos  franceses  por  guarnicion  dentro  a  cargo  dei  capitan 
Carlos  hijo  dei  presidente  de  Is  cancelleria  de  Bordéus  no  se  quiso 
rendir  ni  dar  la  obediência  como  los  demas  y  ansi  enbie  dos  mil  y 
qumientos  soldados  con  el  maestre  de  campo  Agostin  biignes  de  Çaia- 
te  embarqados  en  las  galeras  yabras  y  pataxes  y  con  todo  a  don  Pe- 
dro de  Toledo  marquez  de  Villa  Franca  para  que  procurase  alianar 
aquella  islã  como  lo  hizo  haviendo  escaramuzado  con  los  enemigos  y 
degollados  muchos  dellos,  los  qnales  conforme  a  la  orden  que  yo  le 
di  in  caso  que  uviese  concierlo  rendieron  la  bandera  armas  pifares  e 
a  tãbores  y  asi  se  hizo.  Uexo  en  estas  Islãs  dos  mil  soldados  para  la 
guarda  e  defensa  d  ellas  y  por  maestre  de  campo  a  Juan  de  Urbina  e 
queuto  dar  a  Vs.  II Im/'  cuenla  tau  particular  de  l(tdo  lo  susedido  por 
que  se  lo  que  se  holgara  asi  por  lo  que  toca  ai  servicio  de  su  mag.'^'" 
como  por  ser  yo  tan  su  servidor.  Guarde  unestro  senor  la  III.'"*  per- 
sona  de  VS.  en  ei  acresentamienU»  que  yo  deseo,  de  la  ciudad  de  Aii- 
gla  en  la  ysla  Tercera  a  beiíite  y  siete  de  agosto  de  I58ÍÍ.  Beso  las 
manos  de  VS.  lll.™^  Don  Álvaro  de  Bacan. 


Í48 


ARCHIVO   DOS  ACOHES 


Relação  das  pessoas  da  illia  Terceira  agraciadas  por  D. 
Filippe  II.  1581-1602. 


1381 


TRIGO:  moios        TENÇAS:  reis 


-Frey    António   Varejiio,    Fiinila<lor    do 
(Convento  <Je  S.  Agostinho,  dAngia 
Lopi)  Gil  Fagundes    .... 
1582—06  Novembro  em  dianle. 

Lniz  Alvares  (Cónego)       .         .         .         . 

Melchior  de  .Magalhães. 
Álvaro  Luiz       ..... 
Luiz  .Monrato     ..... 
IS83— Hedro  Alvares  Cabral      . 

Anlonio  Hibeiro.         .... 

D.  Maiia  da  Camará,  vinva  de  João  de  Bel 

tencorl.  o  degollado  1 1) 
Fili|)|)a  de  Vasconcellos,  viuva  de  Panlaleão 

Pnvs 

Anlonio  Vaz  (>hama    .... 

Pedro  Fernandes  dAgnillar 

Joi-ge  Dias         .... 

SiinfK)  Gonçalves,  Chanceller  d'Angra 

Francisco  Vaz  (Cónego) 

Antónia   Vaz,  viuva  de  Gaspar  Estaco   que 

morreu  em  França 
Custodio  Vieira  Hocarro 
Manoel  da  Silveiía  Borges 
.lorge   de   Lenjos  Bettencourt,  o  foro  de  fi 

dalgo,  o  habito  de  Christo  e   . 
Matheus  Pires  .... 

Maria  Serrão,  tilha  do  Lic.*^"  Petiro  Serrão 
Francisco  das  Neves 
1584— Heitor  Colonel        .... 
Rodrigo  Fernandes     .... 
Isabel  Diniz,  viuva  de  Pedro  Alvares  (2j 
Álvaro  Pires  Ramires 


I  Tença  2();500O 
í  Moradia  12á>0(X) 
155000 
15*5000 
156000 
15í»000 
15^000 

100^000 


20W0 
40^1000 

1-2Í.C00 


45áiOOO 
30.5000 

aOíjíooo 

lOO^JlOOO 

lOWO 
20;5iOOO 


40:5000 
15^000 


35 


569;5ÍOOO 


(1)  Com  direito  ilc  testar  50^^000  rs.  da  dita  tença,  a  lavor  dp  sua  filtia  D. 
Margarida. 

(2)  Com  direito  de  testar  20^000  rs.  e  2  moios  de  trigo,  a  lavor  de  sua  ti- 
lha Margarida  Dias  Pereira,  mulher  de  Sebastião  da  Costa  Corrêa 


ARGHIVO  DOS  AÇORES 


249 


Transporte       .... 

1384 — João  Cordeiro,  Piloto  mór  das  galés  . 
Catharina  Pires,  aiulher  de  Diogo  Vieira  Pa- 
checo     

Amónia  Gomes,  viuva  do  tabellião   Jacome 

de  Trigo  {com  faculdade  de  testar)    . 
Barbara  Cabral,  filha  de  Manoel  Fernandes 

Cabral  .        .        .        .    '    . 

1383 — Manoel  Quinteiros,  Sargento  Mór  da  Praia 
António  Pacheco  de  Lima 
Catharina  Sanches     .         .         .         .         . 
Gaspar  Homem  Sodré  (por  serviços  de  seu  tio 

João  Luiz  Homem,  Vigário) 
Antónia   á<\  Silva,   mulher  de  Francisco  do 

Canto 

1386 — D.  Antónia  da  Silva,  mulher  de  Francisco 

da  Silva 

Gaspar  Homem  da  Costa,  com  o  habito  de 

Christo 

Isabel  das  Neves,  viuva  de  Belchior  Aífonso 
Isabel  Diniz,  filha  de  «  -< 

e  poder  de  testar  .        .        .        . 

Marthi  Vaz,  filha  de  Melchior   Affonso,   que 

morreu  esquartejado 
Antónia  Vieira,  filha  do  anterior 
Manoel  Mourato  .        .        .        . 

Estevam  Ferreira  de  Mello,  habito  de  Chris 

to,  foro  de  fidalgo  e       .        .        . 
Ao  mesmo  Estevam  em  1389 
1388— Francisco  Homem  .         .         .         : 
Thomé  Diniz,  por  serviços  de  seu  pae  Bar 

tholomeu  Fernandes  das  Neves,  o  habi 

to  de  Chisto  e        .        .        .        . 
Diogo  Paim  da  Camará,  o  habito  de  Christo  e 
1389— Gaspar  Cardoso,  P.**  e  Licenciado,  um  be 

neficio  e 

Manoel  Fernandes  de  Cêa 

.leronymo  Fernandes  de  Cêa   (irmão  do  an 

terior) 

António  de  Mello  e  Castro,   filho  de  Pedro 

de  Castro  do  Canto,  habito  de  Christo  e 


N."  2I-Vol.  IV— 1882, 


TRIGO:  moios 
33 


TENÇAS;    reis 
.  369W0 


40;$1000 

mooo 

13í$í000 


20íí00u 

I3ái000 

40^000 

13^000 
30,^000 

13W0 
I3ôiOOO 
lO^SlOOO 

30j$ÍOOC) 
30ÔÍ000 
10^000 


20^000 
20^000 


30?$!000 
30í$ÍOOU 
20,$ÍOa) 


«4 


1 :026??!00() 

8 


Í250 


AKCHIVO   DOS  ACOKES 


TRIGO:  moios 


Transporte 

i589 — Heitor  Homem  da  Costa,  hahilo  de  Christo  e 

Francisca  de  Boim,  viuva  de  João  Lopes  Fa- 
gundes   

Jeronymo  Pacheco,  cónego 

Ruy  Dias  de  Sam  Paio       .... 

Francisco  Vaz.  cónego        .... 

Isabel  Diniz,  viuva  de  Manuel  Jarome  Trigo, 
com  poder  de  testar  em  Maria  Diniz,  sua 
filha      ....... 

Henrique  de  Bettencor.  habito  de  Christo, 
pelos  serviços  de  seu  pae  Francisco  de 
Bettencor  e 

Manoel  de  Rego  Borges      .... 

Domingos  da  Costa,  capitão 
1602 — João  do  Canto  de  Vasconcellos,  habito  de 
Christo  e 


64 


TENÇAS:  reis 
l:026?^000 

.       20;$Í000 


30TO0 
20íi000 


20^000 
ISííiOOO 

mooo 

20/5iOO() 


70         1:IG3;$>000 
(Drummond— ^ww.  da  Ilha  Terceira,  T.  I.  p.  688.) 


Tença  ao  P.'  Jerónimo  Pires  da  ilha  Terceira,  1584. 

Dom  Fellipe  &.  Faço  saber  aos  que  esta  carta  virem  que  avendo 
respeito  a  Jerónimo  Pires  clérigo  morador  na  ylha  Terceira  proceder 
bem  em  meu  serviço  no  tempo  das  alterações  delia  e  a  sua  mãy  e  irmãs 
padecerem  por  yso  muitos  trabalhos  e  afrontas  e  serem  saqueados 
de  quanto  tinhão  e  elle  ser  preso  no  aljube  e  a  dita  sua  mãy  íalle- 
cer  e  querendolhe  fazer  mercê  ey  por  bem  e  me  praz  que  elle  tenha 
e  aja  de  minha  fazenda  em  cada  hum  anuo  dous  moyos  de  trigo  de 
tença  com  obrigação  que  sostentara  as  ditas  suas  irmãas  os  quaes 
dous  moyos  de  trigo  começara  vencer  de  xbiij  (18)  de  Junho  do  anno 
passado  de  b*=  e  Ixxxiij  {õ83)  em  diante  em  que  lhe  tiz  esta  mercê 
com  declaração  que  iria  na  armada  que  o  mesmo  ano  avia  de  ir  a 
dita  ilha:  notefficoo  assi  aos  vedores  de  minha  fazenda  e  lhes  mando 
que  lhos  façam  asentar  nos  livros  delia  e  do  tempo  em  diante  despa- 
char em  parte  onde  delles  aja  bom  pagamento  constandolhe  primei- 
ro per  certidão  autentiqua  de  como  ele  foi  na  dita  armada  e  porque 


AKCHIVO  nos  AÇOHKS  251 

desta  mercê  lhe  foi  passada  hiia  |)i)tlari.i  fnila  no  dili)  tempo  que  diz 
c,ue  p''fdeo  antes  de  se  fazer  obra  por  ella  sendo  caso  ijue  apareça 
em  algnm  tempo  não  avera  elfeilo  e  seia  obrigado  a  entregalla  a 
Irancisco  Serrão  ipie  ora  corre  com  os  ditos  despachos  do  reino  pêra 
a  romper  porquanto  lhe  passí)ii  outra  com  salva  poi-  que  lhe  mandei 
passai'  esla  carta  por  mim  a>inada  e  sella  la  do  meu  sííIIm  pendente. 
João  de  Torres  a  fez  em  Lixboa  a  xxb(:í-'>)  de  setembro,  anuo  do  nas- 
cimento de  nosso  senhor  Jlul  x."  [Chn.sto)  de  ~Y  b*^  Ixxxiiij  (1584)  eii 
Diogo  Velho  a  fiz  escrever. 

{Arch.  nac.  da  T.  do  T.,  Chanc.  de  Filip.  /.,  Liu.  8.^  foi.  83  i'.°) 


Alvará  de  22  de  Fevereiro  de  1597,  para  a  Gamara  da  ci- 
dade d' Angra. 

Eu  el  Rei  faço  saber  aos  que  este  alvará  virem  que  por  me  en- 
viarem pedir  os  oíOciaes  da  camará  da  cidade  d  Angra  da  ilha  Ter- 
ceira e  vista  a  informação  do  desembargador  Christovão  Soares  de 
Albergaria  que  foi  corregedor  das  ilhas  dos  Açores  e  para  que  com 
menos  opressão  e  trabalho  do  povo  e  moradores  da  dita  cidade  se 
satisfaça  a  despesa  dos  alugueres  das  casas  que  estão  ocupadas  com 
a  gente  da  guerra  que  na  dita  cidade  reside  e  que  eu  per  minha 
provisão  tenho  mandado  se  pague  aos  donos  das  ditas  casas  fintan- 
do-se  para  isso  os  ditos  moradores  e  os  ausentes  que  tiverem  fazen- 
da na  dita  cidade  e  seu  termo  no  que  recebem  muita  moléstia  e  ve- 
xação ei  por  bem  de  conceder  impossição  na  dita  cidade  de  Angra  e 
seu  termo  nas  carnes,  vinhos  e  azeites,  para  se  pagarem  os  alugueres 
das  ditas  casas  e  farseá  exame  com  o  corregedor  das  ditas  ilhas  do 
que  importar  o  dinheiro  dos  ditos  alugueres  para  confornie  a  isso 
se  computar  o  que  se  deve  pagar  por  arrátel  de  carne,  canada  de 
vinho  e  azeite,  durando  o  tempo  que  as  ditas  casas  estiverem  com 
soldados  do  presidio,  e  sucedendo  que  alguas  os  não  tenham  por  se 
tirar  parte  delles  na  forma  em  que  se  forem  aliviando  se  pagara  a 
impossição  pelo  tempo  em  diante  para  que  assi  a  primeira  não  fique 
perpetua  e  a  tudo  assistirá  sempre  o  dito  corregedor  para  milhor 
ordem  e  não  se  fará  em  outra  maneira  e  o  rendimento  da  dita  im- 
possição se  não  poderá  despender  em  mais  que  no  pagamento  destes 
alugueres  das  casas  no  modo  (1)  sobre  dito  e  o  escrivão  da  camará 
da  dita  cidade  será  escrivão  da  dita  impossição  e  de  tudo  o  mais  que  a 


(1)  Falta  esta  syllaba  no  registo.    (Nota  do  xr.  ./.  /.  de  Brito  Rebello.) 


252  ARCBIVO  DOS  AÇORES 

ella  tocar  e  se  fizer  per  bem  deste  alvará  e  terá  hum  livro  numerado 
e  assignado  pelo  dito  corregedor  no  qual  escreverá  em  titulo  apartado 
per  si  a  recepta  do  dinheiro  da  dita  impossição  e  em  outro  titulo 
apartado  a  despesa  que  delle  se  fizer  no  pagamento  dos  ditos  alugue- 
res e  no  principio  do  dito  livro  se  trasladara  este  alvará  para  se  saber 
como  para  isso  somente  concedi  a  dita  impossição,  e  o  dito  correge- 
dor tomará  cada  anno  conta  do  rendimento  delle  e  saberá  como  se 
despendem  e  achando  que  se  gasta  em  outras  cousas  não  levará  em 
conta  o  que  se  assi  não  despender  no  dito  pagamento  dos  alugueres 
das  casas.  E  mando  ao  dito  corregedor  que  ora  he  e  ao  diante  for 
que  proceda  neste  negocio  com  toda  clareza  e  boa  ordem  de  ma- 
neira que  em  todo  se  guarde  o  que  per  este  alvará  tenho  ordena- 
do, e  o  cumpra  e  faça  cumprir  como  nelle  se  contem  e  será  tamben) 
registado  no  livro  da  camará  da  dita  cidade  de  Angra  e  este  próprio 
se  poerá  no  cartório  delia  em  toda  bôa  guarda  pêra  se  ver  que  o  ou- 
ve assi  por  bem  pelos  respeitos  e  na  maneira  sobre  dita,  e  quero  que 
este  alvará  valha  A.  Pêro  de  Seixas  o  fez  em  Lixboa  aos  xxii  (22)  de 
fevereiro  de  mil  b*^  L  r  bij  (1597)  e  do  Iheor  deste  alvará  que  he  a 
primeira  via  se  passou  mais  outro  para  ir  por  duas  vias  comprirseha 
um  somente. =Concertado,  António  d  Aguiar. 

(Ai'ch.  noc.  da  T.  do  T.,  Liv.  2."  dos  Privil.  de  Filipp.  L  /.  233  v:" 


Copia  da  carta  dos  Estados  Geraes  das  Províncias  Uni- 
das da  Belg-ica  ao  Governador,  Juizes  e  Conselheiros, 
das  ilhas  da  Madeira  e  Açores;  1609. 

Illustris  Domine,  Spedabiles  Clarissimique  viri.  Mcrcatores  unítarum  ha- 
rum  Provinciarum  in  insulis  Tercera  S.'  Michaelis  et  Madera  per  institores 
suos  mercaturam  exercentes  nobis  exposuerunt  Hispaniarum  Regem  hujus  an- 
ui mense  Júlio  illuc  quendam  delegasse  qui  diligentis;ime  inquirat  de  illis  qui- 
bus  post  annum  i5g8  cum  subditis  nostris  commercium  fuit  cum  auctoritate 
procedendi  adversus  noxios  cujuscunque  fuerint  nationis  ad  confiscationem  ea- 
rum  mercium  quas  in  praesenti  possident,  possederunt  aut  ad  aestimationem 
earum,  eo  amplius  libros  eorum  inspiciendi  ut  cum  quíbus  mercaturam  exer- 
cuerint  cognoscat,  sententias  aliorum  judicum  in  favorem  mcrcatorum  eorum- 
que  institorum  latas  retractandi  eumque  apprime  operam  dare  ut  mandatum 
suum  in  Madera  exequatur,  quamvis  suprad.  unitarum  harum  Provinciarum 
mcrcatorum  institores  vobis  ostenderint  quam  damnosa  illa  inquisitio  futura 
sit.  Quam  ob  causam  supplices  nostram  opem  imploraverunt  ut  pro  ipssis  apud 
vos  intercederemus  ut  ab  hac  novitate  (quae  libero  commercio  et  quarto  indu- 
ciarum   articulo   contraria  est)   desistatur,   quam  petitionem.  cum  aequissima 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  253 

sit,  ipsis  recLisare  non  potuimus,  eo  magis  quod  in  nostrae  ditionis  provinciis 
id  sedulo  agimus  ut  induciac  quam  fieri  potest  cxactissime  observentur,  non 
permittentes  inquiri  in  illa  quae  durante  bcllo  facta  sunt,  ut  commercium  eo 
liberius  essct  veraque  amicitia  inter  utriusque  partis  súbditos  (ut  est  pactum 
induciarum)  conservetur:  ab  omni  enim  ratione  alienum  foret  tempore  iudu- 
ciarum  illa  quorum  delegatus  ille  judex  mandatum  habet  refricare,  cum  tem- 
pore belli  fuerint  omissa  aut  neglecta.  Quamobrem  summopere  vo  s  rogamus 
ut,  rationibus  omnibus  bene  consideratis,  id  agatis  quo  mandatum  diéli  Dele- 
gati  revocetur  aut  saltem  ab  executione  desistatur,  donec  Hispaniarum  rex 
per  archiduces  Áustria;  de  mole  et  consequentia  rei  instructus  aliter  disponat, 
sin  aliter  certi  estote  inchoatam  amicitiam  commerciumque  summo  vestrarum 
et  nostrarum  Provinciarum  damno,  quod  illibenter  videremus,  dirutum  iri, 
quocirca  haac  res  vobis  ceque  atque  nobis  curae  sit.  Rogantes  Deum  Optimum 
Maximum  ut  vos  in  protectionem  suam  recipiat.  Data;  Haga;  Comitis  in  Hol- 
landia  23a  novembris  anno  1609.  lan  Oldenbarnevelt. 

Vobis  addictissimi 
Ordines  Generales  Provinciarum  Unitarum  Belgii. 
Mandato  Dominorum  Ordinum  prcedictorum. 

Aersen. 
1 6og. 

(Sobrescrito)  lUustri  Domino,  Spectabilibus  clarissimisque  viris,  gubernato- 
ri  et  judicibus  sive  consiliariis  civitatis  de  Funchal  et  insula;  de  Madera. 

{Carta  original  na  Bibliotheca  National  de  Paris,  Fonds  port.  n.  i3,fol. 
5~(>-5';']  v.»;  copiada  por  Mr.  Alfred  Morei  Fatio.) 


(Traducção  da   Carta  anterior) 

Mui  illustre  Sr.,  honrados  e  nobres  Sr.' 

Os  mercadores  das  nossas  Provincias-Unidas  que  por  meio  de  se- 
us caixeiros  commerciam  na  ilha  Terceira,  S.  iMiguel  e  Madeira,  nos 
representaram  que  o  rei  das  Hespanhas  em  julho  do  corrente  anno 
enviara  àquellas  ilhas  um  juiz  encarregado  de  proceder  com  todo  o 
rigor  a  uma  devassa  contra  as  pessoas  que  depois  do  anno  de  1598 
tiveram  transacções  commerciaes  com  os  nossos  súbditos,  com  auctori- 
dade  de  punir  os  culpados,  nacionaes  ou  estrangeiros,  confiscando- 
Ihes  as  mercadorias  que  actualmente  possuem  ou  possuíram,  ou 
procedendo  á  avaliação  das  mesmas,  vistorisando-lhes  os  livros  para 
conhecer  com  quem  commerciaram,  trancando  as  sentenças  dos  ou- 
tros juizes  publicadas  em  favor  dos  mercadores  e  de  seus  caixeiros: 
e  que  o  dicto  juiz  desenvolvia  na  Madeira  a  maior  actividade  no  cum- 
primento do  seu  mandato,  não  obstante  a  representação  que  á  vossa 
presença  fizeram  subir  os  caixeiros  dos  mercadores  das  nossas  l*ro- 
vincias-Unidas  sobre  os  damnos  de  uma  tal  devassa.  Não  tendo  sido 
attendidos,  recorreram  á  nossa  intervenção,  supplicando-nos  inleice- 


Í254  ARCHIVO   DOS   AÇORES 

déssemos  por  eiles  junclo  de  vós,  a  fiin  de  desistirdes  de  similhante 
medida  original  (  qiie  se  oppõe  à  liberdade  do  commercio  e  ao  arl." 
4.°  do  convénio  para  a  suspensão  de  armas).  E  sendo  justissima  a 
sua  petição,  não  podiamos  recusar-lhes  os  nossos  bons  oílicios,  tanto 
mais  quanto  nas  províncias  sujeitas  ao  nosso  domínio  curamos  com  o 
maior  zelo  de  cumprir  e  guardar  quanto  possível  os  artigos  do  con- 
vénio, não  consentindo  se  tirem  devassas  sobre  os  f.iclos  praticados 
durante  a  guerra,  promovendo  assim  a  liberdade  do  cnmmercio  e  a 
amizade  entre  os  súbditos  da  vossa  e  da  nossa  nação,  segundo  o  pa- 
ctuado no  convénio;  pois  seria  fora  de  toda  a  razão  renovar  durante 
o  convénio  o  que  no  tempo  da  guerra  foi  omittido  ou  posto  de  par- 
le. Pelo  que  instantemente  vos  pedimos,  que,  bem  pesadas  todas  as 
razões,  vos  empenheis  para  se  revogar  o  mandato  do  juiz,  ou  pelo 
menos,  para  se  desistir  da  sua  execução,  até  que  o  rei  das  Hespa- 
nhas,  informado  pelos  archiduques  de  Áustria  sobre  a  gravidade  e 
consequências  de  similhante  medida,  a  revogue  de  todo,  ficando  vós 
certos  de  que  aliás,  mào  grado  nosso,  a  amizade  já  em  via  de  come- 
ço e  o  commercio  entre  as  duas  nações  desappareceriam  inteiramen- 
te com  gravíssimo  e  mutuo  prejuízo,  circumstancia  que  a  todos  nós 
deve  merecer  toda  a  allenção.  Rogamos  ai»  Todo  Poderoso  vos  tenha 
em  sua  guarda.  Dada  na  cidade  da  Ilaya  na  Hollanda  a  23  de  Novem- 
bro de  1600.  Yan  Oldenbarevelt. 

Vossos  amigos  dedicadíssimos, 

Os  Estados  Geraes  das  Provincias-Unídas  da  Bélgica. 
Por  ordem  dos  Senhores  dos  referidos  Estados. 

Aersen. 
1609. 

{SubscriíHo^  Ao  mui  illustre  Sr.  Governador,  aos  honrados  e  no- 
bres Juizes  ou  Conselheiros  da  cidade  do  Funchal  e  da  ilha  da  Ma- 
deira. 

(Trad.  pelo  Sr  J.  P.  da  Costa.) 


CONQUISTA  DÁ  ILHA  TEÍ|CE1R 

PELO 

Lleenci.ul )  Clirisloval  llosqiiera  de  Figueroa 

Auditor  Geral  da  Armada  e  Exercito  dei  Rey  Católico  * 

(Extractos) 

Foi.  10  v.°)  «Despiies  que  don  António  de  Portugal,  Prior  de  Ocra- 
to,  hijo  no  legitimo  dei  Infante  don  Lnys,  con  tirânico  titulo  de  Rey, 
dado  por  algunos  de  sus  naturales,  y  so  color  de  defensor,  y  prote- 
ctor de  los  Portugueses,  congrego  gran  copia  de  deudos,  amigos  y 
allegados,  que  por  ser  unos  inclinados  a  novedades,  y  otros  públicos 
delinquentes,  y  sediciosos,  y  otros  de  humildes  y  oscuros  linages,  pro- 
curando de  acrecenlar  sus  haziendas  y  nonbres,  y  darse  a  conocer 
por  este  camino,  en  esta  confusion  y  revolucion  de  Reyno,  conspira- 
ron  contra  la  corona  Real,  devida  por  derecho  divino  y  humano  ai 
Rey  don  Filipe  segado  nuestro  senor.  haziendo  esta  gente  rebelde 
brava  diligencia  en  reforçar  y  ampliar  esta  liga,  unos  publica,  y  otros 
secretamente,  con  sus  haziendas,  consejos.  y  personas:  y  viendo  que 
cada  dia  mas,  por  fallarle  la  justicia  a  don  António,  le  yva  faltando  el 
poder  para  passar  adelante  en  sus  delerminaciones.  acordo  de  valerse 
de  fuerças  agenas.  invocando  el  auxilio  de  gente  Francesa,  los  mas 
dellos  piratas,  y  públicos  robadores,  y  diferentes  en  religion,  con  que 
tanto  Dios  se  ofende,  en  que  vino  a  degenerar  a  la  comun  opinion 
dei  Christiano  y  Católico  nombre  de  sus  progenitores,  y  a  traer  de 
Francia  en  su  favor  a  Filipe  Stroci,  que  vénia  por  general  de  sn  arma- 


(•)  Comentário  en  breve  Compendio  de  Disciplina  Militar,  en  que  se  escrive  In 
jornada  de  las  istau  de  los  Açores.  En  Madrid,  por  Luis  Saiiclies:  Ano  1596.  Uni 
volume  em  4.°,  com  4  foi.  innumeradas  no  principio,  e  184  foi.  numeradas  só  no 
recto  e  mais  duas  de  indece,  sem  numeração.  Enire  as  folhas  71  e  72  tem  uma 
gravura  de  maior  formato,  que  representa  o  desembarque  no  Porto  das  Mós.  É 
obra  rara  e  mui  apreciada  na  parte  histórica  como  esrripta  por  teslemuiilia  pre- 
sencial dos  factos;  o  aulor  porem  querendo  ostentar  erudlcjão  escusada,  corta  a 
caria  momento  o  íio  da  narrativa,  para  intercalar  largos  períodos  de  insuportá- 
vel Gongorismo,  períodos  que  em  proveito  do  leitor  se  supprimíram. 


256  ARCHiVO  DOS  AÇORES 

da:  contra  quien  el  Marques  de  Sanlacruz,  Capiían  general,  consignio 
aquella  tan  sefialada  vitoria  ei  aiio  passado  de  nuestra  redencion  de 
1582  que  con  veynte  y  cinco  navios,  con  que  se  hallò  cerca  de  Punta- 
delgada,  le  represento  ia  batalla;  donde  fue  el  Francês  vencido  y  muer- 
to,  y  toda  la  de  mas  gente  niuerta,  desbaratada  y  rendida,  y  echada 
a  fondo,  con  una  tan  gruessa  armada  de  63  nãos  de  alto  borde:  con 
que  no  solo  pensava  ser  socorro  y  conservacion  de  las  islãs,  pêro 
quitarles  remotamente  el  mar  a  los  Espanoles,  como  el  mesmo  Filipe 
Stroci  lo  escrivio  a  la  camará  y  regimienlo  de  la  ciudad  de  Angra: 
con  que  se  defendieron  y  pelearon  bravamente,  como  valientes  solda- 
dos, hasta  que  no  pudiendo  resistir  la  fúria  de  los  nuestros,  assi  los 
que  fueron  a  fondo,  como  los  muertos,  fueron  mas  de  mil  y  dozientos 
hombres,  y  muclios  mas  los  que  tuvieron  lugar  para  escapasle  huyen- 
do  en  sus  naves  rotas,  destroçadas,  y  quemadas:  sin  los  presos  y  ren- 
didos, de  quien  se  hizo  aquella  notable  justicia  en  médio  de  la  placa 
lie  Villafranca  de  la  islã  de  San  Miguel:  y  aunque  rigorosa  aí  pare- 
cer de  algunos,  fue  importante,  porque  en  algunas  ocasiones  deve 
ser  el  Capitan  general  áspero,  e  inexorable  executor  de  las  severas 
leys  de  la  guerra,  de  cuya  crueldad  piadosa  (que  assi  se  puede  11a- 
mar)  pande  la  salud  de  los  exércitos,  amparo  de  las  republicas,  y  la 
conservacion  de  los  estados.  Estas  vitorias  Navales  merecen  inmorlal 
renombre,  porque  (Como  dize  Vegecio  en  su  libro  de  las  cosas  de  la 
gueira)  ninguua  cosa  ay  mas  cruel,  y  digna  de  temerse,  que  la  batal- 
la de  mar,  donde  los  hombres,  sobrepujandose  a  si  mesmos  en  es- 
fuerço  y  osadia,  mueren  entre  el  fuego  y  el  agua.  Y  por  ser  poços 
los  navios,  con  que  el  Marques  en  aquella  coyuntura  se  bailava,  por 
non  aver  Negado  a  tiempo  la  armada  que  se  avia  juntado  para  esta 
jornada  en  el  Andaluzia,  de  diez  y  nueve  navios,  dos  galeones,  doze 
galeras,  y  dos  patajes,  y  por  estar  la  armada  dei  Marques  mal  para- 
da de  la  batalla,  y  con  mucha  gente  muerta  y  herida,  y  falta  de  pól- 
vora y  cuerda,  y  el  tiempo  muy  adelante,  y  porque  todas  estas  cau- 
sas estorvarou  el  desígnio  desta  empresa,  para  acabar  de  sujetar  y 
reduzir  aquellas  islãs  que  estavan  rebeldes,  haziendo  relacion  dei  es- 
tado destas  cosas  a  su  Magestad,  dexò  en  la  islã  de  San  Miguel  dos 
mil  y  quinientos  hombres  de  guarnicion,  a  cargo  de  Agustin  Ifiiguez 
de  Çarate,  Maestre  de  campo  de  aquella  islã,  y  tomo  la  buelta  de  la 
ciudad  de  Lisboa:  donde  llegò  a  15  de  Setiembre,  con  su  felice  y  vi- 
toriosa armada,  haziendo  salva  á  su  Magestad,  que  le  mirava,  con  or- 
denado y  agradable  estruendo  de  pieças  de  artilleria,  y  arcabuze- 
ria,  que  levanto  lo>  ânimos  de  los  hombres.  y  fue  recebido  con  aplau- 
so universal  de  aquella  ciudad,  y  de  Ioda  Espana.  A  quien  su  Mages- 
tad trato  con  su  Real  acogimiento,  honrandole  con  palabras  dignas  de 
tan  alto  Rey:  por  que  a  las  vitorias  se  le  siguen  las  gracias  y  honrai 
publicas:  y  mejorandole  despues  en  la  encomienda  mayor  de  Leon.  Y 
como  fuesse  de  tanta  importância  para  la  quietud  y  sossiego  de   los 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  237 

reynos  de  Portugal,  y  para  quietar  los  vários  desígnios  de  algunos 
reynos  estrangeros  de  dudosa  correspondência,  el  poner  fln  a  esta 
empresa,  con  mas  determinacion  y  cuydado  que  hasta  aqui,  y  allanar 
esta  gente,  y  poner  termino  a  las  insolências  y  ofensa  que  a  Dios  se 
liazia,  y  que  se  yva  cada  dia  mas  desenfrenando,  con  la  ordinária  co- 
municacion  de  los  estrangeros  que  receptavan,  alterando,  y  desassos- 
segando a  los  naturales  con  maios  consejos,  y  peores  obras,  mando 
su  Magestad,  que  se  aprestasse  otra  armada  para  el  ano  siguiente,  y 
que  a  entrada  de  Primavera,  el  Marques  saliesse  con  ella  a  allanar  la 
islã  Tercera,  con  las  de  mas  circunvezinas,  que  estavan  alteradas, 
que  eran  el  Fayal,  el  Pico,  la  Graciosa,  la  islã  de  san  Jorge,  y  de 
Flores,  y  la  dei  Cuervo.  Y  para  esto  se  juntaron  en  el  rio  de  Lisboa 
muchos  baxeles,  que  non  tanto  por  el  numero,  como  por  la  diversi- 
dad,  no  creo  que  se  aya  visto  semejante  armada  en  estes  reynos:  y 
por  esto  hare  brevemente  relacion  de  los  navios  que  hizieron  la  jor- 
nada, que  son  los  siguientes. 

Cinco  poderosos  galeones,  el  galeon  san  Martin,  que  es  la  Capita- 
na  desta  armada,  y  san  Filipe,  y  san  Francisco,  con  otros  dos  dei 
Marques:  nueve  naves  grandes  Arragocesas,  três  naves  Catalanas, 
três  Venecianas,  três  Genovesas,  una  Napolitana,  ocho  naves  de  Gul- 
puzcoa,  que  sirvieron  en  la  armada  passada  con  muchos  Vizcaynos,  y 
Guipuzcoanos,  gente  de  tolerância  y  tidelidad;  siete  naves  que  entra- 
ron  en  el  rio  de  Lisboa  por  fm  de  Mayo,  juntamente  con  las  ocho, 
tambien  Guipuzcoanas,  seys  patages  de  Guipuzcoa,  ocho  patages  de 
Castro,  quinze  zabras  de  Castro,  quatro  caravelones  Portugueses,  pa- 
ra llevar  cavallos,  nueve  caravelas  de  Alfama,  para  lo  mesmo,  siete 
barcas  chatas,  para  desembarcar  infanteria:  de  mas  de  otras  veynte  y 
dos  velas,  que  el  ano  passado  quedaron  en  la  islã  de  San  Miguel,  to- 
dos navios  grandes  y  fuertes,  y  bien  armados,  de  muchas  salmas,  al- 
gunos de  mas  de  mil  y  quinientas  toneladas,  y  el  menor  dellos  baxa- 
va  poço  de  quatrocientas.  Demas  desto  fueron  de  grande  ornamento 
y  fuerça  dos  galeaças  que  vinieron  de  Itália,  a  cargo  la  Capitana  de 
Juan  Ruyz  de  Velasco,  y  la  Patrona  de  Peruço  Morano,  gentiles  baxe- 
les de  remo  y  vela,  adornados  de  mucha  artilleria,  y  gente  de  guerra. 
Vinieron  juntamente  doze  galeras  Reales,  sacadas  dei  numero  de  las 
de  Espana,  a  cargo  dei  Capitan  Diego  de  Medrano,  soldado  de  mucha 
determinacion  y  esperiencia,  a  quien  su  Magestad  hizo  merced  dei 
abito  de  Santiago;  y  las  demas  galeras,  que  las  trayan  a  Cargo  Capi- 
tanes  exercitados  en  naval  diciplina:  y  todos  estos  baxeles  que  he 
referido,  seran  ciento  y  três.  Las  galeras,  venian  bien  armadas  y  pro- 
veydas  de  chusma,  marineria,  y  soldados  que  en  ellas  tienen  sus  pla- 
cas, y  muchos  pertrechos,  que  por  ser  ésle  camino  desusado  para 
galeras,  y  no  aver  sustentado  estos  mares  este  género  de  navios, 
por  ser  baxos  de  costado,  largos,  celosos,  y  propios  para  costas,  es 
cosa  para  estimarse  cada  dia  en  mas  los  ânimos  de  los  Espanoles, 

N.°  21-Vol.  1V-J882.  9 


Í2l58  AKCHIVO   DOS  AÇOHES 

que  siempre  con  nueva  osadia  y  esperiencia  de  constantes  pechos, 
van  acrecentando  su  nonbre:  demas  de  que  el  ano  passado  se  avia 
intentado  esta  carrera,  y  para  ello  don  Alonso  de  Baçan,  trayendo  a 
su  cargo  la  armada  dei  Andaluzia,  de  que  se  ha  hecho  memoria,  con 
gran  diligencia  y  solicitud  apresto  ocho  galeras,  y  ias  puso  en  derro- 
ta desde  la  baya  de  Lagos,  bien  reparadas  y  prevenidas,  para  qual- 
quier  sucesso,  y  no  pudieron  passar  adelante  por  la  aspereza  de  los 
mares,  y  contrario  tiempo  que  les  hizo:  que  no  dio  poço  temor  enton- 
ces  ver  estos  baxeles  tan  largos,  que  muchas  vezes  se  sumergian  has- 
ta el  arbol  en  aquellas  sobervias  ondas  dei  Oceano,  y  los  remeros 
de  proa  hasta  la  mediania,  quedavan  banados  dei  agua  salada  que  se 
agotava  por  las  rejolas  de  las  galeras:  negocio  que  parecia  impossible 
poderse  hazer  jornada  en  ellas,  no  porque  el  uso  de  las  naves  largas 
con  remos  no  aya  sido  muy  antiguo  en  la  mar,  que  desde  el  navio  lla- 
mado  Argos  tienen  su  principio.... 

Foi.  13  v.°)  «...diferente  cosa  de  la  navegacion  deste  hinchado  gol- 
fo de  las  Yeguas,  que  aun  para  navios  redondos  y  veleros  es  espanto- 
so. Y  entretanto  que  llegava  el  tiempo  para  que  á  toda  la  infauteria, 
que  por  las  ordenes  dei  Marques  se  esperava  se  les  diesse  embarca- 
cion,  se  cargaron  los  bastimentos  en  general,  con  las  prevenciones  de 
municiou  que  se  podian  ofrecer,  tiniendo  en  todo  la  providencia  ne- 
cessária, Y  porque  en  las  jornadas  que  se  hazen  por  tierra  de  ene- 
migos.  no  solamente  suelen  cegar  las  fuentes,  pozos,  cisternas,  y  a- 
tossigar  las  aguas,  pêro  agostan  los  campos,  destruyendolos,  y  dexan- 
do  de  sembrar  las  tierras,  encerrando  con  tiempo  en  sus  fuertes,  o 
lugares  cercados  y  fortificados,  todos  los  frutos,  y  mantenimientos  que 
pueden  para  sustentarse,  y  que  quando  el  enemigo  llégue,  no  hálle 
cosa  de  que  pueda  aprovecharse  para  refugir»  de  su  necessidad:  assi 
previniendo  el  Marques  a  esto,  se  entregaron  a  los  oficiales  de  las 
naves  seys  mil  sacos,  cinco  mil  mochilas,  y  quatro  mil  odrezillos,  pa- 
ra Nevar  consigo  cada  uno  vino  y  agua,  y  otras  cosas  menudas,  pa- 
ra remediar  la  presente  necessidad  de  los  soldados. 

LIegó  el  Maeslre  de  campo  general  don  Lope  de  Figueroa  con  su 
tercio  a  la  ciudad  de  Lisboa,  y  luego  se  dio  orden  para  que  todas  las 
companias  se  embarcassen,  y  assi  se  embarco  don  Lope  con  el  tercio 
de  três  mil  y  quinientos  y  ochenta  y  dos  hombres:  y  luego  don  Fran- 
cisco de  Bobadilla  con  su  tercio  de  dos  mil  y  quinze  soldados.  Y  de 
las  companias  que  salieron  dei  Castillo  de  Lisboa,  a  cargo  de  don 
Juan  de  Sandoval,  por  Maestre  de  campo  delias,  se  embarcaron  sete- 
cientos  y  setenta  y  nueve  soldados,  demas  de  quatro  companias  de 
Andaluzia,  de  dozientos  y  onze  soldados,  y  mas  quinientos  y  quaren- 
ta y  dos  hombres,  que  vinieron  de  la  ciudad  de  Oporto,  y  três  com- 
panias Italianas,  que  venian  en  la  galeaça  Capitana,  con  dozientos  y 
catorze  soldados:  y  el  Conde  Geronymo  de  Lodron,  Coloner  de  mil  y 
setecientos  y  veynte  y  cinco  infantes:  que  sou  por  todos  nueve  mil  y 


ARCHIVO  DOS  AÇOKES  259 

dozientos  y  sesenta  y  dos,  y  jnnlandolos  con  dos  mil  y  trezienlos  solda- 
dos dei  lercio  dei  Maestre  de  campo  Agiislin  Iniguez,  que  quedaron  pa- 
ra servir,  de  los  que  dexó  el  Marques  el  ano  passado  en  la  Islã  de  San 
Miguel,  y  se  hallaron  en  la  balalía,  seran  por  todos  onze  mil  y  qui- 
nientos  y  s^^.senta  y  dos,  repartidos  en  setenta  y  una  vanderas,  demas 
de  la  companhia  dei  capitan  dou  Félix  de  .\ragon,  de  soldados  Portu- 
gueses aventureros,  y  gente  luzida,  que  venian  a  su  costa  en  la  nave 
Santa  Maria  de  Iciar,  y  eran  ciento  y  treynta  hombres:  y  fuera  desto, 
cincuenta  cavalleros  particulares,  ochenta  y  seys  personas  entreteni- 
das,  sin  la  gente  de  mar  de  los  galeones,  nãos,  galeras,  y  galeaças, 
y  otros  baxeles,  que  serian  três  mil  y  ochocientos  y  veynte  y  três, 
con  baslimentos  para  cinco  meses. 

La  mayor  parte  desta  infanteria  era  escogida,  por  ser  gente  exer- 
citada, y  soldados  viejos,  diestros,  y  bien  disciplinados  y  entre  ellos 
mil  y  dozientos  y  quarenta  mosqueteros  Espanoles,  que  poças  vezes 
se  han  visto  juntos  en  tanto  numero;  y  los  mas  de  los  Capitanes  se- 
nalados,  pur  averse  bailado  en  muchas  ocasiones  en  servicio  de  su 
Magestad,  assi  en  Itália,  como  en  los  estados  de  Flandes,  rauy  luzidos 
en  los  adereços  de  sus  personas,  y  en  todas  armas,  en  lo  que  a  cada 
uno  le  tocava:  y  en  lodo  avia  el  Marques  proveydo  con  tanta  conside- 
racion,  que  demas  de  las  armas  que  la  infanteria  llevava,  le  parecio 
embarcar  otras  muchas  de  respeto,  y  con  ellas  las  municiones  sigui- 
entes. 

Ochocientos  y  dos  quintales  de  pólvora,  en  todas  las  naves,  pata- 
ges,  galeras,  y  zabras,  trezientos  y  seys  quintales  de  piomo,  sesen- 
ta y  ires  barriles  de  balas  de  arcabuz,  y  de  mosquetes,  dos  mil  y 
dozientos  y  cincuenta  quintales  de  cuerda,  quatrocientos  y  seys  arca- 
buzes, con  sus  adereços,  quatrocientas  y  ochenta  y  quatro  picas,  mas 
de  dozientos  mosquetes.  Todas  estas  armas  fueron  embarcadas  en  três 
naves,  de  mas  de  la  pólvora  y  municiones  que  avia  en  la  islã  de  San 
Miguel,  de  que  adelante  se  haze  memoria. 

Yva  en  esta  real  armada,  en  un  galeon  que  se  acabo  de  armar 
en  el  rio  de  Lisboa,  de  que  he  hecho  mencion,  don  Pedro  de  Toledo 
Marques  de  Villafranca,  hijo  dei  famoso  don  Garcia  de  Toledo,  Capi- 
tan general  de  la  mar,  que  assi  en  la  naval,  como  en  toda  militar  di- 
ciplina,  dexó  ai  mundo  un  exemplo  de  valor  e  industria.  En  el  galeon 
capitan  venian  don  Pedro  de  Padilla,  comendador  de  Medina  de  las 
Torres,  de  la  orden  de  Santiago,  cavallero  de  esfuerço  y  consejo,  Go- 
vernador y  Capitan  general  de  Oran,  don  Luys  de  Borja,  hijo  (iel  Du- 
que de  Gandia,  don  Alonso  de  Idiaquez,  de  la  orden  de  Santiago,  hi- 
jo de  don  Juan  de  Idiaquez,  dei  Consejo  de  estado  de  su  Magestad,  y 
que  sucedio  ai  Marques  en  la  encomienda  mayor  de  Leon,  don  Pedro 
Ponce  de  Leon,  sobrino  dei  Marques,  de  la  orden  de  Calatrava,  dun 
Filipe  de  Córdova  de  la  orden  de  Santiago,  hijo  de  don  Diego  de  Cór- 
dova, primer  cavallerizo  de  su  Magestad;  don  Luyz  de  Sandoval,  co- 


260  ARCHIVO   DOS   AÇORES 

mendador  de  Puerto  llano,  sobrino  dei  Marques  de  Denia,  el  Conde 
de  Villafranca  en  el  Reyno  de  Portugal,  con  su  hijo  segundo,  don 
Jorge  Manrique,de  la  orden  de  Santiago,  veedor  general  desta  armada, 
don  Juan  de  Sandoval,  comendador  de  Carrion,  de  la  orden  de  Cala- 
trava,  hermano  dei  Marques  de  Denia,  don  Francisco  Pernot,  comen- 
dador de  Esparragosa  de  Laris,  sobrino  dei  Cardenal  Granvela,  don 
Pedro  Ponce  de  Leon,  Marcelo  Caracciolo,  cavallero  dei  reyno  de  Ná- 
poles, don  Alonso  de  Carvajal,  hijo  dei  Conde  dei  Villar,  Virrey  dei 
Pyru,  don  Godofre  de  Mendoça,  comendador  de  Guadalherze,  de  la 
orden  de  Calatrava,  a  quien  su  Magestad  hizo  despues  merced  dei  ti- 
tulo de  Conde  de  Lodosa,  don  Rodrigo  Manrique,  don  Alonso  de  Ro- 
jas don  Garcia  de  Cotes,  don  Francisco  de  Guzman,  don  Juan  de  Cas- 
telvi,  criado  de  su  Magestad,-  de  la  orden  de  Calatrava,  don  Alonso 
de  Torres,  fidalgo  dei  Reyno  de  Portugal.  Vénia  en  esta  armada  don 
Juan  de  Benavides  Baçan,  sobrino  dei  Marques,  Doctor  en  santa  Theo- 
logia,  Chantre  y  Canonigo  de  Salamanca,  y  administrador  dei  hospital 
y  enfermeria  deste  exercito,  con  titulo  de  inquisidor,  a  quien  despues 
se  le  hizo  merced  de  capellan  mayor  de  la  capilla  Real  de  Granada; 
don  Christoval  de  Erasso,  cavallero  de  la  orden  de  Santiago,  muy  ex- 
perimentado en  mar  y  gueria.  Capitan  general  en  la  carrera  de  las 
índias,  Juan  Martinez  de  Recalde,  dei  habito  de  Santiago,  a  quien  su 
Magestad  hizo  merced  dei  cargo  de  los  galeones,  que  andan  en  guar- 
da de  las  costas  de  Espana,  y  navegacion  de  las  índias,  Juan  de  Hor- 
bina,  cavallero  de  la  orden  de  Santiago,  el  Capitan  Juan  Venegas 
Quixada,  teniente  de  Capitan  general  dei  artilleria,  don  Gabriel  de 
Lupian,  cavallero  de  Cataluna,  cuya  es  la  galera  Lupiana,  don  Hugo 
de  Moncada,  hijo  dei  Conde  de  Aytona.  deí  habito  de  Santiago,  sin  o- 
tros  muchos  cavalleros,  cuyos  nombres  no  escrivo,  porque  en  el  dis- 
curso desta  historia  se  haze  relacion  dellos  en  muchas  ocasiones,  pues 
es  justo  que  se  nombren  los  que  en  servicio  de  Dios  y  de  su  Rey  ha- 
hazen  en  la  guerra  lo  que  deven. 

Para  que  brevemente  se  levasse  esta  armada,  y  todos  se  alistas- 
sen,  el  Marques  mando  que  las  naves  saliessen  a  vista  de  Belen,  que 
será  media  légua  de  Lisboa,  para  que  alli  se  tomasse  muestra  y  se 
acabasse  de  aprestar  lo  necessário.... 

Foi.  18  v.°)  «Y  para  el  buen  govierno  dei  que  tenemos  delante 
dio  el  Marques  estas  ordenes  y  breves  instruciones,  sacadas  dei  nu- 
mero de  las  militares,  y  de  la  prudência  legal,  para  que  assi  la  gen- 
te de  guerra,  como  la  de  mar,  se  rigiesse  y  governasse  por  ellas. 
Que  todos  los  soldados  y  personas  que  vau  en  el  exercito,  sirvan  y 
acudan  debaxo  de  sus  vanderas  que  les  han  senalado,  sin  salir  de  la 
orden  que  se  les  diere,  a  pena  de  ser  castigados  a  arbítrio  dei  Mar- 
ques. 

Y  supuesto  que  el  fin  de  las  leyes  y  constituciones  bien  ordena- 
das, es,  que  Dios  con  culto  decente  sea  reverenciado,  pues  el  arte  de 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  261 

la  guerra  eslá  en  obedecer  a  Dios,  y  armas  sin  Dios,  no  venceu,  y 
con  el  miedo  de  las  penas  se  refrenen  los  atrevimientos  de  los  hom- 
bres,  y  que  la  inocência  entre  los  maios  biva  con  seguridad,  y  la  in- 
solência de  los  atrevidos,  y  el  uso  que  tienen  de  delinquir,  se  dome 
con  el  espantoso  castigo,  comiença  desta  suerte  la  primera  orden. 

Que  ningun  soldado  se  descomponga  en  obra.  ni  en  palabra.  en 
desacato  de  Dios  nuestro  senor.  ni  de  la  Santa  íglesia,  y  ministros 
deila,  a  pena  de  ser  gravissimamente  castigado. 

Que  ningun  soldado  reniegue,  ni  blasfeme  dei  nombre  de  Dios  nu- 
estro sefior,  ni  de  su  benditissima  Madre,  y  el  que  tal  hiziere,  sea 
castigado  a  quatro  anos  de  galera. 

Que  ningun  soldado  entre  con  violência  en  los  templos  ni  monas- 
terios,  ni  toque  a  la  sagrada  custodia  dei  santíssimo  Sacramento,  ni 
relicários  ni  imagines,  so  pena  de  la  vida. 

Que  ningun  soldado,  de  qualquier  calidad,  sea  osado  a  renir  pen- 
dência vieja,  ni  avengar  injuria  que  otro  le  aya  hecho  por  lo  passado, 
durante  la  jornada,  y  un  mes  despues.  a  pena  de  la  vida. 

Que  ningun  soldado  cambie  armas,  sino  que  sirva  con  las  que  le 
han  pagado,  ai  que  pica,  pica,  ai  que  arcabuz,  arcabuz,  sin  aver  pri- 
mero  licencia  para  ello,  so  pena  de  que  será  castigado. 

Que  ningun  soldado  se  desmande,  ni  aventaje.  sin  orden  de  Ia 
cabeça  que  Ilevare,  sino  seguir  sus  capitanes  con  grau  orden,  a  pena 
de  que  será  castigado. 

Que  ningun  soldado  vaya  amancebado  en  el  armada,  a  pena  de 
galera,  y  a  ella  cien  açotes  en  torno  dei  armada. 

Que  ningun  soldado  grite,  pidiendo  picas,  ni  cuerda,  ni  diziendo 
que  se  le  ba  acabado  la  pólvora,  sino  que  lo  diga  a  los  oficiales  que 
Ilevare,  ni  soldado  passe  palabra,  sino  fuere  por  orden  de  su  Maes- 
tro de  campo,  o  Capitan  que  Ilevare,  por  la  confusion,  y  ser  causa  de 
desordenes  por  un  soldado  mal  entendido,  so  pena  de  galeras. 

Que  ningun  soldado  juegue  los  vestidos,  ni  armas,  ni  juegue  so- 
bre su  palabra,  a  pena  de  três  anos  de  galeras. 

Que  ningun  soldado  pida  licencia  para  passarse  a  otra  compaiiia 
durante  la  jornada. 

Que  ningun  soldado  se  retire  estando  peleando,  diziendo  que  le 
falta  algo,  a  pena  de  galera,  y  que  ai  herido,  que  lo  retire  uno  solo 
hasta  el  agua,  y  que  los  marineros  lo  recojan.  y  que  el  soldado  bu- 
elva  a  pelear. 

Que  todos  los  Capitanes  lleven  por  escrito  la  orden  que  han  de 
tener.  y  que  no  salgan  delia  sin  orden  dei  Marques,  y  dei  Maestro  de 
campo  general,  y  de  los  Maestros  de  campo,  sucediendo  diferentes  las 
cosas  de  la  orden  que  llevan:  dexando  en  su  fuerça  las  leyes  dei  de- 
recho  comun.  que  tratan  de  las  cosas  de  la  guerra,  que  el  Auditor 
usará  de  ellas  conforme  a  la  diversidad  de  los  casos,  ya  su  tiempo  y 
lugar.  Y  despues  desta  se  les  dio  a  la  gente  de  mar  otra  orden.  para 


262  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

(]ue  la  guardassen,   por  ser  importante  para  la  biiena  governacion  de 
la  armada,  que  dezia  desta  manera. 

La  orden  que  es  mi  voluntad  guardeys  y  cumplays  todos  los  Ca- 
pilanes,  maestres  y  oficiales  de  las  nãos,  que  van  en  esta  felice  ar- 
mada de  su  Magestad,  que  Dios  conserve  y  dê  vitoria,  que  os  man- 
do que  no  salgays  delia,  ni  por  descuydo  se  déxe  de  cumplir. 

Que  quando  el  galeon  San  Martin,  en  que  va  mi  persona,  y  va 
por  Capitan  desta  armada,  hiziere  sena!  con  una  pieça  de  artilleria, 
que  será  ssnal  de  partir,  os  apercebireys,  de  manera  que  en  tocando 
la  trompeta,  lo  hagays,  sin  perder  tiempo. 

Que  ninguna  nao  passe  adelante  de  la  Capitana  de  dia  ni  de  no- 
che,  sino  que  tenga  cuenta  con  el  veleja-,  y  que  cada  dia  a  la  tarde 
Teguen  a  tomar  orden  y  nombre  a  la  Capitana,  y  para  entender  si  se 
les  ha  de  ordenar,  o  mandar  alguna  cosa:  y  que  no  se  embaraceo 
unas  con  otras.  pues  saben  el  inconveniente  que  es  desaparejarse,  o 
hazerse  otro  dano:  y  si  por  caso  forçoso,  no  pudiere  tomar  nombre, 
sea  el  suyo  Santiago  de  Kspana:  y  que  no  se  tire  pieça  de  artilleria 
ai  tomar  dei  nombre: 

Y  si  a  caso  (lo  que  Dios  no  permita)  corriere  algun  tiempo  fortui- 
to, tenga  cuenta  con  la  Capitana,  que  pondra  de  mas  de  su  fanal  or- 
dinário, otro,  y  si  cambiare  de  camino.  pondra  dos  fanales  mas  dei 
ordinário,  y  tirará  una  pieça,  que  en  este  tiempo  tendra  três  fana- 
les: y  quando  los  lleváre,  cada  nave  pondra  una  lanterna,  en  parte 
que  se  pueda  ver,  por  el  peligro  de  envestirse,  y  no  pudiendo  dar 
vista  a  la  Capitana,  bolviendo  el  tiempo  a  lo  bueno,  bolvera  a  lomar 
su  derrota  y  camino,  que  de  antes  llevava  ordenado  de  la  Capitana: 
y  no  lo  bailando,  yrá  siguiendo  su  viaje  y  derrota  a  la  islã  de  San  Mi- 
guel, haziendo  siempre  buena  guardiã  por  la  mar. 

Que  quando  el  galeon  Capitana  pusiere  vandera  quadrada  en  el 
castillo  de  proa,  vengan  todos  los  maestres  ai  galeon  con  las  barcas, 
y  no  haziendo  tiempo,  y  aviendo  mar,  vengan  a  parlamento. 

Que  cada  nave  Neve  siempre  de  dia  e  de  noche  su  gente  en  la 
gavia,  para  descubrir  los  navios  y  hagíin  senal  con  una  vandera,  há- 
zia  donde  los  descubrieren:  y  siendo  armada  gruessa  la  que  descu- 
brieren,  hagan  senal  con  dos  vanderas,  y  cada  nave  baga  la  mesma 
senal,  para  que  venga  a  noticia  de  la  Capitana,  y  de  todas  las  de- 
mas. 

Que  en  caso  de  necessidad  se  haga  seiial  con  alguna  pieça  de  ar- 
tilleria, três  vanderas  de  dia,  y  de  noche  con  três  lumbres  y  una  pie- 
ça, de  manera  que  se  pueda  ver  y  entender,  y  esta  sea  la  seiial,  y 
se  dará  orden  de  socorrer  su  necessidad,  procurando  arribar  la  buel- 
la  de  la  Capitana:  y  no  pudiendo  arribar  sobre  la  dicha  nao  que  tal 
necessidad  tuviere,  las  nãos  que  mas  cerca  se  hallaren  delia,  la  favo- 
rezcan  y  socorran,  hasta  que  la  Capitana  llegue,  porque  en  el  camino 
se  les  ordenará  la  forma  en  que  se  han  de  poner. 


ARCHIVO  DOS  AGOKES  263 

Que  aviendose  de  pelear,  han  de  lener  ciienla  coii  lo  ordinário 
que  se  suele  liazer,  de  apercebir  sus  iombarderos,  y  baldes,  y  medi- 
as botas,  con  agua  y  vinagre,  como  es  costunbre,  con  todos  los  demas 
reparos  que  se  hazen,  assi  dei  faxamento  de  las  nãos,  vonetas.  y  ve- 
las viejas,  y  mantas  mojadas.  para  la  defensa  dei  fuego  que  se  suele 
arrojar,  mandando  assi  mesmo,  que  ninguna  persona.  de  qualquier 
calidad  que  sea.  ni  Capitan.  Alferez,  ni  Sargento,  se  vaya  abaxo  ai  ti- 
empo  dei  pelear,  con  achaque  de  la  artilleria,  sino  que  este  cada  uno 
eu  el  lugar  que  le  toca,  pues  en  el  artilleria  ha  de  aver  persona  di- 
putada  para  aquello,  y  aquella  residerá  y  assistirá  con  la  artilleria. 

Que  se  tenga  gran  cuenta  con  el  fuego. 

Que  si  surgiere,  o  ancoráre  en  alguma  parte,  no  salga  nadie  en 
tierra,  ni  vaya  barca,  ni  batel,  ni  otro  género  de  barco  en  tierra.  sin 
licencia  de  la  Capitana. 

Que  todos  vayan  en  paz  y  concórdia,  y  no  se  rebuelvan  unos  con 
oiros,  ni  causen  rumor  ni  alteracion,  que  es  de  gran  inconveniente, 
ni  nadie  eche  mano  a  ningun  género  de  arma  en  el  navio  que  fuere, 
so  pena  de  muerle,  ni  los  soldados  se  empachen  con  los  marineros. 
ni  con  la  gente  mareante. 

Assi  mesmo  ordeno  y  mando,  que  en  el  tomar  de  las  raciones,  de- 
xen  los  soldados  darias  a  los  que  llevan  a  su  cargo  las  vituallas,  sin 
que  baxen  a  las  tomar  ni  escoger  por  fuerça,  como  otras  vezes  lo 
han  hecho,  y  para  esto  se  halle  el  Sargento,  o  algun  Cabo  de  esqua- 
dra de  las  dichas  conpanias,  por  que  no  se  haga  algun  desconcierto. 

Todo  lo  qual  aveys  de  guardar  y  cumplir,  por  lo  que  os  es  caro 
el  servicio  de  su  Magestad,  so  pena  de  ser  muy  bien  castigados,  ca- 
da uno  segun  su  calidad  y  delito. 

Y  aviendo  ya  passado  dos  dias,  que  fue  tiempo  que  las  galeras  vi- 
niessen.  para  juntarse  con  los  navios,  y  salir  en  conserva  con  esta 
Real  armada,  el  Sereníssimo  Cardenal,  Archiduque  Alberto,  llegó  en 
la  galera  Real  a  ver  la  armada  y  gente,  y  con  su  felicíssima  llegada 
confirmo  en  los  ânimos  de  todos  las  esperanças  dei  buen  sucesso,  y 
otro  dia  siguiente  por  la  manana,  que  fue  vispera  de  San  Juan.  (23  de 
Junho)  bolvio  en  la  mesma  galera,  acompanado  con  el  Duque  de  Gan- 
dia,  Capitan  general  dei  Reyno  de  Portugal,  y  despidio  esta  armada  y 
exercito,  con  la  bendicion  de  Dios,  concediendo  gracias  y  perdones  en 
nombre  de  su  Santidad.  Y  assi  el  mesmo  dia  salio  el  armada  de  la  bar- 
ra, con  levante  fresco  en  popa;  y  tendidas  las  velas  de  los  navios  yvan 
nadando,  con  aquella  seneridad  y  gallardia.  que  los  antiguos  juzgavan 
por  buen  aguero,  y  senal  prospera  de  salud  y  felicidad.  como  por  es- 
to geroglifico  se  denotava  en  Ia  moneda  dei  Èmperador  Adriano.  Es- 
forço este  viento  fresco  hasta  médio  dia.  que  casi  no  duro  mas  de  1(» 
que  se  pudo  tardar  en  salir  de  la  barra,  con  que  todas  las  naves  sa- 
lieron.  sino  fue  una  levantisca  dei  Capitan  Rusco  de  Marco,  que  poi 
aver  tocado  en  los  cachopos,  no  quedo  para  poder  proseguir  su  viaje: 


264  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

y  assi  bolvio  ai  rio  de  Lisboa  a  repararse.  Aqueila  noche  primera  uvo 
calma,  y  por  no  poder  seguir  la  armada  camino  largo,  por  defelo  de 
liempo,  amanecio  cerca  dei  cabo  de  la  Roca.  Luego  el  dia  signiente  de 
san  Jaan  {25  de  Junho)  uvo  liempo  maestral,  que  hizo  alargar  la  arma- 
da, comoquin^e  léguas,  llevando  la  proa  por  Poniente  leveche,  y  a  los 
veynte  y  seys  (26)  dei  mes,  navegando  con  viento  mas  largo,  y  corrien*- 
do  con  norte,  duro  toda  aqueila  noche,  y  amanecio  el  dia  con  el  mesmo 
tiempo,  y  por  aver  tomado  fuerças  la  noche  siguiente, (27)  con  mas  vien- 
to dei  que  hasta  eritonces  avia  corrido,  amanecio  el  armada  desparzida, 
y  el  navio  de  António  Ronco  vino  a  perder  el  timon,  y  fue  necessário 
passar  la  infanteria  a  la  nao  Juliana,  y  a  los  patages:  y  le  fue  forçoso 
ai  Marques,  rebolver,  llevando  por  delante  la  galeaça  Patrona,  y  re- 
coger  la  armada,  y  entretenerse:  aunque  no  se  perdia  jornada,  hasta 
dexar  alijada  y  sin  gente  la  dicha  nave,  Mamada  Santa  Maria  de  la 
Gosta,  para  que  tomasse  la  buelta  de  Lisboa  (si  pudiesse)  y  visto  que 
las  galeras  seguian  bien  su  viage,  y  que  navegáran  mas,  si  no  se  les 
uviera  dado  orden  que  fuessen  en  conserva  con  la  armada,  luego  a 
instancia  dei  Capilan  Medrano,  les  dio  el  Marques  licencia  para  que 
se  alargassen,  y  hiziessen  su  viage  a  la  islã  de  San  Miguel,  y  assi 
tomaron  su  derrota,  y  navegavan  de  suerte,  que  dentro  de  poço  espa- 
cio  de  tiempo  se  perdieron  de  vista,  y  la  armada  de  alli  adelante  fue 
siguiendo  su  viage,  con  vientos  escassos,  hasta  que  eu  Miercoles,  seys 
1^6')  de  Jiilio.  se  descubrio  la  islã  de  S.  Miguel,  por  la  parle  dei  Norte,  y 
el  dia  siguiente,  estuvo  la  armada  cerca  de  Punia  Delgada,  y  anduvo 
varloventeando  hasta  los  catorze,  (14)  que  surgio  el  Marques  en  la 
villa  de  Villafranca,  con  ocho  navios,  porque  el  resto  avia  surgido  a 
vista  de  Punia  Delgada,  que  está  Ires  léguas  de  distancia  por  la  mar: 
y  por  aver  corrido  viento  Pouiente,  a  (juien  los  dei  Mar  Oceano  lla- 
man  Ueste.  fue  forçoso  estar  en  este  puerto  la  armada,  por  ao  ser  ti- 
empos  a  propósito  para  yr  a  la  Tercera,  y  entre  tanto  se  fue  reha- 
ziendo  de  agua,  y  de  las  demas  cosas  necessárias. 

Reforçose  aíguna  gente  por  los  lugares  desta  islã  de  San  Miguel, 
que  es  de  muy  buena  vista  y  agradable  a  los  ojos  la  monlea,  y  dis-- 
posicion  de  su  assiento  y  casas.  Hallaronse  bueuos  refrescos  y  agua; 
y  la  islã  es  muy  grande,  que  lendra  de  largo,  de  Levante  a  Ponien- 
te, cerca  de  diez  y  seys  (^^)  léguas,  desde  cabo  de  Muro  hasta  monte 
Gordo,  y  de  ancho  en  algunas  partes,  será  lo  mas  quatro  (4)  léguas,  co- 
mo en  el  parage  de  Villafranca,  y  en  otras  dos  (2)  léguas,  como  en  el 
derecho  de  la  ciudad  de  Punia  Delgada:  y  finalmente  lendra  Ireynta  y 
ocho  (38)  léguas  de  circuylo.  La  parte  que  mira  ai  Mediodia,  es  muy 
fértil, y  mas  habitada,  porque  por  la  parte  dei  Setenlrion,  aunque  el  si- 
tio de  la  poblacion,  que  llaman  la  Ribera,  es  grande,  tiene  poça  ve- 
zindad.  La  parte  que  buelve  ai  Auslro,  començando  dei  Levante,  y 
dei  cabo  que  llaman  el  Morro,  corriendo  la  costa  hasta  Poniente,  tie- 
ne  diversas  habitaciones.   La  primera  es  la  villa  de  Villafranca,  que 


ARCHIVO  DOS   AÇORES  265 

está  veyiite  y  cinco  millas  dei  .Morro,  lugar  de  quinientas  casas.  Otra 
se  llama  Agua  de  Paio,  la  tercera  la  Laguna,  todos  lugares  de  poços 
moradores.  La  quarta  es  la  ciudad  que  se  dize  Punta  Delgada,  mayor 
que  los  demas  lugares,  que  tiene  un  pequeno  fuerte  a  la  parte  dei 
Poniente,  y  algunos  cabos  o  promontórios,  como  Punia  de  Garça,  y 
otros,  hasta  Pufiete,  donde  los  Franceses  en  el  ano  antes  desembar- 
caron,  para  saquear  la  islã.  En  el  ano  de  mil  y  quinientos  y  veynte  y 
uno  (aliaz  1522)u\o  tanta  inundacion,  que  procedio  dei  agua  de  una 
montafia,  que  anegó  el  puebio  de  Villafranca,  con  muerte  de  cinco  mil 
personasry  elanode  mil  y  quinientos  ysesenta  y  s\ele.i aliaz  lõ6S)reben- 
taron  en  dos  lugares  desta  islã  dos  montafias,  con  grande  estampido,  y 
salio  delias  un  rio  de  fuego  házia  la  mar,  arrojando  por  unas  partes  y 
otras  canlidad  de  piedra  pomez.  que  aun  aora  se  halla  por  muchos  lu- 
gares, y  lanço  por  la  vanda  de  la  mar  un  terremoto  tau  grande  y  es- 
p.iutoso  de  ceniza,  que  reprimio  toda  aquella  parte  de  la  ribera,  y  se 
consolido  y  continuo  con  la  tierra,  por  ser  aquel  suelo  cavernoso,  y 
dar  lugar  ai  ayre,  para  que  entre  facilmente  por  el,  que  este  espiritu 
levanta  llama  por  las  partes  donde  ay  matéria  de  sufre,  o  otro  be- 
tun  combustible.  Y  assi  se  hallan  en  esta  islã  algunas  aguas  hervien- 
tes  de  olor  de  sufre,  y  unas  aberturas,  o  voragines,  que  contino  hi- 
erven  con  espantoso  estruendo  interior:  cimo  se  dize  dei  monte  Etna: 
y  aun  lienese  por  cosa  cierta,  que  las  aves  que  passan  por  cima 
caen  muertas,  como  los  antiguos  dizen  dei  lago  Averno.  Avrá  en  es- 
ta islã  mas  de  dos  mil  vezinos,  y  hombres  de  mucho  trabajo:  tienen 
hermosas  campinas  de  trigo,  y  pastel:  labrase  algun  açúcar,  y  cose- 
cba  de  miei,  y  frutas  de  la  tierra  y  huerlas  de  pie.  Ay  abundância  de 
ganados,  principalmente  de  ganado  mayor,  que  es  de  buen  manleni- 
miento,  porque  el  carnero  es  duríssimo,  y  de  mal  nutrimento:  ay  mu- 
cha  caça.  En  todas  estas  islãs  jamas  se  han  bailado  serpientes,  ni  es- 
corpiones,  ni  otros  animales  ponçoiíosos  de  qualquier  calidad  .... 

Foi.  25  v.°)  '<  .  .  .  Tiene  buenas  aguas  claras  y  delgadas  ay  falta 
de  piedra  para  labrar  la  cal,  importantíssimo  material  para  edifícios. 
En  frente  de  Villafranca  está  un  isleo  bueco  a  mil  passos,  que  despe- 
jando su  entrada,  y  limpiandola,  podrian  seguramente  invernar  algu- 
nas galeras  en  un  seno  que  se  baze  de  mar  en  aquel  médio.  Enfren- 
te de  la  costa  de  .Mediodia  desta  islã,  seys  léguas  de  distancia,  fue  la 
vitoria  que  el  ano  passado  uvo  el  Marípies,  quando  desbarato  y  rindio 
toda  la  armada  de  Framfia,  como  ai  principio  se  hizo  memoria. 

Luego  fue  et  Veedor  general  desta  armada  y  exercito  delante  en 
una  falua  a  t(»mar  muestra  ai  tercio  dei  Maestro  de  campo  Agustin 
Iniguez,  y  a  prevenir  la  embarcacion  en  las  doze  galeras,  que  avian 
llegado  a  la  ciudad  de  Punta  Delgada,  y  en  otra  barca  yva  juntamente 
con  el  Miguel  de  Aguirre,  contador  desta  armada  y  exercito,  y  vee- 
dor de  la  artilleria,  y  el  capitan  Juan  Venegas  Quixada,  a  prevenir  el 
artilleria,  y  mulas,  para  tirar  lo?  perlrechos.  y  para  llevar  y  guiar  las 

N°  21-Vol.  IV.— 1882.  10 


Í2i66  ARCHIVO  DOS  AÇOKES 

municiones  y  maestrança,  y  aprestar  las  barcas,  y  otras  cosas  impor- 
tantes para  esta  jornada.  Saludaron  las  galeras  con  gran  regozijo  ai 
•Marques  con  mucha  artilleria,  y  fue  grande  el  contentamiento  que  re- 
cibio  de  verias,  por  aver  llegado  buenas  y  sin  lesion,  ni  desgracia, 
cosa  de  que  se  deven  dar  infinitas  gracias  a  Dios,  que  en  tan  gran- 
de armada,  y  de  tanta  gente,  y  en  navegacion  (aunque  no  muy  larga) 
peligrosa,  assi  por  la  hinchazon  de  los  mares,  como  por  los  inconve- 
nientes de  las  penas,  no  aya  ávido  menoscabo  en  la  salud  de  la  gen- 
te, y  en  la  sanidad  de  los  baxeles,  demas,  de  la  quietud,  sossiego,  y 
paz  universal  que  uvo,  assi  entre  soldados,  como  en  la  demas  gente 
de  mar,  que  desde  que  se  hizo  justicia  de  un  hombre  en  el  rio  de 
Lisboa,  a  vista  de  toda  la  armada,  por  aver  muerto  a  otro  en  su  na- 
vio, no  forçado  ni  compelido  por  ley  de  guerra,  sino  voluntariamente, 
cosa  que  con  mucho  rigor  se  castigava  en  los  exércitos,  conforme  ai 
rescriplo  dei  divo  Trajano,  no  se  procedio  en  toda  esta  jornada  con- 
tra persona  alguna  delia,  ni  consto  de  delito,  que  es  dichosa  suerte, 
y  aun  cosa  gloriosa,  regir  una  ciudad,  o  un  exercito,  con  tanta  quie- 
tud, que  no  aya  necessidad  de  pena  ni  castigo,  y  que  no  se  oyan  tor- 
mentos, ni  lamentaciones  de  delinquentes,  y  esto  es  mas  divino  que 
humano. 

Bien  mostraron  las  galeras  su  buena  fortuna,  pues  entraron  en  el 
puerto  de  Villafranca  en  Domingo  três  (5)  dias  de  Júlio,  y  desde  que  sa- 
lieron  de  Lisboa,  parecio  aver  tardado  menos  de  nueve  (.9)dias.  Hallò 
el  Marques  quando  llegó  a  la  islã  de  S.  Miguel,  diez  Portugueses,  que 
fueron  presos  en  úiez  (10)  àe  Junio,  los  quales  avia  embiado  Manuel  de 
Silva,  governador,  y  capilan  general  de  las  islãs  que  estavan  a  devo- 
cion  de  don  António,  para  que  fuessen  espias,  o  prendiessen,  o  lle- 
vassen  consigo  algunas  personas  de  nuestras  islãs,  por  informarse  dei 
estado  de  las  cosas  de  Espana,  oficio  que  suelen  hazer  en  tierra  las 
cenlinelas  perdidas  en  la  infanteria:  y  aviendo  ávido  a  las  manos  a  un 
vezino  de  Nordest,  lugar  de  la  islã  de  San  Miguel,  teniendolo  preso, 
para  llevarlo  a  la  Tercera,  y  aviendoles  sucedido  tiempo  contrario,  y 
viendose  con  precisa  necessidad  de  bastimentos,  el  hombre  que  fue 
preso,  que  era  su  nombre  Bartolome  Lopez,  les  aconsejó  y  persua- 
dio,  que  abordassen  a  tierra,  para  socorrerse  de  algun  baslimento, 
de  que  sustentarse  en  la  jornada,  y  proveerse  de  agua  que  les  fal- 
tava, porque  no  pereciessen  de  hambre  y  sed,  con  cierta  seguridad 
fingida:  y  por  su  industria  y  aviso  acudieron  algunos  soldados,  y  assi 
fueron  presos  los  diez  Portugueses,  y  aviendoseles  tomado  su  decla- 
racion,  concordaron  todos  eu  ella.  y  dixeron  lo  siguiente,  y  assi  se 
pondra  aqui,  por  la  misma  orden  que  la  liizieron. 

Fueles  preguntado,  quantos  Franceses  avia.  Dixeron  que  avia  mil 
y  quinientos,  repartidos  en  esta  manera.  En  la  islã  de  la  Tercera  do- 
ze companias  de  Franceses,  a  cargo  dei  Capitan  Carlos,  que  es  hijo 
dei  Presidente  de  la  Chancilleria  de  Burdeos,  y  una  de  Ingleses.  En 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  267 

Ia  dei  Faval  ciento  y  cinciienta  Franceses.  En  dos  nãos  y  dos  carave- 
las, qu;itrocientos  Franceses  embarcados.  En  la  nao  Vizcayna,  que  to- 
mo la  armada  Francesa  ai  General  Pedro  Peixoto,  el  ano  passado  so- 
bre la  islã  de  San  Miguel,  que  era  de  Ochoa  de  Ârriola  Guipuzcoano, 
de  trezientas  toneladas,  y  era  entonces  Capitan  delia  Melchor  Botello 
Português,  dozientos  Franceses,  y  con  ellos  el  Capitan  Pedro  de  la 
Cruz  Francês.  Otra  nao  Inglesa,  Mamada  San  Jorge,  de  dozientas  to- 
neladas, y  en  ella  un  Metelo  Francês  con  su  compania  de  dozientos 
soldados.  Una  caravela,  de  que  era  Capitan  Lalamon  Português.  Otra 
caravela,  de  que  era  Capitan  António  Vaez  Português.  Eslos  quatro 
baxeles  andavan  en  corso,  escurriendo  las  islãs  circunvezinas  a  Ia 
Tercera,  y  llegando  hasta  los  quarenta,  y  quarenta  y  dos  grados  es- 
perando Ia  nao  de  la  índia,  que  tenian  nueva  que  dexó  de  venir  el  a- 
no  passado,  y  otros  navios  que  por  alli  aportaron.  Dizen  que  de  la 
gente  de  la  dicba  islã  Tercera,  demas  de  las  doze  companias  de  Fran- 
ceses, avya  treyiita  y  seys  de  infanteria  de  Portugueses,  y  una  de 
cavallos,  las  diez  y  ocho  delias  en  la  ciudad,  y  las  restantes  reparti- 
das por  la  islã:  y  que  la  manera  que  tienen  de  poner  las  guardiãs 
es  esta.  Entra  cada  dia  una  compania  de  Franceses  en  la  placa  de  la 
ciudad,  donde  tienen  cuerpo  de  guardiã,  y  desde  alli  la  embian  a  ca- 
sa dei  Capitan  general  Manuel  de  Silva,  y  a  la  casa  de  la  moneda, 
que  en  la  dicha  ciudad  ha  hecho  dou  António,  y  que  de  noche  no  ron- 
(lan  los  Franceses,  sino  los  Portugueses:  de  los  quales  entran  três 
compaiiias  de  guardiã,  que  ocupan  las  dos  fortalezas,  que  estão  den- 
tro de  la  ciudad,  y  las  sobre  rondas  son  tanbien  Portugueses  de  apie 
y  de  acavallo. 

La  forma  que  tienen  en  repartir  Ia  guardiã  delos  desembarcade- 
ros,  es.  En  la  dicha  ciudad,  três  companias  de  Franceses,  y  una  de 
Ingleses,  demas  de  las  diez  y  ocho  de  Portugueses,  y  estandarte  de 
cavallos. 

En  la  casa  da  Salga,  que  es  donde  desbarataron  y  degollaron  Ia 
infanteria  que  llevó  don  Pedro  de  Valdês,  una  compania  de  France- 
ses. En  la  Playa  três  companias:  en  los  Altares  Ires  companias,  en 
Puerto  Judeo  una. 

La  gente  Portuguesa  so  se  sabe  como  está  repartida,  pan  acudir 
a  defender  estos  desembarcaderos,  donde  estan  estas  companias  de 
Franceses,  ni  en  la  orden  que  está  la  demas  de  apie  y  de  acavallo, 
fuera  de  Ias  treynta  y  siete  companias  arriba  dichas. 

Que  la  fortaleza  de  S.  Sebaslian,  es  un  castillo  fortificado  sobre  el 
puerto,  assi  a  Ia  parte  dei  mar,  como  a  Ia  de  tierra,  con  una  murai- 
la  de  veynte  y  quatro  palmos  en  alto,  que  se  ha  hecho  de  poço  tiem- 
po  aca,  con  su  fosso  sin  agua,  y  su  puente  levadiza,  que  tiene  mucha 
municiou  de  guerra  dentro  en  el  castillo.  porque  le  han  visto  Ilevar 
parte  delia,  tiene  una  bobeda  a  la  parte  de  tierra,  que  sale  a  la  mar, 
a  Ia  boca  de  Ia  qual  está  hecha  una  esplanada,  en  que  estan  siete  o 


268  ARGHIVO  DOS  AÇOHES 

ocho  pieças  de  arlilleria.  y  un  cafion  de  balir:  y  desta  esplanada  ai 
agua  quinze  braças,  y  a  lo  alto  de  la  fortaleza  otras  tantas:  tienen 
para  cubrir  esta  arlilleria  cestones  terraplenados,  y  en  lo  alto  de  ar- 
riba ay  siele  o  ocho  verços. 

A  la  punta  dei  Brasil  han  hecho  olra  fortaleza,  a  nianera  de  fuer- 
le,  cerrada  con  muralla  de  piedra  y  cal,  que  tiene  nueve  o  diez  pie- 
ças de  arlilleria,  la  mitad  de  bronze,  y  la  mitad  de  hierro  colado: 
cada  pieça  tiene  su  ceslon  de  tierra  para  cubrirse,  y  en  ésla  fuerça 
cabran  dozientos  hombies:  está  la  una  de  la  olra  dos  tiros  de  ar- 
cabuz a  la  vanda  dei  Ueste,  y  en  médio  delias  se  haze  otro  fuerle. 
que  han  puesto  por  nombre  san  Bento,  y  ay  de  uno  a  otro  trinchea 
de  tierra,  de  nianera  que  va  toda  la  gente  cubierta  a  las  defensas.  A 
la  vanda  dei  Uesle  dei  Brasil,  ay  otio  fuerte  que  se  llama  el  Zimbre- 
ro,  tiene  seys  pieças  de  arlilleria,  y  está  cubierto  por  la  parle  de 
tierra. 

Declararon,  que  dos  meses  antes  que  ellos  fueran  presos,  fueron 
dos  fidalgos  a  la  Tercera,  que  dixeron  venir  dei  Beyno.  y  fue  publi- 
co, que  yvan  con  embaxada,  o  recaudos  de  su  Magestad  para  don  An- 
tónio, que  el  uno  se  llama  Amador  Viera,  el  qual  ha  hecho  desservi- 
cios  grandes  a  su  Magestad,  acusando  algunas  personas  que  estavan 
en  la  islã,  que  aviendoles  sacado  con  pecho  fingido,  lo  que  tenian  o- 
culto,  yva  adenunciar  dellos  a  Manuel  de  Silva,  de  los  quales  han  jus- 
ticiado  algunos,  y  enganava  a  todos  facilmente,  para  que  se  le  descu- 
briessen,  con  dezir  que  el  avia  de  bolver  ai  Reyno,  y  que  queria  lle- 
var  por  memoria  lodos  los  servidores  de  su  Magestad;  de  entre  los 
quales  saben.  que  hizieron  justicia  de  Melchior  Afonso,  labrador.  que 
lo  arrastaion  y  hizieron  quartos,  y  pusieron  su  cabeça  en  una  jaula 
de  hierro  en  la  placa,  y  el  pregou  dezia,  por  traydor  ai  Bey  su  se- 
nor,  y  que  queria  dar  la  lierra  a  quien  no  le  pertenecia:  y  a  Francisco 
Gil  Piloto  tambien  ahorcaron:  y  ai  vicário  de  la  Villanova  tenian  pre- 
so: y  ésle  Amador  Viera  está  entrelenido  cerca  de  la  persona  de  Ma- 
nuel de  Silva,  y  anda  muy  en  orden,  y  puede  mucho:  y  el  compafie- 
ro,  que  se  llama  Magallanes,  sirve  en  una  nave  de  soldado.  Que  la 
gente  de  la  islã  está  en  delerminacion  de  defenderse.  Que  esperan  de 
Francia  mil  hombres  de  socorro,  y  que  lodos  los  pagamentos  se  ha- 
zen  a  los  Franceses,  cada  veynte  y  ocho  dias  dei  mes,  y  en  no  pa- 
gandoles  se  amotinau.  La  moneda,  es  de  cobre  la  mayor  parte,  y  pa- 
ra la  fabricar,  han  deshecho  quantas  bacias  y  vasos  de  cobre  ay  en 
las  islãs,  y  aora  lo  esperan  de  Flandes,  para  hazer  moneda  dello,  por 
que  no  ay  moneda  de  plata  de  la  vieja.  ni  de  la  nueva.  Corre  una 
moneda  de  oro,  que  antes  valia  cinco  tostones,  {ôOO  reis)  y  han  la 
subido  a  cinco  cruzados  (2^000  reis)  y  una  moneda  de  cobre,  que  en 
Portugal  valia  três  reis,  que  es  lo  mesmo  que  Ires  maravedis,  han  la 
subido  a  diez,  {10  reis)  y  la  de  Ires  blancas  a  cinco  maravedis:  pêro 
cada  una  destas  ba  de   ser  marcada  por  la  casa  de  la  moneda,  con 


ARCHIVO  DOS  AÇOHES  269 

la  figura  de  iin  açor,  y  olra  moneda  que  lian  hecho  de  cobre  nueva- 
mente,  con  el  habito  de  Santiago  en  elia,  val!e  quatro  veyntenes, 
que  sou  odienta  maravedis,  y  esta  moneda  es  tan  grande  como  media 
moneda  de  las  que  valen  en  Portugal  três  blancas.  Tienen  de  pan  y 
pescado  seco  de  loque  tomaron  en  Arguim.  y  de  lo  demas  ay  falta. 

Dixeron.  que  en  la  villa  de  la  Playa  que  es  junto  a  uno  de  los  des- 
embarcaderos  de  la  Islã,  se  quemó  una  casa  donde  avia  cinquenta 
quinlales  de  pólvora,  aunque  en  otra  parte  tienen  mas  de  sesenta. 

Declararon,  que  la  carabela  en  que  venian.  es  la  que  tienf  Manuel 
de  Silva  prevenida,  y  que  nunca  la  a  dexado  salir  dei  puerto  sino  fue 
para  que  ellos  viniessen,  y  sospechase  que  la  quiere  para  yrse  quan- 
do se  viere  apretado.  Y  resolvieronse  en  dezir  que  estava  la  Isla  muy 
fortificada  y  que  avia  en  ella  siete  mil  hombres  de  pelea,  y  se  espe- 
rava de  Olona  un  gran  socorro  por  momentos.  Y  assi  el  Marques,  por 
tener  de  su  Magestad  orden  particular,  para  que  por  su  ausência  ò 
falta  quedasse  esta  armada  a  cargo  de  don  Chrisloval  de  Erasso,  de 
quien  tanta  satisfacion  tenia.  dando  credito  a  estos  hombres,  se  en- 
cendio  tanto  en  el  desseo  de  llegar  a  las  manos,  por  gozar  dei  buen 
sucesso  que  ai  presente  se  prometia  de  la  vitoria,  y  por  abreviar  el 
tiempo.  y  escusar  muerles  y  sangre,  con  su  esfuerço  y  deteiminacion, 
que  se  entiende  que  si  se  hallara  entonces  a  visla  de  la  Tercera,  hi- 
ziera  lo  que  Octávio  César  (que  Ciceron  alaba  tanto)  que  sin  esperar 
decreto  dei  Senado,  tomo  sobre  si  la  guerra  contia  Anlonio.  por  no 
darle  lugar  Ia  brevedad  de  la  ocasion  a  determinar  de  espacio  lo  qne 
se  avia  de  hazer  por  que  muchas  vezes  la  neressidíid  haze  licito,  lo 
que  no  caso  que  la  buviesse.  seria  ilicito.  Y  assi  ay  tiempos  en  que 
las  tardanças  y  acuerdos  danan,  ora  sean  las  cosas  grandes,  o  peque- 
nas, por  la  dificultad  con  que  vemos  muchas  vezes  que  restaura  la  oca- 
sion perdida.  Y  condecendiendo  a  esto  Cornelio  Tácito,  vino  a  dezir, 
que  no  avia  de  dar  lugar  a  dilacion,  quando  la  madurez  (que  en  las 
mas  cosas  suele  ser  tan  acei  tada  i  viene  a  ser  mas  danosa  que  la  le- 
meridad:  pêro  esto  piincipalmente  se  entiende  en  discórdias  civiles. 
en  las  quales  ay  mas  necessidad  dei  hecho,  que  dei  consejo:  poi' 
que  qualqniera  mal  quando  comiença,  facilmente  se  ataja.  pêro  des- 
pues  de  envejecido  se  haze  robusto:  y  quede  por  regia,  que  la  famo- 
sa hazana  se  ade  pensar  con  mucha  advertência,  antes  que  se  ponga 
por  obra,  porque  despues  no  ay  pensar  sino  executar.  Y  esto  nos  en- 
seíia  Júlio  César  y  aun  el  reportado  Quinto  Fábio  Máximo  hablando 
con  su  hijo. 

Ponese  aqui  esta  declaiacion  destos  hombres.  aunque  es  muy  cor- 
ta y  falta,  para  lo  que  adelante  se  verá,  pêro  ai  tiempo  que  se  hizo, 
no  dio  poça  lumbre  ai  Marques,  que  desseava  saber  cosas  de  aquellas 
Islãs,  para  los  designes  de  la  joiuada.  Y  assi  el  Capilan  ha  de  procu- 
rar sabt^r  todas  las  coíbas,  aunque  sean  menudas,  dei  exercito  dei  e- 
nemigo,  a  imitaciou  de   .l(i.Mie  (jue  nos  Ic  rnscna.  Liegó  en  la  galoia 


270  ARCHIVO  DOS  AÇOKES 

Capitana  el  Marques  a  Piinta  Delgada,  a  dar  orden  en  cosas  necessá- 
rias, principalmente  en  la  embarcacion  de  los  dos  mil  y  trezientos 
hombres,  que  parecieron  en  la  muestra  dei  Maestro  de  campo  Agus- 
tin  Iniguez,  y  aviendo  ya  embarcado  en  las  doze  galeras  los  sol- 
dados deste  tercio,  y  mas  cien  quintales  de  pólvora,  y  otros  cien- 
to  de  cuerda,  que  avia  en  la  diclia  Islã,  mando  el  Marques  jun- 
tar a  consejo,  dond^  se  resolvio  la  parle  donde  se  avia  de  dar  fondo 
en  la  Tercera,  y  acerca  de  otras  cosas  particulares,  que  importavan  á 
la  jornada.  Y  estando  ya  en  diez  y  nueve  {19)  de  Júlio,  amanecio  con 
calma,  y  sin  liazer  muestra  de  tiempo  legitimo,  y  despues  desto  en- 
trando ya  el  dia,  hizo  demostracion  de  viento  fresco,  y  haziendo  senal 
con  una  pieça  el  galeon  San  Martin,  çarpò  el  ferro,  y  viro  las  velas, 
y  el  Capitan  Hodrigo  de  Vargas,  persona  de  mucha  esperiencia  de 
mar,  llegò  en  una  fragata,  dando  ordenes  por  toda  la  armada,  que  se 
hiziessen  presto  a  la  vela,  sin  esperar  a  la  Capilana,  por  no  perder 
punto  de  tiempo,  y  de  alli  a  una  hora  bolvio  viento  Sudueste,  tiempo 
contrario  para  nuestro  viaje,  y  anduvo  la  Capitnna  con  toda  la  armada 
dando  bordos  todo  aquel  dia:  y  luego  la  noche  siguiente  sobrevino 
viento  Sur,  y  dobló  el  Marques  la  Islã  de  San  Miguel,  para  seguir 
el  camino  deiecho  de  la  Tercera:  y  el  Viernes(2.3  de  Julho)  serian  las 
cinco  de  la  tarde  quando  la  descubrio  el  armada,  de  que  no  recibio 
poço  contento  la  gente  de  guerra:  de  suerte  que  se  gastaron  en  es- 
ta jornada  desde  la  Islã  de  san  Miguel,  por  ser  el  tiempo  contrario, 
quatro  dias,  viaje  que  con  viento  prospero  se  haze  en  una  singladura, 
que  es  navegacion  de  veynte  y  quatro  horas. 

Luego  el  dia  siguiente.  como  a  las  nueve  de  la  manana.  Sábado 
veynte  y  quatro  (24)  de  Júlio,  el  Marques  con  toda  su  armada  junta 
llegò  a  vista  de  la  Tercera,  y  acercandose  el  galeon  ('.apilana  lo  mas 
que  pudo  házia  tierra,  por  la  parte  de  la  Playa,  a  la  viila  de  San  Se- 
bastian.  cerca  de  la  ciudad  de  Angra,  para  poder  dar  fondo  fronlero 
de  la  islã,  que  por  aver  mucha  hondura  por  aquellas  partes,  le  fue 
forçoso  ponerse  a  tiro  de  mediano  cânon,  y  assi  fueron  llegando  poço 
a  poço  los  navios,  hasta  poder  jnntarse  toda  la  armada.  Luego  de  los 
ires  fuerles,  començaron  a  jugar  algunas  pieças  de  artilleria  gruessa. 
que  por  estar  en  punto  de  mayor  elevacion,  passaron  la  balas  por  alto 
ai  galeon  San  Martin,  y  dieron  algunas  por  buen  espacio  de  la  otra  par- 
te, y  el  galeon  no  respondio:  y  lo  mesmo  hizieron  los  de  mas  navios: 
y  bailando  sesenta  braças  de  agua  dieron  fondo,  y  de  alli  a  poço,  mos- 
irandose  por  la  parte  de  la  Playa  las  doze  galeras,  y  viniendo  jun- 
to a  tierra,  para  reconocer  aquella  vanda  de  la  islã,  los  de  tierra  les 
dispararon  algunas  pieças  grandes  y  mosquetazos,  y  alcanço  una  bala 
de  un  falconete  de  quatro  libras  en  la  galera  Peregrina  que  mato 
un  forçado,  y  quedo  la  bala  cansada  en  la  mesma  galera,  a  quien  las 
galeras  respondieron  en  forma  de  escaramuça,  con  algunos  esmeri- 
les, y  mataron  três  hombres  de  apie,  y  uno  de  acavallo,  de  los  poços 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  271 

que  parecieron  en  la  tierra  por  aquella  parte,  por  que  como  estos 
navios  son  baxos.  y  la  tierra  alta.  y  las  balas  llevavan  un  poço  de 
buelo,  disparandolas  por  plano,  corriari  en  ras  de  la  tierra,  y  assi  las 
galeras  hazian  mucho  efeto:  y  se  vino  a  eutender  de  veras,  quan  de 
importância  eran  estos  baxeles  para  ofender  a  los  de  la  islã,  confor- 
me a  la  disposicion  de  la  tierra:  y  assi  las  galeras  vinieron  a  juntar- 
se  con  toda  nuestra  armada.  Y  queriendo  el  Marques  hazer  diligencia. 
y  prevenirse  para  los  desembarcaderos,  porque  la  gente  con  mas  co- 
modidad  lo  pudiesse  hazer  mando,  que  el  Capitan  Miguel  de  Oquen- 
do,  persona  de  experiência,  y  conocimiento  de  mar,  y  el  Capitan  Ma- 
rolin,  hombre  de  importância  y  servicio  en  estas  armadas,  fuessen  a 
sondar,  y  tomar  fondo  a  los  desembarcaderos  de  la  islã,  y  reconecer 
el  mejor  surgidero,  para  que  informassen  de  todo,  como  mejor  eslu- 
viesse  a  la  seguridad  dei  exercito.  Y  como  fuesse  el  Marques  bien 
instruto  de  la  voluntad  de  su  Magestad,  y  la  disposicion  de  su  animo 
Real,  para  admitir  a  todos  los  que  se  quisieren  acoger  a  su  clemên- 
cia, como  a  verdadero  refugio  de  su  salud,  para  librarse  de  la  pena 
de  la  rigurosa  justicia,  aviendole  dicho,  que  como  tiene  las  fuerças 
el  Marques  para  castigar  a  los  maios,  assi  será  justo  tenga  la  facultad 
para  usar  de  benignidad,  con  los  que  arrtpentidos  de  su  yerro,  se  a- 
cogieren  a  su  misericórdia,  y  principalmente  por  entender  el  desseo  de 
su  Magestad,  y  cumplir  sus  mandamientos,  y  por  ser  el  Marquez  de  a- 
nimo  piadoso  con  gente  humilde,  como  deve  serio  el  Capitan,  puso  de  su 
parte  por  muchas  vias  toda  la  humana  diligencia  para  atraer  los  ânimos 
desta  gente  desseando  escusar  muertes,  y  derramamientos  de  sangre: 
que  no  es  menor  loor  en  los  grandes  Capitanes,  vencer  desta  mana- 
ra, que  por  fuerça  de  armas:  y  assi  ni  Âlexandro  Magno,  ni  Anibal, 
ni  otro  de  los  famosos  Capitanes  de  Ia  antiguedad,  llegò  a  la  excelên- 
cia de  Scipion,  por  aver  conquistado  a  toda  Africa,  juntamente  con  la 
lengua  y  con  las  armas,  y  no  se  lee  aver  intentado  empresa,  que  no 
fuesse  justificada:  y  jamas  mostro  a  los  enemigos  la  potencia  de  los 
Romanos,  y  la  grandeza  de  sus  exércitos,  que  no  fuesse  para  combi- 
dar  con  su  clemência,  y  no  derramo  sangre  en  el  campo,  que  prime- 
ro  no  derramasse  lagrimas  en  el  templo.  Cumpliose  aqui  aquel  capi- 
tulo dei  santo  decreto,  autorizando  las  palabras  de  S.  August.  que  si 
los  enemigos  ofrecen  ai  principio  satisfacion  ai  Príncipe,  obligado  es 
a  recebirla,  y  levantar  los  reales.  La  razon  es,  por  que  la  guerra  no 
se  trata  por  voluntad,  sino  por  necessidad.  y  pues  la  satisfacion  se 
ofrece,  antes  que  se  ponga  mano  en  el  negocio,  han  de  cessar  las  ar- 
mas, pues  donde  ay  concórdia  no  son  menester.  Y  assi  el  mesmo  con- 
tra los  Maniqueos  afirma,  que  no  se  han  de  temer  que  mueran  en  la 
guerra  justa  los  -que  han  de  morir,  porque  se  ponen  los  ojos  en  el 
bien  por  venir,  que  consiste,  en  que  senoreen  en  paz  los  que  han  de 
bivir.  Y  aqui  vino  a  justificarse  mas  esto  caso.  pues  sin  esperar  el 
Marques  esta  prevencion  de  parte  de  los  enemigos  se  adelantó  en  o- 


á72  ÂRGHIVO  DOS  AÇOHES 

frecerles  toda  paz,  sossiego,  y  conservacioii  de  vidas  y  hazieiídas, 
guiatidose  por  la  orden  (jue  nos  muestra  aqiiella  sagrada  diciplina  mi- 
litar de  la  divina  Escritura,  diziendo.  Si  quando  llegares  a  entrar  en 
la  ciudad  por  armas,  combidares  con  la  paz  ante  todas  cosas,  y  reci- 
biendola  te  abriere  las  puertas,  todo  el  pueblo  deve  ser  salvo;  y  te 
recoaocera  y  servira:  pêro  si  no  quisiere  paz,  y  lomare  contra  ti  las 
armas,  entrarás  la  ciudad,  y  aviendote  Dios  heclio  senor  delia,  enton- 
ces  passarás  a  cuchillo  a  todos  los  varones,  dexando  con  vida  a  las 
mugeres  y  ninos  y  animales,  y  repartiras  todo  lo  demas  que  bailares 
con  los  de  tu  exercito. 

Serian  pues  couio  las  três  de  la  tarde,  quamlo  el  .Marques  man- 
do llamar  a  un  Sargento  enlretenido,  por  nombre  Manuel  Gonçalez 
Uabelo,  (]ue  le  parecio  ser  a  propósito,  por  verle  tan  inclinado  a  esta 
empresa,  y  ser  Português  de  nacion,  a  quien  se  le  encargo,  porque 
tenia  el  Marques  particular  gracia  en  elegir  personas  a  propósito:  que 
es  gran  suerte  dei  Capilan  general,  y  estúdio,  en  conocer  la  suficiên- 
cia de  sus  soldados,  guardandolos  para  las  ocasiones  de  importân- 
cia. Diosele  nua  fragata  bien  esquipada  de  marineros,  con  su  vandera 
blanca  de  paz,  (jiie  esta  senal  ba  ijueda  lo  basta  oy  ile  la  antiguedad, 
(jue  poniendo  unos  velos  blancos  en  ramos  de  olivas,  sinificavan  se- 
guridad  para  tomar  puerto.  Llevava  consigo  este  Sargento  un  trom- 
peta, con  d().s  ediclos:  uno  en  leugua  Espanola,  y  otro  en  la  Francesa, 
en  mucbos  traslailos,  para  los  fuerles,  y  para  que  llegasse  a  noticia  de 
lodos,  donde  de  parte  de  su  Mageslad  les  olVecia  perdon  general 
a  los  de  las  islãs,  con  una  carta  dei  Marques  para  .Manuel  de  Sil- 
va, donde  le  exortava,  que  no  perseverasse  en  esta  rebelion,  y 
pues  eslava  a  liempo  de  ganar  la  gracia  de  su  .Mageslad,y  escoger  su 
sossiegi),  y  la  qiiielud  de  todas  a  ijuellas  islãs,  y  vezinos  delias,  que 
ti)masse  el  mejor  camiuo,  que  era  bolver  con  tiempo  ai  servicio  de  su 
.Magestad,  como  a  senor  y  Rey  natural  de  todos,  y  que  no  permi- 
liesse,  (jue  por  su  causa  sobreviniesse  la  ruyna  de  tantos,  (|ue  no  te- 
nian  mas  voluutad  y  determiaacion,  de  estar  a  la  mira  de  lo  (pie  el 
bazia,  para  dexar  su  mal  propósito,  y  pedir  misericórdia:  y  el  edicto 
dezia  desta  manera. 

Don  .Vlvaro  de  Baçan,  .Mar  pies  de  Santacruz,  comendador  mayor  de 
LeoQ,  (]apitan  general  desta  armada  Real  y  exercito,  por  el  Rey  don 
Filipe  nuestro  senor,  a  todos  los  vezinos  y  moradore.s,  estantes  y 
babitantes  en  'a  islã  Tercera.  y  en  las  demas  circunvezinas,  assi  natura- 
les,  como  estrangeros.  Bien  saben  que  su  .Magestad  Cotolica,  siendo  co- 
mo es  sucessor  legitimo  de  los  Reynos  de  Portugal.  índias  Orientales,  y 
de  las  demas  islãs,  y  partes  comprelien^lidas  eu  su  corona,  y  que  avieu- 
do  de  ser  reconecldo  y  obedecido  por  tal  soberano  Hey  y  senor  de  todos 
los  naturales  (lestos  Reynos,  desviandose  deste  recon(icimiento  algunas 
destas  dicbas  islãs,  admiliendo  en  su  compania  gentes,  assi  diversas 
en  naturaleza,  como  en  costumbres  y  religion,  ban  conspirado  contra 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  273 

la  Mageslad  Real,  e  incurrido  en  crimen  lese  Maiestalis.  divina  y  hu- 
mana, dignn  de  exemplar  castigo;  con  todo  esto  su  Magestad,  movido 
de  zelo  Christianissimo.  y  usando  de  su  acostumbrada  clemência,  por 
servicio  de  Dios  nuestru  senor,  y  por  evitar  efusion  de  sangre,  en  to- 
do lo  que  en  si  fuere,  considerando  que  cada  dia  crece  la  obstinacion  y 
desorden,  y  el  desservicio  que  a  Dios  se  liaze,  por  las  muchas  inso- 
lências de  los  rebeldes,  y  desacatos  a  su  Magestad,  y  a  su  alto  nom- 
bre,  y  que  ya  es  negocio  que  incumbe  a  la  Real  conciencia  la  breve- 
dad  dei  remédio,  para  quitar  de  delante  de  nosotros  un  bivo  exemplo 
de  desobediência,  aviendose  procurado  por  todas  las  vias  possibles  el 
remédio,  y  aora  idtimamente  usando  de  suma  benignidad,  concede  y 
haze  gracia  a  todos  los  vezinos  de  la  dicha  islã,  y  las  demas,  de  per- 
don  general,  otorgando  juntamente  con  las  vidas  seguridad  de  bienes 
y  haziendas,  assegurando  demas  desto,  que  no  seran  dados  a  saco  por 
alguna  manera,  antes  seran  amparados  en  sus  comércios  y  sossiego, 
con  tal  que  sin  hazer  resistência  alguna,  se  quieran  rendir  y  sugetar 
a  su  obediência,  como  a  senor  y  Rey  natural,  admitiendo  y  dexando 
desembarcar  en  tierra,  a  toda  la  gente  que  viene  en  esta  Real  arma- 
da, o  la  parte  que  me  pareciere,  a  mi  voluntad.  Y  demas  desto  en 
nombre  de  su  Magestad  ofrezco,  que  a  lodos  los  Franceses,  y  los  de- 
mas estrangeros.  de  qualquier  estado  y  condicion  que  sean,  que  qui- 
sieren  salir  de  la  dicha  islã,  e  yrse  a  sus  tierras,  o  adonde  por  bien 
tuvieren,  les  dexaré  salir  brevemente,  con  sus  haziendas,  armas  y 
ropa,  y  les  dare  embarcacion,  si  de  su  voluntad  quisieren  entregar 
los  fuertes  que  en  su  cargo  y  poder  estuvieren,  desamparando  llana- 
mente  la  islã.  Y  assi  yo  el  dicho  Capitan  general,  en  nombre  de  su 
Magestad,  y  por  su  Real  palabra,  prometo  cumplir  y  guardar  este  edi- 
cto  publico,  en  todo  y  por  todo,  porque  es  la  determinada  voluntad 
dei  Rey  nueslro  senor,  que  assi  se  guarde  y  cumpla:  con  protestacion 
que  hago,  que  no  guardando,  cumpliendo  y  obedeciendo  todo  lo  en  el 
contenido,  si  perseverando  en  dura  obstinacion,  se  esforçaren  en  pas- 
sar a  delante  con  sus  intentos  y  desesperacion,  siendo  ya  mayor  Ia 
culpa,  por  aver  procedido  de  su  voluntad,  y  no  de  fiierça  que  se  les 
aya  hecho  en  este  caso,  ni  de  miedo,  ni  otra  cosa  que  les  pueda  aver 
estorvado,  mas  que  su  mal  propósito,  contra  su  Rey  legitimo,  y  usan- 
do dei  poder  que  su  Magestad  me  concede  en  este  caso,  desde  luego 
los  doy  por  enemigos  rebeldes  contra  su  Rey  y  senor,  y  como  a  sier- 
vos  de  la  pena  que  padecieren,  les  protesto,  que  los  danos  públicos 
castigos  de  sangre  y  fuego,  muertes,  y  devaslaciones  que  uviei'e  y 
se  recrecieren,  sobre  todos  los  que  no  acudieren  a  dar  la  (obediência 
y  reconocimiento  a  su  Magestad,  y  perseveraren  en  su  obstinacion, 
no  será  a  cargo  de  la  M.  Real,  ni  a  cargo  mio,  sino  a  culpa  de  los 
tales:  y  para  justificacion  desto,  y  confusion  de  su  maldad,  y  perpetua 
deshonra,  les  hago  este  mandato,  para  que  permanezca  y  biva  con  el 
tiempo  una  gran  demonstracion  de  misericórdia  y  justicia.  Fecho  en 
N-"  21-Vol.   IV.— 1882.  H 


274  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

el  galeon  Capitana  desta  armada,  nombradn  San  Martin,  sobre  la 
Tercera,  a  23  de  Júlio  1583.  Don  Álvaro  de  Baçan.  Por  mandado  de 
su  Senoria  Illuslrissima,  Andres  de  Morales.» 

Diligencia  fne  de  miiclin  aciierdo,  y  piadosa  determinacion,  donde 
se  mostrava  la  Cliristiana  intencion  dei  Rey  Católico,  y  usando  de  su 
clemência  en  el  perdonar,  se  exercitava  acto  de  prudência  y  astúcia 
militar;  porque  en  virtud  destos  perdones  se  dava  reposo  a  los  natu- 
rales.y  ocasion  para  declararse  los  que  quisiessen  acudir  con  sus  perso- 
nas  a  la  parte  de  su  Magestad.  Y  el  edicto  en  lengua  Francesa  íaun- 
que  mas  breve)  contenia  la  mesma  sustancia  que  el  Espanol.  Y  assi 
partio  este  Sargento  con  estos  recaudos,  y  haziendo  la  fragata  su  ca- 
mino  con  mucha  diligencia,  no  uvo  Ilegado  a  la  mitad  de  su  jornada, 
quando  dispararon  los  enemigos  contra  ella  cinco  cânones  gruessos. 
y  con  todo  esto  se  les  acercava,  hasta  que  llegó  a  tiro  de  arcabuz,  y 
le  redoblaron  muchos  mosquelazos,  de  suerte  que  le  fue  forçoso  ai 
Sargento  dar  la  buelta  ai  galeon  San  Martin,  de  donde  avia  salido.No 
se  dexará  de  dezir,  quan  mal  parecio,  conforme  a  leyes  de  guerra,  lo 
que  los  enemigos  liizieron,  por  ser  un  uso  prejudicial  para  el  género 
humano  .  .  . 

Foi.  35)  «...Y  visto  porei  Marques  la  determinacion  desta  gente, 
para  mas  justificacion  deste  negocio,  [larecio  que  convenia.  que  el  Au- 
ditor general  hiziesse  informacion  de  todo  lo  que  avia  sucedido,  y  as- 
si recibieron  muchos  testigos  en  este  caso:  y  como  sea  tau  limitado  el 
tiempo  que  ay  para  tener  por  estos  mares  navios  grandes  y  galeras, 
el  Marques  se  resolvio  en  dar  dentro  de  dos  dias  la  batalla,  y  en- 
tre tanto  esperar  si  los  de  las  islãs  acordavan  alguna  novedad.  em- 
biando  recaudo,  o  resolucion  acerca  dei  rendirse,  o  admitir  nuestra 
gente,  y  obedecer  lo  que  el  Marques  les  avia  mandado.  Y  por  no  per- 
der punto.  mando  juntar  a  consejo  en  el  galeon,  donde  se  halló  don 
Pedro  de  Padilla.  don  Lope  de  Figueroa,  y  don  Francisco  de  Bobadi- 
la,  y  don  Christoval  de  Erasso.  Y  una  de  las  cosas  que  de  aquella 
junta  resultaron,  fue,  lo  que  se  deve  hazer  primero  que  se  conquislen 
las  províncias  y  ciudades,  que  saliesse  en  una  fragata  el  Capitan 
Miguel  Venesa,  para  que  reconociesse  la  islã,  por  parte  de  la  costa 
brava.  Y  por  otra  se  le  dio  orden  a  Pedro  de  Venesa  su  Alferez,  para 
que  corriesse  la  vanda  de  la  playa:  y  assi  lo  hizieron,  y  dispararon 
contra  el  de  los  fuertes  de  la  marina  nnichos  mosquetazos,  que  aun- 
que  alcançavan,  no  hizieron  dano.  Y  por  otra  parte  fue  el  Capitan 
Rosado,  con  otras  personas,  para  que  lo  viesse  todo.  y  considerasse 
lo  que  tiene  mas  difilcutad.  y  está  mas  fortificado,  y  donde  ay  menos 
defensa,  y  mas  fácil  desembarcacion.  trayendo  con  la  relacion  su  pa- 
recer en  cada  cosa  de  las  que  viesse  .  .  . 

Foi.  36  v.**)  «...  Y  bolviendo  a  nuestra  historia,  se  acordo,  en  que 
fuessen   las  galeras  y  piuaças,   para  que  a  media    noche   hiziessen 


ARCHIVO  DOS  AÇOHES  273 

ciierpo  de  armada,  a  tocar  arma  falsa  por  Ires  puestos  ai  enemigo,. 
para  iii(|uiertalo,  y  divertirlo,  y  que  con  este  desassossiego  no  enten- 
diesse  por  donde  se  avia  de  acometer  que  los  ardides  y  cautelas  son 
licitas  despues  que  la  guerra  fue  reduzida  a  arte:  y  assi  se  hizo:  y  a 
media  noche,  siendo  sentidas  las  galeras  por  los  de  tierra,  se  oyo 
locar  arma  muy  apiiessa,  y  se  disparo  artilleria  de  ambas  partes:  y 
el  dia  siguiente  de  maãana  mando  el  Marques  ai  Capitan  Medrano  pu- 
siesse  en  orden  su  galera  Capitana,  para  salir  en  ella,  y  assi  se  em- 
barco, y  con  el  don  Pedro  de  Toledo,  y  el  Maestro  de  campo  don  Lo- 
pe  de  Figueroa,  don  Pedro  de  Padilla,  don  Francisco  de  Bobadilla, 
Juan  Martinez  de  Recalde,  don  Christoval  de  Erasso,  y  Juan  de  Horbi- 
na,  y  otros  cavalleros,  y  fueron  lo  mas  cerca  de  tierra  que  les  parecio, 
para  reconocer  por  sus  personas  el  sitio,  como  Capitanes  de  tanta  ex- 
periência y  nombre;  y  los  enemigos  les  dispararon  muchas  piegas  de 
artilleria  y  mosqueteria,  y  reconocieron  desde  la  villa  de  San  Sebasti- 
an,  hasta  três  léguas  la  buelta  de  la  ciudad,  passando  una  légua  mas 
adelanle,  con  muclia  advertência,  que  esto  es  embiar  exploradores, 
como  los  que  fueron  a  Canaan,  y  a  Jericó,  y  como  acuerdo  de  mucha 
importância,  será  bien  se  escrivã,  como  el  Sábado  en  la  noche  a  hora 
de  las  diez,  embió  el  Marques  en  una  barquilla  dos  portugueses  de  los 
dichos  diez  hombres  de  la  Tercera  que  eslavan  presos,  y  llevaron  se- 
ys  traslados  de  los  edictos,  para  que  por  alia  los  publicassen,  y  assi 
se  parlieron  la  buelta  de  la  islã,  y  se  quedaron  en  ella.  Estratagema 
es  de  buena  consideracion,  quando  un  exercito  es  grande,  luzido,  y 
copioso,  no  rehusar  el  Capitan  general,  de  que  aya  de  parte  de  los  e- 
nemigos  algunos  que  lo  vean,  y  puedan  llevar  a  los  suyos  la  nueva  de 
su  fuerça  y  poder:  porque  de  alli  suele  nacer  en  ellos  miedo  de  sus 
contrários,  por  aver  concebido  en  su  imaginacion  tanto  terror  de  ar- 
mas e  impetu  de  soldados  .... 

Foi.  37  v.")  «...Y  todos  estos  estratagemas,  si  bien  se  consideras- 
sen,  escusarian  muchas  muertes,  si  los  contrários  con  humildad  lo  mi- 
rassen.  Llevaron  estos  hombres  una  carta  particular  dei  Marques  para 
Manuel  de  Silva,  y  tanbien  les  dio  el  Auditor  general  otra  exortatoria. 
o  apologretica,  que  hablava  con  los  vezinos  de  las  islãs,  desta  mane- 
ra. 

«A  los  de  la  islã  Tercera,  y  las  denias  circunvezinas,  el  Licenciado 
Mosquera  de  Figueroa,  Auditor  general  desta  armada  y  exercito. 

Qulsiera  no  lener  ocasion  de  entrar  dudando,  como  Veturia  ma- 
dre de  Coriolano,  ciudadano  Romano,  y  perseguidor  de  Roma,  (juan- 
do  llegando  ai  campo  de  los  Volscos  que  traya  a  su  cargo,  le  dixo  la 
gran  Matrona:  ílijo,  antes  que  me  abraces,  quiero  saber  si  vengo  a 
ver  hijo,  o  enemigo.  Pues  no  quiero,  senores,  persuadirme,  a  que 
sean  os  Portugueses  tan  pródigos  de  su  fama,  y  tan  enemigos  de  su 
sossiego,  que  siendo  Espanoles,  y  aviendo  derramado  por  el  mundo 
su  nombre  con  tan  honrosas  vitorias,  mostrando  su  valor  belicoso,  as- 


tlQ  AHCHIVO  DOS  AÇOKES 

si  contra  los  infieles  cercanos,  como  contra  naciones  remotas  y  apar- 
tadas dei  Oriente,  aquistando  riquezas  con  inmortal  renorabre  de  es- 
forçados y  religiosos,  ayan  (no  se  si  lo  diga)  querido  de  su  voluntad 
hazerse  guerra  a  si  mesmos,  y  fiar  su  pátria  y  su  honra  de  los  co- 
munes  enemigos:  que  verdaderamente  no  le  hállo  nombre  a  tan  ciega 
determinacion,  y  a  consideracion  tan  lemeiaria,  ni  bailo  injuria  que 
pueda  igualar  a  la  que  essa  misera  tierra,  y  todos  los  naturales  delia 
han  recebido,  y  esperan  recebir,  dexando  para  sus  decendienles  ma- 
culada perpetuamente  su  memoiia,  y  estragado  su  credito.  Ó  cruel 
malefício,  ò  pensamientos  de  hombres,  a  quien  parece  que  va  desam- 
parando la  piedad!  Es  possible  que  querays  assolar  essa  pátria  donde 
nacistes  y  os  criastes?  En  gran  desventura  de  estado  ha  puesto  la  vida 
a  los  ancianos,  pues  veen  con  los  ojos  tan  miserable  espectáculo,  y  no 
puede  la  pesada  y  ílaca  vejez  darles  lugar  para  defender  su  vida  y 
honra  con  las  armas,  ya  que  no  valen  los  consejos  contra  tan  atre- 
vida y  desobediente  juventud.  A  quien  diremos  que  abristes  la  puer- 
ta?  a  Yuestros  deudos?  a  vuesiros  naturales?  a  vuestros  amigos?  a 
gente  que  vino  a  conservaros  en  vuestra  religion,  paz,  qiiielud,  y  tran- 
quilidad?  o  a  una  gente  estrangera,  sobervia,  fiera.  destemplada,  des- 
honesta,  inclinada  a  assenchanças,  ingrata  con  los  amigos,  impia  con- 
tra los  mayores,  cruel  con  los  humildes,  y  a  todo  género  de  peisonas 
desagradable:  que  ha  deshonrado  las  virgines.  vituperado  las  madres 
de  familia.  saqueado  sus  casas,  robado  sus  haziendas,  alterado  su  re- 
publica, y  fo  que  mas  es,  han  profanado  sus  templos,  y  derribado  sus 
edifícios,  y  violado  los  sepulcros,  en  cuyas  imagines  y  esculturas  se 
representa  la  honra  de  los  que  estan  guardados  enellos,  que  qualquie- 
ra  cosa  destas  bastava  para  averse  lodos  conjurado  contra  estos  pú- 
blicos enemigos.  Y  si  esto  no  les  ha  movido,  deviera  moverles  para 
convertir  las  armas  contra  ellos,  verse  frente  a  frente  con  nuestra  ar- 
mada, siendo  toda  una  nacion,  un  deudo,  una  provincia,  un  nombre 
de  Espafioles,  una  religion,  un  Rey  natural  César  Chrislianissimo,  a- 
dornado  por  todas  partes  de  clemência:  que  por  la  comunicacion  que 
lienen  con  nosolros,  pueden  estar  bien  informados  de  su  gran  poder: 
y  por  el  perdon  general  que  se  les  ofrece,  amparandoles  en  sus  vidas, 
haziendas,  y  sossiego,  puende  acabar  de  persuadirse,  quanta  sea  su 
misericórdia.  Y  por  las  varias  naciones  dei  mundo  que  han  visto 
sujetas  de  sus  exércitos,  de  que  estan  llenas  las  historias,  podrian 
ya  darse  por  bien  informados  dei  valor  de  los  Espanoles.  Y  una  de 
ias  causas  que  mas  les  avia  de  mover,  para  revocar  dei  camino  sus 
mal  endereçados  propósitos,  era  ver  quan  de  nuestra  parte  vienen 
para  pelear  contra  ellos,  y  derramar  su  sangre,  muchos  de  los  suyos. 
rauchos  de  sus  parientes  y  naturales:  que  no  es  esta  poça  confusion 
par-a  desbaratar  sus  intentos,  y  para  retraerse  de  sus  malas  obras. 
Quiero  traeios  a  la  memoria  lo  que  Augusto  César  hizo  generosamen- 
te, quando  aviendo  huydo  el  temeroso  y  afeminado  Marco  António  en 


ARCHIVO  DOS   AÇOHES  2// 

seguimiento  de  sii  amada  Cleópatra,  que  no  teniendo  esfuerço  para 
siiírir  el  concurso  y  tropel  de  los  enemigos.  desamparando  a  los  suyos. 
tendio  las  velas  de  purpura,  y  mostrando  a  sus  contrários  la  popa  de 
oro,  dio  a  huyr  vergonçosamente.  Y  viendo  Augusto  César,  que  des- 
pues  que  bolvio  António  las  espaldas,  los  suyos  todavia  peleavan,  que- 
riendo  ablandar  su  corage,  vino  a  dezirles,  Hermanos,  por  quien.  y 
contra  quien  peleays?  dandoles  a  entender,  quan  poça  o  ninguna  obli- 
gacion  tenian  de  pelear  por  el  Rey,  o  Capitan,  que  los  avia  desampa- 
rado en  el  peligro,  y  avia  huydo.  Y  quanta  menos  la  tenian  de  sus- 
tentar la  gueria  contra  los  Romanos  sus  próprios  naturales  y  deudos, 
a  quien  aora  me  parece  que  vays  imitando  en  esta  inconsideracion. 
qiie  aviendo  os  desamparado  vuestro  António,  como  el  otro  a  los  suyos, 
y  huydo  torpemente,  mostreys  todavia  vuestra  pertinácia,  quitando  a 
vuesiros  entendimientos  todo  buen  discin-so,  tomando  las  armas  con- 
tra vosotros  mesmos,  en  desacato  de  la  clemência  de  nnestro  César, 
digna  de  mayor  gloria  que  la  de  Augusto,  porque  procede  de  mas  al- 
tas causas,  que  traen  su  origen  dei  cielo.  Muevaos  a  compassion,  ciu- 
dadanos,  el  ver  puesta  entre  fuego  y  sangre  vuestra  amada  pátria, 
ver  derribados  por  el  suelo  Ids  edifícios  de  vuestros  mayores,  y  las 
casas  y  famílias,  que  tanto  amparan  y  dessean  las  leyes  que  se  con- 
serven,  donde  vuestros  passados  bivieron,  y  donde  estavan  esculpidas 
y  dibuxadas  las  armas  de  su  linage,  porque  quereys  verias  arruyna- 
das  y  escurecidas  ?  Podremos  dezir.  que  las  llamas.  dei  fuego,  la  in- 
feccion  dei  ayre.  los  terremotos  espantosos,  aunque  abrasan.  matan  y 
deslruyen.  a  algunos  perdonan,  y  otros  escapan  por  su  diligencia  dei 
peligro  deste  infortúnio,  quedando  algunos  bivos  entre  los  muertos. 
que  aunque  atemorizados,  ai  fin  se  hallan  libres  dei  naufrágio  que  vie- 
ron  padecer  a  sus  padres,  amigos,  y  p.irientes.  Pêro  quanta  será 
mayor  vuestra  inhumanidad,  si  vieremos  que  por  pertinaz  desobe- 
diência padeceu  muchos  que  la  dessean  dar  a  nuestro  Rey  Católico. 
y  por  temor  de  vuestras  injusiicias  sufriran  la  muerte,  y  otra  mayor 
que  perder  la  vida.  quando  quedando  con  ella,  se  vean  carecer  por 
vuestra  culpa  de  todas  aquellas  honras,  que  aun  despues  de  mueilos 
dessean  los  hombres  que  se  conserven,  como  es  la  pátria,  la  exem- 
pcion  publica,  la  autoridad  de  las  famílias,  sepulcros,  y  religiosas  me- 
morias de  los  passados.  Seaos  exemplo  desto  el  gravíssimo  Empeia- 
dor  Constantino,  que  estimando  en  mucho  los  nombres  y  honrosos  tí- 
tulos ganados  por  antiguedad.  no  consentia  que  se  vendiesse  la  casa 
donde  murio  el  padre,  donde  crecio  el  hijo,  teniendo  por  negocio  las- 
timoso no  ver  por  las  paredes  delia  fixados  los  retratos  de  los  mayo- 
res. y  por  un  caso  digno  de  mayor  lastima,  verlos  quitados,  o  arran- 
cados de  su  lugar.  No  querays  ser  para  los  ()ue  biven  un  horren- 
do espectáculo,  y  para  los  que  estan  por  nacer  un  temeroso  escar- 
mienlo,  y  que  de  padres  a  hijos.  y  de  hijos  a  nietos  (si  (|uedaren  al- 
gunos) o  en  los  perpétuos  escritos  de  las  Chronicas,  (|ueile  sieni[tre 


278  ARCHIVO   DOS  AÇOKES 

l)iva  la  memoria  rle  la  jiislicia  y  de  vuestra  rleslealtad,  la  commisera- 
cioii  y  clemência  de  parf.e  de  nueslro  Rey  Christianissimo  y  Católico, 
la  ingraliUid,  desacato,  y  rebelion  de  parte  vnestra.  Y  assi  executan- 
dose  el  justificado  castigo,  se  ciimpliran  las  santas  e  inviolables  leyes, 
con  tjue  se  sirve  el  verdadero  Dios  sol  de  justicia.  Salvador  y  glorifi- 
cador  de  los  hombres.» 

El  Domingo  signiente  i2õ  de  Julho')  mando  el  Marques  Mamar  a 
consejo  pleno,  y  jiintandose  en  el  gale on  San  Martin,  resulto  de  alli  el 
(lia  que  seria  la  desembarcacion,  y  la  forma  delia,  como  adelante  se 
dirá  mas  largo.  Luego  a  las  seys  de  la  tarde  el  Capilan  Marolin  passo 
por  toda  la  armada  con  orden,  para  que  cada  nave  aprestasse  una 
barca  con  los  esmeriles  que  uviesse.  para  que  con  las  (Jemas  barcas 
chatas,  que  estan  fabricadas  para  el  ministero  de  la  desembarcion.  se 
juntassen,  y  ayudassen  a  echar  la  gente  en  tierra:  y  ya  que  començava 
la  noche  a  escurecer,  com^íuçi)  una  de  las  nãos  dei  arinaila.  por  ser  vis- 
pera  dei  bienavenlurado  Apostolo  Santiago  ( *)  patron  nuestro  a  liazer 
salva  de  arcabuzeria:  a  la  qual  respondieron  algunos  de  nuestros  na- 
vios con  la  mesma  salva,  y  para  regozijar  esta  fiesta  incitandose  eu 
iin  instante  unos  a  otros,  uvo  algunos  soldados  que  se  subieron  a  las 
gavias  de  las  naves,  para  disparar  los  arcabuzes,  que  con  la  escuri- 
(íad  de  la  noche  parecia  hermosamenle  el  fuego,  porijue  se  derrama- 
van  por  el  ayre  mil  estrellas:  y  luego  acudieron  las  galeras  haziendo 
lo  mesmo,  y  algunas  delias  desparzian  cohetes  tau  altos,  que  parece 
(jue  quedavau  asidos  en  la  esfera  dei  fuego,  y  pronosticavan  los  lu- 
minares de  nuestra  vitoria.  Y  pareciendoles  a  los  de  tierra,  que  estas 
muestras  (]ue  se  hazian.  mas  eran  para  hazer  demostracion  de  la 
fuerça  de  nueslra  gente,  que  por  otro  respeto,  por  que  i)ara  ellos  no 
era  vispera  de  Santiago,  ui  entendieron  que  por  esta  razon  se  hazian 
aquellas  salvas  y  regozijos,  por  no  aver  recebido  la  reformacion  de 
los  diez  dias  dei  calendário  nuevo,  que  su  Sanlidad  dei  Papa  Gre- 
gório XIII  mando  publicar  en  la  Iglesia  universal,  el  ano  antes  de  o- 
chenta  e  dos,  {1582)  (jue  lo  ordeno  assi  la  Iglesia,  por  regular  la 
cuenta  dei  curso  celestial,  c informe  a  los  aspectos  en  que  estavan  los 
cielos,  (juando  nuestro  Redemptor  .lesu  Christo  padecio  en  la  cruz. 
para  que  la  Pascua  dei  Cordero  se  celebre  en  el  devido  tiempo,  por 
escusar  el  inconveniente  que  se  daria  andando  errailos  en  el,  fuera  de 
la  puntualidad  dei  Concilio  Niceno,  desde  el  qual  los  efiuinocios  se  a- 
vian  anticipado  estos  diez  dias  dei  assienlo  lixo,  que  Dionísio  a- 
via  estabelecido,  como  despues  se  entendio,  aviendose  entrado  en  las 
islãs.  Assi  movidos  los  enemigos  de  diferente  cuydado,  por  que  la  a- 
legria  de  los  soldados,  suele  desanimar  muchas  vezes  a  los  contrários, 
por  la  costa  de  la  mar  se  pusieron  en  orden  como  dos  mil  hombres. 


(*)  Ha  aqui  e(|uivoco  manifesto,  por  que  sendo  o  dia  de  Santiago  a  25  de  Ju- 
lho a  véspera  forçosaiiUMilo  deve  ser  24,  como  o  próprio  autor  diz  atraz,  p.  270. 


ARCHIVO  DOS  AÇORt>  279 

esparzidos  por  la  frente  delia,  y  dieron  três  salvas  de  arcabuzeria, 
que  ocupavan  mas  de  media  légua,  disparando  de  quando  en  quando 
algunas  pieças  de  artilieiia,  que  drnias  de  las  que  avia  en  los  fuettes, 
que  miravan  nueslra  armada,  Iraxeron  oiros  dos  cânones  mayores. 
que  arrojavan  las  balas  de  la  otra  parte  de  nuestias  naves,  y  seria  la  una 
de  la  noche,  dia  de  Santiago,  quando  las  galeras  embiaron  todos  los 
esquifes  por  la  lengua  dei  agua  con  arcabuzeria,  y  ellas  les  yvan  a  la 
cola,  y  tocandoles  arma,  dispaiaron  24  pieças,  para  inquietar  ai  ene- 
migo:  y  a  eslas  dos  cargas  no  acudieron  con  respuesta.  Y  aviendo  da- 
dobuelta  las  galeras  para  juntarse  con  la  armada,  entendieron  en  a- 
trincbearse  por  las  proas,  con  su  faxaraento  y  pavesada  para  su  de- 
fensa: y  assi  amanecieron  dia  de  Santiago  puestas  en  orden.  Y  como 
«viesse  ydo  el  Marques  por  su  persona  a  reconocer  con  los  ingenie- 
ros,  y  afgunos  mas  que  llevó  consigo,  lugar  conveniente  para  Ia  des- 
emíjarcacion.  hallò  a  caso  quando  yva  corriendo  aquella  costa,  la  bar- 
ca desamparada,  en  que  avian  ydo  los  dos  hombres  que  salieron  dei 
galeon  San  Martin,  con  los  recaudos,  y  protesto,  y  carta  para  Manuel 
de  Silva.  Y  en  tanto  que  nuestro  Capitan  general  va  corriendo  y  re- 
conociendo  la  islã,  será  bien  ípues  ay  algun  lugar)  tratar  un  poço  dei 
assiento  desta  islã,  y  de  las  dificultades  desta  empresa,  y  sitio  áspe- 
ro, y  de  otras  cosas  concernientes  a  geografia  y  chorografia  delia,  y 
pues  estamos  a  vista,  hagamos  algnna  consideracion,  contentandonos 
con  las  cosas  que  nos  diere  a  la  mano  la  estrecheza  dei  tiempo,  y  fal- 
ta de  sossiego:  porque  ya  sabemos  que  es  cosa  cierta,  la  mayor  par- 
te de  la  noticia  estar  en  saber  el  Capitan  escoger  los  lugares  para 
combatir  y  dar  el  assalto,  como  dize  Plutarco  de  Timoleon.  que  junto 
ai  rio  Crimessio,  por  esta  veutaja  vencio  con  cinco  mil  infantes,  y  mil 
cavallos,  sesenta  mil  Cartagineses:  y  Cleomedes  en  otra  parte  ai  Ca- 
pitan Arago.  Todo  esto  consiste  en  saber  elegir  lugar  a  propósito  pa- 
ra acamparse,  y  hazer  trincheas,  y  plantar  artilleria,  entendiendo  bien 
la  planta  y  dispocion  de  la  ciudad,  y  los  lugares  fortificados  y  fla- 
cos  delia:  lo  qual  viene  a  hazer  mas  difilcutosa  la  empresa,  por  no 
dar  lugar  para  poder  aventajarse  el  Marques  ai  enemigo.  antes  pelear 
contra  el  todos  los  elementos,  el  mar.  el  fuego.  la  tierra.  y  su  gente. 
de  suerte  que  viene  a  ser  esta  islã.  no  solo  inexpugnable.  pêro  ina- 
cessible.  Y  como  no  se  ha  hecho  tan  particular  memoria  destas  islãs 
por  los  escritores  y  geógrafos,  como  vemos  de  las  demas  de  Kuropa. 
que  no  solo  por  relacicjn  historial  leunuios  noticia  delias,  pêro  por  di- 
versos disenos  y  descripciones  las  conocemos  y  tratamos,  caminando- 
las  por  las  escalas  de  las  millas.  y  midiendolas  a  passos,  esla  fue  la 
causa  de  que  se  procurasse  con  lauto  escndio  y  diligencia,  inquirir  y 
saber  lo  que  ay  en  ellas:  (pie  de  todo  ha  lenido  culpa  la  falta  de  curm- 
sidad  de  los  nàlurales,  y  el  descuydo  de  los  Castellanos  en  el  tiempo 
que  las  trataron  y  conversaron,  biviendo  los  Ueyes  aniecessoies  de 
su  Magestad,  que  de  aqui  ha   nacido   lodo  este  trabajo  y  dilicnllad 


280  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

que  aora  se  ofrece:  por  que  regulando  las  tierras,  y  considerando  las 
cosas  notables  delias  en  las  cartas  y  descripciones  particulares,  se 
escusan  e-stas  diligencias  de  tanta  obscuridad,  duda  y  peligro,  como 
solia  usarlo  Júlio  César,  y  otros  Capitanes  famosos  de  la  aoligue- 
dad,  y  como  reíiere  Adriano  dei  inviclissimo  Emperador  don  Carlos 
Quinto,  que  passando  dos  vezes  por  Africa,  aunque  llevava  consigo 
muchos  homhres  platicos  de  la  tierra,  con  la  ordinanaria  consideraci- 
on  de  las  cartas  y  descripciones  que  llevava,  estava  tan  diestro  y  ins- 
truto  en  el  conocimiento  de  la  tierra,  y  sus  entradas,  passos  y  rios, 
que  todo  lo  sabia,  con  conocida  ventaja,  mejor  que  los  ijue  para  este 
ministério  llevava  consigo:  como  se  vio  dando  su  parecer,  antes  que 
llegasse  cerca  de  los  lugares  por  donde  se  avian  de  hazer  mas  como- 
damente las  jormdas,  y  en  la  empresa  de  Tunez. 

LIBRO  SEGUNDO 

Foi.  40)  En  el  gran  mar  Atlântico,  o  Occidental,  liizo  mencion  Pedro  A- 
[)iano  en  la  segunda  parte  de  su  cosmografia,  aviendo  tratado  de  la  di- 
vision  de  la  tierra.  y  dei  sitio  y  descripcion  de  las  índias  y  mundo 
nuevo,  en  la  enarracion  de  las  insulas,  de  siele  islãs,  que  son  la  de 
Santa  Maria,  de  San  Miguel,  la  de  Christo,  que  es  la  Tercera  islã  que 
fue  descubierla  mIb  donile  liene  esle  nombre)  el  Pico,  el  Fayal,  San 
.lorge,  la  Graciosa.  Y  lo  mesmo  escrive  Abrahamo  Orlelio  en  el  teatro 
dei  mundo,  aunque  Gemafrisio  siendo  de  nuestro  liempo.  parece  aver 
tenido  poça  noticia  destas  islãs,  y  assi  en  su  Mapa  universal  no  les 
da  nombre  mas  (|ue  a  seys.  Y  Geronimo  Uuscelo,  sobre  la  ge"grafia 
lie  Tolomeo.  en  la  discripcion  de  la  Tierra  Nueva  de  Bacallaos.  pone 
ocho,  acrecentaudo  a  este  numero  la  isla  de  Flores,  Andrea  Thevel  no 
excedio  destas  en  su  cosmografia:  pêro  Geronymo  de  Chaves,  cosmó- 
grafo de  mucha  opinion,  natural  de  Sevilla,  hizo  entera  relacion  del- 
ias, anadiendo  a  la  isla  de  Flores,  la  dei  Cuervo,  que  son  por  todas 
nueve.  No  se  hizo  memoria  ai  principio  de  mas  que  de  las  siete,  por 
que  estas  se  descubrieron  casi  todas  juntas,  el  ano  de  mil  y  quatro- 
cientos  y  quarenta  y  dos,  \alirís  1432-39)  por  un  Flamencoí*) aunque  se 
dize,  que  la  de  San  Miguel  fue  descubierta  dos  anos  despues,  y  que  pas- 
savan  baxeles  entre  la  de  St.  Maria  y  S.  Miguel,  y  la  de  S.  Miguel  no 
se  dexava  vei'.  aunque  es  lan  grande,  y  aun  mayoi'  que  todas:  pêro  no 
jerà  dificultoso  de  creer,  por  los  espesos  nublados  que  rodean  siempre 
esta  isla,  queopueslos  a  nuestra  vista, causan  una  grande  y  confusa  som- 
bra. Al  tiempo  que  se  descubrieron,  estavan  inhabilables  de  hombres 
y  aun  de  animales,  solamente  avia  gian  copia  de  aves,  tan  bovas  que 
venian  a  ponerse  sobre  las  lanças  de  los  hombres  que  las  Irayan  en 
las  manos,  y  muchas  vezes  se  abalançavan  como  simples  mariposas 


(O  Vid.  Vol.  I,  pag.  :^  t'  82  d>ste  Archivo. 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  281 

a  las  llamas  dei  fiiego.  tanto  que  despues  para  caçarias  y  sustentarse 
delias,  con  fiiego  las  armavan,  que  verdaderamenle  la  hermosura  y 
resplaiidor  dei  las  atraya  y  quemava  las  plumas,  y  facilmente  las  ma- 
tavan.  Y  en  el  ano  de  mil  y  (piatrocientos  y  quarenta  y  quatro,  el  Rey 
don  Âlonso  dio  licencia  ai  Infante  don  Enrique  su  tio,  que  pobiasse  la 
islã  de  San  Miguel,  y  tas  demas.  Tiene  esta  ista  que  tlaman  de  Jesu 
Christo,  y  comunmente  Tercera,  a  la  ciudad  de  Angla,  que  los  Por- 
tugueses escriven  Angra,  que  quiere  dezir  ensenada,  que  se  haze  en- 
tre la  punta  dei  Brasil,  y  el  castillo  de  San  Sebaslian,  házia  la  puerta 
principal  de  la  ciudad.  Es  lugar  grande,  y  de  mas  de  dos  mil  vezi- 
nos:  tiene  Iglesia  Catredal,  y  en  ella  está  la  silla  Obispal.  Es  mucho 
el  comercio  con  las  índias  Orientales  y  Occidentales,  por  ser  escala 
importantíssima  para  el  refresco  y  refugio  de  sus  armadas,  por  lener 
en  si  agua  en  abundância  muy  delgada  y  saludable.  hermosas  cam- 
pinas de  mucho  trigo,  cevada,  y  pastel,  que  es  de  mucho  valor,  y  se 
provee  Flandes,  e  Inglaterra,  y  Espana.  Cogese  miei,  y  los  animales 
crian  con  facilidad,  y  assi  las  vacas  y  temeras  son  de  muy  buen  nu- 
trimento.  Ay  conejos,  perdizes,  y  gran  copia  de  codornizes,  como  en 
la  islã  de  Delos,  que  llaman  coallas.  Carece  esta  tierra  de  animales 
ponçonosos,  que  no  los  lleva  ni  produze.  semejante  en  esto  a  Ingla- 
terra, que  por  secreto  de  naturaleza  no  los  cria,  ni  lobos,  ni  otro  a- 
nimal  de  rapina,  aunque  cria  zorras,  las  quales  esta  islã  no  las  lle- 
va. ni  jamas  se  han  visto  en  ella  .... 

Foi.  42)  «...  Azeyte  falta,  y  la  cosecha  dei  vino  es  mucha,  y  no 
bueno.  Está  esta  islã  treynta  y  nueve  grados  de  altura:  estiendese  de 
largo,  de  Oriente  a  Poniente  con  doze  millas,  y  aunque  es  áspera 
por  todas  partes,  es  habitada  toda  por  su  torno,  aunque  por  la  parte 
dei  Mediodia  es  mas  poblada,  y  frequentada,  por  causa  de  las  playas. 
Viniendo  por  la  vanda  dei  Poniente,  está  la  ciudad  de  Angra,  abriga- 
da con  un  seno  de  mar,  y  no  por  esto  segura  de  vientos.  Junto  a  es- 
ta ciudad  está  la  fortaleza,  que  mando  fabricar  el  Rey  don  Sebaslian, 
y  seys  millas  házia  Oriente,  el  puerto  que  llaman  de  las  .Muelas.  y 
San  Sebastian,  pueblo  de  poça  habitacion,  três  millas  mas  adelante 
de  la  Playa,  que  es  el  lugar  mas  acomodado  para  desembarcacion  que 
ay  en  toda  ella,  y  casi  se  continua  con  la  punta  de  la  sierra.  que  es 
el  ultimo  cabo  que  mira  ai  Oriente.  Y  despues  dei,  bolviendo  ai  Se- 
tentrion,  está  otro  lugar,  que  se  llama  Agua  Alba,  y  en  esta  parte  ay 
aldeãs  de  poça  consideracion:  solamente  a  la  parte  dei  Occidente  está 
la  vezindad  de  los  Altares.  Tendra  toda  Ia  islã  de  circuito  poço  mas 
de  doze  léguas,  y  por  algunas  relaciones  que  tiene  su  Magestad,  se 
le  dan  diez  y  seys  léguas  de  a  três  millas.  Y  considerado  el  sitio  del- 
ia, y  el  rigor  con  que  se  muestra  por  mar  y  tierra,  viene  a  hazer  di- 
ficultosa esta  empresa,  mucho  mas  de  Io  que  comunmente  se  piiede 
juzgar,  por  juntarse  algunos  particulares,  que  no  se  tiene  noticia  a- 
ver  concurrido  tantos  en  otras  ocasiones:  [(Orijue  considerado  el  tama- 

N."  21  -Vol.  IY-1882.  líá 


282  ARCHIVO   DOS   AÇORES 

no  desla  islã,  y  ser  tan  habitada  y  frequentada  de  gente  acostumbra- 
da  a  trabajo  de  ordenada  milicia,  que  en  los  moradores  delia  se  hal- 
lan  seys  mil  hombres  de  pelea,  exercitados  de  muchos  anos  antes  en 
militar  diciplina,  por  la  continua  moléstia  que  siempie  han  lenido  de 
cossarios,  manejando  toda  suerte  de  armas,  práticos  en  seguir  las  or- 
denes y  obediência  de  sus  Capitanes  y  oficiales:  rodeada  naturalmen- 
te de  altas  penas,  que  con  facilidad  impiden  la  desembarcacion  ai  e- 
nemigo.  Y  nos  devemos  persuadir,  que  todo  lo  que  se  puede  consi- 
derar, lo  tienen  considerado  y  prevenido,  poniendo  toda  su  diligencia 
y  cuydado,  en  defender  la  entrada,  y  oviar  que  ninguno  de  los  nues- 
tros  pueda  poner  pie  en  su  tierra:  y  los  lugares  (que  son  poços)  por 
donde  se  pudiera  saltar  en  tierra,  los  han  de  tal  manera  proveydo  y 
fornecido,  assi  en  hazer  trincheas,  abrir  fossos,  alçar  fuertes,  cortar 
los  passos,  plantando  artilleria  por  todas  parles,  y  apercibiendose  de 
oiros  pertrechos,  reparos,  y  preparamenlos,  en  três  anos  de  tiempo, 
que  conlino  han  esperado  nuestro  acomelimienlo,  con  ordinário  conse- 
jo  de  platicos  Ingenieros,  y  esperimenlados  Capitanes.  Y  porque  se 
l)ongan  todos  los  inconvenientes,  que  apuntó  Tiburcio  Espanoque  en 
lengua  Italiana,  que  escrito  y  dilatado  por  mi  en  la  Kspanola,  se  dio 
ai  Sereníssimo  Cardenal  Archiduque  Alberto,  estando  yo  en  la  ciudad 
de  Lisboa  sirviendo  a  su  Magestad  en  sus  galeras  y  aimada,  dire  lo 
que  resta  brevemente,  pues  el  tiempo  da  lugar  para  ello;  que  de  mas 
desto  otra  dificultad  tiene  esta  empresa,  en  averse  de  seguir  contra 
gente  rebelde,  no  por  fuerça,  sino  de  su  voluntad,  contra  su  legitimo 
Rey  y  sefior,  estando  como  estan  briosos  los  enemigos  y  ensoberve- 
oidos.  por  el  sucesso  que  uvieron  quando  rompieron  la  gente  de  don 
Pedro  de  Valdês,  promeliendose  nuevas  esperanças,  perseverando  to- 
davia en  dura  obstinacion:  pues  ni  las  rotas  navales,  ni  los  castigos 
públicos  que  han  visto,  y  les  amenazan,  son  poderosos  para  doinar 
su  furor,  ni  para  hazerles  retirar  de  mal  obrar,  antes  con  insolências 
y  desverguenças.  y  publicas  predicaciones  procuran  ofender  la  iMages- 
tad  dei  Rey  nuestro  senor,  embiando  navios  para  robar  y  saquear  a 
Caboverde,  y  otras  partes,  a  fm  de  llegar  a  este  puerlo  y  tomar  len- 
gua. Exemplos  son  todos  estos  de  gran  pertinácia  y  desesperacion  de 
ser  perdonados,  y  es  claro  argumento,  en  que  nos  quieren  mostrar, 
que  hasta  la  mueite  avran  de  defenderse.  Tampoco  se  tendra  noticia  de 
que  aya  ávido  empresa  contra  Islã  tau  abastada  de  mantenimientos. 
no  solo  suficientes  para  sustentar  los  naturales,  pêro  para  toda  la  gen- 
te estrangera  que  alli  estuviere  por  largo  tiempo,  como  han  hecho 
hasta  aora,  y  hazen:  de  suerte  que  podremos  dezir,  que  es  una  forta- 
leza, en  la  qual  está  recogido  mucho  trigo,  y  bastimento,  para  todos 
los  que  la  defienden.  Tampoco  se  avra  visto  conquista  de  Islã  de  tan- 
ta importância  como  esta,  porque  de  rendirla  resulta,  venir  a  escu- 
sarse  el  trabajo,  y  grandes  costas  de  preparar  cado  ano  una  gruessa 
armada  para  assegurar  las  flotaS:  que  con  tanta  riqueza  de  plata  y  o- 


ARCHIVO  DOS  AÇOKES  283 

ro  vienen  cada  ano  de  entrambas  índias,  las  qnales  forçosamente  lian 
de  traer  por  alli  la  derrota:  y  estando  esta  Islã  en  el  estado  en  que 
esta  aora,  se  vendra  a  hazer  un  perpetuo  acogimiento  de  ladrones  que 
se  atreveran  á  venir  cada  dia  con  gruessas  armadas,  como  este  ano 
passado  lo  liizieron,  los  quales  teniendo  la  Islã  Tercera  en  su  favor, 
uvieran  por  ventura  alcançado  lo  que  desseavan,  si  en  tiempo  no  les 
atajaran  sus  desígnios.  Demas  desto  para  entralla  tiene  necessidad  de 
baxeles  de  remo,  los  quales  nunca  navegaron  tan  adentro  por  estos 
mares,  ni  se  atrevieron  jamas,  y  en  ellos  parece  por  muchas  razones, 
que  Cijnsiste  el  buen  sucesso  de  la  empresa  que  lenemos  entre  las 
manos,  estando  tan  lexos  de  tierra  tirme.  y  sin  tener  puerto,  forçan- 
do a  qualquier  suerte  de  navios  a  que  esten  en  tanto  peligro,  y  que 
no  puedan  navegar  sino  dos  meses  en  el  ano,  Junio  y  Júlio,  hasta 
mediado  Agosto,  por  ser  lo  mas  dei  tiempo  estos  mares  gruessos,  y 
fortunosos,  y  innavegables,  que  siempre  se  ha  de  andar  dando  bor- 
dos en  ellos,  por  estar  lexos  de  tierra.  Tambien  es  la  empresa  es- 
traordinaria,  por  ser  socorrida  de  Príncipes  poderosos,  y  que  no  po- 
nen  el  blanco  en  otra  cosa  sino  en  esta  pretension,  proveyendo  esta 
islã  de  armas,  y  soldados  viejos:  los  quales  es  de  creer,  que  vienen 
para  defenderse  bravamente,  por  que  por  los  exemplos  de  los  castigos 
que  en  los  passados  se  hizieron,  no  esperan  aora  los  presentes  menos 
que  muerte  vergonçosa  de  nuestras  manos.  Embiaron  estos  Príncipes 
estrangeros  cantidad  de  navios,  con  tan  poderosa  armada,  como  el  a- 
no  passado  hizieron,  y  visto  el  sucesso,  se  podra  creer  que  seran 
mas  firmes  y  determimdos  en  socorreria,  por  vengar  el  dano  recebi- 
do, obligando  a  nueslra  armada,  demas  de  ocuparse  en  la  expugna- 
cion  de  la  islã  en  tierra.  a  estar  proveyda  en  mar  de  gente,  y  lo  de- 
mas, para  qualquiera  acontecimiento.  De  lo  que  se  ha  referido  se  hal- 
lan  ai  presente  en  esta  islã  mas  de  seys  mil  soldados  de  la  propia 
tierra,  sin  que  entren  en  este  numero  cerca  de  otros  dos  mil  de  las 
islas  convezinas,  como  se  entiende  que  se  abran  prevenydo,  las  qua- 
les tambien  van  perseverando  en  la  mesma  rebelion,  y  con  los  mil 
Franceses  que  alli  ai  presente  se  hallan,  y  con  los  que  se  entiende 
que  vienen,  en  mucho  numero,  los  quales  se  han  levantado  y  apres- 
tado, y  embarcado  en  Francia,  y  conduzido.  Todas  las  sobredichas 
causas  sou  de  mucha  consideracion,  por  las  preparaciones  de  las  fuer- 
ças.  que  para  el  buen  sucesso  deste  negocio  se  ayuntan  con  la  mu- 
cha prudência  dei  Marques  su  Capitan  general,  las  quales  cosas,  de 
que  por  menudo  se  ha  hecho  relacion,  se  podrian  muy  bien  confor- 
mar, haziendo  discurso  con  los  exemplos  de  otras  empresas,  que  en 
nuestros  dias  se  han  ofrecido:  aunque  para  dezir  la  verdad,  no  de 
tanta  importância,  ni  tan  dificultosas,  y  una  delias  a  mi  parecer,  de- 
xando  otras  que  se  podrian  representar,  es  la  empresa  de  Malta,  que 
aunque  en  ella  no  me  hallé  presente,  he  procurado  infoniiarme  de 
sus  particulares  .... 


284  AHCHIVO  DOS  AÇORES 

Foi.  46)  «...Al  piinto  que  el  Marques  bolvio  ai  galeon  capilana, 
dio  orden  en  tanto  que  se  tomava  resolncion  en  el  acometer  mas  aco- 
modo de  los  soldados  en  la  forma  de  la  desembarcacion,  senalandoles 
capitanes  que  avian  de  yr  delante  en  la  primera  barcada,y  que  en  el- 
la  yria  su  persona  juntamente  con  la  dei  Maestro  de  campo  general, 
para  que  el  Marques  diesse  orden  de  palabra  de  lo  que  de  improviso 
se  ofreciesse,  viendolo  todo  por  vista  de  ojos,  assi  en  la  desembarca- 
cion, como  en  el  batir  de  los  fuertes  y  arremetida,  dando  orden  ai 
Maestro  de  campo,  y  a  los  demas  que  siempre  avia  de  tener  cerca 
de  su  persona:  y  mando  proveer  a  los  soldados  que  se  avian  de  des- 
embarcar con  sus  vanderas  de  bastimentos  para  três  dias,  ordenan- 
do que  los  Capitanes  de  las  naves  sacassen  consigo  en  la  piimera  bar- 
cada,  en  las  mesmas  barcas  de  infanteiia,  cuerda,  polvorn,  y  piorno, 
porque  no  faltasse.  Proveyo  que  los  mesmos  Capitanes  de  naves,  bi- 
ziessen  desembarcar  bastimentos  para  otros  diez  dias,  despues  de  los 
três,  y  que  de  respeto  uviesse  en  cada  tercio  los  gastadores,  con  pa- 
las, espuertas  y  picos,  para  lo  que  de  antemano  se  ofreciesse.  Ordeno 
luego  ai  Capitan  .Juan  Yenegas  Quixada  teniente  de  Capitan  general 
de  artilleria,  que  en  quatro  pinaças  llevasse  pólvora,  balas,  cuerda, 
y  con  alguna  artilleria  de  numero  seguido.  Y  aviendose  adelantado 
un  ingeniero,  y  algunos  Capitanes  con  el,  dixeron,  que  el  puerto  de 
las  Muelas  les  parecia  mejor  desembarcadero,  aunque  tenia  un  fuerte 
con  sus  trincheas,  mas  fornecido  que  el  dia  antes  avian  visto  con  el 
Marques,  el  qual  ya  eslava  informado  deste  desembaicadero,  por  u- 
nos  Portugueses  que  fueron  de  mucha  importância  para  este  efeto,  y 
Iraydos  ai  galeon  San  Martin:  y  aun  ai  principio  se  pensn,  que  avian 
querido  estos  aconsejar  mal,  por  la  aspereza  que  se  via  en  el  lugar, 
pêro  ai  Marques  le  parecio  de  menos  peligro  vencer  en  esta  ocasion 
la  dificultad  de  'a  naturaleza,  que  los  peligrosos  reparos  dei  arte.... 

Foi.  47)  «...Y  assi  para  proceder  el  Marques  en  este  negocio  mas 
atentadamente,  imitando  a  Quinto  Fábio,  ordeno  que  fuessen  los  maes- 
tros de  campo  don  Francisco  de  Bobadilla,  y  Agustin  Iniguez,  y  el 
Capitan  Geronimo  Frãces,  Tiburcio  Espanoque,  y  Juan  Baptista  Caira- 
lo  ingeniero.  para  tomar  la  ultima  resolucion.  .  .  . 

Foi.  48)  «  . . .  Y  en  tanto  que  esto  por  aca  se  proveia,  el  dia  si- 
guiente  los  dos  Portugueses  que  avian  salido  dei  galeon  San  Martin 
en  el  barco  con  los  recaudos  dei  Marques,  para  que  llegassen  a  noti- 
cia de  todos,  aviendo  tomado  puerto  en  la  islã.  uno  de  ellos  se  los 
puso  en  las  manos  a  Manuel  de  Silva,  que  por  aver  sido  grande  ami- 
go de  don  António,  y  de  los  primeros  que  congregaron  gente,  dando- 
le  nombre  de  Rey  en  Santaren.  don  António  le  tenia  mucha  obliga- 
cion:  y  assi  quitando  dei  cargo  de  governador  a  Ciprian  de  Figueredo. 
lo  embio  por  el  mes  de  Março,  desde  Francia,  para  que  se  encargas- 
se  de  las  Islãs,  con  mayores  títulos  como  parece  por  una  patente  que 
le  dio  escrita  en  pergamino,  con  prerogativas  y  nombres  ambiciosos. 


ARCHIVO  DOS  AÇOKES  285 

hazieniiolo  Conde  de  Torresvedras,  de  su  Consejo  de  estado,  veedor 
da  fazenda,  lugar  leniente  general  de  todas  las  islãs  dei  mar  Oceano, 
estados  de  Brasil,  Caboverde.  San  Thome.  la  Mina,  y  de  todas  las 
ciudades,  villas,  y  fortalezas,  y  tierras,  y  senorios  de  Afiica,  Etiópia, 
y  Cabo  de  Buena  Esperança:  con  poder  para  hazer  meicedes,  dar  o- 
hcios,  y  quilarlos,  poder  balir  moneda,  y  atender  a  la  jurisdicion  e- 
clesiastica.  con  la  presentacion  de  benefícios,  y  hazer  justicia.  Avien- 
do  pues  leydo  Manuel  de  Silva  el  protesto,  y  abriendo  la  carta  parti- 
cular dei  Marques,  no  gustó  mncho  delia,  por  parecerle  que  el  Mar- 
ques le  tuviesse  en  reputacion  de  rebelde,  y  la  escondio  con  los  pro- 
testos. Y  llegandose  házia  la  puerta  de  la  carcel.  donde  eslavan  pre- 
sos algunos  Castellanos,  moleslandolos  con  dura  prision,  por  el  ódio, 
y  aborreciraienlo  que  tenian  a  este  nombre.y  por  pareceries  que  por 
esta  razon  avia  algunas  culpas  en  ellos,  y  que  fuera  inconveniente 
dexarlos  andar  sueltos  por  la  islã,  les  dixo:  Contentos  estareys,  Cas- 
tellanos, de  que  vuestra  armada  está  tan  cerca.  Y  haziendo  donayre 
de  los  protestos,  bolvio  a  dezir  riendose:  Pareceme  que  esto  mas  se 
escrive  por  tentar  que  por  justiíicacion:  porque  estoy  informado,  y 
aun  se  cierto,  que  no  vienen  en  todo  esto  que  veis  quatro  mil  hom- 
bres  de  guerra.  Ya  saben  los  que  aqui  vienen,  que  cosa  es  venir  á 
la  Tercera,  y  bolver  con  las  manos  eu  la  cabeça.  Yo  prometo  quan- 
do ellos  buelvan  las  espaldas,  de  daros  libertad.  Los  afligidos  pre- 
sos no  respondieron.  como  hombres  que  sabian  a  donde  Negava  la 
crueldad  de  Manuel  de  Silva,  que  poços  dias  antes  avia  mandado  exe- 
cutar castigos  estraordinarios  en  algunos,  y  especialmente  en  Mel- 
chior Alfonso  Portugues,que  por  ser  dela  parte  de  su  Mageslad,  le  man- 
do dar  cruel  tormento,  haziendole  calcar  unos  çapatos  de  cuero  bana- 
dos  en  azeyte,  despues  de  averle  raydo  las  plantas  de  los  pies,  y  lle- 
gandoselos  cerca  dei  fuego,  dava  con  el  bravo  dolor  sentibles  gritos. 
y  morlales  singultos,  con  que  atemorizo  los  hombres,  y  despues  lo 
mando  arrastrar,  y  ahorcar,  y  hazer  quartos,  y  poner  la  cabeça  en 
una  red  de  hierro  en  la  placa  publica  a  la  tone  dei  relox;  que  no  a- 
via  persona  que  le  osasse  dezir  mas  de  aquello  que  podia  sei'  de  su 
gusto;  que  esta  es  la  perfeta  tirania.  A  Juan  de  Betancor,  que  descu- 
brio  el  animo  por  parte  dei  Rey  Católico  don  Felipe,  lo  tuvo  aspera- 
mente preso,  y  para  condenallo  a  muerte.  A  otros  dio  tormentos  de 
garrucha,  y  a  otros  unzidos  como  bueyes  de  baxo  de  yngo.  mando 
açotar  pubíicamente  por  las  calles,  con  aquella  nueva  invencion  de  o- 
probrio.  .  .  . 

Foi.  51  v.")  «...Y  assi  de  todos  estos  pareceres  y  reconocimiontos 
y  justa  consideracion  resulto  la  determinacion  dei  Marques  en  resol- 
verse  de  acometer  por  una  ensenada  (pie  haze  el  mar,  como  una  lé- 
gua dei  lugar  donde  era  el  surgidero  de  Ioda  la  armada,  dos  léguas 
de  la  ciudad  de  Angra,  que  llanian  Porto  das  Moas,  (|iie  aca  dezimos 
de  las  muelas,  y  por  otro  nombre  los  ancianos  llanian  el  cerro  de  la 


Í86  ARCHIVO  DOS   AÇORES 

cotitienda,  como  pronostico  dei  sucesso.  Contento  este  puerto  ai  Mar- 
ques en  conformidad  de  lodos  los  de  su  consejo,  por  muchas  razones 
(jue  para  eilo  se  hallaron,  que  qual(|uiera  delias  hazia  bien  conside- 
rada esta  determinacion.  La  primera  que  íe  movio.  fue,  por  que  el 
desenibarcadero  era  capaz  para  llegar  á  un  tiempo  todas  las  barcas  en 
que  yvan  los  quatro  mil  soldados,  que  estavan  embarcados,  y  á  pun- 
lo  para  la  desembarcacion  primera,  y  trás  esta  olra  que  la  assegura- 
va, porque  no  avia  mas  de  un  fuerte  á  la  mano  yzquierda  de  la  triu-' 
chea;  y  el  traves  dei  fuerte,  por  sei'  la  trincliea  larga,  no  podia  ha- 
zer  tanto  dano,  como  en  las  demas  que  estavan  vistas:  y  porque  este 
puesto  vénia  a  ser  en  la  mitad  dei  cainino  que  ay  de  la  ciudad  de 
Angra,  hasta  la  Playa,  y  assi  vénia  de  mas  lexos  el  socorro,  que  avia 
de  acudir  de  estas  dos  partes  mas  principales  que  otra  alguna  de  to- 
da la  islã,  que  fue  discurso  de  muclia  importância.  Y  la  otra  razon, 
porque  en  caso  que  los  Franceses  defendiessen  la  entrada,  se  les 
podia  acometer  tambien  por  la  vanda  dei  islote  a  la  mano  derecha 
de  la  entraria  dei  puerto,  por  aquella  parte  y  lugar  peynado,  porque 
estava  tan  baxo,  que  con  solo  nu  troço  de  escala  se  podia  subir,  y 
siendo  necessário  acometer  por  estas  dos  parles,  vendria  a  divertir- 
se  el  enemigo,  para  hazerle  retirar  de  la  defensa  dei  fuerte  y  trin- 
cheas.  Y  olra  avia,  (y  no  de  menos  importância)  que  era,  no  estar 
lexos  dei  armada  este  desembarcadero  para  este  efecto.  Aqui  se  veri- 
(ica  con  quanta  razon  se  Mama  entero  y  perfeclo  el  parecer,  a  quien 
se  llegan  y  juntan  pareceres  de  muchos;  porque  lodo  lo  que  el  hom- 
bre  imagina  y  trata  va  perdido,  sino  se  reduze  a  consejo,  que  en  es- 
ta mulliplicacion  está  la  salud,  y  Io  que  a  la  republica  conviene.  El 
Marques  salio  á  prima  noclie  dei  galeon  San  Martin,  y  llevando  consi- 
go los  cavalleros  que  en  el  avia.  passo  á  la  galera  capitana,  para  que 
alli  con  mas  facilidad  se  diessen  las  ordenes  que  eran  menester  para 
el  efeto  que  eslava  ya  tau  cercano,  y  para  que  lodos  se  aprestassen 
y  apercibiessen  para  la  hora  en  que  se  mandasse  levar.  6  tocar  arma; 
y  en  poço  espacio  de  tiempo  cada  uno  se  fue  á  su  galera,  ó  barcon, 
con  la  demas  infanteria,  que  estava  ya  desde  Ia  manana  embarcada 
hasta  el  fm  dei  dia  que  duro  la  embarcacion:  el  infante  con  sus  ar- 
mas, y  el  mosquetero  y  arcabuzero  con  Ias  suyas  adornado  cuerpo  y 
cabeça,  de  suerte  que  las  galeras  y  Ias  barcas  que  las  rodeavan,  no 
se  parecian,  porque  estavan  quajadas  de  gente  y  de  armas:  unos  a- 
via  que  reposavan,  y  oiros  de  mas  bivo  cuydado,  proveian  su  con- 
ciencia  dei  remédio  importanlissimo  para  su  salvacion;  porque  no  fal- 
lavan  religiosos  de  Ia  orden  dei  glorioso  san  Francisco,  y  de  la  Com- 
pania  dei  sanlissimo  nombre  de  .lesus,  que  alli  trabajavan  en  servi- 
cio  de  Dios,  lo  que  sus  fuerças  pudian:  porque  siempre  es  justo 
que  aya  copia  de  sacerdotes  en  los  exércitos,  como  se  lee  en  el  tex- 
to sagrado.  A  este  tiempo  se  otorgaron  algunos  testamentos,  que 
aunque  en  parle  erau  defectuosos,  se  suplia  todo  en  virtuil  dei  pri- 


ARCHIVO   DOS  AÇORES  287 

vilegio  de  los  soldados  por  el  rescrito  dei  Divo  Trajano:  porque  ii- 
nns  se  hizieron  por  cartas,  y  otros  por  simples  memorias  dexavaii 
instituydos  fierederos,  no  dando  lugar  para  mas  el  tiempo,  ni  la  oca- 
sion,  ni  la  necessidad:  a  imitacion  de  los  Romanos  en  los  exércitos, 
que  primero  qne  se  pusiessen  las  celadas.  y  que  se  cifiessen  la  ropa, 
o  segunda  túnica  con  su  espada,  liazian  sus  testamentos,  estando,  co- 
mo dizen.  el  pie  en  el  estribo,  y  nombravan  herederos  delante  de 
três,  o  quatro  personas,  por  ser  expedicion.  Y  aun  despues  se  ie  per- 
mitia ai  soldado  escrivir  el  testamento  cou  su  sangre  en  el  escudo,  y 
quando  se  bailasse  en  mayor  estrecho,  sinalando  en  la  tierra:  y  aun 
de  palabra,  se  guardavan  y  cumplinn  las  ultimas  disposiciones  de  los 
que  morian.  Uvo  algo  desto  en  esta  jornada,  donde  se  observaron  los 
testamentos  militares,  tambien  como  otros  que  con  justa  solenidad 
de  ultima  volunlad  se  avian  otorgado  en  la  paz.  Y  es  justo  que  res- 
plandezcan  hasta  el  dia  de  oy  los  privilégios,  que  con  leiras  de  color 
de  purpura,  establecio  en  favor  dellos  el  invicto  Emperador  Júlio  Cé- 
sar, y  Nerva  que  estendio  sus  privilégios. 

Despues  de  aver  el  Marques  ordenado,  mando  que  se  amatassen 
las  lumbres  de  las  galeras,  y  las  cuerdas  de  los  arcabuzes,  porque  no 
se  divisasen  por  los  enemigos.  y  que  no  se  disparasse,  ni  tocasse  ca- 
xa,  ni  hiziesse  rumor,  y  assi  començo  a  aquella  ora  a  reynar  sobre  el 
mar  un  profundo  silencio  de  todos,  que  no  se  oia  sino  a  ratos  el  cru- 
xido  sordo  de  las  armas,  quando  para  descansar  se  movian.  Anduvi- 
eron  don  Francisco  de  Bovadilla,  y  Agustin  Yniguez  maestros  de 
campo  toda  la  noche,.  proveyendo  que  no  se  quedase  algun  barco  a 
trás,  para  que  las  galeras  los  remolcassen  a  todos,  y  ya  que  serian 
las  dos  de  la  mariana  començó  la  galera  capitana  a  çarpar.  y  palpan- 
do los  remos  en  el  agua,  todas  las  demas  hizieron  lo  mesmo,  trayen- 
do  con  mucha  orden  remolcando  los  barcones,  pataches,  y  pinaças. 
que  no  podian  series  de  provecho  sus  remos,  si  las  galeras  no  los 
traxeran,  a  causa  de  la  mucha  gente  que  en  ellos  avia  cargado:  por 
que  de  la  primera  desembarcacion  eran  quatro  mil  infantes  de  van- 
guardia  de  los  tercios  de  don  Lope  de  Figueroa  con  su  compaiiia  de 
soldados  viej(»s  de  la  Liga.  con  senalados  capitanes.  Pedro  Rosado.  La- 
çaro  de  Islã.  Agustin  de  Herrera,  Miguel  Ferrer,  Pedro  de  Santistevan. 
Diego  Coloma,"Don  Juan  de  Córdova,  don  Bernardino  de  Çuniga,  Mi- 
guel de  Benesa,  Sancho  de  Solis.  don  Juan  de  Bivero,  y  su  Alferez. 
Cavalleros  particulares,  don  Hngo  de  Moncada,  don  Pedro  llenriquez. 
don  Gabriel  de  Lupian.  don  Godofre  de  .Mendoça.  don  Luis  Venegas. 
don  Álvaro  de  Benavides.  don  Juan  de  Granada,  don  Rodrigo  Ponce 
de  Leon.  Marcelo  (^aracciolo.  don  Geroniino  Çapala.  don  Bernardino 
de  Mendoça,  don  Diego  de  Bagan,  y  el  maestro  de  campo  don  Fran- 
cisco de  Bovadilla:  con  los  (Capitanes  don  António  de  Paços,  capilan 
Castellani.  Juan  de  Texeda,  (jue  liazia  oficio  de  sargenio  mayor  en 
todos  los  tercios,  Diego  de  Cardenas  Sotomavor,  Bustamanie  de  ller- 


288  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

rera,  Jiian  Fernandez  de  Luna,  Diego  de  Oviedo,  y  con  ellos  yvan  los 
cavalleros  don  Felipe  de  Córdova,  y  don  Alonso  de  Roxas,  don  Gon- 
çalo de  Guevara  don  Francisco  de  Benavides,  don  António  de  Solis, 
don  Fernando  de  Toledo,  don  Franciso  de  Guzman,  don  Geronimo  de 
Rivero.  don  Jnan  de  Rnytron,  don  Pedro  Enriquez.  el  Capilan  Melchior 
de  Sparça,  don  Jnan  Gallo.  y  el  Maestro  de  Campo  Agnstin  Ini- 
gnez  de  Zarate.  con  el  capitan  Diego  Suares  de  Salazar,  don  Chrislo- 
val  de  Acnna.  don  Juan  dei  Castillo,  don  Fernando  de  Ribanco,  Antó- 
nio Florez,  Pedro  Ximenez  de  Heredia,  Christoval  de  Paz,  Hernando 
Pacho.  Francisco  Calderon.  Pedro  de  Angulo,  y  el  Alferez  Xaramillo, 
de  la  compania  de  Pacho,  y  don  Geronimo  de  Gongora.  don  Garcia 
de  Cole.  don  Juan  de  Sandoval,  que  hazia  oficio  de  Maestro  de  cam- 
po, a  cuyo  cargo  estan  las  quinçe  companias  de  Portugal,  que  salie- 
ron  dei  castillo  con  los  capitanes  Geronimo  Francês,  Manuel  de  Ve- 
ga, António  Serrano,  Diego  Valiente.  don  Juan  de  Mendoça,  don  Juan 
de  Medrano,  Sancho  de  Bullon,  don  Juan  de  Lanuça,  don  S;uicho  de 
Escobar,  dou  Eslevan  dei  Aguila,  Juan  de  la  Rea.  Francisco  de  la  Ro- 
cha, Martin  de  Herrera,  el  sargento  mayor  Gaspar  Çapena,  y  con  el- 
los don  Pedro  Ponce  de  Leon,  don  Juan  de  Castelvi,  don  Francisco  de 
Rorja,  Onofie  Vernegal,  don  Rartolome  de  Amaya.  y  el  Conde  Gero- 
nimo de  Lodron.  con  los  capitanes.  el  Conde  Nicolo.  el  capitan  Carlos, 
y  el  sargento  mayor  Curcio,  y  aveutureros  don  Francisco  Pernot  co- 
mendador de  Esparragosa  de  la  orden  de  Alcântara,  y  Mos.  de  la  Mo- 
ta. Lúcio  Pinatelo,  con  algunos  Italianos,  y  el  capitan  fray  Vicencio  de 
Afliti,  y  aveutureros,  .Miguel  Coxa,  cavallero  Napolitano,  don  Félix 
de  Aragon,  con  una  copiosa  compania  de  Portugueses.  Ya  serian  las 
(juatro  de  la  madrugada,  en  piinto  (]ue  se  aclarava  el  ayre,  de  suerte 
que  se  pudiesse  ver  lo  que  se  hazia,  quando  llegó  el  .Marques  en  sii 
galera  capitana  a  tiro  de  arcabuz,  cerca  de  la  cala  y  ensenada  por 
donde  se  avia  de  arremeter.  LIevava  en  ella  a  don  Pedro  de  Toledo 
Marques  de  Villafranca,  y  a  don  Lope  de  Figueroa,  don  Pedro  de  Pa- 
dilla.  don  Jorge  Manrique  veedor  general,  don  Juan  Manrique,  hijo 
dei  Duque  de  Najera,  el  comendador  don  Luis  de  Sandoval,  don  A- 
lonso  de  Idiaquez,  don  Luis  de  Rorja,  don  .\ntonio  Manrique.  Juan 
Martinez  de  Recalde,  don  Pedro  Ponce  de  Leon,  el  capitan  Juan  de 
Horbina,  Miguel  de  Oquendo,  don  António  de  Portugal,  Diego  de  Mi- 
randa. 

{Contt7iúa.\ 


ARGHIVO  DOS  AÇORES 


domínio  hespanhol  xos  açores 

E 

D.  ANTÓNIO  PRIOR  DO  CRATO 


CONQUISTA  DA  ILHA  TE1|^GEIRA  EM  1583 

PELO 

Licenciado  Cliristoval  Mosquera  de  Figueroa 

Auditor  Geral  da  Armada  e  Exercito  d'el  Rey  Católico 

(Extractos) 

(Continuado  de  pag.  288.  > 

Foi.  33  v.".  ...Y  aviendo  apercebido  a  todos  para  la  ocasioii  en  que 
se  avia  de  dar  el  assalto,  se  fiie  ilegaudo  la  galera  capitana  con  las 
demas,  que  por  todas  eran  diez.  porque  la  galera  dei  capilan  Mun- 
guia,  y  la  Vitoria,  que  restaVan  dei  numero  de  las  doze,  estas  anda- 
vau  inquietando  por  otra  parle  a  los  eneniigos,  por  la  vanda  de  la 
Piava,  donde  estavan  nueve  navios  prevenidos,  pai'a  buyr  en  ellos  los 
que  pudiessen,  ai  liempo  de  la  mayor  necessidad.  Salto  la  gente  con 
impelu.  y  de  improviso,  que  assi  se  ha  de  hazer  pudiendo,  por  co- 
ger  desapercebidu  ai  enemigo,  en  tanto  que  las  fuergas  estan  divisas, 
y  antes  que  vengan  a  unirse.  Y  descubiertos  los  nueslros  por  los  e- 
nemigos,  luego  hizieron  diversas  senales,  con  abumadas,  y  llamaradas 

N.^  -22-Vol.  IV— 1883.  I 


290  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

de  pólvora,  pidiendo  socorro  por  aquella  parle  de  un  cerro  o  monta- 
na  alia,  donde  tenian  una  campana  que  lafiian  a  gran  priessa,  y  á  tre- 
chos avia  otras  que  se  correspondian  para  el  mismo  efeto.  Comença- 
i'on  a  disparar  canonazos  de  los  fuerles  mas  cercanos.  y  trincheas.  y 
quanto  los  enemigos  disparavan,  tanto  mas  los  nuestros  se  les  acer- 
cavan:  y  visto  por  el  j^iloto  mayor  de  las  galeras,  dixo  (bolviendose 
ai  Marquesj  que  mirasse  que  estava  tan  cerca,  que  echarian  a  fondo 
su  galera:  a  quien  respondio  el  Marques:  Pues  acercaos  mas,  y  quan- 
do esso  fuere,  aviendo  encallado  la  galera,  no  nos  ahogaremos:  seme- 
jante  ai  dicho  dei  Espartano,  que  diziendole  un  capitan  suyo  por  ate- 
morizarle,  que  las  saetas  de  los  Persas  cubrian  el  Sol,  respondio,  Me- 
jor  es  esso,  porque  pelearemos  a  la  sombra,  Palabras  de  capitanes 
dichas  en  oportunas  ocasiones,  los  han  hecho  inmorlales,  porque  en 
ellas  se  descubre  el  vigor  dei  animo,  y  assi  la  fama  entre  los  hombres 
no  procede  de  la  naturaleza,  ni  se  sigue  delia,  porque  trae  su  origen 
de  la  virlud,  que  es  ganância  y  premio  suyo.  Entonces  envistio  el  pi- 
loto, hasta  que  el  Marques  se  les  opuso  a  cuerpo  de  galera,  y  des- 
pues  de  aver  esperado  de  los  enemigos  algunos  canonazos,  que  lira- 
van  a  cavallero,  aunque  passaron  las  balas  por  alio,  siguiendo  punto 
de  mayor  caça,  porque  algunas  plataformas  estavan  de  suerte  en  los 
fuerles  de  los  enemigos,  que  no  podian  pescar  sin  peligro  de  perder- 
se  las  pieças,  por  ser  necessário  inclinarias  muchopara  baxarles  el 
punto:  aviendo  assi  mismo  disparado  muchos  mosquetazos,  el  IVIarques 
mando  que  diesse  fuego  la  capitana,  y  Mamando  a  Dios,  y  a  Santiago, 
que  assi  lo  ha  de  hazer  el  General  quando  acomete,  mirando  su  gen- 
te, començo  a  disparar  pieças  de  proa,  sacres.  esmeriles,  y  cânon  de 
cruxia:  y  luego  las  demas  respondiendo  con  espantosos  truenos,  cau- 
saron  tanto  temor  y  estruendo,  que  hizieron  placa  por  la  parte  por 
donde  se  avia  de  acometer,  y  las  culebrinas,  o  cânones  de  cruxia,  e- 
chavan  balas  de  quarenta  libras,  y  pusieron  algun  temor  a  los  enemi- 
gos. y  de  alli  a  poço,  en  tanloque  las  barcas  se  acercavan,  dieron 
fuego  por  la  vanda  enemiga,  y  disparanm  nuevas  pieças.  Y  visto  que 
de  nuestra  parte  se  detenian  en  responder,  para  que  con  mas  breve- 
dad  se  hiziesse,  el  Marques  que  estava  en  j)ie,  como  lo  ha  de  estar 
el  capitan  general,  ordenando  en  las  ocasiones  que  no  le  obliguen  es- 
tar a  cavallo,  salto  desarmado,  passando  por  médio  de  todos,  hasta  el 
arbol  de  su  galera,  para  encargar  con  mas  instancia  la  diligencia  a 
los  artilleros,  liaziendo  en  esto  el  verdadero  oficio  de  General,  que  no 
solo  consiste  en  saber  mandar,  y  dar  las  ordenes,  pêro  en  cumplirlas, 
como  lo  trae  el  jurisconsulto  Marciano  tratando  de  las  cosas  de  la  guer- 
ra. Aunque  no  dexo  de  dar  el  Marques  muestra  de  cierto  estremo  de 
atrevimienlo  nacido  de  fortaleza  natural,  puesto  caso  que  en  ella  uvies- 
se  entereza  de  animo,  sin  desassossiego  ni  turbacion  en  su  persona. 
que  moralmente  le  deflende  en  lo  que  hizo.  pues  sabia  e!  quan  obli- 
gado  está  el  capitan  general  á  tener  particular  cuydado  de  su  perso- 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  291 

na,  poniendo  en  ella  aquella  guarda  que  es  necessária  para  que  no  le 
ofendan  los  enemigos.  .  .  . 

Foi.  57  v.'')  ...  No  passo  mncho  espacio  de  tiempo,  que  luego  se 
disparo  la  artilleria  y  con  ella  los  cânones  mayores  de  ias  galeras,  y 
uno  desencavalgò  una  pieça  grande  de  hierro  colado  de  los  enemigos, 
que  era  la  que  mas  dano  podia  hazer,  y  una  pelota  de  los  enemigos 
que  defendian  la  trinchea,  llevó  la  cabeça  ai  limonero  de  una  barca 
chata  que  traia  remolcando  la  galera  Fama,  con  arcabuzeros  de  la 
compania  dei  capitan  Venesa,  antes  que  llegasse  a  lierra,  de  suerte 
que  los  que  en  la  barca  venian,  no  lo  sintieron,  por  yr  el  timonero  a 
popa:  pêro  sintieron  que  la  barco  se  delenia  por  venir  sin  govierno.  de 
suerte  que  pudieron  otras  passar  adelanie.  LIegaron  brevemente  las  bar- 
cas a  tierra,  donde  saltaron  los  Espanoles  con  grande  esfuerço  entre  a- 
quelias  lajas  a  los  lados  de  los  fuertes:  algunos  ponian  el  pie  seguro  en 
una  piedra,  para  escaparse  de  la  resaca,  que  era  grande:  otros  que 
no  podian  esperar  esta  coyunlura,  se  abalançavan,  y  se  sumergian, 
de  suerte  que  el  agua  les  cubria  hasta  la  cinta,  y  con  la  resaca  que- 
davan  luego  esentos  para  salir.  Echóse  ai  agua  animosamente  con  sn 
vandera,  por  aver  encallado  la  barca,  Francisco  de  la  Rua  alferez  de 
don  Francisco  de  Bovadilla,  y  trás  el  el  capitan  Luis  de  Guevara,  y  Ro- 
drigo de  Cervantes,  a  quien  despues  aventajó  el  Marques:  y  assi  ran- 
chos salieron  de  las  barcas  mojados,  corriendo  agua  salada  de  entre 
las  ropas  y  las  armas.  Y  como  para  Espanoles  no  es  cosa  nueva  sufrir 
Irabajos,  seguian  con  toda  vehemencia  su  empresa,  y  se  vio,  ayudan- 
dose  unos  á  otros,  que  sin  aprovecharse  de  escala,  ni  aver  derribado 
cerca,  ni  desmantelado  trinchea  (cosa  maravillosa)  como  si  subieran 
por  el  ayre.  siendo  las  trincheas  derechas,  y  sentadas  sobre  piedras 
como  mas  de  media  pica,  se  vieron  soldados  encima  delias,  dignos 
por  cierto  de  la  gloria  de  las  coronas  murales.  Y  presupuesto  que  los 
esfuerços  extraordinários  espantan  á  los  enemigos,  y  quanto  con  mas 
impetu  y  rigor  se  haze,  tanto  raayor  miedo  los  ocupa,  como  sucedio 
á  Jonathas  y  á  su  escudero,  que  atemorizo  con  su  assalto  el  campo 
de  los  Filisteos,  mucha  razon  tuvieron  los  antiguos  de  poner  prémios 
á  los  primeros  que  se  arrojavan  en  semej;mtes  peligros.  Viose  luego 
una  vandera  de  Castilla,  y  assi  subieron  todos  por  lugares  asperissi- 
mos  y  dificultosos;  y  aunque  los  enemigos  cargavan  con  brava  fúria 
para  resistir  á  los  primeros  impetus,  assi  con  balas  como  con  artifí- 
cios de  fuego,  y  entonces  con  una  olla  que  arrojaron  quemaron  un 
cabo  de  esquadra' dei  tercio  de  la  Liga,  los  de  fuera  de  tal  suerte  o- 
fendian  con  arcabuzes,  picas,  y  mosquetes,  que  dieron  lugar  paraque 
subiessen  mas  soldados.  En  este  assalto  se  hallaron  por  la  parte  de 
dentro  de  la  Isla  três  vanderas,  una  de  Franceses,  >  dos  de  Portugue- 
ses, que  llegavan  á  dozientos;  hizieron  los  Franceses  gian  resistên- 
cia, pêro  duro  poço,  por  ser  pocu  el  numero.  Fueron  mnerlos  de  la 
parte  de  fuera  mas  de  veynte  soldados,  y  de  la  parte  de  dentro  mu- 


292  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

rieron  algiinos,  y  el  capitan  Francês  llamado  Berzino,  hombre  mu\ 
platico  y  estimado  entre  eílos,  á  cnyo  cargo  estava  el  fnerte  mas  prin- 
cipal de  aquella  parte  que  defendia,  y  las  Irincheas  que  alli  estavan. 
Luego  llegó  á  la  defensa  una  de  las  dos  companias  de  Portugueses, 
donde  combalio,  aunque  con  temor,  por  el  espanto  que  avian  conce- 
bido de  la  artilleria:  y  la  otra  hizo  alguna,  aunque  menos  resistência: 
porque  aviendo  oydo  sonar  las  campanas  de!  arma.  y  no  venir  socor- 
ro, y  viendo  morir  sus  companeros.  desamparo  la  trinchea,  y  quedan- 
do solos  los  Franceses  que  alli  avia,  fueron  muertos  algunos.  y  no 
pudiendo  resistir  el  impetu  de  los  Espanoles,  bolvieron  las  espaldas: 
y  assi  en  menos  de  una  hora  fue  el  Marques  senor  de  aquellos  fuer- 
tes,  con  menos  sangre  de  lo  que  se  pensava.  Luego  que  los  Casiel- 
lanos  vieron  otra  vandera  en  la  trinchea,  començaron  a  dar  senal  los 
ministriles  de  la  vitoria,  llamando  a  la  senora  Santa  Ana,  en  cuyo 
santo  dia  el  ano  passado  uvo  el  Marques  la  famosa  vitoria  Naval  con- 
tra Franceses  cerca  destas  islãs,  con  que  se  regozijo  nueslra  armada, 
y  se  animaron  los  demas  para  saltar  a  tierra.  con  la  mayor  presteza 
que  pudieron.  Estos  dos  alferezes  se  senalaron  en  aquel  assalto,  el 
uno  dellos  es  Alonso  de  Xerez,  natural  de  Málaga,  dela  ctjmpafiia  de 
dou  Juan  de  Bivero,  y  el  otro  Xaramillo  de  la  compafiia  dei  capilan 
Pacho,  que  fueron  los  primeros  que  enarbolaron  vanderi  en  las  trin- 
cheas.  y  luego  con  ellos  la  vandera  dei  capitan  Solomayor.  y  la  dei 
capitan  Flores.  Y  pareciendole  ai  Marques  que  no  era  tiempo  de  es- 
perar mas,  salio  en  un  esquife,  con  su  gnion,  y  algunos  cavalleros 
de  los  que  venian  con  el  en  la  galera,  en  otra  barca:  y  aunque  no  es- 
tava la  tierra  en  todo  segura,  aspirando  a  sus  mayores  desseos  dei 
servicio  de  Dios,  y  de  su  Rey,  no  baxó  los  ojos  ai  reparo  de  su  salud: 
y  assi  empenando  su  persona,  para  que  los  demas  le  imitassen,  teni- 
endo  atencion  a  que  el  Capitan  general  mueve  con  su  exemplo,  se  a- 
delantó  por  llegar  a  tierra,  y  tanbien  porque  via  que  la  infanteria  yva 
desembarcando  a  toda  priessa:  y  aviendo  puesto  los  pies  en  ella,  hin- 
có  las  rodillas,  y  humillado  ante  un  crucifixo  que  llevava  consigo,  en 
manos  de  un  frayle  de  la  orden  de  S.  Francisco,  hizo  oracion.  y  le 
dio  gracias  por  la  gran  merced  que  a  todos  avia  hecho.  .  .  . 

Foi.  60  V.")  ...Y  luego  se  acabo  de  echar  en  tierra  la  primera  desem- 
barcacion,  para  que  por  todas  partes  se  tomassen  las  montafias,  y  pas- 
sos, y  atajos  dei  campo,  ordenando  en  todo  lo  que  mas  convenia,  para 
mejor  conservacion  dei  exercito:  y  porque  el  esfuerço  y  rara  opinion  de 
don  Francisco  de  Bovadilla  maestVo  de  campo,  presupone  ser  superior 
en  toda  ilustre  empresa,  no  quiero  dezir  qne  fue  el  primero  que  puso 
pie  en  tierra  de  los  enemigos,  saltando  en  ella  con  peto  y  morrion  lige- 
ro,  aunque  aya  ávido  otros  que  se  le  adelantassen  en  el  subir  de  la  trin- 
chea: y  de  los  cavalleros  cortesanos  aventureros  se  senaló  don  Felipe 
de  Córdova,  que  arremelio  con  el  maestro  de  campo  de  una  barquil- 
la  en  que  yva,  y  el  capitan  Juan  de  Texeda.  y  el  capitan  Yicenie  (^as- 


ARCHIVO  DOS  AÇOliES  291] 

lellolin,  y  su  alferez  Velasco,  y  don  Geronimo  Çapata  Osório,  qne  yva 
en  la   barca  dei  capilan  Ferrei'.  Quando  el  Mari]nes  eiilró  rn  la  tier- 
ra.    Negando   a   la    avanguardia   de!   esqnadron,  le  dio  el  maestro  de 
campo  don  Francisco  de  Hovadilla  razon  de  lo  qne  se  avia  hecho  has- 
ta aquel  pnnlo,  el  qual  lo  formo  confusamente  de  Iodas  las  naciones. 
por  la  brevedad,  y   por  estar  prestos  conlia  el  socorro  qne  parecia, 
pêro  no  fue  menester,  porque  los  Franceses,  y  Portugnezes  no  se  a- 
cercarun,  antes  hizieron  alio  en  una  monlafinela  cerca  de  San  Sebas- 
tian,  y  los  que  avian  dexado  las  Irinclieas  por  donde  se  entro,  no  bol- 
vieron  contra  los  nueslros,  antes  alargaron  el  passo  para  jnntarse  con 
ellos:  y  assi  visto  el  lugar  que  dieron  los  enemigos,  lo  tuvo  el  Mai- 
ques  para  que  se  ordenasse  el  esquadrou,  con  las  naciones  juntas  en- 
tre si,  y  separadas  unas  de  otras,  porque  con  esta  orden  por  experi- 
ência se  vee  estar  los  exércitos  con  mas  guslo.  y  ayudarse  con  mas 
esfuerço  en  las  batallas:  y  de  la  suerte  que  se  ha  de  procurar  por  el 
Príncipe  que  se  conserve  en  bien  la  republica,  assi  el  General  lia  de 
usar  de  médios,  con  que  se  conserve  en  amor  el  exercito,  porque  de 
nlra  suerte  dififíultosamente  se  goviernan.  A  don  Francisco  ordeno  el 
Marques  se  fuesse  a  la  avanguardia   de  nueslra  arcabuzeria.  porque 
se  començava  a  calenlar  la  escaramuça  con  los  enemigos,  y  le  quedo 
encargado  diesse  ai  Marques  aviso  de  lo  que  se  fuesse  haziendo.  La 
escaramuça  se  encendia  con  mas  fúria,  y  la  fortuna,  como  lo  tiene  por 
costumbre,  jugo  con  ambas  parles,  porque  aunque  eran  los.  Francescíí 
poços,  ganaron  una  vez  a  los  Espafioles  las  primeras  trincheas  y  casi 
llegaron  a  las  segundas,  hasta  que  mando  el  Marques,  que  |)or  evitai 
desorden,  entrassen  Alemanes  con  picas,  para  resistir  la  fúria  dn  los 
Franceses.  Fue  herido  en  tierra  despues  de  desembarcado  el  capitan 
Pedro  Rosado,  soldado  viejo  dotado  de  constância,  de  un  arcabuzazo 
en  un  musio.  de  que  ai  fin  de  Ires  dias  murio  en  la  ciudad  de  Angra: 
y  aviendo  sido  don  António  de  Paços  el  piimeio  de  los  capilanes  que 
llegaron  a  la  piimera  trinchea  con  esfuerço  y  determinacion.  salio  he- 
rido con  dos  arcabuzazos  en  el  braço  y  en  la  mano.  y  su  alíerez  Pclro 
Hernandez  de  Ramada  se  mostro  animoso  ai  acometer,  enaibolando  su 
vandera,  y  a  este  tiempo  Luis  Campuçano  de  (^.ardenas,  alferez  dei  capi- 
tan Sí.lomayor.  Aqui  murio  Onofre  Bernegal.  hidalgo  Valenciano,  que  sa- 
bendo con  don  Juan  de  Sandoval.  cavallero  de  muchn  brio.  de  un  nios- 
quetazo  que  le  dieron  por  médio  dei  estômago,  sus  amigos  Ip  coiio- 
cieron  muerto.  Fue  herido  en  la  escaramuça  el  capilan  Pedro  de  Saii- 
listevan  en   una  pierna,  y  fue  dei  numero  de  los  ()iiineros  capitanes 
que  acomelieron:  Y  Manuel  de  Vega  capilan  y  soldado  viejo,  aviendo 
disparadíi  contra  el  muchos  arcabuzazos  que  le  dieron  en  las  aiina> 
Inertes,  fue  herido  de  uno  que  descafio  el  braço  izipiierdo:  y  ^^\  capi- 
lan António   SeiraiKt.  avieiuhile  hecho  dano  un  arcabuzazo.  y  con  iin 
picazo  en  el  i'Oslro,  rodeado  con   sus   vendas,  fue  di^   scrvirjo  cii   l.i 
prosecucion  de  la  guerra.  Alli  Ine  iniieito  iiii  saigciilo  de   la   (•oiiipa- 


áUi  ARCHIVO  DOS   AÇORES 

nia  fiel  capilan  Paclio  en  la  barca,  antes  que  saliesse  a  tierra,  de  uii 
arcabiizazn  en  el  pecho.  y  herido  ai  desembarcar  el  capilan  de  los  a- 
venlureros  Portugueses,  don  Félix  de  Aragon,  que  fue  de  los  primeros 
capitanes  que  se  mostraron  desseosos  de  nombre  y  fama,  como  se  e- 
clió  de  ver  en  el  acometer,  salio  con  un  balazo  en  un  ombro,  y  otro 
en  un  muslo,  y  alli  cerca  fue  muerto  su  alferez  ai  pie  de  la  muralla, 
o  Irinchea  por  la  vanda  nuestra,  y  hirieron  su  sargento  Diego  Sua- 
rez,  que  assi  como  estava  herido,  echó  mano  de  la  vandera.  y  entro 
con  ella  sobre  la  trinchea  con  muchos  y  buenos  soldados  Portugue- 
ses, que  alli  osadamente  pelearon.  Luego  que  llego  don  Lope  de  Fi- 
gueroa  maestro  de  campo  general,  le  ordeno  el  Marques  formasse  los 
esquadrones  con  sus  mangas  de  arcabuzeros  y  mosqueteros,  y  nues- 
tra gente  de  la  avanguardia  se  yva  multiplicando  y  mejorando  con  los 
enemigos.  En  las  primeras  mangas  yva  don  Pedro  de  Toledo,  que  des- 
(lenando  todo  lo  que  es  descanso,  tomo  á  su  cargo  la  dificultad  y  el 
peligro:  y  por  olra  parte  don  Pedro  de  Padilla,  con  muchos  cavalle- 
ros  y  capitanes  de  experiência,  que  se  avian  juntado  de  la  primera  des- 
embarcaciou.  dando  muestra  de  su  experiência  é  industria.  Cada  uno 
(lestos  dos  cavalleros  llevó  por  si  arcabuzeria  para  hazer  espaldas,,á  la 
nuestra,  que  yva  desmandada  cargando  ai  enemigo.  Ya  tambien  Ue  la 
parte  de  los  enemigos  acudia  mucha  gente  de  socorro  escaramuzando: 
y  fue  necessário  salirles  ai  encuentro  con  algunos  arcabuzeros,  y  se  pu- 
sieron  en  campana,  bien  retirados  de  la  marina  como  mas  de  media  lé- 
gua, donde  lenian  todo  el  niervoy  fuerça  de  su  exercito:  y  assi  con  mu- 
cha destreza  los  Franceses  davan  cargas  en  los  nuestros,y  las  recebian: 
que  en  esto  dei  escaramuçar  tienen  agilidad  y  presteza,  y  los  prime- 
ros impetus  y  arremetidas  sou  de  mucha  demostracion.  Los  nuestros 
|)rocuraron  ganarles  algunas  trincheas  que  tenian,  de  donde  hazian 
uuicho  dano  los  enemigos,  porque  Ioda  aquella  tierra,  no  por  indus- 
tria de  guerra,  sino  por  la  costumbre  que  tienen  los  labradores,  está 
atravesada  de  trincheas,  o  vallados  liechos  de  piedra  de  mamposte- 
ria,  y  sirven  de  cercados  de  sus  sementeras,  o  cortinales,  y  de  térmi- 
nos y  limites  de  sus  tierras.  Estos  hazian  mucho  ai  caso  para  ofen- 
demos, hasta  que  los  nuestros  se  las  fueron  ganando:  y  el  Marques 
estando  en  la  frente  de  sus  esquadrones,  acordo  mejorarse  dos 
vezes  con  los  enemigos,  por  dar  calor  y  animo  a  la  arcabuzeria  acer- 
candoseles  nuestra  gente,  y  ganando  tierra:  y  a  este  tiempo  ya  se 
yva  juntando  la  infanteiia  de  la  segunda  desembarcacion,  y  venian  las 
vanderas  de  los  Alemanes  puestos  en  orden  marchando  como  gente 
muy  cuydadosa  en  la  militar  disciplina,  y  la  demas  infanteria  Espano- 
la,  y  Juau  Venegas  Quixada  por  la  orden  que  avia  dado  el  Marques, 
hizo  traer  sus  pieças  medianas  de  artilleria  de  las  pinazas.  para  dispo- 
nerlas  en  los  lugaies  que  mas  de  provecho  fuessen  contra  los  esqua- 
drones enemigos,  avisando  se  traxessen  municiones,  bastimentos,  y  a- 
gua.  para  refiescar  la  gente,  que  con  el  calor  dei  dia,  y  la  falta  de  agua 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  29.^) 

que  avia  en  la  campana  sufrian  Irabajosamenle  la  sed:  y  assi  fue  ine- 
nester  sacar  barriles  de  los  navios  en  abundância,  aunque  esto  no  bas- 
tava para  mitigar  la  grau  necessidad  en  que  eslavan  los  soldados  can- 
sados, y  aquexados  de  las  escaramuças,  que  fueron  lan  bravas,  y  tan 
constantes,  que  desde  las  seis  de  la  manana  que  se  travaron.  dura- 
ron  todo  el  dia,  sin  cessar  un  punto:  para  esto  fue  necessário  refres- 
car muchas  vezes  aquellos  lugares  de  las  escaramuças,  con  arcabuze- 
ros  descansados,  que  nuevamente  entravan  y  salian,  teiiiendo  de  fren- 
te los  esquadrones  enemigos,  y  un  poço  atras  formado  nuestro  esqua- 
drou, y  juntas  todas  las  vanderas  en  la  balalla.  que  ocupava  toda  h 
parte  dei  campo,  lo  mejor  que  pudo  hazerse  en  aquel  sitio,  porque 
no  pudo  quadrarse  de  terreno,  por  aver  algunos  cerros,  y  canadas, 
(jue  lo  impedian.  Pêro  la  industria  dei  maestro  de  campo  general  hi- 
zo  todo  lo  que  le  toco,  con  mucho  estúdio,  diligencia,  y  astúcia,  en 
prevenir  à  los  designos  dei  contrario,  como  persona  que  sabia  mny 
bien  de  quanta  importância  sou  los  silios  en  las  batallas.  Tenian  los 
enemigos  ocho  pieças  de  artilleria  en  el  campo,  con  que  hazian  dano 
en  los  nuestros,  haziendo  algunos  acometimientos  en  vezes,  con  gran- 
de estruendo  y  griteria,  que  ai  parecer  davan  muestras  de  querer 
cerrar,  pêro  en  esto  siempre  detenian  la  rienda.  y  quando  los  nuestros 
se  disponian  á  la  resistência,  luego  se  retiravan.  por  la  experiência 
que  tienen  de  la  conocida  ventaja  que  los  Espanoles  hazen  en  esta 
suerte  de  batalla  con  las  espadas  desnudas:  y  por  aver  entrado  en  el 
campo  con  la  avanguardia  capilanes  y  soldados  viejos,  acoslumbrados 
y  diestros  en  escaramuçar,  como  fueron  algunos  de  los  tercios  que  al- 
li  se  manifestavan,  dei  tercio  de  dou  Francisco  de  Bovadilla,  el  Capi- 
tan  Bustamante  de  Herrera,  Dou  Juan  de  Luna.  Luys  de  Guevaia. 
Barrionuevo,  y  Oviedo,  y  con  Rosado,  que  quedo  herido,  como  se  ha 
dicho,el  capitanlsla,  y  dou  Bernardino  de  Çuniga.  Solis.  y  Venesa.  y 
oiros  muchos  de  las  companias  de  dou  Juan  de  Sandoval.  don  Sancho  de 
Escobar,  Geronimo  Francês,  Juan  de  la  Rea.  Diego  Valiente,  Martin 
de  Herrera.  y  Çapena.  dei  tercio  de  Iniguez,  y  con  el  Chrisloval  de 
Paz,  Pedro  Ximenez  de  Heredia,  Francisco  Calderon.  Angulo.  Biban- 
co.  y  el  sargento  mayor  Iturbide:  y  de  los  cavalleros  avenluieros,  dou 
Luís  de  Borja,  don  Alonso  de  Idiaquez,  don  Juan  Manriqne,  don  Hu- 
go de  Moncada.  don  Garcia  de  Cote,  don  António  de  Portugal.  Tod(»s 
estos  cavalleros.  y  soldados  que  eíitraron  con  la  avanguardia.  con  o- 
tros  de  que  se  haze  mencion  en  este  comentário,  acudieron  a  su  mi- 
nistério con  mucha  determinacion  y  puntualidad.  y  alli  se  hallaion  don 
Diego  de  Çuniga.  don  Geronimo  Árias  de  Virves.  don  António  de  So- 
lis, don  Gonçalo  de  Guevara.  don  Juan  de  Buylron.  don  Alonso  de 
Rojas,  don  Juan  de  Agreda,  don  Luis  Venegas,  don  Pedio  Knrii|ne/. 
don  Bernardino  de  Mendoça,  don  Godofre  de  .Mendoça.  (hm  Juan  de 
(^astelvi.  don  Pedro  Pí)nce  de  Leon.  Geronimo  de  Valdenania.  Lnis 
Calero,  don  Juan  de  Pisa.  don  Francisco  Perrenoto.  y  Mos.  de  la  Mo- 


296  ARCHIVO   DOS   AGOHES 

la.  {\[\e  avian  entrado  con  el  Conde  de  Lodron,  don  Pedro  dei  Agiiila, 
(lon  Félix  de  Guznian,  el  Capilan  Esparza:  y  de  los  Italianos  Lúcio  Pi- 
fialelo,  Ludovico  Aflito,  Marcelo  Caracciolo,  Miguel  Coxa,  que  alli  fue 
herido.  y  Vicenzo  de  Aflito:  entonces  acudio  una  tropa  de  cavallos, 
(jue  se  desmembro  de  su  esquadrou  de  cavalleria  paia  animar  á  los 
suyos,  y  con  ellos  vénia  por  caudillo  un  frayle  acavallo,  recogido  el 
habito,  y  con  una  lança  en  la  mano,  provocando  á  los  demas  para  que 
atropellasseu,  y  matassen  nuestra  infanteria,  exortando  á  sus  arcabu- 
zeros,  á  que  tuviessen  firme,  y  que  peleassen  que  ya  les  vénia  so- 
corro: y  poço  tiempo  despues  se  vieron  algunos  mas  frayles  a  pie  con 
la  infanteria,  (|ue  liazian  sus  entradas  en  las  escaramuças,  y  de  los 
arcabuzes  salieron  beridos  algunos  de  los  nuestros:  lerrible  espectá- 
culo, y  digno  de  ieligioM)s,  donde  la  passion  viene  á  predominar  á 
toda  consideraciou  Chrisliana;  que  las  personas  eclesiásticas  no  se  de- 
ven  entremetnr  en  las  guerras  .... 

Im)I.  6o  v.°)  ...  Avia  en  una  montanuela  que  cerca  se  mostrava, 
una  luente  con  abundância  de  agua,  la  (piai  los  enemigos  procuraron 
guardar  y  defender  de  los  nuestros,  advirtiendo  lo  muclio  que  impor- 
tava, por  la  necessidad  que  vieron  que  nuestra  gente  tenia,  por  aver- 
se  gastado  el  agua  que  sacaron  de  los  navios,  y  lener  necessidad  pre- 
cisa de  agua  fresca,  de  ijue  alimentarse  en  el  lerrible  calor  de  aquel 
dia.  por  ser  en  el  ardiente  Júlio:  y  aunque  ai  principio  fue  ganada 
poi'  algunos  de  nuestros  arcabuzeros,  acudieron  despues  tantos  Fran- 
ceses a  la  defensa  de  la  fuente,  que  ya  parecia  que  no  peleavan  por 
olra  cosa,  y  les  fue  forçoso  a  los  nuestros  retraer  el  passo  de  aquel 
lugar,  por  ilaqueza,  y  poça  consideracion  de  visonos:  y  uvierales  llega- 
do  socorro,  sino  pareciera  averse  adelantado  aquella  manga  á  la  mon- 
tanuela sin  orden,  como  despues  se  entendio  por  las  palabras  dei 
maestro  de  campo  general;  negocio  por  donde  no  merece  premio,  an- 
tes deve  ser  castigado  el  que  lo  haze,  aunque  el  sucesso  sea  prospe- 
ro, por  avei"  sido  sin  orden:  siendo  tau  importante  en  los  soldados,  y 
capitaues  la  obediência,  como  el  esfuerço.  pues  esta  es  el  niervo  de 
la  disciplina  militar,  y  de  semejantes  exemplos  estan  llenas  las  his- 
torias, divinas  y  humanas:  y  el  derecbo  tratando  de  las  cosas  de  la 
guerra  agramente  lo  castiga,  assi  por  el  antiguo  ediclo,  que  por  ser 
(íe  tanta  importância  se  junto  con  las  leyes  de  las  doze  lábias,  como 
por  la  disposicion  de  Modeslino.  Y  como  los  enemigos  calaron  nues- 
lia  necessidad.  pareciendoles  que  toda  su  esperança  y  nuestra  ruyna 
estava  en  la  falta  de  agua,  poi'que  verdaderamente  sin  cuchillo  mue- 
ren  los  soldados,  donde  no  la  aya  en  mucha  abundância,  y  assi  las  fu- 
entes  han  de  ser  defendidas  y  guardadas,  cargo  tanta  gente  dellos 
en  aquel  sitio,  que  por  todo  el  dia  no  se  trato  de  nuestra  parte  de 
aconielerles.  Y  visto  esto,  escaramuçando  con  orden  se  entretenian 
los  nuestros,  gastando  de  los  contrários,  y  comiendoles  su  gente  po- 
ço ã  poço.  Ya  avian  ijuedado  heridos  de  los  soldados  Portugueses  de 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  207 

niieslra  parte,  Pedro  de  Acuna,  Manuel  Morato,  y  Olivera,  vezino  de 
la  Islã  de  sari  Miguei,  y  aqui  fue  muerto  dou  Pedro  Nino  de  Bustos 
de  un  balazo  que  entro  por  médio  de  la  frente  debaxo  dei  morrion  que 
Nevava.  Mostiose  aqui  el  Capilan  dou  Fernando  de  Andrade  cavallero 
dei  Heyno  de  Galizia,  diestramente  jug3ndo  de  una  pica.  que  aunque 
le  desampararon  ciertos  visonos,  quedaron  con  el  algunos  Espanoles 
soldados  viejos,  que  con  notable  agilidad  andavan  en  las  escaramu- 
ças, enlravan,  disparavan,  y  salian,  y  estos  lances  hazian  muchas  ve- 
zes: y  se  vio  un  soldado  índio  Geniçaro  de  la  compania  deBustaman- 
te  de  Herrera,  que  en  poço  espacio  de  liempo.  quanto  duraria  cargar 
y  descargar  el  mosquete,  subiendose  encima  de  una  trinchea,  mato 
quatro  Franceses,  y  despues  mostrando  que  caya  de  un  arcabuzazo 
de  los  contrários  junto  a  la  trinchea  por  nuestra  parte,  dio  otra  carga 
a  su  mosquete  y  salio  a  lo  claro,  y  haziendo  punteria  en  un  Francês 
que  andava  mas  orgulloso  en  la  escaramuça,  lo  derribo,  y  fue  acom- 
panando  a  los  quatro 

Foi.  67)  .  .  .  Aviendo  ya  passado  buena  parte  dei  dia,  como  a  las 
três  de  la  tarde,  los  enemigos  recogieron  hasta  mil  vacas,  con  intento 
de  desbaratar  con  ellas  el  exercito,  acordandose  de  quando  lo  hizieron 
en  la  casa  da  Salga  con  los  trezientos  hombres.  Y  no  se  huvo  pensa- 
do por  los  enemigos,  quando  luego  por  orden  dei  Marques  el  Capitan 
Pedro  de  Heredia,  Teniente  de!  Maestro  de  Campo  general,  aviso  a 
los  Sargentos  mayores  que  diessen  orden  a  las  mangas  de  arcabuze- 
ros  que  no  disparassen  contra  las  vacas,  ni  les  resistiessen  quando 
llegassen,  antes  le  abriessen  camino,  y  les  diessen  passo  sin  desorde- 
narse  el  esquadrou,  y  que  luego  hecho  esto  tornassen  a  cerrar  las  hi- 
leras  como  se  estavan:  y  tienese  por  cierto  que  los  enemigos  calaron 
sy  entendieron  este  ardid,  y  sagaz  consejo  dei  Marques,  porque  des- 
pues se  resolvieron  en  no  liazerlo,  pareciendoles  que  no  avria  en  es- 
ta ocasion  tan  prospero  sucesso  como  en  la  passada.  Desto  podran 
entender  los  Maestros  de  Campo  quanto  importe  que  los  exércitos  no 
esten  tan  vezinos,  que  los  unos  puèdan  entender  los  designos  ó  de- 
terminaciones  de  los  otros,  como  nos  lo  enseiia  el  libro  de  los  Be>es. 
Aunque  otros  dizen,  ijue  antes  esto  se  intentasse,  les  parecio  a  los 
Portugueses  consultarlo  con  Monsiur  de  Chatres,  y  el,  assi  por  lo  que 
entendio,  como  por  ser  soldado  experimentado,  y  que  sabia  quan  ex- 
ercitados en  buena  disciplina  eran  muchos  de  los  dei  Real  exercito, 
fue  de  parecer  que  en  ninguna  manera  se  hiziesse,  dizendo,  que  no 
avia  para  que  darles  carne  a  los  enemigos  de  que  se  sustentassen, 
porque  tenia  por  soldados  viejos  a  los  Espanoles  que  alli  veuian,  los 
quales  sabrian  usar  de  toda  industria  y  buen  termino  en  la  ocasion... 

Foi.  69)  . . .  Pêro  llegando  a  ponerse  esto  en  execucion,  no  la  de- 
xó  salir  Ia  artilleria  dei  fuerte,  que  lo  defendio,  o  porque  no  enten- 
dian  los  dei  fuerte  que  efecto  podia  tener  aquello.  o  ponjue  los  ami- 
gos se  dexan  con  los  infortimios,  y  se  mudan  con  la  variedad  de  la- 

N.°   2^2 -Vol.  lY— 1883.  2 


298  ARCHIVO  DOS  AÇOBES 

suerte:  o  Io  mas  cierlo  seria,  porque  ya  era  tiempo  que  la  fortuna  de 
Manuel  de  Silva  declinasse,  y  se  pusiesse  termino  a  sus  desbaratados 
intentos:  y  assi  hallandose  burlado,  y  bolviendo  atras,  no  uvo  lugar 
entonces  de  poner  en  salvo  su  persona,  porque  la  voluntad  de  Dios 
le  guardava,  para  que  su  castigo  fuesse  exemplo  de  otros.  Gastose  to- 
do ei  dia  sin  cessar  hasta  la  noche,  en  las  escaramuças  de  una  y  otra 
parte,  y  de  los  nuestros  saldrian  muertos  y  heridos  mas  de  quatro- 
cientos  hombres,  como  despues  parecio  por  la  muestra  que  se  hizo 
de  la  gente  de  todo  el  exercito:  y  un  Português  de  a  cavallo,  que  a- 
largo  la  rienda,  y  se  dexo  venir  á  todo  correr,  de  los  esquadrones 
de  los  enemigos,  encaminando  á  donde  el  Marques  estava,  dio  nueva 
que  avia  muchos  muertos  hasta  aquel  punto,  y  entre  ellos  gran  nume- 
ro de  heridos,  y  que  de  un  mosquetazo  quedava  muy  á  peligro  de 
muerte  el  teniente  de  Manuel  de  Silva  y  sobrino  suyo,  y  algunos  ca- 
pitanes  Franceses:  y  que  toda  la  gente,  assi  viejos,  como  mugeres, 
no  entendian  en  otra  cosa,  sino  en  ocuparse  en  llevar  á  los  heridos 
de  su  campo  á  medicinarlos,  y  curar  dellos,  y  en  venir  cargados  de 
refrescos,  de  pan,  agua,  vino,  y  de  otras  cosas  regaladas  para  esfor- 
çar los  soldados  que  escaramuçavan,  de  manera  que  toda  suerte  de 
personas  se  puede  dezir  que  peleava,  cada  uno  acudiendo  ai  oficio  ó 
ministério  que  le  tocava,  como  los  que  divididos  en  vandos  assistian  a 
los  desafios  de  los  gladiatores.  Passaronse  á  nuestra  parte  algunos 
Portugueses  (aunque  poços)  y  entre  ellos  algunos  esclavos.  y  á  estos 
por  sentencia  se  les  dio  libertad,  porque  no  solamente  los  transfugas, 
que  son  los  que  se  huyen  de  los  esquadrones  de  los  enemigos,  y  dei 
poder  dellos,  no  an  de  ser  prisioneros,  pêro  los  esclavos  por  premio 
han  de  gozar  de  la  libertad  de  que  carecian. 

Visto  que  declinava  el  dia,  y  que  la  porfia  de  las  escaramuças  no 
podia  dexar  de  aver  hecho  dano  en  ambas  partes,  don  Juan  de  Bena- 
vides  Bazan  administrador,  embio  personas  que  recogiessen  los  enfer- 
mos que  avian  quedado  heridos  y  maltratados  de  las  escaramuças,  y 
algunos  enfermeros  con  esclavos  de  las  galeras  que  los  traxeron:  u- 
nos  venian  como  muertos,  tendidos  en  tablas,  y  otros  estropeados  de 
las  piernas  ó  braços  se  quexavan  fuertemente,  y  otros  abrasados  los 
rostros  con  barriles  de  pólvora  ó  frascos,  quemados  por  poça  adver- 
tência de  visonos.  yvan  desconocidos,  inflamados,  y  horribles,  que  con 
el  buen  recaudo  dei  hospital,  y  con  la  vigilância  y  cuydado  de  los 
médicos  de  la  armada,  y  particularmente  dei  Doctor  Christoval  Perez 
de  Herrera,  á  quien  su  Magestad  despues  hizo  merced  dei  titulo  de 
Prolomedico  de  las  galeras  de  Espana,  y  con  la  buena  cura  dei  Do- 
ctor António  Perez  y  los  demas  cirujanos,  casi  todos  alcançavan  sani- 
dad,  y  murieron  muy  poços.  Y  esta  piedad  y  Christiana  virtud  tam- 
bien  se  estendio  á  curar  y  remediar  los  Franceses  y  Portugueses  que 
se  hallaron  heridos  y  dessangrados  entre  los  nuestros,  que  fue  obra 
hasta  de  los  mesmos  enemigos  agradecida  y  alabada:  que  en  caso  de 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  299 

necessidad  estrema  no  ay  consideracion  de  enemistad,  ni  aiin  de  infl- 
delidad,  ni  diferencia  de  religion,  por  que  el  objecto  deste  beneficio 
es  la  obligacion  que  tenemos  por  parte  de  la  naturaleza  humana,  y 
assi  no  se  ade  seguir  el  dicho  de  Hipócrates,  quando  escriviendo  á 
los  Abderitas,  dize,  que  ygualmente  peca  el  que  cura  á  los  enemigos, 
como  el  que  sana  por  interesse  à  los  amigos;  por  ser  lo  primero  con- 
tra caridad,  á  que  nueslra  Christiana  religion  nos  obliga  que  corres- 
pondamos. Alli  fiie  traydo  entre  los  heridos  médio  muerto  don  Diego 
Ramirez  Segarra,  cavallero  de  Sevilla,  que  acabo  la  vida  dentro  de 
poças  horas,  y  peleo  valerosamente.  Tiburcio  Espanoqae,  cavallero  dei 
habito  de  S.  Juan,  exercitado  en  las  Malhematicas,  mostro  con  esten- 
dido discurso,  y  mucha  advertência  y  puntualidad  la  descripcion  des- 
ta Islã,  assi  en  lo  que  toca  a  la  Cosmografia,  como  a  la  Geografia, 
con  toda  particularidad  de  lugares,  que  por  ser  negocio  que  no  lo  pi- 
den  estos  comentários,  se  cumplira  con  poner  aqui  no  mas  de  una 
demostracion,  o  diseno  dei  assalto  y  desembarcadero  de  nuestras  ga- 
leras, zabras,  y  barcas,  dexando  de  pintar  nuestra  armada,  que  que- 
da en  el  lugar  de  que  ya  se  ha  hecho  mencion,  y  los  esquadrones  y 
escaramuças  que  adelante  avra.... 

Foi.  7â)  ...Ya  el  sol  se  ausentava,  y  se  nos  vénia  a  mas  andar  a- 
cercando  la  escuridad  de  la  noche,  y  los  Franceses  y  Portugueses  to- 
davia estavan  gallardos  y  en  resolucion  de  pelear,  y  seguir  pertinaz- 
mente sus  designos,  sin  querer  atender,  ni  acudir  a  la  obediência 
Real,  y  sin  querer  dar  oydo  a  las  gracias  y  perdon  general  que  el 
Marques  tes  ofrecio;  que  se  entiende  y  tiene  por  cosa  cierta  de  la  be- 
nignidad  dei  Marques,  que  no  les  faltara,  aunque  en  aquella  coyuntu- 
ra  lo  pidieran,  puesto  que  no  estava  obligado  por  ningun  fuero  a  el- 
lo;  porque  aviendo  venido  los  enemigos  en  rompimiento,  siendo  como 
fueron  apercebidos,  teniendo  el  Marques  tanta  razon  de  castigarlos, 
no  estava  en  tiempo  de  dexar  la  pelea,  aunque  su  enemigo  se  ofreci- 
era  a  la  emienda,  segun  la  opinion  de  muchos  Teólogos  y  Canonistas, 
por  que  ya  estava  en  obligacion  de  proceder  contra  esta  gente,  como 
contra  culpados,  y  a  vengar  las  injurias,  y  castigarlos  como  a  delin- 
quentes, y  querer  el  Marques  admitirlos  a  este  tiempo,  es  mucha  be- 
*  nignidad,  y  prueva  de  insigne  clemência.  Era  de  su  natural  el  Marques 
afable,  y  blando  con  los  inferiores,  y  conpassivo  y  agradable  con  los 
prisioneros  y  rendidos  y  desseoso  de  reduzir  á  los  que  via  yr  mal  en- 
caminados,  porque  no  creciessen  sus  culpas.  Con  ningun  género  de 
gente  fue  sobervio,  ni  á  nadie  trato  con  desden;  que  es  una  cosa  as- 
perissima,  donde  se  rompeu  y  desbaratan  miserablemente  los  espiri- 
tus  generosos.  Pêro  confiados  los  enemigos  en  sus  conocidas  passio- 
nes,  y  en  mil  y  setecientos  Franceses,  y  cien  Ingleses  que  teniaii,  de- 
mas  de  mil  que  avia  de  antes  que  llegasse  este  socorro  en  la  Islã,  y 
el  resto  de  naturales,  que  vinieron  á  hazer  casi  nueve  mil  hombres 
de  pelea,  y  por  general  dellos  el  comendador  Mosiur  de  Chatres,  ex- 


300  ARCHIVO  DOS   AÇORES 

perto  en  militar  disciplina,  hermano  dei  Duque  de  Joyosa,  de  la  san- 
gre Real  de  Francia,  que  fue  casado  con  herniana  de  Luysa  de  Lore- 
na, muger  de  Henrico  tercero,  Reyna  de  Francia,  todos  se  moslra- 
van  con  determinacion  de  pelear  bravamente,  y  morir,  segun  parecio 
por  las  escaramuças  que  avian  durado  todo  el  dia,  que  aunque  lo  a- 
via  visto  passar  assi  el  Mosiur  de  Chatres,  no  estava  tan  confiado, 
que  en  lo  por  venir  no  hiziesse  las  conjeturas  que  en  lo  passado,  pa- 
reciendole  no  aver  de  tener  este  negocio  mejor  sucesso  que  tuvo  la 
entrada  en  la  islã,  por  la  poça  confiança  que  tenia  de  la  gente  de 
guerra  delia,  y  por  averla  juzgado  por  falta  de  constância  en  sufrir 
trabajo,  que  el  como  soldado,  y  que  lenia  voto  en  las  cosas  de  guer- 
ra, luego  que  llegó  de  Francia,  y  reconocio  el  sitio  de  las  Islãs;  sus 
fortificaciones,  presidio,  municiones,  y  bastimenlos,  dio  á  entender  no 
ser  poderosa  la  Islã  para  defenderse,  y  que  todo  le  parecio  poço,  y 
aun  el  numero  de  los  soldados  mt-nor,  y  menos  esperimentados  de  lo 
que  pensava,  y  aun  la  Islã  no  tan  áspera  e  inacessible  como  le  avian 
encarecido;  y  assi  retirandose  con  Manuel  de  Silva,  quiso  informarse 
bien  dei,  en  que  ponia  el  fundamento  de  su  defensa:  pêro  el,  ciego 
de  su  passion,  engrandecio  tanto  el  numero  y  el  valor  de  los  natura- 
les,  que  no  solamente  se  ofendia  de  que  no  se  le  creyesse  punlual- 
mente  como  ello  dezia.  pêro  dava  á  entender  que  la  gente  Francesa 
era  supérflua,  por  ser  poderosa  la  muchedumbre  y  fuerças  de  los 
suyos  para  defender  la  tierra,  y  pelear  con  la  armada  dei  Rey  Cató- 
lico, y  assi  Mosiur  de  Chatres  descontento  y  no  persuadido,  determi- 
no remediar  y  prevenir  las  cosas  lo  mejor  que  pudo,  de  suerte  que 
si  le  fuesse  possible  con  industria,  pudiesse  suplir  las  faltas,  y  desve- 
lar su  desconfiança:  y  teniendo  esto  delante  de  los  ojos,  no  perdia 
punto  en  el  cuydado  de  la  guerra,  sobre  cuyos  ombros  ya  parece  que 
estribava  la  reputacion  y  peso  de  aquella  jornada:  lo  qual  hazia  ya  el 
por  la  conservacion  de  si  mesmo  desconfiado  de  buen  sucesso:  lodo 
este  dano  nace  de  la  division  y  desconformidad  de  los  capilanes,  por- 
que faltando  la  union  en  las  volunlades  entre  ellos,  no  pueden  con- 
servarse  los  exércitos.  Esluvo  aquella  noche  todo  nuestro  campo  cer- 
rado con  Irincheas,  que  eran  las  que  avian  ganado  los  nueslros  en  lo 
ultimo  de  las  escaramuças  á  los  enemigos:  con  que  nuestro  esqua- 
dron  quedo  mas  assegurado  para  la  noche  siguiente:  y  assi  el  preveni- 
do capitan  nunca  se  ha  de  acampar  en  lugar  abierlo,  por  el  peligro  que 
desto  se  puede  seguir,  como  se  lee  en  el  libro  de  los  Reyes.  Y  avien- 
dose  reforçado  las  mangas  de  los  arcabuzeros  y  mosqueteros  despues 
una  hora  de  aver  anochecido,  haziendo  senal  las  caxas.  tocaron  los  a- 
tambores  á  recoger,  y  fueron  retirados,  para  que  cerrassen,  y  abri- 
gassen  el  esquadrou.  Por  la  parte  de  la  vanguardia  avia  cinco  mil  ar- 
cabuzeros y  mosqueteros.  y  en  la  relaguardia  seyscientos  arcabuze- 
ros, para  no  poder  ser  ofendidos  por  ninguna  parte:  lo  qual  se  hizí» 
entonces  con  mucha  presteza  y  diligencia  de  los  Maestros  de  campo: 


ARCHIVO  DOS   AÇOKF.S  301 

y  toda  la  noche  se  gasló  en  estar  alerla,  locandose  diversas  vezes  ar- 
Ina,  aunqiie  muclios  de  los  nalurales  con  la  escuridad  de  la  noche  se 
avian  salido  dei  esquadron.  y  liuydo  á  la  montana,  hasta  qne  amane- 
cio.  Y  ya  que  aclarava  el  cielo,  se  resolvieron  de  romper  ai  enemigo: 
que  aviendo  nef^.essariamente  de  ser,  es  de  gran  ventaja  el  acometer, 
aunque  sea  mayor  el  numero  de  los  contrários,  como  se  lee  en  algu- 
nas  historias.  Començaron  las  mangas  de  los  arcabnzeros  á  moveise. 
y  a  travar  niievas  escaramuças,  y  los  enemigos  acudieron  á  disparar 
sus  pieças  de  artilleria,  y  a  todo  esto  el  exercito  Espafiol  se  fue  me- 
jorando,  y  començaron  á  marchar  sus  esquadrones,  y  las  mangas  que 
yvan  adelante,  á  dar  cargas  en  los  contrários,  con  tanta  priessa  y  fú- 
ria, que  fueron  retirando  á  los  enemigos  á  buen  passo,  y  en  prosecu- 
cion  de  su  victoria  los  Espanoles  por  particular  mandado  dei  Marque> 
yvan  siguiendo  cu^rdamente  el  alcance,  y  con  orden,  sin  salir  en  co- 
sa de  los  preceptos  de  la  disciplina  militar,  por  los  inconvenientes  que 
resultan  de  Io  contrario,  como  nos  lo  ensefia  el  Sábio  Rey  de  Castilla: 
y  encendendidos  en  la  gloria  de  vencer,  y  alentados  con  el  frescor  de 
la  mafiana,  que  podia  entonces  templar  la  sed:  aprelaron  de  suerte  á 
los  Franceses,  y  Portugueses,  que  desampararon  la  fnente  que  con 
tanto  cuydado  guardavan,  y  perdieron  el  artilleria,  y  la  villa  de  san 
Sebastian,  que  está  dos  léguas  de  la  ciudad  de  Angra,  y  corriendo  á 
toda  fúria,  aunque  perdidos,  desbaratados,  y  desordenados,  fueron  se- 
guidos (como  se  ha  dicho)  con  orden:  que  assi  nos  lo  ensena  la  Ks- 
critura,  quando  los  hijos  de  Israel  seguian  á  los  Assírios  que  precipi- 
tadamente huyan:  y  se  emboscaron  en  la  montana,  y  trás  ellos  se  fue- 
ron todos  los  mochachos,  y  mugeres  de  la  villa,  desamparando  sus  ca- 
sas, y  pobres  haziendas,  y  huyendo  dezian  que  aquella  Islã  pertene- 
cia  ai  Rey  Feíipe,  y  que  era  razon  se  le  restituyesse:  de  que  quedo 
admirado  y  como  atónito  Mosiur  de  Chalres,  oyendo  y  viendo  lo  que 
passava,  y  le  fue  necessário  determinar  otra  cosa,  y  á  passo  ligero 
movio  tambien  su  gente.  El  Marques  se  esluvo  quedo  entonces.  has- 
ta ver  en  que  parava  aquella  huyda,  y  assi  lo  deve  hazer  el  capitan 
en  la  guerra,  que  no  ha  de  segnir  los  vencidos  enemigos.  antes  ha 
de  quedar  en  el  lugar  de  la  vitoria  en  guarda  de  su  honra,  esperan- 
do á  los  suyos,  para  alabarlos  y  recebirlos.  si  fuere  la  fortuna  pros- 
pera, y  darles  esfuerço  y  ampararlos.  si  fuere  contrario  el  sucesso: 
por  ser  de  grandíssimo  peligro  la  mucha  cólera  de  la  nacion  Espafui- 
la,  porque  la  fúria  en  el  acometer  y  seguir  las  vitorias,  suele  desor- 
denar los  exércitos,  y  aun  ser'  buenos  sucessos  y  no  esperados  á  los 
vencidos.  .  . 

Foi.  75  V.";  ....Y  pr"osiguiendo  niiestra  liisti»ri;i.  viose  tan  necessi- 
tado Mosiur  de  Chalres.  que  se  retiro  á  la  monlafia  de  iiueslra  Serut- 
ra  de  Guadalupe,  donde  le  avia  infor-mado  Manuel  de  Silva  qire  avia 
un  lugar  fuerte  en  que  poder  entrenerse.  hasta  qw  llegasse  el  irivier- 
rio,  y  a  la  armada  dei  Rey  Católico  le  fuesse  forçoso  partirse:  pêro  no 


302  ARCHIVO   DOS  AÇOHES 

hizo  caso  Mosiur  de  Chatres  destas  traças  de  Manuel  de  Silva,  por- 
que en  otras  que  el  avia  dado  mas  bien  encaminadas,  quando  entro 
en  la  Islã,  no  quiso  concordar  con  el;  porque  entonces  el  Francês 
quisera  que  en  el  principal  castillo  esiuvieran  las  municiones  y  vi- 
tuallas  recogidas,  para  que  si  por  ventura  los  Espanoles  saltassen  á 
tierra  por  partes  no  entendidas,  bailasse  su  gente  lugar  proveydo 
donde  reiirarse,  gastando  el  tiempo,  basta  que  se  viesse  forçado  el 
Marques  á  partirse  con  su  armada;  pêro  estava  el  Silva  tan  íuera  de  si 
de  sobervia,  como  las  mas  vezes  acontece  á  los  que  no  saben  que  co- 
sa es  governar,  que  lo  que  mas  ie  dava  gusto  era  la  adulacion,  el  a- 
labar  sus  pareceres,  y  que  todos  Ie  reconociessen,  y  con  temor  ser- 
vil Ie  acalassen;  que  este  es  el  veneno  de  Príncipes.  El  Comendador 
Chatres  llevò  delante  de  si  toda  la  mas  de  su  gente  que  pudo.  por 
salvaria,  entreteniendo  con  escaramuças  á  los  nuestros,  que  se  les  a- 
cercavan.  Y  visto  que  aquel  negocio  ya  estava  deshecbo,  y  quitado  el 
obstáculo  que  impedia  nueslra  jornada,  mando  el  Marques  marcbar  el 
exercito  la  buelta  de  la  ciudad  de  Angra,  que  es  el  pueblo  mayor,  y 
ilemas  veziíidad  y  comunicacion  de  todas  estas  Islas  de  los  Açores. 
Y  aunque  la  infanteria  estava  aquexada  de  sed  desde  el  dia  antes, 
no  consinlio  que  la  gente  se  desordenasse  y  reparasse  en  aquella  fuen- 
te,  y  assi  les  suspendio  este  gusto  para  la  ciudad  de  Angra,  dizien- 
doles  que  estava  cerca;  todo  por  no  perder  tiempo,  y  saber  aprovechar- 
se  de  la  vitoria,  porque  en  ocasiones  precisas  no  ha  de  dexar  el  ca- 
pilan  general  comei'  ni  bever  á  los  soldados,  si  por  esto  se  Ie  puede 
impedir  un  buen  sucesso.  Y  en  tanto  que  el  exercito  vencedor  ende- 
reçava házia  la  ciudad,  que  seria  poço  mas  de  três  léguas,  queriendo 
el  Marques  prevenir  á  todo  con  el  cuydado  que  se  requeria,  conforme 
ai  estado  de  las  cosas,  mando  que  las  galeras  embisliessen  con  el  ar- 
mada Francesa  y  Portuguesa,  que  estava  en  el  puerto  de  Angra.  Fuese 
el  Marques  de  avanguardia  á  la  ciudad  porque  como  tuvo  aviso,  que 
assi  el  lugar  como  sus  fuertes  estavau  sin  gente  de  los  enemigos,  se 
adelantó  con  quiuientos  arcabuzeros,  para  ocupar  los  fuertes  antes  que 
el  enemigo  lo  pudiesse  bazer,  y  para  oviar  que  no  huviesse  desor- 
denes, ni  sacrilégios  en  las  Iglesias  y  monasterios  de  monjas  y  fray- 
les,  y  assi  se  les  puso  guardiã  en  ellos;  porque  don  Pedro  de  Toledo 
se  encargo  de  amparar  y  mirar  por  un  monasterio  de  monjas,  y  don 
Alonso  de  Idiaquez,  y  Juan  Martinez  de  Recalde;  y  Juan  de  Horbina 
por  otro:  porque  el  cuydado  principal  ha  de  ser,  que  la  santidad  dei 
templo  uo  sea  profanada:  y  no  ha  de  a  ver  menos  vigilância  en  esto, 
que  en  la  solicilud  de  !a  defensa  dei  pueblo,  que  de  aqui  resultan  to- 
dos los  buenos  sucessos  de  la  veneracion  de  la  Iglesia  universal,  en 
que  consiste  la  paz  de  todo  el  pueblo  Christiano.  Y  entre  las  cosas 
necessárias  para  la  conservacion  y  buen  sucesso  de  un  exercito,  que 
escrive  Xenofon  que  son  quatro,  abundância  de  bastimentos,  salud  en 
los  soldados,  sciencia  dei  arte  militar,  obediência  y  orden;  que  los  pro- 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  303 

veedores  tienen  cargo  de  lo  primem,  y  de  Ia  sanidad  los  médicos,  a- 
provechandose  de  Io  que  alcançare  su  voto  en  la  calidad  de  los  sitios 
para  assentar  los  reales:  y  la  sciencia  se  adqniere  con  la  disciplina  y 
la  historia,  y  lo  que  es  obediência,  con  la  observacion  de  las  leyes,  de 
las  qnales  no  se  ha  de  passar  por  alguna  manera,  por  ser  el  peligro 
grandíssimo,  y  assi  es  el  castigo  rigoroso.  Aqui  se  olvido  este  autor 
gravíssimo  de  Ia  observacion  de  Ia  religion.  que  nosolros  como  Ca- 
Tolicos  devemos  colocar  en  el  primer  lugar.  Puedese  considerar, 
quan  bravamente,  y  sin  descansar  un  punto  se  peleo  en  el  campo, 
pues  se  halla  por  cuenta  averse  gastado  en  solas  las  escaramuças  dei 
primero  dia  y  dei  siguienle,  de  nuestra  parte  docientos  y  treynla  quin- 
tales  de  pólvora,  y  en  el  exercito  de  los  enemigos  trezientos  y  ochen- 
ta,  si  entrar  en  esto  Ia  pólvora  que  se  distribuyó  por  las  piegas  de 
arlilleria  dei  campo,  y  la  que  Ias  galeras  en  Ia  bateria  gastaron.  .  .  . 


LIBHO    TERCERO. 

Foi.  77  v.°)  ....Ya  seria  despues  de  médio  dia,  quando  començo 
a  entrar  el  exercito  en  la  ciudad  de  Angra,  sin  hallar  resistência,  ni 
persona  que  osasse  parar  ^Ili,  porque  los  viejos,  mugeres,  y  mucha- 
chos,  y  esclavos,  todos  estavan  retirados  por  los  montes  mas  cerca- 
nos  y  mas  ocultos,  cada  uno  conforme  ai  temor  que  le  sojuzgava.  La 
retaguaidia  se  lardó  en  llegar.  y  fue  la  causa  venir  la  infanteria  a- 
quexada  de  sed.  y  cargada  de  armas:  y  assi  três  soldados  murieron 
en  el  camino  de  sed  y  cansancio.  Y  don  Gaspar  de  Caslilla  hijo  dei 
Seiíor  de  Gor,  queriendo  vencer  su  gran  sed  con  excesso  de  agua 
que  bevio,  vino  á  rebentar  camino  de  Angra;  y  mas  dano  uviera,  si- 
no favoreciera  el  cielo  á  tan  buena  coyuntura,  en  médio  de  aquel  ar- 
dor y  irabajo  con  un  nublado  que  se  opuso  ai  sol,  refrescando  el  ex- 
ercito con  algunas  roziadas  de  agua  que  liovio.  y  duraron  poço  mas 
de  media  hora,  con  que  se  alento  y  conforto  la  gente,  que  tan  cansada 
y  desalentada  yva.  LIevava  á  su  cargo  Ia  retaguardia  el  Sargento 
mayor  dei  tercio  de  don  Francisco  de  Bobadilla.  que  ya  el  maestro  de 
campo  dei  estava  en  Ia  ciudad.  Concedio  el  Marques  saco  por  três  dias, 
reservando  Iglesias  y  monasterios  con  grave  pena:  porque  los  luga- 
res sagrados  han  de  ser  guardados  por  los  capitanes:  y  han  sido 
castigados  los  que  les  han  perdido  el  respeto.  como  se  halla  en  mu- 
chos  lugares  de  la  Escritura  divina  .... 

Foi.  78  v.°)  ...Hallaronse  algunas  casas  de  mueble  y  menaje  en 
este  saco,  y  algun  dinero  escondido  y  soterrado:  pêro  todo  lo  mas  dei- 
lo  era  cierta  moneda  luieva  que  don  António  avia  mandado  batir  pa- 
ra que  corriesse  en  las  Islas.  toda  mal;i  moneda  y  baxa.  algunos  conid 
doblones  de  oro  ligados  con  plata.  semejanle  a  ía  compostina,  (|ue  los 
antiguos  Ilaman  eleclro,  que  estavan  subidos  en  Ias  Islas  á  cinco  cru- 


',]0\  AUCHIVO  DOS  AÇORES 

zados.  y  tendrian  como  seys  reales  de  oro,  y  Io  demas  era  plata;  y 
otras  de  cobre  cubiertas  con  laminas  de  plata  con  excessivo  valor  de 
á  veyiilicinco  reales  castellanos;  tostones  dei  peso  de  un  real  castella- 
110.  avaluado  á  médio  cruzado;  monedas  de  cobre  descubierto  de  las 
de  Portugal,  doblado  el  valor  delias,  cosa  que  no  podia  durar  ni  per- 
manecer; de  una  parte  las  armas  Reales  con  dos  açores  á  los  lados 
con  sus  pihuelas  y  capirotes,  y  en  el  reverso  de  las  monedas  sus  em- 
presas, en  unas  el  habito  de  Christo,  en  otras  el  de  Avis,  y  el  de 
Santiago  en  otras,  y  en  monedas  de  cobre  menores,  una  esfera  gi- 
rando, con  una  letra  en  torno,  que  dezia  (IN  DEO)  y  los  estrangeros, 
si  traian  panos,  o  municiones,  se  los  compravan,  no  con  precio  de  nu- 
merada pecunia,  sino  con  permulacion  de  pastel,  o  açúcar,  o  especie- 
ria,  dando  compensacion  de  otras  mercaderias  de  la  tierra,  que  pare- 
ce que  resucitavan  aquel  mas  que  lodos  antiguo  contrato,  y  comercio 
dei  derecho  de  gentes  segundario.  retrocediendo  de  la  espécie  de  gé- 
nero. Y  echavase  de  ver  demas  desto  que  era  perfeta  permutacion 
la  que  corria,  por  ser  excessivo,  y  no  proporcionado  el  valor  delo  que 
se  dava,  por  lo  que  de  fuera  se  traia,  lo  qual  no  passara  assi  si  á  di- 
nero  se  comprara.  Vino  desta  manera  á  consumirse  casi  toda  la  mo- 
neda  vieja,  de  los  Reyes  antecessores  de  Portugal,  con  los  ensayes  y 
ligas  de>la  moneda  adulterina  y  falsa,  porque  nu  nus  espante  la  mo- 
neda  que  en  tiempo  de  los  Cônsules  se  cunó  en  Roma,  que  parecio 
grande  excesso  aver  echado  la  oclava  parle  de  metal  a  la  palia  cen- 
drada,  como  refieren  autores:  y  assi  quien  en  la  Islã  lenia  alguna,  no 
osava  usar  delia,  ni  descubiirla,  porque  Manuel  de  Silva  para  este  e- 
felo  se  la  tomava,  o  para  lo  que  a  el  le  parecia,  y  assi  entre  si  mes- 
mos se  consumian  y  acabavan.  La  casa  donde  se  batia  y  iabrava  esta 
moneda,  se  vio  abrasar,  ai  tiempo  que  la  gente  de  guerra  entro  en  la 
ciudad,  y  puso  a  lodos  en  sospecba  de  mayor  dano,  y  vino  á  ser,  que 
entrando  en  ella  el  Âlferez  Martin  de  Ribera,  de  la  compania  de  don 
.luan  de  Bivero,  poniendo  el  pie  sobre  una  labla,  se  hundio  un  poço, 
y  ai  instante  se  prendio  con  fuego  un  barril  de  pólvora  que  alli  avia 
cayendo  una  cuerda  encendida  que  estava  en  cima  de  la  trampa,  y  se 
empiendio  con  el  fuego  la  pólvora  de  la  profundidad.  y  el  salio  solla- 
mado  de  alio  a  baxo,  aunque  no  peligrò  su  vida,  y  un  soldado  que 
tardo  mas  en  librarse  de  a  quel  fuego,  salio  tau  abrusado.  que  se  su- 
po  aver  muerto  eu  Angra.  Sospechose  aver  dexado  alli  los  enemigos 
con  arte  alguna  mina  encubierta,  para  mayor  dano  dei  que  despues 
parecio.  Eslava  esta  Islã  casi  arruynada  y  perdida:  no  avia  comercio, 
porque  aunque  se  usava,  como  é  dicho,  ei  contrato  de  la  permulacion, 
esta  no  se  restringe  á  comercio.  Faltava  la  comunicacion  de  las  ar- 
madas de  las  índias  de  Castilla:  que  ordinariamente  dexavan  buena 
cantidad  de  plata,  y  moneda  labrada  por  aquellas  Islãs,  en  trueco  de 
los  refrescos  que  se  les  davan,  Assi  mismo  faltava  el  cultivar  las  tier- 
ras,  para  coger  y  gozar  cada  uno  de  sus  frutos.  No  se  pagavan  las 


ARCHIVO  DOS  AÇOHES  305 

deadas,  y  los  acreedores  eraii  defraudados,  vieiído  á  sus  deudores 
sefiores  de  las  possesiones  que  compraron  con  dinero  ageno;  donde 
avia  puerta  abierta  para  hoinbres  sediciosos,  tiranos,  y  sin  concien- 
cia:  y  ya  en  estas  Islas  corria  el  infortúnio,  que  refieren  los  historia- 
dores en  el  tiempo  de  las  guerras  civiles.  Y  assi  se  puede  afirmar  que 
les  fue  provechosa  y  necessária  esta  jornada  que  el  Rey  nuestro  Se- 
fior  mando  con  tanta  brevedad  se  hiziesse,  assi  por  esto,  como  por- 
que esta  gente  Francesa,  turbando  lo  divino  con  lo  humano,  corron- 
pia  cada  dia  mas  la  buenas  costumbres  de  los  naturales,  introduzien- 
do  novedades,  y  mostrandoles  tibieza  de  religion:  y  por  otra  parte  el 
mal  exemplo  de  los  frayles  y  clérigos,  que  tau  distraydos  andavan  de 
su  recogimiento  y  sossiego  de  espiritu,  sembrando  perpetuamente  o- 
dios  y  enemistades  capilales  contra  el  Rey  nuestro  Senor  y  sus  súb- 
ditos, y  sacando  desta  ponçofia  dotrina  de  pecados,  la  predicavan  y 
ensenavan  publicamente  a  los  niiios,  y  en  este  error  los  criavan.  Hal- 
lose  en  este  despojo  cantidad  de  esclavos,  que  la  mayor  parte  dellos 
andavan,  como  en  las  índias  hechos  cimarrones  por  los  montes,  de- 
fendiendose  de  los  soldados  que  querian  hazer  pres;i  en  ellos.  Uvo  al- 
gunas  vanderas  destos  negros  captivos  arcabuzeros.  y  mosqueteros, 
que  peleando  como  bárbaros,  compertinacia  y  brutalidad,  no  dexavan 
de  hazer  dano.  disparando  los  arcabuzes  tan  amenudo  y  desordena- 
damente, que  á  muchos  les  rebentavan  en  las  manos.  Hazian  este  ex- 
ercício á  vista  de  sus  senores,  que  ellos  mismos  haziendo  soldados  a 
a  sus  esclavos,  y  poniendolos  en  este  estado  militar,  contra  todas 
las  leyes  que  lo  prohiben,  no  solo  eran  contentos  de  privarse  dei  do- 
mínio, pêro  dei  derecho  de  patronazgo  que  en  ellos  tenian,  dando  les 
licencia  para  que  professassen  la  guerra,  y  que  peleassen,  haziendo- 
les  por  esto  libres  y  privilegiados,  conforme  a  la  dispocion  dei  Empe- 
rador  Justiniano,  en  el  libro  duodécimo.  Y  otros  con  facilidad  fueron 
iraydos  a  la  ciudad,  aunque  mucha  copia  dellos  avia  por  los  monaste- 
rios  recogidos  con  sus  senores.  que  se  avian  retraydo  por  escaparse 
dei  primer  impetu  de  los  soldados,  principalmente  en  dos  monasterios 
de  monjas  de  la  orden  de  S.  Francisco,  que  el  uuo  se  llama  S.  Gon- 
çalo, que  por  ser  de  la  parle  dei  Rey  nuestro  Seiior  estas  religiosas, 
les  dio  el  Marques  de  parte  de  su  Magestad  alguna  recompensa  por 
los  trabajos  que  passaron,  porque  se  huvieron  con  ellas  los  vezinos 
inhumanamente,  assi  en  no  proveerlas  de  cosas  necessárias  para  su 
sustento,  como  en  averles  quitado  y  quebrado  el  conduto  de  la  agua 
que  entrava  en  la  casa  para  provision  dei  convento.  Harto  mayor 
crueldad  que  la  de  Olofernes,  que  quando  cerco  la  ciudad  de  Betulia, 
mando  cortar  la  caueria  por  donde  entrava  el  agua  a  la  ciudad;  y  as 
si  no  les  quedo  a  los  pobres  sitiados  mas  que  un  delgado  manantial 
a  raiz  dei  muro,  donde  con  receio  y  a  hurto  humedecian  los  lábios 
con  algunas  gotas  dei  agua  que  podian  alcançar  con  ellos;  que  lo  de 
aqui  no  fue  contra  enemigos,  que  les  podian  ofender,  sino  contra  per- 
N.°  2i>-Vol.  IV— 1883.  3 


306  ARCHIVO  DOS   AÇORES 

sonas  religiosas,  y  algunas  de  vida  incnlpable,  y  siri  qnedarles  algun 
socorro,  con  que  pudiessen,  aunque  lassadamente,  suslenlarse.  Y  si 
a  eslas  religiosas  les  quitaron  el  agna,  a  los  religiosos  de  la  Compa- 
nia  de  JESUS  les  cerraron  las  entradas  de  la  casa.  dandoles  dos  ve- 
zes en  la  semana  lan  lassada  la  comida,  que  si  Dios  claramente  no 
les  diera  libertad  con  Ia  traça  que  el  les  encaminó.  que  fue  su  divino 
socorro,  como  el  de  Eliseo,  de  los  hombres  no  podian  esperar  menos 
que  la  muerte.  Y  dei  oiro  convento  era  su  vocacion  Santa  Maria  de 
Esperança,  cuyas  monjas  se  inclinaron  mas  descubierlamente  por  en- 
tonces  ai  nombre  de  dou  António:  y  avia  tanta  gente  en  ellos,  assi  de 
hombres  como  de  mugeres,  que  fue  necessário  dai-  orden  que  luego 
se  desocupassen,  y  assi  se  sacaron  los  esclavos  que  no  eran  de  los 
monasterios,  y  las  mugeres  se  les  dio  licencia  para  que  saliessen  se- 
guramente, y  algunos  hombres  que  estavan  eu  esta  alleracion  mas 
culpados,  fueron  presos,  y  Nevados  a  la  cadena,  donde  se  procedio 
contra  ellos,  y  fueron  castigados  conforme  a  sus  culpas,  como  adelan- 
te  se  hara  mencion.  Luego  que  enlró  el  Marques  en  la  ciudad,  man- 
do abir  los  carceles,  y  quitar  prisiones  á  presos,  y  se  les  dio  libertad 
á  muchos  que  alli  estavan  esperando  nueslro  buen  sucesso.  Ilallaron 
alli  algunos  Castellanos  presos  por  solo  el  nombre,  como  fueron 
Juan  Agustin  de  Ávila,  que  fue  preso  un  ano  avia  viniendo  por  fa- 
tor  de  su  Magestad  a  S.  Miguel,  á  quieu  el  Marques  hizo  merced 
dei  oficio  de  proveedor  en  la  ciudad  de  Angra,  y  á  Domingo  de  In- 
saurraga,  que  vénia  de  Tierra  firme  de  aviso,  avia  un  ano:  y  á  Diego 
Garcia  que  le  prendieron  viniendo  de  aviso  a  don  Pedro  de  Valdês,  y 
ai  capitan  Juan  Aguirre,  que  aviendole  embiado  el  Marques  el  ano 
passado  a  reconocer  la  Islã  de  San  Miguel,  le  prendieron  en  un  pala- 
che,  y  saliendo  de  aquella  dura  prision  â  gozar  de  la  libertad  tau  des- 
seada,  no  le  consintio  su  suerte,  porque  entrando  con  fúria  los  Tudes- 
cos saqueando  el  lugar,  y  pensando  que  era  de  los  enemigos,  le  ma- 
laron,  sin  poder  remediarlo:  y  dos  mugeres,  madre  y  hija,  que  ve- 
nian  de  la  Florida,  en  una  nave  vizcayna,  y  el  alferez  Carrion,  y  un 
sargento  Gulierrez,  y  Juan  Lopez,  y  mas  Ireynta  Castellanos  que 
traian  trabajando  en  los  fuertes,  y  diez  y  nueve  Portugueses,  que  es- 
tavan presos  por  Castellanos  (que  assi  dezia  el  libro  de  las  entradas 
de  la  carcel).  Tomaronse  catorze  navios  de  la  armada  de  Francia.  de 
que  vino  por  capitan  general  Mosiur  de  Chatres:  eran  quatro  naves 
Francesas,  y  dos  Vizcaynas,  y  quatro  galeoncetes,  una  caravela  latina, 
dos  navios  Ingleses,  y  una  urca:  mas  se  tomaron  que  avia  en  las  Is- 
lãs, diez  y  seys  navios,  una  nave  Vizcayna.  y  otra  Portuguesa,  y  las 
demas  caravelas:  y  estos  vaxeles  fueron  los  que  hizieron  la  armada, 
con  que  don  António  embio  á  Manuel  Serradas,  Português,  para  sa- 
quear á  Cabo  Verde,  y  Arguin.  Contra  toda  esta  armada  ordeno  el 
Marques  quando  entro  en  la  Islã.  que  ciertas  galeras  estuviessen  a 
la  mira,  porque  no  hiziessen  huyda  los  enemigos  en  ella:  que  parecio 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  307 

mnclia  confiança  dei  Martiiies.  no  querer  (aunijue  fuera  con  dissimu- 
lacion)  dar  lugar  ai  enemigo  para  que  dexasse  la  tierra,  anles  que 
desesperado,  cobrasse  animo  para  defenderse,  En  estos  navios  se  hal- 
laron  mas  de  novenia  pieças  de  artilleria  de  hierro  colado  y  bronze 
r-nlre  pieças  y  bersos,  y  todo  esto  mando  el  Marques,  se  llevasse  a  la 
fortaleza  y  casa  de  munician  de  la  ciudad  de  Angra,  y  mando  se  guar- 
dasse con  la  de  mas  artilleria,  que  serian  catorze  pieças  encavalga- 
das.  con  algnnas  balas  y  pólvora,  que  en  ella  avia.  Descubrianse  so- 
bre la  pnerta  dei  muelle,  que  sale  a  la  mar,  en  una  estancia  en  la 
muralla  seys  pieças  de  artilleria,  y  en  la  muralla  alta,  junto  a  la  casa 
de  la  Compafiia  de  JESUS,  avia  olras  cinco  pieças,  que  bazian  traves 
ai  puerto,  y  guarda  vau  el  desembarcadero:  y  en  un  fuerte  llamado 
sant  Bento,  que  se  corresponde  con  el  castillo  de  sant  Sebastian.  avia 
seys  pieças  de  artilleria.  y  en  la  Irinchea  que  vénia  desde  este  fuer- 
te a  la  ciudad,  dos  pieças;  y  en  un  fuerte  llamado  santo  António,  que 
esta  a  la  punta  dei  Brasil  junto  a  la  ciudad,  avia  ocho  pieças  de  ar- 
tilleria. Hallaronse  en  torno  de  toda  esta  ciudad,  desde  el  fuerte  lla- 
mado la  Punta  de  S.  Mateo.  y  passando  de  alli  á  otro  fuerte  llamado 
Porto  da  Cruz,  basta  lo  ultimo,  quarenta  y  quatro  fuertes,  treynta  y 
nuo  de  fabricas,  y  treze  fuertes  qne  se  cierran  con  llave,  incluyendo 
en  este  numero  las  fortalezas  y  castillos.  Y  áse  de  advertir,  que  to- 
dos los  fuertes  cerrados  tenian,  ó  fuentes  dentro,  ó  pozos,  ò  algibes 
de  buena  agua,  para  sustentarse,  con  toda  municiou,  y  pervencion 
necessária:  y  todas  las  pieças  de  artilleria  que  se  hallaron,  serian  co- 
mo dozientas  y  noventa  y  três;  que  no  se  tiene  noticia  averse  ganado 
en  una  jornada  sola  tanta  cantidad  de  artilleria,  como  se  á  visto  en  es- 
ta. Hallose  mucha  provision  de  balas  divididas,  y  enramadas  con  ca- 
denas,  o  alambres,  que  por  donde  entran,  rompeu  con  espantosa  bate- 
ria. .\via  muchas  quarterolas  de  pólvora,  y  hallaronse  algunas  de  aquel- 
las  armas  arrojadizas,  que  los  antiguos  llamavan  plialaricas,  que  eran 
unas  astas  con-hierros  fuertes  para  herir.  y  por  dn  dentro  estavan 
liuecas,  y  cargadas  de  resina,  y  cierto  betum  combustible;  piedra  su- 
fre,  y  estopas,  y  azeyte,  que  abrusava  con  pegajosa  y  vehemente  lla- 
ma  lo  que  locava,  y  algunas  ollas  de  fuego  artificial  cubiertas,  y  con 
sus  cabos,  y  muchas  bombas  de  fuego.  aiquitran,  alcrevite,  alumbre, 
salitre,  aconito,  ó  rejalgar,  y  otros  materiales,  que  no  sou  de  poça 
importância  ai  tiempo  dei  menester  en  la  guerra. 

Aquella  noche  despues  de  aver  entrado  el  exercito  en  Angra,  en- 
tendio  el  capitan  Pedro  de  Ileredia  quartel  maestre,  y  el  capitan,  y 
sargento  mayor  Juan  de  Texeda,  usando  por  su  parte  de  su  acoslum- 
brada  diligencia,  en  que  se  cerrasse  el  campo  por  todas  partes.  Y  to- 
do se  hizo  con  tanto  fundamento,  que  se  gastaron  en  estas  centinelas 
y  prevencion  onze  companias  de  infanteria.  Y  ya  que  se  cumplieron 
los  três  dias  senalados  dei  saco,  y  las  presas  que  entre  los  soldados 
que  ganaron  la  tierra  y  pelearon,  se  avian  dividido:  costumbre  anti- 


308  ARCHIVO  DOS  AÇORES 

gua  en  las  guerras,  que  trae  su  origen  de  la  sagrada  historia;  luego 
el  Marques  movido  de  compassion,  de  ver  el  trabajo  y  hambre  que  la 
gente  de  la  Islã  padecia  por  la  montana,  donde  estavan  retirados  y 
escondidos  (que  estas  eran  las  palabras  dei  bando)  mando,  que  se  pu- 
blicasse perdon  general,  y  que  los  vezinos  se  viniessen  a  la  ciudad. 
y  a  las  casas  donde  solian  vivir,  con  seguridad  de  la  vida.  Y  aviendo 
sido  informado,  que  andavan  los  vezinos  juntamente  con  los  France- 
ses, á  cuyo  favor  se  avian  acogido,  que  declarava,  que  no  viniendo  à 
presentarse  personalmenle  quarta  feria  en  todo  el  dia,  los  dava  por 
no  perdonados,  y  que  los  castigaria  con  lodo  rigor.  Publicose  en  pri- 
mero  de  Agosto,  con  estos  três  dias  de  termino;  y  demas  de  la  huma- 
nidad  de  que  se  usó  con  estos  hombres,  fue  acuerdo  necessário,  para 
remediar  la  presente  necessidad  de  las  Islãs,  porque  era  grande  la 
esterilidad  de  bastimentos,  y  las  sementeras  ya  estavan  secas  y  sazona- 
das para  segar,  y  no  avia  quien  las  derribasse,  trillasse,  ni  cogies- 
se.  Y  teniendo  atencion  a  esto,  y  que  el  Auditor  General  tenia  ya  en 
prisiones  la  mayor  parte  de  los  culpados,  y  que  los  que  faltavan  se  y- 
rian  siguiendo  en  ausência  por  sus  pregones,  el  Marques  mando  que 
cada  uno  de  sus  capitanes.  alferezes,  y  soldados,  que  avian  sido  en  es- 
ta rota,  manisfeslassen  y  enlregassen  las  vanderas,  pifaros  y  caxas,  y 
todas  armas:  y  assi  venian  algunos  (aunque  eran  poços)  á  cumplir  con 
este  bando,  porque  el  temor  que  avian  concebido  era  grande,  y  pa- 
reciales  mayor,  regulandolo  y  proporcionandolo  con  su  culpa,  aunque 
despues  por  las  averiguaciones  que  se  hizieron  en  el  discurso  dei  ti- 
empo,  se  hallaron  algunos  Portugueses  naturales  que  guardaron  leal- 
tad,  y  que  siempre  estuvieron  á  devocion  de  su  Magestad:  pêro  la 
fúria  y  mayor  numero  de  los  contrários,  no  les  dava  lugar  para  des- 
cubrir  la  virtud  escondida  de  su  animo. 

Ofrecieronse  entonces  muchos  pleytos  entres  partes  de  soldados,  en 
matéria  de  presiis  que  se  uvieron  en  el  saco,  por  averse  concertado 
algunos  camaradas  entre  si.  de  reduzir  á  comunidad  todo  Io  que  ca- 
da uno  tomasse  á  sua  ventura,  de  suerte  que  el  que  no  bailasse  mo- 
neda,  ni  otras  manubias  que  poder  traer  a  particion,  no  por  esto  avi- 
a  de  ser  echado  de  parte;  que  es  cierta  voluntad  informe,  que  el  de- 
recho  llama  innominada,  que  se  suele  y  acostumbra  usar  entre  solda- 
dos de  conformidad.  aviendose  de  entrar  una  ciudad,  donde  se  enli- 
ende  que  á  de  aver  saco;  y  este  es  un  pacto  reciproco  que  entre  ellos 
se  haze.  Y  fue  necessário  todo  el  rigor  de  la  justicia,  para  que  des- 
pues los  que  se  hallavan  prósperos  con  sus  presas,  diessen  partes  del- 
ias a  los  que  no  luvieron  suerte. 

En  tanto  que  estas  cosas  passavan,  estavan  los  Franceses,  como 
Ires  léguas  de  la  ciuda  de  Angra,  retirados  en  los  montes,  como  se  á 
dicho,  con  demostracion  que  hazian  de  conservarse  en  aquella  defen- 
sa, ó  ganar  en  ella  muriendo  perpetuo  nombre.  Y  aviendose  recogi- 
do  á  un  sitio  fuerte,  en  los  dias  que  alli  avian  estado,  se  avian  forti- 


ARCHIVO  DOS  AÇOBES  309 

ficado,  y  hecho  Irincheas  de  tierra,  piedras,  y  fagina,  y  no  eslavan  por 
entonces  mal  reparados,  porque  tenian  assi  de  agua,  como  de  otras 
cosas,  todas  las  comodidades  de  mas  importância,  para  conservarse  al- 
gunos  dias;  y  pareciendole  ai  General  de  los  Franceses,  ser  mas  se- 
guro negocio  para  ellos,  tratar  de  algun  médio,  porque  demas  de  los 
muertos,  el  Marques  tenia  presos  en  las  galeaças  muchos  Franceses. 
para  hazer  justicia  dellos,  determino  de  embiar  un  soldado  Francês 
á  cavailo,  que  sabia  hablar  Espanol,  con  color  de  querer  saber  los 
muertos  que  avia,  y  los  prisioneros  Franceses  que  el  Marques  tenian 
y  con  una  carta  para  don  Pedro  de  Padilla,  para  que  tratassen  bien 
á  cierlos  capitanes  Franceses,  que  estavan  presos,  y  informarse  si 
eslavan  vivos,  y  saber  dei,  si  era  el  que  avia  conocido  en  Malta.  Y 
aviendo  con  algunos  capitanes  dei  exercito,  le  dixeron,  que  viniendo 
con  el  animo  que  traian  de  alterar  el  sossiego  dei  Reyno,  y  robar 
lo  que  no  era  suyo,  que  el  Marques  los  avia  de  mandar  castigar  gra- 
vemente a  todos,  como  hizo  el  ano  passado.  A  lo  qual  respondio  el  Fran- 
cês, que  el  Comendador  Mosiur  de  Chatres,  y  Governador  de  Diepa. 
era  hermano  dei  Duque  de  Joyosa,  y  capitan  General  de  todos  ellos. 
y  que  el  vénia  con  patente  dei  Rey,  y  con  instrucion  firmada  de  su 
mano,  de  lo  que  avia  de  hazer  en  la  defensa  destas  Isias.  Y  aviendo 
oydo  esto  los  maestros  de  campo,  y  mucha  gente  principal,  acudie- 
ron  á  dar  parte  ai  Marques,  pidiendole  con  mucha  instancia,  les  hizi- 
esse  gracia  de  las  vidas,  dandoles  embarcacion  para  Francia:  en  lo 
qual  el  Marques  jamas  quiso  venir  ni  condecender,  hasta  ver  la  paten- 
te, y  instruciones  originales.  Y  aviendo  tomado  la  mano  don  Pedro  de 
Padilla  en  este  negocio  para  favorecerlos,  y  considerando  como  gran 
soldado,  que  aviendo  los  cercados  de  venir  á  manos  dei  enemigo,  quan- 
to mas  tarde  es  peor,  uvo  los  papeies  originales  y  se  los  traxo  ai  Mar- 
ques; y  visto  ser  assi,  y  que  de  su  parte  dellos  vinieron  tantas  cartas, 
y  mensajeros,  y  que  todo  el  exercito  lo  desseava.  y  pedia  con  mucha 
voluntad,  les  hizo  gracia  de  las  vidas,  con  condicion  que  se  rindiessen. 
y  entregassen,  con  todas  las  vanderas,  y  todo  género  de  armas.  Di- 
xosele  ai  capitan  general  de  los  Franceses,  la  merced  que  el  Marques 
les  hazia  en  concederles  las  vidas,  y  el  embio  ciertos  soldados  France- 
ses ai  Marques,  suplicandole,  le  dexassen  salir  con  sus  armas,  vande- 
ras, y  atambores,  y  sacar  juntamente  ciertos  Portugueses,  nombran- 
do  entre  ellos  a  Manuel  de  Silva:  y  que  les  dexassen  llevar  la  artille- 
ria,  que  avian  iraydo  de  Francia,  que  eran  mas  de  cien  pieças,  y  lo- 
dos sus  navios  y  bastimentos,  pues  traian  patentes  dei  Rey,  y  de  la 
Reyna  su  madre.  Y  no  queriendo  el  Marques  dar  oydos  á  nada 
desto,  salio  con  su  campo  á  desbaralalles:  y  despues  de  aver  embia- 
do  con  otras  nuevas  importunaciones,  un  poço  mas  humildes,  se  re- 
soivio  el  Marques,  a  instancia  de  dnn  Pedro  de  Padilla.  y  de  don  Lo- 
pe  de  Figueroa,  y  dei  Conde  de  Lodron,  y  de  oiros  cavalleros,  que 
rindiendo  los  Franceses  las   armas  y   vanderas,  quedando  para  ser 


310  ARCHIVO  DOS   AÇOHES 

castigados  muchos  Franceses,  que  de  antes  estavan  presos  en  las  ga- 
leaças,  se  les  diesse  embarcacion  a  los  soldados  rendidos,  sin  entrar 
en  este  numero  soldado  Português.  Acudio  el  Marques  con  tanta  bre- 
vedad  á  esto.  por  considerar  el  niucho  riesgo  que  corria  la  armada, 
de  esperar  tiempos  inciertos  en  mares  tau  remotos  y  tormentosos: 
que  en  esta  coyuntura  le  convino  usar  de  la  solicifud  y  prevencion  de 
Alexandro  Míigno,  que  pergiuitado.  como  avia  podido  en  lan  poço 
tiempo  acabar  empresas  de  tanta  grandeza?  respondio.  que  no  dila- 
tando cosa.  Considerando  con  esto,  que  con  las  patentes  originales 
(|ue  estos  soldados  traen  de  sus  Reyes,  vinieron  á  sueldo  de  su  Rey. 
y  que  cun  este  color  se  quiereu  escapar  deste  nombre  de  pyralas, 
auuque  sus  designos  no  teniau  otros  tines,  pêro  aora  no  es  tiempo 
de  repararse  eu  apurar  este  punto,  y  assi  don  Pedro  de  Padilla,  y  el 
veedor  general  don  .lorge  Manrique.  y  el  maestro  de  campo  don  Fran- 
cisco de  Bovadilla.  con  orden  dei  Marques  salieron  ai  campo  de  los 
Franceses,  (jue  ima  légua  estava  dei  nuestro.  donde  avian  baxado:  y 
puesto  delaute  de  todo  el  esciiadron  el  (>omendador  xMosiur  de  Cha- 
tres  reparandose  un  poço.  hizo  alto.  y  con  ponderado  semblante  habló 
algunas  palabras  en  lengua  Francesa,  diziendo,  que  el  aver  venido  á 
aquel  estado  de  rendirse.  y  tener  poi'  bien  que  sus  soldados  enlre- 
gassen  eu  su  presencia  las  armas,  no  avia  sido  por  falta  de  animo 
para  defenderse,  y  hazer  basta  morir  lo  que  devia,  sino  porque  con- 
siderando, que  estava  en  aquella  Isla,  donde  todos  los  principales  de 
su  exercito  eran  muertos.  y  beridos,  y  sin  esperança  de  socorro,  y 
que  mas  era  temerário  intento,  (pie  esfuerço  y  osadia  perder  las  vi- 
das peleando,  donde  ni  estavan  en  punto  de  ganar  glf»ria,  ni  de 
liazer  servicio  â  su  Rey  con  esto,  que  por  estas  razones  y  por  otras 
que  no  podia  declarar,  avia  temado  aquella  resolucion  de  entregarse, 
en  cumplimieneto  de  las  capitulaciones  y  palabra  que  avia  dado,  y  as- 
si lo  bazia:  y  mirando  a  los  cavalleros  que  en  este  auto  assistian.  hi- 
zo su  acalamiento  y  passo  adelanle,  el  qual  ya  apercebido  de  discreta 
prevencion.  poço  antes  que  llegassen  allugar  donde  todos  avian  de  ren- 
dir  las  armas,  se  despojo  dei  cosselete  que  traia,  y  lo  embio  ai  Mar- 
ques, quedando  con  sola  la  espada,  el  y  algunos  Mosiures,  y  luego 
los  alferezes  llegaron  cou  sus  vanderas  inclinadas  y  recogidas  y  las 
riudierou.  y  entregaron,  que  fueron  diez  y  ocho  de  las  viejas  de  Fran- 
cia,  cou  dos  mil  y  dozientos  bombres  por  una  parte,  y  por  otra  treyn- 
ta  y  seys  vanderas  Portuguesas,  con  mil  y  ochocientos  soldados,  que 
en  estas  se  hallarou  algunas  letras  indignas  de  toda  disciplina  militar, 
y  agenas  de  plalicos  y  valientes  soldados,  porque  cada  capitan  de  in- 
fanteria  puso  la  letra  6  empresa,  ò  pintura,  que  le  parecio  á  su  jui- 
zio  apassiouado  mas  á  propósito,  6  para  su  desseo,  ò  pensamiento,  o 
vitupério  de  nuestra  nacion,  que  por  ser  emblemas  sin  alguna  sustan- 
cia  ni  artificio,  no  se  baze  aqui  memoria  delias.  Passaron  los  atambo- 
res,  y  assi  mismo  yvan  entregando  sus  caxas  ya  sordas  y  destempla- 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  311 

das,  con  los  pífaros,  con  todos  los  demas  instrumentos  que  dexavau 
en  manos  de  los  nuestros,  y  desarmandolos  uno  por  uno  de  sus  mos- 
queies, arcabuzes,  picas,  y  alabardas,  y  de  todas  armas,  se  apartaron 
despojados  de  Ioda  la  gloria  soldadesca,  y  casi  de^íconocidos.  por  es- 
tar desautorizados,  y  carecer  dei  ornamento  de  sus  personas.  qupda- 
ron  en  una  profiuida  tristeza,  annque  el  Marques  por  su  natural  hu- 
manidad  no  permilio  que  passassen  por  las  hazes  de  nuestros  esqua- 
drones.  Era  negocio  que  movia  á  grau  compassibn  mirarlos,  porque 
demas  de  venir  avergongados  y  rendidos  (que  es  ultima  calamidad  pa- 
ra los  ânimos  que  sou  amigos  de  gloria)  venian  rotos  y  maltratados; 
y  como  el  semblante  es  una  callada  habla  dei  coraçon.  por  el  manifes- 
tavan  su  congoxa:  con  lo  qual  se  juntava  el  venir  desfigurados  por  la 
hambre  y  falta  de  sueno.  que  avian  tenido  en  la  campaua:  y  tuvose 
cuenta,  que  casi  toda  la  gente  mas  bonrada  de  los  France^es  llega- 
ron  lastimados  y  heridos.     .  . 

Foi.  89)  .  .'.  Por  la  ciudad  yvan  mucbos  Franceses  y  Portugue- 
ses, entrando  delante  dei  exercito  dei  Hej  Católico  desarmados  y  siri 
orden:  y  deste  lastimoso  espectáculo  resuító  para  todos  una  conside- 
racion  de  la  justicia,  y  un  exemplo  para  ânimos  indómitos  y  desobe- 
dientes. Estendiose  un  gozo  grande  por  todo  el  exercito,  con  un  sem- 
blante reverenciai,  y  buenos  pensamientos,  viendo  un  sucesso  tau 
bonroso,  y  no  menos  de  reputacion.  que  tanto  se  deve  estimar  en  la 
guerra,  por  la  magestad  Real.  y  gloria  de  su  General,  con  que  se  lii- 
zo  tau  ilustre  y  clara  la  vitoria.  Venian  juntamente  mucbos  de  los  nalu- 
rales  de  las  Islãs  rendidos,  de  aquellos  contra  quien  no  se  avia  proce- 
dido; cosa  que  estoy  por  afirmar  no  acordarse  las  bistorias,  que  se  aya 
visto  un  exercito  jiinto,  proporcion  tan  uumer^oso,  y  tau  opuesto  ai  nu- 
estro.  y  tan  sobrado  de  armas  y  municiones  encastillado  en  tierra 
montuosa  y  fortificada,  que  assi  se  aya  domesticado,  como  el  que  de 
los  nuestros  oy  se  á  visto.  Pioveyoles  Pedro  de  Heredia  Marchai  de  Lo- 
gis,  en  un  quartel  separado  dentro  de  la  ciudad,  a  todos  los  France- 
ses de  alojamiento,  y  dioseles  lo  necessário  que  avian  menester,  tra- 
tandolos  muy  bien.  y  seualoseles  casa,  donde  fuessen  curados:  y  el 
administrador  don  .íuan  de  Benavides  Baçan,  les  embio  médicos,  y  ci- 
rujanos,  dei  hospital  Ueal  dei  exercito,  mandandoles  pr-oveer  las  me- 
dicinas, y  dietas  necessárias:  y  assi  el  capilan  general  con  los  demas 
cavalleros  Franceses,  fuer  on  regalados  dei  maestro  de  campo  general, 
y  de  los  demas  personajes  dei  exercito,  porque  los  prisioneros  an  ile 
ser  bien  tratados:  y  no  como  bizier'on  los  Filisteos  com  Samson:  y  fue- 
ron  tan  castigados  de  Dios,  porque  bazer  lo  contrario  es  crrreldad.  Y 
el  Comendador  Mosiur  de  Cbatres,  con  los  demas  Mosiures,  maestros 
de  campo,  y  sargentos  mayores.  fueron  á  besar-  las  manos  ai  Marqires: 
el  Comendador  de  Cliatres.  Mosiur  de  Esgaranirraipies,  el  sargento 
mayor,  capitan  .Iiian  IJatista  Sernigi,  Italiano,  el  capitaii  Hasilo,  Cas- 
cou, el  capitan  Hernan,  Prevenzano,  el  capitan  Euys  Miimlij  de  Volicr- 


312  ARCHIVO    DOS    AÇORES 

ra  Italiano,  el  capitan  Labavat,  Gascon,  el  capitan  Champani,  Italiano, 
tíl  capitan  Linerola,  el  capitan  Breiuto,  Provenzano,  el  capitan  Permi- 
net,  Francês,  el  capitan  Jabino.  Francês,  el  capitan  Lasta,  Francês, 
el  capitan  Gamipit,  Francês,  el  capitan  Lagrava,  Francês.  No  ay  memo- 
ria de  los  oficiales  muertos,  mas  que  fueron  como  setenta  heridos, 
sin  los  presos,  que  fueron  mas  de  ciento;  aunque  a  mi  parecer,  de 
mil  Franceses  que  avia  en  la  Islã  Tercera,  y  mil  y  setecientos  que  lle- 
garon  de  socorro,  y  quatrocientos  que  vinieron  dei  Fayal,  y  cien  In- 
gleses, que  sou  por  todos  três  mil  y  dozieutos,  sacandose  dos  mil  y 
ilozientos  remlidos,  los  demas,  que  son  mil,  seran  los  heridos,  pre- 
sos, y  muertos. 

Por  la  muclia  gente  que  vénia  con  ellos  de  los  nuestros,  fue  ne- 
cessário que  el   Marques  saliesse  a  la  sala  antes  de  la  pieça  donde 
estava,  (|uando  llego  Mosiur  de  Cliatres.  á  quien  el  Marques  recebio 
y  trato  com  muy  alegre  semblante.  Y  cierto  viendo  esto  vine  á  consi- 
derar, que  los  hechos  de  guerra  tanto  son  mas  gloriosos,  quanto  son 
mas  conformes  á  virtud,  que  este  se  halla  bien  encarecido  en  la  his- 
toria sagrada.  Y  assi  quiriendo  humillarse  como  prisionero,  le  alço  y 
abraço  el  Marques  con  blando  acogimiento,  y  haziendole  sentar,  co- 
mençaron  á  platicar  d*^  diversas  cosas:  y  el  Francês  se  mostro  dis- 
creto, y  persona  de   tolerância,   y   dissimulacion:  porque  el  valor  dei 
liombre    no  se  echa  bien  de   ver  sino  es  en  ocasiones  como  esta, 
en  que  se  inuestra:  como  en  diferente  caso  lo  dixo  Jepte  a  los  capita- 
ues,  ó  príncipes  de  Galaad.  Luego  se  dio  orden  como  se  despachas- 
sen  três  naves  Guipuzcoanas,  y  un  patache.  en  que  fueron  mil  y  seys- 
cientos  hombres  con  su  general.  Quedaron  en  Angra  el  maestro  de 
campo  y  otros  dos  capitanes  por  reheues  en  poler  dei  maestro  de 
campo  don  Francisco  de  Bobabilla.  hasta  saber  que  las  naves  uviessen 
llegado  a  la  provincia  de  Guipuzcoa,  ai  puerto  dei  passage,  donde  a- 
vian  de  desembarcar,  para  que  enlrassen  en  Francia.  Escrivio  el  Mar- 
iiues  a  Garcia  de  Arze  que  les  diesse  passo,  y  despidiessen  el  navio 
y  patax  en  desembarcandose.  Aqui'se  echará  de  ver  la  puntualidad  de 
que  se  deve  usar  en  la  guerra,  como  se  á  visto  averla  tenido  el  .Mar- 
ques con  los  enemigos  en  el  concierto  de  la  paz  que  hizo  con  ellos,  y 
como  lo  cumplio,  aun  con  mayores  circunstancias  de  las  que  puso:  y 
si  matar  ai  enemigo  con  sus  próprias  armas  es  gran  gloria,  se  podra 
considerar  quanta  mayor  será  darle  la  vida.  y  perdonarle  y  dexarle 
con  ella,  como  lo  hizo  el  Marques  este  dia.  Y  assi  se  advierta,  que 
de  la  suerte  que  el  vencedor  está  obligado  a  cumplir  lo  que  promete 
ai  vencido,  seria  error  manifiesto  dezir,   que  el  concierto  de  la  paz, 
que  hazen  los  enemigos  constrenidos  por  necessidad,  no  ay  obligacion 
de  guardarlo,  porque  es  dar  en  tierra  con  todo  el  edifício  dei  dere- 
cho,  y  militar  disciplina,  queriendo  violar  el  fin  por  el  qual  se  guer- 
rea,  que  es  la  paz.  Quedaron  hasta  seyscientos  Franceses,  que  se  re- 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  313 

partieron  por  las  naves  de  la  armada,  para  darles  embarcacion  en  la 
costa  de  Espana,  en  navios  de  Franceses,  ó  Ingleses. 

En  treynta  de  Jnlio  se  avia  publicado  otro  bando,  en  que  e!  Mar- 
ques prometia,  que  a  la  persona  que  prendiesse  á  Manuel  de  Silva,  y 
lo  traxesse,  se  le  darian  quinientos  cruzados,  que  valen  cinco  mil  rea- 
les  Castellanos,  y  con  promessa  de  mas  merced  que  se  le  haria,  sien- 
do  Português  el  que  lo  descubriesse.  Y  aviendo  embiado  con  gran  di- 
ligencia diversas  personas,  a  que  corriessen  la  sierra,  y  Ia  campana, 
un  Pedro  Sanchez,  soldado  visono.  lo  descubrio,  que  estava  en  una 
cueva  escondido.  Y  no  uviera  Manuel  de  Silva  escogido  aquella  mani- 
da  de  tan  poça  seguridad  para  su  salud,  si  sus  propios  naturales  no 
le  uvieran  desfondado  la  barquilla  que  tenia  prevenida  para  en  ella 
acogerse  ai  tiempo  'que  se  viesse  desbaratado,  y  sin  remédio.  Y  no 
dandosele  á  conocer,  le  promelio  veynte  cruzados  á  este  soldado,  por 
que  lo  llevasse  a  la  ciudad,  diziendo  que  era  un  vezino  de  Angra:  y 
viniendose  con  el.  los  encontro  en  el  camino  un  barrachel  dei  maestro 
de  campo  don  Francisco  de  Bobadilla.  Y  aviendole  manifestado  una  es- 
clava  negra  que  traia  consigo,  pensando  ella  por  este  aviso  alcançar 
libertad,  fue  preso  Manuel  de  Silva,  y  sabido  que  era  el  Conde  de  Tor- 
resvedras  (que  assi  le  llamavan,  como  se  á  referido)  el  barrachel  lo 
quito  ai  soldado,  y  poniendolo  en  la  silla  dei  cavallo,  lo  llevó,  a  la  po- 
sada dei  Marques,  y  don  Pedro  de  Padilla  lo  entrego  en  la  galeaça 
capitana  à  Juan  Ruyz  de  Velasco,  capitan  delia;  donde  fueron  presos 
otros  culpados  clérigos,  y  frayles.  que  andavan  en  abitos  indecentes, 
con  las  barbas  crecidas,  que  fueron  alborotadores  públicos,  y  avian 
predicado  entre  los  ofícios  divinos,  la  razon  que  tenian  en  seguir  esta 
causa  de  don  António,  y  defenderia  con  armas,  prejudiciales  ministros 
en  la  Iglesia,  para  que  la  gente  popular  nunca  se  quietasse,  ni  supies- 
se  en  lo  que  errava  ni  acertava,  ni  que  camino  deviesse  seguir  en  tal 
conflicto.  Entre  los  presos  avia  un  clérigo  en  abito  corto  de  estudian- 
te,  Mamado  Juan  Sobrino,  que  fue  de  la  Compania  dei  santíssimo  nom- 
bre  de  JESUS,  y  los  religiosos  de  la  casa,  viendo  que  este  hombre 
les  inquietava  en  aquella  tranquilidad  de  vida  que  professan,  lo  ex- 
pelieron  de  su  compania.  Este  predicava  de  ordinário,  y  movido,  ó  es- 
timulado de  passion  por  las  cosas  de  don  António,  se  descomponia 
con  palabras  y  gestos  indecentes.  Fue  lambien  preso  un  frayle  llama- 
do  fray  Simon  de  Barros  (*)  predicador,  que  fue  gran  solicitador  de  los 
negócios  de  don  António;  de  quien  siempre  hizo  gran  contiança,  que 
fue  a  Francia,  y  pidio  socorro  a  la  Reyna  madre  para  esta  Islã,  y  se 
lo  dio  por  intercession  dei  Duque  de  Joyosa.  y  de  Mosiur  de  Riiselio, 
y  de  otros  cavalleros  Mosiures  de  Francia,  los  quales  an  ayudado,  y 
dado  aliento  siempre  a  los  negócios  de  don  António;  y  assi  por  la 
continua  persuasion  deste  frayle,  embio  la  Reyna  madre  á  estas  Islãs 


(O  Vid.  a  Carta  (roste,  a  pag.  242  d'este  Volume. 
N.°  2^2 -Vol.  lY— 1883. 


314  AHCHIVO  DOS  AÇORES 

á  Mosiur  de  Chalres,  con  el  socorro  de  mil  y  selecientos  Franceses, 
de  que  se  á  hecho  memoria:  y  por  maestro  de  campo  á  Mosiur  de 
Campis,  con  oiros  cavalleros  y  capitanes  de  Francia,  que  acudieron  á 
esta  empresa,  y  dieron  calor  á  ella.  Por  algunas  cartas  que  el  Rey  de 
Francia,  y  la  Reyna  su  madre  avian  escrito  a  la  camará  y  ayunta- 
miento  de  la  ciudad  de  Angra,  ya  avian  estos  príncipes  ganado  la  be- 
nevolência a  las  Islãs,  y  aun  adquirido  el  amor  y  reconocimiento  de 
vassallos,  con  diferente  intencion  de  la  que  los  Portugueses  pensavan, 
porque  verdaderamente  el  Francês  entendia  apoderarse  destas  Islãs. 
y  una  carta  que  se  hallo  entre  los  papeies  dei  Coriegidor  Ciprian  de 
Figueredo,  de  las  que  se  escrlvieron  ai  regimiento,  dezia  desta  mane- 
ra,  buelta  en  Espanol. 

(Carta  do  Rey  de  Fravça  á  Camará  d'c/lngra,  de  i5  de  Julho.  iS8i.) 

REY. 

a  Caríssimos  y  amantíssimos,  por  la  gracia  de  Dios  Rey  de  Fran- 
cia y  de  Polónia.  Recebi  nuestras  cartas  que  me  embiastes  llenas  de 
lodo  bien.  y  de  verdaderos  y  claros  ânimos,  pues  quisistes.  conforme 
a  lo  que  Dios  manda,  conservar  vueslra  pátria,  que  es  la  cosa  á  que 
los  bombres  en  todo  el  mundo  son  mas  obligados  que  a  otra  algu- 
na,  y  para  mejor  efetuar  esto,  me  pedistes  socorro:  y  siendo  assi,  que 
los  Reyes  anliguos  nuestros  antecessores  de  gloriosíssima,  y  comen- 
datissima  memoria,  quizieron  siempre  y  con  muy  entera  volunlad  a- 
costumbiaron  socorrer  y  ayudar  los  afligidos,  no  queremos  nosotros 
aora  dexar  perder  este  tan  excelente  loor,  que  por  lodo  el  mundo 
causará  ser  nuestra  fama  estendida  y  celebrada,  por  lo  que  (como 
vosolros  vereys)  hallareys  siempre  en  nos.  para  vueslra  conserva- 
cion,  todo  socorro,  y  correspondência  conveniente  y  necessária,  y  os 
ayudaremos  con  todo  nueslro  poder.  Tuvimos  mucho  contenlamiento 
por  saber  que  el  capitan  António  Scheling,  [Scalin)  se  avia  bien  y 
con  verdadera  virtud  y  esfuerço  en  essa  Isla,  ai  qual  mandamos  que 
persevere  y  eslé,  hasta  que  en  breve  liempo  embiemos  una  persona 
de  mucha  autoridad.  y  calidad.  y  entretanto  rogamos  ai  senor  Dios. 
que  á  vos.  amicíssimos,  y  caríssimos  mios.  os  guarde  y  prospere  en 
salud  en  su  divina  gracia.  Escrita  en  S.  Mors  hesfossez.  diez,  y  seys 
de  Júlio,  de  mil  y  quinienlos  y  ochenta  y  uno.  Rey  de  Francia.  y  de 
Polónia.  Enrique.» 

Todos  estos  Franceses  viníeron  con  patentes  de  su  Rey,  como  pa- 
recieron  en  poder  dellos  y  las  ínlencíones  y  designos  dei  Rey  de  Fran- 
cia bien  las  sospechava  y  temia  don  António,  como  parece  por  muchas 
cartas  que  escritas  de  su  mano  se  hallaron  en  poder  de  Manuel  de 
Silva,  diziendole  y  advirtiendole,  que  usasse  de  artificio  con  esta  na- 
cion  Francesa,  y  que  diesse  á  entender,  que  la  gente  desta  Isla  sufre 


ARCHIVO  DOS  AÇORES  31o 

mal  la  deinasiada  moléstia,  y  que  assi  convendria  entretener  la  mayor 
parte  dei  exercito  Francês  en  las  naves,  y  no  dexar  saltar  à  tierra 
mas  de  las  cabeças  principales,  encargandole  en  todo  el  artificio  y  ciiy- 
dado,  por  no  dar  á  entender  este  receio  y  flaqueza  a  los  Franceses, 
por  ser  gente  inquieta  y  sobervia.  Aqui  se  puede  considerar,  como 
una  de  las  cosas  mas  erradas  en  que  caen  los  pueblos  ó  províncias, 
Hstà  en  servirse  de  capitanes  eslrangeros.  confiando  dellos  toda  la  hon- 
ra de  su  exercito,  y  republicas,  porque  deste  error  á  resultado,  muchas 
famosas  y  florentissimas  ciudades,  no  aver  echado  de  ver  su  daiío,  has- 
ta que  se  hallan  destruydas  y  assoladas  con  perdida  irreparable,  y  es- 
te fue  el  principio  de  la  diclinacion  dei  Romano  Império:  y  assi  lo  que 
mas  importa,  á  de  confiar  el  capitan  de  los  suyos,  porque  no  le  su- 
ceda lo  que  á  Demétrio,  quando  sus  propios  soldados  se  bolvieron 
contra  el  en  favor  de  Antioco.  Fue  despues  este  frayle  á  Inglaterra, 
y  con  el  António  de  Vega,  vezino  de  Lisboa,  y  la  Keyna  de  Inglater- 
ra no  quiso  darles  ni  ayudarles  con  cosa,  sino  solamente  les  dio  en- 
trada para  poder  traer  artilleria  y  municiones  pagandolas:  ayudavales 
el  Conde  de  Lestre,  y  el  secretario  Valsinguen,  y  un  Judio  medico  Ma- 
mado Ruy  Lopez,  que  salio  huyendo  de  Portugal,  de  la  fúria  de  los 
Castellanos:  y  por  estos  y  oiros  tau  senalados  servicios,  era  este  fray 
Simon  muy  amado  de  dou  António,  y  en  muchas  cartas  que  le  escri- 
ve  firmadas  de  su  nombre,  le  encarga  la  perseverancia  en  el  continuo 
hervor  que  siempre  á  tenido  en  persuadir  estas  Islãs,  y  sustentar,  y 
atraer  á  su  devocion  cada  dia  mas  gente:  y  entre  muchas  cartas  que 
le  escrivio.  una  delias  dezia  ilesta  manera,  buelta  de  lengua  Portu- 
guesa. 

(Carta  de  D.  António  a  frei  Simão  de  Barros,  14  de  Julho  da  iSSi.) 

«Simon  de  Barros,  yo  el  Rey  os  embio  mucho  á  saludar.  Recebi 
vuestra  carta,  y  por  ella,  y  por  la  informacion  que  tuve  dei  doctor  Ci- 
prian  de  Figueredo,  entendi  con  quanta  inclinacion  y  lealtad  aveys  pro- 
fessado mi  servicio,  lo  qual  os  agradezco  mucho,  y  á  ello  tendre  la 
alencion  que  por  tales  servicios  se  deve,  y  por  ellos  yo  os  hare  la  mer- 
ced  y  honra  que  vos  vereys  muy  presto,  por  la  brevedad  con  que  es- 
pero partirme  á  restituyr  mis  reynos,  y  librar  á  mis  vassallos  de  Ia 
servidunbre  dei  Rey  de  Castilla.  para  que  assi  les  pueda  mostrar  quaii 
bien  les  pago  el  riesgo  y  trabajo  que  por  mi  an  passado,  de  que  vos 
en  particular  tendreys  la  parte  que  se  os  deve  por  vueslros  servicios: 
ruego  os  mucho  que  lo  continueys  con  vuestro  buen  animo,  y  ayudeys 
á  defender  essas  Islãs,  porque  á  ellas  solamente  (juede  el  nombre  de 
verdaderas  y  leales,  y  vos  por  autor  de  tal  obra,  a  las  quales  mando 
socorrer  y  proveer.  como  por  vos,  y  por  otras  personas  é  sido  avisa- 
do. Escrita  en  Estepuy,  catorze  de  Julio,  de  mil  y  quinientos  y  ochen- 
ta  y  uno.  Rey.» 


316  ARCHIVO  DOS  AÇOHES 

Declaro  que  andavan  en  servido  de  don  António,  algunas  personas 
dei  reyno  de  Portugal,  don  António  de  Meneses,  Juan  Corrêa  de  Sosa, 
Tomas  Cachero,  Manuel  de  Brito,  Diego  Botello,  Manuel  Fernandez. 
todos  estos  vezinos  de  Lisboa,  y  Juan  Rodriguez  de  Veja,  y  Diego  Ro- 
driguez,  de  Setúbal,  y  Rodrigo,  de  Santaren,  y  Gaspar  Diez,  Canonigo 
deEbora,  y  Baltasar  Limpo,  Dean  de  Braga,  y  Simon  Afonso,  y  Cons- 
tantino de  Brito,  y  Geronimo  de  Silva,  vezino  de  Viana,  y  António  de 
Brito  Pimentel,  todos  estos  le  seguian,  aunque  no  se  acompanava  si- 
no de  três  ó  quatro  por  las  ciudades  de  Franrja,  y  de  los  principales 
Ciprian  Figueredo,  corregidor  que  fue  de  la  ciudad  de  Angra,  que 
sustento  en  aquella  Islã  la  parte  de  don  António,  y  assi  le  escrivio  al- 
gunas cartas  la  Reyna  madre,  agradeciendole  el  cuydado  y  buen  zelo 
con  que  llevava  adelante  las  cosas  de  aquellas  Islãs,  y  una  delias,  que 
fue  bailada  entre  sus  libros  en  Angla,  traduzida  de  lengua  Latina 
en  que  estava,  dezia  desta  suerte:  y  algunos  querran  dezir  que  estas 
cartas  son  fingidas,  haziendo  los  Portugueses  á  estos  príncipes  auto- 
res y  protectores  desta  rebelion,  para  dar  color  a  su  gravíssima  cul- 
pa, pêro  de  la  manera  de  proceder  que  se  á  tenido,  podra  juzgar  el 
que  leyere  esta  escritura  dei  propósito  dei  Francês,  y  de  Ia  intencion 
de  los  nalurales  de  las  Islãs,  y  no  avra  necessidad  de  quitar  culpas 
a  unos,  para  cargar  en  otros,  por  que  aunque  los  designos  eran  di- 
ferentes de  los  Franceses  en  querer  dissimuladamente  apoderarse 
con  las  Islãs,  y  de  los  naturales  en  defenderias  para  eIRey  que  ellos 
llamavan,  en  realidad  de  verdad  el  fin  era  todo  uno  para  lo  que  toca- 
va ai  Rey  Católico,  que  era  negarle,  y  impedirle  por  todas  vias,  y  de- 
fender con  armas  lo  que  de  derecbo  le  pertenece.  Dezia  pues  la  carta 
desta  manera: 


{Carta  da  Rainha  Mãe,  a  Cyprião  de  Figueiredo,  de  \  6  de  Julho  de  i58i.) 

«Caro  y  buen  amigo,  Ciprian  de  Figueredo.  Nos  Catharina  por  la 
gracia  de  Dios  Reyna  de  Francia,  madre  dei  Rey.  No  nos  pudo  llegar 
mas  agradable  mensagero  que  el  que  nos  as  embiado,  con  el  qual  nos 
escrives  que  estás  determinado,  y  con  constante  resolucion,  de  per- 
manecer hasta  el  fin  en  la  fé  y  fidelidad  que  tienes  con  nuestra  pá- 
tria, cuya  honra  y  conservacion  te  deve  ser  mas  amada  y  recomenda- 
da que  ninguna  otra  cosa,  porque  es  conforme  á  razon.  Avemonos  a- 
legrado  mucho  de  entender,  quan  bien  se  aya  ávido  por  alia  el  capi- 
tan  António  de  Scheling,  ( Sca/m)  y  podeys  prometer  de  mi  parte,  y 
estar  ciertos,  que  nuestro  amado  senor  y  hijo,  está  dispuesto  para 
todo  aquello  que  es  vuestro  amparo  y  consolacion  y  nos  acudiremos 
con  el  favor  y  buenas  obras  en  las  cosas  que  se  os  ofrezcan,  y  en  tan- 
to suplicaremos  ai  Criador,  caro  y  buen  amigo,  que  te  tenga  en  su 
santíssima  y  digna  conservacion.  Escrita  en  S.  Mors  Desfossez,  a  diez 


ARCHIVO  DOS  AÇOHES  317 

y  seys  de  Júlio  de  mil  y  quinientos  y  ochenta  y  un  anos.  La  Reyna  de 
Francia,  madre  dei  Rey,  Calharina.» 

Y  juntamente  con  esta  otra  carta  dei  Rey  don  Enrique  su  hijo, 
que  tratava  de  la  mesma  matéria  por  este  estilo,  en  conformidad  de 
su  madre.  Hallose  entre  los  papeies  deste  frayle  un  libro  de  muchas 
cosas  que  yva  escriviendo,  en  que  seguia  cierta  ficcion  de  historia  fa- 
bulosa en  lengua  Portuguesa,  donde  tratava  de  la  ruyna  dei  gran  rey- 
no  de  Lusitânia,  lleno  de  razones  y  discursos  en  ódio  de  nuestra  na- 
cion.  Y  entre  las  veras  halle  esta  carta,  que  por  ser  á  propósito  pa- 
ra nuestros  designos,  y  que  va  dando  luz  á  este  comentário,  me  pare- 
cio  traduziria  para  este  libro,  la  qual  el  Parlamento  de  Francia  escri- 
vio  a  don  António,  diziendo  assi. 

(Carta  do  Parlamento  frauce^  a  D.  António.) 

«En  ningun  tiempo  pudieramos  tomar  esta  empresa  con  mas  cier- 
las,  esperanças  de  que  no  nos  saldra  de  las  manos  sin  en  fin  que  des- 
seamos,  sino  en  este,  que  os  representará  a  los  ojos  vuestras  proezas, 
y  hazanas  tan  gloriosas  como  nos  tiene  persuadido  la  fama  de  vues- 
tras vitorias,  y  no  dará  lugar  a  que  os  olvideys  de  vuestro  grande  a- 
nimo;  pêro  desseamos  que  os  olvideys  eternamente  dei  yerro  que  los 
poços  deste  consejo  hizieron  en  vuestro  servicio:  ellos  lienen  ya  el  pago 
de  su  codicia,y  á  nosotros  dareys  por  galardon  de  nuestra  verdad  y  le- 
altad  el  no  averos  aceptado  el  socorro  de  las  gentes  Septentrionaies, 
que  sabemos  que  en  vuestro  nombre  se  apercibe,  pues  está  entendido 
dela  experiência  que  dellos  se  tiene,  que  puesto  que  en  algunas  oca- 
siones fueron  leales  a  los  Emperadores,  á  quien  en  las  guerras  pas- 
sadas sirvieron,  despues  tuvieron  por  ellos  mas  cierto  el  dano,  como 
enemigos  que  siempre  fueron.  Este  reyno  está  todo  puesto  en  armas 
en  vuestro  favor,  y  la  sabia,  y  magniíicentissima  Reyna  tiene  dado  or- 
den  para  que  se  haga  una  poderosa  armada,  cuyo  socorro  con  mas 
razon  deveys  aceptar,  que  el  que  Marco  António  tuvo  para  acometer 
á  Agusto  César,  con  el  que  le  dio  la  Reyna  Cleópatra,  de  quien  la 
nuestra  deciende,  y  á  quien  en  todo  se  aventaja.  A  ella  tiene  el  Rey 
dados  los  poderes  necessários  para  el  efeto  desta  obra,  y  ella  tiene  á 
nos  cometida  la  execucion:  y  por  lo  que  á  su  ser  y  estado  importa  el 
secreto  de  la  voluntad,  con  que  á  acudido  a  las  cosas  de  vuestro  ser- 
vicio, justamente  lo  deveys  guardar.  Venid  con  brevedad,  para  signi- 
ficarle  lo  que  en  ello  quereys  que  hagamos;  Dios  os  conserve,  ác.» 

Llego  á  esta  sazon  á  juntarse  con  la  armada  el  navio  que  avia  to- 
cado én  los  Cachopos,  a  la  salida  de  Relhlen,  como  ai  principio  se 
ha  dicho  vino  con  la  compania  de  don  Miguel  de  Cardona,  dei  tercio 
dei  maestro  de  campo  general,  y  con  otra  compania  de  Garci  Lasso 
de  la  Vega. 


UI8  ARCHIVO    DOS    AÇORES 


ENTRADA    EN    EL    FAYAL. 

A  este  tiempo  einbio  el  Margiies  desde  la  ciadad  de  Angra  á  don 
Pedro  de  Toledo  Osório,  Marques  de  Villafranca,  a  la  Islã  dei  Fayal, 
«^tie  esta  Ireynta  léguas  de  la  Tercera.  con  doze  galeras;  quatro  pata- 
ches,  diez  y  seys  pynaças,  navios  que  fueron  de  muclia  importância 
en  esta  jornada,  y  algunos  baj-cos  y  barcas,  y  sobre  ellas  dos  mil  y 
quinientos  hombres.  infanteria  de  dift^rentes  tercios,  con  el  maestro 
de  campo  Agustin  Yniguez  de  Çarate.  y  los  capitanes  Juan  de  Sala- 
zar, Miguel  Ferrer,  don  Christoval  de  Acufia,  don  Estevan  dei  Aguila, 
Hustamente  de  Herrera,  Juan  Fernandez  de  Luna,  Miguel  de  Benesa, 
Sancho  de  Solis,  don  Juan  de  Lanuça,  Sanclio  de  Bullon.  Luys  de 
(luevara.  Pedro  Pardo  de  Aguiar.  Martin  de  Herrera,  y  el  capilan 
(larlos,  con  cienlo  y  cinquenta  Alemanes,  y  cavalleros  avenlureros, 
don  Hugo  de  .Moncada,  don  Gabriel  de  Lnpian,  d(jn  Juan  Manrique. 
don  Gonçalo  de  Guevara.  don  Geronimo  Çapata  Osório,  don  Rodrigo 
l*once  de  Leon,  don  Juan  de  Acuna.  don  António  Ent'i(]uez,  don  Ge- 
ronimo Honquillo,  Juan  Fernandez  Galindo  de  Qninones.  Diego  de  Mi- 
randa; y  para  las  cosas  de  mar,  los  capitanes  Miguel  de  Oquendo, 
Rodrigo  de  Vargas,  Marolin,  don  António  de  Mendoça,  que  en  esta 
jornada  traia  á  sn  cargo  los  pataches  y  pinaças,  y  Tibnrcio  Espano- 
que  cavallero  dei  abito  de  S.  Juan.  Y  passando  don  Pedro  de  Toledo 
por  las  Islãs  de  S.  Jorje,  y  dei  Pico,  llegó  cf)n  su  armada  a  la  vista 
lie  la  Islã  dei  Fayal.  Islã  fnerte,  que  tendra  nueve  léguas  en  torno. 
Llamose  esta  Isla  ai  principio  de  su  fnndacion  Nueva  Flandes.  porque 
fueron  Flamencos  los  que  la  poblaron,  y  cultivaron.  como  parece  por 
la  gente  que  en  ella  se  halla.  y  lo  atirma  Gaspar  Vopelio  en  su  des- 
••ripcion  universal,  y  Juan  Baptista  Urient.  qne  dize  aver  sido  los  que 
liallaron  estas  Islãs,  nalurales  de  Brujas,  y  assi  ay  algunos  linages  al- 
li  de  Brunos,  y  Utreques.  Quando  Nego  don  Pedro,  seria  poslrero  de 
Júlio,  y  surgio  en  la  Isla  dei  Pico,  que  está  dei  Fayal  casi  una  légua: 
y  luego  embio  don  Pedro  nn  Português  natural  de  aquella  Isla.  hom- 
bre  conocido,  y  de  los  mas  caudalosos  delia,  servidor  de  su  xMages- 
íad,  llainado  Gonçalo  Pereyra,  con  el  protesto  de  parte  de  su  Mages- 
tad,  en  una  fragata  con  seys  mosqueteros.  y  algunos  marineros,  los 
quales  le  llevaron.  y  dexaron  en  cierto  desembarcadero,  cerca  dei 
puerto  de  la  Riberina,  y  se  boivieron  a  la  galera  capitana,  la  qual  sa- 
lio  luego  a  reconocer  parte  de  la  Isla.  y  llegaron  hasta  la  punia  de  la 
Riberina.  donde  avia  im  razonable  surgidero  ai  parecer,  y  desampa- 
rada de  gente  aipiella  trinchea:  pêro  los  enemigos  como  vieron  que 
la  galera  acostava  por  aquella  parte,  acadieron  con  priessa  ai  socor- 
ro. Disparo  la  galeia  capitana  quatro  pieças,  y  luego  se  bolvio  á  juntar 
con  la  armada,  y  otro  dia  signienle  salio  don  Pedro  de  Toledo  con  el 
maestro  de  Campo  Agustin  Yinguez.  Miguel  de  Oquendo,  Rodrigo  de 


ARCHIVO  DOS  AÇOHES  ,'il!) 

Vargas,   y  Marolin,  á  recono^er  torla  esta  h\a,  en  la  galera  capitana. 
a  la  qual  siguio  olra  galera>  aviendo  doblado  una  punia,  que  haze  h 
Islã,  mas  abaxo  de  las  Feiteras:    salio  de  la  galera  eu  una  fragata  a- 
companado  dei  ingenierO;  y  de  otros  gentiles  hombres,  y  se  fueron 
con  ella  cerca  de  tierra,  y  la  galera  en  su  seguiniientu:  llegaronse  a 
la  marina  dos  6  três  de  los  enemigus,  a  los  quales  desde  la  fragata 
se  les  hizieron  senas,  si  queriau  venirse  á  nosotros,  mostrandoles  una 
vandera  de  paz.  Mas  viendo  que  se  perdia  tiempo.  dou  Pedro  se  bol- 
vio  a  su  galera,  y  luego  se  ecbò  a  la  mar  nn  mancebo  dei  Fayal  I*or- 
lugues,  y  se  vino  uadando  házia  la  galera,  y  este  dio  la  nueva  de  la 
maldad  dei  governador,  que  con  su  própria  mano  avia  muerto  á  Gon- 
çalo Pereyra,  que  fue  el  mensajero  que  llevò  los  recaudos  de  parte 
de  su  Magesiad  para   que  entregasseu  la  Isla:  y  assi  el  delito  deste 
governador  fue  atrocissimo,  pues  quebranto  la  ley  natural,  contra  la 
fé  que  se  deve  guardar  con  los  enemigos  inviolablemente.  desde  la 
inslitucion  de  la  humana  naturaleza,  y  dei  principio  dei  primer  sacra- 
mento delia,  como  se  colige  de  las  leves  humanas  y  divinas,  pues  co- 
mo la  guerra,  y  el  derecho  de  los  enemigos,  naciesse.  no  dei  primer 
estado  de  la  inocência,  mas  en  el  segundo  ya  depravado,  no  se  mudú 
por  esto  el   derecho  primero  y  natural  de  la  guerra,  y  observacion 
de  la  fé:  y  assi  maltratar  embaxador,  es  culpa  grave,  quanto  mas  dar 
le  la  muerte  porque  su  oficio  se  encamina  á  médios  de  paz,  y  condi- 
ciones razonables  que  se  deven  aceptar.  Dio  noticia  este  mancebo  que 
se  vino  a  la  parte  dei  Hey  Católico,  en  particular  dei  numero  de  los 
enemigos,  y  de  otras  cosas  que  el  pudo  saber:  y  assi  passo  y  prosi- 
guio  don  Pedro,  reconociendo  lo  que   restava  de  la  Isla:  y  aviendola 
circundado  toda.  hallaron  en  el  puerto  de  la  Riberifia  nuevàmente  dos 
vanderas  en  aquella  irinchea.  y  juntandose  las  dos  galeras  con  toda 
la  armada,  se  resolvio  el  lugar  por  donde  se  avia  deacometer  el  dia 
siguiente:  y  luego  se  dio  crden  á  dos  galeras  que  remolcassen  dos 
pataches  grandes,  y  otras  dos  barcas  vazias,  y  que  fuessen  á   tocar 
arma  ai  enemigo  en  la  parte  dei  puerto  de  la  Reberifia,  y  que  no  la 
tocassen  hasta  las  dos  de  la  madrugada.  Y  a  las  onze  horas  de  la  no- 
che  çarpó  la  capitana.  y  las  demas  galeras,   y  fueron  tierra  á  tierra. 
porque  con  la  claridad  de  la  luna  no  pudiessen  ser  dtscubiertos  de 
los  de!  Fayal.  que  estavan  á  frente:  y  en  doblando  una  punia  que  ha- 
ze la  Isla  dei  pico.   tomaron   la   buelta  de  la  mar,  hasta  ponerse  en 
frente  dei   lugar  donde  avia  de  desembarcar  nuestra  gente:  y  a  este 
tiempo  avian  ya  llegado  las  dos  galeras  con  la  ordcn  que  se  á  dicho 
á  tocarles  arma.  aviendo  repartido  el  tiempo,  de  suerte  que  pudieron 
estar  ai  amanecer  en  el  desembarcadero.  Llegaron  a  la  parte  que  lla- 
raan   las  Feiteras,   y  tomandolo  nu  puco  mas  abaxo.   porque  forco  á 
ello  la  fúria  de  la   corrienle,  començaron  las  galeias  á  disparar  con 
raucha  priessa,  y  nuestra  gente  a  desembarcarse  c()n  alguna  dificullad. 
por  ser  el  desembarcadero  muy  fragoso.  Kstavan  a  la  defensa  cincuen- 


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ta  soldados,  que  hizieron  poça  resislencif,  y  assi  se  fue  desembarcan- 
do la  infanteria;  y  el  maestro  de  campo  Aguslin  Yniguez  salio  a  la 
(^ampaua,  y  començó  á  formar  esquadron,  y  algiinas  mangas  de  arca- 
buzeria,  y  mosqneteria,  y  entrando  en  la  tierra,  yvan  los  enemigos 
retirandose:  y  ya  avria  nueslra  gente  marchado  como  una  milla,  y 
passaron  las  mangas  un  arroyo  grande,  y  puestos  de  la  otra  parte  se 
descubrio  la  gente  dei  enemigo,  que  toda  junta  estava  fortificada  en 
una  montanuela,  y  como  descubrieron  los  nueslros,  hizieron  los  ene- 
migos ademan  de  querer  venirse  á  confrontar  con  nuestro  esquadron 
pêro  luego  hizieron  alio,  y  embiaron  dos  companias  con  sus  vanderas, 
para  que  travassen  escaramuça  con  nueslra  manga  sinieslra,  donde  ve- 
nian  los  capilanes  Miguel  Sans  de  Benesa,  y  Ferrer,  y  en  la  derecha 
vénia  el  caipan  Flores.  Travada  la  escaramuza,  los  enemigos  lo  hazian 
animosamente,  de  suerte  que  en  todo  aquel  liempo  no  se  conocio  ven- 
laja  de  una  ni  otra  parte,  porque  de  ambas  uvo  muertos  y  heridos.  Y 
aviendose  ordenado  por  don  Pedro  de  Toledo,  ai  doctor  Perez  de  Her- 
rera  Protomedico  desta  armada,  hiziesse  retirar  a  los  que  avian  si- 
do heridos  en  las  escaramuças,  para  que  los  curassen  en  las  galeras, 
no  solo  sirvio  el  doctor  en  su  ministério,  pêro  resistiendo  aios  enemi- 
gos, para  que  no  acabassen  de  matar  a  los  caydos,  los  defendio  con 
la  espada,  y  el  fue  herido  de  un  arcabuzazo  en  un  hombro,  que  por 
averselo  dado  por  causa  tau  piadosa.  merece  particular  memoria  en 
este  libro:  aunque  con  otras  obras  de  caridad  que  vemos  hechas  por 
su  industria  y  orden,  ya  viene  á  ser  esta  la  menor,  como  se  muestra 
en  aquella  grande  empresa  de  la  reformacion  y  amparo  de  los  pobres 
mendigantes  destos  reynos,  y  alvergues  que  se  fundan  en  las  ciuda- 
des  de  Espana,  en  tiempo  dei  Católico,  y  Christianissimo  Rey  don  Feli- 
pe segundo  nuestro  senor,  encargada  esta  obra  á  la  singular  discrecion 
y  christianidad  de  su  Presidente  de  Castilla  digníssimo,  el  seííor  licen- 
ciado Rodrigo  Vazquez  Arze.  Y  por  estos  y  otros  servicios  dei  doctor 
en  esta  jornada,  le  hizo  su  Magestad  merced  de  renta  de  por  vida. 
Sobrevino  en  esta  coyunlura  el  capitan  Juan  Fernandez  de  Luna  con 
una  manga  de  mosqueteros,  y  cargando  sobre  los  enemigos,  los  hizi- 
eron retirar  con  mucha  priessa,  juntandose  los  Franceses  con  los  de- 
mas  de  donde  avian  salido;  y  algunos  Portugueses,  que  todos  se  re- 
cogieron  a  la  sierra,  y  el  esquadron  enemigo  se  començó  à  retirar  y 
se  esparzio  por  el  campo  el  ganado  mayor,  que  tambien  traian  con-